Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo
Nos últimos cinqüenta anos, talvez um
dos fenômenos mais marcantes no lado pessoal do ser humano foi à profunda
transformação na sexualidade como um todo, podendo se comparar tal fato a
grande revolução tecnológica iniciada após a segunda guerra mundial. O objetivo
deste estudo é não apenas discutir o impacto de tais mudanças na área sexual,
mas também fornecer um questionário de respostas com os mitos, tabus e dúvidas
infelizmente ainda corriqueiras em tal esfera. Obviamente não entrarei em
qualquer aspecto médico, mas tão somente o cunho psicológico do sexo.
Primeiramente quero salientar que é totalmente um mito a revolução sexual dos
anos sessenta, pois práticas sexuais até então proibidas eram fartamente
praticadas em prostíbulos ou bordéis, só que apenas o ser masculino poderia usufruir
as mesmas com a chamada prostituta ou hoje em dia “garota de programa”, sendo
que se mantinha no seio familiar a imagem da mulher santificada, e todos sempre
souberam disso. Tais práticas geraram uma cisão entre supostamente a mulher que
se gosta e se deseja do ponto de vista masculino. A emancipação econômica da
mulher trouxe um fenômeno sociológico talvez inesperado para os homens, à
vontade delas de também praticar ou experimentar do prazer sexual, e essa sim
foi à revolução nos anos sessenta. Não estou dizendo com isso que a mulher de
outrora não atingia o orgasmo ou sua função era meramente reprodutiva, pois
isto sempre foi uma análise reducionista, embora a moralidade sempre colocava o
interdito no gozo feminino. O fato é que a mulher não desejou mais se inserir
no aspecto santificado descrito acima, exigindo seus direitos numa área até
então proibida para a maioria, mas novamente dizendo nunca generalizando. A
exigência de a mulher ser inserida no mercado de trabalho e na sexualidade em
minha opinião foi a maior transformação pessoal do século vinte, e também todos
sabem disso.
Mas afinal quais as implicações,
vantagens ou desvantagens se comparasse os modelos antigos com os atuais?
Certamente iríamos incorrer em um erro grave, não apenas pelo profundo abismo
de épocas, mas que tais comparações não produziriam qualquer inventário ou
caminho filosófico e sociológico sobre o tema. Não cabe comparar nem julgar, mas
apenas observar. A primeira conclusão que podemos chegar é de uma concordância
com o folclore feminino que diz que o homem praticamente não mudou nada na sua
forma egóica de satisfação, conquista e efetivação do prazer sexual, embora
encare um tanto com reservas tal conceito, diria que o que não mudou foi à
tônica da competição que sempre acompanhou a sexualidade masculina. Além disso
o homem por mais incrível que pareça é tímido e reservado perante seus desejos
sexuais, não expondo claramente para a mulher o que realmente deseja. A prova
de tal conceito citado é que o homem permanece fixado em seus desejos
masturbatórios, vide toda a pornografia secreta que consome, sendo que o
encontro efetivo e real com a mulher ainda lhe causa receio pela possibilidade
de ser julgado. A mulher coloca toda a carga de sua erotização não tanto no
aspecto físico, mas principalmente o quanto de segurança e companheirismo seu
parceiro lhe proporciona. O maior erro dos estudos clássicos acerca da
sexualidade foi à omissão do correlato entre sexo e poder, ambos sempre
caminharam juntos, o primeiro assim como a beleza é um portal para o segundo, e
este tem diríamos a capacidade de atrair os dois. Outro elemento no epicentro
da sexualidade é a competição, quem fará a melhor performance ou quantidade do
ato sexual. A raiz da chamada ninfomania reside em tal fato, pois a suposta
insaciabilidade é outro correlato do consumismo desenfreado de nossa era
transportado para o lado sexual. O cerco ao genuíno prazer tão pregado nos
primórdios da psicologia está feito, pois o sexo está completamente dominado ou
motivado por elementos paralelos. Claro que tudo é um conjunto, mas não podemos
nos esquecer do elemento em si.
É
vital chegarmos à raiz da questão, ou seja, a sexualidade genuína sempre estará
ao lado das pessoas comprometidas efetivamente com o bem estar do próximo; sendo que o resto é
puro teatro ou performance de poder. A insaciável busca da prostituição pelos
homens não deixa de ser uma tentativa clássica de violação das regras que o
sistema mantém, pois a rebelião é com a obrigatoriedade da troca ou o suposto
enjôo de conviver sempre com a mesma pessoa no âmbito sexual. Para a mulher em nossos dias, resta ainda o
sofrimento supremo de tal traição, ou então se possuir os requisitos sociais da
beleza e sedução, tentar a todo custo uma espécie de leilão de seus dotes
físicos ou ilusão de encontrar o parceiro mais do que perfeito por tal condição
citada. A sexualidade neste ponto se assemelha a drogadicção, se formando
não apenas vícios, mas patamares intransigentes acerca do suposto valor da
troca sexual, seguindo uma linha linear de conduta e obsessiva perante o que a
sociedade impõe. O problema maior é que tudo que se está colocando não é em
função do companheirismo ou amizade, mas um palco macabro de dissimulação e
teatralidade apenas em função da conquista, seja pela beleza ou aspecto
econômico.
Insisto em que o gozo real só é
alcançado quando se encontra um parceiro ideal e quando ambos desejam realmente
amar, o resto como disse é pura quantidade ou festival narcisista usando o sexo
como ator central. O que a cultura
moderna ainda não absorveu é que o experimentar livremente sem qualquer tipo de
compromisso não diz necessariamente de uma pessoa capaz do gozo, o núcleo do
mesmo é a capacidade de atrair alguém que realmente irá acrescentar algo em sua
alma. A infelicidade sexual não é e nunca foi nenhum tipo de distúrbio ou
disfunção sexual, mas exatamente o que disse, não conseguir atrair um cúmplice
para a própria relação em si própria. O sexo está cada vez mais se assemelhando
ao que escrevi outrora num texto sobre o conceito de deus, uma tela em branco
onde se projeta tudo o que supostamente acreditamos ou buscamos, no caso sexual:
vaidade, sedução, disputa, competição, solidão, medo e frustração. Venho
dizendo neste estudo que há muito o sexo está totalmente globalizado por várias
esferas afora reprodução e prazer. Outro ponto vital acerca da sexualidade e
que todos também já sentiram, é que jamais o ato sexual compulsivo preencherá
um determinado vazio existencial ou carência, pelo contrário, só irá
reforçá-los ou os amplificar. O sexo
isoladamente só acentua a terrível e torturante certeza de que o indivíduo
jamais foi amado ou sequer gostado, e digo isso sem nenhum tipo de cunho moral
ou ideológico, mas na experiência clínica da solidão avassaladora que a
sexualidade desgarrada produz nas pessoas. Claro está o medo do compromisso
em nossa era, seja por fatores econômicos, ou pelo receio de ser rejeitado ou
abandonado. Porém, já estou dizendo há muito tempo que a solidão já é o
principal problema de cunho psicológico de nossa atualidade. A sexualidade
embora tenha um poder incrível, perde terreno a cada dia para o isolamento do
ser humano que a sociedade ajudou a construir e moldar. A verdade é que todos
estão perdidos em relação ao que realmente é prazeroso, faz-se sexo ou se
experimenta novas posições, apenas por se ler num livro, assim como vamos
assistir determinado filme porque alguém nos disse que o mesmo é ótimo. Não que
haja problema nisso, mas falta uma total criatividade na chamada arte do
prazer. Assim como o adolescente naturalmente descobre a masturbação e
conseqüente gozo sexual, o adulto deveria encarar a sexualidade com maior
naturalidade; o principal causador dos distúrbios sexuais na atualidade é a
pressão e exigência muitas vezes de cunho irracional ou fantasioso.
O que já se tornou quase que
irreversível na questão da sexualidade é a valorização do elemento estético e
beleza pelo lado masculino e recentemente pelo feminino também. Assistimos uma
imensa exclusão sexual daqueles que não se enquadram nos moldes citados, seja
pela obesidade ou por a pessoa se achar que não encaixa em determinado padrão
de beleza. A verdade é que todo esse modelo perverso acaba sempre gerando mais
necessidades visando o consumo, então não basta simplesmente à pessoa ser
magra, mas também deve estar um pouco musculosa digamos para engordar a conta
das academias, tomando um exemplo bem simples. O fato é que a beleza ou o poder
que citei anteriormente cria a sensação ou ilusão de “abrir as portas” em
qualquer área, ou então um seguro supremo contra a solidão, embora muitos no
decorrer da história a relataram
justamente quando obtiveram ambos os elementos. Seria interessante se esquecer todos os mitos e preconceitos acerca da
sexualidade (tamanho do pênis, orgasmo múltiplo, ninfomania) e se concentrar no
fato central: sexo é um dever de prazer para quem se gosta e obrigatoriedade
mais do que natural ou real interesse em obter a recíproca.
Cabe também dentro da sexualidade
discutirmos um fenômeno que causa talvez a maior dor de todas, a infidelidade.
O problema é que a mesma sempre foi colocada de forma errada, através de
padrões morais. O fato é que se um dos dois deseja essa “vantagem” de
experimentar um outro parceiro, obviamente se cria uma competição e um poder
capturado para quem almeja acumular mais experiências sexuais, o que fatalmente
irá destruir seu relacionamento fixo. O que mata é a certeza de que o outro
usou esse poder corrupto contra a relação. A
infidelidade sempre foi e será uma mentira, pois todos têm a capacidade de
averiguar logo no princípio do relacionamento se o mesmo é ou não enfadonho, ou
se o outro não inspira sexualmente, porém o comodismo, negligência ou medo de
ficar só infelizmente retardam uma decisão transparente acerca de quem melhor
satisfaria a pessoa. Enfim, a infidelidade nega todo o histórico da
sexualidade e intimidade, se assemelhando ou buscando apenas o gozo de alguns
momentos, sendo que a própria essência disso é a extrema insaciabilidade.
Perguntas que creio que não foram
exploradas dentro de um patamar psicológico acerca da sexualidade:
Frigidez e orgasmo feminino
Na ausência de problemas orgânicos a
essência da frigidez na mulher é a incapacidade inconsciente de estabelecer um
real vínculo de entrega e confiança. O
mais incrível é que todas as pacientes que atendi com esse problema algum dia
descobriram uma extrema falha na relação, seja traição ou outro elemento
qualquer, como se a frigidez fosse um seguro quase que metafísico contra uma
provável ruptura, ou até uma espécie de premonição da futura catástrofe da
relação. Claro que apenas estou divagando sobre um ponto observado, não
pretendendo generalizar o mesmo. Há ainda elementos de orgulho e tentativa de
retaliação perante experiências frustrantes do passado na questão da frigidez.
A superação passa pela própria mulher achar ser capaz não apenas de um
relacionamento maduro, mas principalmente evitando a sedução que o sofrimento
impõe na personalidade da mesma, dando uma dimensão de fuga acerca de conflitos
não elaborados. Ninguém nasce frígida ou
impotente sexualmente, tais fenômenos são meros alertas de que a condução da
afetividade e experiências de amor próprio foram sempre negligenciadas ou
reprimidas.
A mulher que corresponde ao padrão de
beleza da sociedade atinge mais facilmente o orgasmo?
Acho que os homens de forma geral pensam isso,
porém jamais podemos confundir atrativo, narcisismo com o genuíno prazer
sexual. Vários ícones de beleza no decorrer da história recente entraram em
agonia ou depressão justamente por jamais poderem ser valorizadas por atributos
internos. Claro é que a beleza assim como qualquer outro recurso cobiçado cobra
fortemente seu preço. Como disse anteriormente, a mesma assim como o poder cria
uma ilusão de as portas se abrirem mais rapidamente. Outro fator interessante
neste assunto é que o homem avidamente busca a beleza mas a teme por outro
lado, pois a crítica de uma suposta mulher desse porte jamais seria assimilada
pelo mesmo. De forma geral todos dizem que a conquista de alguém supostamente
bonito seria como que um troféu, embora tal fato não seja errôneo,
acrescentaria que tal tara reflete um profundo complexo de inferioridade
enrustido, sendo que a conquista da beleza dissimularia qualquer traço ou
vestígio do mesmo. Não há nenhuma relação entre orgasmo e beleza, o primeiro é
fruto da confiança como falei e principalmente da capacidade de alguém em
entreter e cuidar de seu parceiro, tanto isso é verdade que o próprio ser
masculino quando encontra a beleza logo se sente enfadado, reclamando que
gostaria de uma mulher que tocasse também seu espírito.
Que tipo de prazer um homem busca numa
mulher?
Sem generalizar como é a tônica deste
estudo o homem procura na maioria das vezes um prazer privado ou fantasiado
como disse acima na pornografia que consumiu no transcorrer de seu
desenvolvimento sexual; não que necessariamente tal fato seja prejudicial, mas
pode bloquear um outro tipo de prazer com a mulher que o mesmo jamais irá descobrir. Ver
filmes ou consumir literatura pornô é mais do que comum e natural, mas também
seria um dever aplicar a criatividade no caso sexual e não ficar estanque em
determinada fantasia ou tara. A questão é que a fantasia sempre foi muito mal
manejada ou interpretada, pois a mesma não tem a mera função de fornecer o
elemento do prazer, mas pode muitas vezes encobrir os mais variados medos,
tipo: desempenho, dominação, baixa autoestima dentre outros. O sexo nunca é o
elemento definitivo numa concepção social, mas um anteparo muito bem montado
que esconde as mais variadas paixões humanas: ambição, vaidade, inveja e
competição.
A mulher busca o prazer sexual sem
compromisso afetivo?
Quando isto ocorre à coisa não é
semelhante ao homem que quase só pensa na relação sexual em si; para a mulher
que não quer o compromisso a leitura é que não ama seu parceiro e o usa até
encontrar a pessoa que fantasia como ideal, isso se torna necessário para
determinadas mulheres que não apenas temem a solidão, mas esta ultima em nossa
cultura causa muito mais vergonha e cobrança no ser feminino.
Qual o atributo do homem que atrai uma
mulher?
Sem nenhum receio de ser taxado de
preconceituoso, darei a resposta em duas esferas: a primeira é a imitação do
homem ao buscar apenas ou a beleza ou qualquer atrativo estético que causa um
sentido de superioridade da mulher perante seu meio principalmente, um senso de
competição; a segunda esfera também é seqüencial, a ambição é transportada na
busca de alguém economicamente bem resolvido, e que possa fornecer todo um
suporte de segurança, independente se a mulher tem um bom cargo social ou não,
seria uma espécie de seguro. Claro que novamente alerto que não estou
generalizando, mas precisamos dizer a verdade em algumas questões, e uma delas
é que várias mulheres exigem sim, um bom desempenho econômico de seus
parceiros, admitindo isso claramente ou não. Mas afinal de contas, o homem
busca a mãe e a mulher o pai? O problema não é um complexo de Édipo eterno, mas
a falta de compromisso verdadeiro, ou digamos a acomodação lança principalmente o inconsciente da pessoa para
fantasias de cunho irracional ou infantilismo no mais puro grau.
O que leva uma mulher a trair o homem,
competição, ambição, poder?
Diria que talvez tudo isso, porém o que
noto na experiência clínica é que a traição feminina é motivada essencialmente
pela vingança, sendo que as conseqüências quase sempre são trágicas
principalmente para a mulher, isto acontece não apenas pelo imenso remorso ou sentimento
de culpa, mas a própria mulher se penaliza muito mais culturalmente ao se
deparar com o fenômeno da infidelidade, muito mais natural para o homem. Infidelidade para este último é aventura e
pura adrenalina, para a mulher é o extremo fracasso de não ter sido amada e
esmolar um pouco de compaixão ou afeto nos braços de outro, novamente não
se generalizando. Claro que hoje em dia as coisas mudaram um pouco e os padrões
de competição e traição estão até muito parecidos entre ambos os sexos, mas a
tese acima descrita ainda é muito válida, principalmente para os casais com
sérios dilemas conjugais.
As mulheres cujos maridos quase não
praticam sexo com as mesmas, se satisfazem como sexualmente?
Obviamente a masturbação via de regra
seria a saída, ou transferir toda sua carga sexual no cuidado com os filhos,
daí advém o perigo, não apenas da superproteção, mas inconscientemente se
desenvolver um processo de competição e até inveja com os filhos quando estes
forem usufruir a sexualidade, sendo que ela não teve tal oportunidade. Poucos seres humanos conseguem
adquirir a abnegação sem um protesto consciente ou inconsciente, e sempre o
líder de tal revolta será a inveja descrita.
É um mito a mulher se dedicar à carreira
profissional? E o que isso tem a ver com a sexualidade?
Diria que ainda hoje em dia esse assunto
é polêmico e gera muitas divisões, algumas mulheres se recusam a ocupar aquele
papel monótono de donas de casa, e outras se sentem extremamente culpadas por
não disponibilizarem mais tempo para seus filhos. Mas o leitor irá se
perguntar, o que isto tem a ver com a sexualidade? Tudo, pois além de influir
no desempenho da mulher, a culpa ou conflito de tal situação é uma espécie de
correlato da impotência sexual masculina de cunho psicológico, onde o homem se
cobra um desempenho e não consegue o resultado almejado, no caso feminino dá-se
o mesmo, não há tranqüilidade ou relaxamento para o prazer, sendo que as grades
do dever adentram totalmente a personalidade. A decisão sempre deve passar pela
realização da mulher nos diferentes níveis (profissional e pessoal), e como diz
um colaborador de meus textos o trabalho é fundamental para a mulher, pois
jamais poderá confiar seu sustento a um homem.
O casal deve realizar amplamente as
fantasias sexuais um do outro?
Obviamente não podemos admitir qualquer
tipo de atividade sexual que humilhe ou cause algum dano físico ou moral em um
dos parceiros, pois isso seria totalmente contra a própria natureza do prazer
da relação sexual. Não cabe distinguir aqui o que é ou não permitido, mas
apenas alertar para os bloqueios sexuais que sempre são um espelho do entrave
da relação ou disputa de poder da mesma. Naturalmente se o casal mantém uma
harmonia ou diálogo freqüente não haveria qualquer tipo de interdito. O fato é
que a acentuação da negação perante determinada atividade sexual geralmente
revela não apenas a competição descrita, mas o foco de tensão ou mágoa oriundas
da convivência turbulenta em que ambos pensam que o parceiro sempre leva algum
tipo de vantagem, sendo assim, a negação é a mais pura defesa ou estratagema
contra o prazer do outro ou de si mesmo, pois a desconfiança é sempre o vizinho
mais próximo do ato sexual numa relação conturbada.
Sobre as perversões sexuais
As perversões sexuais sempre foram
estudadas como objetos de antigos traumas sexuais ou fixações em estágios
prematuros do desenvolvimento da libido infantil. As perversões sexuais seriam
algo que extrapola o princípio do prazer apregoado por SIGMUND FREUD. Exemplos
de perversões seriam: sadismo, masoquismo, voyerismo, coprofilia (excitação com
os excrementos) e necrofilia (excitação com pessoas mortas). Mas se pensarmos
nas perversões mais leves como o masoquismo ou fixação em determinada posição
ou atividade sexual, não podemos julgar a perversão como sendo apenas o trauma
oriundo do passado, a perversão é o ícone máximo da solidão e timidez do
indivíduo, forçando um prazer para si próprio, e o outro é um mero instrumento
para tal fato. A perversão é definida claramente quando na atividade sexual não
há a preocupação com a satisfação do outro, e o prazer se tornam totalmente
rotineiro e preso à determinada esfera mental da pessoa.
O swing é uma perversão sexual?
Totalmente, pois a inclusão de um
terceiro elemento ou mais na relação denota a extrema pobreza da capacidade de
excitação constante com o parceiro; além do mais esse terceiro elemento
psicologicamente remete ao complexo de Édipo, no sentido de fantasias infantis
arraigadas no inconsciente onde a leitura seria de interferir e destruir o
relacionamento dos pais, onde agora haverá a projeção de tal fenômeno do
passado para o casal. Tenta-se justificar o mesmo como sendo uma oxigenação
para o relacionamento, quando na verdade novamente se instala a timidez e total
falta de entrega e cumplicidade na relação. Aliás, O swing pode ser descrito
como uma tentativa de humilhação e agressão perante o parceiro, pois aquelas
fantasias que todos ouvimos falar em revistas ou no real, do tipo ver sua
mulher com outro homem ou vice-versa, se trata de imputar ao mesmo um caráter
de traição ou infidelidade consentida, para em algum momento declarar que o
parceiro se ateve ao comportamento de prostituição ou coisa similar. A questão
é quem cede a tais apelos não está se sacrificando ou amando a fundo o parceiro
como os adeptos tentam apregoar, mas implica na chamada co-dependência
neurótica que observamos nos casos de drogadicção, onde os familiares acabam
cedendo aos apelos do drogado seja por dinheiro ou insistência em não largar o
vício. O swing representa o máximo da comercialização sexual, tanto é verdade,
que geralmente é praticado em ambientes que se assemelha muito a cassinos ou
lugares onde o consumo e dinheiro imperam.
Impotência sexual masculina
Ao contrário do que se pensa, mais de
noventa por cento da impotência sexual masculina é de natureza psicológica, e
ataca justamente aquele indivíduo que na maioria das vezes leva uma vida
saudável. Os fatores estão todos concentrados no inconsciente: competição,
necessidade constante de provar algo, ou o contrário, o medo do conflito e
receio da crítica; mas sem dúvida alguma a maior causa de todas é a questão da
timidez, não aquela que diz da vergonha ou introversão em relação ao ambiente,
mas timidez no sentido do afastamento e medo do compromisso. A timidez é uma
insistência de uma suposta liberdade ou desejo de solidão que sempre advém
quando se está próximo de um relacionamento mais sério, neste ponto a
impotência passa a ser total aliada da timidez a fim de sabotar por completo a
relação. Outro ponto muito pouco observado na impotência sexual psicológica é o
histórico de agressividade no âmbito familiar, obstruindo por assim dizer o
fluxo natural de afeto, troca e relaxamento, transformando a sexualidade quase
que numa batalha ou situação tensa de ter de sempre estar preparado ou com
ereção constante. Na maioria dos casos
há uma boa melhora com o acompanhamento psicoterápico que irá refazer as
ligações afetivas inconscientes e conscientes do sujeito.
Existe realmente a química sexual?
Este é outro mito que se difundiu no
desenrolar dos tempos, quando alguém pensa isso na verdade não percebe que
determinada pessoa que o excita representa todas as primárias fantasias
masturbatórias de excitação, seja desde a primeira revista erótica que visualizou
ou então a pessoa enseja alguém que no passado também marcou o sujeito, tudo
isso são imagens que vão se sobrepondo, como a questão de um determinado trauma
que tem a característica de produzir uma série subseqüente de outros eventos
marcados pelo conflito. A beleza ou excitação nunca é um mero produto isolado
ou ao acaso, mas segue a história da libido do sujeito, o problema é quando a
pessoa constrói expectativas elevadas não só de estética ou qualquer outro
atributo que a sociedade valoriza; outro problema grave é quando a parte física
tão sonhada não bate de forma alguma com a personalidade esperada do parceiro,
se transformando em brigas ou conflitos intermináveis; desejo realçar que só a excitação isoladamente se transforma em plena
tortura no relacionamento.
Mulheres preferem sexo ou carinho?
Talvez o ponto mais nobre do ser
feminino seja o sentido de gratidão perante um homem que a respeite e traga
confiança para a mesma, assim sendo, a mulher evolui do carinho para o sexo,
mas muito mais por essa gratidão sentida, ao passo que o homem vai da excitação
para a conquista ou vaidade. A mulher irá se entregar como disse acima quando
sentir confiança e reciprocidade, nunca por apenas ser desejada do ponto de
vista sexual. Sexo, carinho e atenção formam o tripé almejado pela mulher.
Mulheres que competem com seus maridos
por espaço profissional ou social conseguem manter relações sexuais
satisfatórias com os mesmos?
Quase nunca, pois o homem nunca aceitou
tal condição de rebaixamento econômico e social perante uma mulher, essa é a
mais pura verdade que sinto que ninguém admite. Aliás, é totalmente impossível
num ambiente marcado pela competição e desconfiança haver a possibilidade de
satisfação sexual ou até amizade. Quase cem por cento das terapias de casais
refletem justamente esse problema da competição, ou receio de que o outro
esteja levando alguma vantagem sobre o parceiro. Até me espanta os relatos de
casais recheados de total falta de cumplicidade com coisas do tipo: falta de
ajuda nos afazeres domésticos e sociais, insistir em uma vida privada quando
chega em casa, economicamente ausência de conta em conjunto ou barreira em
relação ao dinheiro, displicência de um na atenção para com os filhos, dentre
outras coisas.
As mulheres que usam ou tem orgasmos com
acessórios eróticos são carentes do ponto de vista afetivo ou sexual?
Na verdade esse é o correlato da
pornografia do lado masculino, pois em boa parte dos casos observados, noto que
qualquer acessório erótico justamente tem a qualidade de afastamento do plano
real (a timidez citada anteriormente), assim como o homem faz o mesmo seja com
a prostituição ou pornografia, o fato é que numa sociedade totalmente embasada
pelo consumo e onde tudo é descartável, fatalmente irá se desenvolver o tédio
nos relacionamentos, sendo que esta é a maior traição para os mesmos, pois
aquilo que supostamente foi bom, jamais poderia cair em desgraça, assim como
fisiologicamente nunca iremos enjoar de determinada comida como descrevi em
outros trabalhos; obviamente não estou comparando as esferas, mas tentando
ressaltar que no caso afetivo a maior sabotagem nunca foi o lado físico e sim
questões psicológicas totalmente inacabadas para o casal. Outro mito que deve
ser debelado é que jamais podemos transportar uma excitação individual (seja um
acessório ou qualquer outra coisa para o plano real quando se estabelece o
contato a dois); enfatizo que a masturbação é plenamente normal, mas ela é
indivisível, cobrando unicamente as fantasias individuais de cada um de seus membros,
não que isso possa acabar com uma relação, mas deve-se ter em mente qual dos
dois planos irá se sobressair, o conjunto ou o individual. O orgasmo é em
essência um ato involuntário que produz uma sensação de extremo prazer, seria o
clímax onde no final não pode haver controle, mas uma liberação energética que
satisfaz e unem ambos os parceiros. O
orgasmo verdadeiro, talvez seja muito duro para alguns ouvirem isso, jamais
pode ser cobrado, leiloado ou até rifado; advém de empatia, simpatia e aquele especial
e genuíno toque verdadeiro de gostar francamente e sinceramente de alguém.
Alguns com certeza advogarão que este estudo é um tanto retrógrado e talvez até
moralista, mas o fato é que desejo que cada um reflita verdadeiramente e
pessoalmente o quanto no decorrer de sua vida teve uma real constância de
prazer e satisfação sexual, ou está sempre a procura de algo inatingível ou
imaginário. A frustração sexual sempre será um sintoma penoso da incapacidade
de se estabelecer um vínculo forte e duradouro, não que esteja pregando o
conformismo do modelo do casamento como se estabeleceu no decorrer da história,
mas que de nada também adianta transportar um modelo econômico ou de consumo
desenfreado na convivência com alguém. O sexo é único no simbolismo de que
vencemos todos os temores do complexo de inferioridade num mundo onde a
rejeição é a tônica. Óbvio é o fato da necessidade constante da troca, e a cada
dia me convenço que nos tempos atuais virou totalmente um dom a capacidade não
apenas de se importar com o outro mas saber atingir sua estrutura pessoal de
felicidade e satisfação.




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