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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tamanho do Pênis e Trauma Psicológico

Tanto na área psíquica, como na questão sociológica, a vaidade é sem dúvida nenhuma um dos pontos individuais mais reforçados em nossa era, não sendo mais exclusividade do universo feminino há muito tempo. Assim como o tamanho dos seios ou outro aspecto estético da mulher, o homem atual, paralelamente tem desenvolvido uma preocupação quase que obsessiva em relação ao tamanho do pênis. O que é incrível é a ausência da percepção de que tal fato espelha o universo macro econômico de nossa sociedade. Da mesma forma que se compara quem possui o melhor carro, imóvel, ou emprego, a questão do tamanho do órgão é elevada à categoria de status do máximo desempenho pessoal. Há uma proliferação criminosa inclusive via net, de cirurgias ou aparelhos que prometem o aumento do pênis, com sérias conseqüências para a saúde do indivíduo. Além da questionada eficácia de tais técnicas, temos de perceber o aspecto ético no contexto citado. Tanto a medicina, como qualquer profissional da área da saúde não podem contribuir para a alienação ou coisificação da sexualidade humana, sendo primordial que ajudem a pessoa a refletir sobre seus medos e complexos.

A primeira conclusão que o profissional da saúde deve passar ao paciente é que a comparação é o caminho mais rápido para a infelicidade absoluta. Já está mais do que provada a questão de que o tamanho do órgão sexual não significa mais prazer tanto para homens como mulheres, mas apenas um narcisismo reforçado pela cultura. Pensar na possibilidade de maior satisfação sexual devido ao tamanho do órgão equivale a acharmos que alguém possui mais caráter se for privilegiado do ponto de vista econômico. A verdadeira felicidade sexual advém da capacidade de ambos provarem o quanto é especial à presença do outro. O sexo sempre teve uma conotação política, devido ao caráter de influência e poder sobre outra pessoa. Apenas para a personalidade narcisista e ambiciosa a grandeza em qualquer setor é importante.

O problema maior é o complexo de inferioridade decorrente das disputas sociais apontadas. A raiz de todo complexo pessoal é o medo profundo da exclusão nos mais diversos níveis, fato corriqueiro em nossos tempos. Tanto a obsessão pelo tamanho do membro, como o medo do desempenho sexual (impotência), faz parte de uma teatralidade de poder, mascarando um profundo medo da entrega e envolvimento. Nossa era impede a descoberta das verdadeiras necessidades pessoais, nos tornando seres gregários e amorfos, na busca da aceitação do meio. O tamanho do órgão ou da conta bancária é a condição que se coloca para sermos amados, e todos partem para tal corrida insana. Infelizmente todos estão à busca do que é valorizado em termos sociais, abrindo mão da maior dádiva humana: o poder pessoal. Se pensarmos em sexo, o poder sempre estará presente, e alguém que o delegou para uma "imagem coletiva", certamente sofrerá as conseqüências dessa escolha. A sinceridade é primordial na avaliação e cura do complexo de inferioridade. Discutir o tamanho do pênis não passa de um escapismo do verdadeiro problema psicológico e cultural: o medo terrível que o homem possui de uma cobrança feminina em relação à sexualidade, já que culturalmente esta última foi treinada para nunca reclamar. Ambos devem estar atentos para não cair na armadilha da competição na esfera afetiva e sexual; do contrário a revolta e medo dominarão por completo o relacionamento.
 
A função da psicoterapia é fundamental na solução de tal dilema apontado, pois não é a herança física o objeto de questionamento, mas, o medo de não conseguir "impressionar", que leva ao desespero alguém que planeja alterar sua fisiologia. O medo de não possuir o tamanho adequado do órgão sexual, apenas espelha o desespero de nossa época; sendo que nos sentimos reprovados na seleção sexual, assim como em outras áreas que vivenciamos diariamente. Na perspectiva histórica falharam os economistas e cientistas sociais que apostaram nas contendas humanas por alimento e sobrevivência, sendo que é mais do que nítida que a principal disputa e comoção pessoal é o fator da aceitação perante o grupo. Voltamos sem dúvida alguma a estágios infantis de dependência, pela absoluta incompetência de resolvermos nossas pendências emotivas. Todo o sofrimento psicológico à que assistimos diariamente não passa de um alerta da transferência do emotivo para o econômico, que inclusive dita as regras pessoais e da afetividade. A orientação psicológica, pessoal ou até espiritual não compete mais às ciências humanas; sendo que não há protestos por tamanha incongruência; mas, uma espera mórbida para que as doentias relações econômicas possam nos dar uma chance de um lugar de destaque no panorama social.

Principalmente a juventude é mais influenciável por tais aspectos, sendo que pais, educadores e profissionais da saúde devem os orientar no desenvolvimento de uma sexualidade ética, segura e acima de tudo que estimule o poder pessoal e prazer de ambos os parceiros; e a função básica da psicoterapia é descobrir quais mecanismos de inferioridade pessoal foram deslocados para a sexualidade ou preocupação obsessiva com o tamanho do órgão. 

Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo - C.R.P: 31341/5

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Tragédia do Ressentimento

O psiquismo divino abre-me os penetrais do infinito e deslumbro-me.
Saio da limitação, na qual me asfixio e estertoro, para a grandiosidade da vida, na qual me expando.Mergulho no mundo interior e vejo, ouço, percebo a realidade sem barreiras, sem névoa, da qual procedo e para a qual retomarei. Identifico-me com meu Pai, liberto-me.

As pressões psicossociais, sócio-emocionais, econômicas e de outras origens desencadeiam distúrbios variados, nos quais mergulha uma larga faixa da sociedade.
Provocando medo, ansiedade, amargura, desarmonizam o sistema nervoso dos seres humanos, conduzindo a neuroses profundas que, quase sempre somatizadas, são responsáveis por enfermidades alérgicas, digestivas, do metabolismo em geral, facultando a instalação de processos degenerativos. 
Os temperamentos frágeis, sob pressão, procuram realizar mecanismos de fuga, caindo em estados fóbicos e depressivos ou recorrendo à violência como forma de afirmação e defesa da personalidade.
Muitos resíduos psicológicos se lhes instalam no campo emocional e mental, dando lugar a perturbações de comportamento e a doenças diversas, que permanecem sem diagnose adequada. 
Pessoas mais sensíveis, que não conseguem suportar e superar esses fenômenos das pressões constritoras, refugiam-se em ressentimentos que as infelicitam e predispõem-nas a reagir sempre, desferindo dardos venenosos contra aqueles que se lhes transformam em inimigos reais ou imaginários. 
Algumas intoxicam-se de mágoas e fenecem. Outras, inconscientemente, tornam-se vítimas de insucessos afetivos, financeiros e sociais. Diversas fracassam na auto-estima, desvalorizando-se e fazendo o jogo da auto-destruição.

O ressentimento é responsável por muitas das tragédias do cotidiano.
O ressentimento é tóxico que mata aquele que o carrega. Enquanto vibra na emoção, destrambelha os equipamentos nervosos mais sutis e produz disritmia, oscilação de pressão, disfunções cardíacas. 

Não vale a pena deixar-se envenenar pelo ressentimento.
Nem sempre ele se manifesta com expressões definidas, camuflando-se nas fixações mentais e, às vezes, passando despercebido. 
Há pessoas ressentidas que se não dão conta.
Um auto-exame enérgico auxiliar-te-á a identificá-lo nos refolhos da alma. Logo depois, prosseguindo na sua busca e análise, descobrirás as suas raizes, quando teve ele início e por que se te instalou no ser, passando a perturbar-te.
Verificarás, surpreso, que és responsável por lhe dares guarida e o vitalizares, deixando-te por ele consumir. 

Os indivíduos que te foram cruéis - familiares, conhecidos, mestres - na infância e durante a vida, não tinham nem têm dimensão do que fizeram ou estão a fazer. Nem sequer se aperceberam dos seus desmandos e incoerências em relação a ti. A seu turno, sofreram as mesmas agressões, quando crianças, e apenas reagem conforme haviam feito outros em relação a eles. 
O teu primeiro passo será compreendê-los, considerando-os sem responsabilidade nem esclarecimento, sem má intenção em relação a ti. Mediante tal recurso os compreenderás e os perdoarás posteriormente, liberando-te .
Arrancada a causa injusta do ressentimento, despertarás de imediato em paisagem sem sombras, redescobrindo a vida e desarmando-te em relação às outras pessoas com quem antipatizavas ou das quais te mantinhas em guarda.
Ademais, o mal que te façam, somente te perturbará se o permitires, acolhendo-o. Em caso contrário, tornará à sua origem.
Vive, pois, sem mágoas. Depura-te. Ressentimento, nunca.
Joanna de Ângelis


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Reforma Íntima

No Espiritismo a Lei da Evolução diz respeito ao espírito. Este, ao terminar seu estágio na "FASE ANIMAL", ingressa no "REINO HOMINAL", sujeito à Lei da Reencarnação e ruma para outro estado no qual o ciclo das reencarnações muda de aspecto. Esta mudança se dá após a conquista do conhecimento relativo à fase humana e após o ENGRANDECIMENTO MORAL em que se automatiza o COMPORTAMENTO EVANGÉLICO.
A noção de REFORMA ÍNTIMA diz respeito à adequação do indivíduo às leis que nos governam, segundo seu grau evolutivo, que lhe permita crescimento harmonioso e efetivo no desenvolvimento de aptidões e na aquisição de virtudes, rumo às metas evolutivas.
Iremos abordar as questões atinentes à compreensão desses fatos, de maneira sucinta e introdutória, a fim de que, posicionada a questão, possa o internauta encontrar nela, GUIA SEGURO PARA OS DESENVOLVIMENTOS FUTUROS.
 Fonte: Comunidade Espírita
 

I - INTRODUÇÃO

..A noção de Reforma Íntima
..A necessidade de Reforma Íntima

..Reencarnação, simbiose e obsessão
..Amor e Sexo

..A Revelação
..A humildade

..Caridade
..A Prece

II - AS BASES DO TRANSFORMAR-SE

..1 - Allan Kardec estabelece as bases
..2 - Reforma Íntima em seis perguntas

..3 - O conhecimento de si mesmo
..4 - Como conhecer-se

..5 - O conhecer-se ... com o próximo
..6 - O conhecer-se pela dor

..7 - O conhecer-se pela Auto-análise
..8 - Faça sua Avaliação Individual

..9 - Conhece-te a ti mesmo
..10 - O egoísmo

III - O QUE SE PODE TRANSFORMAR INTIMAMENTE

..01 - Os Vícios
..02 - Fumar é suicídio

..03 - Os Malefícios do Álcool
..04 - Os Malefícios do Jogo

..05 - Os Malefícios da Gula
..06 - Os Malefícios dos Abusos Sexuais

..07 - Os Defeitos
..08 - Orgulho e Vaidade

..09 - A inveja, o ciúme, a avareza
..10 - Ódio, remorso, vingança, ...

..11 - Personalismo
..12 - Maledicência

..13 - Intolerância e Impaciência
..14 - Neglicência e Ociosidade

..15 - Reminiscências e Tendências
..16 - As Virtudes

..17 - Humildade, modéstia, sobriedade
..18 - Resignação

..19 -Sensatez, Piedade
..20 - Generosidade, Beneficência

..21 - Afabilidade, Doçura
..22 - Compreensão, Tolerância

..23 - Perdão
..24 - Brandura, Pacificação

..25 - Companheirismo, Renúncia
..26 - Indulgência

..27 - Misericórdia
..28 - Paciência, Mansuetude

..29 - Vigilância, Abnegação
..30 - Dedicação, Devotamento

IV - OS MEIOS PARA REALIZAR AS TRANSFORMAÇÕES

..31 - Um método prático de auto-análise
..32 - Como programar as transformações

..33 - Como trabalhar intimamente
..34 - Como desenvolver a Vontade

..35 - Transformação pelo Serviço ao Próximo
..36 - Auto-avaliação Periódica

..37 - Escola Aprendizes do Evangelho
..38 - O processo de mudança interior

..39 - O mecanismo das transformações íntimas
..40 - Tabelas, gráficos, quadros

V - ESQUEMA PARA APLICAÇÃO INDIVIDUAL, EM GRUPOS E POR CORRESPONDÊNCIA

..Esquema para aplicação
..Conclusão

VI - FUNDAMENTOS DA REFORMA ÍNTIMA

VII - RENOVANDO ATITUDES

VIII - DIRETRIZES PARA O ÊXITO

IX - REFORMA ÍNTIMA E PSICANÁLISE

X - COMO APROVEITAR BEM UMA ENCARNAÇÃO

XI - REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Homossexualidade e Orientação Psicológica

IDÉIAS CENTRAIS DO TEXTO:
 
A raiz do preconceito por alguém que tem uma outra orientação sexual explica-se pelo fato de não haver controle sobre o prazer dessa pessoa. A banalização do prazer heterossexual ou até mesmo a ausência dele, faz com que haja um desejo inconsciente de que esse alguém que não compartilha o mesmo desejo seja condenado a ser ainda mais infeliz, por sua orientação sexual e a maneira como busca o prazer. É uma forma de amenizar a própria insatisfação.O preconceito contra o homossexual espelha a incapacidade de lidar com a própria miséria afetiva, além de mostrar a vulnerabilidade da heterossexualidade; não que as pessoas estejam se tornando gays por tais fatores, mas que há, atualmente, um grande hiato no relacionamento entre homens e mulheres, e o mesmo acaba sendo preenchido com ódio contra todos que não seguirem determinado padrão. ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO.

Acho que poucos homossexais frequëntam sessões de terapia por temerem situações embaraçosas como um psicólogo que lhes proponha a conversão para a heterossexualidade ou que os trate como doentes mentais. A própria psicologia lidou de certa forma com preconceito e indignação perante o tema; o que historicamente só agravou o estado emocional do paciente. O homossexual precisa enxergar a terapia como uma forma de harmonizar seus interesses com os da sociedade e vice-versa, para assim otimizar a sua vida emocional e sexual. É uma forma de compreender e ser compreendido. Ninguém está certo ou errado. Os dois lados só precisam se entender na nebulosa e árdua tarefa da satisfação sexual, adotando um diálogo totalmente franco e radical no sentido de se alcançar maior segurança emocional, o que infelizmente não ocorre nas conversas corriqueiras do âmbito social. ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO.

Este texto têm apenas o caráter de reflexão, sendo que foi baseado na experiência clínica, não tendo nenhuma conotação normativa ou taxativa sobre o assunto. O enfoque será totalmente na homossexualidade masculina. A primeira conclusão do tema para a pessoa realmente honesta é como cada ser humano expõe sua parte homossexual propriamente dita, sendo um completo tabu a discussão de tal questão. Seja biológica ou psiquicamente, todos sabemos que possuímos traços masculinos e femininos que serão desenvolvidos e reforçados perante a tutela de um sistema de valores sociais. Obviamente o sistema vigente condena a prática homossexual e todo o desejo resultante da mesma, lançando estigma e culpa no mais alto grau perante uma pessoa. O interessante é notar como outras questões sexuais são absolutamente desprezadas ou negadas, apenas por não terem qualquer prova de que algumas fantasias sexuais, avançam a certeza de uma determinada escolha sexual. Um exemplo disto é o fato de que qualquer pessoa que já trabalhou com a questão da prostituição feminina, sabe que uma das fantasias preferidas pelos homens nos prostíbulos é ser dominado e estimulado via anal por uma mulher, sendo tal fantasia uma forma de realizar seu desejo de dominação pela mesma, seguindo o mesmo caminho ou trilha de uma prática parecida com a homossexual,através de uma maneira que não lhe recaia toda a culpa. Outra variante passiva é ficar extremamente dependente de um relacionamento, ou o ciúmes exacerbado. Se pensarmos em termos de relações e prazer, o homossexual não deixa de ser para o heterossexual, a nível simbólico, uma mulher ideal no imaginário masculino; alguém sem nenhuma culpa ou receio do prazer sexual, e que procura incansavelmente o mesmo; além do que, sexo é uma primazia, e não um jogo de sedução confuso e subliminar.Uma das raízes da repulsa, se encontra exatamente neste ponto, pela descoberta de que outra orientação sexual talvez esteja mais avançada ou ousada no tocante ao prazer.

Um dos grandes erros da compreensão da homossexualidade, foi justamente se concentrar no estudo das causas, se esquecendo de sua dinâmica. Pouco importa se o homossexual é alguém totalmente fixado na figura materna, como diz a psicanálise, desejando se tornar uma mulher, à fim de se identificar com a maneira pela qual sua mãe lhe proporcionou afeto e amor; ou então, a teoria de CARL GUSTAV JUNG, de que possuímos duas energias sexuais: anima( energia feminina no homem), e ânimus( energia masculina na mulher), sendo que a homossexualidade seria a sobrecarga de uma destas na pessoa. O fato em questão, é que o homossexual assumiu por completo seu desejo de alguém totalmente semelhante para a entrega sexual, estando totalmente enamorado de si mesmo. Necessita através do outro ver e reviver o prazer com o próprio gozo, mas não em termos masturbatórios, mas alguém que espelhe sua maneira peculiar de obter prazer. Aqui podemos falar do tão propalado conceito do narcisismo, embora a conotação que se dá ao mesmo é pejorativa, quando se trata da homossexualidade. O interessante é que ninguém critica a busca desenfreada pela beleza e estética, sendo que a mesma têm a mesma raiz de vaidade e narcisismo, se tornando um produto extremamente solicitado. Se pensarmos na tensão constante das relações entre homens e mulheres, teremos aqui não uma explicação para a prática homossexual, mas, uma reflexão de que para algumas pessoas a excitação se encontra em sua própria imagem projetada em outra pessoa.

O homossexual é representado via de regra como alguém que possui traços ou trejeitos femininos, sendo uma mulher travestida em um corpo masculino. Embora isto ocorra, temos de enxergar que nosso sistema de valores obriga tal fato, sendo que alguém que têm comportamento sexual diferenciado, deve representar tal papel. Assim sendo, se determinada pessoa adquirir um traço feminilizado, será de certa forma aceita em sua comunidade, já que será objeto de curiosidade ou entretenimento para os demais. Em determinadas culturas primitivas, a homossexualidade era tolerada desde que a pessoa exercesse as mesmas funções de uma mulher. Há uma tentativa de se imputar o papel irônico ou de deboche na escolha sexual, desviando a atenção da essência da questão. Logicamente estou falando da expectativa do preconceito vigente, jamais analisando como determinada pessoa deveria se portar. O fato é que a sociedade necessita vestir uma "saia" no homossexual, renegando por completo aquele ser que almeja seu gozo por pessoas do mesmo sexo. Então se conclui que um homossexual com características femininas é feliz pela alegria de sua opção, gay, que em inglês, significa alegre. Qualquer outra representação é vista como escondida ou carregada de conflito ou tristeza pura. O homossexual com traços masculinos é visto como uma pessoa que precisa viver eternamente como se tivesse cometido algum tipo de crime;também é visto como uma terrível ameaça, pois, é um homem comum que coloca em risco nossa certeza heterossexual, sendo que há um perigo extremo de que o mesmo possa despertar nossa curiosidade para outra prática sexual. Se pensarmos historicamente na cobrança pela sociedade de que o homossexual deva assumir sua condição, concluiremos que tal exigência têm o único intuito de rotulação e estigmatização, pois ninguém exige que um heterossexual assuma publicamente suas fantasias sexuais. Novamente falando em preconceito, o "assumir", possui para a sociedade o pretexto para a futura condenação e segregação.

A questão homossexual não deixa de ser uma das mais árduas batalhas por determinado tipo de prazer, sendo que a orientação para determinado gozo, implicará numa gama enorme de culpa e vergonha por tal iniciativa. A sociedade trata o homossexual como se o mesmo estivesse em um tribunal, tornando público seu mais íntimo desejo privado. O que mais incomoda, não é lidar apenas com a ironia perante a diferença, mas, principalmente o olhar de espanto e indignação. A questão que deveria ser objeto de debate e análise não é determinada prática sexual, mas quantos ainda conseguem investir afetivamente em determinado parceiro; quantos ainda são capazes realmente de amar uma pessoa. Para um melhor entendimento e compreensão da escolha homossexual, os pais deveriam ter em mente que jamais deveriam sentir culpa ou vergonha por um filho com uma outra orientação sexual, mas, que o valor real da criação e educação é a capacidade de uma pessoa ser independente; saber sobreviver e viver em nossos mundo; desenvolver potencialidades que a conduzam numa satisfação por sua criatividade e certeza de contribuir para uma melhora do coletivo em geral. O homossexual jamais pediu a benção da sociedade para seu gozo ou prazer sexual, mas, tão somente, que seu caráter jamais seja julgado por seu desejo. Este talvez seja o maior desafio para o presente e futuro das relações sociais.

Não deixa de ser curiosa a posição de quase todas as religiões contra a prática homossexual. Pois tal fato, além de contrariar um princípio básico bíblico: "amai-vos uns aos outros", sendo que não há referências hetero ou homoeróticas, mas sim o princípio genérico. O fato é que tudo isto esconde que dito mandamento jamais foi e será seguido, enquanto o próprio ser humano não perceber que sempre esteve preso no amor estritamente condicionado, seja à sexualidade, poder ou dinheiro. É uma extrema tolice achar que a homossexualidade é uma opção, pois, ninguém opta por algo que causa tanta consternação, mas, há uma mobilização afetiva e sexual, causada por fatores biopsíquicos e histórico pessoal de vida, que conduzem a pessoa para determinada excitação. Seria interessante uma vez na vida, as religiões tentarem verdadeiramente compreenderem outras formas de amor e prazer, do que a insistência em dogmas rígidos, que como disse antes, quase nunca são seguidos. a homossexualidade masculina é um tema que leva o autor para o fio da navalha: se escrever profunda e acertadamente também recairão sobre ele as suspeitas e preconceitos da sociedade. A melhor abordagem será mesmo tratar a homossexualidade como uma das variadas gamas da sexualidade humana.Precisamos entender que a natureza humana não pode ser comparada a prisão do condicionamento, como ocorre na vida de insetos ou outros animais, onde determinado comportamento sexual apenas serve à perpetuação da espécie. O prazer humano é questão totalmente distinta e singular,servindo a outros objetivos mais vastos, do que a simples reprodução de uma espécie. Assim sendo, a homossexualidade nos chama nossa atenção para que jamais nos esqueçamos desta dinâmica.

Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo - C.R.P: 31341/5

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eclipse Lunar

Um eclipse lunar é um fenômeno celeste que ocorre quando a Lua penetra, totalmente ou parcialmente, no cone de sombra projetado pela Terra, em geral, sendo visível a olho nu. Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos. É como se fosse um eclipse solar porém a Terra encobre o sol nesse caso.

Por isso o eclipse lunar só pode ocorrer quando coincidem a fase de Lua cheia e a passagem dela pelo seu nodo orbital. Este último evento também é responsável pelo tipo e duração do eclipse.

Fenômeno



O eclipse lunar ocorre sempre durante a fase da Lua cheia pois ela precisa estar atrás da Terra, do ponto de vista de um observador no Sol. Como o plano da órbita da Lua está inclinado 5° em relação ao plano da órbita que a Terra realiza ao redor do Sol, nem todas as fases de Lua cheia levam a ocorrência do eclipse.

O eclipse ocorre sempre que a fase de Lua cheia coincide com a passagem da Lua pelo plano da órbita da Terra. Este ponto onde a órbita da Lua se encontra com o plano da órbita da Terra chama-se nodo orbital. O nodo pode ser classificado como ascendente ou descendente, de acordo com a direção que a lua cruza o plano.
Ao contrário dos eclipses solares que são visíveis apenas em pequenas áreas da Terra, os eclipses lunares podem ser vistos em qualquer lugar da Terra em que seja noite no momento do eclipse. 




Classificação
Os eclipses lunares podem ser classificados de acordo com a parte da Lua que é obscurecida pela sombra da Terra, e por qual parte da sombra da Terra ela está sendo obscurecida.
A sombra projetada pela Terra possui duas partes denominadas umbra e penumbra. A umbra é uma região em que não há iluminação direta do Sol e a penumbra é uma região em que apenas parte da iluminação é bloqueada.
Os eclipses penumbrais ocorrem quando a Lua entra na região de penumbra, o que na prática resulta numa variação do brilho da Lua que dificilmente é notada. Se a Lua entra inteiramente na região de penumbra ocorre o raro eclipse penumbral total que pode gerar um gradiente de luminosidade visível, estando a Lua mais escura na região que se aproxima mais da umbra.
Quando a Lua entra na região da umbra, podem ocorrer os eclipses lunares parcial e total. O eclipse parcial ocorre quando apenas parte da Lua é obscurecida pela sombra da Terra e o total, quando toda a face visível da Lua é obscurecida pela umbra. Este obscurecimento total pode durar até 107 minutos e é mais longo quando a Lua está próxima de seu apogeu, ou seja, quando sua distância da Terra é o maior possível.
Um último tipo de eclipse lunar raro é denominado eclipse horizontal. Ele ocorre quando o Sol e a Lua, em eclipse, estão visíveis ao mesmo tempo. Este tipo de eclipse só é visível quando o eclipse lunar ocorre perto do poente ou antes do nascente. 

Aparência
A Lua não desaparece completamente na sombra da Terra, mesmo durante um eclipse total, podendo então, assumir uma coloração avermelhada ou alaranjada. Isto é conseqüência da refração e da dispersão da luz do Sol na atmosfera da Terra que desvia apenas certos comprimentos de onda para dentro da região da umbra.
Este fenômeno também é responsável pela coloração avermelhada que o céu assume durante o poente e o nascente. De fato se nós observássemos o eclipse a partir da Lua, nós veríamos o Sol se pondo atrás da Terra. 

Escala de Danjon 
O astrônomo André-Louis Danjon criou uma escala que veio a receber seu nome para classificar o obscurecimento durante um eclipse lunar. Esta escala vai de 0 a 4:
  • L=0: Eclipse muito escuro, a Lua se torna quase invisível durante a totalidade.
  • L=1: Eclipse escuro de cor acinzentada ou próximo do marrom.
  • L=2: Eclipse com cor vermelha. A sombra central é muito escura mas as bordas são mais claras.
  • L=3: Eclipse cor de tijolo. A borda da sombra é brilhante ou amarela.
  • L=4: Eclipse muito brilhante com cor alaranjada. A borda da sombra é brilhante ou azul. 

Ciclos de eclipse

Todos os anos ocorrem pelo menos dois eclipses lunares. A partir da data de um eclipse é possível prever os próximos através de um ciclo de eclipses como o Saros.

Eclipses lunares 2003-2015

Predições por Fred Espenak, NASA
Data Tipo Visível onde Duração
15 de maio de 2003 Total Américas do Sul e Central, Costa Leste da América do Norte, Oeste da África 53 min
9 de Novembro de 2003 Total Américas, Europa, África, Ásia Central 24 min
9 de Maio de 2004 Total América do Sul, Europa, África, Ásia, Austrália 1 h 16 min
27 de Outubro de 2004 Total Américas, Europa, África, Ásia Central 1 h 21 min
24 de Abril de 2005 Penumbra Américas, Austrália, Pacífico, Extremo Leste da Ásia 4 h 10 min (duração total do eclipse)
17 de Outubro de 2005 Parcial Canadá, Austrália, Pacífico, Ásia 58 min
14 de Março de 2006 Penumbra Europa e África 1 h
7 de Setembro de 2006 Parcial África, Ásia, Austrália, Europa 1 h 28 min
3 de Março de 2007 Total Todos os continentes 1 h 14 min
28 de Agosto de 2007 Total Ásia, Austrália, Pacifico, Américas 1 h 31 min
20 de Fevereiro de 2008 Total Pacifico, Américas, Europa, África 51 min
16 de Agosto de 2008 Parcial América do Sul, Europa, África, Ásia, Austrália 2 h
9 de Fevereiro de 2009 Penumbra Europa, Ásia, Austrália, Pacifico -
7 de Julho de 2009 Penumbra Austrália, Pacifico, Américas -
6 de Agosto de 2009 Penumbral Américas, Europa, África, Ásia -
31 de Dezembro de 2009 Parcial Europa, África, Ásia, Austrália. 1 h 02min
26 de Junho de 2010 Parcial Ásia, Austrália, Pacifico, Américas 2 h 44min
21 de Dezembro de 2010 Total Ásia, Austrália, Pacifico, Américas, Europa 3 h 29min
15 de Junho de 2011 Total África, Ásia Central, leste da Ásia, América do Sul, Austrália 03h e 39min
10 de Dezembro de 2011 Total América do Norte (enquanto a Lua se põe), Pacífico, Ásia, Oceania, leste europeu (enquanto a Lua nasce) 03h e 32min
4 de Junho de 2012 Parcial Ásia, Austrália, Pacífico, Américas 02h 07min
28 de Novembro de 2012 Penumbral Europra, África, Ásia, Austrália, Pacífico Norte -
25 de Abril de 2013 Parcial Europra, Ásia, África, Austrália 00h e 27min
25 de Maio de 2013 Penumbral Américas, África -
18 de Outubro de 2013 Penumbral Américas, Europa, África, Ásia -
15 de Abril de 2014 Total Austrália, Pacífico, Américas 03h e 35min
8 de Outubro de 2014 Total Ásia, Austrália, Pacífico, Américas 03h e 20min
4 de Abril de 2015 Total Ásia, Austrália, Pacífico, Américas 03h e 29min

Mais longo eclipse lunar total entre 1900 e 2010

Data Duração da fase total
16 de Julho de 2000 1h47m01s
6 de Julho de 1982 1h46m20s
27 de Julho de 2008 1h43m34s
26 de Junho de 2009 1h42m32s
4 de Agosto de 1906 1h41m48s
7 de Julho de 2007 1h41m29s
25 de Junho de 1964 1h41m25s
26 de Julho de 1953 1h41m22s
28 de Junho de 2001 1h41m16s
15 de Junho de 2001 1h40m52s
16 de Junho de 2006 1h40m49s
15 de Julho de 1935 1h40m16s
6 de Agosto de 1971 1h40m04s

O eclipse lunar total mais longo entre 1000 a.C.e 300 d.C ocorreu em 31 de Maio de 318. Sua fase total teve uma duração de 1h47m14s.

História

Os astrônomos da Grécia Antiga notaram que durante o eclipse lunar, a borda da sombra era sempre circular. Eles então concluíram que a Terra poderia ser esférica ou redonda!

Fonte: Wikipédia (texto e imagens)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A Terapia Pelo Perdão

O perdão cristão é um outro recurso terapêutico essencial no desenvolvimento da saúde espiritual.
Para entender o que é o perdão, nos moldes que Jesus pregava, e como ele pode ser utilizado terapeuticamennte, vamos estudar a Parábola do Servo Malvado, conforme anotações de Mateus no Capítulo 18, vv. 23 a 35:
Por isso, o Reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; e, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos. E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher, e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse.
Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
Então, o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.
Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem dinheiros e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.
Então, o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
Ele, porém, não quis; antes, foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.
Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara.
Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.
Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?
E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.
Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.
Façamos a exegese da parábola no contexto que estamos estudando: a saúde espiritual.
Temos um rei compassivo que, mediante o pedido de um servo que lhe devia dez mil talentos, uma fortuna, o perdoa de sua dúvida, e esse mesmo servo, utilizando-se de uma medida diferente da que acabava de ter recebido, exige de um conservo o pagamento de uma dívida de cem dinheiros, uma ninharia, comparada à sua própria dívida.
O conservo que estava na mesma situação em que o servo se encontrava diante do rei, solicita clemência, mas o servo o encerra na prisão, sem a mínima compaixão.
Os colegas do conservo o denunciam ao rei que, indignado, o entrega aos atormentadores, até que pagasse o que devia.
O símbolo mais interessante que Jesus utiliza nesta parábola são os atormentadores porque, de resto, ela é muito clara no sentido de mostrar que o servo malvado usa de dois pesos e duas medidas. Quando ele é o necessitado, clama por misericórdia; quando o outro é que está em necessidade diante dele, usa a crueldade.
O que são esses atormentadores a que Jesus se refere? Ele nos diz que o Pai Celestial nos tratará assim, se não perdoarmos. Se levarmos ao pé da letra, dá impressão que Deus irá nos punir, se não perdoarmos. "Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas".
Porém, não é isso que Ele quer nos dizer. Vamos analisar a questão no aspecto simbólico e psicológico. Deus criou a Lei de Amor, e todas as vezes que a descumprirmos, seremos entregues aos atormentadores que existem em nós mesmos.
Quando nos julgamos, condenamos e punimos, ficamos entregues aos atormentadores, chamados: remorso e culpa. Todas as pessoas que já experimentaram estes senntimentos sabem que são intensamente tormentosos, e que só desaparecerão quando nos propiciamos o arrependimennto, gerador do autoperdão.
A culpa nos faz sentir uma situação que requer tratamento. A consciência de culpa não seria uma consciência, mas uma pseudoconsciência, um processo de perversão da consciência.
Quando o indivíduo constata uma ação equivocada, ele tem dois movimentos: ou se fixa na conduta egóica, ou se fixa na conduta essencial consciente.
Ação equivocada na abordagem psicológica transpessoal significa todo ato de desamor, ou pseudo-amor (que tenta esconder o desamor), cometido contra si mesmo, outras pessoas ou seres, enfim, contra a Vida.
Quando cometemos um erro, estamos assumindo uma postura egóica. Essa atitude equivocada pode acontecer por ignorância, ou por desprezo ao que é correto, que continua, de uma certa forma, sendo ignorância: a do não-sentir. A pessoa já sabe que é errado, mas ainda não consegue sentir isso.
Errar, portanto, é ignorar, seja no nível do conhecimento ou do sentimento, o que está em conformidade com os princípios da lei de amor. 
Por exemplo, o mandamento cristão de "amar o próximo como a si mesmo" é facilmente entendível no nível do saber, mas dificilmente sentido e, por isso, ainda pouco vivenciado.
Toda atitude equivocada tem, no entanto, a sua conseqüência e sempre arcaremos com ela, pois deixa marcas em nossa consciência, que serão mais ou menos profundas, dependendo do erro cometido, conforme vimos na fase de arrependimento do Filho Pródigo.
Estudemos, detalhadamente, o movimento egóico relativo à culpa e o movimento essencial, para nos libertarmos dela.
Todo movimento egóico sempre tem duas polaridades: uma passiva e outra reativa. Na polaridade passiva, temos o desculpismo e na reativa, o culpismo.
O processo do culpismo é formado por três atitudes: julgamento, condenação e punição, que pode ser tanto de si mesmo, como dos outros.
Diante de um ato equivocado que possa ter cometido, a pessoa se autojulga, considerando a ação errada, por isso se autocondena e posteriormente se autopune, para sofrer as conseqüências de seu erro. Em algumas pessoas, seguindo-se à autopunição, existe uma quarta atitude que é de autopiedade, por se sentir uma coitada, sofrendo dolorosamente, sem perdão.
A mesma coisa fazemos com os erros dos outros: os julgamos, condenamos e punimos. Percebamos que este é um processo de pseudoconsciência e de pseudobilidade, pois a pessoa não muda, em nada, o ato praticado com este movimento.
O processo do desculpismo também é formado por três atitudes: julgamento, justificativa e irresponsabilidade.
Diante de um ato equivocado a pessoa se autojulga, considerando a ação errada, mas ao invés de se autocondenar, como no processo anterior, entra numa atitude de se autojustificar, buscando culpar outras pessoas, reais ou imaginárias, ou a sociedade, o governo ou, até, Deus pelo seu equívoco, assumindo uma conduta irresponsável, que a faz fugir do erro praticado, como se isso fosse possível.
Da mesma forma como no culpismo, podemos usar, também, o desculpismo com os outros; quando percebemos algum comportamento errado nas pessoas, justificamos o mesmo de forma irresponsável. Normalmente isso acontece com pessoas próximas a nós que dizemos amar, mas que, na verdade, envolvemos com pseudo-amor, conivindo com seus erros.
Percebamos que, com estes dois movimentos, o indivíduo se fixa na conduta egóica, mantendo-se na inércia do erro, numa postura rígida e improdutiva. Ao cultivar a culpa e a desculpa, ele aprofunda o movimento egóico.
Estes processos constituem um mecanismo psicológico que atesta a nossa inferioridade, resultado do orgulho e da preguiça. Porque toda modificação exige um esforço. Quando se cai, exige-se um esforço para se levantar, como vimos com o Filho Pródigo. Todo corpo precisa se esforçar para manter-se de pé. Ficar caído é mais cômodo. Além disso, causa nas outras pessoas uma comoção. Nessa postura de pseudo-amor, de autopiedade, a criatura recebe migalhas de afetividade.
Quem se culpa não assume a responsabilidade pelo conduzimento da sua vida. Constitui-se, num nível profundo, um movimento de fuga. É mais fácil sofrer e se sentir um coitado, do que tomar nas mãos a responsabilidade por construir a própria felicidade, pois isto só acontece com esforço pessoal.
Quando o indivíduo se culpa pelo equívoco, este processo acaba por inibir, intensamente, o Ser Essencial, formando uma espécie de anel energético em torno dele, impedindo a sua expansão.
Com isto a pessoa impede que os próprios sentimentos egóicos, que geraram a culpa, sejam transmutados, o que só ocorre através da expansão do Ser Essencial. Acontece, então, um círculo vicioso no qual a incidência nos equívocos leva à culpa, que ampliará as energias do ego, bloqueando o Ser Essencial, gerando uma culpa ainda maior.
Para nos libertarmos, tanto da culpa, quanto da desculpa, necessitamos cultivar o processo da ação responsável. Ele é fruto da observação amorosa, tanto de nós mesmos, quanto dos outros, pela qual nos responsabilizamos pelos nossos atos. Somente através do amor é que podemos nos libertar da culpa e da tentativa de fugir dela.
Vejamos como podemos proceder. A ação responsável é um processo de autoconsciência, composto das seguintes atitudes: responsabilização, arrependimento, auto-análise, aprendizado e reparação.
Todo ser humano é ainda imperfeito e, por isso, quando for realizar uma ação, sempre terá dois resultados: o acerto, ou o erro. O acerto, dentro da visão transpessoal, será sempre um ato de amor diante da vida, o erro, como vimos anteriormente, é um ato de desamor, evidente ou oculto, que acontece pela ignorância do não-saber, ou do não-sentir.
O culpismo é um processo de se tentar substituir um ato de desamor por outro ato de desamor, o desculpismo é a tentativa de substituir o desamor pelo pseudo-amor. Em ambos movimentos a conduta é pseudoconsciente e irresponsável.
A ação responsável é um processo de auto-exame consciente, propiciador do autoperdão. Inicia-se com a autoconsciência, na qual a pessoa irá observar-se para perceber os seus atos, classificando-os em acertos, quando estiverem em conformidade com a lei do amor, e erros, quando forem provenientes do desamor e do pseudo-amor.
Ao se perceber em erro, ao invés de entrar no julgamento, gerador do remorso ineficaz, proveniente da consciência de culpa, ou na tentativa infrutífera de fugir dela, o indivíduo tem uma atitude responsável, não de autoacusação, mas de perceber que foi ele que cometeu aquele ato e somente ele poderá repará-lo.
Após assumir a responsabilidade, segue-se o arrependimento, pois o erro praticado é um ato de desamor, portanto contrário às leis Divinas e, por isso, é necessário se arrepender de tê-lo cometido. 
Após se arrepender inicia uma auto-análise do erro, buscando examiná-lo, isto é, refletir sobre o motivo pelo qual cometeu aquela ação equivocada, o que o levou a agir com desamor, para poder aprender com o erro.
Percebamos, com isso, que o erro faz parte da didática divina, pois do contrário, Ele nos teria criado perfeitos para não errar. Se buscarmos sempre no erro cometido um aprendizado, estaremos evoluindo, tanto com os acertos, quanto com os erros. No final, o que conta sempre é a evolução do ser humano na busca da sua iluminação.
Após ter buscado aprender com o erro, é necessário iniciar ações de reparação. A ação responsável diante da vida exige que reparemos o desamor, transformando tal atitude em atos de amor.
Portanto, o autoperdão não é uma simples anulação do erro de forma fácil, como muitos pensam, mas uma ação consciente que requer responsabilidade, arrependimento, muita auto-análise, aprendizado, e reparação, buscando praticar ações amorosas diante da vida que vão substituindo, gradativamente, o desamor e o pseudo-amor que existem em nós, por amor, transformando as energias egóicas em energias essenciais.
Este é o movimento interno que propicia o autoperdão. Quem não se perdoa, carrega o fardo pesado dos atormentadores - chamados de remorso e culpa - desnecessariamente, como também, se não perdoa os outros, carrega o fardo pesado dos atormentadores - chamados de ressentimento, mágoa e ódio -, inutilmente. A vida se torna insuportável.
No entanto, se o indivíduo assumir a mansidão e a humildade preconizadas por Jesus, poderá se dar oportunidade de refazer o caminho, através do autoperdão:
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. ", Mateus, 11 :28 a 30.
Façamos uma analogia para facilitar o entendimennto destes três processos: culpismo, desculpismo e ação responsável.
Suponhamos que, a cada reencarnação recebêssemos do Criador, um canteiro com uma terra muito fértil, para plantar flores durante toda a nossa vida. Nascemos já com as sementes das flores, mas, ao invés de plantá-las, arranjamos sementes de espinhos e as semeamos, enchendo o nosso canteiro de espinheiros.
E vamos plantando os nossos espinhos, até que chega um dia em que olhamos para trás, e percebemos todo aquele espinheiro. Podemos ter três atitudes diferentes, diante daquele espinheiro.
A pessoa que cultiva o culpismo, devido ao remorso de não ter plantado as flores que deveria, simplesmente se condena a deitar e rolar no espinheiro para se punir, macerando o próprio corpo, de modo a tentar aliviar a consciência.
Aquela outra que cultiva o desculpismo, começa a dizer que foi o vento que trouxe as sementes de espinhos, ou que alguém entrou ali e os plantou, que ela não tem nada a ver com isso, etc.
Já, quem busca a ação responsável, ao perceber o espinheiro, assume tê-lo plantado, arrepende-se do fato, Mas, ela percebe que as sementes das flores continuam em suas mãos, e que pode começar a plantá-las, agora que está mais consciente. Ao mesmo tempo sabe que deve retiirar, um a um, todos os espinhos plantados e plantar uma flor no seu lugar. É verdade que, ao retirar os espinhos ela pode se machucar, mas é um processo diferente do ferimento voluntário e inútil, que acontece no processo de culpa. "Em verdade vos digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil".
Vejamos as três atitudes. Na primeira, de que adianta cravar os espinhos plantados na própria carne? O que acontece quando essa pessoa faz isso? Os espinhos diminuem de quantidade quando ela assim o faz? Esse é o mecanismo do culpismo, completamente inútil.
A pessoa tenta substituir os atos de desamor praticados à vida, com mais desamor para consigo mesma, achando que, assim procedendo, está se libertando. Ao contrário, está cometendo erros ainda mais graves, que a impedem de realizar os atos amorosos que necessita. Enquanto ela sofre, o espinheiro continua do mesmo tamanho e o canteiro permanece esperando o plantio das flores.
Já, aquela que finge que o espinheiro não tem nada a ver com ela, também posterga o despertar da consciência, que mais cedo ou mais tarde, irá se manifestar. Muitas vezes, por agir assim, continua plantando mais espinhos.
Percebamos que somente a última proposta é eficaz, é uma atitude proativa. Pois, ao assumir a responsabilidaade pelos espinhos plantados, arrepender-se e buscar substituí-los pelas flores, a pessoa realiza aquilo que o Criador espera dela: que ela cresça, tanto com os erros, quanto com os acertos.
Somente cultivando o auto-amor é que iremos evoluir, e não odiando a nós mesmos, no processo de culpa. Quem se auto-ama, se enche de felicidade, cultivando as flores de amor para embelezar a própria vida e a de outras pessoas, e todo o Universo se felicita com ela.
Essa proposta dá trabalho. Ser feliz é trabalhoso, por isso a maioria das pessoas cultiva a culpa e a desculpa. Mas, cedo ou tarde, todos despertaremos para esse mecanismo produtivo de auto-renovação, buscando, com o cultivo do amor e da felicidade, auxiliar o Universo a crescer.
Caso não queiramos nos dar ao trabalho da autorenovação pelo perdão, seremos tomados pelos atormentadores, chamados mágoa, ódio e ressentimento, quando julgamos, condenamos e queremos punir os outros devido a ações que possam ter cometido conosco. Ou pelo remorso e culpa, quando somos nós que erramos e aí nos autojulgamos, auto condenamos e autopunimos.
Esses atormentadores nos ferem intensamente, representando um grande ato de desamor, não só para os outros, mas, principalmente, para nós mesmos. Essa tormenta só cessará com o perdão às ofensas.
A medicina moderna coloca hoje, tanto o remorso, quanto o ressentimento, como grandes causadores de doenças físicas e emocionais como o câncer, depressão, ansiedade, pânico, mal de Alzhimer, dentre outras. São os atormentadores a que se refere Jesus, que estarão nos convidando, pela dor, a voltar ao amor do qual nos afastamos.
Voltemos a estudar, novamente, a história de vida da nossa amiga Maria. Percebamos que a principal causa da depressão - com todas as suas manifestações físicas e emocionais - que Maria sofreu durante 48 anos, na atual existência, foram os atormentadores da culpa e do ressentimento.
A culpa, devido ao abandono do marido e dos filhos. Essa culpa foi tão intensa, que a perseguiu após a sua desencarnação na vida anterior, e na atual encarnação, até os 48 anos.
O ressentimento foi desenvolvido por ela culpar o pai e a mãe pelas dificuldades que tinha passado na vida.
Somente após refletir que a única forma de se libertar desses atormentadores, era pelo perdão, é que ela começou a sua jornada de auto-responsabilidade, rumo à felicidade.
Por isso o perdão, tanto a si mesmo, como aos outros, representa um grande ato de auto-amor, pois nos liberta de todos esses sentimentos atormentadores.
Deus nos trata sempre com profunda compaixão como o rei tratou o seu servo -, nos permitindo a bênção das várias vidas sucessivas, para repararmos todos os nossos erros, até alcançarmos a perfeição relativa e O compreendamos em Espírito e Verdade.
Por isso é tão necessário o desenvolvimento da compaixão para nós mesmos e para com os outros. O sentimento de compaixão nos leva a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.
Se errarmos, queremos que nossos erros sejam compreendidos pelos outros. Da mesma forma, o sentimento de compaixão nos leva a aceitar os outros como são, com suas qualidades essenciais, e com seus defeitos egóicos, e a compreender que os seus erros, por se originarem no ego, são fruto da ignorância, assim como em nós.
Esse pensamento nos aproxima dos outros, nos colocando no mesmo patamar de humanidade, nos possibilitando o perdão aos outros, assim como nos propicia o autoperdão. 
EXERCíCIO VIVENCIAL: - A TERAPIA DO PERDÃO 
1. Coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes. 
2. Agora reflita sobre os atormentadores da culpa, do remorso, da mágoa, do ressentimento em sua vida. Você os cultiva de alguma forma? 
3. Agora reflita sobre como você lida com os movimentos da culpa e da desculpa. Qual deles é mais forte em você? 
4. Que ações você pode realizar para transformar esses movimentos? 
5. Que ações você pode implementar para desenvolver a ação responsável, trabalhando em seu dia-a-dia o autoperdão e o perdão aos outros, libertando-se dos atormentadores? 
6. Anote as suas respostas. 
Alírio de Cerqueira Filho