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domingo, 17 de maio de 2015

Nosso lugar no Cosmos

O astrônomo Dan Goldsmith perguntado a respeito de qual era a maior invenção, para ele, nesses últimos dois mil anos, respondeu de forma muito interessante.
Afirmou o astrônomo inglês que, para ele, o mais fundamental nesses dois mil anos, foi a síntese mental da Humanidade que permitiu que os indivíduos passassem a perceber que fazemos parte, aqui na Terra, de uma grande família, de um grande circuito, de um circuito cósmico e não estamos isolados num ponto específico do espaço, como se fôssemos uma ilha. Fazemos parte dessa grande família cósmica que vibra pelos Universos.
A partir dessa fala de Dan Goldsmith, começamos a refletir sobre aquilo que ele chamou de síntese mental.
Torna-se uma síntese mental porque, ao longo do tempo, gradativamente, as pessoas foram entendendo que era impraticável imaginar-se que a Terra está isolada no espaço ou que aqui é o único lugar em toda parte onde existe vida humana, onde há criaturas pensantes, indivíduos inteligentes.
Essa ideia, a princípio, fazia parte das crenças chinesas, dos chineses primitivos, que chegavam a arremessar contra as estrelas suas flechas incendiárias, imaginando que essas flechas iriam alcançar alguém habitante das estrelas.
Essas ideias também faziam parte dos religiosos da Antiguidade, que sempre acreditaram que há seres que vivem nesses mundos brilhantes da imensidão.
Mas, formalmente, a Ciência sempre foi cética com relação a isto, pelo menos a Ciência Ocidental.
Quando ouvimos um homem como Dan Goldsmith expressar-se desta maneira, de que para ele, nos últimos dois mil anos, a coisa mais fundamental, a invenção mais notável é essa síntese mental da Humanidade, sentimo-nos felizes por perceber que já existe grande grupo pensando a respeito dessa viabilidade de vida em outras partes do Universo, vida em outros mundos. Mas, fundamentalmente para Smith, é importante que nós sintamos que não estamos isolados no Cosmos, estamos, isto sim, integrados a um grande contexto, a um gigantesco Cosmos.
E, cabe-nos então, baseando-nos nessa afirmativa do astrônomo, desejar saber qual a importância disto, qual a importância de sabermos que somos parte de uma gigantesca família.
Nós, os humanos, precisamos saber qual é a importância de tudo isto. E ao pararmos para avaliar a afirmativa de Dan Goldsmith, nos apercebemos de que estarmos partilhando essa vida cósmica significa que existe um objetivo, ou se quisermos, um telefinalismo, uma finalidade distante do Autor da vida, da Divindade ou de Deus, se assim quisermos, para que existamos, para que estejamos aglomerados em planetas diversos.
Como numa grande cidade, cada família mora em sua casa e há conjuntos de casas que formam um mesmo bairro e são esses bairros que constituem a cidade.
Ora, a partir disso, lançamos a nossa visão para ensinamentos notáveis que advém do Mestre Nazareno quando lemos as notas do Evangelista João, 14, 1 a 3: Credes em Deus, crede também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas. Eu me vou para vos preparar o lugar e se assim não fosse eu já vos teria dito.
Ora, se há muitas moradas na casa do Pai, Dan Goldsmith conseguiu perceber isto a tempo, para nos ensinar, para deixar claro aos seus leitores, aos que estudam suas teses, de que a síntese mental da Humanidade foi a coisa mais eloquente para ele, ao entender que somos partes de uma grande família.
*   *   *
Quando nos damos conta de que fazemos parte dessa imensa família, isso de algum modo deverá servir para diminuir a nossa prepotência, nosso orgulho.
E essa vaidade tão tola de nos acharmos superiores aos outros. Todos nós fazemos parte de uma grande grei, um clã agigantado que cobre milhões e milhões de sóis, que compõem milhares e milhares de constelações, de sistemas planetários.
Deste modo, não estamos sozinhos nesse contexto evolutivo. Como numa cidade, existem aqueles que estão trabalhando em posições subalternas, até que consigam crescer, se desenvolver, se aprimorar, quanto há aqueles que já estão galgando posições mais altas, dado o trabalho que desenvolveram sobre si próprios. No concerto dos mundos também ocorre isto.
A Terra é classificada pelos Imortais como sendo um mundo de provações porque aqui estamos, Espíritos que necessitamos de aprendizagem de variados níveis.
E essa aprendizagem, tanto nos permite desenvolver o nosso lado intelectual, nos assenhoreando de todas as ciências importantes para o nosso mundo, quanto desenvolver nosso lado humano, nossa relação fraternal, nosso convívio.
Então, somos Espíritos em prova, porque precisamos dos testes cotidianos, das provas de cada momento, como alunos numa escola, após o aprendizado feito, a necessidade de que demonstrem ter fixado o conteúdo, ter aprendido o conteúdo.
Então, este mundo é um mundo de provas ou um mundo provacional, exatamente por isto. Porque nos alberga aqui e todos temos necessidade de realizar o aprendizado que ainda nos falta.
Por outro lado, é um mundo expiatório porque todos nós, com pouquíssimas exceções, que nos achamos aqui, temos débitos contraídos com o nosso pretérito, com o nosso passado, seja um passado recente, desta mesma existência, ou seja um passado remoto, de outras existências.
Tudo aquilo que fizemos, contrariando as Leis Divinas que pulsam em nossa consciência, nos fez contrair débitos que precisaremos ressarcir. Tudo aquilo que deixarmos de fazer, contrariando as Leis Divinas que nos mandam agir no bem, também exigirá de nós um período de resgate, de reacerto, de reaproveitamento do tempo que desprezamos, que malbaratamos.
Saber que fazemos parte dessa família sideral e termos isto intuitivamente é porque viemos dessas outras dimensões cósmicas, saímos de outros mundos da casa do Pai, como lembrou Jesus Cristo, até chegarmos à Terra. A Terra já não é um mundo primitivo, a Terra é um mundo de provações e de expiações.
Ora, aqueles que nos achamos em regime expiatório, tendo que pagar dívidas, isso significa que já vivemos antes e contraímos essas dívidas, em outras estâncias cósmicas.
Desse modo, é muitíssimo importante nos apercebermos de que a nossa existência contemporânea não é casual. Não somos, como muitos imaginam, frutos do acaso bioquímico, a formação do nosso cérebro determinando a existência de uma alma.
Não. Para o pensamento Superior dos Nobres Guias do mundo é a alma que estabelece a existência do cérebro físico.
Já o velho Lamarck afirmava, no Século XIX, que a função faz o órgão. Se o órgão é material, a função é imaterial ou é incorpórea.
Deste modo, aprendemos como é importante, sabedores de que não estamos a sós no espaço sideral, trabalharmos, fazermos o nosso melhor, darmos a nossa melhor parte a serviço do bem, em nome do amor, como filhos de Deus, lucigênitos, que todos somos.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 202, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.