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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tolerância

CONCEITO - A indulgência, a condescendência em relação a outrem, seja de referência às suas opiniões ou comportamento, ao direito de crer no que lhe aprouver, pautando as suas atitudes nas linhas que lhe pareçam mais compatíveis ao modo de ser, desde que não firam os sentimentos alheios, nem atentem contra as regras da dignidade humana ou do Estado, constitui a tolerância.
Apanágio das almas nobres, medra em clima de elevada cultura e de sentimentos superiores, espraiando-se nas comunidades onde o progresso forja a dignidade e combate o obscurantismo, a tolerância é medida de enobrecimento a revelar valores morais e ascendência espiritual.
Onde quer que um homem ou um povo lute pelas expressões da liberdade e da verdade, logo a tolerância se faz o florete com que esgrime na defesa das suas aspirações. Enfloresce no estóico e frutesce no santo. Sempre que triunfa, ao seu lado fenecem o fanatismo e a perseguição de qualquer matiz, ensejando campo para o entendimento pacífico, no qual os homens se revelam sem peias coarctadoras, sucumbindo sob os escombros das manobras infelizes que promovem.
Nem sempre compreendida, porque adversária da tirania e opositora da prepotência, é malevolamente confundida com a indiferença ou a cobardia moral.

Supõem-na, os árbitros da arrogância, como acomodação conivente ou submissão servil, contra o que se rebelam, por exigirem subserviência total e desfalecimento das aspirações nobres naqueles que os devem atender.
A tolerância, porém, jamais conive; antes oferece-se aos que a estimam e a exercitam com altos critérios de renovação íntima, paciência, humildade e coragem.
Não se impondo, expõe com perseverança e conquista pela lógica da razão, auxiliando no amadurecimento do interlocutor ou do adversário que se lhe opõe, sem azedume ou precipitação.
A muitos compraz vencer, esmagar, sobressair, embora os métodos infelizes impetrados e os ódios gerados. E vencer é tarefa de fácil consecução, desde que se pretenda triunfar sobre os outros. Multiplicam-se métodos da hediondez e da pusilanimidade, desde os que destroem o corpo aos que dilaceram a alma.
A urgente tarefa a que todos se devem atirar é a de vencer-se a si mesmo, sublimando as más tendências e mantendo vitória sobre as inclinações negativas e as paixões subalternas do espírito enfermo.
A tolerância, pela argumentação em que se firma, convence quanto à necessidade de respeitar-se e amar-se, concedendo-se ao próximo o direito de fruir e experimentar tudo quanto se deseja para si próprio. Manifesta-se invariavelmente como boa disposição, mesmo em relação às idéias e pessoas que não são gradas.
Acima da conivência, expressa segurança de opinião e firmeza de proceder.
CONSIDERAÇÕES - Raramente a História revela a presença da tolerância nos seus fastos. Sempre dominou a imposição política, filosófica e religiosa, através da qual pequenas minorias tidas como privilegiadas exigiram total subordinação aos seus postulados, raramente salutares ou benéficos para a coletividade.
A seu turno, a intolerância, que se alia à covardia, foi a grande fomentadora de mártires e supliciados, nos múltiplos setores da vida, fazendo que irrigassem com o seu sangue as plântulas dos formosos ideais de que se fizeram apóstolos.
No que se refere ao tolerantismo, a predominância da Igreja Católica, na Europa Meridional, durante toda a Idade Média, se impunha, impedindo qualquer liberdade de culto e exigindo ao poder civil a aplicação de medidas legais aos que considerava heréticos, culminando, normalmente, tais conchavos, na punição capital da vítima.
Com a Reforma surgiram os pródromos de um tolerantismo por parte do Estado, que desapareceria ao irromper das imposições do Protestantismo, repetindo os mesmos erros do Clero romano, no que redundaram a Contraforma e as lamentáveis guerras de religião dos séculos XVI e XVII, cujos lampejos infelizes vezes que outras reacendem labaredas destruidoras.
A John Locke, o pai do Empirismo, deve-se a Carta sobre a Tolerância, iniciada em 1689, através da qual muitos pensadores se insurgiram, seguindo-lhe o exemplo, contra a ortodoxia religiosa.
Posteriormente os enciclopedistas se rebelaram, preconizando o tolerantismo a nascer e fomentar a tríade que serviria de base para a Revolução Francesa de 1789, que, no entanto, descambou, igualmente, para a intolerância, a perseguição e os crimes contra os "direitos humanos", apesar de os haver gerado na madre dos ideais eloqüentes das horas primeiras.
O século XIX dilatou o conceito da tolerância, embora as lutas de opinião entre liberais e conservadores que, em controvérsias contínuas, pugnavam, os primeiros, pelo respeito às opiniões alheias, e os segundos, pela obediência como respeito às idéias políticas e religiosas predominantes.
A pouco e pouco, à medida que o homem emerge da ignorância e sonha com o Infinito que o abraça, a tolerância atende-lhe a sede de crescimento e a ânsia de evolução.
CONCLUSÃO - Havendo surgido a Codificação do Espiritismo no meado do século XIX, quando a Religião Católica, em França, fazia parte do Estado e se impunha dominadora, os Espíritos Excelsos, pontificando nas leis de amor, fizeram que Allan Kardec estabelecesse como um dos postulados relevantes a tolerância, na qual a caridade haure sua limpidez e grandeza para ser a virtude por excelência.
Tolerância, pois, sempre, porquanto, através dos seus ensinos, a fraternidade distende braços, enlaçando cordialmente toda a família humana. 
Joanna de Ângelis

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Caminha Alegremente

"Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe e, por ela, muitos se contaminem." - Paulo. (HEBREUS, 12:15.) 

Raízes de amargura existirão sempre, nos corações humanos, aqui e ali, como sementes de plantas inúteis ou venenosas estarão no seio de qualquer campo.
Contudo, tanto quanto é preciso expulsar a erva daninha para que haja colheita nobre e farta, é indispensável relegar ao esquecimento os problemas superados e as provações vencidas, para que reminiscências destruidoras não brotem no solo da alma, produzindo os frutos azedos das palavras e das ações infelizes.
Mãos prestimosas arrancarão o escalracho, em torno da lavoura nascente, e atitudes valorosas devem extirpar do espírito as recordações amargas, suscetíveis de perturbar o caminho.
Se alguém te trouxe dano ou se alguém te feriu, pensa nos danos e nas feridas que terás causado a outrem, muitas vezes sem perceber.

E tanto quanto estimas ser desculpado, perdoa também, sem quaisquer restrições.
Observa a sabedoria de Deus na esfera da Natureza.
A fonte dissolve os detrito que lhe arrojam.
A luz não faz coleção de sombras.
Caminha alegremente e constrói para o bem, porque só o bem permanecerá.
A simplicidade que denotares com o próximo, ser-lhe-á devolvida posteriormente.
Seja qual for a dor que hajas sofrido, lembra-te de que tudo amanhã será melhor se não engarrafares fel ou vinagre no coração.

Emmanuel

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Poder da Migalha

Não desprezes o poder da migalha na obra do auxílio.
O prato simples que partilhas com o irmão em penúria não resolve o problema da fome; entretanto, ele em si não é apenas favor providencial para quem o recebe, mas também mensagem de fraternidade expedida na direção de outras almas, que se inclinarão a repartir as alegrias da mesa. 

A peça de roupa com que atendes ao viajor, estremunhado de frio, não extingue o flagelo da nudez; todavia, ela em si não constitui apenas valioso abrigo para quem a recolhe, mas também apelo silencioso aos amigos que esperam, unicamente, um sinal de amor para se entregarem aos júbilos do serviço.
Acontece o mesmo com a moeda humilde que, ajustada à beneficência, faz pensar no valor da cooperação, e com o livro edificante que, funcionando no apoio a companheiros necessitados de esclarecimento e consolo; nos obriga a meditar no impositivo da cultura espiritual. 

Em muitas circunstâncias, é um gesto só de tua compreensão que salvará alguém de calamidade iminente e, em muitos casos, uma só frase de tua parte representa a segurança de comunidades inteiras.
Bem-aventurado todo aquele que estende milhões à supressão dos problemas de natureza material e bem-aventurado todo aquele que cede algo de si próprio, a benefício dos outros, ainda que seja tão-somente uma palavra de bênção para o conforto de uma criança esquecida. 
Não desprezes o poder da migalha na obra do auxílio.
Por dádiva de sustentação e misericórdia para felizes e infelizes, sábios e ignorantes, justos e injustos, Deus entrega o Sol por atacado, mas por dom inefável, capaz de conduzir as criaturas com harmonia e discernimento, no rumo das perfeições divinas, Deus dá o tempo, trocado em miúdo, através das migalhas dos minutos, iguais para todos.
O coração humano é comparável a cofre repleto de riquezas incalculáveis, e ninguém o possui impenetrável ou inacessível...

Habitualmente, resistirá a golpes de martelos, à ação de gazuas e até mesmo ao impacto de explosivos e provas de fogo; mas, quase sempre, é a tua migalha de humildade e paciência, bondade e cooperação que simboliza a chave capaz de abri-lo.
 
Emmanuel

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Afabilidade e Doçura

No exercício da afabilidade e da doçura, que atrairá em teu favor as correntes da simpatia, compadece-te de todos e guarda, acima de tudo, a boa vontade e a sinceridade no coração.
Não será porque sorrias a todo instante que conseguirás o milagre da fraternidade. A incompreensão sorri no sarcasmo e a maldade sorri na vingança.
Não será porque espalhes teus ósculos com os outros que edificarás o teu santuário de carinho. Judas, enganado pelas próprias paixões, entregou o Mestre com um beijo.
Por outro lado, não é porque apregoas a verdade, com rigor, que te farás abençoado na vida; a irreflexão no serviço assistencial agrava as doenças e multiplica os desastres.
Com a franqueza agressiva, embora tocada de boas intenções, não serás portador do auxílio que desejas, conseguindo gerar tão somente o desespero e a indisciplina.
Não será com o elogio público ou com a acusação aberta que ajudarás ao companheiro; quase sempre, o louvor humano é uma pedra no caminho e a queixa, habitualmente, é uma crueldade.
Sorrisos e palavras podem estar simplesmente na máscara.
Na alegria ou na dor, no verbo ou no silêncio, no estímulo ou no aviso, acende a luz do amor no coração e age com bondade.
Cultivemos a brandura sem afetação; e a sinceridade, sem espinhos.
Somente o amor sabe ser doce e afável, para compreender e ajudar, usando situações e problemas, circunstânclas e experiências da vida, para elevar nosso esplrito eterno ao templo da luz divina. 

Emmanuel
AFABILIDADE
A AFABILIDADE E A DOÇURA
COM UM BEIJO
DOÇURA, PACIÊNCIA, BONDADE
OLÁ, MEU IRMÃO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Vitória Sobre Nós Mesmos

Muita gente supõe que todos aqueles que pregam a Doutrina, nas tribunas e nos jornais, são mestres ou criaturas tocadas de infalibilidade. Tal não acontece, entretanto. São geralmente viajores comuns, lutando, como nós, pela reabilitação. A responsabilidade desses pregadores é bem maior e bem mais pesada a sua cruz, se não souberem ou não puderem exemplificar, pelo menos tanto quanto suas imperfeições e deficiências o permitirem, as lições de que são incumbidos pelo Alto de transmitir. Assim, quanto mais fraca for a exemplificação, mais sensível é a prova da fraqueza espiritual. O que se deve exigir, além da Doutrina exemplificada, é a sinceridade do trabalho.
Se fôssemos perfeitos, infalíveis, integrais na exemplificação doutrinária, seríamos já verdadeiros discípulos do Cristo. Mas, pobres de nós! Estamos seguindo a mesma trilha de todos aqueles que desejam progredir e que por isto mesmo tentam, caindo e levantando dia-a-dia, acertando hoje, errando amanhã e procurando sempre corrigir-se, tentam, repetimos, superar as dificuldades criadas por sua própria carência espiritual.
Um médium, seja de maior ou menor experiência, é sempre um médium, isto é, sempre, e sempre sujeito a provas e provações que podem surgir de muitas formas e em condições diversas e imprevisíveis.
E justamente pode acontecer-nos e acontece sofrermos uma espécie de obnubilação mental, quando, em certos momentos graves de testemunho decisivo, não chegamos a enxergar o precipício que se escaneara diante de nós, pronto a engolir-nos, destruindo animadores esforços despendidos com sacrifício e coragem.
Há ocasiões em que, devido a essas falências intermitentes, que reclamam maior vigilância, bem o sabemos, severos irrmãos, também falíveis como nós, tanto que nos censuram acremente por havermos caído, usam de frases candentes, avançam críticas profundas, que, no fim de contas, acabam por nivelar os nossos erros aos que eles cometem, na suposição de que nos estão dando oportunidade para uma reabilitação. Semelhantes atitudes servem para evidenciar que todos estamos sujeitos a falir.
Não faz muito tempo, ouvimos - e procuramos aceitar com humildade a reprimenda - que cometemos erros por não estarem ainda amadurecidos os nossos cabelos brancos. Há na frase o sentido claro e insofismável, que aprendemos logo, de que, embora avançados em anos, continuamos atrasados na rota que empreendemos pela redenção. Acreditamos que isso seja verdade. Aceitamos a censura e procuraremos transformá-la, um dia, se possível, numa "escada de Jacob", nas diuturnas tentativas para trocar a poeira da vulgaridade pelo céu da sublimação espiritual. Até lá, porém, de quantas encarnações precisaremos, fracos, falhos, incapazes, viciados e inúteis, como somos?
Não se pode julgar uma criatura humana pelo tempo fisiológico da sua presença física neste planeta. O que vale é o "tempo espiritual". Muitas vezes um ser humano jovem possui maturidade espiritual que um bem mais idoso não pôde ainda alcançar. É até possível estejamos nesse caso.
Os fatos que marcam a existência humana nem sempre se armam simplesmente na Terra. Na grande maioria dos casos, as tramas são feitas no mundo invisível, quase sempre com a aquiescência de todos os seus participantes. Como deconhecemos ou esquecemos esse valioso pormenor, deixamo-nos levar por causas aparentes e incidimos em erros que, depois, com a meditação, identificamos tardiamente e deploramos.
Quando se diz que devemos "contar até dez" antes de tomar uma atitude séria, é para que o nosso espírito possa "esfriar", dominando o "respeito humano", e vestir-se com a clâmide da serenidade, de modo a suportar com paciência as incitações por atos ou palavras, evitando, assim, conseqüências que posteriormente lamentaremos. Eis aí quando a humildade se faz necessária. Temos errado muitas vezes porque ainda não sabemos ser humildes no momento azado. Tememos o julgamento dos nossos semelhantes e reagimos. Reagindo, ficamos à mercê de sentimentos que desejamos sufocar, sentimentos que podem ser explorados pela treva. Esses sentimentos, contidos durante longo tempo, encontram numa brecha o caminho da fuga. E ocorre o inevitável que a reflexão teria evitado. É como acontece com o recipiente cheio de gás. Se suas paredes são fortes e podem resistir à pressão progressiva do gás acumulado, tudo está bem, desde que não ajamos com imprudência. Mas, se houver uma frincha no recipiente, o gás se expande a pouco e pouco, até que a sua pressão transforme a insignificante rachadura numa fratura completa. Desde que as paredes do recipiente sejam frágeis, o resultado será pior: ocorrerá a explosão violenta com resultados irremediáveis para quantos delas se achem próximos.
Não raro, em nossos solilóquios, nos perguntamos: quando deixaremos de ser, espiritualmente, um Sísifo, levando sempre, ladeira acima, a grande pedra das nossas imperfeições, sem que ela se detenha lá e volte a rolar para baixo, eternizando a nossa ingente e dolorosa tarefa de reconduzi-la ao ponto de onde caiu? Quantas encarnações necessárias ainda a esse trabalho tremendo? Deus o sabe. No fim de tudo, o que nos falta é mesma humildade. Pelo menos a humildade necessária nos momentos cruciais da vida. E é tão difícil adquiri-la! O que às vezes nos parece humildade nada mais é, com certeza, do que inconsciente simulação. Tal como acontece a certos médiuns, que se iludem com o "animismo", sucede com a maior parte de todos nós: somos "humildes" quando tudo vai bem, mas não somos humildes quando nos vemos envolvidos pelos conflitos do mundo, e a nossa vaidade, ou orgulho, porque ambas as deficiências se confundem, nos torna cegos e obtusos. Tudo que aqui está na primeira pessoa do plural é para ser lido como sendo na primeira pessoa do singular ...
Graças a esse par maléfico - Orgulho-Vaidade, muita coisa desagradável acontece, por nossa iniciativa ou por iniciativa de outrem, sem que tenhamos podido imunizar o nosso espírito com a humildade sincera.
Estão em "O Evangelho segundo o Espiritismo", essa obra admirável, eminentemente cristã, que podemos considerar, com justa propriedade, "o livro branco do Cristianismo redivivo", estas palavras de uma comunicação mediúnica de Adolfo, bispo de Argel, em Marmande, 1862: "A humildade é virtude muito esquecida entre vós. Bem pouco seguidos são os exemplos que dela se vos têm dado. Entretanto, sem humildade, podeis ser caridosos com o vosso próximo? Oh! não, pois que este sentimento nivela os homens, dizendo-lhes que todos são irmãos, que se devem auxiliar mutuamente, e os induz ao bem. Sem a humildade, apenas vos adornais de virtudes que não possuís, como se trouxésseis um vestuário para ocultar as deformidades do vosso corpo. Lembrai-vos d'Aquele que nos salvou; lembrai-vos da sua humildade, que tão grande o fez, colocando-o acima de todos os profetas."
Que fazer? Somos como aquele homem cheio de entusiasmo e disposição, que se julgava apto a alcançar a outra margem de um rio, fiado apenas no seu desejo de consumar a proeza. Mas experimentava a força da correnteza e compreendia que a sua capacidade natatória era ainda insuficiente. Lançava-se de novo à água, mais tarde, tentava dominá-la, porém logo se via impotente para prosseguir. Mas nunca deixou de fazer tentativas. A cada uma delas, avançava mais um pouco. Algum dia, sem dúvida alguma, logrará seu intento.
Então, conhecerá a alegria de uma vitória que somente dependerá dele, que somente ele poderá alcançar. Quando assim for, seu coração vibrará de júbilo, seus olhos se encherão das lágrimas da alegria e ele poderá exclamar, erguendo os braços para o alto:
- Estou salvo! 
Indalício Mendes

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Solidariedade

Não exijas, inconseqüentemente, que os outros te dêem isso ou aquilo, como se o amor fosse artigo de obrigação.
Muitos falam de justiça social nas organizações terrestres, centralizando interesse e visão exclusivamente em si próprios, qual se os outros não fossem gente viva, com aspirações e lutas, alegrias e dores iguais às nossas.
Como entender aqueles que nos compartilham a estrada, sem largarmos a carapaça das vantagens pessoais, a fim de penetrar-lhes o coração?
Efetivamente, não possuímos fortuna capaz de suprimir-lhes todos os problemas de ordem material e nem as leis do Universo conferem a alguém o poder de atravessar por nós o dédalo das provas de que somos carecedores; entretanto, podemos empregar verbo e atitude, olhos e ouvidos, pés e mãos, de maneira constante, na obra do entendimento.
Inicia-te no apostolado da confraternização, meditando nas dificuldades aparentemente insignificantes de cada um, se nutres o desejo de auxiliar.
Não reclames contra o verdureiro, que te não reservou o melhor quinhão, atarantado, qual se encontra, no serviço, desde os primeiros minutos do amanhecer; endereça um pensamento de simpatia para a lavadeira, cujos olhos cansados não te viram a nódoa na roupa; considera o funcionário que te serve, apressado ou inseguro, por alguém de idéia presa a tribulações no recinto doméstico; aceita o amigo que te não pode atender numa solicitação como sendo criatura algemada a compromissos que desconheces; escuta os companheiros de ânimo triste, como quem se sabe também suscetível de adoecer e desanimar-se; interpreta o colega irritado por enfermo a rogar-te os medicamentos da tolerância; cala o apontamento desairoso, em torno daqueles que ainda não se especializaram em conversar com o primor da gramática; não te ofendas com o gesto infeliz do obsidiado, que transita na rua, sob a feição de pessoa equilibrada e sadia ...
Todos sonhamos com o império da fraternidade, todos ansiamos por ver funcionando, vitoriosa, a solidariedade entre todos os seres, na exaltação dos mais nobres princípios da Humanidade ...
Quase todos, porém, aguardamos palácios e milhões, títulos e honrarias, para contribuir, de algum modo, na grande realização, plenamente esquecidos de que um rio se compõe de fontes pequenas e que nenhum de nós, no que se refere a fazer o melhor, em louvor do bem, deve esperar o amanhã para começar.

Emmanuel
ATÉ O FIM
HÁBITO DA SOLIDARIEDADE
POSIÇÃO CORRETA
SOLIDARIEDADE