AGRESSIVIDADE(ANÁLISE PSICOLÓGICA)
Talvez
não haja um tema
tão importante para o desenvolvimento das relações sociais, e melhoria
da
qualidade de vida do coletivo do que discutir à agressividade em vários
níveis psicológicos. Infelizmente por aspectos culturais
e até mesmo religiosos, se compara a agressividade apenas com violência
ou destrutividade. Estas duas últimas são aspectos totalmente
patológicos da
conduta humana, causando risco iminente para a própria sobrevivência da
espécie. A agressividade é um fenômeno comum do cotidiano, e nos cabe
entender a mesma, buscando tanto seus aspectos positivos quanto os
negativos. O
enfoque do estudo é a agressividade enquanto afastamento de outro ser
humano, e
não a violência ou qualquer coação física.
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| Agressividade Física |
Por definição, dentro de um parâmetro psicológico, a
pessoa agressiva é aquela que reage a todo acontecimento, como se fosse uma
prova, contenda ou disputa na sua leitura mental. A competição passa a reinar
na alma da pessoa; e se fizermos um levantamento da história do indivíduo,
descobriremos que desde cedo o mesmo se esforçou em demasia para não vivenciar
a experiência da exclusão. A crítica é sempre devastadora para estas pessoas.
Esta definição contempla os aspectos negativos do
fenômeno. É curioso notar como a agressividade é um divisor de formas de
conduta ou personalidade, pois o oposto é uma pessoa que vive em lamúria
ou
autocomiseração. Já os agressivos têm uma precipitação de reações ou
sentimentos. Mais curioso ainda é como a sociedade amplia o conceito de
agressividade, considerando que a própria sinceridade e autenticidade
são resultados da
mesma.
Com
toda a
certeza a hipocrisia é a manutenção da agressividade ao extremo,
cortando todas as formas possíveis de reação. É um instrumento político
de manutenção da força e desigualdade, para se evitar qualquer
transformação nas relações. Poucos refletem sobre o fato de que uma explosão
de raiva pode ser tão agressiva quanto uma omissão num momento fundamental de
ajuda ou participação perante outra pessoa. Já sabemos que a
dissimulação
faz parte de nossa era, mas esta também é uma “filha” legítima da
agressividade, sendo uma espécie de permissão para vivenciar a mesma de
forma
velada como foi exposto. O dilema histórico da humanidade é quando
conter ou não a agressividade. Sua repressão abala inclusive a saúde
física
da pessoa.
O problema é que numa sociedade totalmente competitiva como a nossa, toda a resposta caminha à agressão, por conta da leitura de que alguém está invadindo o espaço vital do sujeito. A conseqüência é não apenas enfrentar os efeitos da agressividade, assim como a culpa resultante do processo. Quais seriam os aspectos positivos da agressividade? Servir para uma reflexão profunda sobre o tipo de reação que realmente é necessária. Os extremos assolam nossa sociedade; seres belicosos em qualquer situação banal, e personalidades ingênuas, não abstraindo a verdadeira intenção de seu meio; expor também os reais aborrecimentos ou sentimentos de frustração perante a pessoa ou coletividade. O problema passa a ser a dosagem de como isto é feito.
A autenticidade não implica necessariamente em rigidez, potência de voz ou extrema ansiedade. A explosão emocional se insere exatamente neste quadro, e a pessoa invariavelmente perde sempre o controle. Mas o que acontece que motiva sempre a perda do rumo para uma situação de conflito? Novamente podemos falar da competição? Tudo o que está sendo levantado remete ao que ALFRED ADLER, contemporâneo de FREUD, e criador da psicologia social, chamava de “complexo de inferioridade”. Pode ser definido desde sentimentos ou pensamentos depreciativos para com o próprio físico da pessoa, passando por sua crença internalizada de que não é uma pessoa com poder ou carisma perante a sociedade.
O problema é que numa sociedade totalmente competitiva como a nossa, toda a resposta caminha à agressão, por conta da leitura de que alguém está invadindo o espaço vital do sujeito. A conseqüência é não apenas enfrentar os efeitos da agressividade, assim como a culpa resultante do processo. Quais seriam os aspectos positivos da agressividade? Servir para uma reflexão profunda sobre o tipo de reação que realmente é necessária. Os extremos assolam nossa sociedade; seres belicosos em qualquer situação banal, e personalidades ingênuas, não abstraindo a verdadeira intenção de seu meio; expor também os reais aborrecimentos ou sentimentos de frustração perante a pessoa ou coletividade. O problema passa a ser a dosagem de como isto é feito.
A autenticidade não implica necessariamente em rigidez, potência de voz ou extrema ansiedade. A explosão emocional se insere exatamente neste quadro, e a pessoa invariavelmente perde sempre o controle. Mas o que acontece que motiva sempre a perda do rumo para uma situação de conflito? Novamente podemos falar da competição? Tudo o que está sendo levantado remete ao que ALFRED ADLER, contemporâneo de FREUD, e criador da psicologia social, chamava de “complexo de inferioridade”. Pode ser definido desde sentimentos ou pensamentos depreciativos para com o próprio físico da pessoa, passando por sua crença internalizada de que não é uma pessoa com poder ou carisma perante a sociedade.
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| Agressividade Verbal |
A agressividade negativa remonta a dificuldade de se lidar com o sentido mais profundo da vida. A posse e o apego, por exemplo, são forças direcionadas para um prazer metafísico de acúmulo ou continuidade do ego, o que contraria a essência de nossa vida que diz que jamais iremos reter, mas ao contrário, apenas podemos deixar algo. Este fator realmente é eterno.
Desde a disputa do complexo de Édipo, até as disputas históricas pelo poder,a agressividade negativa tem a característica de deixar marcas ou traumas indeléveis. É a tentativa de se eternizar usando o pólo destrutivo da alma humana. Infelizmente nossa mais forte lembrança para as gerações futuras sempre foi o uso da força e a brutalidade, nos mostrando que jamais esqueceremos alguém que nos impôs algo, ou então que desfilou determinado sentimento para o qual jamais poderíamos nos preparar, sendo esta a essência do trauma.
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| Agressividade Verbal por Telefone |
Se
o respeito for obtido pela autoridade ou desprezo,
a conseqüência inevitável será a cristalização do medo e insegurança.
Caso seja conquistado pela superproteção ou mimo, se desenvolverá uma
Personalidade egoísta e narcisista. O único ponto possível de equilíbrio
é a
retirada absoluta do rancor de um passado, para que a pessoa não
descarregue ou
compense algo em seus descendentes. O respeito pleno pela
individualidade deve
ser a meta. Obviamente não se esquecendo a imperiosidade de regras de
convivência e responsabilidade social. Paciência, dedicação e confiança
são a
tríplice potência para formarmos algo de valor. A pergunta é: Você está
disposto a aprender a ser um bom pai ou mãe? Tem ciência de toda esta
responsabilidade para com o futuro do ser humano?
O fator psicológico central de uma pessoa agressiva é que a mesma possui a plena consciência de uma vida que lhe seria satisfatória, agindo com um tom constante de revolta pela não obtenção de seu projeto pessoal; sabe também que a cada dia está mais distante dessa meta. Esta tese se transforma no núcleo do círculo vicioso. O não atingir o desejo pessoal ativa uma reação descontrolada e intempestiva perante uma simples frustração, e tal hábito afasta a pessoa da solução definitiva de seu problema comportamental. Reagir perante os mais insignificantes fatos novamente é o indício da atuação marcante do complexo de inferioridade no ser humano.
A agressividade se alia constantemente com outros sentimentos negativos, o principal deles é a inveja, devido à possibilidade da descarga da frustração e raiva. A inveja cria uma constante necessidade de fuga da situação dolorosa de se comparar e se sentir inferiorizado, partindo-se para o ataque. A agressividade é conseqüência de uma política não apenas econômica do nosso sistema, mas dirigida a esconder todos os sentimentos ou emoções negativas do tipo: cobiça, ódio, avareza e a inveja citada. O sistema só permite o aflorar de tais sentimentos na hora exata do consumo, pilar da sociedade e fator destrutivo do “eu”, dependendo de sua freqüência. A agressão então se transforma na resposta fisiológica do silêncio imposto pela sociedade, assim como suas regras de dissimulação, como vimos anteriormente. Torna-se ainda um tipo de distração e fuga do tédio e rotina que assolam a pessoa. Jamais haverá cura para a agressão social e individual se não lidarmos com todos os mecanismos que geram a hipocrisia nas relações.
O fator psicológico central de uma pessoa agressiva é que a mesma possui a plena consciência de uma vida que lhe seria satisfatória, agindo com um tom constante de revolta pela não obtenção de seu projeto pessoal; sabe também que a cada dia está mais distante dessa meta. Esta tese se transforma no núcleo do círculo vicioso. O não atingir o desejo pessoal ativa uma reação descontrolada e intempestiva perante uma simples frustração, e tal hábito afasta a pessoa da solução definitiva de seu problema comportamental. Reagir perante os mais insignificantes fatos novamente é o indício da atuação marcante do complexo de inferioridade no ser humano.
A agressividade se alia constantemente com outros sentimentos negativos, o principal deles é a inveja, devido à possibilidade da descarga da frustração e raiva. A inveja cria uma constante necessidade de fuga da situação dolorosa de se comparar e se sentir inferiorizado, partindo-se para o ataque. A agressividade é conseqüência de uma política não apenas econômica do nosso sistema, mas dirigida a esconder todos os sentimentos ou emoções negativas do tipo: cobiça, ódio, avareza e a inveja citada. O sistema só permite o aflorar de tais sentimentos na hora exata do consumo, pilar da sociedade e fator destrutivo do “eu”, dependendo de sua freqüência. A agressão então se transforma na resposta fisiológica do silêncio imposto pela sociedade, assim como suas regras de dissimulação, como vimos anteriormente. Torna-se ainda um tipo de distração e fuga do tédio e rotina que assolam a pessoa. Jamais haverá cura para a agressão social e individual se não lidarmos com todos os mecanismos que geram a hipocrisia nas relações.
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| Agressividade Física Contra a Mulher |
A tese no transcorrer do texto é a de que o agressivo
se adianta a uma possível experiência de rejeição, tendo a certeza de que
alguém fatalmente irá contrariar suas expectativas. Além disso, se conhece como
uma pessoa totalmente solitária, sendo que o aflorar de sua agressividade é
exatamente em resposta ao hábito de jamais conseguir conservar uma amizade ou
relacionamento, disfarçando sua miséria afetiva no remoer todo tipo de
conflito. A derrocada de qualquer projeto afetivo sempre será iminente. A
pergunta é: será possível anular tal “maldição” pessoal? A experiência
clínica comprova que uma das únicas possibilidades de cura é a vivência de seus
sentimentos dolorosos na psicoterapia, transportando seu lado bélico numa arena
onde realmente possa ser diluído ou controlado.
A agressividade continuará no topo comportamental da pessoa quanto maior for sua necessidade de atenção ou carência. Temos de perceber que a compulsão para a liderança, poder e orgulho, quase sempre pode superar uma reflexão genuína e honesta acerca da conduta da pessoa. O fato é que a resposta agressiva acaba não temendo qualquer tipo de perda, pois sua meta é a desforra contra imagens de ódio internalizadas em seu passado.
O sonho a seguir relatado por um paciente dá a medida exata de tudo o que foi dito até o presente momento: “sonhei que iria enfrentar o maior campeão do mundo no boxe; meu treinador também havia sido um grande lutador; comecei a perceber então a enrascada em que estava; como poderia enfrentar alguém tão forte e impiedoso sem nunca ter treinado ou feito qualquer tipo de condicionamento físico; pensava em desistir, mas o medo do vexame me assolava totalmente; sentia que meu oponente além de tudo estava em sua melhor forma física; o curioso é que meu treinador acreditava em mim, me falando que a saída era um único golpe certeiro. A multidão começou a lotar o ginásio, e antes da luta vim a falecer”. Este sonho mostra de forma cristalina toda a desproporcionalidade vivida por pessoas com um potencial agressivo acima da média, se engajando em situações onde fatalmente não terão um mínimo preparo para resolver de forma equilibrada seus conflitos, sejam pessoais ou sociais. É interessante como a energia agressiva atrai um “campeão do boxe”, provando que o fator inconsciente lançará a pessoa no caos, pois sua ira interna é desmedida perante suas reais potencialidades e possibilidades. O agressivo possui uma ambigüidade constante de desafio e recuo, o que aumenta sensivelmente todo seu tormento ou complexo de inferioridade.
Mas é justamente neste ponto que coloco em discussão outra temática polêmica; o agressivo não desejaria nunca ter a conduta do desafio, porém, sente que não há outras alternativas afora seu comportamento viciado. Como seria de vital importância que o sistema percebesse e aprofundasse tal conceito, provando realmente seu desejo de ajudar a evolução da pessoa. O emaranhado criado pela agressividade visa somente a compensação pela falta de estrutura e segurança afetiva. A agressividade em nosso mundo sempre irá gerar uma sensação de orfandade ou abandono, pois quase nenhum ser humano tem a capacidade de lidar plenamente com a culpa ou remorso após uma situação conflituosa. Aprofundando um pouco mais tal conceito, diria que somente depois de determinada perda é que o sujeito preso na agressividade visualiza todo seu histórico e modo de lidar com os afetos, embora como disse antes não consiga frear tal acontecimento.
Se olharmos à nossa volta, perceberemos que a competição é a droga ou vício de alguém que sempre tombará no lado pessoal. Basta nos atermos ao drama das separações ou conflitos conjugais. É impressionante a alienação nesta esfera. Há muito venho afirmando que nossa conduta profissional ou social é inteiramente transportada para o lado afetivo, pois uma relação jamais estará protegida das contaminações das relações sociais e de poder, porém, quase ninguém ainda percebeu tão óbvia conclusão. A agressividade gera todo tipo de medo perante uma retaliação ou revanche, desencadeando o fenômeno da paranóia. É curioso que a psicanálise tenha descrito tal patologia como sendo uma proteção inconsciente perante uma possível homossexualidade, alterando tal conteúdo sexual para uma sensação de ser perseguido constantemente. O que FREUD deixou de salientar com seu famoso estudo do caso *SCHREBER, é que o paranóico não está fugindo de possíveis energias sexuais que teme, mas que a própria paranóia é o último recurso para não se tornar um psicopata, dado que sua agressividade atingiu um estágio fora de qualquer tipo de controle. Assim sendo, a mente inverte a polaridade, fazendo com que a mania de perseguição encubra ao menos temporariamente seus instintos destrutivos; ao invés de ser o perseguidor, se transforma na vítima.
O rancor, a raiva ou o ódio dão uma falsa sensação de vitalidade para a pessoa com a meta da desforra, porém, cedo descobrirá que há muito se encontra putrefata em seu passado de tortura por algo que apenas encobre sua incapacidade para o novo. Outro drama do agressivo é sua relação com a questão do tempo. Sente que não o possui em demasia, desenvolvendo a impaciência e extrema ansiedade. O agressivo possui uma idéia arraigada ou internalizada de que há muito lhe foi retirado algo de extremo valor no auge de seu gozo ou aproveitamento. A conseqüência é o incremento do narcisismo, pois clama o tempo todo que foi “roubado”, ou que até hoje não vivenciou determinada experiência de prazer, achando que deve ser o único merecedor de atenção perante sua injustiça pessoal. O agressivo se tornaria extremamente útil se aprendesse a utilizar sua energia de protesto no favorecimento e reforço de pessoas com baixa auto-estima ou temerosas de seu eu. Não seria apenas uma sublimação, mas um ânimo que poderia doar ou compartilhar com alguém que está sempre duvidando de suas capacidades. Claro que o sujeito agressivo também não tem uma boa estima, mas o que enfatizo seria o transporte de determinadas atitudes àquelas pessoas que nem sequer se posicionam nas mínimas solicitações.
A agressividade continuará no topo comportamental da pessoa quanto maior for sua necessidade de atenção ou carência. Temos de perceber que a compulsão para a liderança, poder e orgulho, quase sempre pode superar uma reflexão genuína e honesta acerca da conduta da pessoa. O fato é que a resposta agressiva acaba não temendo qualquer tipo de perda, pois sua meta é a desforra contra imagens de ódio internalizadas em seu passado.
O sonho a seguir relatado por um paciente dá a medida exata de tudo o que foi dito até o presente momento: “sonhei que iria enfrentar o maior campeão do mundo no boxe; meu treinador também havia sido um grande lutador; comecei a perceber então a enrascada em que estava; como poderia enfrentar alguém tão forte e impiedoso sem nunca ter treinado ou feito qualquer tipo de condicionamento físico; pensava em desistir, mas o medo do vexame me assolava totalmente; sentia que meu oponente além de tudo estava em sua melhor forma física; o curioso é que meu treinador acreditava em mim, me falando que a saída era um único golpe certeiro. A multidão começou a lotar o ginásio, e antes da luta vim a falecer”. Este sonho mostra de forma cristalina toda a desproporcionalidade vivida por pessoas com um potencial agressivo acima da média, se engajando em situações onde fatalmente não terão um mínimo preparo para resolver de forma equilibrada seus conflitos, sejam pessoais ou sociais. É interessante como a energia agressiva atrai um “campeão do boxe”, provando que o fator inconsciente lançará a pessoa no caos, pois sua ira interna é desmedida perante suas reais potencialidades e possibilidades. O agressivo possui uma ambigüidade constante de desafio e recuo, o que aumenta sensivelmente todo seu tormento ou complexo de inferioridade.
Mas é justamente neste ponto que coloco em discussão outra temática polêmica; o agressivo não desejaria nunca ter a conduta do desafio, porém, sente que não há outras alternativas afora seu comportamento viciado. Como seria de vital importância que o sistema percebesse e aprofundasse tal conceito, provando realmente seu desejo de ajudar a evolução da pessoa. O emaranhado criado pela agressividade visa somente a compensação pela falta de estrutura e segurança afetiva. A agressividade em nosso mundo sempre irá gerar uma sensação de orfandade ou abandono, pois quase nenhum ser humano tem a capacidade de lidar plenamente com a culpa ou remorso após uma situação conflituosa. Aprofundando um pouco mais tal conceito, diria que somente depois de determinada perda é que o sujeito preso na agressividade visualiza todo seu histórico e modo de lidar com os afetos, embora como disse antes não consiga frear tal acontecimento.
Se olharmos à nossa volta, perceberemos que a competição é a droga ou vício de alguém que sempre tombará no lado pessoal. Basta nos atermos ao drama das separações ou conflitos conjugais. É impressionante a alienação nesta esfera. Há muito venho afirmando que nossa conduta profissional ou social é inteiramente transportada para o lado afetivo, pois uma relação jamais estará protegida das contaminações das relações sociais e de poder, porém, quase ninguém ainda percebeu tão óbvia conclusão. A agressividade gera todo tipo de medo perante uma retaliação ou revanche, desencadeando o fenômeno da paranóia. É curioso que a psicanálise tenha descrito tal patologia como sendo uma proteção inconsciente perante uma possível homossexualidade, alterando tal conteúdo sexual para uma sensação de ser perseguido constantemente. O que FREUD deixou de salientar com seu famoso estudo do caso *SCHREBER, é que o paranóico não está fugindo de possíveis energias sexuais que teme, mas que a própria paranóia é o último recurso para não se tornar um psicopata, dado que sua agressividade atingiu um estágio fora de qualquer tipo de controle. Assim sendo, a mente inverte a polaridade, fazendo com que a mania de perseguição encubra ao menos temporariamente seus instintos destrutivos; ao invés de ser o perseguidor, se transforma na vítima.
O rancor, a raiva ou o ódio dão uma falsa sensação de vitalidade para a pessoa com a meta da desforra, porém, cedo descobrirá que há muito se encontra putrefata em seu passado de tortura por algo que apenas encobre sua incapacidade para o novo. Outro drama do agressivo é sua relação com a questão do tempo. Sente que não o possui em demasia, desenvolvendo a impaciência e extrema ansiedade. O agressivo possui uma idéia arraigada ou internalizada de que há muito lhe foi retirado algo de extremo valor no auge de seu gozo ou aproveitamento. A conseqüência é o incremento do narcisismo, pois clama o tempo todo que foi “roubado”, ou que até hoje não vivenciou determinada experiência de prazer, achando que deve ser o único merecedor de atenção perante sua injustiça pessoal. O agressivo se tornaria extremamente útil se aprendesse a utilizar sua energia de protesto no favorecimento e reforço de pessoas com baixa auto-estima ou temerosas de seu eu. Não seria apenas uma sublimação, mas um ânimo que poderia doar ou compartilhar com alguém que está sempre duvidando de suas capacidades. Claro que o sujeito agressivo também não tem uma boa estima, mas o que enfatizo seria o transporte de determinadas atitudes àquelas pessoas que nem sequer se posicionam nas mínimas solicitações.
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| Agressividade Verbal no Trabalho |
A experiência clínica nos mostra uma faceta curiosa
acerca do fenômeno da agressividade. Muitas pessoas que vêm para se tratar são
extremamente instruídas tanto do ponto de vista intelectual, como de
experiência de vida propriamente dita. O fato é que quase todas alegam não
conseguir encontrar alguém que aceite trocar ou aprender sobre seu grande
conhecimento acumulado. Alguns rapidamente responderiam que tal fato ocorre
pela rejeição perante a personalidade do agressivo ou o modo como se comporta.
Embora isto seja evidente, não completa como um todo a análise da questão. Não
seria apenas o medo de uma pessoa o fator determinante do afastamento, mas
principalmente que esta lhe desperte um potencial que nunca soube explorar. Foi
citado anteriormente que o agressivo pode ser uma espécie de “bode expiatório”,
àquelas pessoas que não ousam se colocar de forma sincera. Aqui acrescento uma
certa inveja contra alguém que apesar de talvez exceder no trato social,
alimenta uma certeza perante seu posicionamento. O final da era das revoluções
se aplica também na pessoalidade humana; a lei atual é o medo e ansiedade
quando se escuta a palavra mudar.
Outra questão a ser enfatizada é: o que leva em nosso cotidiano a alguém aumentar seu potencial agressivo? É um erro imputar tal fenômeno a uma sensibilidade em excesso perante injustiças pessoais, ou as traições e decepções que vivenciamos diariamente. A verdadeira questão é que o sujeito agressivo, apesar de toda sua conduta imponente se sente na maioria das vezes totalmente dependente do outro, e o ódio é uma reação de desespero e tentativa de negar tal condição; este é seu pecado capital, quanto maior a energia empregada numa contenda, maior o risco de capitulação perante a opinião alheia. Não é por acaso que a sociedade é tímida, pois o verdadeiro inferno é a ditadura do julgamento alheio. A sociedade encaixa e dá sua importância a algumas modalidades: beleza, poder, riqueza ou prosperidade, candura e obstinação. O agressivo é totalmente expurgado do quadro anterior, sentindo que apenas na infração penal ou até mesmo na guerra é que se torna alguém necessário, sendo talvez suas únicas razões históricas de existência. A conseqüência de tal compreensão é um imenso quadro ansioso e de expectativa de mudança que não depende mais do indivíduo, mas de outro que possa lhe dar a absolvição.
Enfim, o agressivo deve aprender que uma verdade que expõe pode até ser transcendental, mas jamais pode justificar a submissão plena do outro. Há a necessidade da compreensão, observação e escuta profunda, mesmo perante alguém imbuído de idiossincrasias. O agressivo deve perceber que se habituou com um cenário de disputa e conflito, sendo que seria uma vitória para seu caráter expor seu lado caloroso e humano, e não somente sua rebeldia. A amargura que carrega, sempre será uma defesa perante sua “cruzada” histórica mal sucedida nos afetos. Sente ainda que jamais teve uma chance concreta de mudança ou de mostrar algo diferente. A observação clínica mostra que o agressivo possui uma admiração e curiosidade por pessoas formais e pragmáticas. Isto se deve ao fato de que estas últimas têm um anteparo eficiente contra a rejeição ou agressividade do meio. O agressivo apesar de tudo sabe que é um eterno ingênuo num mundo de códigos e condutas totalmente subliminares. Sente a cada dia o afastamento por sua integridade emocional. Procura desesperadamente alguém que o aceite e compreenda seu modo peculiar de enxergar as relações cotidianas. Encanta-se facilmente com uma pessoa que mostra alegria e felicidade dentro de toda a estrutura social corrompida, pois sua necessidade é de uma espécie de “férias” do lado sombrio que constela diariamente. A lição suprema para este tipo psicológico é que toda a carga agressiva que tentou expelir durante anos, acabou se voltando contra si próprio, maculando sua paz de espírito, fator primordial para a saúde psíquica.
*SCHREBER: famoso caso atendido por FREUD de uma manifestação de delírio paranóico, que foi interpretado como um homossexualismo latente.
Referências bibliográficas: FREUD, Sigmund. “O CASO SCHREBER”, in OBRAS COMPLETAS. MADRID(ESPANHA): BIBLIOTECA NUEVA, 1981.
Outra questão a ser enfatizada é: o que leva em nosso cotidiano a alguém aumentar seu potencial agressivo? É um erro imputar tal fenômeno a uma sensibilidade em excesso perante injustiças pessoais, ou as traições e decepções que vivenciamos diariamente. A verdadeira questão é que o sujeito agressivo, apesar de toda sua conduta imponente se sente na maioria das vezes totalmente dependente do outro, e o ódio é uma reação de desespero e tentativa de negar tal condição; este é seu pecado capital, quanto maior a energia empregada numa contenda, maior o risco de capitulação perante a opinião alheia. Não é por acaso que a sociedade é tímida, pois o verdadeiro inferno é a ditadura do julgamento alheio. A sociedade encaixa e dá sua importância a algumas modalidades: beleza, poder, riqueza ou prosperidade, candura e obstinação. O agressivo é totalmente expurgado do quadro anterior, sentindo que apenas na infração penal ou até mesmo na guerra é que se torna alguém necessário, sendo talvez suas únicas razões históricas de existência. A conseqüência de tal compreensão é um imenso quadro ansioso e de expectativa de mudança que não depende mais do indivíduo, mas de outro que possa lhe dar a absolvição.
Enfim, o agressivo deve aprender que uma verdade que expõe pode até ser transcendental, mas jamais pode justificar a submissão plena do outro. Há a necessidade da compreensão, observação e escuta profunda, mesmo perante alguém imbuído de idiossincrasias. O agressivo deve perceber que se habituou com um cenário de disputa e conflito, sendo que seria uma vitória para seu caráter expor seu lado caloroso e humano, e não somente sua rebeldia. A amargura que carrega, sempre será uma defesa perante sua “cruzada” histórica mal sucedida nos afetos. Sente ainda que jamais teve uma chance concreta de mudança ou de mostrar algo diferente. A observação clínica mostra que o agressivo possui uma admiração e curiosidade por pessoas formais e pragmáticas. Isto se deve ao fato de que estas últimas têm um anteparo eficiente contra a rejeição ou agressividade do meio. O agressivo apesar de tudo sabe que é um eterno ingênuo num mundo de códigos e condutas totalmente subliminares. Sente a cada dia o afastamento por sua integridade emocional. Procura desesperadamente alguém que o aceite e compreenda seu modo peculiar de enxergar as relações cotidianas. Encanta-se facilmente com uma pessoa que mostra alegria e felicidade dentro de toda a estrutura social corrompida, pois sua necessidade é de uma espécie de “férias” do lado sombrio que constela diariamente. A lição suprema para este tipo psicológico é que toda a carga agressiva que tentou expelir durante anos, acabou se voltando contra si próprio, maculando sua paz de espírito, fator primordial para a saúde psíquica.
*SCHREBER: famoso caso atendido por FREUD de uma manifestação de delírio paranóico, que foi interpretado como um homossexualismo latente.
Referências bibliográficas: FREUD, Sigmund. “O CASO SCHREBER”, in OBRAS COMPLETAS. MADRID(ESPANHA): BIBLIOTECA NUEVA, 1981.
Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo








