INFIDELIDADE, CIÚMES, MÁGOAS, PERDA DA LIBIDO, TODOS OS
SENTIMENTOS QUE PRECISAM SER TRABALHADOS
Texto de Antônio Carlos de Alves de Araújo - Psicólogo (23.11.2011)
É um tanto engraçado que tenha discorrido sobre o tema terapia de casal
por tanto tempo, sendo que no início de minha formação jamais tinha visualizado
me especializar em tal área. Essa conversão se deu aos pedidos de alguns
pacientes na época, aliado ao fato de pouquíssimos profissionais também atuarem
na área. Mas bem cedo descobri que assim como os transtornos mentais, fobias e
sintomas psicossomáticos, esta é um dos maiores desafios da psicologia para
provar sua eficácia em ajudar dois seres em crise, e pior, talvez seja a única área ainda psíquica onde não se pode medicar, pois
não podemos aplicar ansiolíticos em uma relação, ou ela se conserta por si
mesma ou perece simplesmente, não que gostaria que a medicação fosse
inclusa, também nada tenho contra, o ponto é que medicar é um processo
amplamente individual, assim como a própria história da psicologia, que embora
desenvolvesse trabalhos grupais, se firmou no terreno individual, daí o
despreparo quando o assunto é terapia de casal, pois ninguém contava que a
psicologia devesse entrar nesse terreno, era coisa de encontro de casais nas
igrejas num passado bem recente. O quadro mudou radicalmente, e de uma hora
para outra a psicologia foi acionada como um bombeiro precisamente para evitar
o despedaçamento de uma relação. Mas então surgiu o primeiro problema operacional
e ético, porque a psicologia deveria salvar uma relação, sua função não seria
apenas desvendar se o relacionamento é neurótico ou extremamente doentio?
Porque o psicólogo deveria acatar o pedido dos pacientes para ajudar no
restabelecimento, quando muitas vezes estão juntos por mera formalidade
econômica? Sinceramente nunca vi um estudo aprofundado sobre tais questões o
que leva a crer que o maior interesse da psicologia foi conquistar um novo
mercado. Até este ponto não vejo nada de injusto, mas se pretendo atender uma
nova parcela de pessoas, tenho de elaborar novas normas éticas e operacionais
de tratamento. Também isto nunca foi feito, simplesmente se transportou a
psicanálise ou qualquer outra escola pura e simplesmente para atender casais, nunca
houve nenhum desenvolvimento de uma metodologia específica para esse tipo de
trabalho, essa sem dúvida alguma é a principal lacuna da área. Outra questão
assustadora é que se atendem casais simplesmente com o foco terapêutico no
conflito ou discussões do mesmo, quase não se analisa que tipo de casal é, sua
dinâmica pessoal, social e até política do ponto de vista se a ideologia de
ambos se completa ou é divergente. Aliás, este fator é um dos que mais provocam
conflitos e separações se o leitor desejar saber, porque logo descobrem visões
totalmente antagônicas na forma de enxergar o mundo, sendo que os uniu foi
apenas uma atração ou paixão sexual
Lamento se ofendo algum colega meu, mas o grave defeito da terapia de
casal foi à falta de transparência por parte dos pacientes e também do
terapeuta. Todos sabem que um casal que procura a terapia sofre de miopia
emocional, e se divide em dois tipos, principalmente hoje em dia: aqueles que
enfatizam totalmente o aspecto material em detrimento da relação, e os que
trocam a relação para vivenciarem suas aventuras ou ilusões perversas, falei
transparência, pois até hoje não ouvi ninguém dizer tal coisa seja no meio
acadêmico ou em alguma publicação. É estranho e costumo dizer diariamente em
minhas consultas a simplificação perigosa do lado pessoal (geralmente tenho
quase que fazer um interrogatório para extrair algo, ou contam a vida de ambos
em trinta segundos), e no lado material são tão desenvolvidos, vaidosos e
proativos. Ou seja, o primeiro ensinamento da terapia de casal é que procuraram
justamente a mesma pelo fato da relação nunca ter sido prioridade, e mais a
questão temporal, quero dizer, a demora de um ou ambos em se doar
verdadeiramente. Isso há
muito tempo já observei, é muito mais fácil sair para ganhar dinheiro, suprir
sua vaidade ou complexo de inferioridade do que se concentrar numa das mais
complicadas tarefas humanas que é se relacionar, o primeiro papel do terapeuta
é aniquilar a hipocrisia. Antes de iniciar a descrição dos relacionamentos
atuais, gostaria de enfatizar que todas as questões de interesse ou econômicas
que descrevi anteriormente ofuscam por completo o objetivo máximo da própria
relação, que é cada qual proporcionar alegria para o parceiro, a palavra é
simples, mas extremamente complexa quando analisamos a dinâmica de uma relação,
e descobrimos que esse elemento jamais existiu, então descobrimos outro quadro,
que as pessoas só pensam em qualidades no âmbito pessoal e privado, no sentido
de explorarem seus talentos, mas nunca pensando que talento possui em relação
ao outro, essa é que é a mais pura verdade. Muitos me perguntam qual seria a
melhor qualidade dentro de um dueto que é o casal, e respondo que é sempre
estar disponível, este é o sentido mais fixo e objetivo que encontrei até hoje
para o quesito amor. Tal condição implica em outra palavra descritiva do amor
ou afeto que é responsabilidade.
Em diversos
outros textos descrevi um fenômeno curioso que observei não apenas na prática
clínica, mas também no convívio dos casais. Quando acontecia algo bom ou algum
tipo de elogio, na seqüência seguiam-se novas brigas e discussões sem uma
explicação aparente. A resposta é justamente o que disse antes,
responsabilidade, a partir do momento em que o outro me elogia ou agrada se
cria um vínculo uma necessidade de correspondência, essa é a palavra que muitos
rejeitam, este é apenas um dos muitos vírus que atacam os relacionamentos.
Também sempre discordei da tese popular que todo relacionamento é complicado, é
exatamente o contrário, é totalmente simples; transtornos de personalidade que
também podem sabotar uma relação, novamente podemos incorrer em um gravíssimo
erro. Como exemplo cito o transtorno bipolar bem conhecido na atualidade,
oscilações bruscas de humor e temperamento sem nenhum acontecimento
significativo que precipitasse tal quadro. Pois bem, quem falou que um
transtorno age como um todo na personalidade? A pessoa pode ser extremamente
normal em seu ambiente de trabalho, com os amigos e totalmente bipolar com o
parceiro. Esta é uma formulação vital negligenciada pela maioria das ciências
médicas, a neurose retira energia, sintomas psicossomáticos e alterações de
comportamento de qualquer área para se blindar diante do que teme. No caso a
afetividade, posso concluir que há séculos o medo do amor se equivale ao medo
da morte. Mas por quê? Novamente ouvimos aquelas respostas simplórias de medo
da entrega, ficar vulnerável ao parceiro ou se gostar demais e ser abandonado
não toleraria. Respostas que tem algum fundo de verdade, porém apenas mínimo. O medo do amor, de algo que todos sabem ser
a coisa mais importante da face da terra só pode ser explicado pela recusa de
alguém de abrir mão de outros “brinquedos”. Os mesmos são: disputa de poder,
competição, inveja (este sempre foi o central), ambição e timidez. Convenhamos
que um sentimento por mais nobre que seja nunca será páreo contra vários que
vão ao seu encontro, a luta sempre foi desigual, se dois já não dão conta,
imaginem um casal desunido, é tão óbvio não acham? Sempre expus que os relacionamentos são presa fácil dos modelos sociais
e econômicos, mas por quê? A resposta seria a mera transposição da ambição para
a afetividade, adquiri um bom carro, quero outro melhor, isso passaria em tese
para a relação? Quero uma mulher mais bonita? A era do descartável transposta
na pessoalidade? Sim, mas não responde completamente a questão, alguém que se
deixa arrastar por esse fenômeno econômico dentro da relação não pode apenas
ser chamado de egoísta, é uma personalidade faminta por ser notada, cultuada,
então um simples relacionamento não basta, há a necessidade de platéia, daí
advém à perversão, ambição convertida na aquisição de mais parceiros, nunca foi
fantasia, balela, e o tímido tenta fazer isso tudo retirando seu time de campo,
adotando um comportamento excêntrico, o que o torna diferenciado.
Falei de
tipos de casais no começo do texto, isso geralmente pode ser simplificado na
atitude dos mesmos em relação aos filhos, se são lenientes demais, severos ou
autoritários, ausentes citando alguns exemplos. Confesso que fico impressionado
com a inabilidade dos pais em relação aos filhos nos tempos atuais. Cito não
apenas a falta de limites, mas a ausência principalmente de um diálogo mais
robusto que toque e convença a criança. Vou dar um exemplo, pensemos na criança
que reluta em fazer suas obrigações mínimas tais como o dever de casa ou
arrumar simplesmente seu quarto. Quando chega ao final de semana a criança ou o
adolescente pede para sair ou ir a algum evento social, daí se segue as brigas
e os pais jogando na cara todas as falhas do menor. Tal atitude é improfícua,
pois não atinge o psiquismo profundo, apenas uma estrutura de regras que a
criança reluta em cumprir. Haveria a necessidade de a criança ser tocada, e
isso só acontecerá quando os pais da forma mais calma e equilibrada do mundo
aprender a interpretar e devolver para a criança seu modelo psíquico dizendo
enfaticamente: “você pretende ser um adulto no final de semana com total
liberdade e autonomia, mas durante toda a semana se comportou como criança e
até bebê, não dando conta das atividades mais básicas do dia a dia, o que acha
dessa brutal contradição?” Certamente se teria resultado melhor se tal fala
fosse posta em prática.
Mas vamos a
pergunta centra do texto: quando funciona realmente a terapia de casal?
Confesso que levei anos para responder precisamente tal questão. Inicialmente
achava como a maioria, que o objetivo era resolver conflitos das mais variadas
procedências tais como: infidelidade, distúrbios de relacionamento, conflitos
com os familiares do casal, sexualidade dentre outros. Embora a terapia de
casal essencialmente seja para isso, ainda não é seu mais alto ponto. Também
descobri que se o terapeuta se concentrar apenas nisso poderá se frustrar com
um possível abandono do tratamento seja por resistência das pessoas em questão
ou por motivos financeiros. O auge e
objetivo máximo da terapia é simplesmente expor questões de caráter,
comportamento, afetividade, amizade ou raiva, rancor ódio e disputa de poder. A
partir desse ponto veremos qual é o verdadeiro preparo do casal para lidar com
tudo isso, e quanto estão dispostos ao treino para tal empreitada, qual seu
maior compromisso quando estão juntos. Descobri também que só se curam embora
não goste do termo, prefiro a palavra avançar, àqueles que sempre tiveram um
grande comprometimento afetivo desde o início apesar de todas as intempéries, o
casal que sempre verdadeiramente se amou esse é o termo irá superar qualquer
obstáculo, e procura o terapeuta justamente para preservar esse amor, e não
apenas aqueles que procuram a terapia apenas pelo pânico de uma separação ou o
medo da solidão, coisas que dizem apenas de um apego neurótico perante uma
relação falida. Décadas como
terapeuta de casal me ensinou que não adianta nada uma boa interpretação acerca
de um mecanismo psíquico, valendo muito mais o despojamento de ambos para
admitirem erros ou seus pontos egoístas. Até hoje me impressiona como alguém
que diz amar o outro pode ser tão arrogante. É nesse ponto que podemos discutir
a célebre frase de que por trás do amor caminha o ódio, verdade? Uma mentira
abjeta, nunca uma coisa teve nada a ver com a outra, o ódio numa relação provém
de um suposto investimento em alguém que não correspondeu ou insiste em não
fazê-lo. O problema do investimento afetivo, e poucos se deram conta é que o
mesmo aciona uma imensa ambição pela correspondência, isso é mais do que
humano, mas devido à carência ou mágoa ao invés da pessoa lidar com tais
questões, simplesmente se deixa arrastar no turbilhão do ódio. Obviamente todos
querem ser correspondidos, mas a maioria parece que não está atenta ao fato de
que se o outro é capaz de fazê-lo, ou que talvez um ou ambos não consigam
admitir uma escolha errada.
A prova
máxima se o casal deve permanecer junto, é quando juntamente com o terapeuta
exploram um ponto extremamente negativo e fazem do mesmo um farol de motivação
e de perseverança, sentindo que depois de tal elaboração não sobrou nenhum
elemento de mágoa, isto sim é lutar por um relacionamento, e não as famosas
frases tolas de otimismo ou fé sem nenhuma base. O ponto central é a aferição
da capacidade do casal em sentir realmente a afetividade, coisa muito pouco
explorada pela própria psicologia que se blindou no suposto saber profissional.
Esta ciência em minha opinião deveria se concentrar única e exclusivamente no
treinamento para quem procurasse a terapia jamais temesse o descrito, a troca
profunda entre dois seres, infelizmente a prioridade ainda é uma análise de
caráter totalmente individualista e desprovida de uma tônica de casal ou
familiar. Outra questão que se coloca é quando encontramos um casal muito perto
de uma normalidade rara, onde conseguem esse encontro amoroso, sendo assim,
qual seria a responsabilidade de quem realmente recebe o amor? Troca, gratidão,
compaixão? Talvez, mas creio que a coisa nesse ponto se torna muito maior, não
apenas em relação ao parceiro, mas toda a responsabilidade de perpetuar este
relacionamento raro perante todos os ataques de inveja e ciúmes do meio
circundante. Esse tipo de casal conseguiu uma proeza perante a maioria, não se
tornando anti-social um contra o outro, coisa mais do que comum na prática
clínica. Por falar na mesma, há certa lenda que impede muitos de recorrerem à
terapia de casal, por achar que a mesma fatalmente levará à separação do mesmo.
Isso é uma bobagem plena, por mais inabilitado que seja um terapeuta, jamais o
mesmo teria um poder maior do que toda a história e momentos marcantes de um
relacionamento. O que pode acontecer, é que o processo terapêutico depois de
várias tentativas infrutíferas de reconciliação e apaziguamento, revele que a
relação apesar de todo o apego foi uma escolha errônea perante divergências de
caráter, personalidade e ideologia, aliás, esta é a função máxima da terapia de
casal, ser um tomógrafo completo acerca da convivência entre ambos.
Mas também
há uma questão maior que não posso me evadir em nossa realidade. Perante tanta
problemática nos relacionamentos, tais como: infidelidade e traição, falta de
afetividade e compromisso, decepções de todo o tipo; qual então será o modelo
de uma futura relação? Lamento o pessimismo, mas o futuro será o que já estamos
vendo agora, relacionamentos baseados na mais pura perversão sexual ou de
caráter, onde um ou ambos jamais se sentirão preenchidos na relação, buscando
seja outros parceiros abertamente ou veladamente, ou de comum acordo. Ou então
o cenário será a simples satisfação dos impulsos sexuais sem nenhum tipo de
comprometimento, uma coisa bem diferente de o famoso ficar, pois poderá haver
paixão, interesse, mas sem o estabelecimento de normas fixas para a relação. O
que poucos percebem é que esse quadro coloca na mais pura provação o próprio
sentido da relação, será que somos capazes de amar, ou vamos nos esconder nessa
simples tese entre monogamia ou poligamia? Queremos realmente a família que
tanto se defendeu nos ambientes religiosos ou morais? Queremos o complemento
com o outro ou a mera satisfação de nossas fantasias individuais? Não se trata
aqui de impor nenhum argumento ou tese moralista, pois acreditem que para mim
tanto faz se a pessoa tem consciência de sua escolha ou comunicou ao seu
parceiro seu mais profundo caráter, o que quero deixar imensamente sublinhado,
é que tal questão não diz apenas de uma perversão ou não como coloquei, mas que
o quadro caótico descrito diz se realmente estamos gostando de si mesmos, ou se
tudo isso é um ódio projetado contra o desgosto da vida moderna econômica e
afetiva, que se parasitaram por completo. O que é um relacionamento? Um dia dois
se encontraram, tiveram prazer em várias áreas e desejam a continuidade baseada
não apenas no respeito, pois isso é simplório, mas, sobretudo no compromisso de
cada qual ter a eterna responsabilidade pela satisfação do outro, ao contrário
do perverso, que gosta apenas da variação incessante de objetos afetivos ou
sexuais. Obviamente não estou dizendo que
alguém que almeja a separação seja um perverso, que só queira daqui em diante
“curtir a vida”, mas que no fundo a separação é um ato de amor para quem o perdeu
na relação e aceita a aventura de tentar encontrá-lo adiante, mas com o
compromisso severo de nunca de nunca desistir.
Todos sempre
me perguntam quando é possível uma melhora efetiva da relação, em termos dos
mais dramáticos problemas, tais como: infidelidade e traição, perda da libido
sexual, problemas com familiares. Para responder sucintamente diria que uma
infidelidade só se cura se a mesma foi perpetrada quase que acidentalmente, ou
por digamos assim um grande vazio carencial da pessoa em questão, se foi como
uma vingança contra o parceiro como já disse em outros textos, a chance de
reverter o processo é mínima. Sobre a sexualidade a coisa é um tanto mais
simples, a terapia deve aferir se a perda da libido funciona como um desejo
para uma futura separação, um desejo perverso por ter mais parceiros ou
simplesmente um problema de fundo psíquico do sujeito em questão, a análise
precisa desses componentes nos dirá sobre a chance de salvarmos a relação.
Sobre problemas com familiares, devemos analisar o grau de maturidade dos
pacientes, se abraçaram a nova família com o parceiro ou filhos, ou se ainda
estão presos em sua família pretérita, desejando salvaguardar sua infantilidade
e dependência. Ainda devemos averiguar o grau de disputa ou inveja dos pacientes
em relação aos seus familiares e vice-versa, para sabermos precisamente quem ou
quais elementos estão sabotando a relação. Todos sempre dizem acerca do enjôo
ou esvaziamento da relação depois de alguns anos será que a coisa é tão
definida assim? Assim como em outros processos biopsíquicos, penso que é um
erro pensar dessa forma. Sempre advoguei sob pesadas críticas que jamais alguém
se cansa de um hobby, alimento ou determinada diversão, pelo contrário, os
incrementam quase que diariamente ou semanalmente, porque seria o contrário com
a pessoa que se escolheu? Claro que muitos dirão da decepção, que tinham uma
imagem do parceiro que simplesmente se esvaneceu. A resposta é simplória
demais, devendo novamente lembrar as armadilhas de uma relação: competição,
inveja, disputa de poder e timidez. Obviamente perante alimentos ou prazeres
pessoais tais elementos não ameaçam a consecução do prazer individual. Devemos ainda separar duas vertentes
básicas, normalidade e perversão. O indivíduo sadio experimente o objeto amado
e tenta repetir dita experiência através do processo longo do convívio. O
perverso experimenta esse prazer, quer repeti-lo, porém variando
desesperadamente de parceiro, como disse acima faz da ambição afetiva sexual
sua meta de vida.
Mas não é
apenas o perverso que sofre dessa chamada “ambição afetiva”, como disse antes é
um triste sinal dos tempos a transposição de valores econômicos para a parte
emocional, se boa parte das pessoas se desiludem de uma conquista material após
meses ou até dias, porque tal processo político e ideológico também não iria
contaminar a esfera sentimental? Simples, mas perigosamente mal debatido e
compreendido. Muitos me falam da falta de amor ou o que o mesmo está quase
extinto como eu mesmo digo, mas o fato é que está sendo regido pelas leis de
mercado. A única blindagem contra isso é o reforço da terapia na estrutura de
caráter, como um treino ou exercício físico diário para não se perder a forma,
do contrário, a relação não persistirá perante tantos ataques. A essência é
essa, exercício constante, e falando de relação o mesmo se dá apenas num único
treino, o diálogo.
Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo














