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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Atividades para a Paz

Nunca se ouviu falar tanto de paz na Terra, como nestes tempos que estamos vivendo. Para tudo e para qualquer coisa, fala-se da paz. Desde há muito se conhecia a pomba da paz. Há muito se fala da bandeira da paz, dos tratados de paz ou de armistício.
Mas, afinal de contas, o que vem a ser mesmo a paz?  É muito difícil para quem não é pacífico saber o que venha ser a paz. Para muita gente, a paz é a postura das águas paradas; para outros, a paz é a inércia, é o não fazer nada, é o não ter que se incomodar, se importunar, que sair do seu lugar, não ter ninguém que o aborreça, que o importune, que o chateie. Parece que a paz se torna, para muita gente, uma virtude estanque, parada, ancilosada, quando, em realidade, a paz é exatamente o oposto.
Quando vemos a superfície espelhada no lago jamais suporemos que na intimidade do lago exista paralisia. Há vida que ferve, há vida que exubera. Existe vida que se mostra, que se multiplica, que se revigora.
Quando se fala em harmonia ou em paz estamos tratando de uma postura de vida porque a paz é uma virtude ativa e também pró-ativa. A paz engendra outras tantas virtudes. A paz realiza muitíssimos trabalhos. Por causa disso, cada vez mais é preciso aprender a identificar que paz é essa a que estamos nos referindo. É a paz dos cadáveres? A preguiça rançosa dos cadáveres? Ou estamos falando em paz:  atividade, atitude, consciência tranquila,  disposição para o bem, para o trabalho, para a luta? Isso é paz.
Quando pensamos nos ases da paz que o mundo conheceu, à semelhança de Gandhi, o grande líder da paz indiana, vemos que a vida de Gandhi teve de tudo, menos inércia. Era um homem de atividade. Atividade social, na política, atividade  religiosa. Era um homem de atividades em prol do bem geral. Era um homem de paz.
Quando pensamos em Teresa de Ávila, a conhecida Santa Teresa D'Ávila, freira, religiosa por excelência, constatamos que ela não vivia rezando pelos cantos o dia inteiro. Ia à luta, buscava recursos para seus velhos, buscava elementos que pudessem ajudá-la a manter, a construir e a manter o lar de idosos. Sofreu o convite devastador de um príncipe, um convite indecoroso, indecente, trocando-o por uma ajuda que ela rechaçou com a maior tranquilidade. Verificamos, na vida dessa mulher de paz que a sua paz tinha de tudo, menos inércia.
Lembramo-nos do Prêmio Nobel da Paz, que foi Madre Teresa de Calcutá. Naquela mulher pequena e magra havia tudo, menos inércia. Alfabetizou crianças, cuidou de leprosos, tuberculosos, de velhos abandonados jogados às lixeiras da Índia. Era uma mulher ativa, exuberantemente ativa e era da paz.
Quando nos lembramos desses vultos tão recentes na Humanidade, lembramos de Martin Luther King Junior que, em 1968, tão próximo de nós, fez a grande marcha sobre Washington contra o apartheid americano, o preconceito étnicoamericano.
Verificamos que a paz carrega em seus ingredientes essa capacidade de sairmos do lugar, de nos movimentarmos; essa capacidade de agir, de fazer, de provocar mudanças positivas para a sociedade. É por causa disso que, todas as vezes que falarmos de paz, será necessário estabelecermos se estamos falando verdadeiramente de paz ou se nos referimos à inércia dos mortos, à inércia do pântano, à inércia da morte.
*   *   *
Sendo a paz essa virtude, por excelência, que está dentro da criatura  e que é bem diferente do que se costuma imaginar, evocamos um dos ensinamentos do Homem de Nazaré, quando nos disse: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou, mas não vo-la dou como o mundo a dá. Neste ensinamento de Jesus Cristo percebemos algo fabuloso porque, em verdade, ninguém pode dar do que é seu, espiritualmente, para o outro. Mas Jesus Cristo nos dizia que deixava Sua paz como modelo para nós, como proposta e, mesmo assim, não deixava da mesma maneira que o mundo deixa. A paz do mundo, vale a pena rever, é como a paz dos cadáveres, a paz da inércia, a paz do não fazer nada. É uma paz que não deveria ser chamada de paz, é uma tranquilidade,  um sossego, um ócio. A paz do Cristo é trabalho dignificante.
Notamos, ao longo da História, homens e mulheres que se dedicaram ao trabalho da paz e o fizeram com rara maestria. Se olharmos, por exemplo, o gênio de Madre Teresa de Calcutá: com que garra essa mulher trabalhou pela paz. Em sua vida encontraríamos todos os problemas, menos a inércia. Alfabetizou crianças, amparou a leprosos, tuberculosos, retirou das lixeiras os velhos que eram ali atirados pelos próprios filhos. Madre Teresa foi Prêmio Nobel da Paz, tamanho o trabalho que realizou nesse campo da paz.
Mas, se olharmos a saga de Gandhi, de Mohandas Gandhi nós acharemos em sua vida tudo, menos a inércia. Porque foi um grande líder político, social, religioso, um homem de massa, um homem que falava para que os outros ouvissem, falava com bom senso. Lutou contra um império inteiro que dominava seu país, apanhou, foi preso, sofreu, preservando a paz. Decidiu não fazer qualquer movimento contra a violência, porque ele afirmava que qualquer movimento contra a violência seria igualmente violento, teria que ser igualmente violento. Ele propôs um movimento pela paz.
Era o movimento da não violência e é por causa disso que percebemos que todas as pessoas que lidam em prol da paz  são criaturas ativas, dedicadas, trabalhadoras do seu ideal, operosas no seu ideal.
Temos que destacar, então,  o que é a pessoa pacífica da criatura passiva. Vale a pena lembrar ou relembrar que o indivíduo pacífico não está protegendo a própria pele, não tem interesses personalísticos. Ele visa o bem comum, ele está sempre propenso a trabalhar em prol do bem comum. A criatura passiva está pensando em si, em não se incomodar, em não se aturdir. É por causa disso que vemos tanta gente que dá abraço simbólico nas árvores mas derruba as plantas, corta as florestas. Encontramos pessoas que dão abraços simbólicos em prédios públicos que depois vão pichar.
Outros que abraçam os lagos, as fontes, os rios, mananciais diversos em nome da paz, do verde, da ecologia mas atiram-lhes detritos, atiram, pelas janelas dos seus veículos, ou dos ônibus, latas, garrafas, sacos plásticos, pets, em nome da sua passividade. O pacifico procuraria uma lixeira para preservar a natureza, o passivo atira em qualquer lugar, ajustando-se à ideia de que aquilo já estava sujo, já estava assim. Empurra cada vez mais os problemas para frente, alegando que os problemas já existiam.
É a paz que carregamos por dentro de nós que gradativamente explode, vaza da nossa realidade e faz com que as pessoas em torno se banhem na nossa paz. Essa paz que extravasa de nós contagia a sociedade em que vivemos e a sociedade em que vivemos apaziguada, com a nossa influência, com a nossa participação, espalhará a paz para o mundo e todos seremos, sem dúvida, muito mais felizes.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 155, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. 

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