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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Síndrome de Capgras

A síndrome de Capgras também é conhecida como erro de identificação ilusória. É o oposto de déjà vu. As pessoas com a síndrome de Capgras acham que seu cônjuge, seus familiares ou até seus animais de estimação foram substituídos por sósias. Imagine como seria constrangedor ter alguém semelhante à pessoa amada a seu lado e que soubesse detalhes íntimos de sua vida, mesmo que você tivesse certeza que esse alguém é um impostor.
A síndrome de Capgras costumava ser considerada bastante rara, mas os profissionais da área médica estão começando a achar que talvez ela não seja tão rara assim. Quanto maior a quantidade de médicos que conhecem a síndrome, maior é a quantidade de pessoas que eles descobrem que a têm. Capgras foi descrita pela primeira vez por dois médicos franceses, Joseph Capgras, de quem a síndrome recebeu o nome, e Jean Reboul-Lachaux. Sua paciente, a Sra. M., está certa de que sua família e seus vizinhos foram substituídos por sósias. Ela disse que tinha tido 80 maridos - um impostor simplesmente ia embora para dar lugar a outro.
A síndrome de Capgras não é a mesma coisa que a cegueira para feições, ou prosopagnosia. As pessoas com prosopagnosia podem ver um rosto pela centésima vez e ainda não saber quem é a pessoa. Você pode passar pelo seu melhor amigo e não reconhecê-lo mesmo que ele o cumprimente (para uma análise mais detalhada sobre cegueira para feições, verifique "A cegueira para feições consegue explicar por que aquela pessoa no trabalho nunca me cumprimenta?" (em inglês). No entanto, as pessoas com prosopagnosia mostram mudanças na condutância da pele quando vêem a foto de uma pessoa conhecida. Parte de seu cérebro reconhece essa pessoa emocionalmente, mesmo que, conscientemente, elas não saibam de quem se trate.
Os portadores da síndrome de Capgras podem distinguir rostos e achá-los familiares, mas eles não associam o rosto à verdadeira sensação de familiaridade. Aquela mulher parece-se com sua esposa, mas você não sente que ela realmente seja sua esposa. Você não tem os sentimentos que deveria ter quando olha a pessoa com o rosto de sua mulher. Sua condutância da pele permanece a mesma, como se estivesse olhando para uma pessoa totalmente estranha. É um problema de desconexão. Então, o que está acontecendo? 

Causas da síndrome de Capgras

Existem algumas teorias sobre o funcionamento da síndrome de Capgras, umas mais prováveis do que outras. A visão psicoanalítica é que talvez a síndrome seja resultado de um complexo de Édipo ou Electra - desejo sexual por um dos pais e ciúme do outro. As pessoas com a síndrome devem tentar resolver sua culpa em relação a essas circunstâncias identificando seu pai ou sua mãe como um sósia parental. Algumas teorias psicodinâmicas propõem que a síndrome de Capgras tem a ver com os sentimentos reprimidos. Entretanto, a abordagem psicodinâmica era, a maioria das vezes, desacreditada.
Muitos pesquisadores acham que a síndrome de Capgras é realmente o resultado de alguma coisa errada com o cérebro, uma causa orgânica. Eles procuram lesões no cérebro, sinais de atrofia e outras disfunções cerebrais. Embora a síndrome de Capgras geralmente seja vista nas pessoas com transtornos psicóticos, mais de um terço dos pacientes de Capgras apresentam sinais de traumatismo craniano (em inglês) [fonte: Hirstein e Ramachandran (em inglês)]. Muitos portadores da síndrome de Capgras também têm outras doenças orgânicas, como epilepsia (em inglês) ou doença de Alzheimer (em inglês).
Ainda mais médicos e pesquisadores associam a idéia de ser uma causa cognitiva e física. Embora exista alguma coisa errada com o cérebro, como e por que a síndrome de Capgras ocorre em decorrência disso? Talvez a causa orgânica leve a sentimentos de desconexão que, por sua vez, leve à síndrome de Capgras. Talvez seja muito difícil para as pessoas com lesão cerebral atualizarem suas memórias quando vêem uma pessoa e ela lhe parecer um pouco diferente. Seu corpo está tendo uma experiência estranha e seu cérebro luta como uma forma de explicá-la.
Em algum lugar, o cérebro não está se comunicando quando deveria. Essa quebra da comunicação pode estar acontecendo entre a parte do cérebro que processa as informações visuais para as feições e a parte que controla a resposta emocional do sistema límbico. 
O argumento aparentemente recai na possibilidade de a síndrome de Capgras ser um problema de percepção ou de algum outro processo, como a memória. Hirstein e Ramachandran apresentaram a síndrome de Capgras como um problema de "controle da memória". E deram esse exemplo: pense em um computador. Você cria um arquivo e o salva. Quando quer as informações, você abre o arquivo, faz modificações, salva e o fecha novamente. Talvez as pessoas com a síndrome de Capgras fiquem criando arquivos novos em vez de acessar os antigos, de modo que, quando você sai do quarto e entra novamente, você é uma nova pessoa, parecida com a que saiu, mas um pouquinho diferente - talvez suas orelhas sejam maiores, ou seu cabelo, de outra cor. Existe muita coisa que a ciência não sabe a respeito da memória humana.
Alguns estudos também mostraram pessoas cegas com síndrome de Capgras - sua ilusão estende-se à voz da pessoa, pensando que é a voz de um impostor, e não ao rosto; por isso, talvez não seja um problema de processamento facial. Outros estudos mostraram pessoas que estavam certas de que a pessoa para quem estavam olhando era impostora, mas que reconheceram a voz da pessoa ao telefone. 

Transtornos semelhantes à síndrome de Capgras

A síndrome de Capgras é classificada como uma síndrome ilusória de erro de identificação (delusional misidentification syndrome, conhecida como DMS ou DMI). Essas ilusões são monotemáticas, o que significa que se concentram em uma idéia e tornam o mundo um lugar muito estranho para as pessoas que as têm, já que elas vêem as pessoas com máscaras ou talvez nem reconheçam seu próprio corpo.

Síndrome de Fregoli ou ilusão de Fregoli

Em homenagem ao ator Leopoldo Fregoli, que conseguia trocar de roupa com muita rapidez, a síndrome de Fregoli, ou ilusão de Fregoli, leva o doente a acreditar que as pessoas ao seu redor realmente são outras pessoas disfarçadas. Por exemplo, você vê seu médico e acha que ele é sua ex-namorada disfarçada de médico. Uma paciente achou que duas atrizes famosas vestiram a roupa de suas enfermeiras para poderem perturbá-la [fonte: Edelstyn]. Os pacientes com ilusão de Fregoli acham que as pessoas ao seu redor são capazes de mudar a aparência, roupa e sexo em questão de segundos, com apenas vestígios, quase imperceptíveis, de sua identidade real.

Síndrome de Cotard ou ilusão de Cotard
 
A síndrome de Cotard ou ilusão de Cotard é a crença de não ter mais os órgãos, partes do corpo ou até de já ter morrido. Algumas pessoas com a síndrome de Cotard acham que não existem mais porque não sentem nada. Essa doença geralmente ocorre junto com a psicose, como a esquizofrenia (em inglês) e o transtorno bipolar (em inglês). As queixas dos pacientes vão de "meu coração não bate" a "não tenho músculos" [fonte: Baeza]. Uma pessoa com a síndrome de Cotard pode pensar que seu cérebro está apodrecendo, que ela não tem alguns órgãos internos ou que simplesmente "derreteu" [fonte: Christensen]. Os doentes acham que são mortos ambulantes. 

Intermetamorfose
 
As pessoas com intermetamorfose acham que seus conhecidos mudaram de identidade, física e psicologicamente. Embora a síndrome de Fregoli envolva apenas uma transformação física, a intermetamorfose inclui a personalidade. Por exemplo, você pode decidir que seu pai é seu irmão, e sempre que você olhar para ele, verá as características físicas e psicológicas de seu irmão. 

Déjà vu

Déjà vu não é uma síndrome ilusória de erro de identificação, mas é tão constrangedora quanto. O déjà vu acontece com muitos de nós. Você vê alguma coisa e logo tem a impressão de que já viu aquilo antes. Ou alguém diz algo e você tem a sensação de que o que ele falou, o lugar, tudo, já aconteceram. Mas algumas pessoas têm déjà vu crônico. Elas lembram-se de coisas que nunca aconteceram, como já terem assistido ao noticiário, ido ao enterro de um amigo ou encontrado alguém pela primeira vez. Para elas, nada é novo. Um homem disse que não iria ao médico porque já tinha ido antes. Porém, ele não tinha [fonte: Ottawa Citizen]. Para obter informações mais detalhadas sobre o déjà vu, veja o artigo Como funciona o déjà vu.

Fonte: HowStuffWorks

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