Pages

Translate

English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Atividades para a Paz

Nunca se ouviu falar tanto de paz na Terra, como nestes tempos que estamos vivendo. Para tudo e para qualquer coisa, fala-se da paz. Desde há muito se conhecia a pomba da paz. Há muito se fala da bandeira da paz, dos tratados de paz ou de armistício.
Mas, afinal de contas, o que vem a ser mesmo a paz?  É muito difícil para quem não é pacífico saber o que venha ser a paz. Para muita gente, a paz é a postura das águas paradas; para outros, a paz é a inércia, é o não fazer nada, é o não ter que se incomodar, se importunar, que sair do seu lugar, não ter ninguém que o aborreça, que o importune, que o chateie. Parece que a paz se torna, para muita gente, uma virtude estanque, parada, ancilosada, quando, em realidade, a paz é exatamente o oposto.
Quando vemos a superfície espelhada no lago jamais suporemos que na intimidade do lago exista paralisia. Há vida que ferve, há vida que exubera. Existe vida que se mostra, que se multiplica, que se revigora.
Quando se fala em harmonia ou em paz estamos tratando de uma postura de vida porque a paz é uma virtude ativa e também pró-ativa. A paz engendra outras tantas virtudes. A paz realiza muitíssimos trabalhos. Por causa disso, cada vez mais é preciso aprender a identificar que paz é essa a que estamos nos referindo. É a paz dos cadáveres? A preguiça rançosa dos cadáveres? Ou estamos falando em paz:  atividade, atitude, consciência tranquila,  disposição para o bem, para o trabalho, para a luta? Isso é paz.
Quando pensamos nos ases da paz que o mundo conheceu, à semelhança de Gandhi, o grande líder da paz indiana, vemos que a vida de Gandhi teve de tudo, menos inércia. Era um homem de atividade. Atividade social, na política, atividade  religiosa. Era um homem de atividades em prol do bem geral. Era um homem de paz.
Quando pensamos em Teresa de Ávila, a conhecida Santa Teresa D'Ávila, freira, religiosa por excelência, constatamos que ela não vivia rezando pelos cantos o dia inteiro. Ia à luta, buscava recursos para seus velhos, buscava elementos que pudessem ajudá-la a manter, a construir e a manter o lar de idosos. Sofreu o convite devastador de um príncipe, um convite indecoroso, indecente, trocando-o por uma ajuda que ela rechaçou com a maior tranquilidade. Verificamos, na vida dessa mulher de paz que a sua paz tinha de tudo, menos inércia.
Lembramo-nos do Prêmio Nobel da Paz, que foi Madre Teresa de Calcutá. Naquela mulher pequena e magra havia tudo, menos inércia. Alfabetizou crianças, cuidou de leprosos, tuberculosos, de velhos abandonados jogados às lixeiras da Índia. Era uma mulher ativa, exuberantemente ativa e era da paz.
Quando nos lembramos desses vultos tão recentes na Humanidade, lembramos de Martin Luther King Junior que, em 1968, tão próximo de nós, fez a grande marcha sobre Washington contra o apartheid americano, o preconceito étnicoamericano.
Verificamos que a paz carrega em seus ingredientes essa capacidade de sairmos do lugar, de nos movimentarmos; essa capacidade de agir, de fazer, de provocar mudanças positivas para a sociedade. É por causa disso que, todas as vezes que falarmos de paz, será necessário estabelecermos se estamos falando verdadeiramente de paz ou se nos referimos à inércia dos mortos, à inércia do pântano, à inércia da morte.
*   *   *
Sendo a paz essa virtude, por excelência, que está dentro da criatura  e que é bem diferente do que se costuma imaginar, evocamos um dos ensinamentos do Homem de Nazaré, quando nos disse: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou, mas não vo-la dou como o mundo a dá. Neste ensinamento de Jesus Cristo percebemos algo fabuloso porque, em verdade, ninguém pode dar do que é seu, espiritualmente, para o outro. Mas Jesus Cristo nos dizia que deixava Sua paz como modelo para nós, como proposta e, mesmo assim, não deixava da mesma maneira que o mundo deixa. A paz do mundo, vale a pena rever, é como a paz dos cadáveres, a paz da inércia, a paz do não fazer nada. É uma paz que não deveria ser chamada de paz, é uma tranquilidade,  um sossego, um ócio. A paz do Cristo é trabalho dignificante.
Notamos, ao longo da História, homens e mulheres que se dedicaram ao trabalho da paz e o fizeram com rara maestria. Se olharmos, por exemplo, o gênio de Madre Teresa de Calcutá: com que garra essa mulher trabalhou pela paz. Em sua vida encontraríamos todos os problemas, menos a inércia. Alfabetizou crianças, amparou a leprosos, tuberculosos, retirou das lixeiras os velhos que eram ali atirados pelos próprios filhos. Madre Teresa foi Prêmio Nobel da Paz, tamanho o trabalho que realizou nesse campo da paz.
Mas, se olharmos a saga de Gandhi, de Mohandas Gandhi nós acharemos em sua vida tudo, menos a inércia. Porque foi um grande líder político, social, religioso, um homem de massa, um homem que falava para que os outros ouvissem, falava com bom senso. Lutou contra um império inteiro que dominava seu país, apanhou, foi preso, sofreu, preservando a paz. Decidiu não fazer qualquer movimento contra a violência, porque ele afirmava que qualquer movimento contra a violência seria igualmente violento, teria que ser igualmente violento. Ele propôs um movimento pela paz.
Era o movimento da não violência e é por causa disso que percebemos que todas as pessoas que lidam em prol da paz  são criaturas ativas, dedicadas, trabalhadoras do seu ideal, operosas no seu ideal.
Temos que destacar, então,  o que é a pessoa pacífica da criatura passiva. Vale a pena lembrar ou relembrar que o indivíduo pacífico não está protegendo a própria pele, não tem interesses personalísticos. Ele visa o bem comum, ele está sempre propenso a trabalhar em prol do bem comum. A criatura passiva está pensando em si, em não se incomodar, em não se aturdir. É por causa disso que vemos tanta gente que dá abraço simbólico nas árvores mas derruba as plantas, corta as florestas. Encontramos pessoas que dão abraços simbólicos em prédios públicos que depois vão pichar.
Outros que abraçam os lagos, as fontes, os rios, mananciais diversos em nome da paz, do verde, da ecologia mas atiram-lhes detritos, atiram, pelas janelas dos seus veículos, ou dos ônibus, latas, garrafas, sacos plásticos, pets, em nome da sua passividade. O pacifico procuraria uma lixeira para preservar a natureza, o passivo atira em qualquer lugar, ajustando-se à ideia de que aquilo já estava sujo, já estava assim. Empurra cada vez mais os problemas para frente, alegando que os problemas já existiam.
É a paz que carregamos por dentro de nós que gradativamente explode, vaza da nossa realidade e faz com que as pessoas em torno se banhem na nossa paz. Essa paz que extravasa de nós contagia a sociedade em que vivemos e a sociedade em que vivemos apaziguada, com a nossa influência, com a nossa participação, espalhará a paz para o mundo e todos seremos, sem dúvida, muito mais felizes.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 155, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Síndrome de Burnout

Síndrome de burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger como "(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional".

Descrição

A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo), também chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo psicanalista nova-iorquino, Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970.
A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a auto-estima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer, termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, necessidade de se afirmar, o desejo de realização profissional se transforma em obstinação e compulsão o paciente nesta busca sofre alem de problemas de ordem psicológicas também forte desgaste físico gerando fadiga e exaustão. Patologia que atinge membros da Segurança Publica, da Saúde Publica e da Educação.

Estágios

São doze os estágios de Burnout:
  • Necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz
  • Dedicação intensificada - com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho e a qualquer hora do dia (imediatismo);
  • Descaso com as necessidades pessoais - comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;
  • Recalque de conflitos - o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;
  • Reinterpretação dos valores - isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da auto-estima é o trabalho;
  • Negação de problemas - nessa fase os outros são completamente desvalorizados, tidos como incapazes ou com desempenho abaixo do seu. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes;
  • Recolhimento e aversão a reuniões (anti-socialização);
  • Mudanças evidentes de comportamento (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor);
  • Despersonalização (evitar o diálogo e priorizar e-mails, mensagens, recados etc);
  • Vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante;
  • Depressão - marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;
  • E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica uma urgência.

Sintomas

Os sintomas são variados: fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, muita falta de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e problemas digestivos. Segundo Dr. Jürgen Staedt, diretor da clínica de psiquiatria e psicoterapia do complexo hospitalar Vivantes, em Berlim, parte dos pacientes que o procuram com depressão são diagnosticados com a síndrome do esgotamento profissional. O professor de psicologia do comportamento Manfred Schedlowski, do Instituto Superior de Tecnologia de Zurique (ETH), registra o crescimento de ocorrência de "Burnout" em ambientes profissionais, apesar da dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males, pois ela se manifesta de forma muito variada: "Uma pessoa apresenta dores estomacais crônicas, outra reage com sinais depressivos; a terceira desenvolve um transtorno de ansiedade de forma explícita", e acrescenta que já foram descritos mais de 130 sintomas do esgotamento profissional.
Burnout é geralmente desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo no trabalho com intervalos muito pequenos para recuperação. Pesquisadores parecem discordar sobre a natureza desta síndrome. Enquanto diversos estudiosos defendem que burnout refere-se exclusivamente a uma síndrome relacionada à exaustão e ausência de personalização no trabalho, outros percebem-na como um caso especial da depressão clínica mais geral ou apenas uma forma de fadiga extrema (portanto omitindo o componente de despersonalização).
Trabalhadores da área de saúde são frequentemente propensos ao burnout. Cordes e Doherty (1993), em seu estudo sobre esses profissionais, encontraram que aqueles que tem frequentes interações intensas ou emocionalmente carregadas com outros estão mais suscetíveis.
Os estudantes são também propensos ao burnout nos anos finais da escolarização básica (ensino médio) e no ensino superior; curiosamente, este não é um tipo de burnout relacionado com o trabalho, mas com o estudo intenso continuado com privação do lazer, de actividades lúdicas, ou de outro equivalente de fruição hedónica. Talvez isto seja melhor compreendido como uma forma de depressão. Os trabalhos com altos níveis de stress ou consumição, podem ser mais propensos a causar burnout do que trabalhos em níveis normais de stress ou esforço. Profissionais de TI, policiais, Taxistas, bancários, controladores de tráfego aéreo, engenheiros, músicos, professores e artistas parecem ter mais tendência ao burnout do que outros profissionais. Os médicos parecem ter a proporção mais elevada de casos de burnout (de acordo com um estudo recente no Psychological Reports, nada menos que 40% dos médicos apresentavam altos níveis de burnout)

A Síndrome de "Burnout" em Professores

A burnout de professores é conhecida como uma exaustão física e emocional que começa com um sentimento de desconforto e pouco a pouco aumenta à medida que a vontade de lecionar gradualmente diminui. Sintomaticamente, a burnout geralmente se reconhece pela ausência de alguns fatores motivacionais: energia, alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, vontade, sonhos para a vida, ideias, concentração, autoconfiança e humor.
Um estudo feito entre professores que decidiram não retomar os postos nas salas de aula no início do ano escolar na Virgínia, Estados Unidos, revelou que entre as grandes causas de estresse estava a falta de recursos, a falta de tempo, reuniões em excesso, número muito grande de alunos por sala de aula, falta de assistência, falta de apoio e pais hostis. Em uma outra pesquisa, 244 professores de alunos com comportamento irregular ou indisciplinado foram instanciados a determinar como o estresse no trabalho afetava as suas vidas. Estas são, em ordem decrescente, as causas de estresses nesses professores:
  • Políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina;
  • Atitude e comportamento dos administradores;
  • Avaliação dos administradores e supervisores;
  • Atitude e comportamento de outros professores e profissionais;
  • Carga de trabalho excessiva;
  • Oportunidades de carreira pouco interessantes;
  • Baixo status da profissão de professor;
  • Falta de reconhecimento por uma boa aula ou por estar ensinando bem;
  • Alunos barulhentos;
  • Lidar com os pais.
Os efeitos do estresse são identificados, na pesquisa, como:
  • Sentimento de exaustão;
  • Sentimento de frustração;
  • Sentimento de incapacidade;
  • Carregar o estresse para casa;
  • Sentir-se culpado por não fazer o bastante;
  • Irritabilidade.
As estratégias utilizadas pelos professores, segundo a pesquisa, para lidar com o estresse são:
  • Realizar atividades de relaxamento;
  • Organizar o tempo e decidir quais são as prioridades;
  • Manter uma dieta equilibrada ou balanceada e fazer exercícios;
  • Discutir os problemas com colegas de profissão;
  • Tirar o dia de folga;
  • Procurar ajuda profissional na medicina convencional ou terapias alternativas.
Quando perguntados sobre o que poderia ser feito para ajudar a diminuir o estresse, as estratégias mais mencionadas foram:
  • Dar tempo aos professores para que eles colaborem ou conversem;
  • Prover os professores com cursos e workshops;
  • Fazer mais elogios aos professores, reforçar suas práticas e respeitar seu trabalho;
  • Dar mais assistência;
  • Prover os professores com mais oportunidades para saber mais sobre alunos com comportamentos irregulares e também sobre as opções de programa para o curso;
  • Envolver os professores nas tomadas de decisão da escola e melhorar a comunicação com a escola.
Como se pode ver, o burnout de professores relaciona-se estreitamente com as condições desmotivadoras no trabalho, o que afeta, na maioria dos casos, o desempenho do profissional. A ausência de fatores motivacionais acarreta o estresse profissional, fazendo com que o profissional largue seu emprego, ou, quando nele se mantém, trabalhe sem muito apego ou esmero.

O "Burnout" em Enfermeiros

Os enfermeiros, pelas características do seu trabalho, estão também predispostos a desenvolver burnout.Esses profissionais trabalham diretamente e intensamente com pessoas em sofrimento.
Particularmente os enfermeiros que trabalham em áreas como oncologia, a psiquiatria e a medicina, muitas vezes se sentem esgotados pelo fato de continuamente darem muito de si próprios aos seus doentes e, em troca, pelas características da doença, receberem muito pouco.
Luís Sá (2006), num estudo realizado com 257 enfermeiros de oncologia, verificou que estes profissionais se encontravam mais desgastados emocionalmente quando comparados com enfermeiros de outras áreas.
Um dos principais fatores encontrados da origem do burnout, foi a falta de controle sobre o trabalho. Faz-se necessário, ainda, acrescentar que nos territórios da Saúde, a Síndrome de Burnout adquire aspectos mais complexos pelo fato de agregar valores oriundos dos sistemas de saúde que se alimentam de perspectivas utópicas que interferem, diretamente, no trabalho do enfermeiro. Currículos, diretrizes, orientações e demais processos burocráticos acabam por disseminar discussões que sempre acabam acumulando estresse nas práticas profissionais e, consequentemente, envolve o enfermeiro e sua práxis. A sociedade, por sua vez transfere responsabilidades extras ao enfermeiro, sobrecarregando-o e inculcando-lhe papéis que não serão desempenhados com a competência necessária
Cada dia mais se agrega mais atividades para o enfermeiro nas instituições e os processos de qualidade inserem cada vez mais itens a serem checados, também há a desvalorização salarial e a sobrecarga horária a que são submetidos, fazendo com que os enfermeiros não respeitem individualmente um período de repouso entre uma jornada e outra, acumulando empregos e chegando a trabalhar 36 e 48 horas ininterrúptas, com repousos de 1 a 2 horas no máximo entre as jornadas de 12 horas.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Pacem in Terris

Pacem in Terris (em português: Paz na Terra) é uma Carta-Encíclica do Papa João XXIII sobre "a Paz de todos os povos na base da Verdade, Justiça, Caridade e Liberdade". Foi publicada no dia 11 de Abril de 1963, dois meses antes da morte de João XXIII, dois anos depois da construção do Muro de Berlim e alguns meses depois da Crise dos Mísseis em Cuba.

Sobre esta conjuntura caracterizado pela Guerra Fria, João XXIII, através deste documento pontifício, defende que "os conflitos entre as nações devem ser resolvidas com negociações e não com armas, e na confiança mútua". Para ele, "a Paz entre os povos exige: a verdade como fundamento, a justiça como norma, o amor como motor, a liberdade como clima".

Esta encíclica, muito ligado à Doutrina Social da Igreja, é considerada uma das mais famosas do século XX e várias das suas ideias foram adotadas e defendidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965). É também o primeiro documento da Igreja a ser dirigido também a «todas as pessoas de boa vontade».

Estrutura da encíclica


Genericamente, a Pacem in terris pode ser dividida em 5 partes:

  • a primeira parte é uma reflexão aprofundada "dos direitos e deveres da pessoa humana", enquanto fundamentos da paz.

  • a segunda parte aborda as relações "entre os indivíduos e os poderes públicos, em cada comunidade política". João XXIII considera que a autoridade vem de Deus, mas que deve ser sempre "orientada para a promoção do bem comum" e dos direitos humanos.

  • a terceira parte reflete sobre as relações entre as comunidades políticas, baseando-se principalmente "em problemas concretos, como o das minorias, o dos refugiados políticos, o do desarmamento e o dos povos subdesenvolvidos". O fundamento desta reflexão é a "existência de direitos e deveres internacionais, [que] se fundamentam nas normas de verdade, de justiça, de solidariedade e de liberdade".

  • a quarta parte, muito ligada à terceira parte, analisa "as relações dos indivíduos e das comunidades políticas com a comunidade mundial, preconizando a instituição de uma autoridade pública universal e afirmando o princípio da subsidiariedade, em que as pequenas comunidades possam exercer livremente as suas atribuições dentro da linha do bem comum".

  • a quinta parte tem um forte caráter pastoral: João XXIII recomenda "a participação de todos os cidadãos na vida pública; a competência científica, técnica e profissional dos responsáveis; a inspiração cristã das instituições encarregadas do bem temporal; e a colaboração dos católicos no setor socioeconômico-político". Nesta parte, sobressai o "aspecto ecumênico da encíclica", porque exorta "a todos os homens de boa vontade a [...] restaurar as relações de convivência humana".

Ideias principais

A Pacem in terris realçou "o tema da paz, numa época marcada pela proliferação nuclear" e pela disputa perigosa entre os EUA e a URSS (a Guerra Fria). Através desta encíclica, a Igreja refletiu profundamente sobre a dignidade, os deveres e os "direitos humanos, enquanto fundamentos da paz mundial". A Pacem in terris, completando o discurso da Mater et Magistra, sublinhou "a importância da colaboração entre todos: é a primeira vez que um documento da Igreja é dirigido também a «todas as pessoas de boa vontade», que são chamados a uma «imensa tarefa de recompor as relações da convivência na verdade, na justiça, no amor, na liberdade»".

Este documento pontifício defendeu também o desarmamento, uma distribuição mais equitativa de recursos, um maior "controlo das políticas das empresas multinacionais" e várias "políticas estatais que favoreçam o acolhimento dos refugiados"; reconheceu de "que todas as nações têm igual dignidade e igual direito ao seu próprio desenvolvimento"; propôs a construção de uma "sociedade baseada na subsidiariedade"; e incentivou os católicos à ação e à transformação do presente e do futuro. Esta encíclica exortou também "os poderes públicos da comunidade mundial" (sendo a ONU a sua autoridade máxima) a promover o "bem comum universal", através de uma resolução eficaz dos vários problemas que assolam o mundo.

No fundo, o Papa João XXIII queria a consolidação da "Paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, [que] não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus". Para o Papa, esta ordem "é de natureza espiritual" e "é uma ordem que se funda na verdade, que se realizará segundo a justiça, que se animará e consumará no amor, que se recomporá sempre na liberdade, mas sempre também em novo equilíbrio, cada vez mais humano". Para ele, só esta nova ordem mundial pode preservar a Paz, "cujo sinal perfeito foi Cristo".

Algumas consequências


Quando a Pacem in Terris foi publicada, ela provocou uma "enorme impressão a todos, inclusivamente ao bloco soviético". Pela primeira vez, esta encíclica defende que a paz só pode ser alcançada através da colaboração de todas as "pessoas de boa vontade", incluindo aquelas que defendem "ideologias erradas" (como o comunismo). Devido a este apelo à colaboração e à solidariedade, ela acabou por incitar a Igreja Católica a começar a negociação com os governos comunistas, para que estes possam garantir o bem-estar dos seus cidadãos e habitantes católicos. Esta política diplomática (a ostpolitik) foi continuada pelo Papa Paulo VI, apesar da Igreja ainda continuar a condenar o comunismo como uma ideologia errada e maléfica. Devido à ostpolitik, a vida dos católicos na Polônia, na Hungria e na Romênia melhorou um bocado.

Devido à sua importância e popularidade, a Pacem in Terris está atualmente depositada nos arquivos da ONU.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Paz

Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações agitação. Derivada do latim Pacem = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra. Neste sentido, a paz entre nações, e dentro delas, é o objetivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.
No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, desconfiança e de um modo geral todos os sentimentos negativos. Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objetivo de vida. A paz é mundialmente representada pelo pombo e pela bandeira branca.

Tipos de paz

  • Paz Eterna: conceito elaborado pelo filósofo Immanuel Kant, inspirado nos ideais da Revolução Francesa. Designa um estado de paz mundial, obtido através de uma "república" única, capaz de representar as aspirações naturalmente pacíficas de todos os povos e indivíduos. Como o próprio filósofo esclarece, o termo é derivado de uma piada, onde a inscrição "Paz Eterna" é usada como legenda na ilustração de um túmulo.
  • Paz pela Lei: lema da Organização do Tratado do Atlântico Norte, baseia-se na idéia de Kant e sugere que a paz deva ser obtida através de legislação em assuntos internacionais, capaz de regulamentar as relações diplomáticas, os conflitos de interesse, etc.
  • Paz pela força: obtida quando um indivíduo, instituição ou Estado é fortalecido de tal forma, que toda tentativa de subversão do status que é desestimulada. Em inglês original, peace through strength.
  • Paz de terror: ocorre quando nações são capazes de causar destruição total umas às outras através de artefatos bélicos poderosos (bombas atômicas, por exemplo). A posse de tais arsenais desestimula as agressões mútuas. Conceito sugerido pelo estudioso Raymond Aron em seu livro "Peace and War Among Nations".

Prêmio Nobel da Paz

O Prêmio Nobel da Paz é atribuído anualmente a pessoas que se evidenciaram pelo seu contributo para o fim de períodos prolongados de violência, conflito ou opressão através do seu empenho e liderança moral. No entanto, algumas controversas atribuições deste prêmio contemplaram antigos guerrilheiros e supostos terroristas que se acredita terem ajudado ao fim de situações similares fazendo concessões excepcionais no sentido da pacificação.
Eis alguns laureados com o Prêmio Nobel da Paz cuja atribuição ainda hoje suscita alguma controvérsia:
  • Rev. Martin Luther King, Jr. (laureado em 1964);
  • Henry Kissinger (laureado em 1973);
  • Madre Teresa de Calcutá(laureada em 1979);
  • Nelson Mandela e o antigo Presidente Frederik Willem de Klerk (laureados em conjunto em 1993);
  • Yasser Arafat, Yitzhak Rabin e Shimon Peres (laureados em 1994);
  • David Trimble (laureado em 1998); 

Teorias

Muitas diferentes teorias de "paz" existem no mundo da polemologia, que envolve o estudo da transformação dos conflitos, desarmamento e cessação de violência. A definição de paz pode variar de acordo com a religião, cultura ou matéria de estudo.
A paz é um estado de equilíbrio e entendimento em si mesmo e entre outros, onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância, os conflitos são resolvidos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeitados e suas vozes são ouvidas, e todos estão em seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social.

Teoria dos Jogos

O jogo de guerra e paz é uma abordagem de teoria dos jogos em relação à paz e resolução de conflitos. Um jogo iterado originalmente tocado em grupos de acadêmicos e por modelagem computacional por muitos anos a fim de estudar possíveis estratégias de cooperação e agressão.Como os peace makers tornaram-se mais ricos ao longo do tempo, tornou-se claro que fazer a guerra tinha custos mais altos do que inicialmente previsto. A única estratégia que acumulava riqueza mais rapidamente era a "Genghis Khan", um agressor constante fazendo a guerra continuamente para ganhar recursos. Isto levou ao desenvolvimento da estratégia "cara agradável provocante", um pacificador até ser atacado, desenvolvido apenas para ganhar através de perdões ocasionais, mesmo quando atacado. Vários jogadores continuam a ganhar riqueza cooperando uns com os outros, enquanto prejudicam o agressor constante. Tais ações levaram, em essência, para o desenvolvimento da Liga Hanseática que visava ao comércio e defesa mútua depois de séculos de depredação Viking.

Teoria da paz democrática


A teoria da paz democrática afirma que as democracias nunca entrarão em guerra umas com as outras.

Teoria da paz ativa

A partir dos ensinamentos de Johan Galtung, norueguês co-fundador do campo da polemologia, em 'paz positiva', e dos escritos de Maine Quaker Gray Cox, um consórcio de pesquisadores e disputantes na iniciativa experimental da Faculdade John Woolman chegaram a uma teoria da paz ativa. Esta teoria postula que a paz faz parte de uma tríade, que inclui também a justiça e a totalidade (ou bem-estar), em consonância com interpretações acadêmicas escritas do significado da palavra hebraica antiga S-L-M, ou "Shalom", chamado por alguns de a palavra da Bíblia para salvação, a justiça e a paz. Além disso, o consórcio integrou o ensino de Galtung dos significados dos termos da paz, manutenção da paz e construção da paz, para também se encaixarem em uma formulação triádica. Vermont Quaker John V. Wilmerding, Jr., fundador da John Woolman College, postula cinco estágios de crescimento aplicáveis a indivíduos, comunidades e sociedades, sendo que uma transcende primeiro a consciência da "superfície", que a maioria das pessoas tem, emergindo sucessivamente em aquiescência, pacifismo, resistência passiva, resistência ativa, e finalmente em paz ativa, dedicando-se à pacificação, manutenção da paz, e/ou construção da paz.

Muitas pazes

Seguindo Wolfgang Dietrich, Wolfgang Sützl e os estudos da paz da Faculdade de Innsbruck, alguns pensadores abandonaram qualquer definição única e abrangente de paz. Em vez disso, eles promovem a idéia de muitas pazes. Eles argumentam que, como não existe uma definição única ou correta de paz, a paz deve ser entendida como uma pluralidade. Esse entendimento pós-moderno da paz foi baseado na filosofia de Jean-François Lyotard. Ele serviu como base para o conceito mais recente de paz trans-racional e transformação de conflitos.

Pazes trans-racionais

Em 2008, Wolfgang Dietrich alargou a sua abordagem anterior das muitas pazes às chamadas "cinco famílias" de interpretações da paz: abordagem energética, moral, moderna, pós-moderna e trans-racional. A trans-racionalidade une a compreensão racional e mecanicista da paz moderna em uma maneira relacional e baseada na cultura com narrativas espirituais e interpretações energéticas. A compreensão sistêmica das pazes trans-racionais defende um método de transformação de conflitos centrado no cliente, a abordagem chamada de elicitiva.

Estudos da paz e conflitos

Os "Estudos da paz e conflitos" são um campo acadêmico que identifica e analisa comportamentos violentos e não-violentos, bem como os mecanismos estruturais presentes em conflitos sociais violentos e não violentos. Isto é para entender melhor os processos que levam a uma condição humana mais desejável. Uma variação, "Estudos para a Paz" (polemologia), é um esforço interdisciplinar visando à prevenção, de-escalação e solução de conflitos. Isto contrasta com os estudos da guerra, dirigidos à consecução eficiente de vitória em conflitos. Disciplinas envolvidas podem incluir ciência política, geografia, economia, psicologia, sociologia, relações internacionais, história, arqueologia, antropologia, estudos religiosos e estudos de gênero, dentre várias outras.

 Fonte: Wikipédia