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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Yoga

Yoga (em sânscrito e páli: योग, IAST: yoga, AFI: [joːgə]) é um conceito que se refere às tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia. A palavra está associada com as práticas meditativas tanto do budismo quanto do hinduísmo. No hinduísmo, o conceito se refere à uma das seis escolas (āstika) ortodoxas da filosofia hindu, e à sua meta rumo ao que esta escola determina como suas práticas.
Os principais ramos do yoga incluem a raja-yoga, carma-yoga, jnana-yoga, bacti-yoga e hata-yoga. O Raja Yoga, compilado nos Yoga Sutras de Patanjali, e conhecido simplesmente como yoga no contexto da filosofia hinduísta, faz parte da tradição Samkhya. Diversos outros textos hindus discutem aspectos da yoga, incluindo os Vedas, os Upanixades, o Bagavadguitá, o Hatha Yoga Pradipika, o Shiva Samhita e diversos Tantras.
A palavra sânscrita yoga tem diversos significados, e deriva da raiz yuj, que significa "controlar", "jungir", ou "unir". Algumas das traduções também incluem os significados de "juntando", "unindo", "união", "conjunção" e "meios". Fora da Índia, o termo yoga costuma ser associado tipicamente com o Hatha Yoga e suas asanas (posturas), ou como uma forma de exercício.
Um(a) praticante avançado(a) da yoga é chamado de yogue.
Tao Porchon-Lynch é a mestre de yoga registrada no Livro Guinness como "a professora de yoga mais velha do mundo"

O vocábulo Yoga

O termo Yoga

No devanágari, alfabeto utilizado no sânscrito, o termo é originalmente escrito desta forma: योग. Provém da raiz sânscrita yuj, que significa "jungir", "cangar", "arrear", "atrelar", "prender", "juntar". Quando se atrela o boi à canga ou jugo, ou ainda quando se junta a parelha de animais, isto significa que se está colocando esses animais em condições para o trabalho. Por isso, a raiz "yuj" também significa "adequar", "preparar" ou "utilizar".
A idéia de que a raiz "yuj" poderia significar "unir" no sentido de "integrar" (física ou misticamente) surge possivelmente a partir de uma afirmação vedantina que define o Yoga como a "união" entre o Jivatma e o Paramatma, que na verdade passam a ser um só. Mas "yuktam" (que é o particípio passado desse verbo) não significa "unido", mas "atrelado", "preparado" ou "adequado".
Yoga interpretado como "união" nos meios vedantinos, carece de sentido principalmente no Advaita Vedanta, onde tudo é Brâman, o Absoluto que abarca tudo o que existe, então não há a necessidade de "união", pois qualquer desunião, separação é mera ilusão (Maya), por isso há a descoberta da união sempre existente, a descoberta de Brahman em todas as coisas, inclusive no próprio individuo.
No Yoga Sutra essa interpretação de yoga como "união" também carece de sentido, pois somos e sempre fomos em essência o Purusha, a consciência incondicionada e eterna, que não precisa ser unida a nada, muito pelo contrário precisa ser desidentificada dos processos fenomenológicos da natureza (Prakrti).

Definições formais nas escrituras


Os textos hindus que discutem aspectos da yoga incluem principalmente os Upanixades, o Bagavadguitá,o Hatha Yoga Pradipika e o texto mais importante de todos, o Yoga Sutra.
No Bagavadguitá:
"É dito que Yoga é equanimidade da mente". (II, 48) "Yoga é a excelência nas ações". (II, 50)
No Yoga Sutra:
"Yoga é o recolhimento das atividades da mente" (I, 2)
Comentários de Vyasa aos Sutras de Patanjali:
"Yoga é Samadhi". (I, 1)
Nos Upanixades:
"Não conhece doença, velhice nem sofrimento aquele que forja seu corpo no fogo do Yoga. Atividade, saúde, libertação dos condicionamentos, circunspecção, eloquência, cheiro agradável e pouca secreção, são os sinais pelos quais o Yoga manifesta seu poder." Upanixade Shvetashvatara (II:12-13).
"A unidade da respiração, da consciência e dos sentidos, seguida pela aniquilação de todas as condições da existência: isso é o Yoga." Upanixade Maitri, VI:25
"Quando os cinco sentidos e a mente estão parados, e a própria razão descansa em silêncio, então começa o caminho supremo. Essa firmeza calma dos sentidos chama-se Yoga. Mas deve-se estar atento, pois o Yoga vem e vai." Upanixade Katha, VI

Grafia

Particularmente no Brasil, mas também em Portugal e outros países, há uma certa polêmica em relação à ortografia do termo, devido às inúmeras convenções utilizadas para a transliteração de idiomas escritos em caracteres diferentes dos latinos, como no caso do grego, do hebraico, além do próprio devanágari. As grafias atualmente propostas aparecem em quase todas as variações possíveis: yôga, yoga, yóga e por fim ioga, única forma em língua portuguesa que é considerada ortograficamente correta.
No ocidente, alguns autores diferenciam conceitualmente a palavra dependendo de sua grafia. Ironicamente, apesar da palavra significar união, as diferenças também partem das diversas formas de se pronunciar a palavra ou redigir o termo transliterado.
A grafia adotada na Wikipédia é ioga, a forma aportuguesada também utilizada nos dicionários. A exceção é para as citações e nomes próprios de livros ou linhagens, para os quais foram mantidas as grafias originais adotadas na literatura de cada modalidade. Por extensão, é adotada também a forma iogue, para designar o praticante de Yoga.

Pronúncia

Na pronúncia do termo sânscrito, ouve-se a primeira e segunda letras (considerando a palavra transliterada para o alfabeto latino) soando rapidamente, o Ô fechado e uma leve prolongação desta letra. O 'ga' é soado rapidamente com o 'g' quase mudo. Podemos ouvir a pronúncia ideal da palavra no subcontinente indiano, principalmente na Índia, já que muitos termos derivados do sânscrito estão sendo preservados pelo hindi, idioma indo-ariano comumente utilizado neste país.
Noutros países em que a filosofia vem sendo praticada com grande entusiasmo observa-se variações interessantes. Na Argentina, a variação é encontrada na pronúncia CHôga, garantindo o som chiado do "y" falado nesta região. No Brasil, a divergência fonética é sobre a letra 'O', possivelmente iniciada pelos hábitos de pronuncia dos 'os' abertos ou fechados da população de cada região do país.

Linhas

Há dezenas de linhas diferentes de yoga no mundo, que propõem não necessariamente caminhos contraditórios, mas sim diversos caminhos para alcançar o mesmo objetivo: o Samádhi, ou Iluminação da Consciência.
Vários são os métodos e escolas para se atingir esta meta, porém ela sempre é o referencial. As escolas mais antigas utilizam-se de métodos estritamente técnicos. As escolas mais modernas tem uma conotação tendendo mais ao espiritualismo, fruto da difusão do Vedanta na época medieval. Desenvolveu-se ao longo da história no oriente, particularmente na Índia, e que nos dias de hoje está amplamente difundido no mundo todo, inclusive no ocidente.
Algumas linhas de yoga são: Ashtanga Vinyasa Yoga, Bhakti Yoga, Hatha Yoga, Iyengar Yoga, Jñana Yoga, Karma Yoga, Kriya Yoga, Raja Yoga, Raja Vidya Yoga, Siddha Yoga, Tantra Yoga, Kundalini Yoga, Prakriti Yoga entre outras.
Na Índia, país de origem da yoga, os mestres Krishnamacharya (B.K.S. Iyengar, Pattabhi Jois e Desikachar), Swami Sivananda, Gurudeva, Swami Vivekananda e Sri Aurobindo são algumas das principais referências.

Yoga Sutra de Patañjali


A obra Yoga Sutra de Pátañjali (300 a 200 a.C.) é um tratado clássico da filosofia ióguica e contém seus principais aspectos. O sistema filosófico do Yoga como exposto no Yoga Sutra aceita a psicologia, metafísica e fenomenologia da escola Samkhya, por isso pode-se dizer que são duas escolas irmãs, diferenciando apenas no uso do Íshvara (Senhor, um Purusha nunca afetado pela Prakrti) que o Yoga usa para uma pratica chamada Íshvara pranidhána, entretanto o Samkhya não consegue provar ou não provar sua existência.
A obra foi escrita em sânscrito, e oferecem uma série de desafios, pois os sutras (literalmente "fio condutor") são aforismos sintéticos, curtos, alguns são tão sintéticos que chegam a ser obscuros. Feitos assim, eles deviam ser decorados pelos alunos e discípulos. E além disso há no texto o uso de diversos termos chave sem sua formalizações, principalmente provenientes do sistema Samkhya que é tomado como base. Por esses motivos o Yoga Sutra se torna de difícil entendimento por aqueles que não fazem parte da cultura do yoga. Assim o Yoga Sutra foi vastamente traduzido e interpretado durante séculos das mais diversas maneiras, por comentadores. O primeiro comentador, além de mais famoso e autorizado, do Yoga Sutra é Vyása em seu Yogabasya, obra de 500 a 850 d.C.

Ashtanga: os oito pilares da yoga clássica

Referidos como componentes ou etapas, são passos que se sobrepõem à medida que se avança no caminho. São:
  • 1 - Yama ou refreamentos
    • 1.1 -Ahimsa ou não-violência
    • 1.2 -Satya ou não mentir
    • 1.3 -Asteya ou não-roubar
    • 1.4 -Brahmacharya ou não dissipar a sexualidade
    • 1.5 -Aparigraha ou não cobiçar
  • 2 - Niyama ou auto-observações
    • 2.1 -Saucha ou limpeza
      • do corpo: alimentação, limpezas corporais (shat-karma) e pranayama.
      • da mente, do intelecto, das emoções
      • do lugar em que se pratica Yoga
    • 2.2 -Santosha ou auto-contentamento
    • 2.3 -Tapas ou auto-superação
      • esforço do corpo, da fala e da mente
    • 2.4 -Svadhyaya ou auto-estudo
    • 2.5 -Ishvara pranidhama ou auto-entrega
  • 3 - Asana ou posições psicofísicas
  • 4 - Pranayama ou expansão (ayama) da força vital (prána) através de exercícios respiratórios
  • 5 - Pratyahara ou abstração dos sentidos externos
  • 6 - Dharana ou concentração mental
  • 7 - Dhyana ou meditação
  • 8 - Samadhi ou absorção meditativa

Obstáculos: Nove dispersões mentais

Patañjali enumera nove obstáculos ao Yoga (Sutra 1.30) que são dispersões ou oscilações mentais, embora outros fatos não enumerados também possam ser considerados obstáculos.
  • 1 - Doença, desequilíbrio do corpo-mente
  • 2 - Apatia, inércia da consciência
  • 3 - Dúvida, conhecimento que oscila entre os pares de opostos
  • 4 - Negligência, falta de investigação dos meios de se alcançar o Yoga
  • 5 - Preguiça, ausência de esforço do corpo e da mente
  • 6 - Incontinência, apetite da consciência pelo gozo dos sentidos
  • 7 - Percepção errônea ou noção incerta, vem do conhecimento errôneo (viparyaya)
  • 8 - Não-realização das etapas, é a falha em se alcançar os estados do Yoga
  • 9 - Instabilidade, é a não estabilização da consciência
Aparecem junto com essas dispersões (Sutra 1.31):
  • 1 - Sofrimento
  • 2 - Angústia, devido a não satisfação de um desejo
  • 3 - Agitação do corpo
  • 4 - Inspiração, uma respiração agitada, sem ritmo, não-profunda, rápida, irregular é sintoma de uma mente ainda dispersa
  • 5 - Expiração
Para preveni-las deve-se praticar disciplina (abhyása) sobre um princípio (tattva) qualquer (Sutra 1.32).

Yoga no Brasil

No Brasil existem diversas linhas de yoga, incluindo todas as citadas acima, cada uma com suas conceituações filosóficas e práticas.

Yogini

Yogini é um termo usado para definir a praticante feminina equivalente ao masculino yogi. Ambos buscam os benefícios da união com deus pela disciplina e a prática do yoga. A complexidade intrínseca está na natureza multi-faceada das qualidades femininas de uma yogini que incorpora uma disposição para os aspectos arquetípicos da energia-feminina do divino que diferem significativamente da prática focada de um yogue masculino. A yogini é uma termologia que encontra referência em diversos textos relacionados Hinduísmo, onde seu significado literal é “sacerdotisa” ou buscadora da sabedoria, uma definição que poderia ser mais facilmente ser interpretada como “alquimista,” ou “anjo da mercê”. Uma mulher dedicada à busca do conhecimento espiritual e da introspecção mística que tem muitas faces, da devocional a séria, da impetuosa a feroz; toda estas podem abraçar sob o conceito de uma yogini. Em alguns tipos de yoga tantrico, as dez deusas da sabedoria (ou dakini) servem como modelos para a disposição e comportamento das yoginis.

A palavra usada para se referir a um praticante feminina do yoga, e no contexto da mitologia Hindu, ela pode indicar um ou mais das seguintes características:
  • Uma mulher ligada ou auxiliar de Durga.
  • Em vários cultos Tantricos, o termo se refere a uma mulher iniciada por um parceiro sexual, como parte de um ritual tantrico.
Em um contexto mais amplo e geral, uma yogini é uma mulher que possa possui poderes sobrenaturais, incluindo a habilidade de transcender o processo normal do envelhecimento através do internalização do poder reprodutivo conhecidas como urdhva-reta (refinamento ascendente da força-semente) e mesmo da morte, alcançando o divya sharira (corpo divino e imortal). Durante as batalhas de Durga com os demonios (asuras, oito yoginis são descritas terem surgido do corpo de Durga, e ajudaram-lhe na batalha. Em uns textos mais atrasados, o número de Yoginis aumentou para sessenta e quatro. Todas estas yoginis representaram as forças da natureza e da fertilidade, doença e morte, do Yoga e da mágica. Todos as yoginis são adoradas coletivamente, e cada uma é sacralizada em uma posição individual em um templo circular aberto aos céus (Sri Yantra). Um dos templos mais impressionantes das yogini é do século 9 o templo das yogini de Chaunsath (sessenta e quatro yogini) é fica situado em Hirapur, Bhubaneshwar distrito de Orissa. Outros dois templos importantes das yoginis são do século 10 os monumentos em Khajuraho, perto de Chhattarpur e de Bheraghat, perto Jabalpur, ambos dentro Madhya Pradesh.

Texto: Wikipédia

3 comentários:

Samanta Sammy disse...

Olá Janilton, como vai ?

Gostei muito do texto que escolheu para compartilhar conosco ! Completíssimo e muito interessante ! Eu particularmente já tinha ouvido algumas coisas sobre Yoga, mas não tinha muitos conhecimentos sobre a prática e nem muita curiosidade, mas estas informações acabam nos aguçando a curiosidade e até inspirando a quem sabe praticar. O conceito e as etapas mencionadas no mais ao final da postagem são muito interessantes, gostei :)

Grande abraço e que seu Domingo e semana sejam ótimos :D

Sissym disse...

Janilton, só uma vez fiz aula experimental de Yoga, nunca li nada mais tecnico e aprofundado. Aqui voce esclareceu assuntos que desconhecia. Salvei o link, voltarei a ler mais a fim de fixar o conceito.

Beijos

Janilton disse...

A yoga é uma grande aliada para quem está em busca de uma mente sã e corpo são. Controlar nossas emoções, buscando sempre um equilíbrio na yoga ou em outras atividades físicas e espirituais que nos harmonize com o meio e o universo, são fundamentais para vivermos bem consigo mesmo, com o próximo e Deus.

Agradeço as participações de Samanta e Sissym.

Abraços!