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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Suicídio e Timidez

Pretendo neste estudo apontar os aspectos psicológicos que levam ao suicídio; bem como fazer um paralelo com a timidez, já que demonstrarei que ambos os processos caminham em paralelo; apenas a forma ou o resultado comportamental é que diferem. Há muito que estes dois fenômenos deveriam ser prioridade de uma política séria de saúde mental, pois as conseqüências são devastadoras; tanto no nível de perdas humanas, como um comprometimento total na qualidade das relações sociais. Obviamente a problemática é mundial; vide o episódio no Japão sobre o suicídio coletivo dos "hikikomoris" (tímidos ou reclusos). Neste caso específico a timidez caminhou para o suicídio, devido às pressões de uma determinada cultura que talvez não preste a atenção devida ao relacionamento humano, mas tão somente ao desempenho profissional e competição, embora não seja um aspecto encontrado apenas no Japão.


A timidez como demonstrei em vários outros trabalhos* não é apenas um retraimento ou vergonha de se colocar no âmbito social, mas uma conduta neurotizada de tentar obter um poder ou vantagem através da não divisão do potencial íntimo do sujeito. O tímido teme a situação de prova a todo o momento; quando se retira do contato cria uma ficção de vitória por não ter que passar por determinado apuro, mesmo que isto lhe custe um prazer futuro. Foi o psicólogo ALFRED ADLER, contemporâneo de FREUD, que primeiro percebeu o simbolismo da timidez. Para o mesmo, o tímido tinha como meta de vida disfarçar seu profundo complexo de inferioridade. Ao contrário do que muitos imaginam, se tornam pessoas bem sucedidas do ponto de vista econômico, visando compensarem o lado pessoal rebaixado. O tímido na verdade comete uma espécie de "estelionato social"; sua lei é retirar, sendo que os aspectos de egoísmo estão totalmente presentes. Nos relacionamentos afetivos são aquelas pessoas que insistem em manter uma vida totalmente privada; como exemplos máximos: jamais permitem uma conta bancária em conjunto, seus ganhos e posses são mistérios para o parceiro; detestam discutir qualquer assunto relacionado a sentimentos; parece que o casamento foi uma coisa que lhes aconteceu e não uma escolha pessoal; seu prazer máximo é aguardar uma determinada ausência do outro para que possam se dedicar a determinado hábito ou prazer que não desejam compartilhar; enfim, aliam o prazer ao anonimato.

O último estágio do processo da timidez é a depressão profunda ou o transtorno do pânico e até o suicídio, quando a pessoa não consegue mais nenhum tipo de satisfação devido a sua conduta masturbatória perante a vida. O suicídio entra exatamente neste ponto, sendo um último apelo ou protesto em relação a um poder desejado ou que foi retirado da pessoa. Ao contrário do que muitos pensam, o suicídio não é o último estágio do sofrimento, mas um atalho mórbido para não o vivenciar, sendo que assim como o tímido sua meta é a fuga. Não farei aqui nenhuma menção aos casos de doenças terminais ou eutanásia, pois estão numa categoria à parte; apenas enfocarei os aspectos psicológicos do suicídio nos casos que não há essa pressão por doença física. O suicídio e timidez têm como temática básica à questão de como enfrentar a profunda solidão. O primeiro não enxerga nenhuma alternativa para resolver o dilema; o segundo se acostumou e desfruta da mesma.
 
O suicida desenvolve o pensamento de que não possui "nenhuma chance" sobre seus dilemas. Mas o por que desta radicalidade com tantas evidências de recomeço que a vida oferece? A questão passa por um aspecto temporal. Determinado trauma ou experiência de angústia pode causar a deturpação da noção do tempo, dando a impressão clara que determinado evento será novamente repetido. O suicida visa exatamente fugir dessa sua certeza inevitável do recomeço de sua dor. É como se seu passado tivesse destruído todas as suas defesas mentais, restando eliminar sua vida para não sucumbir perante a repetição citada. A fé sempre falha numa personalidade onde o tempo denota pura angústia.O suicida acabou se treinando para esquecer suas virtudes e fugir da dor que está novamente batendo a porta Neste ponto é vital fazermos uma diferenciação entre a teimosia e perseverança. A primeira é típica da personalidade suicida ou tímida, pois a leitura mental é linear, baseada no sofrimento ou em determinado saudosismo que a pessoa não deseja se despojar. Tanto o tímido como o suicida acha que seus esforços são em vão para mudar determinada condição. Apenas a conduta difere, sendo que o tímido adota uma introversão de comportamento e o suicida acaba por extroverter sua raiva contra si próprio. A perseverança ao contrário, é a mais pura arte de tentar ou buscar o não atingido através da convicção plena no potencial pessoal. O tempo não deixa de ser um prazer ou mestre para aqueles que se detém no processo, e não em resultados imediatos. A paciência é sinônima de vida, sendo que a rebelião é válida para darmos determinado passo, não para nos evadirmos de nossas tarefas.

O suicida como dizia Adler reclama um poder a todo tempo, não permitindo que a interação dele com o chamado "destino" permeie sua vida. Almeja ser o carrasco de si por não aceitar a submissão a qualquer tipo de evento que fuja de seu domínio. Aceitar apenas o peso do presente, ou a angústia do passado e a certeza de um futuro continuado de sofrimento é negar a dimensão da vida sob todos os ângulos possíveis. Jamais existirá uma situação única de sofrimento ou até mesmo de criatividade; enfim, jamais estaremos sós, a não ser que fechemos as portas para a percepção da verdade. O fato é que tanto o suicida quanto o tímido adquiriram uma total intolerância de se sentirem fracos por determinado período.

Voltando a questão exposta anteriormente da cisão temporal, poderíamos perguntar o por que apenas do lado negativo prevalecer na mente? Uma experiência de extrema gratificação jamais conseguirá tal efeito? Então o lado positivo está fadado à negligência ou esquecimento? A resposta é que o chamado trauma abala totalmente o sentido de poder pessoal e sentimento de superioridade. Nenhum ser humano almeja galgar uma posição de destaque para depois a perder. O problema é que este deleite que já fazia parte do cotidiano do indivíduo, quando retirado, tem o efeito devastador de potencializar todos os temores de determinada pessoa. A psicanálise sempre acreditou que esta fenda no narcisismo ou vaidade do sujeito se relacionava ao famoso "complexo de Édipo", sendo que a criança jamais aceitava ser preterida no papel amoroso perante um dos genitores. Tal abordagem sempre foi parcial; não é a perda do papel de destaque que abala, mas uma profunda convicção neurótica enraizada no elemento do ódio, que jamais aceita "perder" sob qualquer hipótese. É absolutamente incrível como várias escolas psicanalíticas deram tanta importância a fase oral (amamentação) e não a souberam interpretar. A essência do período infantil é "sugar" em todos os aspectos; na adolescência a ênfase é no desligamento perante os pais para que supostamente possa ser experimentada a liberdade ou determinados prazeres proibidos na fase anterior; o poder adulto se traduz principalmente na sobrevivência econômica, segurança material e emocional. Todo ser humano avança e retrocede nestes três pólos; e a tarefa da psicologia é simples: verificar quais deles estão inundando o consciente e inconsciente da pessoa.

 Há décadas ouvimos a falácia de que o suicida pode ser corajoso pelo seu ato. Jamais pode haver coragem na fuga de um processo doloroso que faz parte da vida, por mais que o detestemos. O tímido ao contrário do suicida consegue sobreviver, mas ambos têm em comum o ódio perante si próprios. No mito do complexo de Édipo há uma passagem simbólica sobre a essência da vida quando há a necessidade de se decifrar o enigma da esfinge; que resumidamente pergunta o que começa andando em quatro pernas (criança); depois duas (adulto); e finalmente três (a velhice simbolizada por uma bengala); o fato é que não é apenas o envelhecimento ou decrepitude que dão o sentido da vida, mas principalmente todas as fantasias de poder que tivemos em todas as épocas da vida e como se dissiparam; o que realmente conquistamos? Uma das únicas prevenções contra o suicídio é ter em mente a certeza de que tal ato não é motivado por nenhum acontecimento trágico, mas o fato de não ter historicamente ninguém para compartilhar seu drama. A solidão é o alicerce e combustível para toda incursão no desespero. Todo distúrbio psicológico é um tipo de comportamento que arrebata a consciência dando uma tônica de algo vitalício. Talvez todo o drama se deva a ficar estagnado na tristeza pessoal e social, se esquecendo da capacidade de proporcionar algum tipo de ânimo. 

O tímido ou suicida é o mais puro ator da amargura que ninguém deseja presenciar, como também é um péssimo representante da esperança. Desejar realmente salvar uma vida é não condenar a incapacidade de alguém para as funções coletivas; tentando "garimpar" na pessoa algo de especial que a mesma desconhece. Esta deve ser a função prioritária da psicoterapia nos dois tipos citados. Obviamente tal tarefa não é nada fácil, pois tanto o tímido quanto o suicida tentam culpar eternamente seu meio por não lhes terem propiciado mais potência pessoal; a ousadia de se retirar do meio social denota total desprezo pelas pessoas, apesar de ambos se acharem excêntricos ou até corajosos por tal ato. A mensagem é que não irão aceitar mais nenhuma regra ou obrigação de compartilhar algo de sua pessoa; sendo que eles mesmos agora serão os senhores absolutos no tocante ao manejo do sofrimento, ou se devem ou não continuar existindo Falando mais uma vez da prevenção, esta deveria se ater ao ponto da perda do controle, fazendo com que determinado indivíduo caminhe para o inusitado, se afastando da sociedade. As duas moléstias são a afirmação absoluta da solidão extrema como remédio para as aflições pessoais; se vingando de um mundo totalmente insensível e difícil no trato pessoal. Não que tal concepção esteja incorreta, mas penso que todos devem estar fartos de denúncias que não acompanham ações de transformação. O suicida tem a plena certeza de que sua extinção será um ato revolucionário, quando na verdade é a mais terrível desistência perante tudo o que imaginamos. 

A retirada social diz também do sentimento ou sensação de traição; ambos são inconformistas com a não durabilidade ou corte de determinada gratificação ou desejo de continuidade. Neste ponto, talvez os pais possam refazer o histórico do nascimento do egoísmo social, como exemplo, quando a criança relutou de todas as formas possíveis diante da vinda de um irmão; na adolescência o sofrimento e desespero descabido por não terem consumido determinada paixão. Se houve tentativa de suicídio, não se trata apenas do fato de tentar chamar a atenção, mas o estabelecimento de determinado apelo mórbido perante situações de crise. Lembro-me de um pesadelo certa vez relatado por um paciente, que o abalou profundamente: "Havia uma briga ou acerto de contas entre gangues, e traiçoeiramente um deles tirou uma espécie de arco e flecha de aço, desses dos filmes de ação e cegou cruelmente seu oponente".Quando acordou teve uma sensação real e desesperadora que seu fim estava próximo; fosse por possuir uma doença incurável, ou por não conseguir sair de seus conflitos pessoais, já que havia passado por uma separação conjugal totalmente conflitante. O incrível neste caso é que seu pesadelo revela a somatória avassaladora de todos os seus medos possíveis e imagináveis. Seu inconsciente abriu as portas da consciência para todos os temores. Entrou num profundo quadro de depressão e se aproximou seriamente do suicídio. O caso apresentado relata fielmente a fragilidade de determinada personalidade frente a expectativas irracionais ou até reais; mostrando a incapacidade para as elaborar.

O fato a ser esclarecido é quando ocorre a perda total da autoconfiança, como é típico dos suicidas. A resposta embora um pouco esdrúxula, passa por uma questão de treinamento. Assim como outras necessidades fisiológicas, nossa mente precisa constantemente adotar uma postura sadia. ALFRED ADLER falava da importância corriqueira de selecionar um grupo de pessoas e dizer para as mesmas o quanto eram importantes e queridas pelo sujeito. Tal ação teria a finalidade de abrandar a inundação da consciência pelo irracional, se fixando numa tarefa de harmonia e solidariedade. Como está difícil hoje em dia selecionar tal grupo! Penso que é muito mais fácil dissuadir qualquer tipo de trauma, pesadelo, ou conteúdo intrapsíquico, do que partir para a prática afetiva. Mais uma vez nos deparamos com uma das essências da timidez: peregrinar por todo o sofrimento individual possível apenas para escapar das obrigações de relacionamentos sociais.

É totalmente propício neste estudo estabelecer em que circunstâncias psicológicas ocorrem de fato o suicídio. A resposta é uma total intersecção entre a personalidade tímida e suicida; ocultando de todos o desejo de praticar o ato abominável contra si próprio. O suicida faz questão de brindar seu meio com a máxima novidade possível; a extinção de sua pessoa. O desaparecimento pessoal trará a punição eterna contra todos que desprezaram suas vocações não efetuadas; semeando todas as condições para que no presente e futuro se desenvolva o ápice da culpa em seu meio. A impaciência sobre sua vida é compensada pela certeza e paciência perante seu propósito de vingança que está por vir. O ato é um epitáfio para protestar sobre como suas sensações e sentimentos não causaram o impacto que gostaria. Compartilhar a dor e pensar no companheirismo estão fora de questão, mantendo a solidão máxima de sua intenção nefasta. Logicamente a desistência do suicida é motivada pela fuga total da contrariedade. Sempre devemos tomar o máximo de cuidado para não nos tornarmos "maus perdedores".

ADLER observou apropriadamente que os casos de suicídio não são em função de coisas graves: doença, desemprego ou falência, perda de um filho, por exemplo; embora possam ocorrer nestas circunstâncias. A questão que ele descobriu é a banalidade de situações que convergem para tal ato. A contrariedade cotidiana pelo "pouco" sempre será muito mais grave. ADLER também constatou o histórico do comportamento infantil que poderia num futuro desencadear tal processo: crianças que simulavam doenças; desmaios; total perda de apetite; etc. O complexo de inferioridade possui uma de suas vertentes exatamente neste ponto; ampliar uma experiência corriqueira de infortúnio para uma dimensão extremamente exagerada. ADLER acreditava que até fisicamente este processo ocorria, quando um determinado órgão era transformado na somatória dos conflitos (inferioridade de órgão-como assim chamava). A psicosomática moderna comprova tal tese. A sabedoria é a plena aceitação de perder algo que há um bom tempo nos causa pesar; assim sendo, a teimosia citada anteriormente é sempre um reforço para medidas desenfreadas. O suicida radicaliza mais uma vez este conceito para a vida como um todo. O tímido se encolhe perante todas estas sensações.

Muitos falam da suposta curiosidade ou protesto contra a morte, que levaria o suicida a cometer tal ato, forçando sua antecipação. Penso mais uma vez que nada disto procede. A essência da questão é uma personalidade em total desequilíbrio. Nenhum ser humano irá apressar algo que é duradouro por sua natureza. O ponto é a intolerância frente ao medo. Psicologicamente o suicida teme completamente a morte; o que ocorre é uma reação psicótica perante este temor desproporcional, contrariando por completo a verdade de seu íntimo. O suicida superdimensiona esta fenda mental, agindo apressadamente para dissuadir sua incompletude perante o susto e medo. Como seria interessante que a medicina se concentrasse no estudo de tal questão, ao invés de procurar apenas fatores bioquímicos. O suicida assim como os tímidos, em última instância negam suas verdades: infelicidade e bloqueio histórico para pedir ajuda. A única saída é se conscientizarem na psicoterapia de que suas vidas têm sido a fuga por completo de situações que desencadeiem uma sensibilidade para qual nunca aceitaram treinamento; percebendo como sempre foi torturante ter que se expor.

Infelizmente a própria psicologia não "ousa" muitas das vezes em casos considerados problemáticos, se atendo a velhas fórmulas ou conceitos teóricos ineficazes perante o contexto de nossa época. A psiquiatria nivela ou socializa todas as enfermidades pela medicação. Ambas têm sido ineptas na empatia com o sofrimento do homem moderno, sendo o fruto de um modelo de civilização totalmente decadente. A melhora da qualidade de vida do ponto de vista material traz compensatóriamente um aumento exorbitante do medo generalizado da pessoa; e isso não é apenas conseqüência do apego, mas da impossibilidade de explorarmos os contatos e relações afetivas. A timidez já é há muito tempo o distúrbio psicológico que traduz fielmente nosso modelo social; forçando todos ao conformismo e abstinência da satisfação pessoal.

Quanto maior a atitude egoísta ou de retirada social, maior será a ilusão de uma blindagem que nos poupe do sofrimento e decepção pelas expectativas que alimentamos por determinada pessoa. O que acontece nos dias de hoje é à busca da salvação do ego pessoal através da concentração em determinado pólo. Superestima-se uma habilidade pessoal ou profissional com o intuito da fuga da rejeição. Seja a beleza; o computador para o tímido; dinheiro; ou até mesmo a inteligência, todos tentam a sobrevivência num mundo onde a própria alma se tornou uma espécie de vitrine; escondendo as demais potencialidades do ser humano. Todos se tornam míopes no sentido não apenas de visualizarem suas reais possibilidades; mas também no tocante as reais conseqüências de suas capacidades perante uma sociedade onde o consumo engoliu todas as características humanas. Enfim, o suicídio, timidez e solidão são a exposição mais precisa do inferno de nossa alma, embora os três elementos possuam características de introversão.


Antonio Carlos Alves de Araujo - psicólogo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Droga não Liberta, Escraviza

I - INTRODUÇÃO
O uso de entorpecentes constitui um grande problema atual que preocupa pais, professores, médicos e autoridades, pelos terríveis maléficios que causam ao indivíduo, à família e à sociedade.
Como a droga leva, geralmente, ao vício e à dependência, o seu consumo é compulsório, independentemente da situação de cada um. Quem tem recursos adquire-a e quem não tem rouba para adquirí-la. A droga é adquirida e consumida a qualquer custo.
O problema se agrava com a necessidade premente que o dependente sente, porque possibilita um comércio rendoso e clandestino, que se impõe à força, de forma abusiva e prepotente. Quadrilhas organizadas e armadas, sem qualquer escrúpulo e sem o menor respeito à vida, aos poderes constituídos, às leis vigentes, cultivam plantas entorpecentes, preparam e refinam drogas e distribuem para os postos de venda instalados em vários países consumidores.
Tudo isto que está ocorrendo no mundo inteiro é fruto do materialismo grosseiro, impiedoso, escravizante e destruidor, insistentemente combatido por Allan Kardec em suas obras, por ser o verdadeiro ópio do povo. O materialismo enfraquece a vontade, oblitera a mente e conspurca os sentimentos da criatura humana, alienando-a da realidade da existência.
Os gozadores movimentam e sofisticam os seus instintos para melhor aproveitamento de tudo aquilo que o mundo oferece. E muitos não contentes com o que têm e não conseguindo alcançar o paraíso terrestres, em virtude dos inúmeros problemas naturais decorrentes da própria existência, buscam o reino fantástico através da imaginação distorcida.
Aqui, apresentamos também o enfoque espírita, mostrando em todos eles, as desvantagens do uso de drogas pelo desconforto que causam ao organismo e à mente, com consequências indesejáveis. No enfoque espírita damos um novo conceito de vida, mostrando suas grandes perspectivas, com a sua valorização no presente. A vida é o maior bem e temos que preservá-lo.
Natalino D'Olivo
1 - USO
O uso das drogas vem de um passado remoto. Nas civilizações antigas, como as da Índia, China, Pérsia e Egito, encontramos referências sobre o uso do ópio. Basta dizer que a maconha era conhecida pelos gregos há 5 mil anos e usada na China há 4 mil anos. A droga era usada para acalmar a dor, para provocar euforia nas orgias ou êxtase ou alucinações nos rituais religiosos. Até hoje, nas comunidades primitivas é usada com essa finalidade.
2 - DIVULGAÇÃO
A cocaína foi introduzida na Europa a partir do século XIX, cujo uso foi difundido por todo o mundo de forma abusiva. A maconha, conhecida na Índia há 2 mil anos a.C. foi transportada para o Oriente Médio, sendo posteriormente, introduzida no Norte da África através das invasões árabes nos séculos IX e XII.
3 - CULTIVO
As drogas atualmente são cultivadas em vários países do mundo: ópio (Irã, Índia, Turquia, Laos, China e Ásia Menor); cocaína (Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Chile, Argentina, Brasil); maconha (México, Colômbia, Marrocos, Líbano, Índia, Brasil); tabaco (Cuba, Brasil, Java, Sumatra, Estados Unidos, Turquia e Ásia Menor).
4 - O QUE É TÓXICO?
"Tóxico" é qualquer substância de origem animal, vegetal ou mineral, que introduzida em quantidade suficiente num organismo vivo, produz efeitos maléficos, podendo ocasionar a morte, em casos extremos.
5 - TÓXICO E PSICOTRÓPICO
Qual a diferença entre tóxico e psicotrópico? Todo o psicotrópico tem uma atuação na mente e no organismo, o que não ocorre com alguns tóxicos. Muitos venenos são tremendos tóxicos, cuja dose mínima chega a provocar a morte, mas não alteram a normalidade da mente, como, por exemplo: a formicida tatu, a estricnina, o arsênico, etc...
6 - TIPOS
Temos vários tipos de drogas: estimulantes, entorpecentes e alucinógenos. Os estimulantes aceleram o funcionamento do sistema nervoso central, como a cafeína, a anfetamina e a cocaína. Os entorpecentes são os tranquilizantes, os anestésicos e os soníferos. São também chamados de depressores ou psicoléticos. Também atuam no sistema nervoso central e diminuem a sua atividade mental e deprimem as tensões emocionais. Os entorpecentes mais conhecidos são: ópio, cocaína, morfina, heroína, codeína, álcool, barbitúricos, sedativos. E também os inalantes: éter, lança-perfume, clorofórmio, solventes de tintas, gasolina, cola de sapateiro, etc.. Os alucinógenos, denominados de perturbadores e psicodiléticos porque causam alucinações e despersonalização. Não aceleram nem diminuem a atividade do cérebro, mudando tudo aquilo que os nossos sentimentos captam. São os seguintes: maconha, peiote, LSD-25, STP, mescalina e psilocibina.

7 - EFEITOS GERAIS
Os efeitos das drogas são desagradáveis, embora inicialmente possam dar uma sensação de bem-estar. Os efeitos desagradáveis decorrem da dependência física e psíquica que elas provocam. A dependência física altera a química do organismo, tornando-se indispensável ao indivíduo e a psíquica, quando o indivíduo não usa a droga, deixa em lastimável estado de depressão, abatimento, desânimo e fossa, perdendo o interesse pelo trabalho, pelo estudo e pela vida.
8 - TOLERÂNCIA
A fase chamada de tolerância é aquela em que o organismo se adapta, passando a reagir com exigência da substância tornando-se dependente. E com a tolerância do organismo, o viciado aumenta a dose provocando sua morte. A tolerância leva à dependência e daí a busca desesperada da droga. Busca-a no desespero da fome ou da sede.
9 - O ABUSO DE TÓXICOS DEIXA EFEITOS NO FETO?
"Crianças nascidas de mães dependentes de heroína mostram sintomas de dependência da droga. A respeito de outras drogas há ainda controvérsia no campo da genética. A grande maioria de médicos, hoje porém, inclina a afirmar que tomar entorpecentes durante a gestação é perigoso; é capaz de criar certa dependência à droga já no feto. Com o uso de LSD, um número respeitável de cientistas reporta fragmentação cromossomal tanto em animais como no homem. Muitos afirmam que o LSD em si é capaz de causar anormalidades congênitas no feto. A maconha vem sendo estudada: há indícios de que causa danos cromossomais no feto porque em animais de laboratório (em ratos, camundongos e coelhos) já se registraram tais danos. A mescalina (cujo uso toma vulto no Brasil) produziu anormalidades fatais em cobaias. Estudos feitos indicam que a maconha, se for dada a um animal em estado de gestação, atravessa a placenta; assim, a maconha fumada durante a gravidez poderá ter efeitos adversos sobre o feto. É óbvio que ainda se precisa de muitos dados para que se possa fazer um julgamento definitivo. Conclusão: é importante salientar que as drogas podem causar danos cromossomais ou dano ao feto sem anormalidade cromossomal.
10 - DROGADO É UM DOENTE
"A Organização Mundial da Saúde considera o viciado em narcótico um doente, que deve ser tratado. O vício em narcótico não é uma doença incurável. A prática de encerrar um toxicômano numa cela e deixá-lo sem assistência, sofrendo os efeitos da síndrome de abstinência, é tão cruel quanto ineficaz. Existem, hoje, medicamentos que aliviam os sintomas decorrentes da ausência da droga e dão oportunidade a que se faça concomitantemente, um tratamento psicológico que leva o indivíduo a reintegrar-se na sociedade".
11 - QUANDO O PROBLEMA É DA POLÍCIA
"Frequentemente, o viciado comete atos criminosos, na ânsia de obter recursos para adquirir a droga. É por causa deste aspecto que o problema cai no âmbito policial. O vício é propagado principalmente pelos próprios traficantes, que procuram ganhar a confiança de pessoas imaturas ou desajustadas para induzi-las ao uso de drogas. O passo seguinte é usar o novo viciado para, por sua vez, conquistar novos adeptos, sob a pena de não receber sua quota de droga. Com a arma de chantagem, estende-se assim a rede de distribuidores. O problema, portanto, tem de ser abordado de dois ângulos: tratamento dos que são viciados e esforços para impedir a propagação do vício".
12 - É O VICIADO UM INDIVÍDUO PERIGOSO?
"Em decorrência da dependência física, qualquer viciado pode tornar-se violento para conseguir uma dose da droga e livrar-se dos sofrimentos da síndrome de abstinência. Assim, na maioria dos casos, o sujeito pode tornar-se violento, por influência indireta da droga. Este porém, não é o caso da cocaína, que induz diretamente o indivíduo à violência. A ela se deve a imagem do viciado como um sujeito agressivo, pronto a cometer um crime a qualquer provocação. Embora não produza dependência física, a cocaína condiciona rapidamente intensa dependência psíquica, pois a euforia que provoca é imediatamente seguida por profunda depressão, que só é aliviada por nova dose. A cocaína provoca dilatação das pupilas, aceleração do pulso, redução do cansaço, euforia, insônia, alucinações. Tomada por boca produz anestesia local da mucosa do estômago, de modo que não atenua a fome e a sede. Geralmente o viciado inala cocaína como o rapé, para que ela seja absorvida pela mucosa que reveste as fossas nasais. Sob sua influência, o sujeito fica agitado e excitado, com uma sensação eufórica de grande poder físico e mental. Os viciados em cocaína são medrosos e, frequentemente, acreditam que estão sendo perseguidos. Para se defender, andam muitas vezes armados e sob a influência de suas alucinações, frequentemente se tornam assassinos. Essas alucinações assemelham-se muito aos delírios que formam o quadro de uma doença mental grave, a esquizofrenia paranóide, na qual o indivíduo acredita que está sendo continuamente perseguido; para defender-se pode tornar-se perigoso.
13 - CLASSIFICAÇÃO DOS TÓXICOS
A - Morfina e seus derivados: heroína, dilaudid, dicodid, dromeran, colantina, polamidon, heptalgin, etc..
B - Opiáceos e seus equivalentes sintéticos.
C - Hipnóticos e analgésicos: barbitúricos, optalidon, doriden, neludar, saridon, fenacetina, spaltina, etc...
D - Aminas psicoanaléticas ou anfetaminas: psico-estimulantes, dexedrina, pervitin, simpatina, propisamin, etc..
E - Alucinógenos ou psicomiméticos ou psicodélicos: ácido lisérgico ou LSD, mescalina, maconha e suas variedades, haxixe, ou marijuana.
F - Outras drogas: cola de sapateiro, cocaína, álcool, etc...
II - AS DROGAS QUE CAUSAM DEPENDÊNCIA
 

1 - O TÓXICO: O assunto é extremamente atual; todos os dias os jornais, rádios ou canais de televisão, veiculam notícias sobre drogas; a dimensão do problema envolve verbas de 150 bilhões de dólares por ano e atinge milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, droga é toda substância natural ou sintética, que introduzida no organismo vivo, pode modificar uma ou mais funções. Desta forma, uma simples aspirina ou um "cafézinho", veiculam substâncias que modificam nossas funções orgânicas, causando alterações circulatórias e hemodinâmicas. Existem drogas que podem ser usadas para alterar as sensações e percepções orgânicas e que levam o indivíduo ao hábito de consumí-las, se tornando um dependente ou mesmo como vulgarmente denominado um "viciado". Tóxico vem da palavra grega "toxicon" (veneno) e significa todo e qualquer veneno celular, que interrompa as funções normais das células; como o crescimento, o metabolismo e a reprodução, a vida média e a atividade específica. Portanto, nem toda a droga é tóxico, e nem todo o tóxico é droga.
2 - DEPENDÊNCIA PSÍQUICA E FÍSICA: As drogas que causam dependência são classificadas em dois tipos: A-as que causam psíquica (exemplo: cocaína, maconha, anfetaminas, benzodiazepínicos, tabaco); B- e as que causam dependência física (exemplo: álcool, ópio, morfina). Dependência psíquica é um sentimento de satisfação e impulso que requer a administração periódica ou continuada da droga, para produzir prazer ou evitar desconforto. Dependência física é um estado de adaptação do organismo ao uso de drogas e que quando suspensas causam uma série de perturbações que chamamos "síndrome de abstinência", ou seja um conjunto de sinais e sintomas que aparecem quando o dependente deixa de usar a droga. São característicos para cada droga e incluem sintomas como vômitos, diarréia, convulsões, alterações na pele, além de ansiedade e agitação psíquica intensa. Um caso clássico vemos no alcoolismo, onde o alcoólatra que pára de beber, nas primeiras semanas apresenta intensos sintomas orgânicos pela ausência do álcool. Cabe ressaltar que toda dependência física é precedida ou antecipada pela dependência psicológica. Outro aspecto extremamente importante é o fato de que certas drogas desenvolvem o fenômeno da tolerância, ou seja, a necessidade de se aumentar a dose da droga para se obter o mesmo efeito, levando o usuário habitual a consumir doses letais para obter os mesmos efeitos psíquicos e/ou orgânicos, exemplo: opiáceos, alucinógenos. Disto decore o grande risco da overdose, ou seja, uma dose excessivamente alta e que resulta na morte do dependente em geral de parada cardio-respiratória.
3 - OS EFEITOS DO ALCOOLISMO: O alcoolismo pode ainda causar lesões no feto que se desenvolve, se a gestante for uma alcoólatra, resultando na síndrome de alcoolismo fetal, que causa deficiência mental ou atraso de desenvolvimento em 89% dos casos, microencefalia em 93% dos casos e defeitos cardíacos em 49% dos casos. Além dos aspectos clínicos que se desenvolvem nos dependentes, devemos analisar as graves consequências sociais do uso das drogas que são: a criminalidade, a violência, o aumento do número de acidentes nas estradas e no trabalho, levando em muitos casos a lesões deformantes e encapacitantes para o resto da vida. Vemos também consequências familiares, como o abandono do lar e o mau exemplo para os filhos. Este é o motivo deste assunto estar sendo discutido, para que sirva de alerta para toda juventude, que existe sempre a1ª. dose, pois ela é o passaporte para o inferno das drogas.
III - DROGA: UM PROBLEMA SOCIAL
1 - MOTIVOS: Diversos são os motivos que levam uma pessoa a consumir drogas e se tornar toxicômano: curiosidade, ociosidade, aventuras, contestação, fuga, moda, inibição, desunião da família, mau exemplo dos pais, estado de abandono, solidão, depressão, ansiedade, fraqueza moral, personalidade psicopática, influência do grupo, hedonismo (busca do prazer), comércio ilegal, e máfia organizada e criminosa que se impõe pelo poder do dinheiro e das armas poderosas e sofisticadas, num verdadeiro desafio à lei e às autoridades constituídas.
2 - FAMÍLIA: O dependente de drogas, além de estar física e mentalmente prejudicado, traz inúmeros problemas para a família e para a sociedade. A família dificilmente conta ele, se for adulto, para o equilíbrio do orçamento, pois ele constantemente está desempregado. E se estiver numa fase crônica, nem trabalhar pode, que exige da família constantes cuidados. Se o dependente é estudante, falta às aulas, não se interessando pela escola; cria atritos, encrencas e provoca brigas; busca outras formas de vício, busca desesperadamente o dinheiro para comprar a droga e quando não consegue, parte para o roubo gerando, sem dúvida, um problema social para a família e para a comunidade, porque envolve outras pessoas forçando a interferência da polícia. O dependente precisa de um médico, de apoio e de um acompanhamento permanente para evitar que o mesmo se complique e não cometa suicídio ou homicídio. Além de não poder contar com ele para nada, ainda tem os imprevistos desagradáveis de sua dependência. A família fica angustiada, preocupada, temerosa e inquieta. O problema da sobrevivência é agravado com os desequilíbrios naturais e inevitáveis decorrentes da preocupação com o dependente.
3 - TRAFICANTES: A responsabilidade maior é dos traficantes que procuram, através de intermediários menores, conscientizar a população jovem, distribuindo até de graça para que se torne dependente sem qualquer despesas. Eles sabem que o faturamento mesmo vem com a dependência, o consumo é obrigatório. E por esta razão a mercadoria se torna cara. A ambição pelo dinheiro e pela riqueza fácil, à custa da miséria moral de milhares de criaturas. Criaturas cristalizadas no vício da luxúria chegam ao ponto de perder o bom-senso, a vergonha e o caráter. Perdem a consciência de seus valores como gente, como criatura humana, não sabendo mais distinguir o que é certo e o que é errado. Basta ver a violência desencadeada no mundo da máfia, que nunca foi tão intensa como nos tempos atuais. Não obstante a apreensão de drogas, principalmente a cocaina e de maconha, a destruição de plantas, de laboratórios e a prisão de muitos chefões da máfia, o comércio clandestino continua, lamentavelmente.
4 - POPULAÇÃO DROGADA: A população drogada está crescendo e o consumo aumentando. Em consequência os problemas triplicam, exigindo dos poderes públicos leis mais severas e uma atuação conjunta mais intensa. As estatísticas sobre a difusão e o uso de drogas são alarmantes. Milhares de jovens morreram em consequência do seu uso. Diante de um problema tão grave, resta-nos apelar para as autoridades para que adotem mecanismos mais rígidos de controle e fiscalização, através de órgãos já criados, tornando inafiançável o crime de produção, fabricação, transporte e comércio. A nosso ver, a multa, ou a fiança, não podem substituir a pena de reclusão e o confisco dos bens.
5 - DROGAS: UMA OPÇÃO PARA A MORTE: A droga vicia, destrói o organismo e mata em pouco tempo, conforme a regularidade do consumo e a dose, razão pela qual o problema "droga" se tornou social, preocupando pais, professores e autoridades. É lamentável que a grande parte de nossa juventude, diante de tantas perspectivas de vida e de realização tenha optado pelas drogas, ou entorpecentes, ou melhor dizendo, pela morte. A opção pela morte é sintoma de desintegração da própria personalidade. Quando não se tem consciência de si, de seus valores, a vida não representa muita coisa. Viver ou morrer é simplesmente uma opção casual.

IV - COMO O ESPIRITISMO ENFOCA O PROBLEMA
1 - A ESTRUTURA DOS SERES ORGANIZADOS: A estrutura dos seres organizados bem como o seu funcionamento revelam uma sabedoria inigualável. Quem estuda a engenharia do corpo humano em todos os seus detalhes não esconde a sua admiração pela beleza e perfeição da forma como a máquina humana foi montada. A perfeição com que a matéria foi organizada induz a aceitar um princípio inteligente organizador. Tudo no universo nos leva a conceber uma inteligência superior. Por quê? É fácil entender. O conhecimento que o homem adquire no estudo das coisas e que lhe dá a característica de sábio não é maior do que a sabedoria que o objeto encerra, como por exemplo corpo humano e todas as coisas do universo. Na ordem das coisas, qual é o maior: o conhecimento que o homem adquire ou o objeto que lhe dá o conhecimento? O conhecimento das leis ou as próprias leis? O homem não inventa leis, apenas as descobre. E quem é o maior: quem descobre ou quem cria? E se o homem é importante por aquilo que conhece e faz, então aquele que criou as coisas e as leis que a regem é maior, infinitamente maior. É superior aquele que cria o objeto que forma a matéria do conhecimento humano. Deus é sábio e revelou sua sabedoria através da criação e de suas leis. O homem é inteligente e tem conhecimento das coisas que Deus cria.
2 - CAUSA PRIMÁRIA DAS COISAS: Deu é sábio e ninguém pode negar esta realidade a menos que negue sua própria existência, seu próprio saber. O homem é alguma coisa porque existe o TODO. Ele não pode negar a fonte de seu conhecimento. Se o homem cresce no conhecimento das coisas e se torna sábio mais sábio é aquele que propiciou o saber. "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas". Desta forma, quem procura o conhecimento das coisas com seriedade, encontra Deus, visto que o criador não está ausente de sua obra.
3 - O ESPÍRITO: Quem descobre a sabedoria de Deus ou de uma inteligência superior no estudo das coisas, descobre o espírito, que é o princípio inteligente do universo. Como princípio, o espírito está ligado a todas as coisas. Deus é transcendente e imanente a tudo. Existe o espírito individualizado. Essa individualização carateriza o espírito com uma determinada forma. Essa forma é uma conquista milenária. A forma, ou o corpo, melhor dizendo é o instrumento pelo qual o princípio inteligente se individualiza, tornando-se espírito, quando lhe são despertados, pelas experiências, da ação e reação, alguns atributos indispensáveis ao seu progresso como a inteligência, a sensibilidade, o livre-arbítrio e a responsabilidade.
4 - LIVRE-ARBÍTRIO: Enquanto o ser organizado está vivendo na faixa inferior do instinto somente, não passa de autômato. O instinto é que dirige tudo, e atende as duas necessidades básicas: a sobrevivência física através da defesa, da alimentação e da procriação. Quando o espírito passa a habitar a forma humana pelo natural progresso, é que começa propriamente o seu progresso espiritual, visto que o livre-arbítrio caracteriza sua individualidade. A personalidade se firma através da liberdade. É condição intrínsica da natureza. Não há progresso, sem liberdade. Nenhum ser se acomoda e aceita pacificamente um sistema de dependência e subjugação.
5 - RESPONSABILIDADE: A liberdade é atributo do espírito e nenhum ser progride sem ela. Por outro lado, a liberdade tem um preço: a responsabilidade. O homem vive em comunidade, em sociedade. É impossível a sua existência fora de um comportamento organizado. Ora, se vivemos em sociedade e estamos, todos, submetidos a um comportamento organizado pelas leis já estabelecidas pela sociedade, conquistadas através de séculos, não podemos viver sem responsabilidade. Nossa liberdade é relativa e limitada, visto que ela determina direitos e deveres e esses direitos assegurados pela lei determinada pelo princípio de liberdade não podem ferir os direitos do nossos semelhantes. Nossa liberdade é uma conquista de milênios,mas com ela está vinculada a responsabilidade. Liberdade fora de um comportamento organizado é anarquismo e não se pode desta forma pretender nenhum progresso, visto que invadimos a esfera do companheiro que tem os mesmos direitos e que faz jus ao exercício e a prática de suas conquistas. A prepotência e o egoísmo, infelizmente, não impedem essa invasão. A ditadura e a tirania são consequências do excesso de liberdade sem responsabilidade, no exercício do poder. Assim como a sociedade padece as consequências de um liberalismo desenfreado, desarmonizando tudo, assim também ocorre com o indivíduo relativamente ao seu corpo.
6 - A NATUREZA: A grande educadora Maria Montessori disse que na Natureza não há castigos nem prêmios, mas consequências. Seu pensamento está em perfeita sintonia com o Espiritismo quando este estuda alei de causa e efeito e afirma que o homem é artífice do seu destino, sofrendo as consequências naturais do seu livre-arbítrio.
7 - MAU USO DAS COISAS: Diante da liberdade das ações e do determinismo das consequências, é muito bom e recomendável meditar com profundidade sobre o uso das coisas. Tudo o que foi criado por Deus tem uma finalidade. Cada coisa deve ser usada de conformidade com sua finalidade. A forma errada de usar as coisas geralmente traz desequilíbrio para o corpo e para o espírito. Ninguém ignora isto. É um fato incontestável. Entretanto, há muitas pessoas, que, em virtude de uma personalidade estranha, desequilibrada, esquizofrênica, gostam de usar as coisas de forma contrária, o que gera uma desarmonia no comportamento organizado e agride a sociedade em que vive. Quanta gente faz mau uso das coisas. O mau uso da alimentação, da inteligência, do amor, do sexo, dos instrumentos criados para o desenvolvimento da vida. É claro que ninguém está isento da responsabilidade no mau uso das coisas. As consequências virão inevitavelmente mais cedo ou mais tarde. Elas virão em forma de desequilíbrio, de doenças, de desgostos, de frustrações, de mal-estar, de fracasso, etc...
8 - A VIDA É IMORTAL: A vida é imortal. A sabedoria divina criou a vida para ser eterna, porque eterno é o princípio da vida. A desintegração do corpo por ocasião da morte não significa desintegração do espírito. Se o espírito é o princípio que engendra e organiza o corpo, está claro que está além do organizado. Ele transcende à organização física. O espírito existe antes de nascer e sobrevive após a morte. Não vamos aqui apresentar toda a nossa argumentação científica e filosófica para provar isto.Falamos inicialmente sobre a sabedoria divina. A ciência nos fala da imortalidade do espírito pelas experiências levadas a efeito nas pesquisas e pelo contato que tivemos com eles em inúmeras reuniões.
9 - A REENCARNAÇÃO: A reencarnação é a volta do espírito ao corpo material, com o objetivo de realizar novo aprendizado para enriquecimento de sua vida. Ao mesmo tempo em que resgata o passado, aprende novas coisas. A reencarnação é um princípio da natureza que permite a educação e reeducação do indivíduo, sem o que ele não se libertará dos erros e da matéria. Esse processo não constitui forma de punição, mas um recurso da natureza para renovar e melhorar o ser.
10 - ESTIMAS: Quando o espírito retorna à matéria, o seu corpo perispiritual transmite ao corpo material estigmas causados pelo seu desequilíbrio em vida anterior. Toda a ação do espírito fica gravada nesse corpo espiritual, à semelhança de um disco. É o subconsciente que armazena conhecimentos e experiências do passado, recente e remoto, que estruturam a personalidade. A herança cultural, recebida e adquirida através dos séculos, constitui a estrutura psíquica que sustenta a forma de pensar, sentir e agir. O corpo, tomado pelo espírito desde o primeiro momento de sua formação, recebe a sua influência. O corpo em formação se amolda ao corpo espiritual.
11 - O DESTINO DA MATÉRIA APÓS A MORTE: A vida que defendemos e que todos defendem, consciente e inconscientemente, representa tudo. Vida é vida, na Terra ou em qualquer parte do universo e é em torno dela que todos os problemas giram. O que seria o universo sem a vida? Seria o caos, o nada. Ser é viver. Ser a vida é tudo, temos de valorizá-la. A morte é o não ser. Mas morte não existiria se a vida não existisse. Por isto a morte confirma a vida. Ela não é real. É simplesmente uma transição da vida. É a causa que se retrai omitindo o fenômeno ou a aparência. A vida tem que ser julgada pela vida e não pela morte, mas esta nos fala da importância daquela. Após a morte do ser orgânico, os elementos que o formam passam novas combinações, constituindo novos seres, que haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, absorvendo-o e assimilando-o, para novamente o desenvolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir. A atividade do princípio vital é alimentada durante a vida pela ação do funcionamento dos órgãos, do mesmo modo que o calor, pelo movimento de rotação de uma roda. Cessada aquela ação, por motivo da morte, o princípio vital se extingue, como o calor, quando a roda deixa de girar.
12 - A DROGA NÃO LIBERTA, ESCRAVIZA: Ledo engano daqueles que pretendem se libertar através de drogas. A natureza não dá saltos. A evolução do ser é muito lenta e se processa pelo domínio de si mesmo e das coisas pelo conhecimento sem violência. É fugaz a liberdade experimentada pelo uso de drogas. O preço dessa suposta libertação é muito alto, pois, além de grandes riscos conduz a uma dependência escravizante e vergonhosa, somente uma inteligência apoucada buscaria sua liberdade por um processo tão esdrúxulo e mesquinho. Não é esse o processo proposto pelos grandes mestres da vida. Sabemos que a libertação enseja clima de felicidade, mas o caminho é bem diferente. Uma pequena mensagem de Rubens Romanelli, pela psicografia de Euricledes Formiga, esclarece bem o nosso pensamento: "O homem que encontrou a si mesmo descobriu o segredo da felicidade. Aprendeu a remover o que já não era mais ele ou dele, a renovar-se no belo, em elevação, na plenitude da visão interior iluminada pela presença de Deus, pois estabelece, a partir daí, a ligação com os transcendente, o eterno, o puro, o ser feliz"!

Eurípedes Kuhl