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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Viver em Paz

Todos nós vivemos num mar de inteligências, que Platão havia dito que era um mar de Eidos, de ideias.
Todos nós pensamos. Nossos pensamentos são ondas e, por causa disso, vivemos nesse mar de pensamentos.

Nesses tempos que estamos vivendo na Terra, há um pensamento que gera muitos outros, mas que é um pensamento central: a paz.
Em toda parte se fala da paz. Mesmo nos continentes, nos países, nas regiões que se acham em guerras, existe o discurso pró-paz.

Curiosamente, muita gente não se deu conta, não se dá conta, do que seja a paz.
A paz, de maneira nenhuma, corresponde à estagnação das águas paradas. Não, isso não é paz, isso é estagnação.
A paz não tem nada a ver com não fazer nada, ficar à toa, com excessivo ócio. Isso não é paz, isso é preguiça.

A paz não tem nenhuma vinculação com a paralisia dos cadáveres, com a inércia dos mortos. Isso é apodrecimento, é putrefação.
A paz é, sob todos os títulos, uma virtude psíquica, uma virtude do ser, da alma, da intimidade.
Paz significará sempre um estado interior em que a criatura que a busca, que a persegue, entra na sintonia das leis cósmicas.

Ser pacífico é a criatura buscar essa integração com o Criador, sob todos os aspectos.
E, a partir disso, ele tratará de cumprir seus deveres para com a vida, em nome da paz.
Em nome da paz, tratará bem as pessoas, terá seus altos e baixos, ficará nervoso muitas vezes, tenso em outras ocasiões mas, tudo isso na busca do aprimoramento, tudo isso no desejo de se aperfeiçoar. É a busca da paz, em si próprio.

É por essa razão que nos damos conta de que, quando alguém está buscando a paz e assume seus compromissos diante da vida, não se vitimiza, não se coloca como vítima da vida, das coisas, dos outros, porque quem está querendo paz, aprende a governar a si mesmo, a governar a sua própria vida, a ser uma pessoa autônoma, a não realizar o bem apenas porque está sendo visto, ou porque alguém o vai aplaudir, ou porque vai ganhar alguma coisa, e deixa de fazer o mal, deixa de cometer erros, somente quando disso adviria uma sanção. Não.

A criatura que busca a paz trabalha esse sentimento na sua própria intimidade. A paz não é um estado em que nada nos aconteça, nada nos sacuda, nada nos atormente. Não, não é essa paz.
Nós que vivemos no mundo, e todos quantos no mundo estamos, precisamos nos dar conta de que a paz tem componentes íntimos indispensáveis.
Primeiro, é necessário que nós queiramos a paz. Não adianta fazer só o discurso da paz. Não nos vale a pena o discurso somente. É importante que, além do discurso, advenha o curso da paz.

Essas três letras representam tanta coisa para a mente humana, para a vida humana, para o mundo em geral, que a maioria das pessoas que proclama o tempo todo paz, ainda não se deu conta do que ela significa.
Para muita gente, a paz tem que ser mantida à base da força, à base das armas. Para outros, a paz é aquele documento que se assina nos gabinetes políticos, os tratados de armistício. Isso não é a paz. São as conveniências políticas.

A paz reclama de nós essa justeza de propósito, esse querer fazer, cumprir com as nossas obrigações, para poder cobrar os nossos direitos.
Atender os nossos deveres para com a vida, para com as pessoas, para com as coisas, a fim de que esses deveres bem cumpridos nos dêem acesso aos direitos recebidos.
A paz pede de nós a ação. De nenhuma maneira a paz propõe que sejamos passivos. Pede que sejamos pacíficos. E é por aí que começamos a refletir em torno da paz.

* * *

Pensando na questão da paz, deveremos buscar fazer da nossa vida um campo de paz, um hino de paz, uma proposta de paz.
Quando o Apóstolo Paulo de Tarso propôs que nos tornássemos cartas vivas do Evangelho, muita gente teve dificuldade, e até hoje ainda tem, para compreender esse significado que Paulo quis dar à proposta.

Cartas vivas do Evangelho: como o Evangelho é a Boa Nova, é essa busca de fazer da nossa própria vida um referencial para muita gente que não tem qualquer outra referência.
Por causa disso, quando buscamos a paz tratamos de enfrentar as lutas cotidianas, aquelas lutas que fazem parte das vidas de todas as pessoas, com essa dignidade de quem é pacífico.

Repito que ser pacífico não é ser passivo. O indivíduo passivo é aquele que não se mexe, é aquele que não age, é aquele que espera que os outros façam.
O pacífico é aquele que luta, que corre atrás, que realiza, que resolve, que define, que decide.

Vemos em Gandhi um homem de paz. Mas não era passivo, era pacífico. Lutava, entregava-se, doava-se.
Na nossa vida comecemos a pensar em criaturas assim: que são capazes de promover a paz, a partir de si mesmas, dando conta dos compromissos cotidianos.

Quantas vezes somos assaltados pela enfermidade, dentro do lar? É tão difícil ser pacífico nessas horas, porque o desespero costuma tomar conta das pessoas, tomar conta de nós. Há descrença, pessimismo. E essa paz onde é que está?
A paz precisaria ser a nossa conselheira nessa hora, para que entendêssemos que estamos procurando a Medicina, estamos procurando os atendimentos necessários, estamos dando a cobertura devida; agora, entreguemos a Deus a saúde do nosso ser querido, ou a nossa própria saúde. Isso é ser pacífico.

Outras vezes encontramo-nos diante de acidentes econômico-financeiros, o desemprego. Lutas ásperas, sem dúvida, mas a criatura pacífica não se aterroriza, não se amotina.
A criatura pacífica confia fundamentalmente que coisa alguma em sua vida ocorre sem uma razão de ser. Não se detém, não é passiva, ela corre atrás, vai em busca de resolver o prejuízo, de desfazer o transtorno econômico-financeiro. Mas, por trás disso existe essa certeza de que, no momento devido, tudo se aclarará, tudo chegará ao seu lugar devido, porque, pacífica, a criatura é capaz de entregar a sua mente a Deus, a sua vida ao Criador. Pacífica, como deseja ser.

Vamos perceber que, em outros momentos, nos deparamos com a própria morte. Quanto tormento a desencarnação ainda provoca, para as vidas, para as pessoas que ficam?
Embora as religiões de todos os tempos sempre tenham dito que a morte não existe, parece que isso se tornou um discurso vazio. Parece que os indivíduos escutam, mas não entendem. Parece que a morte só não existe para a família dos outros.

E nos desarvoramos, nos desestruturamos, passamos a pesar sobre o falecido, com a nossa energia negativa, com a nossa energia de auto-vitimização. Desse modo, não colaboramos nem com a paz da criatura desencarnada, e nem com a nossa.
Fazemos orações periódicas pela criatura querida ou amiga, que viajou para o outro lado da vida, como se falar coisas, dizer fórmulas, resolvesse o problema de sua paz espiritual.

Não nos damos conta, muita gente não sabe, que essa energia envenenada que o desespero provoca, atinge os nossos seres queridos falecidos, tira-lhes do caminho da paz, e leva-os ao desespero também.
A paz deve ser uma conquista que cada um de nós irá fazendo gradativamente, no seu dia a dia. Uma tormenta hoje, um nervosismo amanhã, uma irritação depois e, nesses intervalos, o esforço pela paz.

A mesma paz que vimos na vida de Cristo. Foi Ele que nos disse com muita tranquilidade: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 138, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Discalculia

 Discalculia (não confundir com acalculia) é definido como uma desordem neurológica específica que afeta a habilidade de uma pessoa de compreender e manipular números. A discalculia pode ser causada por um déficit de percepção visual. O termo discalculia é usado frequentemente ao consultar especificamente à inabilidade de executar operações matemáticas ou aritméticas, mas é definido por alguns profissionais educacionais como uma inabilidade mais fundamental para conceitualizar números como um conceito abstrato de quantidades comparativas.
É uma inabilidade menos conhecida, bem como e potencialmente relacionada a dislexia e a dispraxia. A discalculia ocorre em pessoas de qualquer nível de QI, mas significa que têm frequentemente problemas específicos com matemática, tempo, medida, etc. Discalculia (em sua definição mais geral) não é rara. Muitas daquelas com dislexia ou dispraxia tem discalculia também. Há também alguma evidência para sugerir que este tipo de distúrbio é parcialmente hereditario.
A palavra discalculia vem do grego (dis, mal) e do Latin (calculare, contar) formando: contando mal. Essa palavra calculare vem, por sua vez, de cálculo, que significa o seixo ou um dos contadores em um ábaco.
Discalculia é um impedimento da matemática que vá adiante junto com um número de outras limitações, tais como a introspecção espacial, o tempo, a memória pobre, e os problemas de ortografia. Há indicações de que é um impedimento congênito ou hereditário, com um contexto neurológico. Discalculia atinge crianças e adultos.
Discalculia pode ser detectada em uma idade nova e medidas podem ser tomadas para facilitar o enfrentamento dos problemas dos estudantes mais novos. O problema principal está em compreender que o problema não é a matemática e sim a maneira que é ensinada às crianças. O modo que a dislexia pode ser tratada de usar uma aproximação ligeiramente diferente a ensinar. Entretanto, a discalculia é o menos conhecida destes tipos de desordem de aprendizagem e assim não é reconhecida frequentemente.

Sintomas potenciais

  • Dificuldades freqüentes com os números, confundindo as operações de adição, subtração, multiplicação e divisão.
  • Problemas de diferenciar entre esquerdo e direito.
  • Falta de senso de direção (para o norte, sul, leste, e oeste) e pode também ter dificuldade com um compasso.
  • A inabilidade de dizer qual de dois números é o maior.
  • Dificuldade com tabelas de tempo, aritmética mental, etc.
  • Melhor nos assuntos tais como a ciência e a geometria, que requerem a lógica mais que as fórmulas, até que um nível mais elevado que requer cálculos seja necessário.
  • Dificuldade com tempo conceitual e julgar a passagem do tempo.
  • Dificuldade com tarefas diárias como verificar a mudança e ler relógios analógicos.
  • A inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento, nivelar às vezes em um nível básico, por exemplo, estimar o custo dos artigos em uma cesta de compras.
  • Tendo a dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância (por exemplo, se algo está afastado 10 ou 20 metros).
  • Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, régras, fórmulas, e seqüências matemáticas.
  • Dificuldade de manter a contagem durante jogos.
  • Dificuldade nas atividades que requerem processamento de seqüências, do exame (tal como etapas de dança) ao sumário (leitura, escrita e coisas sinalizar na ordem direita). Pode ter o problema mesmo com uma calculadora devido às dificuldades no processo da alimentação nas variáveis.
  • A circunstância pode conduzir em casos extremos a uma fobia da matemática e de dispositivos matemáticos (por exemplo números).

Causas potenciais

Os cientistas procuram ainda compreender as causas da discalculia, e para isso têm investigado em diversos domínios.
  • Neurológico: Discalculia foi associada com as lesões ao supramarginal e os giros angulares na junção entre os lóbulos temporal e parietal do cortex cerebral.
  • Déficits na memória trabalhando: Adams e Hitch discutem que a memória trabalhando é um fator principal na adição mental. Desta base, Geary conduziu um estudo que sugerisse que era um deficit de memória para aqueles que sofreram de discalculia. Entretanto, os problemas trabalhando da memória são confundidos com dificuldades de aprendizagem gerais, assim os resultados de Geary não podem ser específicos ao discalculia mas podem refletir um déficit de aprendizagem maiores.
Pesquisas feitas por estudiosos de matemática mostraram aumento da atividade de EEG no hemisfério direito durante o processo de cálculo algorítmico. Há alguma evidência de déficits direitos do hemisfério na discalculia.
Outras causas podem ser:
  • Um quociente de inteligência baixo (menos de 70, embora as pessoas com o QI normal ou elevado possam também ter discalculia).
  • Um estudante que tem um instrutor cujo o método de ensinar a matemática seja duro de compreender para o estudante.
  • Memória a curto prazo que está sendo perturbada ou reduzida, fazendo-a difícil de recordar cálculos.
  • Desordem congênita ou hereditária. As indicações da mostra dos estudos desta, mas não são ainda concreto.
  • Uma combinação destes fatores.
 Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Problemas Financeiros

As relações humanas são relações muito importantes para a nossa evolução.

Se pudéssemos acompanhar o fluxo da História, veríamos como é que se deram, nos idos tempos, as transações. Sim, as transações. Quando alguém precisava de algo que não produzia, ia buscar com alguém que produzisse e natural é pensar que esse alguém também tivesse necessidade de outras coisas que eu produzia ou que outra pessoa produzia.

Todas as trocas eram feitas, o comércio era estabelecido através de trocas. Alguém que produzisse, por exemplo, grãos trocava com aquele que produzisse tecido; aquele que produzisse tecido precisava de alguém que produzisse outras coisas, metais. Era assim a transação.

Com o passar do tempo surgiu a moeda. Já não eram as coisas em si mesmas as moedas de troca, agora surgiram moedas. Cada grupo, cada lugar, cada país tratou de estabelecer a sua própria moeda. Madeiras caras, raras, perfumadas, com a qual se construíam peças que serviam de troca. Metais, metais caros, metais mais raros.

E com isso, ao longo do tempo, foram cunhadas moedas e teve começo, no mundo do capital, a troca realizada através da moeda.

Desde então, o nosso trabalho passou a ser remunerado, passamos a perceber algum dinheiro em função do trabalho que realizássemos.

O nosso trabalho passou a ter um preço. O trabalho por dia, o trabalho por hora, o trabalho por mês ou por ano recebia uma compensação da sociedade e, desse modo, fomos criando um sistema no mundo que, a partir dos regimes capitalistas, foi ficando insuportável.

Porque uma coisa é eu ter bananas em casa e trocar com o vizinho que tem cocos; ele tendo cocos trocar com alguém que tenha arroz. Era mais fácil.

Mas, quando passamos a ter essas relações econômicas na base da moeda, na base do dinheiro, eu preciso ter dinheiro, porque tem alguém que vende e naturalmente tem alguém que compra.

A lei econômica da oferta e da procura estabelece que todas as vezes que eu tenha alguma coisa para vender, aparecerá alguém desejando comprar ou que sempre que eu tenha vontade de comprar alguma coisa, aparecerá quem me venda essa coisa.

E, desse modo, criamos uma estrutura social ou uma estrutura sócio- econômica em que é inadmissível vivermos sem dinheiro. Passaram a surgir os problemas financeiros, os problemas econômicos.

Mas, quando acompanhamos, hoje em dia, os noticiosos percebemos que há pessoas que vivem com muito pouco. Há pessoas que vivem com um dólar por dia, menos de um dólar por dia, até os indivíduos que ganham centenas de dólares por minuto.

Começamos a encontrar na Terra uma disparidade muito grande. Pessoas que ganham muitíssimo, pessoas que ganham pouquíssimo, pessoas que não ganham nada. Situando essa questão ao nível da classe média verificamos que grandes problemas que surgem no seio familiar, na relação entre casais têm sido o problema financeiro, a falta de dinheiro.

É claro que temos que levar em conta o estilo de vida que adotamos ter, o nível de vida que passamos ter e, desse modo, os problemas econômicos, os problemas financeiros decorrem, muitas vezes, na classe média, desse status em que nos colocamos, em que nos situamos.

Nas conversas em geral as pessoas dizem: Eu não posso baixar meu nível, eu não quero baixar meu nível, isto não é compatível com meu nível de vida.

De todas as vezes que temos que viver sem aquilo que é compatível ao nosso estilo de vida nos fazemos, nos tornamos pessoas muito infelizes.

Por isso, vale a pena pensar qual a solução que daremos para esses problemas financeiros para que nossa vida não dependa disso, de tudo isso, dessas questões. Mas, para que possamos, mesmo na necessidade, aprender a viver melhor.

* * *

Cada vez que nos dermos conta de que o dinheiro está sendo um problema para a nossa vida, primordialmente deveremos levar em conta que as pessoas a nossa volta não têm nada a ver com isso.

Assim, eu não deverei transferir para minha esposa ou a esposa para seu marido ou filhos ou para quem conosco conviva essa irritabilidade pela questão financeira. Vamos ver como é que resolvemos isto já que não temos como ganhar dinheiro fácil.

Importante pensar que poderemos descer um pouco do nosso pedestal e ajustar a nossa vida como quem vai apertando um parafuso cuja peça esteja frouxa. Não significa que teremos que ir nos miserabilizando, mas significa que nós temos que aprender a viver com o que temos e não com aquilo que imaginaríamos ter.

A doutora Maria Junqueira Smith, que escreveu notáveis livros, escreveu num deles chamado A família por dentro, da Editora Agir, que seria importante que aprendêssemos a educar nossos filhos com a alma de pobres.

Vejamos que ela não ensina ensinar os nossos filhos a ter almas pobres, mas a viver com alma de pobre. E a alma do pobre é essa alma versátil, quando tem muito ele é feliz, quando tem pouco ele é feliz do mesmo jeito.

Se nós aprendermos a viver dessa forma, no dia que não pudermos consumir produtos caros, consumiremos produtos mais em conta.

Não estamos fazendo proposta de que as pessoas abram mão do seu sonho, mas queremos propor que elas não se infernizem por causa da falta de dinheiro.

É muitíssimo importante saber que as autoridades que teriam que nos pagar, os governos, os patrões, eles têm o poder de mexer na nossa conta bancária, de mexer no nosso bolso, mas não deveremos lhes dar o direito de mexer no nosso coração, na nossa alma.

Vamos fazer os movimentos por melhores salários, vamos aprender a crescer, a melhorar a nossa condição profissional, a dar um pouco mais de nós. Porque há um dado que passa despercebido de muita gente. Todo mundo quer aumento de salário. É natural, é compreensível. Mas, pouquíssimas são as pessoas que melhoram o trabalho que realizam. Não se esforçam por se aprimorar, por se aperfeiçoar, elas fazem aquilozinho do mesmo jeito que sempre fizeram, estão querendo sempre maior reconhecimento.

Há pessoas que fazem do seu trabalho profissional uma mesmice eterna. Os mesmos equívocos são cometidos, os mesmos erros de português, as mesmas limitações de sempre. Mas as pessoas querem aumento de salário.

Seria tão bom se pleiteássemos melhorias salariais na medida em que estejamos oferecendo à sociedade também um melhor trabalho, oferecendo também à sociedade algo melhor.

Será importantíssimo que a nossa dificuldade financeira não recaia sobre os outros. Seja um problema nosso. Vamos batalhar, vamos lutar, tendo muito cuidado com os movimentos que façamos em nome dessa dificuldade salarial. Quando nós pensamos, por exemplo, em parar de trabalhar, nós criamos um problema muito sério com aqueles que dependem do nosso trabalho. Porque numa greve de professores não são os filhos dos ricos que sofrem, não são os filhos dos governantes que sofrem, é o povo.

Numa greve de médicos, uma paralisação de médicos, não são os ricos que sofrem, os ricos não precisam dos nossos médicos, eles têm os seus médicos particulares. É o povo que sofre.

Na hora que pára o serviço de trânsito, de transporte, quem é que anda de ônibus? Não é o nosso patrão, não são os nossos governantes, é o povo.

Nós vamos criando um débito, um carma coletivo com o povo, vamos criando problemas com os que mais precisam de nós. A nossa disputa, a nossa briga, a nossa indisposição, por causa do salário, deveria ser com os nossos patrões, com os nossos governos, com as pessoas responsáveis pela nossa dificuldade.

Daí então cuidar para que a nossa dificuldade financeira não se transforme num débito moral com a coletividade ou com outras pessoas, porque saberemos, um dia, quantas crianças desistiram da escola por nossa incúria como professor, quantos doentes morreram por nosso desejo de ganhar mais, quantas pessoas que perderam concursos, oportunidades, porque não tiveram condução, por causa da nossa vontade de ganhar melhor.

Ganhar melhor sim, mas dar, também, o nosso melhor.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 92, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Paixão

 Paixão: Satisfação Plena ou Sofrimento (Análise Psicológica)
"Se descobrimos que nosso parceiro é muito diferente de nós, desenvolvemos mágoa, revolta e frustração pela expectativa não realizada; porém se sentimos que o mesmo é exatamente nossa cópia, desenvolvemos o medo ou bloqueio para não lidarmos com o nosso próprio sofrimento, fugindo do pleno autoconhecimento".-ALFRED ADLER-PSICÓLOGO.

"O amor não é algo oriundo de um romantismo ingênuo e pueril, mas é principalmente um entretenimento que o ser humano precisa desenvolver para aliviar seu pavor em relação à morte".-ANTONIO CARLOS -PSICÓLOGO. 
Qualquer ser humano da face da terra ao menos uma vez experenciou o fenômeno de se sentir apaixonado por alguém e toda a conseqüência de dito sentimento. Muitas vezes Aquilo que começa como o prazer máximo de nosso espírito se transforma no mais terrível sofrimento, como se fosse uma espécie de droga que se consome, e após um tempo sentimos os efeitos colaterais. Sem dúvida o processo de ambas as coisas é o mesmo, pois o ser humano em vista do terrível caos que enfrenta diariamente, necessita de experiências culminantes que amenizem sua cruel realidade. Este fato passa desapercebido quando se fala de sentimentos, pois os mesmos também carregam elementos ilusórios e até alucinógenos para a percepção do indivíduo. Obviamente não desejo aqui comparar paixão ou amor a uma droga, mas sobretudo esclarecer que um dos maiores focos de doença psíquica e comportamental de nossa era reside na questão do "prazer", ao contrário do que muitos pensam. Nenhum outro elemento da vida humana é tão sistematicamente interditado ou sabotado do que a plena satisfação pessoal de alguém.
O prazer como qualquer outra coisa traz embutido perigos e ameaças de toda a ordem. Talvez a principal seja a definição de nosso futuro. Digo isto, pois qualquer um que observar atentamente logo perceberá que uma paixão tem o poder de definir todo o futuro de nossa afetividade, seja na adolescência ou outra etapa de nossa vida. A não correspondência de determinado sentimento já é a porta certa para um futuro de timidez ou bloqueio afetivo, seja o mesmo oriundo de ligações familiares ou amorosas. Toda escola de psicologia sabe que o "trauma" é o elemento determinante do futuro pessoal e social de determinada pessoa. O problema é que poucos conseguem traçar os caminhos que o mesmo percorre, prejudicando desta forma a prevenção de vários conflitos psíquicos. Se somos resultados de experiências passadas, principalmente as de natureza traumática, então pelo raciocínio lógico quando uma criança está preste a se deparar com algum conflito insolúvel, naquele exato momento se fechou algumas possibilidades futuras de seu destino.
O psicólogo contemporâneo de FREUD, ALFRED ADLER acreditava principalmente que a futura profissão de uma pessoa era definida logo nos primeiros anos de vida, dependendo do tipo de estímulo ou trauma que sofrera. Chamou este processo de compensação, pois a criança escolheria algo para tentar reparar a perda. Ele mesmo declarava ter se tornado médico ao presenciar o falecimento do irmão na sua infância.
Em suas consultas ADLER estimulava o paciente a tentar lembrar de suas primeiras recordações de infância, pois as mesmas dariam a trilha psíquica que o paciente desenvolveu a partir de determinado evento.
Lembro-me de que em certa ocasião numa dinâmica de grupo com outros psicólogos, um deles relatou que uma de suas lembranças mais remotas era de "sair durante a sessão de um filme para ir até o banheiro do cinema, onde por algum tempo ficou olhando as fezes no sanitário". Esta recordação é extremamente interessante, pois se fôssemos seguir a abordagem psicanalítica as fezes teriam uma representação daquilo que FREUD chamava de angústia da castração, ou seja, a criança na disputa do afeto dos pais sentir-se-ia desamparada e ameaçada, dada à desigualdade em relação aos genitores. Temeria então perder seu pênis, órgão extremamente valorizado pela criança, pois já tem uma idéia inconsciente de que é graças ao mesmo que ela foi concebida, e a menina que possui uma vagina foi castigada pela ausência do pênis exatamente por tentar competir com os pais. Toda esta elaboração psíquica e sexual complicada seria desviada para a compulsão de ver as fezes como forma de iludir seu terrível medo subjacente.
ADLER sempre defendeu a tese de que os conflitos sexuais descobertos por FREUD, eram um anteparo que a criança construía evitando a consciência do verdadeiro conflito, no caso sempre de ordem moral ou social, pois sabemos como nossa cultura dissimula a verdadeira natureza humana. Assim sendo, não seria difícil analisarmos que a recordação infantil acima citada encerraria o desejo da criança de ver o lado oculto das pessoas, simbolizado por fezes ou o próprio banheiro, que não deixa de ser um lugar de privacidade. Ficou claro na discussão posterior que desde a infância a pessoa citada sempre nutriu desejo de adentrar a privacidade dos outros, vendo inclusive seus segredos mais sórdidos. Não fica difícil perceber o porque da escolha da profissão de psicólogo.
A exposição teórica acima citada é importante para entendermos a questão da paixão e sentimentos, pois temos de refletir de que quando nos apaixonamos por alguém, também estamos depositando na pessoa toda a nossa anterior história afetiva, sendo que a reviveremos dependendo da situação apresentada.
A paixão cessa quando se ativam as antigas projeções ou experiências traumáticas da história do indivíduo; cada um começa então a usar o parceiro para reviver todo o seu desconforto emocional pretérito.
Obviamente quando abandonamos a esfera afetiva da dedicação e doação para com o outro, a prioridade é a constante insatisfação e conflito emocional. Quando se fala do tédio que um relacionamento constante pode causar, a própria afirmação já encerra uma contradição. Ninguém se cansa de determinado alimento ou gosto pessoal, o que ocorre são períodos de pico ou queda em nossas predileções. Na questão afetiva a coisa muda exatamente pelas projeções passadas citadas, e uma das conseqüências mais visíveis é a infidelidade conjugal, que encerra um componente de ambição desmedida, que se camufla no desejo de novas experiências ou retomada do prazer perdido. Obviamente não estou pregando aqui que não devamos encerrar um relacionamento que já se esgotou do ponto de vista afetivo, mas o fato é que os problemas surgem exatamente quando necessitamos do outro como depositário de nossa frustração pretérita. Se descobrimos que nosso parceiro é muito diferente de nós, desenvolvemos mágoa, revolta e frustração pela expectativa não realizada; porém se sentimos que o mesmo é exatamente nossa cópia, desenvolvemos o medo ou bloqueio para não lidarmos com o nosso próprio sofrimento, fugindo do pleno autoconhecimento.
É essencial a psicoterapia individual ou de casal na profilaxia do exposto acima. 
FREUD acreditava em duas forças centrais na motivação humana: instinto de vida e morte. O primeiro levaria a busca do prazer e satisfação. Se o indivíduo falhasse na realização do objetivo citado, entraria em cena o segundo instinto com a meta básica de retorno ao inanimado ou a morte. ADLER achava que os instintos sexuais escondiam todo o desejo de poder e dominação do ser humano. Assim sendo, uma suposta fantasia sexual encerrava um desejo mais profundo de ver o outro totalmente dominado por nossos anseios pessoais.
O fato central é que a humanidade não aprendeu ainda a lição da duplicidade psíquica, sendo que a busca por qualquer meta de prazer contém também o elemento da dor. Queremos ardentemente o primeiro e afastar sob qualquer hipótese o segundo. Usamos a paixão para tal finalidade, acreditando ilusoriamente ser o remédio definitivo contra nosso cotidiano de insatisfação. Um dos resultados mais drásticos é o desenvolvimento do ciúme exacerbado.
O amor não é algo oriundo de um romantismo ingênuo e pueril, mas é principalmente um entretenimento que o ser humano precisa desenvolver para aliviar seu pavor em relação à morte.O sucesso da tarefa citada advém quando a prioridade passa a ser mais a satisfação do parceiro do que a própria pessoa, com a confiança absoluta não apenas na retribuição, mas na capacidade de ter conseguido desenvolver tal potencial. Não preciso dizer de como o conceito citado é quase que impraticável em nossa sociedade, pois está cada vez mais nítido que a última prioridade é exatamente salvar literalmente alguém.
Temos de ter em mente de que quando desejamos intensamente algo como uma paixão por exemplo, suas marcas ficarão impregnadas com a mesma intensidade. Se a vida em nossa estúpida sociedade globalizada é sempre fugir do fracasso seja de ordem econômica ou social, lutando sempre para estarmos no topo, como poderemos estar abertos para doarmos aquilo de mais precioso que existe em nosso ser? Qualquer terapeuta escuta diariamente de seus pacientes de que o mais importante é o lado afetivo, porém como explicar que é o que menos recebe investimento?
O fato é que a cada dia que passa a coisa que mais cultivamos em nossa vida é a paranóia em todos os sentidos, seja no receio de perder o emprego e conseqüente insegurança, seja na desconfiança que temos em nosso parceiro amoroso causada por ciúme, mágoa ou competição quando achamos que o outro está mais satisfeito ou feliz. A paixão em última instância é o mesmo que querer compartilhar uma espécie de festa com determinada pessoa, e na maioria das vezes para nossa total indignação descobrimos que quase ninguém deseja participar da mesma, ou pelo temor da entrega afetiva, ou impossibilidade de vivenciar o prazer. 
Autor: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: -ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER -ESPANCAR UMA CRIANÇA FREUD-OBRAS COMPLETAS O SENTIDO DA VIDA- ALFRED ADLER- EDITORA PAIDÓS-1937

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Menores Abandonados

Têm sido muito duras as observações que fazemos diariamente a respeito dos nossos menores.
Ao lado dos menores bem nascidos, os que têm família, os que têm lar, nos damos conta de que há centenas e centenas de meninos, de meninas, de adolescentes, que são menores ditos abandonados.
Alguns são chamados pela técnica do Serviço Social, pelas técnicas sociológicas de menores em situação de risco social.

Naturalmente que os jornais estão cheios das crônicas a respeito deles, no cotidiano das cidades grandes e das cidades pequenas.
Há menores em condição de risco social que se atrelam a outros menores e furtam, roubam, agridem e matam. Encontramos menores envolvidos em todo tipo de dificuldade social, em todas as esferas de comportamento moral de baixo nível. E, certamente que a voz coletiva, a voz geral, dirá que são menores abandonados.

Pouca gente se dará conta de que esses menores abandonados não são apenas os que nascem nos guetos, nas favelas, mas todos aqueles que deixaram de receber de alguma maneira, o suporte, a atenção, o respaldo seja da família, seja dos governos, seja da sociedade em geral.
É dessa maneira que vamos encontrando menores abandonados que nunca poderíamos supor que o fossem. Porque eles estão dentro dos lares, com seu pai, com sua mãe, com seus irmãos, mas costumeiramente são órfãos. Órfãos sociais, órfãos, diríamos, de pais vivos.

E quando é que essa situação passará a ocorrer? Quando é que teremos esses órfãos de pais vivos?

Todas as vezes que eles recebam desses pais coisas, mas não tenham propriamente os pais. Seja pelo motivo que for. Se essas crianças, se esses moços estiverem fadados a crescer nas mãos de servidores domésticos ou nas mãos da via pública, sob o impacto das violências cotidianas das ruas da cidade, serão menores abandonados.
Abandonados pelos pais, que nunca têm tempo para conversar com eles, para dialogar com eles, de explicar-lhes os perigos encontrados pelas avenidas do mundo nas pessoas que não merecem confiança. Serão menores abandonados pelas autoridades que pouco se preocupam com o menor em si.

Preenchemos dezenas e dezenas de folhas de papel. Publicam-se documentos os mais belos, bem elaborados por técnicos, em torno da criança, mas isso é apenas para efeito midiático. Isso é só para efeito de mídia, porque nas nossas ruas, em nossas cidades, encontramos às dezenas esses menores abandonados.
Altas horas da noite estão essas crianças e esses moços, soltos nas ruas, nas praças. É impossível pensar que por ali, onde eles estão, por onde nós passamos, não haja passado qualquer autoridade vinculada à infância, à criança, à saúde pública, ao bem-estar social.

É impossível imaginar que essas autoridades não tenham visto essas crianças ali, esses menores ali.

O que acontece é que, quase sempre, é apenas para efeito de mídia todo esse vozerio que se desenvolve em torno da questão infanto-juvenil.
Nós temos tantos menores abandonados nas ruas, como os temos nos lares, onde os pais lhes dão brinquedos, brindes, viagens, dinheiro, carros, motos, mas não lhes dão o coração.

É por isso que, quando olhamos o quadro atual do mundo, Skinheads, menores infratores, menores assaltantes, menores homicidas, menores ladrões, ficamos pensando se esse destino de tragédia, de miséria, se essa situação de periculosidade social, não poderia ter sido evitada ou não poderá ser contida a partir dos corações humanos dos pais, dos governos, dos administradores sociais, a partir do olhar da sociedade.

* * *

O que é que deve passar pela mente de um desses menores, crianças ou adolescentes, que não são propriamente menores de rua, que não foram abandonados pela orfandade dos pais ou pelo abandono tácito dos seus genitores?
Aqueles meninos, meninas que vivem dentro de casa com seu pai, com sua mãe, apenas como um dado. É que esses pais são sempre ausentes, seja pelo trabalho, seja pela vida social intensa que levam, seja porque motivo for.

Esses moços, essas crianças, esses jovens ou adolescentes, o que é que deverão pensar, o que é que lhes passa pela cabeça?
Parecerá que eles são verdadeiros estorvos na vida dos seus pais. Porque os pais nunca têm tempo para eles. Sempre coisas muito rápidas para atender a necessidades econômico-financeiras, para dar-lhes dinheiro, para ouvir a respeito de alguma das suas necessidades.

Então, naturalmente nós temos que mudar o nosso conceito de menor abandonado. Porque há menores que são abandonados, por exemplo, por professores, principalmente quando o professor, ao ver o jeito abusado, desabusado, dessa criança, daquele jovem, daquele adolescente, já se indispõe com ele e passa a acreditar que essa criança não tem jeito, esse moço não tem jeito. De onde ele vem não dá para salvar-se. São moços, são crianças abandonadas, são menores abandonados.

Então, eles começam a ser reprovados, reprovados, reprovados, porque aquele profissional colocou na mente que essas crianças não têm condição, não têm salvação.
Não estamos fazendo apologia da aprovação automática por si mesma, não é isto. É que nós não podemos reprovar alguém, porque achamos que esse alguém não tem condição e, a partir daí, realizarmos essa exclusão. Será mais uma exclusão para esse menor abandonado pelo seu professor.

Esses menores, essas crianças, essas pessoas, já são abandonados porque não têm atendimento médico. Eles não se dão conta do próprio desenvolvimento do corpo, da mudança de fase.
Não há ninguém que lhes diga porque é que surgiram os pêlos, a menarca, as poluções noturnas. Eles não sabem como é que essas coisas se passam. Eles não sabem como é que essas coisas se dão. São menores abandonados da saúde pública. Eles recebem esse opróbrio da sociedade. São pessoas que parecem não ser ninguém.

Então, quando nós pensamos em menores abandonados, imaginamos que sejam somente aqueles que estão nas calçadas, no meio das ruas, cometendo atos infracionais. Mas também são abandonados aqueles que, dentro de casa, não têm seu pai ou sua mãe que lhes possa falar ou que lhes possa dizer a respeito dos perigos que eles encontrarão pelas ruas.
Para que não caiam na lábia dos espertalhões, daqueles que querem tirar proveito de crianças e de adolescentes. Daqueles que querem ganhar dinheiro às custas da prostituição infantil ou infanto-juvenil.

Há tantos modos de criar menores abandonados, de criar menores carentes.

Nem toda criança, nem todo jovem que carrega nos pés caros calçados, tênis de marca, roupas de grife, deixa por isso de ser menor abandonado. Porque há muitos adultos que têm grande facilidade em dar coisas, mas têm uma enorme dificuldade em se dar nas coisas que dão.
É por essa razão que nós precisamos tratar dos menores abandonados. Aqueles que não têm comida, que não têm pão, que não têm roupa, que não têm casa - dever das autoridades, dever da sociedade.

Aqueles que têm casa, que têm pão, que têm comida, que têm roupa, que têm quase tudo, mas lhes falta o amor dos pais, cabe-nos pensar no estilo de apoio que estamos dando às nossas crianças, nossos filhos, nossos menores.
E, honestamente, verificarmos se, apesar de todas as coisas que lhes damos, se não estamos convertendo nossos filhos em outros tantos menores abandonados.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 105, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

As Provações na Vida


Para compreendermos as sortes e os azares e como a vida e o destino funcionam, temos que nos abstrair desta mundana condição humana e temos de observar através do princípio que é um sistema de aprendizagem e a Lei da causa e efeito que regem este processo global.

Na vida Eterna

Lá em cima, na 5ª Dimensão, na eternidade deste Universo a que pertencemos, somos obrigados a aprender Lições e para isso descemos a um Plano inferior em que nos materializamos sobre a forma de uma vida inteligente e antes de partirmos do Lar celestial, é nos mostrado o Destino de todas missões, as provações e consequentes lições que devem ser aprendidas com essas experiências, a forma como perdoamos e superamos os ensinamentos.

No dia-a-dia

Ao longo do percurso da Vida, temos marcos pelos quais, por muitas decisões que tomemos num sentido de fuga, obrigatoriamente somos obrigados a tomar uma determinada decisão, por muito que nos custe.
Fugir ao Destino, que são os marcos da vida, é ir dar uma grande volta repleta de problemas e chatices para mais tarde sermos obrigados a estar defronte da mesma situação e ter de tomar a decisão esperada. Pode ser ter de falar com uma pessoa, ou ajudar alguém, etc.
Mas se estava predestinado pelo Destino, não cumprir estes marcos é condenarmos a repetir mais uma encarnação (ou mais) para passar por aquelas experiências que se renunciou.
A renuncia pode ser até o suicídio, a pior das saídas que leva a um castigo divino severíssimo.

As Provações

Quando passamos por uma experiência, boa ou má, o objetivo é superá-la, aprender as lições, desvalorizar e perdoar. Desta forma, teremos superado a provação.
Nós passamos provações para aprendermos a crescer, a evoluir para o perdão.
Os motivos da provação podem ser no imediato inatingíveis. Citando uma dissertação de Kryon aonde ele aborda o sentido das missões e provações, ele dá o exemplo de uma criança pequena que é raptada por um pedófilo assassino e as pessoas procuram desesperadamente a criança e imploram a Deus que seja salva.
A criança acaba por ser morta e encontrada e instala-se a revolta entre os populares, sendo a critica maior?
"Meu Deus, porque permitistes esta barbárie? Eu que orei tanto!"
ou "Onde estavas tu Deus?"

Este é a curta visão do homem pois Kryon prossegue com a explicação do ponto de vista superior, da mecânica das missões e provações na vida. Aquela criança tinha como missão se sacrificar para chamar a atenção de todas as pessoas para os casos de maus tratos das crianças. No momento que ela esteve na iminência do ato hediondo, o Livre Arbítrio de Deus permitiu que ela chamasse ajuda e seria salva por Deus como as pessoas esperavam, mas tal como Jesus Cristo decidiu avançar e morrer na Cruz, nós, os nossos espíritos tomam a decisão de cumprirem ou não a sua missão nesta Terra.
Vamos observar outro exemplo que é raro mas se enquadra nos temas presentes neste espaço.
"Você" descobriu que a razão da sua vida estar estranhamente demasiado complicada se deve a alguém lhe ter feito uma macumba, feitiço, bruxaria que é exatamente a mesma coisa.
Como nota, esqueça as velinhas e as missinhas porque o trabalho é rigorosamente seu, e não é para ser feito pelos outros.
Pode vir a saber ou não quem lhe fez tal maligna maldade, mas vão se passar três fases, mesmo que não chegue á ultima porque infelizmente o mal tende a gerar reativamente mais mal e infelizmente muito pouco perdão.

Revolta

Como qualquer vítima, a sua integridade foi severamente violada e a revolta e os porquês instalam-se.
Os pensamentos são toldados por idéias de vingança, ataque, raiva, desespero.
Bem, considere antes acalmar-se e reflita o que é que esta experiência lhe quer ensinar.
O que é que com esta Provação, Deus lhe quer mostrar?
Muitas pessoas obtusamente racionais e incrédulas desta maneira acordam à força para realidades superiores acabando-se o estado de desgraça de incredibilidade.

Resignação / Aceitação / Perdão 

É um processo intermédio em que se conclui que está feito e o importante é seguir com a vida em frente e nos casos de macumba, resolver os problemas, e não querer saber de mais nada.
Mas devemos tirar sempre todas as ilações que as experiências da vida nos proporcionam, por isso é que passamos por elas.
Perdoar é o mais importante de tudo.
Pode e deve orar por quem lhe fez mal mas alerto que nem todas as pessoas malignas querem receber Luz ou orações e irão violentamente atacar, porque vivem na escuridão e adoram estar na escuridão. Nem todas as pessoas querem Luz e violentamente atacarão as origens da oração, mas experimente orar pela iluminação delas e o seu retorno aos caminhos do Bem; agora se sentir mal disposta(o), já sabe que deve de parar imediatamente.

                                                                                      Fonte: http://espiritualidade.no.sapo.pt/bloco12.html 

Respostas bíblica

1 Tess. 3:3 Para que ninguém seja abalado por estas tribulações, porque vós mesmos sabeis que para isto, fostes destinados. 

Tiago 1:12 Bem-aventurado é o homem que suporta a provação, porque depois de aprovado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam.

1 Ped. 4:12-13 Queridos amigos, não se surpreendam da provação dolorosa a qual estão sendo submetidos, como se algo estranho estivesse acontecendo com vocês. Mas, alegrai-vos por estarem participando nos sofrimentos de Cristo, de forma que você pode ser jubiloso quando a glória dele for revelada.

Deut. 8:2-3 Lembrem-se de como o Senhor Seu Deus os conduziu por todo o deserto nestes quarenta anos, para os humilhar e os provar de forma a saber o que estava em seus corações, se manteriam os seus mandamentos ou não. Ele os humilhou... para ensinar que o homem não vive só de pão, mas de toda palavra que vem da boca do Senhor.

Gên 22:1-2 Algum tempo depois, Deus provou Abraão. Ele disse a ele, Abraão "! " Eis-me aqui, " ele respondeu. Então Deus disse, "Leve seu filho, seu único filho, Isaque, [e o irmão mais velho de Isaque, Ismael? Veja Rom 9:8, Gal. 4:22-31, João 6:63] a quem você ama, e... o sacrifique lá como um sacrifício queimado em um das montanhas que eu lhe mostrarei".

Ex. 20:20 Moisés disse ao povo: Não temam! Deus veio prová-los, de forma que Seu temor venha impedi-los de pecarem".

Sal.66:8-12 Louvem ao nosso Deus, ó povos, deixem o som de seu louvor ser ouvido; ele preservou nossas vidas e impediu nossos pés de deslizarem. Pois tu, ó Deus, nos provou; o Senhor nos refinou como a prata. Nos trouxe à prisão e pôs fardos em nossas costas. O Senhor deixou homens montarem em cima de nossas cabeças; nós passamos por fogo e água, mas o Senhor nos trouxe para um lugar de abundância.

João 15:18-20 "Se o mundo lhe odeia, lembre-se que me odiou primeiro. Se você pertencesse ao mundo, ele o amaria como a seu próprio... Lembre-se das palavras que eu lhe falei; "Nenhum servo é maior do que o seu mestre". Se eles me perseguiram, eles também o perseguirão".

1 Ped. 4:1 Uma vez que Cristo sofreu dor física, você tem que se armar com a mesma convicção interior que ele teve. Ser livre do pecado significa sofrimento físico, e o homem que aceita isto gastará o resto de seu tempo aqui na terra, não sendo conduzido por desejos humanos, mas fazendo a vontade de Deus.

2 Tim. 3:12 Na verdade, todo aquele que quiser viver uma vida religiosa em Cristo Jesus será perseguido, enquanto os homens maus e os impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.

João 16:2-4 Na realidade, está vindo um tempo quando qualquer um que os mate pensará que está fazendo um serviço a Deus. Eles farão tais coisas porque eles não conheceram o Pai ou a mim. Eu lhes contei isto, de forma que quando o tempo vir, você se lembre de que eu os adverti..."

1 Tess. 3:3 De forma que ninguém seja atribulado por estas provações. Você sabe que nós fomos destinados a elas.

2 Tim. 3:12 A perseguição é inevitável para aqueles que estão determinados a viver vidas realmente cristãs. 

1 Ped. 1:6-7 Isto significa tremenda alegria para vocês, embora no momento você possa estar sendo hostilizado temporariamente por todos os tipos de provações. Isto não é por acaso - acontece para provar sua fé que é infinitamente mais valiosa do que o ouro e o ouro, como você sabe, embora seja no final das contas perecível, deve ser purificado através de fogo.

Tiago 1:2-4 Quando todos os tipos de provações e tentações aglomeram em suas vidas, não se ressinta deles como a intrusos, mas lhes dê boas-vindas como a amigos! Perceba que eles vêm provar sua fé e produzir em você a qualidade da resistência.

2 Tim 1:8 Aceite a sua parte de sofrimento que a fidelidade ao evangelho requer, na força que Deus lhe dá. 

1 Ped. 4:12-14 E agora, queridos amigos meus, eu lhes imploro que não fiquem alarmados indevidamente por causa das provações ígneas que vêm provar sua fé, como se esta fosse uma experiência anormal. Vocês deveriam alegrar-se, porque significa que vocês estão compartilhando os sofrimentos de Cristo. Um dia, quando ele se mostrar em seu completo esplendor, vocês serão preenchidos da mais tremenda alegria. Se vocês forem reprovados por serem seguidores de Cristo, isto é motivo de alegria, pois vocês podem estar certos de que o Espírito do Deus da glória está descansando em vocês. 

1 Ped. 1:6 Nisto regozije-se grandemente, ainda que agora, por um pouco, você possa ter sofrido dissabores de todos os tipos de provações. 

2 Cor 4:16-17 Esta é a razão de nós nunca perdemos a coragem. O homem exterior realmente sofre desgaste, mas diariamente o homem interior recebe força nova. Estas pequenas dificuldades (que realmente são tão transitórias) estão ganhando para nós uma recompensa permanente, gloriosa e sólida além de toda a proporção da nossa dor.

Col. 1:24 É verdade que neste momento, eu [Paulo] estou sofrendo... ainda assim eu me alegro, porque me dá uma chance para contribuir em meus próprios sofrimentos com algo para as dores incompletas que Cristo sofre em nome de Seu corpo, a Igreja. 

Rom 5:3-5 Não só assim, mas nós também regozijamo-nos em nossos sofrimentos, porque sabemos que o sofrimento produz perseverança; a perseverança, caráter; e o caráter, esperança. E a esperança não nos desaponta, porque Deus despejou Seu amor em nossos corações pelo Espírito Santo, a quem ele nos deu.

Rom 8:18 Eu creio que o que nós sofremos nesta vida nunca pode ser comparado à glória, que ainda não foi revelada e que está esperando por nós...

Heb. 10:32,35-39 Em face ao sofrimento... não desperdice sua confiança; ela será recompensada ricamente. Você precisa perseverar de forma que quando você tiver feito a vontade de Deus, você receberá o que ele prometeu. Por que em um pouco mais de tempo, "Aquele que está vindo virá e não tardará. Mas o meu justo viverá pela fé. E se ele se desviar, eu não ficarei satisfeito com ele". Contudo, nós não somos desses que se desviam e são destruídos, mas dos que acreditam e são salvos.

1 Ped. 4:16-19 Se você sofre como um cristão, não se envergonhe, mas louve a Deus porque você suporta este nome. Porque é tempo do julgamento começar com a família de Deus; e se começa conosco, qual será o resultado para aqueles que não obedecem o evangelho de Deus. E, "se é difícil para o justo ser salvo, o que será feito do ímpio e do pecador"? Assim, então, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem se submeter ao Seu fiel Criador e continuar fazendo o bem.

Apoc. 2:9 "Eu conheço as tribulações pelas quais vocês passaram, e quão pobres vocês são - entretanto vocês são ricos "!

Apoc. 2:10 Não tenha medo do que você está a ponto de sofrer. Eu lhe digo, o diabo porá alguns de você em prisões para os testarem, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel, até mesmo ao ponto da morte, e eu lhes darei a coroa da vida".

Lucas 12:4-5 "Eu lhes digo, meus amigos, não tenham medo dos que podem matar o corpo e nada além disso. Mas eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: Tema aquele que, depois de matar o corpo, tem o poder para o lançar a alma no inferno. Sim, eu lhes digo, temam a ele".

Apoc. 3:10  "Porque você manteve meu mandamento de suportar tribulações, eu o manterei seguro na hora da tribulação que virá sobre o mundo inteiro..."
Rom 8:28 E nós sabemos que em todas as coisas Deus trabalha para o bem daqueles que o amam, daqueles que foram chamados de acordo com o seu propósito.

Rom 8:35,37-39 Quem poderá nos separar do amor de Cristo? Seria a dor, os problemas a perseguição? A falta de roupas e comida, o perigo de vida e partes de nossos corpos, a ameaça e a força de braços?... Não, em todas estas coisas nós ganhamos uma vitória maravilhosa através daquele que provou seu amor por nós. Pois estou bem certo de que nem a morte nem vida, nem nenhum mensageiro de Céu, nem monarca de terra, nem o que acontece hoje, nem o que pode acontecer amanhã, nem um poder do alto, nem um poder debaixo, nem qualquer outra coisa no mundo inteiro de Deus tem algum poder para nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor!

ACREDITANDO NO EVANGELHO... 

1 Cor 15:1-2 Irmãos, eu quero lembrá-los do evangelho... porque o evangelho só os salvará se vocês continuarem acreditando exatamente naquilo eu preguei a vocês - acreditar em qualquer outra coisa não conduzirá a coisa alguma. 

1 Cor 15:3-4 Porque eu lhes passei - como essencial, a mensagem eu recebi- que Cristo morreu por nossos pecados, como as Escrituras disseram que ele iria; que ele foi enterrado e ressuscitou novamente no terceiro dia, novamente como as escrituras predisseram. 



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Complexo de Édipo

Segundo Sigmund Freud, o Complexo de Édipo verifica-se quando a criança atinge o período sexual fálico na segunda infância e dá-se então conta da diferença de sexos, tendendo a fixar a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto no ambiente familiar. O conceito foi descrito por Freud e recebeu a designação de complexo por Carl Jung, que desenvolveu semelhantemente o conceito de complexo de Electra.

História

Freud baseou-se na tragédia de Sófocles (496–406 a.C.), Édipo Rei, para formular o conceito do Complexo de Édipo, a preferência velada do filho pela mãe, acompanhada de uma aversão clara pelo pai.
Na peça (e na mitologia grega), Édipo matou o seu pai Laio e desposou a própria mãe, Jocasta. Após descobrir que Jocasta era sua mãe, Édipo fura os próprios olhos e Jocasta comete suicídio
Sófocles, utilizou este mito para suscitar uma reflexão sobre a questão da culpa e da responsabilidade perante as normas, éticas e tabus estabelecidos na sua sociedade (comportamento que, dentro dos costumes de uma comunidade, é considerado nocivo e lesivo à normalidade, sendo por isto visto como perigoso e proibido aos seus membros).
No seu ensaio Dostoiévski e o parricídio Freud cita, além de Édipo Rei, duas outras obras que retratam o complexo: Hamlet e Os Irmãos Karamazov.

Fase fálica

O complexo de Édipo é uma referência à ameaça de castração ocasionada pela destruição da organização genital fálica da criança, radicada na psicodinâmica libidinal, que tem como plano de fundo as experiências libidinais que se iniciam na retirada do seio materno. Importante notar que a libido é uma energia sexual, mas não se constitui apenas na prática sexual, mas também nos investimentos que o indivíduo faz para obtenção do prazer.

Conceito em psicanálise

O complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanálise, entendido por esta como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. O complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade. Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai (não que o pai seja exclusivo, pode ser qualquer outra pessoa que desvie a atenção que ela tem para com o filho), mas esta idéia permanece, apenas, porque o mundo infantil se resume a estas figuras parentais ou aos representantes delas. Uma vez que o ser humano não pode ser concebido sem um pai ou uma mãe (ainda que nunca venha a conhecer uma destas partes ou as duas), a relação que existe nesta tríade é, segundo a psicanálise, a essência do conflito do ser humano. 
A idéia central do conceito de complexo de Édipo inicia-se na ilusão de que o bebê tem de possuir proteção e amor total, reforçado pelos cuidados intensivos que o recém nascido recebe pela sua condição frágil. Esta proteção está relacionada, de maneira mais significativa, com a figura materna. Em torno dos três anos, a criança começa a entrar em contato com algumas situações em que sofre interdições, facilmente exemplificadas pelas proibições que começam a acontecer nesta idade. A criança já não pode fazer certas coisas, não pode mais passar a noite inteira na cama dos pais, andar despida pela casa ou na praia, é incentivada a sentar-se de forma correta e a controlar os esfíncteres, além de outras exigências. Neste momento, a criança começa a perceber que não é o centro do mundo e precisa de renunciar ao mundo organizado em que se encontra e também à sua ilusão de proteção e de amor materno exclusivo.
O complexo de Édipo é muito importante porque caracteriza a diferenciação do sujeito em relação aos pais. A criança começa a perceber que os pais pertencem a uma realidade cultural e que não podem dedicar-se apenas a ela porque possuem outros compromissos. A figura do pai representa a inserção da criança na cultura, é a ordem cultural. A criança também começa a perceber que a mãe pertence ao pai e por isso dirige sentimentos hostis em relação a este.
Estes sentimentos são contraditórios porque a criança também ama esta figura que hostiliza. A diferenciação do sujeito é permeada pela identificação da criança com um dos pais. Na identificação positiva, o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe. O menino tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo tem “ódio” por ciúme. A menina é hostil à mãe porque ela possui o pai e ao mesmo tempo quer parecer-se com ela para competir e tem medo de perder o amor da mãe, que foi sempre tão acolhedora. Na identificação negativa, o medo de perder aquele a quem hostilizamos faz com que a identificação aconteça com a figura de sexo oposto e isto pode gerar comportamentos homossexuais.
Com a resolução do complexo de Édipo, o reinado dos impulsos e dos instintos eleva-se para um plano mais racional e coerente.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Conflitos Existenciais

Uma das coisas mais comuns no ser humano é a insatisfação. Esse espinho da insatisfação acompanha o homem, desde as mais longínquas idades e costuma gerar conflitos.
Mas, ao lado da insatisfação, existem dúvidas que geram insatisfações. Há ansiedades em função das insatisfações. Em verdade, percebemos na criatura humana, um número muito grande de conflitos.
Esses conflitos vazam da intimidade do ser e acabam contaminando as coisas feitas por esse ser.

Encontramos nas criaturas humanas, em cada um de nós, os mais variados tipos de conflitos, que costumam se manifestar nas intensidades mais diversas.
Encontramos aqueles que têm, por exemplo, conflitos relativamente ao seu biótipo.
Há pessoas que se acham feias e, porque se acham feias, passam a se punir, a se castigar ou a buscar uma série de supostas atenuantes para sua suposta feiura.

Por causa desse sentimento de feiura, elas têm autoestima baixa, porque a criatura que se julga feia, não tem coragem de sair, de se arrumar, de encontrar um namorado, uma namorada, de ir a festas porque estará sempre supondo que alguém não gosta da sua expressão.
Há aqueloutros que sofrem conflitos, que vivem conflitos, ainda por causa do biótipo, não propriamente por se acharem feios, mas por se acharem gordos, magros demais, baixos demais, altos demais.

Por mais incrível que isso possa parecer, os indivíduos se atormentam por quaisquer dessas situações.
Aqueles que são gordos demais ou que se acham gordos demais poderiam bem imaginar-se numa outra situação. Entre as classes melhor aquinhoadas, não se diz que alguém está gordo, se diz que alguém está forte e a simples palavra mudada de gordo para forte dá uma outra expressividade.

Aquelas criaturas que se acham gordas demasiadamente passam a usar preto, se vestem de preto, porque se diz nos mundos da moda, nos campos da moda, que preto emagrece.
Se isso fosse verdade não se venderiam outras cores no mundo. Em realidade, a cor escura diminui a visão do contorno, mas a criatura continua portando a mesma massa.
Desse modo por que se atormentar porque o corpo é maior do que o convencional?

Mas, qual é o convencional? Estabelecemos que o convencional é ser magro e aí temos os problemas das anorexias com as modelos, com os modelos. Encontramos tantos problemas porque as pessoas desejam ser magras e outras porque são magras.
Quem é magro se acaba de tomar substâncias, de comer alimentos, na tentativa de mudar o processamento glandular, celular e engordar.

E quem é gordo se acaba de fazer dietas da lua, do sol, da água, de Beverly Hills para perder massa.
Os conflitos são os mais variados. Mas há aqueles que têm conflitos porque são baixinhos e usam saltos tenebrosos. Saltos que lhes deformam a coluna vertebral, que lhes causam problemas gravíssimos de postura.

Aqueles que são altos ficam tão complexados que começam a se envergar. Na Inglaterra, uma familiar real mandou cortar parte dos ossos das pernas para baixar um pouco a sua estatura. Conflitos.
Contudo, esses conflitos estão ao nível do corpo, das coisas externas, daquilo que se vê, daquilo que se observa, mas há diversos outros conflitos que estouram no íntimo da alma, se manifestam nas atitudes das criaturas e que ninguém sabe como é que eles nascem, de onde é que eles vêm e o que é que provocarão.

* * *

Nesse território dos conflitos, encontramos conflitos de outras ordens. Imaginemos o que vem a ser o conflito sexual nas pessoas. Terrível.

É muito comum que os indivíduos se debatam e isso é uma característica da Humanidade em geral, entre as pressões da sua libido, as pressões da sua imaginação, das suas fantasias, as pressões do seu passado, das suas bagagens, do seu passado espiritual, da sua bagagem ético-moral. Há aqueles que vivem o conflito da definição quanto à sua orientação sexual. Sentem pressões internas para a homossexualidade, mas têm horror porque a sociedade castiga a homossexualidade.

Pretendem ficar no território da heterossexualidade, mas fazendo fantasias homossexuais, bissexuais, multissexuais. Porque tudo isso corresponde a etapas no desenvolvimento da criatura humana.
Não é feio ser hetero, ser homo, ser bi. A criatura se encaixa no seu momento evolutivo.
Não é bonito ser hetero, ser homo, ser bi. O importante é que dirijamos a própria mente para o que precisamos fazer na Terra.

A dignidade, a honestidade, o trabalho por nós mesmos, a ajuda às pessoas e vamos disciplinando da maneira como conseguimos, como nos é mais fácil a expressividade da sexualidade.
É muito comum imaginar-se que a sexualidade está na genitália, na expressão genital. A sexualidade é uma força que está na mente, na alma, no íntimo das criaturas.

Muita gente que se manifesta exteriormente segundo uma característica sexual, digamos, da heterossexualidade, na sua fantasia interna onde a verdade existe, ela vibra em outra sintonia, lida com outras realidades e isso lhe gera conflito.
Devo ficar no armário? Como se diz popularmente, devo sair do armário? Devo me apresentar na praça pública? Pintar-me, não pintar-me, vestir-me opostamente?

Nada disso é sexualidade. Tudo isso faz parte do exibicionismo das pessoas. Porque há mulheres que se vestem de homens, há homens que se vestem de mulheres. Tudo isso faz parte do seu gosto por se fantasiar.
A nossa roupa é uma fantasia, é uma maneira que se escolhe para se apresentar no mundo.
Eu quero me vestir de roxo, de preto, de amarelo. Eu quero com mangas compridas, com mangas curtas. Eu quero com dez botões, com quinze botões. São fantasias.

A realidade mais verdadeira é a que pulsa dentro do ser. Os conflitos sexuais vão desde os problemas meramente psicológicos, que um analista ajudaria resolver, aos homicídios, aos suicídios, à suposição de que está sendo violado, de que está sendo traído, de que está sendo enganado.

Há os conflitos de ordem religiosa: Eu devo ou não devo ser religioso? O que é ser religioso? Adoto a religião A, a religião B ou a C? Curvo-me aos meus líderes religiosos, faço o que eles me mandam fazer e perco a minha liberdade de escolha? Será que eles de fato conversam com Deus?

Será que realmente eles são intermediários entre mim e Deus? Afinal de contas, devo repetir o que se diz na minha crença ou devo pensar por mim mesmo e ter a minha cabeça baseando-me na minha crença? Os conflitos.
Devo ser fanático? Aqueles que não creem como eu estão no inferno, estão perdidos? Mas os outros que creem diferente de mim alegam que eu também estou perdido. Em que patamar eu fico? Em que patamar me estabeleço?

É muito importante pensar nesses conflitos. De acordo com sua intensidade, eles precisam de um socorro, de uma ajuda. Às vezes, de uma ajuda profissional, de um psicólogo bem recomendado, bem estruturado, porque há vários muito desestruturados.
Precisamos do apoio de um médico, de um psiquiatra. O psiquiatra não é médico de loucos, é um médico que nos ajuda a não ficar loucos ou a tratar a insanidade que surja.

Muitas vezes, precisamos de um apoio do nosso líder religioso, uma conversa, um diálogo para que ele nos ajude a equilibrar as próprias tensões internas. No mundo, não há uma única pessoa que não viva conflitos, de quaisquer ordens.
Há aqueles conflitos que são do cotidiano: se como ou se não como, se vou ou se não vou. Mas há conflitos de ordem grave, que exigem uma resposta séria, uma busca por solução, seja em nível médico, em nível social, em nível psicológico mas, fundamentalmente, que seja uma resolução dentro de nós.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 160, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A Construção do Lar

É muito comum fazermos a distinção entre casa e lar.
Costumamos chamar de casa a construção de material, de madeira, de alvenaria, de pedra, seja o que for, enquanto o lar é o que se passa dentro dessa construção. Muitas vezes, nós conseguimos construir a casa, mas não chegamos a formar o lar.

Vivemos dentro dessa casa de formas tão estranhas, que não configuram o lar. O lar é o emocional, é o sentimental, é o racional, é o vivencial. É a interação das pessoas. A casa é o prédio.

Muitas vezes as pessoas dizem: Estou indo pra casa, mas, aborrecidas, porque estão indo para casa e, possivelmente, ao chegarem em casa, não encontrarão o respaldo do lar.
 
É muito importante verificarmos porque é que o lar nos é importante. Exatamente porque ali se reúnem Espíritos, criaturas, indivíduos procedentes dos mais variados recantos da natureza.
Advindas, essas criaturas, das experiências as mais várias e, ao nos encontrarmos dentro de casa, para formar o lar, teremos obrigatoriamente que trocar essas experiências.

A esposa teve uma criação, uma formação, uma instrução ou deixou de tê-la. O marido outra e, agora, são duas pessoas que vão se reunir, na tentativa de forjar outras pessoas e educá-las, os filhos.
O lar representa esse cadinho, esse campo de provas, onde as diferenças se atritam, onde trocamos aquilo que sabemos com o que o outro sabe.

Desse modo, é muitíssimo importante que construamos o nosso lar em bases de equilíbrio, de entendimento, o que nem sempre é fácil.
Todas as vezes que nos reunimos, pessoas diferentes, seja no que for, isso nos dá uma certa instabilidade, isso gera uma certa instabilidade.

Há sempre uma diferençazinha entre o esposo e a esposa, entre os pais e os filhos, entre os irmãos. Por quê?
Porque se a esposa tem um pouco mais de cultura, se o marido tem um pouco menos, isso deixa um degrau de frustração.

Ele vai fazer de tudo para mostrar que também sabe, quando seria tão fácil admitir que ele ainda não sabe. Poderá aprender. Se a esposa se torna submissa porque seu marido é doutor, seu marido é que sabe, já desbalanceia o lar.
Seria tão normal se ela admitisse que, de fato, ele preparou o que sabe, ele sabe na frente e ela não está proibida de aprender e de saber também. Mas, cada qual respeitando o outro, sem se sentir lesionado, sem se sentir frustrado, sem se sentir diminuído.

No lar, temos ensejo de trocar tudo isto. Verificamos que aquele homem notável, notável médico na sociedade, chega em casa. Ele é carente do que a cozinheira fez, dos carinhos da esposa, dos filhos.
Aquele grandioso engenheiro respeitado na sua empresa, na sociedade, mas quando chega em casa, ele é aquele gatinho carente de carinho, de atenção de sua esposa, dos seus filhos.

Somos movidos à emoção, a sentimento. O ser humano não é meramente racional, somos sentimentais.
Então, aquele homem que faz pressão na sociedade, o grande político, o grande administrador, quando chega em casa quem manda em tudo é a sua mulher.
Não, nós não vamos. Não, eu não quero. Não, você não vai fazer. Não, você não aceitará. E para que o amor possa vigorar é necessário que nós aprendamos ouvir um ao outro. O lar é assim.

É essa grande panela, é esse grande cadinho, dentro de cuja estrutura todos vamos aprendendo, uns com os outros, oferecendo o melhor que tenhamos e aprendendo o que os outros têm a nos oferecer.
É muitíssimo importante a estrutura do lar. Nada tem a ver com a casa. O lar vem de dentro.


* * *

Uma vez que essa estrutura de lar é de dentro da criatura humana, é muito importante que cada elemento do lar se preocupe com o outro e se ocupe também com ele.

Cada vez que pensamos na família que vive nesse lar que estamos abordando, certamente que cabe aos esposos determinados compromissos entre si, para a mantença do lar.

Se eles despautarem desses cuidados, o lar não se sustenta. Para a estrutura do lar é importantíssima a fidelidade, o respeito, a parceria, o acompanhamento, o companheirismo.

Se houver filhos na relação, os cuidados com o encaminhamento dos filhos neste mundo atormentado da atualidade.
Onde estão nossos filhos? Com quem estão nossos filhos? Fazendo o quê os nossos filhos estarão?

Esses cuidados que, há muito, passaram a ser coisas démodé, precisam voltar às preocupações nossas, precisam retornar aos cuidados domésticos.
Quando ouvimos as notícias de que tal criança foi seviciada, foi levada, foi conduzida, isso nos remete a refletir sobre a desatenção, muitas vezes, dos pais.

Com quem está minha criança? Onde está neste momento?
Vivemos dias em que os nossos filhos são mandados para dormir na casa dos amigos, dos colegas. Mas a gente não sabe quem são os pais desses amigos, desses colegas.

Não sabemos qual é a formação moral dessa família para onde estamos mandando os nossos filhos. Muitas vezes, acordamos tarde demais.
A estruturação do lar exige bom senso, exige cuidados, exige raciocínio.

Não é uma prisão. Todos usufruem liberdade. Mas, na estruturação do lar, a liberdade jamais estará alheada, distanciada das noções de responsabilidade.
Todos os que têm liberdade no lar, também hão de ter responsabilidades.

E se forem crianças?
Vamos ensinando às crianças a ter responsabilidade com as coisas delas. Guardar os brinquedos, colocar a roupinha que tirou no cesto, na medida em que elas vão podendo.

Como é que a criança aprende a ajudar em casa?
Traga para a mamãe, pegue a vassoura.
Pegue aquilo. Traga aquilo. Leve aquilo para a mamãe. Ajude a mamãe.

Sem nenhuma imposição, para que a criança aprenda a gostar de colaborar.
Venha aqui com o papai, segure aqui para o papai poder esticar.

Criando vínculos.Quando os nossos filhos começam a ir para a escola, cedinho, será nosso dever, de pai ou de mãe, puxar assunto com eles.
Como é que foi hoje o dia? Com quem você brincou? O que a professora lhe ensinou? Ou a tia?

E a sua merenda, comeu-a? Distribuiu com alguém?
Para que ensinemos à nossa criança, desde cedo, a conversar conosco sobre o que se passou com ela.
Depois que ela aprende a conversar conosco, não precisamos perguntar nada.

Quando a apanhamos à porta da escola, ela já nos vem contando. Quando a colocamos no carro, ela já começa a falar. E é dessa maneira que vamos criando uma parceria doméstica.
Os filhos não precisam esconder dos seus pais as coisas que vivenciam. Os pais não devem negar orientação aos filhos, para que eles saibam se nortear. Estar sempre acompanhando.

Quando a nossa criança começa a crescer e não faz aquelas intrigantes perguntas, sobre sexo, sobre isso ou sobre aquilo, que os pais não imaginem que elas não sabem, que elas são inocentes. Admitam que já aprenderam, de forma equivocada e, porque aprenderam de forma equivocada, têm vergonha de falar para nós.

Cabe, então, para que o lar se reerga, todos nos envolvermos com todos.
Com carinho, com atenção, com sorriso, com seriedade, cada coisa no seu lugar. Mas, que não falte entre nós jamais a ternura, o respeito recíproco, na certeza de que somos irmãos em Deus, momentaneamente situados como marido, mulher, pais, filhos, irmãos.

Para que o nosso lar seja feliz, para que utilizemos esse cadinho, como a grande oficina das almas, não poderá faltar o amor. O amor que gera respeito, o amor que imprime responsabilidade.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 186, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dia de Finados

Você já parou para pensar no sentimento que move as criaturas diante da morte de um ser querido? Se você nunca teve essa experiência, dificilmente conseguirá pensar devidamente.

É que a morte ainda no Ocidente é uma grande hidra. As criaturas têm um medo terrível da morte e do morrer. Muito pouca gente se dá conta de que a morte é o reverso da medalha da vida. Para que nós tenhamos vida, há necessidade de que haja morte.

No planeta material em que nos encontramos, todas às vezes em que nós falamos do fenômeno da vida, só o falamos porque esse fenômeno está atrelado ao da morte. Para que uma coisa viva, outra coisa terá que morrer. Para que a planta viva, a semente morre. Para que o pão apareça, temos que triturar o grão. Dessa maneira, para que nós, seres humanos, vivamos temos que matar tantas plantas para nos alimentar, alguns animais que alimentam a nossa mesa.

Temos que digerir, que deglutir uma quantidade enorme de partículas de vida que estão pelo espaço, pelo ar que respiramos. Temos que gastar uma quantidade muito grande de oxigênio para podermos sobreviver.

A morte significa muito pouco no conjunto da vida. Afinal de contas, quando pensamos nesse fenômeno do morrer e aprendemos que a morte é conseqüência do desgaste dos órgãos, nos apercebemos que começamos a morrer quando nascemos, quando somos dados à luz e temos que respirar com os nossos próprios pulmões. Aí começa o fenômeno da queima, do desgaste do órgão, da morte.

Quando nós pensamos nisso, temos que ver que a morte é um fenômeno hipernatural. Tudo que nasce morre, tudo que é matéria no mundo se transforma, e uma das formas de transformação nós chamamos de morte. Um dos modos pelos quais as coisas se transformam é a morte.

Morre a montanha de minério, para que surja a montanha de barro por exemplo. Morre a ostra para que nasça a pérola. E dessa forma, nós verificamos sempre essa dualidade, vida e morte, esse claro-escuro da vida e da morte que nos acompanha.

Valeria a pena pensarmos, nesse dia em que as nossas sociedades ocidentais homenageiam os seus mortos. Chamamos Dia dos Mortos, Dia de Finados, não importa, o que importa é que dedicamos um dia para prestar homenagem aos nossos antepassados, aos nossos amigos, aos nossos afetos, aos amores nossos que já demandaram o Mais Além, que já cruzaram essa aduana de cinzas da imortalidade.

No Dia de Finados encontramos tanta gente verdadeiramente mobilizada por sentimentos de fraternidade, de ternura, de amor, que vão aos cemitérios, aos Campos Santos, na busca de homenagear os seus entes queridos. Merece todo respeito essa iniciativa.

Nada obstante percebemos quanto que vamos ficando escravizados dessa situação, imaginando, supondo, pelos aprendizados que fizemos das nossas religiões, ou pelas coisas que ouvimos falar aqui e ali, que os nossos mortos estão lá. Chegamos a ouvir as pessoas dizerem:

Eu vou visitar a cova do meu pai. Eu vou visitar a sepultura de minha mãe.

Como se ali estivesse o seu pai, como se ali a sua mãe estivesse.

Lemos inscrições tumulares do tipo Aqui jaz Fulano de Tal, mas não é verdade. O Fulano de Tal que nós queremos homenagear não jaz ali na sepultura. Ali estão seus despojos, ali estão seus restos mortais.

É como se nós tirássemos uma roupa imprestável e atirássemos essa roupa na lixeira. Esquecemos dela, deixamos que o tempo cumpra o seu papel. Nenhum de nós teria a idéia, de todos os dias, ir lá visitar a roupa velha e imprestável, atirada no monturo.

Então, nada obstante esse respeito com que nós, cristãos, encaremos essa relação com os mortos, com o morrer, por mais que estejamos com esse intuito de homenagear aos nossos seres queridos, será muito importante criarmos o hábito de pensar neles vivos.

Ali na cova, na sepultura não jazem nossos entes queridos. Eles jazem, eles vivem, eles vibram, na nossa intimidade, nos nossos pensamentos. Eles se movem no Mundo dos Espíritos.
* * *

Ao pensar nos nossos mortos, cabe ter essa certeza de que os nossos mortos vivem, eles não estão jazendo nos sepulcros.

Que coisa grotesca será imaginar nossos seres amados enterrados na sepultura com os seus despojos! Vale a pena pensar numa gaiola vazia, donde o pássaro já se foi. Vale a pena pensar nisso.

O nosso corpo físico, durante um tempo mais ou menos largo, serve-nos de morada, serve-nos como uma gaiola que, ao mesmo tempo que nos ajuda a aprender, a crescer, também é um instrumento através do qual resgatamos aquilo que devemos em face da vida, coloquemos em ordem a nossa consciência com as Leis Divinas.

Logo, o Dia de Finados, o Dia dos Mortos deveria ser um dia sim, de homenagem aos nossos seres queridos, mas de outra maneira. Aprendermos a fazer um levantamento de como se acham nossas disposições na vida, se estamos vivendo de acordo com os ensinamentos de nossa mãe, de nosso pai, se os estamos homenageando, glorificando seus nomes, pelo tipo de criatura que sejamos: dignas, nobres, amigas, fraternas, cooperosas, dedicadas ao bem.

Afinal de contas, de que outra maneira melhor nós poderíamos homenagear os nossos mortos? Nem sempre levando flores para enfeitar os sepulcros onde se acham seus despojos. Aqueles recursos das flores, quantas vezes poderiam ser transformados, em nome dos nossos mortos, em leite para uma criança pobre, em pães para o necessitado, em remédios para um doente que não os pode comprar, em cadernos para que alguma criança aprenda.

Nós podemos converter aquela quantidade enorme de cera que compramos para queimar nos cemitérios, que não vai levar a lugar algum os nossos mortos, que não precisam de cera queimada, converter isso em roupa, em alimentos, em agasalho, em material escolar, em medicação, em acompanhamento, em homenagem aos nossos mortos.

Quando presenteássemos uma criança com o kit de material escolar, nós poderíamos dizer a ela, caso ela entendesse, ou aos seus pais: Faça uma prece por Fulano de Tal, que é meu filho, que é meu pai, que é minha mãe, que é meu irmão, ou meu amigo.

Nós teríamos formas tão mais agradáveis, tão mais felizes, de homenagear os nossos mortos. E cantar, brincar, e nos alegrar, como eles gostavam que nós fizéssemos.

No Além, eles continuam gostando. Quantos filhos que se foram para o Mais Além e suas mães começam a morrer aqui na Terra. Não se tratam mais, não se cuidam mais, não os respeitam mais.

Se seus filhos gostavam de vê-las bem vestidas, bem cuidadas, alegres, joviais, em homenagem a eles, no Dia dos Mortos e em todos os dias da vida, continuem assim, bem cuidadas, dispostas, alegres. O que não nos impede a lágrima de saudade e nunca a lágrima de revolta.

Se os nossos filhos gostavam de saber que nós estamos envolvidos em atividade social, em alguma atividade do bem como voluntários, servindo numa escola, servindo num velhanato, num hospital, vamos continuar a fazer isso em homenagem a eles, em nome deles que de onde estiverem, nos aplaudirão, nos incentivarão.

Se tivemos nossos entes queridos desencarnados em situações drásticas, pela drogadição, pelo vírus do HIV ou pelo suicídio, mais motivos temos de rogar a Deus por eles, de homenageá-los, fazendo toda a cota de bem que nos for possível. Em honra deles.

Não tenhamos qualquer mágoa deles. Não imaginemos que eles estejam perdidos para sempre. Nunca suponhamos que Deus os vá castigar por sua fragilidade, porque Deus não é um juiz que sentencia. Deus é um Pai que ama, e certamente, se nós estamos fazendo as coisas boas para homenagear no Dia de Finados, ou ao longo dos dias do ano, os nossos amores que foram para o Além, por vias naturais ou por alguma enfermidade, o que é que não faremos para homenagear àqueles que saíram de maneira tão triste, tão lastimável da convivência com o corpo físico.

Por isso é que a nossa oração por eles deverá partir do nosso coração, do mais íntimo do nosso ser, pensando em Deus como o Pai comum de todos nós, mas nos colocando diante da vida de maneira muito operosa, nos tornando pessoas úteis, a fim de que o Dia de Finados transcorra para nós como mais um dia em que homenageamos os nossos seres queridos que demandaram o Mais Além, na vibração, na torcida, fazendo os votos para que os nossos amores, que já se transformaram em estrelas, sejam felizes nessas dimensões do Invisível, junto a Esse amor incomensurável de nosso Pai Celeste.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 98, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.