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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sexo (Análise Psicológica e Dúvidas)

Nos últimos cinquenta anos, talvez um dos fenômenos mais marcantes no lado pessoal do ser humano foi à profunda transformação na sexualidade como um todo, podendo se comparar tal fato a grande revolução tecnológica iniciada após a segunda guerra mundial. O objetivo deste estudo é não apenas discutir o impacto de tais mudanças na área sexual, mas também fornecer um questionário de respostas com os mitos, tabus e dúvidas infelizmente ainda corriqueiras em tal esfera. Obviamente não entrarei em qualquer aspecto médico, mas tão somente o cunho psicológico do sexo. Primeiramente quero salientar que é totalmente um mito a revolução sexual dos anos sessenta, pois práticas sexuais até então proibidas eram fartamente praticadas em prostíbulos ou bordéis, só que apenas o ser masculino poderia usufruir as mesmas com a chamada prostituta ou hoje em dia “garota de programa”, sendo que se mantinha no seio familiar a imagem da mulher santificada, e todos sempre souberam disso. Tais práticas geraram uma cisão entre supostamente a mulher que se gosta e se deseja do ponto de vista masculino. A emancipação econômica da mulher trouxe um fenômeno sociológico talvez inesperado para os homens, à vontade delas de também praticar ou experimentar do prazer sexual, e essa sim foi à revolução nos anos sessenta. Não estou dizendo com isso que a mulher de outrora não atingia o orgasmo ou sua função era meramente reprodutiva, pois isto sempre foi uma análise reducionista, embora a moralidade sempre colocava o interdito no gozo feminino. O fato é que a mulher não desejou mais se inserir no aspecto santificado descrito acima, exigindo seus direitos numa área até então proibida para a maioria, mas novamente dizendo nunca generalizando. A exigência de a mulher ser inserida no mercado de trabalho e na sexualidade em minha opinião foi a maior transformação pessoal do século vinte, e também todos sabem disso.
Mas afinal quais as implicações, vantagens ou desvantagens se comparasse os modelos antigos com os atuais? Certamente iríamos incorrer em um erro grave, não apenas pelo profundo abismo de épocas, mas que tais comparações não produziriam qualquer inventário ou caminho filosófico e sociológico sobre o tema. Não cabe comparar nem julgar, mas apenas observar. A primeira conclusão que podemos chegar é de uma concordância com o folclore feminino que diz que o homem praticamente não mudou nada na sua forma egóica de satisfação, conquista e efetivação do prazer sexual, embora encare um tanto com reservas tal conceito, diria que o que não mudou foi à tônica da competição que sempre acompanhou a sexualidade masculina. Além disso o homem por mais incrível que pareça é tímido e reservado perante seus desejos sexuais, não expondo claramente para a mulher o que realmente deseja. A prova de tal conceito citado é que o homem permanece fixado em seus desejos masturbatórios, vide toda a pornografia secreta que consome, sendo que o encontro efetivo e real com a mulher ainda lhe causa receio pela possibilidade de ser julgado. A mulher coloca toda a carga de sua erotização não tanto no aspecto físico, mas principalmente o quanto de segurança e companheirismo seu parceiro lhe proporciona. O maior erro dos estudos clássicos acerca da sexualidade foi à omissão do correlato entre sexo e poder, ambos sempre caminharam juntos, o primeiro assim como a beleza é um portal para o segundo, e este tem diríamos a capacidade de atrair os dois. Outro elemento no epicentro da sexualidade é a competição, quem fará a melhor performance ou quantidade do ato sexual. A raiz da chamada ninfomania reside em tal fato, pois a suposta insaciabilidade é outro correlato do consumismo desenfreado de nossa era transportado para o lado sexual. O cerco ao genuíno prazer tão pregado nos primórdios da psicologia está feito, pois o sexo está completamente dominado ou motivado por elementos paralelos. Claro que tudo é um conjunto, mas não podemos nos esquecer do elemento em si. 
É vital chegarmos à raiz da questão, ou seja, a sexualidade genuína sempre estará ao lado das pessoas comprometidas efetivamente com o  bem estar do próximo; sendo que o resto é puro teatro ou performance de poder. A insaciável busca da prostituição pelos homens não deixa de ser uma tentativa clássica de violação das regras que o sistema mantém, pois a rebelião é com a obrigatoriedade da troca ou o suposto enjôo de conviver sempre com a mesma pessoa no âmbito sexual. Para a mulher em nossos dias, resta ainda o sofrimento supremo de tal traição, ou então se possuir os requisitos sociais da beleza e sedução, tentar a todo custo uma espécie de leilão de seus dotes físicos ou ilusão de encontrar o parceiro mais do que perfeito por tal condição citada. A sexualidade neste ponto se assemelha a drogadicção, se formando não apenas vícios, mas patamares intransigentes acerca do suposto valor da troca sexual, seguindo uma linha linear de conduta e obsessiva perante o que a sociedade impõe. O problema maior é que tudo que se está colocando não é em função do companheirismo ou amizade, mas um palco macabro de dissimulação e teatralidade apenas em função da conquista, seja pela beleza ou aspecto econômico.
Insisto em que o gozo real só é alcançado quando se encontra um parceiro ideal e quando ambos desejam realmente amar, o resto como disse é pura quantidade ou festival narcisista usando o sexo como ator central. O que a cultura moderna ainda não absorveu é que o experimentar livremente sem qualquer tipo de compromisso não diz necessariamente de uma pessoa capaz do gozo, o núcleo do mesmo é a capacidade de atrair alguém que realmente irá acrescentar algo em sua alma. A infelicidade sexual não é e nunca foi nenhum tipo de distúrbio ou disfunção sexual, mas exatamente o que disse, não conseguir atrair um cúmplice para a própria relação em si própria. O sexo está cada vez mais se assemelhando ao que escrevi outrora num texto sobre o conceito de deus, uma tela em branco onde se projeta tudo o que supostamente acreditamos ou buscamos, no caso sexual: vaidade, sedução, disputa, competição, solidão, medo e frustração. Venho dizendo neste estudo que há muito o sexo está totalmente globalizado por várias esferas afora reprodução e prazer. Outro ponto vital acerca da sexualidade e que todos também já sentiram, é que jamais o ato sexual compulsivo preencherá um determinado vazio existencial ou carência, pelo contrário, só irá reforçá-los ou os amplificar. O sexo isoladamente só acentua a terrível e torturante certeza de que o indivíduo jamais foi amado ou sequer gostado, e digo isso sem nenhum tipo de cunho moral ou ideológico, mas na experiência clínica da solidão avassaladora que a sexualidade desgarrada produz nas pessoas. Claro está o medo do compromisso em nossa era, seja por fatores econômicos, ou pelo receio de ser rejeitado ou abandonado. Porém, já estou dizendo há muito tempo que a solidão já é o principal problema de cunho psicológico de nossa atualidade. A sexualidade embora tenha um poder incrível, perde terreno a cada dia para o isolamento do ser humano que a sociedade ajudou a construir e moldar. A verdade é que todos estão perdidos em relação ao que realmente é prazeroso, faz-se sexo ou se experimenta novas posições, apenas por se ler num livro, assim como vamos assistir determinado filme porque alguém nos disse que o mesmo é ótimo. Não que haja problema nisso, mas falta uma total criatividade na chamada arte do prazer. Assim como o adolescente naturalmente descobre a masturbação e conseqüente gozo sexual, o adulto deveria encarar a sexualidade com maior naturalidade; o principal causador dos distúrbios sexuais na atualidade é a pressão e exigência muitas vezes de cunho irracional ou fantasioso.
O que já se tornou quase que irreversível na questão da sexualidade é a valorização do elemento estético e beleza pelo lado masculino e recentemente pelo feminino também. Assistimos uma imensa exclusão sexual daqueles que não se enquadram nos moldes citados, seja pela obesidade ou por a pessoa se achar que não encaixa em determinado padrão de beleza. A verdade é que todo esse modelo perverso acaba sempre gerando mais necessidades visando o consumo, então não basta simplesmente à pessoa ser magra, mas também deve estar um pouco musculosa digamos para engordar a conta das academias, tomando um exemplo bem simples. O fato é que a beleza ou o poder que citei anteriormente cria a sensação ou ilusão de “abrir as portas” em qualquer área, ou então um seguro supremo contra a solidão, embora muitos no decorrer da história  a relataram justamente quando obtiveram ambos os elementos. Seria interessante se esquecer todos os mitos e preconceitos acerca da sexualidade (tamanho do pênis, orgasmo múltiplo, ninfomania) e se concentrar no fato central: sexo é um dever de prazer para quem se gosta e obrigatoriedade mais do que natural ou real interesse em obter a recíproca. 

Cabe também dentro da sexualidade discutirmos um fenômeno que causa talvez a maior dor de todas, a infidelidade. O problema é que a mesma sempre foi colocada de forma errada, através de padrões morais. O fato é que se um dos dois deseja essa “vantagem” de experimentar um outro parceiro, obviamente se cria uma competição e um poder capturado para quem almeja acumular mais experiências sexuais, o que fatalmente irá destruir seu relacionamento fixo. O que mata é a certeza de que o outro usou esse poder corrupto contra a relação. A infidelidade sempre foi e será uma mentira, pois todos têm a capacidade de averiguar logo no princípio do relacionamento se o mesmo é ou não enfadonho, ou se o outro não inspira sexualmente, porém o comodismo, negligência ou medo de ficar só infelizmente retardam uma decisão transparente acerca de quem melhor satisfaria a pessoa. Enfim, a infidelidade nega todo o histórico da sexualidade e intimidade, se assemelhando ou buscando apenas o gozo de alguns momentos, sendo que a própria essência disso é a extrema insaciabilidade.

Perguntas que creio que não foram exploradas dentro de um patamar psicológico acerca da sexualidade:

Frigidez e orgasmo feminino

Na ausência de problemas orgânicos a essência da frigidez na mulher é a incapacidade inconsciente de estabelecer um real vínculo de entrega e confiança. O mais incrível é que todas as pacientes que atendi com esse problema algum dia descobriram uma extrema falha na relação, seja traição ou outro elemento qualquer, como se a frigidez fosse um seguro quase que metafísico contra uma provável ruptura, ou até uma espécie de premonição da futura catástrofe da relação. Claro que apenas estou divagando sobre um ponto observado, não pretendendo generalizar o mesmo. Há ainda elementos de orgulho e tentativa de retaliação perante experiências frustrantes do passado na questão da frigidez. A superação passa pela própria mulher achar ser capaz não apenas de um relacionamento maduro, mas principalmente evitando a sedução que o sofrimento impõe na personalidade da mesma, dando uma dimensão de fuga acerca de conflitos não elaborados. Ninguém nasce frígida ou impotente sexualmente, tais fenômenos são meros alertas de que a condução da afetividade e experiências de amor próprio foram sempre negligenciadas ou reprimidas.

A mulher que corresponde ao padrão de beleza da sociedade atinge mais facilmente o orgasmo?

Acho que os homens de forma geral pensam isso, porém jamais podemos confundir atrativo, narcisismo com o genuíno prazer sexual. Vários ícones de beleza no decorrer da história recente entraram em agonia ou depressão justamente por jamais poderem ser valorizadas por atributos internos. Claro é que a beleza assim como qualquer outro recurso cobiçado cobra fortemente seu preço. Como disse anteriormente, a mesma assim como o poder cria uma ilusão de as portas se abrirem mais rapidamente. Outro fator interessante neste assunto é que o homem avidamente busca a beleza mas a teme por outro lado, pois a crítica de uma suposta mulher desse porte jamais seria assimilada pelo mesmo. De forma geral todos dizem que a conquista de alguém supostamente bonito seria como que um troféu, embora tal fato não seja errôneo, acrescentaria que tal tara reflete um profundo complexo de inferioridade enrustido, sendo que a conquista da beleza dissimularia qualquer traço ou vestígio do mesmo. Não há nenhuma relação entre orgasmo e beleza, o primeiro é fruto da confiança como falei e principalmente da capacidade de alguém em entreter e cuidar de seu parceiro, tanto isso é verdade que o próprio ser masculino quando encontra a beleza logo se sente enfadado, reclamando que gostaria de uma mulher que tocasse também seu espírito.

Que tipo de prazer um homem busca numa mulher?

Sem generalizar como é a tônica deste estudo o homem procura na maioria das vezes um prazer privado ou fantasiado como disse acima na pornografia que consumiu no transcorrer de seu desenvolvimento sexual; não que necessariamente tal fato seja prejudicial, mas pode bloquear um outro tipo de prazer com a  mulher que o mesmo jamais irá descobrir. Ver filmes ou consumir literatura pornô é mais do que comum e natural, mas também seria um dever aplicar a criatividade no caso sexual e não ficar estanque em determinada fantasia ou tara. A questão é que a fantasia sempre foi muito mal manejada ou interpretada, pois a mesma não tem a mera função de fornecer o elemento do prazer, mas pode muitas vezes encobrir os mais variados medos, tipo: desempenho, dominação, baixa autoestima dentre outros. O sexo nunca é o elemento definitivo numa concepção social, mas um anteparo muito bem montado que esconde as mais variadas paixões humanas: ambição, vaidade, inveja e competição.

A mulher busca o prazer sexual sem compromisso afetivo?

Quando isto ocorre à coisa não é semelhante ao homem que quase só pensa na relação sexual em si; para a mulher que não quer o compromisso a leitura é que não ama seu parceiro e o usa até encontrar a pessoa que fantasia como ideal, isso se torna necessário para determinadas mulheres que não apenas temem a solidão, mas esta ultima em nossa cultura causa muito mais vergonha e cobrança no ser feminino.

Qual o atributo do homem que atrai uma mulher?

Sem nenhum receio de ser taxado de preconceituoso, darei a resposta em duas esferas: a primeira é a imitação do homem ao buscar apenas ou a beleza ou qualquer atrativo estético que causa um sentido de superioridade da mulher perante seu meio principalmente, um senso de competição; a segunda esfera também é seqüencial, a ambição é transportada na busca de alguém economicamente bem resolvido, e que possa fornecer todo um suporte de segurança, independente se a mulher tem um bom cargo social ou não, seria uma espécie de seguro. Claro que novamente alerto que não estou generalizando, mas precisamos dizer a verdade em algumas questões, e uma delas é que várias mulheres exigem sim, um bom desempenho econômico de seus parceiros, admitindo isso claramente ou não. Mas afinal de contas, o homem busca a mãe e a mulher o pai? O problema não é um complexo de Édipo eterno, mas a falta de compromisso verdadeiro, ou digamos a acomodação lança principalmente o inconsciente da pessoa para fantasias de cunho irracional ou infantilismo no mais puro grau.

O que leva uma mulher a trair o homem, competição, ambição, poder?

Diria que talvez tudo isso, porém o que noto na experiência clínica é que a traição feminina é motivada essencialmente pela vingança, sendo que as conseqüências quase sempre são trágicas principalmente para a mulher, isto acontece não apenas pelo imenso remorso ou sentimento de culpa, mas a própria mulher se penaliza muito mais culturalmente ao se deparar com o fenômeno da infidelidade, muito mais natural para o homem. Infidelidade para este último é aventura e pura adrenalina, para a mulher é o extremo fracasso de não ter sido amada e esmolar um pouco de compaixão ou afeto nos braços de outro, novamente não se generalizando. Claro que hoje em dia as coisas mudaram um pouco e os padrões de competição e traição estão até muito parecidos entre ambos os sexos, mas a tese acima descrita ainda é muito válida, principalmente para os casais com sérios dilemas conjugais.

As mulheres cujos maridos quase não praticam sexo com as mesmas, se satisfazem como sexualmente?

Obviamente a masturbação via de regra seria a saída, ou transferir toda sua carga sexual no cuidado com os filhos, daí advém o perigo, não apenas da superproteção, mas inconscientemente se desenvolver um processo de competição e até inveja com os filhos quando estes forem usufruir a sexualidade, sendo que ela não teve tal  oportunidade. Poucos seres humanos conseguem adquirir a abnegação sem um protesto consciente ou inconsciente, e sempre o líder de tal revolta será a inveja descrita.

É um mito a mulher se dedicar à carreira profissional? E o que isso tem a ver com a sexualidade?

Diria que ainda hoje em dia esse assunto é polêmico e gera muitas divisões, algumas mulheres se recusam a ocupar aquele papel monótono de donas de casa, e outras se sentem extremamente culpadas por não disponibilizarem mais tempo para seus filhos. Mas o leitor irá se perguntar, o que isto tem a ver com a sexualidade? Tudo, pois além de influir no desempenho da mulher, a culpa ou conflito de tal situação é uma espécie de correlato da impotência sexual masculina de cunho psicológico, onde o homem se cobra um desempenho e não consegue o resultado almejado, no caso feminino dá-se o mesmo, não há tranqüilidade ou relaxamento para o prazer, sendo que as grades do dever adentram totalmente a personalidade. A decisão sempre deve passar pela realização da mulher nos diferentes níveis (profissional e pessoal), e como diz um colaborador de meus textos o trabalho é fundamental para a mulher, pois jamais poderá confiar seu sustento a um homem.

O casal deve realizar amplamente as fantasias sexuais um do outro?

Obviamente não podemos admitir qualquer tipo de atividade sexual que humilhe ou cause algum dano físico ou moral em um dos parceiros, pois isso seria totalmente contra a própria natureza do prazer da relação sexual. Não cabe distinguir aqui o que é ou não permitido, mas apenas alertar para os bloqueios sexuais que sempre são um espelho do entrave da relação ou disputa de poder da mesma. Naturalmente se o casal mantém uma harmonia ou diálogo freqüente não haveria qualquer tipo de interdito. O fato é que a acentuação da negação perante determinada atividade sexual geralmente revela não apenas a competição descrita, mas o foco de tensão ou mágoa oriundas da convivência turbulenta em que ambos pensam que o parceiro sempre leva algum tipo de vantagem, sendo assim, a negação é a mais pura defesa ou estratagema contra o prazer do outro ou de si mesmo, pois a desconfiança é sempre o vizinho mais próximo do ato sexual numa relação conturbada.

Sobre as perversões sexuais

As perversões sexuais sempre foram estudadas como objetos de antigos traumas sexuais ou fixações em estágios prematuros do desenvolvimento da libido infantil. As perversões sexuais seriam algo que extrapola o princípio do prazer apregoado por SIGMUND FREUD. Exemplos de perversões seriam: sadismo, masoquismo, voyerismo, coprofilia (excitação com os excrementos) e necrofilia (excitação com pessoas mortas). Mas se pensarmos nas perversões mais leves como o masoquismo ou fixação em determinada posição ou atividade sexual, não podemos julgar a perversão como sendo apenas o trauma oriundo do passado, a perversão é o ícone máximo da solidão e timidez do indivíduo, forçando um prazer para si próprio, e o outro é um mero instrumento para tal fato. A perversão é definida claramente quando na atividade sexual não há a preocupação com a satisfação do outro, e o prazer se tornam totalmente rotineiro e preso à determinada esfera mental da pessoa.

O swing é uma perversão sexual?

Totalmente, pois a inclusão de um terceiro elemento ou mais na relação denota a extrema pobreza da capacidade de excitação constante com o parceiro; além do mais esse terceiro elemento psicologicamente remete ao complexo de Édipo, no sentido de fantasias infantis arraigadas no inconsciente onde a leitura seria de interferir e destruir o relacionamento dos pais, onde agora haverá a projeção de tal fenômeno do passado para o casal. Tenta-se justificar o mesmo como sendo uma oxigenação para o relacionamento, quando na verdade novamente se instala a timidez e total falta de entrega e cumplicidade na relação. Aliás, O swing pode ser descrito como uma tentativa de humilhação e agressão perante o parceiro, pois aquelas fantasias que todos ouvimos falar em revistas ou no real, do tipo ver sua mulher com outro homem ou vice-versa, se trata de imputar ao mesmo um caráter de traição ou infidelidade consentida, para em algum momento declarar que o parceiro se ateve ao comportamento de prostituição ou coisa similar. A questão é quem cede a tais apelos não está se sacrificando ou amando a fundo o parceiro como os adeptos tentam apregoar, mas implica na chamada co-dependência neurótica que observamos nos casos de drogadicção, onde os familiares acabam cedendo aos apelos do drogado seja por dinheiro ou insistência em não largar o vício. O swing representa o máximo da comercialização sexual, tanto é verdade, que geralmente é praticado em ambientes que se assemelha muito a cassinos ou lugares onde o consumo e dinheiro imperam.     

Impotência sexual masculina

Ao contrário do que se pensa, mais de noventa por cento da impotência sexual masculina é de natureza psicológica, e ataca justamente aquele indivíduo que na maioria das vezes leva uma vida saudável. Os fatores estão todos concentrados no inconsciente: competição, necessidade constante de provar algo, ou o contrário, o medo do conflito e receio da crítica; mas sem dúvida alguma a maior causa de todas é a questão da timidez, não aquela que diz da vergonha ou introversão em relação ao ambiente, mas timidez no sentido do afastamento e medo do compromisso. A timidez é uma insistência de uma suposta liberdade ou desejo de solidão que sempre advém quando se está próximo de um relacionamento mais sério, neste ponto a impotência passa a ser total aliada da timidez a fim de sabotar por completo a relação. Outro ponto muito pouco observado na impotência sexual psicológica é o histórico de agressividade no âmbito familiar, obstruindo por assim dizer o fluxo natural de afeto, troca e relaxamento, transformando a sexualidade quase que numa batalha ou situação tensa de ter de sempre estar preparado ou com ereção constante.  Na maioria dos casos há uma boa melhora com o acompanhamento psicoterápico que irá refazer as ligações afetivas inconscientes e conscientes do sujeito.

Existe realmente a química sexual?

Este é outro mito que se difundiu no desenrolar dos tempos, quando alguém pensa isso na verdade não percebe que determinada pessoa que o excita representa todas as primárias fantasias masturbatórias de excitação, seja desde a primeira revista erótica que visualizou ou então a pessoa enseja alguém que no passado também marcou o sujeito, tudo isso são imagens que vão se sobrepondo, como a questão de um determinado trauma que tem a característica de produzir uma série subseqüente de outros eventos marcados pelo conflito. A beleza ou excitação nunca é um mero produto isolado ou ao acaso, mas segue a história da libido do sujeito, o problema é quando a pessoa constrói expectativas elevadas não só de estética ou qualquer outro atributo que a sociedade valoriza; outro problema grave é quando a parte física tão sonhada não bate de forma alguma com a personalidade esperada do parceiro, se transformando em brigas ou conflitos intermináveis; desejo realçar que só a excitação isoladamente se transforma em plena tortura no relacionamento.

Mulheres preferem sexo ou carinho?

Talvez o ponto mais nobre do ser feminino seja o sentido de gratidão perante um homem que a respeite e traga confiança para a mesma, assim sendo, a mulher evolui do carinho para o sexo, mas muito mais por essa gratidão sentida, ao passo que o homem vai da excitação para a conquista ou vaidade. A mulher irá se entregar como disse acima quando sentir confiança e reciprocidade, nunca por apenas ser desejada do ponto de vista sexual. Sexo, carinho e atenção formam o tripé almejado pela mulher.

Mulheres que competem com seus maridos por espaço profissional ou social conseguem manter relações sexuais satisfatórias com os mesmos?

Quase nunca, pois o homem nunca aceitou tal condição de rebaixamento econômico e social perante uma mulher, essa é a mais pura verdade que sinto que ninguém admite. Aliás, é totalmente impossível num ambiente marcado pela competição e desconfiança haver a possibilidade de satisfação sexual ou até amizade. Quase cem por cento das terapias de casais refletem justamente esse problema da competição, ou receio de que o outro esteja levando alguma vantagem sobre o parceiro. Até me espanta os relatos de casais recheados de total falta de cumplicidade com coisas do tipo: falta de ajuda nos afazeres domésticos e sociais, insistir em uma vida privada quando chega em casa, economicamente ausência de conta em conjunto ou barreira em relação ao dinheiro, displicência de um na atenção para com os filhos, dentre outras coisas.

As mulheres que usam ou tem orgasmos com acessórios eróticos são carentes do ponto de vista afetivo ou sexual?

Na verdade esse é o correlato da pornografia do lado masculino, pois em boa parte dos casos observados, noto que qualquer acessório erótico justamente tem a qualidade de afastamento do plano real (a timidez citada anteriormente), assim como o homem faz o mesmo seja com a prostituição ou pornografia, o fato é que numa sociedade totalmente embasada pelo consumo e onde tudo é descartável, fatalmente irá se desenvolver o tédio nos relacionamentos, sendo que esta é a maior traição para os mesmos, pois aquilo que supostamente foi bom, jamais poderia cair em desgraça, assim como fisiologicamente nunca iremos enjoar de determinada comida como descrevi em outros trabalhos; obviamente não estou comparando as esferas, mas tentando ressaltar que no caso afetivo a maior sabotagem nunca foi o lado físico e sim questões psicológicas totalmente inacabadas para o casal. Outro mito que deve ser debelado é que jamais podemos transportar uma excitação individual (seja um acessório ou qualquer outra coisa para o plano real quando se estabelece o contato a dois); enfatizo que a masturbação é plenamente normal, mas ela é indivisível, cobrando unicamente as fantasias individuais de cada um de seus membros, não que isso possa acabar com uma relação, mas deve-se ter em mente qual dos dois planos irá se sobressair, o conjunto ou o individual. O orgasmo é em essência um ato involuntário que produz uma sensação de extremo prazer, seria o clímax onde no final não pode haver controle, mas uma liberação energética que satisfaz e unem ambos os parceiros. O orgasmo verdadeiro, talvez seja muito duro para alguns ouvirem isso, jamais pode ser cobrado, leiloado ou até rifado; advém de empatia, simpatia e aquele especial e genuíno toque verdadeiro de gostar francamente e sinceramente de alguém. Alguns com certeza advogarão que este estudo é um tanto retrógrado e talvez até moralista, mas o fato é que desejo que cada um reflita verdadeiramente e pessoalmente o quanto no decorrer de sua vida teve uma real constância de prazer e satisfação sexual, ou está sempre a procura de algo inatingível ou imaginário. A frustração sexual sempre será um sintoma penoso da incapacidade de se estabelecer um vínculo forte e duradouro, não que esteja pregando o conformismo do modelo do casamento como se estabeleceu no decorrer da história, mas que de nada também adianta transportar um modelo econômico ou de consumo desenfreado na convivência com alguém. O sexo é único no simbolismo de que vencemos todos os temores do complexo de inferioridade num mundo onde a rejeição é a tônica. Óbvio é o fato da necessidade constante da troca, e a cada dia me convenço que nos tempos atuais virou totalmente um dom a capacidade não apenas de se importar com o outro mas saber atingir sua estrutura pessoal de felicidade e satisfação.

Autor: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

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