Pages

Translate

English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

domingo, 31 de julho de 2011

O Álcool

O álcool apresenta aspectos peculiares, em relação às demais drogas: enquanto as drogas anfetamínicas (agentes que excitam o sistema nervoso) têm o seu consumo regulado por lei (venda sob receita médica); outras tantas drogas, de mesmo efeito, são combatidas pela lei e são tidas como marginais (maconha, cocaína etc.)... O álcool, paradoxalmente, está ao alcance de qualquer cidadão, de modo absolutamente legal!
É inacreditável!

O governo, arrecadando enormes quantias em impostos, permite que empresas, nacionais e principalmente multinacionais, da mesma forma acumulem fortunas fabricando, distribuindo e vendendo bebidas alcoólicas.
Apenas um dado, para comprovar tal assertiva: As vendas de cerveja, no Brasil, chegaram em 1989 a 4,4 bilhões de litros. (Deve-se ressaltar que as bebidas são taxadas em 25% de impostos).
Fonte: Revista "EXAME" - Melhores e Maiores/1989.

A - OBTENÇÃO
Obtém-se o álcool através da fermentação de sumos de origem vegetal (uva, cana-de-açúcar), que contêm glicose.
Essa fermentação é provocada por fungos ou bactérias laprófitas (organismos vegetais que se alimentam de substância em decomposição oriunda de outro ser vivo).
Para se determinar o grau de concentração alcoólica de uma bebida, usa-se a Escala de Gay-Lussac "GL" (Físico e químico francês que descobriu a lei da dilatação dos gases -1778/1850).

B - DO CAMPO A MESA
Há todo um universo agrícola, industrial e comercial voltado para a produção de bebidas alcoólicas.
Para o consumidor final ingerir uma bebida, o produto passa por um processo que vai desde as lavouras de cana-de-açúcar, vinhedos etc., até a sua industrialização e distribuição. É penoso verificar que terras extremamente férteis, ao invés de alimentos, são utilizadas para obtenção de matéria prima para alegres venenos...

7.1 BEBIDAS ALCOÓLICAS FERMENTADAS
São as menos prejudiciais à saúde por apresentarem menor índice de concentração, devido à qualidade de álcool com que são fabricadas .
NOME
ORIGEM
OUTROS COMPONENTES
TEOR ALCÓLICO
OBSERVAÇÕES
VINHO SUCO DE UVA OU MOSTO ÁLCOOL ETÍLICO; ÁCIDOS; SUCINICO, TARTÁRICO; TÂNICO; GLICERINA,MATÉRIA CORANTE; ALDEÍDOS ETC 7 a 12 GL
VINHOS COMPOSTOS Plantas aromáticas Vinho comum 15 a 18 GL Quinado vermute
CHAMPANHA Suco de uva ou mosto Açúcar, gás carbônico livre 12 GL
CERVEJA Cevada germinada ou malte lúpulo Álcool etílico; dextrina, maltose, lipídeos, óleos essenciais; Nitrosamina (ativo agente cancerígeno) 3 e 4,5 GL até 9GL
CHOPE Cevada germinada ou malte lúpulo Álcool etílico, dextrina, maltose, lipídeos, óleos essenciais, nitrosamina (ativo agente cancerírgeno) mais gás.
Na Alemanha consumo médio/ano per capta 570 litros.
7.2. BEBIDAS ALCOÓLICAS DESTILADAS
NOME
ORIGEM
OUTROS COMPONENTES
TEOR ALCÓLICO
OBSERVAÇÕES
CACHAÇA Caldo de cana fermentado
40a 54 GL
CONHAQUE Mosto fermentado de uva
15 a 18 GL Envelhecimento durante anos em tonéis de carvalho
GIM OU GENEBRA Extratos fermentados do amido de cereais cevada, aveia, trigo Aromatizado com bagos de zimbro (fruta) laranja doce ou casaca de cássia (planta medicinal) 70 GL
RUM Melaço de cana fermentado
70 GL
UÍSQUE Amido de milho, centeio, aveia, cevada
40 a 50 GL
VODCA Aveia, cevada e malte
45 GL
LICOR Álcool retificado Água destilada; açúcar; aditivos para corar e aromatizar. Álcool etílico, aldeido acéitico e furfúrico. 25 a 45 GL O açúcar dá ao licor um rápido efeito de embriaguez
APERITIVOS AMARGOS Álcool retificado Essências amargas de vegetais. Álcool etílico, aldeidos acéticos e furfúrico, éteres acéticos e butírico.
Efeito mais nefasto, pois, via de regra, são consumidos com estômago vazio.
São preparadas pela destilação do líquido alcoólico já fermentado. Isso determina uma elevação do teor alcoólico, tornando-se mais prejudiciais à saúde, devido também à presença do furfural (óleo que se obtém pela ação do ácido sulfúrico sobre a farinha de aveia), elemento altamente tóxico.
A - COMO O ORGANISMO ABSORVE O ÁLCOOL
Uma pequena parcela da absorção começa no estômago e a maior parte no intestino delgado. O álcool atravessa o fígado e penetra na corrente sanguínea, alcançando o efeito máximo uma hora após a ingestão. Esse efeito perdura por várias horas. Os rins e os pulmões eliminam cerca de 10% do álcool ingerido e os restantes 90% são lentamente oxidados pelo organismo.

7.3 - OS EFEITOS DO ÁLCOOL SOBRE O ORGANISMO HUMANO

O excesso de álcool produz uma grande carência de vitamanas (avitaminose), gerando doenças como:
- raquitismo - carência de vitamanina D
- pelagra - carência de vitamina B
- beribéri - carência de vitamina B1
Quando a taxa de álcool no sangue atinge:

05%: o indivíduo provoca acidentes no tráfego, no trabalho e no lar;
15%: temos o bêbado alegre, galhofeiro, sem inibição, sem tímidez - vira palhaço;
20%: surge a valentia ridícula e ele quer brigar, embora mal se sustente em pé;
30%: cai;
40%: torna-se inconsciente e insensível; apaga-se;
50%: morre.

O tóxico que se esconde sob tão lindas garrafas, tão sofisticados rótulos, que comparece às reuniões sociais, envenena lentamente a criatura humana. Então vejamos:



A - SISTEMA NERVOSO
Depressão, perda de memória, perda do senso da realidade, neurites, epilepsia, morte por paralisia.

B - APARELHO RESPIRATÓRIO
Pneumonia
Angina de peito "Angina Pectoris"

C - APARELHO DIGESTIVO
Boca: destrói a capacidade de captação do sabor pelas papilas gustativas.
Estômago: irrita a mucosa gástrica - úlceras (destiladas)

Dilatação: (fermentação), hemorróidas
Fígado: Hepatite, cirrose, ascite (barriga d'água)
Pâncreas: irritação da mucosa pancreal, pancreatite (fatal)

D - APARELHO REPRODUTOR
Impotência - homossexualismo
Degenerescência da raça (infantilismo, meningites, idiotia)

E - APARELHO URINÁRIO
Rins: nefrite ou "Mal de Bright", gota, diurese, uricemia.

F -APARELHO CIRCULATÓRIO
Anemia, Hipertensão, Colesterol, Arteriosclerose, Dilatação dos vasos.

7.4 ALCOOLISMO: CONSEQUÊNCIAS
Em 1950 a OMS (Organização Mundial da Saúde), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) admitiu que o alcoólatra é um doente. Como tal, requer tratamento particular e especializado.
O alcoolismo engendra uma série de problemas:
• familiares
• sociais
• psicológicos
• orgânicos.

A - Problemas Familiares
Desagregação da família, pelo desrespeito decorrente de situações grotescas, violentas e vexatórias. Ausência no da pessoa alcoólatra (pai, mãe ou filho).

B - Problemas Sociais
Fracasso social pela perda de convívio sadio e quase f sempre com reflexos negativos profissionais.

C - Problemas Psicológicos
Sentimento de culpa a cada nova embriaguez. O caráter se rompe. Um sentimento de autopunição se instala. Beber mais passa a ser a solução: é a dependência!

D - Problemas Orgânicos
Já vimos antes. Não é preciso dizer mais para mostrar o quanto é desumano consumir bebidas alcoólicas; o quanto é contrário à criação suprema de Deus: a VIDA!

7.5 ALCOOLISMO - PREVENÇÃO - CURA
1. —POR QUE BEBER?
As opiniões dos estudiosos são contraditórias quanto à existência de uma personalidade-padrão, com propensão ao alcoolismo. Estudos clínicos até agora realizados não apresentaram resultados decisivos. Atualmente debita-se o alcoolismo às seguintes possibilidades:

A - Fraqueza de caráter
Por essa teoria o alcoólatra é um fraco e até um amor não correspondido pode arrastá-lo à embriaguez. É insatisfatória essa teoria, pois, se o alcoolismo é o resultado de uma fraqueza básica do indivíduo, ele é incurável e nem mesmo precisa de um motivo condutor.

B - Inadaptação à sociedade
FIELD e MORTON, pesquisadores dos EUA, sugerem a inadaptação do indivíduo à sociedade como condutora ao alcoolismo. Observaram que sociedades bem constituídas e bem equilibradas descambam para o alcoolismo, quando passam por situações de crise e de angústias sociais.
Por exemplo:
- Os negros:
foram repentinamente alforriados e "jogados" num mercado de trabalho de uma incipiente sociedade industrial, no caso brasileiro. Vindos da longa noite da escravidão, sem capacitação para melhores funções, foram lançados à mão-de- obra não especializada, sendo discriminados - étnica, social e economicamente. Resultado: entregaram-se ao alcoolismo.
- Os índios:
foram recentemente aculturados e viram, de repente, destruídos todos os valores ancestrais, face à sociedade de consumo. Sentiram-se marginalizados, sem chances de adaptação e de emprego.
Resultado: entregaram-se ao alcoolismo e em, algumas tribos brasileiras, até mesmo ao suicídio.

C- Fator Psicológico
"Os efeitos do álcool seriam tão agradáveis que induzem ao consumo excessivo";
"O perfil psicológico do indivíduo torna-o predisposto ao alcoolismo". Ora:
• o efeito pós-alcoólico não é nada agradável...
• quais seriam esses fatores psicossociais que determinam o perfil psicológico do indivíduo?...

D - Hereditariedade
Não se pode transferir a raiz do problema à geração anterior, pois imediatamente se colocaria a pergunta: Nesse caso, que causa teria determinado que meu pai, ou eu avô ou meu tetravô, se transformassem em alcoólatras? "

E - Fator Social + Fator Económico
• O alcoolista (em todas as idades), começa a beber socialmente", isto é, para acompanhar os demais participantes de uma festa qualquer. O organismo, com o tempo, cria mais resistência ao álcool e o indivíduo bebe cada vez mais, para obter o efeito desejado;
• Outros bebem premidos pela miséria, pela angústia, pela ignorância;
Esses, realmente, fatores que induzem ao alcoolismo!
Mas não apenas esses...
Aos espíritas não escapa a reflexão de que o indivíduo pode reencarnar com a propensão ao vício, a bordo de (auto) herança de vidas passadas.
• O Governo e os grandes complexos industriais fabricantes de bebidas alcoólicas NÃO TÊM INTERESSE no combate ao alcoolismo. Interessa-lhes arrecadação de impostos e lucros, respectivamente.

2 —COMO PREVENIR O ALCOOLISMO?
• Pelo exemplo, na família, evitando o começo.
• Pela educação, na sociedade: esclarecendo os males causados, individual e coletivamente.
• Pela religião, realçando o respeito devido ao corpo e à Vida, incomparáveis doações de Deus aos seus filhos!

3. — O ALCOOLISMO TEM CURA?
Sim!
A internação para desintoxicação e abstinência forçada só produzirá efeito se acompanhada de um efetivo apoio moral que leve o viciado a tomar a decisão de não mais beber.
Somente o esclarecimento ao alcoólatra o levará a conheceras verdadeiras origens da sua compulsão à bebida, através do autoconhecimento, a busca do "eu interior".
Ante o dilema de viver uma vida sóbria e o chamamento impulsivo ao álcool, quase sempre o viciado procura adiar a decisão - e volta a beber: "bebe para se esquecer de lembrar dos problemas".
No alcoolismo não há meio termo: ou o abandono é total e definitivo ou a dependência se agravará dia a dia.


4. — COMO CURAR UM ALCOÓLATRA?
Com permanente apoio moral e a compreensão de que se trata de um doente, necessitado de ajuda externa. Providências não excludentes:
a) Fazendo-o compreender e admitir o caráter patológico do problema, do qual ele é dependente, e não apenas um indivíduo que "bebe porque gosta" ou que "pode parar de beber quando quiser";
b) Fazendo-o aceitar, voluntariamente, tratamento médico para desintoxicação;
c) Fazendo-o conscientizar-se de que:
• O álcool é um inimigo destruidor e escravizador e, para combatê-lo, a família e o trabalho são apoios indispensáveis;
• Na mente humana existe a força de vontade, que tudo pode, quando quer;
• Amigos de bar e paixões não correspondidas são forças negativas das quais se deve afastar.
d) Convidando-o a participar de associações de ex-viciados,
[tais como AAA - Associação dos Alcoólicos Anônimos, fundada em 1935 nos EUA, hoje espalhada por 92 países. AAA é uma irmandade de mulheres e homens que se auxiliam mutuamente, discutindo publicamente suas nefastas experiências com o álcool e a devastação provocada em suas vidas.
Não cobram taxas quaisquer. Não têm caráter religioso. Apenas exigem o desejo sincero das pessoas que querem deixar o vício.

7.6 — VISÃO ESPÍRITA DO ALCOOLISMO E DO ALCOÓLATRA
O alcoolismo é uma criação humana: falível, portanto. O alcoólatra é um ser com livre-arbítrio, que não reúne, ainda, reservas morais para não se deixar escravizar pelo vício.
Considerando que todas as criaturas humanas são espíritos em busca da evolução, há diversas tentações colocadas à sua frente por uma sociedade ainda atrasada, pela qual somos todos responsáveis.
O homem nunca está só, física ou espiritualmente; fixado no vício, terá permanente companhia de encarnados e desencarnados sintonizados com ele. Nesse caso, mesmo quando não esteja propenso a beber, o alcoólatra será a isso levado, por "amigos de bar" ou, o que é pior, por espíritos infelizes, que fazem dele seu instrumento de satisfação ao vício.

Abrimos espaço aqui para ouvir o Espírito ANDRÉ LUIZ, em "Nos Domínios da Mediunidade", Cap 15, descrevendo o que observou em um restaurante: "Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectantes.
Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento, outras aspiravam o hálito de alcoólatras impenitentes".

Também em "Memórias de Um Suicida", psicografia da saudosa médium Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), Cap. "Manicômio", encontramos narração de triste quadro, observado no plano espiritual (Espíritos desencarnados por suicídio): "Individualidades (Espíritos) desfiguradas pelo mal que em si conservavam, consequências calamitosas da intemperança ... deixavam à mostra, em sua configuração astral, os estigmas do vício a que se haviam entregado, alguns oferecendo mesmo a idéia de se acharem leprosos, ao passo que outros exalavam odores fétidos, repugnantes, como se a mistura do fumo, do álcool, dos entorpecentes, de que tanto abusaram, fermentassem exalações pútridas cujas repercussões contaminassem as próprias vibrações que, pesadas, viciadas, traduzissem o vírus que havia envenenado o corpo material !".

— Diante de tão importantes quanto assombrosas informações, como não se acautelar ante todas as viciações?!
Assim, pois, além do tratamento médico e psicológico citado, muito maior ênfase deverá ser dada à EVANGELHO-TERAPIA!

A - Evangelhoterapia
É o tratamento pelo Evangelho: a cura do espírito. Sim, cuidando do corpo, cuida-se de uma fração episódica da existência do indivíduo; porém, cuidando-se do espírito, cuida-se da erradicação do mal, construindo-se uma obra para a ETERNIDADE!
Cada tendência negativa superada - entre as quais o 'alcoolismo' - representará mais um degrau alcançado na escada do progresso espiritual.

Nesse particular, o ESPIRITISMO representa poderoso estímulo à cura, pela REFORMA ÍNTIMA do indivíduo, pois o levará à reflexão e ao conhecimento das consequências infelizes do alcoolismo em futuras reencarnações. A ótica reencarnacionista, calcada na lógica, no bom senso e principalmente na Justiça Divina, levará o homem a não assumir dívidas hoje para resgate nas próximas vidas e nem a jogar espinhos na frente do seu caminho..
.


Fonte: Comunidade Espírita

domingo, 10 de julho de 2011

Personalidades Parasitas

Na psicopatologia das personalidades múltiplas ou anômalas não podemos descartar a realidade espiritual do próprio paciente.
Espirito eterno, herdeiro das ações transatas, ei-lo que marcha mediante as etapas reencarnacionistas, acumulando experiências e somatizando problemas que, a contributo do amor - na realização edificante ou na dor, expungindo delitos - alcança a plenitude da sua realidade: a destinação feliz para a qual foi criado.
Evidentemente, os conflitos e traumas da infância, que dão origem às personificações parasitárias, são de relevância em tal problemática. Mesmo aí defrontamos, no lar difícil, nas agressões da família, nos vários distúrbios domésticos, a mão da justiça infalível estabelecendo os mecanismos corretivos para o infrator libertar-se dos débitos, sob a injunção de fugas espetaculares, as quais dão surgimento às construções de variantes personagens que assomam do inconsciente, em processos de defesa do ser frágil e tímido, aflito e receoso...
Bem sabemos que as agressões da brutalidade contra a criança, da violência sexual, do temor sistemático, geram conflitos e aspirações libertáveis que, na impossibilidade de agir com a energia própria, dão nascimento a entidades que assomam, dominando o inconsciente e realizando-se, além das conjunturas impiedosas dessas frustrações de impotência moral, econômica ou psíquica.

A criança é mais do que um ser em formação. Trata-se de um universo individualizado, um somatório de valores que aos pais e educadores cabe penetrar para bem desenvolver e conduzir.
O pavor que se lhe insufle, o desamor de que se sente objeto, as ofensas não digeridas que sempre lhe são atiradas como calhaus e chuvas de humilhação, terminam por produzir tormentos asfixiantes, dando-lhe gênese aos seres que a dominarão ao largo dos tempos, tornando-a venal fingida ou igualmente violenta, rebelde, desagregada ...
Somente o amor possui os ingredientes de correção destes equipamentos do inconsciente, geradores dos distúrbios alienadores da pessoa.
A terapia especializada, ao largo dos anos, consegue integrar as diversas personificações na identidade do eu consciente, libertando o paciente da perturbadora situação.
Vezes, porém, ocorrem, nas quais, além elas personificações construídas pelo inconsciente, predominam Entidades conscientes de outra dimensão, que obsidiam e atormentam aqueles a quem odeiam ou supõem lhes devam compreensão e amor.
A psicoterapia dos passes, da renovação moral do paciente e do esclarecimento da personalidade subjugadora consegue liberar a vitima, que deverá passar a envidar esforços para conquistar um elenco de recursos morais, nos quais estejam luzindo a caridade e a compaixão.
A obsessão sutil e perigosa grassa dominadora e, na área das enfermidades mentais de todo porte, o doente é sempre o réu na consciência culpada, reparando os gravames das vidas passadas e erigindo a sua realidade moral, com a qual o pensamento e a ação se conjugam para a elevação e a saúde real, que somente são possíveis através da consciência asserenada, sem culpa nem rebeldia. 
Manoel Philomeno de Miranda

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sites de Namoro

O Primeiro Estudo Psicológico no País Acerca das Consequências do Namoro Virtual.
É inegável a difusão da informática em todos os setores da vida moderna, o relacionamento interpessoal não poderia ser uma exceção. Trata-se, portanto, de uma modalidade bastante recente das pessoas se conhecerem e que já está fazendo por merecer um estudo mais aprofundado. O chamado namoro virtual, é fruto destes novos tempos. A violência urbana, a extrema solidão de nossas vidas, a ausência de amizades verdadeiras, a banalização do sexo, dos relacionamentos, tudo isso e muitos outros fatores alimentaram o surgimento desse contato virtual. Obviamente, essa nova maneira de conhecimento entre as pessoas encerra algo de positivo, pois de algum modo está se procurando gente através desse recurso. Gostaria, porém de ressaltar alguns pontos, no meu modo de pensar um tanto perturbadores nesse tipo de relação. Para chegar a essa conclusão pesquisei durante seis meses cerca de cinco sites de namoro virtual.

A primeira constatação é a total compartimentalização de elementos e sentimentos humanos, ou seja, aquilo que poderia facilitar de certa maneira a escolha, através das características descritas pela pessoa, vira uma espécie de vídeo game do drama que todos vivem, a difícil procura e entendimento nas relações afetivas, o medo da frustração, o temor à mágoa, o pânico de amar. Quase a totalidade das pessoas inscritas, independentemente da idade, relatou em suas descrições que ainda acreditam na alma gêmea, porém esse relato quase nunca vem acompanhado do que cada um poderia fazer para obter tal coisa (é como se esperasse que algo por puro acaso acontecesse). É claro que a fantasia exerce uma força muito grande nas pessoas, a espera fica sendo tipo um bingo, onde aguarda-se que o seu número seja sorteado.

A passividade na espera ganha também um destaque especial. Algumas pessoas disseram que inclusive já tinham mensagens prontas, gravadas no computador. Quando chega a fase da saída do virtual, a troca de telefonemas e conseqüente encontro pessoal surge mais um código: a extrema brevidade da relação. O elemento da ansiedade nesse tipo de contato que começou pelo virtual, chama a atenção, pela rapidez do estabelecimento de uma relação. Recentemente, um jornal noticiou um casamento, após apenas três meses de conhecimento do casal.A reprodução mercantilista e empresarial se incorpora na mentalidade das pessoas; pois muitas colocam que querem uma pessoa na faixa etária de no máximo 35 anos, reproduzindo a exclusão que vemos em nossa sociedade. Será que essa verdadeira ejaculação precoce de uma relação não estaria escondendo algo?

Podemos apenas taxá-la de fruto do nosso tempo? Quando agiliza-se um processo assim tão complexo, como é a questão do amor, corre-se o risco de pular etapas ou rituais extremamente importantes para nossa saúde afetiva. O amadurecimento da relação é totalmente cortado nesse ponto, uma vez que, o que realmente conta é NÃO FICAR SOZINHO. Penso ser esse o elemento central nisso tudo. O estar sozinho em nossa sociedade, é sinônimo de fracasso e completa inferioridade pessoal. A cobrança feita pelo meio exerce uma pressão quase insuportável e, sendo assim as pessoas correm para exibir os resultados, se esquecendo de ir a fundo na qualidade do relacionamento estabelecido. O elemento de produto nesse tipo de procura é inegável, sendo que curiosamente ambos os sexos praticamente só respondem emails acompanhados de fotos, o que prova que os dois lados procuram inegavelmente o fator estético ao contrário do que poderia se pensar. É este o realce que ambas as partes fazem em seu perfil, quando há algum item para se descrever. 

A coisificação e alienação em nossa sociedade são mais do que óbvias. A grande questão é que a virtualidade acaba impondo ou reproduzindo regras em algo que deveríamos ter uma ampla liberdade, o relacionamento humano, quando este é reduzido a uma suposta vitrine num supermercado, para que as pessoas possam ganhar tempo, me parece que é chegada a hora de parar e pensar para onde estamos indo, pois nada pode ser mais nefasto para a saúde afetiva ao se fazer uma espécie de “test drive” nas relações humanas. Esta reflexão não é em hipótese alguma a condenação do serviço virtual citado, muito pelo contrário, poderia ser até uma rica forma de expansão de contatos. A questão é de como a estamos usando?, qual o grau de desespero humano em cada um que pode afetar a coletividade? São perguntas, acredito eu, que devemos nos fazer, sob o risco de mais uma vez contaminarmos uma nova aquisição.

Temos que começar a ter um raciocínio de conjunto e não tão somente individual. Queremos ardentemente encontrar alguém, lutar pelo nosso direito à felicidade pessoal, porém isso está condicionado a vários fatores que nos esquecemos muitas vezes. Só para lembrar de alguns: qualidade dos relacionamentos, solidariedade entre as pessoas, companheirismo nas relações de trabalho, cultivo do diálogo, da discussão no ambiente familiar (alguém ainda faz isso?), sensibilidade, interesse social, etc. Não adianta, jamais seremos capazes de construir um belo oásis apenas para nosso deleite próprio, porque o fracasso numa relação afetiva está diretamente relacionado a um fracasso nas relações sociais.

O pioneiro da Psicologia Social, ALFRED ADLER, costumava dizer sabiamente que são quatro os fatores que moldam nossa personalidade: nossa posição e medida do amor que recebemos de nossa família, doenças que puderam abalar nosso desenvolvimento, nossa aparência e o modo como encaramos isso, educação e sentido social, ou seja, o quanto nos importamos com os outros.

A conclusão é que neste recurso, na maioria das vezes "procura-se para não achar", devido à intensidade do temor de novo sofrimento como foi exposto neste estudo. O mais incrível é a percepção da inversão de determinada norma; sendo absolutamente inofensivo na adolescência, devido ao caráter lúdico e exploratório; porém, não é recomendado para maiores de 30 anos (obviamente a idade citada apenas possui um caráter referencial), pois tais pessoas precisam se conscientizar que a necessidade do recurso eletrônico é um reflexo preciso da falta de prioridade do lado sentimental no transcorrer de suas vidas. O namoro virtual é uma das denúncias mais exatas e chocantes da falta de investimento real e verdadeiro na questão amorosa. 

Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo - C.R.P: 31341/5