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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ajuda-Te Que O Céu Te Ajudará

É fundamental a noção de que estamos na Terra para cumprir determinado programa, programa de vida, programa da nossa existência. Não foi sem sentido que o Criador da vida nos pôs aqui, nos trouxe ao mundo, e ao mundo Terra.
Existem coisas que deveremos realizar, fazem parte do nosso aprendizado, do nosso currículo. Tanto quanto numa grande escola, numa pequena escola os alunos têm compromissos a atender, na Terra temos compromissos igualmente a atender. É muitíssimo importante que tenhamos essa consciência de que há compromissos, há deveres que nos pertencem, a nós, pessoalmente e há compromissos que pertencem a nós, coletivamente.

Ao pensarmos nisso passamos a refletir a respeito dos esforços que se tem que fazer para sobreviver. Não é fácil sobreviver no planeta Terra. Se nós tivermos vontade de comer alguma coisa, por exemplo, primeiro, teremos que conseguir recursos para comprar isso que queremos comer. Vamos trabalhar, vamos buscar de alguma maneira alcançar esses recursos. Se tivermos sonho de realizar uma viagem, precisaremos trabalhar, juntar dinheiro, fazer uma poupança para empreender essa viagem, a menos que se tenha um mecenas, um padrinho que financie, que banque a nossa viagem, que banque o que queremos comer. Afora isso, todas as coisas que desejamos devem ser secundadas pelo esforço de as conseguir.

Se sonhamos com a casa própria, que é o sonho de tanta gente, é preciso começar a fazer a poupança, a guardar, a aplicar recursos para juntar e comprar a casa própria. Para quem deseja o carro novo, ou o primeiro carro, para quem queria trocar de carro, ou trocar de casa, temos que fazer esforços.

Tudo que precisamos conquistar no mundo espera o nosso esforço. Mas encontramos esse esforço não só nesse campo comercial do compra, do troca, do consegue isso, consegue aquilo mas, em tudo o que fazemos na Terra é assim que sucede.

Se quero ser músico, não serei músico apenas falando que desejo ser. Isso me exigirá disciplina diária de ler, estudar, de tocar, interpretar. Aprenderei a solfejar, a ler partituras, se eu quiser ser um músico com essas habilidades. Se eu desejar ser um virtuose, então me dedicarei muitas horas do meu dia, eu me dedicarei muitas horas de minhas noites.

É por isso que encontramos violinistas, violonistas, pianistas de raríssima beleza, que nos emocionam com sua interpretação. Mas nós ignoramos profundamente os esforços que eles empreenderam para chegar a esse nível de virtuosismo, de beleza a que se consagraram.

Nós, na Terra, precisamos fazer a nossa parte. Quando olhamos bailarinos notáveis realizando verdadeiras proezas de domínio do corpo no ballet clássico ou no ballet moderno, não imaginamos sequer as disciplinas, as lutas, as dificuldades, as lágrimas. Porque dói, no começo dói para que eles chegem ao nível que nos faz emocionar.

É tão bonito saber que as pessoas querem se superar. Em verdade, é o Espírito eterno, vinculado ao corpo desejoso de voar às estrelas. Faz todos os esforços, empreende todos os esforços, realiza todas as lutas, no sentido de alcançar esse objetivo que tem em mente.

Todos temos que fazer a nossa parte, o nosso esforço. Quem deseja aprender uma língua, tem que fazer esforços, um instrumento. Quem deseja aprender a cantar, quem deseja aprender a bordar, a costurar, qualquer coisa, há que dedicar muitas horas de seu dia, há que renunciar muito do seu lazer a fim de que, fazendo a sua parte, possa contar também com o auxílio Divino.

                                                                            * * *
Nenhum de nós pode prescindir dessa ajuda dos Céus, dessa ajuda Divina. Mas, não podemos deixar que os Céus realizem o que é nosso papel, o que é o nosso dever. Quando alunos, precisamos estudar para a escola, para fazer as provas, os testes, os concursos. Deus não vai fazer isso por nós. Os Espíritos não vão fazer isso por nós. Nem os Santos, que são Espíritos, farão isso por nós.

É importantíssimo saibamos fazer a nossa parte. Muita gente diz: Eu fiz determinada prova mas, se não fossem os Espíritos... eles é que fizeram por mim.

Isso é ingenuidade, isso é tolice, isso não é verdade. Outros afirmarão: Eu vou fazer determinado concurso, mas os Espíritos terão que me ajudar. Deus terá que me ajudar. Santo tal, Santo qual terão que me ajudar.

De maneira alguma. Isso não corresponde à Lei da Vida, à Lei de Justiça, à Lei do Mérito. No campo das coisas do mundo, podemos pensar em injustiças, em que alguém faça a prova para o outro, em que alguém burle para dar resultados a outro mas, no campo da Divindade, não. Ninguém pode dizer que Deus fez no seu lugar, que os Espíritos fizeram em seu lugar, que os santos fizeram em seu lugar.

Somente pessoas de estrutura psicológica muito fanática é que podem imaginar que, ao invés de fazer sacrifícios, esforços, empenhos, as entidades os façam em nosso lugar. Isso não seria justo. É preciso que façamos a nossa parte.

Disse Jesus: Faze a tua parte que o Céu te ajudará. Ao lado disso, muitas pessoas existem que afirmam que não precisam de ajuda de santo, de Espírito, nem de Deus, porque elas são inteligentes, elas estudam, elas são capazes. Temos que concordar de um lado e discordar do outro.

É verdade que muita gente se prepara arduamente para provas, concursos, isso ou aquilo. Tem tudo na mente, tem tudo na cabeça mas, se advier um desarranjo intestinal na hora da prova? E esse surto que os alunos costumam chamar de branco? Deu um branco na hora - e desaparece da mente tudo quanto havia sido memorizado. Que dizer disso?

E quando ocorre de estarmos prontos, tudo sabido, não temos problemas orgânicos quaisquer e quebra-se uma peça do carro que nos leva e escangalha o ônibus que nos conduz. A Providência Divina, o auxílio Divino advém daí.

Nós pedimos a Deus, aos bons Espíritos, aos Santos, aos seres de nossa crença e de nossa fé que nos protejam. Não é para fazerem a prova por nós, não é para prestar o concurso em nosso lugar, é para nos ajudarem fisicamente, emocionalmente, psicologicamente, para que, na hora dos exames, possamos estar tranquilos e tudo aquilo que se estudou aflora organicamente bem, mentalmente bem, fisicamente em paz.

É por isso que pedimos a ajuda dos Céus. Faze a tua parte - disse Jesus - e os Céus te ajudarão. Ninguém ponha na sua cabeça que é desnecessário fazer esforços. Não. É necessário façamos esforços. Ninguém alimente a ideia tola de que, sem fazer esforços, tenhamos mérito de alguma coisa.

É preciso que cuidemos da saúde. Se eu não tomar minhas vacinas, se eu não cuidar dos meus medicamentos, orientados pelo médico, como é que eu poderei me queixar da enfermidade insidiosa que se abaterá sobre mim?

Se eu não tiver o cuidado de fazer o check-up anual, sejamos homens ou mulheres, os exames preventivos, nesses tempos de tantos cânceres, de tantas tormentas no campo da saúde... Se eu não fizer isso por mim, quem o fará?

Deus inspirará os médicos, os profissionais para que encontrem em nós o fulcro do problema e tenham condições de nos tratar. Mas fomos nós que saímos de casa, fomos nós que realizamos nosso esforço, nosso empenho, fomos nós que fizemos a nossa parte e, para isso, pudemos cuidar com o auxílio dos Céus.




                                Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 177, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

                             


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Influência Espiritual


Algo que poucas vezes paramos para pensar é no poder do nosso pensamento. O poder do nosso pensamento é algo tão especial, que podemos dizer, sem medo de errar, que o pensamento é a força mais poderosa que temos no mundo. Não existe força nuclear, força eletromagnética, força de atração gravitacional que resista ao poder do pensamento.
Todos sabemos que os nossos pensamentos são forjados em ondas. A psicologia formal estabeleceu, pela década de 1950 do século XX, que os pensamentos humanos são de características eletromagnéticas e por causa disso, temos que convir que o pensamento humano ingere em tudo que seja elétrico, em tudo que seja magnético.
Aí, pensemos. O que é que existe, neste mundo, que não tenha características elétricas? Porque tudo é composto de átomos e os átomos são compostos de elétrons, com seus prótons, com seus nêutrons.É desse modo que vemos que, em todas as coisas, existirá a possibilidade de que a mente eletromagnética, os pensamentos eletromagnéticos interajam com tudo quanto existe.
Desse modo, passamos a perceber a força dos nossos pensamentos. Por causa disso, todos nós, seres humanos, temos a nossa capacidade de influenciar aquele, aquela pessoa e de influenciar a nós mesmos. Do mesmo modo as pessoas têm o poder de nos influenciar.
Vejamos como somos influenciados por artistas, por desportistas, por políticos, por vizinhos, por amigos, por inimigos. Uma palavra que a pessoa nos diga, uma mensagem que a pessoa nos passe, uma música que nos cante, uma jogada especial, faz com que nós passemos a lhe devotar uma atenção e a nos submeter ao império de seu pensamento.
E, muitas vezes, esses indivíduos nem sabem que existimos, mas nós os apreciamos de longe e nos deixamos render por seus pensamentos.
Ora, do mesmo modo que isso ocorre aqui no mundo, onde estamos no corpo físico, realizando a peripécia da existência, isso ocorre também entre nós e aqueles que já saíram do corpo físico. Aqueles que são chamados seres espirituais, almas do outro mundo, ou simplesmente Espíritos. Alguns chamam, os mortos.
Como é que essa relação pode se dar? O que se passa é que, tanto quanto nós, os desencarnados, os mortos, também emitem pensamentos. Eles também pensam, eles também carregam a sua mente. Graças a isso se estabelecem esses vínculos entre nós e eles, entre eles e nós.
De acordo com as coisas que falamos, que pensamos, que gostamos na vida, entramos na sintonia dessas criaturas espirituais, e essa sintonia significa um processo de aproximação.
Sin, do grego, significa aproximar-se, e nos aproximamos psiquicamente um do outro. Tornamo-nos pessoas simpáticas e, desse modo, passa a haver uma interferência de um sobre o outro.
Se nós, pelos nossos atos, pensamentos, pelo nosso tipo de vida, nos tornarmos simpáticos a Espíritos nobres, a criaturas nobres do mundo invisível, melhor para nós, porque comumente são eles que nos dirigem.
Mas, se nos tornamos simpáticos a Espíritos negativos, viciosos, atormentadores, não tenhamos dúvidas de que a nossa vida será muito amarga, porque de ordinário são eles que nos dirigem, os seres espirituais.Passamos a lhes prestar obediência, em função do estilo de vida que adotamos e, por causa disso, vale a pena pensar na influência que os Espíritos podem impor ou realizar sobre nossas vidas.
A verdade é que eles nos influenciam. Se forem Espíritos do bem, nos influenciarão para o bem, para o amor, para a paz, para a alegria de viver, de crescer, de progredir. Se são entidades nefastas, Espíritos invejosos como aqueles que há entre nós na Terra, a nossa vida estará em palpos de aranha, porque essas entidades não nos deixarão avançar, segurarão o nosso ritmo e nos perturbarão demasiadamente.

                                                                         * * *
Uma vez que permitamos que esses Espíritos perturbem a nossa vida, estaremos em suas mãos, porque somos nós os que lhes abrimos as portas. Afinal de contas, esse processo de sintonia, esse processo de simpatia, não ocorre em função de nós acreditarmos em Espíritos. Há muita gente que desacredita em Espíritos, mas nem por isso impede que eles se aproximem.
O fato de um cego de nascença não admitir a existência do sol, não faz com que o sol deixe de existir. Então, não importa se o indivíduo é descrente das questões espirituais, se é ateu ou materialista. O fato é que as suas atitudes chamam para sua convivência mental seres da mesma índole, seres negativos que queiram tirar proveito dessa incoerência, dessa ingenuidade, dessa pirraça mental.
Do mesmo modo que as atitudes probas, as atitudes dignas, as atitudes nobres facultam a aparição de seres espirituais notáveis, o acercamento, a aproximação de entidades espirituais de alto nível, que estarão investindo em nossas possibilidades melhores.
Alguém perguntará: Mas onde é que está o nosso anjo guardião? Será que o nosso anjo guardião, o nosso guia espiritual, não inibiria essa ação nefasta de entidades perturbadoras?
Seria a mesma pergunta feita aqui na Terra para pais de drogaditos, pais e mães de prostituídos, pais e mães de criaturas criminosas. Onde é que estão esses pais?
É que os pais respeitam o livre arbítrio dos filhos e, chega um ponto que esses pais não podem fazer mais nada, diante da liberdade que seus filhos têm de agir.
Os nossos anjos guardiães nos inspiram para o bem, nos propõem coisas para o bem, mas eles não podem viver a nossa experiência, eles não podem viver no nosso lugar.
É muito comum que, aqui na Terra, creditemos às pessoas determinadas ações que são nossas, atribuamos a terceiros determinadas reações que são nossas.
É muito comum que vejamos jovens mal direcionados e digamos que isso é culpa dos seus amigos, dos maus colegas.Vemos homens, pais de família que trilharam rotas ínvias, incertas, negativas, que aderiram ao alcoolismo, e é comum que esposas, que familiares digam que foi por causa dos maus amigos, dos maus colegas, dos maus companheiros.
Mas, é sempre válido perguntarmos: Essas criaturas tão boas, tão especiais, nosso filho, esposo, esposa, amigo, por que é que resolveram seguir os maus colegas, os maus companheiros? Por que resolveram usar os maus exemplos?
É porque eles não eram tão bons como nós imaginávamos, ou eram bons e frágeis, incapazes de dizer não, onde seria necessário dizer-se não.
No mundo em que vivemos, vale a pena termos essa possibilidade de dizer sim e de dizer não.
A sugestão para o erro, para o mal, para a sombra, quando atendida, o problema já não é mais do sugestionador. Nós aceitamos, o problema é nosso.
Também quando os bons Espíritos nos convidam ao bem, à prática do amor, à vivência da paz e nós aceitamos, o nosso discernimento nos mandou aceitar, já somos nós, não é mais o benfeitor, nós aceitamos a sua sugestão.
Então essa boa realização está sob nossa responsabilidade. É por isso que aqui na Terra costumamos dizer assim: Dize-me com quem andas e eu te direi quem és.
É um ditado muito conhecido, mas os Espíritos utilizam-no de forma reversa, eles costumam dizer para nós: Dize-me quem és e eu te direi com quem andas.
Porque, pela nossa maneira de ser, atraímos entidades positivas ou entidades negativas para nossa convivência psíquica.
De uma coisa não podemos duvidar. Na Terra, todos sofremos influenciação espiritual, todos nós. Porque eles podem influenciar em nossos pensamentos e em nossos atos, na pauta de nossas vidas, porque comumente são eles que nos dirigem.
Se quisermos ser dirigidos por nobres criaturas, por Espíritos do bem, por verdadeiros anjos luminosos, basta nos ajustarmos a uma vida digna e nobre, apesar de todas as lutas, mas a busca para Deus, a busca para viver as lições de Deus, amando o próximo e tendo nosso Pai amado acima de todas as coisas.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 132, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Amizade

Dentre os ensinamentos notáveis de Jesus Cristo, destacamos um que nos chama muito a atenção. Em dado momento, afirmou Ele, o verdadeiro amigo é aquele que dá a sua vida pela vida do amigo.
Se levarmos ao pé da letra essa afirmativa de Jesus Cristo, não acharemos amigos na Terra. São raras as criaturas capazes de dar a sua vida pela vida do outro. Isso, em termos literais. Se pensarmos, porém, no sentido figurado dessa imagem, acharemos muitos amigos. Porque dar a vida ao outro não significa propriamente morrer pelo outro. Dar a vida é dedicar-se ao outro. Isso é um trabalho da amizade, é um trabalho dos amigos. Somente os amigos podem se dedicar um ao outro.
Muitas vezes encontramos essas amizades tão profundas, tão viscerais, tão importantes na própria família. Costumam ser os melhores amigos dos filhos, os seus pais. A mãe faz de tudo pelos seus filhos, renuncia por eles, dá a vida por eles. Os pais, para os quais não há fim de semana, não há descanso, não há repouso, não há férias, desde que os filhos tenham escola, lazer, comida, roupa, brinquedo. São verdadeiros amigos, mesmo quando os filhos não se dão conta disso e se tornam máquinas de exigência para com seus pais.
Esses pais correspondem aos melhores amigos que os filhos têm. Dão-lhes de tudo e dá um prazer muito grande ao filho perceber que seus pais não lhe cobram nada. É muitíssimo importante esse apercebimento de que a amizade é alguma coisa que segue essa trilha, a gratuidade.
Por isso a amizade não se cobra, por isso a amizade é espontânea. Ela é forjada em bases de sintonia, de afinidade.
Temos amigos dos mais curiosos. Cada qual de nós os tem. Amigos que são religiosos, amigos que são ateus, amigos que são religiosos só de superfície, no fundo não são nada. Amigos que são ateus convictos, outros que são ateus de brincadeirinha. Temos amigos que são falantes, outros quietos. Amigos que são fofos, gordinhos. Outros são magricelas. Temos amigos que são figuras importantes no esporte, nas artes, na política, na vida científica, da cidade, do society. Temos amigos pobrezinhos, do gueto, da favela, do morro, dos lugares pobres.
Não importa. Quando nosso coração pulsa de maneira diferente junto deles, eles se tornam nossos amigos, gostamos deles e eles gostam de nós.
É tão importante a amizade porque, muitas vezes, o amigo tem conosco maior abertura e nós com ele, do que tem com seus consangüíneos, como nós também, às vezes, temos mais liberdade de tratar assuntos íntimos com os amigos do que com familiares consanguíneos.
Por isso a amizade é tão importante. Diante dos amigos, respeito. Não é pelo fato de alguém ser nosso amigo, nossa amiga que nós lhe podemos dizer qualquer coisa, agredi-lo com palavras, com censuras indevidas. Não se justifica.
Quanto mais gostamos das pessoas, mais as deveremos respeitar. Podemos até discordar dos pontos de vista dos amigos, mas isso não é motivo para que briguemos, para que nos indisponhamos com eles. Não, não. É importantíssimo que nossos amigos tenham trânsito livre na nossa intimidade como nós queremos transitar livremente junto deles, na intimidade da convivência com eles.
É muito importante essa consciência de que o amigo é aquele capaz de dar a sua vida pela vida do outro amigo. Daí, a amizade ser quase irmandade. Uma pessoa que é amiga é uma pessoa irmã.
*   *   *
Essa alma irmã, que se tornou amiga da nossa, merece de nós a fidelidade na amizade. É muito importante sermos amigos fiéis, daqueles que se diz são amigos para toda obra, paus para toda obra, amigos em quaisquer circunstâncias.
Encontramos na Terra alguns que são amigos da onça. Só são nossos amigos quando tudo está bem, quando temos dinheiro, quando a casa está farta, quando gastamos com eles, quando lhes prestamos ajuda. Quando as coisas ficam diferentes, quando acaba o dinheiro, quando acaba a fama, quando já não lhes podemos prestar qualquer assistência desaparecem do nosso convívio.
Mas temos amigos com os quais fazemos as mesmas coisas. Há amigos que só buscamos quando estamos precisando. Há amigos que só recorremos, só lembramos de lhes telefonar quando as coisas estão difíceis para nós.
Num revés da vida, num problema afetivo, conjugal, aí nós os procuramos. Seria tão importante se aprendêssemos a ser fiéis aos nossos amigos e fôssemos amigos deles em quaisquer ocasiões.
Do mesmo modo, gostamos dos amigos que nos são amigos em qualquer clima da vida, em qualquer momento do mundo. Ao lado dessa fidelidade ao amigo não há porque desconfiar deles. Se as pessoas são nossas amigas por que desconfiar delas?
Amigos verdadeiros. Não confundamos a ideia de amigos com colegas. Na nossa repartição de trabalho, temos muitos colegas que a gente não se visita, não vai à casa deles, eles não vão à nossa casa. São colegas ali do ambiente, do métier profissional.
Temos colegas da rua, do campo de futebol, da peleja, da bola, da pelada. Temos colegas de todo o tipo mas não passam de colegas.
A amizade pressupõe uma confiança, uma abertura, uma transparência que o coleguismo não importa. É muitíssimo importante que os nossos amigos sejam valorizados por nós. Não nos esqueçamos de que, um dia, Jesus Cristo nos disse, conforme os textos exarados no Evangelho de João: Já não vos chamo de servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Tenho vos chamado amigos porque tudo quanto aprendi do meu Pai, vos tenho revelado. Notemos bem porque é que Jesus Cristo nos diz que Ele é nosso Amigo: Tudo quanto aprendi do meu Pai vos revelei. Então, o amigo tem esse caráter de abertura, de não esconder do outro, de não mentir para o outro mas de oferecer ao outro a mesa farta da nossa sinceridade, a mesa farta da nossa honestidade.
Já não vos chamo servos porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor foi a expressão de Cristo. Tenho vos chamado amigos. Por quê?  Porque tudo quanto aprendi do meu Pai vos tenho revelado. É natural que pensemos que  essa também é uma expressão simbólica porque Cristo não poderia nos ter passado Tudo o que Ele aprendeu do Pai Celeste.
Não porque não quisesse mas porque não poderia. Nós não suportaríamos toda a verdade que Cristo aprendeu de Deus, nas limitações em que ainda nos encontramos hoje, mais de dois milênios passados do Seu berço. Imaginemos ao Seu tempo. Éramos ainda muito mais frágeis, intelectualmente, moralmente, emocionalmente. Daí, Ele dizer que tudo quanto o Pai lhe ensinara, Ele nos estava passando. Tudo o que correspondia ao grau de nossa capacidade de assimilação, de aprendizagem.
Então, o amigo também tem que ter esse cuidado com seus amigos. Passamos para o amigo todas as coisas que ele suporta, que ele consegue administrar para que não joguemos todo o peso da nossa intimidade, da nossa mentalidade, da nossa vivência sobre ele e ele não suporte e não tenha condições de segurar.
A amizade é quase irmandade. Ser amigo é ser fratello, é ser irmão. Por isso, vale a pena ampliarmos o leque de nossa amizade no mundo e diminuir tanto quanto possamos as inimizades, enquanto na Terra.
Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 181, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Libido

Libido (do latim, significando "desejo" ou "anseio") é caracterizada como a energia aproveitável para os instintos de vida. De acordo com Freud, o ser humano apresenta uma fonte de energia separada para cada um dos instintos gerais. Líbido é o termo que, Sigmund Freud, utilizava para rotular o impulso sexual ou o instinto sexual. Ele observou que o impulso sexual é caracterizado por um acúmulo gradual até atingir um pico de intensidade, seguido por uma diminuição repentina de excitação.

Como ele estudou este processo em seus pacientes, Freud concluiu que várias atividades como comer e beber, bem como a micção e defecação compartilham este padrão comum. Por isso, ele considerava esses comportamentos como sexual ou libidinosos também.
Freud também se interessou pelo desenvolvimento da libido, o que ele viu como a unidade básica e mais poderoso impulso humano. Ele acreditava que o desenvolvimento da libido envolveu várias fases distintas e identificáveis.
"Sua produção, aumento ou diminuição, distribuição e deslocamento devem propiciar-nos possibilidades de explicar os fenômenos psicossexuais observados" (1905a, livro 2, p. 113 na ed. bras.)
A libido apresenta uma característica importante que é a sua mobilidade, ou a facilidade de alternar entre uma área de atenção para outra.
No campo do desejo sexual está vinculada a aspectos emocionais e psicológicos.
Santo Agostinho foi o primeiro a distinguir três tipos de desejos: a libido sciendi, desejo de conhecimento, a libido sentiendi, desejo sensual em sentido mais amplo, e a libido dominendi, desejo de dominar.
Psicanálise
A obra de Sigmund Freud retoma o conceito de libido e lhe confere um papel central. Em seus primeiros trabalhos a libido, é o impulso vital para a auto-preservação da espécie humana, e compreende a libido como a energia sexual no sentido estrito, como o fenômeno do "impulso" do desejo e do prazer. Mais tarde, ele volta a enfatizar essa visão mais geralista de que o impulso de auto-preservação tem origem libidinosa, e confronta a libido com o instinto de morte. Em seus escritos posteriores, especialmente em “Além do Princípio do Prazer” (1920), ele usa, em vez da palavra libido um sinônimo Eros, que descreve como sendo a energia que impulsiona a vida. Na obra “Em Psicologia de Grupo e Análise do Ego” (1921), ele definiu a libido como sendo a "energia de tais instintos, que tem a ver com tudo o que pode ser resumido como o amor."
A libido segundo Freud, não está relacionada somente com a sexualidade, mas também está presente em outras áreas da vida, como nas atividades culturais, caracterizadas pela sublimação da energia libidinosa de Freud.
Segundo a teoria da libido em Freud, na infância a libido se desenvolve por fases e por várias etapas características do desenvolvimento: oral, anal, fálica, edipiana e, finalmente, uma fase genital (ver artigo principal: Teoria da unidade). Distúrbio do desenvolvimento da libido pode levar a transtornos mentais, de acordo com Freud.
Teoria de Freud Sobre Como A Libido Desenvolve
Durante a infância, ele observou que a pulsão sexual está focada na boca, manifestada principalmente na sucção. Ele chamou essa “fase oral” do desenvolvimento libidinal.
Durante o segundo e terceiro anos de vida de uma criança, como a criança está passando por treinamento do toalete, foca e transfere o colorido erótico e o prazer para as funções retais. Freud chamou essa fase anal.
Mais tarde, durante a puberdade, o foco muda novamente para os órgãos sexuais, um período de desenvolvimento, ele classificou a fase fálica da maturação da libido.
Durante o estágio posterior de desenvolvimento, unidades libidinal concentram-se primeiro sobre o progenitor do sexo oposto e adiciona um colorido erótico da experiência da criança e dos seus pais.
Desaprovação dos pais da unidade libidinal descontrolada, segundo Freud, leva ao desenvolvimento de uma psique humana que é constituída por três componentes: o id, ego e superego.
Ele concluiu que o id, ou instintos básicos (incluindo a libido, mas também outras unidades como a agressão), fornece a energia psíquica necessária para iniciar as atividades.
  
O ego, uma função executiva, dirige a realização do dia-a-dia dos desejos libidinosos e outros de forma socialmente aceitável e realizável.
O superego rotula o aprendido e internalizados padrões sociais de comportamento, incluindo a consciência de comportamentos proibidos ou punidos.
Durante os períodos de vigília, limitesfortes separam estas três arenas, mas durante o sono e fantasia enfraquecem os limites, dando origem à expressão aberta de enfraquecer o controle dos desejos libidinosos.
A percepção consciente desses desejos desenfreados e fantasias podem causar na pessoa sentimento de culpa ou vergonha sexual.
Freud acreditava que a personalidade de um indivíduo é estabelecida cedo na vida e é determinada pela forma em que as unidades básicas e impulsos, como a libido forem satisfeitas.
A inobservância de satifação dos impulsos libidinais e outros conduz a sua repressão, com os consequentes efeitos para o desenvolvimento da personalidade de um indivíduo e a saúde psicológica.
As gerações subsequentes de psicanalistas questionaram o trabalho de Freud sobre a libido. Vários destacaram o ponto de que Freud tinha enfatizado muito o desenvolvimento biológico e subestimado o impacto de fatores sociais e culturais sobre as atitudes e práticas sexuais.
Carl Gustav Jung quis dizer com a libido, em geral, toda a energia mental de um homem. Ao contrário de Freud, Jung considera que esse poder como semelhante ao conceito do Extremo Oriente do chi ou prana, ou seja, como um esforço geral para alguma coisa.
Lacan disse que a libido marca a relação na qual o sujeito toma parte da sexualidade, com sua morte.
Uma Teoria Alternativa Sobre A Libido
Carl Jung, psiquiatra e psicanalista suíço, rompeu com a visão de Freud sobre a libido, rejeitando a idéia de que experiências sexuais durante a infância são os principais determinantes no adulto dos problemas emocionais.
Jung desenvolveu uma teoria alternativa da libido, visto ser a vontade de viver como o mais forte da unidade, ao invés de desejo sexual. Jung enfatizou a distinção entre tipos de personalidade introvertida e extrovertida.
Extroversão tipifica os indivíduos cuja atenção está fortemente direcionada (mas não exclusivamente) para fora de si mesmos para outras pessoas e ao mundo ao seu redor.
Os extrovertidos tendem a se sentir confortáveis em situações sociais e tendem a ser gregários.
Introversão rotulam as características opostas, incluindo dirigir a atenção para dentro, para os processos internos e pensamentos.
Jung usou o termo libido para rotular a energia mental responsável pela criação e manutenção de introversão e extroversão.
Ele não acreditava que os indivíduos eram estritamente introvertidos ou extrovertidos, mas tendem a misturar essas qualidades em quantidades variadas.
Muitos psicólogos contemporâneos viam a libido como um potencial humano básico que, embora enraizado na biologia humana (por exemplo, hormônios), é formado em grande parte pela cultura e experiência.
Em outras palavras, o impulso humano básico de se reproduzir e a base biológica potencial para derivar prazer de comportamentos associados com o contato físico (por exemplo, as terminações nervosas na pele e membranas mucosas) ganham corpo e forma por nossas experiências, crescendo em uma família particular dentro de uma determinada sociedade.
Como motivações sexuais são estruturadas, e através do qual pulsões sexuais estão satisfeitas, bem como se determinados comportamentos estão marcados e evitados como impróprio, são determinadas principalmente por essas influências sociais.
Disfunção Libidinal
A falta de libido é referido como frigidez.
Muitas doenças, incluindo doenças mentais e doenças psicossomáticas, estão relacionadas com falta de libido ou a perda de libido, por exemplo: 
  • Depressão
  • Anorexia
  • Cirrose
  • Hemocromatose
  • Hipogonadismo, eunuco e ism
  • Falta de Testosterona no homem, e a Efeminização 
Algumas doenças resultam em um aumento excessivo da libido, por exemplo:
  • Obsessão
  • hipertireoidismo leve
  • Sífilis
Alguns medicamentos, e muitas drogas provocam alterações na libido. Um aumento patológico da libido é também conhecido como vício do sexo ou ninfomania / Satiríase.
Catexia 
Catexia ou investimento é o processo pelo qual a energia libidinal disponível na psiquê é vinculada à representação mental de uma pessoa, ideia ou coisa ou investida nesses mesmos conceitos. Em outras palavras, a raiva que se sente contra uma pessoa é uma catexia ou fixação de energia na representação mental dessa pessoa (e não nela como objeto externo).
Juntamente com o conceito de libido, Sigmund Freud dedicou os seus estudos a definir a catexia. Uma vez que a libido foi catexizada, ela perde sua mobilidade original e não pode mais ser alternada para novos objetos, como normalmente seria possível, ficando enraizada na parte da psiquê que a atraiu e reteve.
Estudos psicanalíticos sobre o luto interpretam o desinteresse por parte dos sobreviventes sobre as ocupações normais e a preocupação com o recente finado como uma migração da libido dos relacionamentos habituais e cotidianos e uma catexia extrema na pessoa perdida. Catexia é relacionada a sentimentos de amor, ódio, raiva, entre outros relacionados ao objeto. A decatexia é o processo inverso, a frieza total em relação ao objeto como ocorre na depressão, marcada por apatia e desinteresse.
Freud, ao estudar o atributo que os impulsos têm de impelir o homem à atividade, considerou-o análogo ao conceito de energia física, que se define como a capacidade de produzir trabalho. Assim, Freud entendeu que uma parte dos impulsos pode ser considerada energia psíquica. Tanto a energia física como a psíquica são hipóteses, já que os estados de energização não são passíveis de medida.
Portanto, presume-se que há um quantum de energia psíquica com o qual uma determinada pessoa ou objeto estão investidos. A palavra que Freud escolheu para designar esse conceito vem do alemão besetzung, traduzido para o inglês por cathexis – em português – catexia. Segundo Terzis (2001), a catexia é nada mais que o desejo. Parece que a motivação inerente ao ser humano possui um continuum de força que se torna perceptível em suas ações.

Fontes: Texto Wikipédia e healthguide howstuffworks

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A Missão da Maternidade

Que mistério é esse que envolve as mães?

Eis uma pergunta difícil de explicar. Não existe uma única criatura no mundo que não haja experimentado o envolvimento de sua mãe.

Seja um envolvimento positivo, amoroso, seja um envolvimento lamentável, doentio, patológico. Mas, ninguém escapa da presença da mãe.

Alguém pode nascer sem a presença do pai, mas é impossível alguém nascer no mundo sem a presença da mãe.

A mãe é essa criatura tão especial que, muitas vezes, atormenta a vida dos filhos, desejosa de impulsionar as suas vidas.

Muitas vezes abafa o filho, querendo protegê-lo.Quanto é importante essa figura no mundo!

 Em O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ele pergunta aos seres espirituais qual é a missão mais importante dentre aquelas que Deus concedeu aos homens na Terra. Os Imortais respondem a Allan Kardec que a missão mais importante é a da mulher. E complementam - porque é ela que educa o homem.

Quando pensamos nisso, verificamos a importância da mulher consciente, quando ela tem esse apercebimento do seu papel e essa certeza de sua influência, porque não há uma única mãe que não exerça influência sobre seus filhos.

Podemos mesmo ousar e dizer que, como base de todo o bruto, de todo o homem grotesco que houve na Humanidade, havia a figura de uma mulher, sua mãe.

Porque foi ela que fez com que ele não levasse desaforos para casa, foi ela que o ensinou a devolver agressão com agressão, ensinou-o a ser egoísta.

Mas, por baixo da história de todo santo, de todo missionário, de toda criatura do bem, existe a figura de uma mulher, de sua mãe.

Foi ela que disse: Meu filho, quando um não quer, dois não brigam. Meu filho, é melhor um covarde vivo do que um corajoso morto. Meu filho, venha lavar em casa os problemas da rua, porque em casa você encontrará amor. Roupa suja, meu filho, se lava em casa.

Assim, encontramos mães que criaram seus filhos para cima, e mães que empurraram seus filhos para baixo.

Encontramos aquelas que sabem que seus filhos não lhes pertencem, sabem que seus filhos são filhos de Deus essencialmente, são filhos da vida e que para a vida elas os deverão educar.

Há outras que supõem que eles sejam seus pertences, inoculam neles as suas fragilidades, os seus medos, os seus temores, seus pontos de vista.

Aí, começarmos a pensar na trajetória da mãe sobre o mundo, quando ela tiver essa consciência do seu papel junto aos filhos, quando ela admitir que serão seus filhos os professores de amanhã, os médicos, os advogados, os juízes, os políticos.

Quando ela admitir que serão seus filhos que administrarão as cidades, os Estados, os países, que responsabilidades terão em suas mãos, ela própria se tratará melhor, para que não tenha a cabeça infernizada por complexos de culpa, por conflitos e possa passar para os seus filhos esse respeito à vida, esse respeito aos outros.

Jamais essas mães ensinarão aos seus filhos que têm que respeitar os mais velhos, mas ensinarão aos seus filhos que eles têm que respeitar a todo o ser humano, a todo ser vivente. Ensinarão os filhos a amar os vegetais, a proteger as florestas, começando a cuidar dos jardins em casa. Ensinarão o respeito aos animais.

Quem começa das coisas simples, terá capacidade de realizar as coisas complexas.

Ah, mulher mãe! Que mistérios envolverão a sua figura?

*   *   *

A missão da mulher é uma missão misteriosa, porque ela consegue penetrar a alma do seu filho, consegue conhecer seu filho como ninguém.

Se pararmos para pensar, a mulher passa nove meses lunares carregando nas entranhas o seu rebento, nove meses em que ela faz um curso de especialização em percepção fluídica, em percepção psíquica.

Ela capta as emissões do seu feto, do seu filho ainda feto e as interpreta, como qualquer sensitivo interpretaria uma influenciação espiritual sobre seu psiquismo.

É dessa interpretação, das emissões do filho reencarnante que nascem os famosos desejos da mulher durante a gravidez. É a interpretação que ela faz do que está sentindo.

Nem sempre são verdadeiras as interpretações, como nem sempre as criaturas transmitem corretamente aquilo que recebem dos seres espirituais. O fenômeno é o mesmo.

Podemos afirmar que a gravidez corresponde ao período de maior transe mediúnico de que se tem notícia. São nove meses em que a mulher mãe filtra o psiquismo de seu filho. São nove meses em que ela projeta sobre ele seu próprio psiquismo.

Tanto ele conhece a sua mãe intimamente, tanto ela conhece seu filho como ninguém.

A mãe conhece os filhos pelo andar deles, pelo modo deles respirarem, pelo modo de olharem. Ela conhece seu filho.

Jamais um filho se esconderá de sua mãe porque ela conhece suas emissões, seus fluidos, seu psiquismo.

Do mesmo modo, jamais uma mãe se esconderá do seu filho. Ele consegue ler na sua mãe se ela está contente, se ela está triste, se ela está feliz, se ela está aborrecida. Ele consegue ler sem que ela diga nada, por causa dessa habitualidade em conviver um com o outro, com essa intimidade visceral.

As nossas mães são aquele instrumento de que Deus lançou mão para que Ele se manifestasse na Terra, enviando-nos à Terra através delas.

A mulher rica, a mulher inteligente, intelectual quanto a mulher pobre, a mulher simples e ignorante têm a mesma habilidade para ser mãe. Toda mulher, psiquicamente, nasce com essa estrutura para a maternidade.

Às vezes, elas não conseguem ser mães de filhos carnais, mas  são mães dos sobrinhos, são mães dos irmãos mais novos, são mães de todas as crianças que se lhes acerquem, porque é da mulher esse instinto da maternidade, ainda que não tenha seus próprios filhos carnais.

Verificamos que há um mistério notável na maternidade, e esse mistério se chama amor.

Esse amor que vem se desenvolvendo do instinto para a razão. É esse amor, nas devidas dimensões, que faz o ninho entre os irracionais, que faz com que a galinha guarde seus pintinhos sob as asas, que faz com que os felinos lambam suas crias, que faz com que os pássaros ponham na boca dos seus filhotes o alimento que trouxeram no seu próprio estômago.

É isso que se desenvolveu ao longo dos milênios e explodiu cá em cima na coroa humana e recebeu o nome de amor de mãe, profundamente irracional.

A mãe ama seu filho independentemente do que ele seja, de quem ele seja.

O maior santo recebe o amor de sua mãe, o maior vilão, o mais espúrio dos seres recebe o amor de sua mãe.

Em todas as cadeias públicas, nos dias de visita, pode faltar a esposa, o filho, o amigo, nunca a mãe. Ela estará sempre lá, amando seu filho, na felicidade ou na desdita, na alegria ou na tristeza. Porque ser mãe é de fato trazer uma proposta de Deus para aliviar as lutas do mundo.

Enquanto Deus mandar à Terra Seus filhos no seio das mulheres-mães é porque Ele ainda confia no progresso da Humanidade.

  Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 147, apresentado
 por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Esquizofrenia

Esquizofrenia é considerada pela psicopatologia como um tipo de sofrimento psíquico grave, caracterizado principalmente pela alteração no contato com a realidade (psicose). Segundo o DSM-IV é um transtorno psíquico severo caracterizado por dois ou mais dentre o seguinte conjunto de sintomas por pelo menos um mês: alucinações visuais, sinestésicas ou auditivas, delírios, fala desorganizada (incompreensível), catatonia ou/e sintomas depressivos. Juntamente com a paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10), o transtorno esquizofreniforme e o transtorno esquizoafetivo, as esquizofrenias compõem o grupo das psicoses.
É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir pessoas de quaisquer idade, gênero, raça, classes sociais e país. Segundo estudos da OMS atinge cerca de 1% da população mundial.

Classificação

A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), na CID-10, publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), conclui que "num certo número de casos, que varia segundo as culturas e as populações, a evolução dirige-se para uma cura completa ou quase completa".

DSM-IV

O diagnóstico da esquizofrenia, como sucede com a grande maioria dos transtornos mentais e demais psicopatologias, não se pode efetuar através da análise de parâmetros fisiológicos ou bioquímicos e resulta apenas da observação clínica cuidadosa das manifestações do transtorno ao longo do tempo. Quando do diagnóstico, é importante que o médico exclua outras doenças ou condições que possam produzir sintomas psicóticos semelhantes (uso de drogas, epilepsia, tumor cerebral, alterações metabólicas). O diagnóstico da esquizofrenia é por vezes difícil.
Para além do diagnóstico, é importante que o profissional identifique qual é o subtipo de esquizofrenia em que o doente se encontra. Atualmente, segundo o DSM IV, existem cinco tipos:
  • Paranoide, é a forma que mais facilmente é identificada com a doença e na qual predominam os sintomas positivos. O quadro clínico é dominado por um delírio paranóide relativamente bem organizado. Os doentes de esquizofrenia paranóide são desconfiados, reservados, podendo ter comportamentos agressivos.
  • Desorganizado, em que os sintomas afetivos e as alterações do pensamento são predominantes. As ideias delirantes, embora presentes, não são organizadas. Em alguns doentes pode ocorrer uma irritabilidade associada a comportamentos agressivos. Existe um contacto muito pobre com a realidade.
  • Catatônico, caracterizado pelo predomínio de sintomas motores e por alterações da atividade, que podem variar desde um estado de cansaço e acinesia até à excitação.
  • Indiferenciado, que apresenta habitualmente um desenvolvimento insidioso com um isolamento social marcado e uma diminuição no desempenho laboral e intelectual. Observa-se nestes doentes uma certa apatia e indiferença relativamente ao mundo exterior.
  • Residual, em que existe um predomínio de sintomas negativos: os doentes apresentam um isolamento social marcado por um embotamento afetivo e uma pobreza ao nível do conteúdo do pensamento.
Existe também a denominada esquizofrenia hebefrênica, que incide desde a adolescência, com o pior dos prognósticos em relação às demais variações da doença e com grandes probabilidades de prejuízos cognitivos e socio-comportamentais.
Estes subtipos não são estanques, em determinada altura da evolução do quadro, a pessoa pode apresentar aspectos clínicos que se identificam com um tipo de esquizofrenia e, ao fim de algum tempo, pode reunir critérios de outro subtipo. Outro critério de classificação muito usado é a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). A CID é usada no Brasil e foi adotada como referência para profissionais de saúde do SUS. Sua maior vantagem está na possibilidade de traçar perfis epidemiológicos que facilitam a tomada de decisões pelas esferas do governo no que se refer à formulação de políticas e a realização de investimentos na área de saúde mental.

Sinais e Sintomas

A esquizofrenia, talvez o transtorno mental de maior comprometimento ao longo da vida, caracteriza-se essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora primariamente uma doença orgânica neuropsiquiátrica que afeta os processos cognitivos, seus efeitos repercutem também no comportamento e nas emoções.
Os sintomas da esquizofrenia podem variar de pessoa para pessoa, podendo aparecer de forma insidiosa e gradual ou, pelo contrário, manifestar-se de forma explosiva e instantânea. Podem ser divididos em duas grandes categorias: sintomas positivos e negativos.

Sintomas Positivos

Os sintomas positivos estão presentes com maior visibilidade na fase aguda da doença e são as perturbações mentais "muito fora" do normal, como que "acrescentadas" às funções psíquico-orgânicas da pessoa. Entende-se como sintomas positivos
  • delírios (ideias delirantes, pensamentos irreais, "ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo", como, por exemplo, um indivíduo que acha que está a ser perseguido pela polícia secreta e acha que é o responsável pelas guerras do mundo);
  • alucinações, percepções irreais de audição, visão, paladar, olfato ou tato, sendo mais frequentes as alucinações auditivas e visuais;
  • pensamento e discurso desorganizado (confusão mental), elaboração de frases sem qualquer sentido ou invenção de palavras;
  • alterações visíveis do comportamento, ansiedade excessiva, impulsos ou agressividade constante na fase de crise.

Sintomas Negativos

Os sintomas negativos são o resultado da perda ou diminuição das capacidades mentais, "acompanham a evolução da doença e refletem um estado deficitário ao nível da motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais (não confundir com esquizoidia",) como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social (não confundir com a esquizoidia); apatia; indiferença emocional total e não transitória; pobreza do pensamento".
Estes sinais não se manifestam todos da mesma forma, na pessoa esquizofrênica. Algumas pessoas vêem-se mais afetadas do que outras, ao ponto de muitas vezes impossibilitar-lhes uma vida normal. No entanto, alguns sintomas podem oscilar, aparecer e desaparecer em ciclos de recidivas e remissões.
"Não há, contudo, sinais nem sintomas patognomônicos da doença, podendo-se de alguma forma fazer referência a um quadro prodrômico que são em grande parte sintomas negativos, como, por exemplo, inversão do ciclo de sono, isolamento, perda de interesse por atividades anteriormente agradáveis, apatia, descuido com a higiene pessoal, ideias bizarras, comportamentos poucos habituais, dificuldades escolares e profissionais, entre outras. Posteriormente a esta fase inicial, surgem os sintomas positivos".
"Diz-se que os primeiros sinais e sintomas de esquizofrenia são insidiosos. O primeiro sintoma de sossego/calma e afastamento, visível num adolescente, normalmente passa despercebido como tal, pois se remete o fato para "é uma fase". Pode inclusivamente ser um enfermeiro de saúde escolar ou um conselheiro a começar a notar estas mudanças. (…) É importante dizer-se que é muito fácil interpretar incorretamente estes comportamentos, associando-os à idade.".

Causas

Não existe uma causa única para o desencadear deste transtorno. Assim como o prognóstico é incerto para muitos quadros, a etiologia das psicoses, principalmente da esquizofrenia, é incerta, ou melhor, de causação multifatorial. Admite-se hoje que várias causas concorrem entre si para o aparecimento, como: quadro psicológico (consciente e inconsciente); o ambiente; histórico familiar da doença e de outros transtornos mentais; e mais recentemente, tem-se admitido a possibilidade de uso de substâncias psicoativas poderem ser responsáveis pelo desencadeamento de surtos e afloração de quadros psicóticos.

Teoria Genética

A teoria genética admite que genes podem estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o desencadear do transtorno. Sabe-se que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta, se houver um caso desta doença na família. "No caso de um dos pais sofrer de esquizofrenia, a prevalência da doença nos descendentes diretos é de 12%. É o caso do matemático norte-americano John Nash, que divide com o filho, John Charles Martin, a mesma doença. Na situação em que ambos os pais se encontram atingidos pela doença, esse valor sobe para 40%". No entanto, mesmo na ausência de história familiar, a doença pode ainda ocorrer.". Segundo Gottesman (1991), referenciado por Pedro Afonso (2002), sabe-se que cerca de 81% dos doentes de esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afetado. Portanto, a causalidade genética ainda não é comprovada, e as pesquisas têm demonstrado discrepâncias muito grandes quando se trata de investigar a predisposição para a doença.
Outro argumento importante é que a concordância em gêmeos monozigóticos (48%) é significativamente maior do que a encontrada emgêmeos dizigóticos (17%). Os estudos indicam a presença de múltiplos genes responsáveis pela esquizofrenia e suas variações.

Teorias Neurobiológicas


Em pessoas  com esquizofrenia,
 o córtex frontal, responsável pela
atenção e raciocínio, era menos ativado,
 enquanto o corpo estriado, responsável
por sensações, com grande número de
 receptores dopaminéricos, estava superativado.
As teorias neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, em especial com uma disfunção dopaminérgica, embora alterações em outros neurotransmissores estejam também envolvidas. A maioria dos neurolépticos (antipsicóticos) atua precisamente nos receptores da dopamina no cérebro, reduzindo a produção endógena deste neurotransmissor. Exatamente por isso, alguns sintomas característicos da esquizofrenia podem ser desencadeados por fármacos que aumentam a atividade dopaminérgica (ex: anfetaminas). Esta teoria é parcialmente comprovada pelo fato de a maioria dos fármacos utilizados no tratamento da esquizofrenia (neurolépticos) atuarem através do bloqueio dos receptores (D2) da dopamina.

Teorias Psicanalíticas

As teorias psicanalíticas (ou de relação precoce) têm como base a teoria freudiana da psicanálise, e remetem para a fase oral do desenvolvimento psicológico, na qual "a ausência de gratificação verbal ou da relação inicial entre mãe e bebê conduz igualmente a personalidades "frias" ou desinteressadas (ou indiferentes) no estabelecimento das relações". A ausência de relações interpessoais satisfatórias estaria assim na origem da esquizofrenia. Para além da abordagem freudiana também encontramos textos de inspiração winnicottiana nas teorias explicativas a respeito da esquizofrenia.

Teorias Familiares

Assim como a abordagem psicanalítica, outras abordagens responsabilizam a família, mas apesar de terem bastante impacto histórico, tiveram pouco embasamento empírico. Surgiram na década de 1950, umas baseadas no tipo de comunicação entre os vários elementos da família, e outras aparecendo mais ligadas à estrutura familiar. Dos estudos desenvolvidos surge o conceito de mãe esquizofrenogênica - a mãe possessiva e dominadora dos seus filhos como geradora de personalidades esquizofrênicas. Estudos posteriores vieram contudo desconfirmar esta hipótese, relacionando esse comportamento mais com etiologias neuróticas e não com a psicose.
Atualmente as abordagens familiares procuram apoiar a família, em vez de culpá-la, reconhecendo as dificuldades em lidar com um membro da família em grave sofrimento psíquico.

Teoria Neurotransmissores

Têm-se um excesso de dopamina na via mesolímbica e falta dopamina na via mesocortical.
Apesar de existirem todas estas hipóteses para a explicação da origem da esquizofrenia, nenhuma delas individualmente consegue dar uma resposta satisfatória às muitas dúvidas que existem em torno das causas da doença, reforçando assim a ideia de uma provável etiologia multifatorial.

Etiologia

A esquizofrenia (do grego antigo σχιζοφρενία: formado por σχίζειν, skízein, 'separar, dividir', e φρήν, phrēn, phrenós, 'diafragma', a parte do corpo identificada com a ligação entre o corpo e a alma.O termo significa mais propriamente "cisão das funções mentais", considerando-se a sintomatologia da doença.
É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir pessoas de quaisquer idade, gênero, nacionalidade ou classes sociais.

Diagnóstico e Questões Polêmicas

A validade do diagnóstico de esquizofrenia tem sido criticada - no quadro de críticas mais amplas à validade dos psicodiagnósticos em geral - sob a alegação de ser carente de validade científica . A categoria de esquizofrenia usada pelo DSM tem sido igualmente criticada.
Em 2006, um grupo de pacientes e profissionais de saúde mental do Reino Unido, no âmbito de uma campanha pela abolição do "rótulo" de esquizofrenia, defendeu a rejeição do diagnóstico de esquizofrenia, tendo em vista a sua heterogeneidade e o estigma que lhe está associado, e defenderam a adoção de um modelo biopsicossocial. Outros psiquiatras britânicos, porém, opuseram-se à mudança, argumentando que 'esquizofrenia' ainda é um conceito útil, embora provisório.
Assim como no caso de outros distúrbios psiquiátricos, alguns psiquiatras alegam que os diagnósticos seriam mais adequados se fosse levado em conta que as variações ocorrem dentro de um espectro ou de um continuum, não havendo propriamente um corte entre o normal e o patológico. Essa abordagem parece coerente com pesquisas sobre esquizotipia, que têm mostrado que a ocorrência de crenças delusionais ou alucinatórias entre indivíduos da população em geral é muito frequente, o que sugere a existência de um continuum de sintomas, entre os indivíduos considerados normais e os considerados psicóticos.
Outra crítica é que falta coerência nas definições e critérios utilizados. Particularmente relevante para a avaliação das delusões é a desordem no pensamento, e sintomas psicóticos não seriam uma boa base para a elaboração de um diagnóstico de esquizofrenia: a psicose seria como a 'febre' da doença mental - um indicador que pode ser grave mas é inespecífico.
Estudos sobre o diagnóstico da esquizofrenia, como os de David Rosenhan, feitos em 1972, geralmente têm mostrado que o nível de confiabilidade é relativamente baixo, e o diagnóstico de esquizofrenia muitas vezes é subjetivo.
Em 2004, no Japão, o termo japonês para esquizofrenia foi alterado de Seishin-Bunretsu-Byo (doença da mente dividida) para Togo-shitcho-sho (desordem de integração).
Alternativamente, outros proponentes apontaram a presença de déficits neurocognitivos específicos como elementos do diagnóstico. Estes assumem a forma de uma redução ou comprometimento de funções psicológicas básicas, como memória, atenção, função executiva e capacidade de resolver problemas. É este tipo de dificuldade, em vez dos sintomas psicóticos (que, em muitos casos, podem ser controlados por medicamentos antipsicóticos), que parece ser a causa da maioria das deficiências apresentadas nos quadros de esquizofrenia. No entanto, este argumento é relativamente novo e é pouco provável que o método de diagnóstico de esquizofrenia vá mudar radicalmente no futuro próximo.
O diagnóstico de esquizofrenia foi usado para fins políticos na União Soviética e mais uma sub-classificação - "esquizofrenia que progride lentamente" - foi criada. Particularmente na República Socialista Federativa Soviética Russa, este diagnóstico foi utilizado com a finalidade de silenciar os dissidentes políticos ou levá-los a desistir de suas ideias através da utilização de confinamento e tratamento forçado. Em 2000, foram usados expedientes semelhantes pelo governo chinês, quando da detenção e 'tratamento' dos praticantes de Falun Gong.

A Interação com Pacientes

A doença mental é com frequência relacionada com o mendigo que perambula pelas ruas, falando sozinho, ou com a mulher que aparece na TV dizendo ter 16 personalidades ou ainda com o maníaco homicida que aparece nos filmes. De fato, a doença mental é, há séculos, sinônimo de exclusão social, e o diagnóstico de esquizofrenia, significou por muito tempo um destino certo: os hospitais psiquiátricos ou asilos, onde os pacientes ficavam internados durante anos - às vezes, pela maior parte de suas vidas.
Em muitos casos, os indivíduos diagnosticados como esquizofrênicos foram crianças tímidas, introvertidas, com dificuldades de relacionamento e com pouca interação emocional, eventualmente também com dificuldades de atenção. Durante a adolescência o isolamento vai se tornando cada vez maior e o rendimento escolar vai diminuindo. Estas modificações são frequentemente associadas à crise da adolescência. "Para o adolescente, este é um período de confusão, sente-se desconcentrado, não sabe o que se está a passar com ele. O jovem começa a passar grandes períodos frente ao espelho, a observar o seu corpo, revelando a presença de alterações do seu esquema corporal que podem surgir associadas à vivência psicótica. Isto não acontece só ao nível do corpo, mas também na consciência de si próprio (perturbação da vivência do "eu") apresentando neste caso sentimentos de despersonalização".
Uma crise psicótica pode ser precipitada por vários fatores, como, por exemplo, mudança de casa, perda de um familiar, rompimento com um(a) namorado(a), ingresso na universidade. É raro o indivíduo ter consciência de que está realmente doente, o que torna difícil a adesão ao tratamento. Um dos maiores medos da pessoa é o de ser estigmatizada pelos preconceitos sociais que cercam a doença mental, tais como a associação da doença à violência - ideia essa que estudos recentes põem completamente de parte, mostrando que a incidência de comportamento violento nesses doentes é idêntico, se não mesmo inferior, ao da população em geral.
"Quero que as pessoas entendam que sou como os outros. Sou um indivíduo e deveria ser tratada como tal pela sociedade. Não deveriam fechar-me numa caixa com a etiqueta de esquizofrenia" (Jane).
"As pessoas com esquizofrenia têm muitas vezes dificuldade em satisfazer as suas necessidades devido à sua doença".
É importante que o processo de reabilitação seja contínuo, para que possa proporcionar melhor qualidade de vida, maior autonomia e realização pessoal. Para isso, o indivíduo deve ter acesso a estruturas de apoio, alternativos à estrutura manicomial, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), centros de convivência, oficinas, hospitais dia (serviços de internação parcial), serviços terapêuticos residenciais, empregos apoiados, fóruns sócio-ocupacionais. Uma das maiores dificuldades desses doentes é a sua integração no mundo do trabalho. Daí ser relevante o acompanhamento no período de adaptação.
É bastante útil que o paciente tenha conhecimentos sobre os sintomas e possíveis sofrimentos ao longo da vida, e que possa ter um papel ativo no seu tratamento e controle sobre o seu estado, sendo por isso vantajoso que estes sigam alguns cuidados, nomeadamente:
  • Se achar que a medicação não está a ajudar ou sentir efeitos não desejáveis deve avisar o seu médico psiquiatra;
  • Fazer psicoterapia e ter consultas regulares com seu psicólogo;
  • Ter o cuidado de conservar um ritmo de sono e vigília correto, com as horas de sono necessárias;
  • Evitar o stress;
  • Manter rotinas normais de higiene, alimentação, atividades físicas e de lazer;
  • Evitar substâncias psicoativas que possam interferir prejudicialmente no tratamento - como álcool e outras drogas;
  • Procurar ter horas para dormir, comer, trabalhar - ou seja, criar rotinas;
  • Permanecer em contato com as outras pessoas, não buscar o isolamento;
  • Manter o contato com o psiquiatra, psicólogo e a equipe de saúde mental;
  • Praticar desporto pelo menos uma vez por semana;
  • A participação da família é fundamental: reuniões dos psicólogos com os familiares são muito importantes porque a residência é o ambiente cerne da busca da sanidade mental.
Os doentes podem apresentar também sintomas depressivos, que nem sempre têm origem biológica ou neuroquímica. "O desapontamento e a desilusão vividos por alguns deste doentes perante os repetidos fracassos em manterem um emprego, em conseguirem voltar a estudar ou terem um grupo de amigos torna-se uma realidade incontornável", levando a sentimentos de frustração.
Um outro aspecto associado à depressão na esquizofrenia é a questão do suicídio, que pode ter origem em vários fatores, notadamente o sofrimento psíquico associado à própria vivência psicótica e o aspecto crônico e recorrente da doença. O papel ativo da família é essencial para o tratamento, reabilitação e reinserção social da pessoa que sofre de doença mental. Muitas famílias procuram o apoio junto aos técnicos de saúde. No entanto, há aquelas que não o fazem, embora não consigam lidar com as crises do familiar.
A família deve estar preparada para a possibilidade de o doente ter recaídas ao longo do tempo, o que pode requerer internamento hospitalar. Neste caso, é importante o apoio da família durante a permanência do doente no hospital, através de reforço positivo, comunicação, visitas, mostrando interesse sobre a evolução do seu estado. É natural que muitas dúvidas surjam na família quanto ao comportamento a ser adotado em cada situação.
Os problemas que geralmente ocorrem na família do esquizofrênico são os seguintes:
  • Medo… "Ele poderá fazer mal a si ou às outras pessoas?"
  • Negação da gravidade… "Isso daqui a pouco passa", "Você não é como esse cara da televisão"
  • Incapacidade de falar ou pensar em outra coisa que não seja a doença… "Toda a nossa vida gira em torno do nosso filho doente"
  • Isolamento social… "As pessoas até nos procuram, mas não temos como fazer os programas que nos propõem"
  • Constante busca de explicações… "Ele está assim por algo que fizemos?"
  • Depressão… "Não consigo falar da doença do meu filho sem chorar".
Em suma, o impacto que uma pessoa com diagnóstico de esquizofrenia tem na família e a forma como esta última se adapta face à situação depende da singularidade de cada um dos seus membros, mas também da forma como a doença surge (insidiosa ou abrupta), do seu curso, das suas consequências, da existência ou não de risco de morte (fase de crise ou fase crônica) e do grau de incapacidade provocada pela doença. Todos esses fatores têm de ser vistos numa perspectiva psicossocial e não isoladamente. Deve ser dada atenção extrema ao fato de que o próprio esforço de adaptação por parte da família pode ter, como consequência, um estado de exaustão da parte dos famíliares, como é referido por Freitas et al..

Tratamento

Tratamento Farmacológico

Uma referência importante para os psiquiatras é o Manual de Psiquiatria Clínica, de Harold Kaplan e Benjamin Sadock, que sistematiza os vários fatores que compõem a esquizofrenia, lembrando que "devido à heterogeneidade das apresentações sintomáticas e prognósticas da esquizofrenia, nenhum fator etiológico isolado é considerado como causador." Segundo o modelo estresse-diátese, usado com maior freqüência, a pessoa que desenvolve esquizofrenia tem uma vulnerabilidade biológica específica, ou diátese, que, ativada pelo estresse, leva a sintomas esquizofrênicos. Os fatores etiológicos são classificados pelos autores em genéticos, biológicos, psicossociais e ambientais. Os fatores biológicos se subdividem e são apresentados como hipóteses:
  • hipótese dopamínica
  • hipótese da noradrenalina
  • hipótese do ácido aminobutírico
  • hipótese da serotonina
Jucá (2005) observa que, mesmo considerando que se trata de "hipóteses" sobre as quais há muita controvérsia, "não se abala a firme convicção de que, na raiz do sofrimento mental, reside uma susceptibilidade biológica".
De fato, considera-se que os antipsicóticos são eficazes no alívio dos sintomas da esquizofrenia em 70% dos casos. Alguns desses fármacos, conhecidos como antipsicóticos típicos, inibem fortemente os receptores D2 da dopamina das vias dopaminérgicas, ligadas ao sistema límbico do cérebro, e o seu sucesso constitui uma forte evidência da importância das alterações bioquímicas na patogenia da doença, segundo a chamada hipótese dopamínica Essas alterações bioquímicas talvez sejam uma resposta secundária aos eventos causadores da doença, assim como o são as alterações comportamentais. Os exemplos mais usuais de antipsicóticos típicos são o haloperidol e a clorpromazina. No entanto, esses dois antipsicóticos são os chamados de primeira geração e apresentam sérios efeitos colaterais indesejáveis. Segundo a literatura da psiquiatria, o haloperidol e a clorpromazina foram muito usados nas décadas de 1940 e 1950, nos primeiros experimentos com esquizofrênicos. O haloperidol pode causar rigidez muscular no paciente, locomoção motora desordenada, expelição de substâncias do organismo do paciente, movimentos involuntários e morte súbita, estando quase que completamente em desuso pelos seus efeitos deletérios.
Quando há predominância dos sintomas depressivos, a escolha pode recair nos novos neurolépticos: risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, amisulprida etc. Esses e a tioridazida são indicados para os pacientes que não responderam aos antipsicóticos convencionais ou apresentaram efeitos colaterais indesejáveis. Para os casos refratários, existem evidências de que a clozapina é eficaz.
Esses medicamentos inibem pouco os receptores D2 da dopamina e têm, simultaneamente, ação inibidora serotoninérgica, sendo por isso conhecidos como antipsicóticos atípicos. Estes têm um sucesso maior nos casos refratários ao tratamento com antipsicóticos típicos ou nos casos onde a sintomatologia negativa é predominante. Como o medicamento leva a agranulocitose em cerca de 1% dos casos, devem ser feitos hemogramas periódicos, enquanto durar a administração da droga. A nova geração de antipsicóticos atípicos, como a risperidona e a olanzapina não provoca agranulocitose, sendo assim deveriam ser utilizadas como primeira escolha pelos pacientes psicóticos, porém são muito caras.
Os antipsicóticos atípicos, justamente por agirem fracamente sobre os receptores D2, são uma evidência contrária à hipótese dopamínica.

Tratamento Não-Farmacológico

Existem várias abordagens terapêuticas do paciente esquizofrênico, o qual, na maioria dos casos, tem indicação de um tratamento interdisciplinar, envolvendo o acompanhamento médico (incluindo o uso de fármacos), a psicoterapia, a terapia ocupacional (individual ou em grupos), a intervenção familiar, a musicoterapia e a psicopedagogia.
O tratamento pode ajudar muito a tratar os sintomas, permitindo que os doentes possam viver com melhor qualidade de vida e mais produtivamente. A experiência clínica indica que o melhor momento para iniciar o tratamento da esquizofrenia é logo após o aparecimento dos primeiros sintomas. Se a sintomatologia psicótica permanecer sem tratamento por longos períodos, o prognóstico do tratamento é menos favorável. Assim, é vital o reconhecimento precoce dos sinais da esquizofrenia para que se possa procurar uma ajuda rápida.
Bruscato considera que seus principais objetivos da psicoterapia são:
  1. Interromper a perda da capacidade mental, preservando o contato com a realidade;
  2. Restaurar a capacidade de cuidar de si e de administrar sua vida, e manter o máximo de autonomia para promover o melhor ajustamento pessoal, psicológico e social possível;
  3. Diminuir o isolamento;
  4. Reconhecer e reduzir a natureza ameaçadora dos eventos da vida, para os quais existe uma sensibilidade particular;
  5. Conscientizar o portador sobre a realidade de seus recursos e limitações, tanto ajudando a descobrir e realizar seu potencial, quanto ajudando na aceitação de suas limitações;
  6. Aumentar suas defesas diante de situações estressantes, liberando recursos que, eventualmente, estejam obstruídos pela psicose e desenvolver fontes alternativas para a solução de seus problemas;
  7. Recuperar e promover a auto-estima, a auto-imagem e a autoconfiança, proporcionando contínuo progresso;
  8. Estimular a independência, os cuidados consigo mesmo em questões de higiene e capacitar o paciente para as atividades da vida diária.
Os centros de atenção psicossocial (CAPS) ou os núcleos de atenção psicossocial (NAPS), centros de convivência e algumas associações de portadores e familiares estão organizados para atividades de reabilitação social do portador.

Epidemiologia

De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia atinge 0,6% e 3% da população mundial, dependendo dos critérios, manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 30 anos, em proporções semelhante entre homens e mulheres, costuma aparecer em mais cedo nos homens e dificilmente começa após os 50 anos. 

Casos notáveis

Algumas pessoas acometidas da esquizofrenia se destacaram e se destacam no meio acadêmico, artístico e social. Um exemplo famoso é o do matemático norte-americano John Forbes Nash, que, apesar do desafio de conviver por toda a vida com os sintomas psicóticos típicos, é um intelectual importante, com grandes contribuições às áreas de economia, biologia e teoria dos jogos.

Texto: Wikipédia