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terça-feira, 29 de março de 2011

Decisão de Ser Feliz

O pensamento divino concedeu-me liberdade de poder realizar todo bem que deseje.
Ser feliz ou desventurado é-me opção voluntária.
Sou escravo da Lei, que me enseja progredir sem interrupção no tempo.
O que eu sou ou o que serei, depende de mim.
A inspiração superior nunca me falta, porém sintonizar com ela será aspiração pessoal.
Construindo as estruturas existenciais na mente, torná-las-ei realidade no percurso carnal.
 



Empenha-te ao máximo para tornar tua vida agradável a ti mesmo e aos outros.
É importante que tudo quanto faças apresente um significado positivo, motivador de novos estímulos para o prosseguimento da tua existência, que se deve caracterizar por experiências enriquecedoras.
Se as pessoas que te cercam não concordarem com a tua opção de ser feliz, não te descoroçoes e, sem qualquer agressão, continua gerando bem-estar.
És a única pessoa com quem contarás para estar contigo, desde o berço até o túmulo, e depois dele, como resultado dos teus atos ...
Gerar simpatia, produzindo estímulos otimistas para ti mesmo, representa um crescimento emocional significativo, a maturidade psicológica em pleno desabrochar.

É relevante que o teu comportamento produza um intercâmbio agradável, caricioso, com as demais pessoas. No entanto, se não te comprazer, transformar-se-á em tormento, induzindo-te a atitudes perturbadoras, desonestas.
Tuas mudanças e atitudes afetam aqueles com os quais convives. E natural, portanto, que te plenificando, brindem-te com mais recursos para a geração de alegrias em volta de ti.
Todos os grandes líderes da Humanidade lutaram até lograr sua meta - alcançar o que haviam elegido como felicidade, como fundamental para a contínua busca.
Buda renunciou a todo conforto principesco para atingir a iluminação.
Maomé sofreu perseguições e permaneceu indômito até lograr sua meta.
Ghandhi foi preso inúmeras vezes, sem reagir, fiel aos planos da não-violência e da liberdade para o seu povo. 

E Jesus preferiu a cruz infamante à mudança de comportamento fixado no amor.
Todos quantos anelam pela integração com a Consciência Cósmica geram simpatia e animosidade no mundo, estando sempre a braços com os sentimentos desencontrados dos outros, porém fiéis a si mesmos, com quem sempre contam, tanto quanto, naturalmente, com Deus.

Quando se elege uma existência enriquecida de paz e bem-estar, não se está eximindo ao sofrimento, às lutas, às dificuldades que aparecem. Pelo contrário, eles sempre surgem como desafios perturbadores, que a pessoa deve enfrentar, sem perder o rumo nem alterar o prazer que experimenta na preservação do comportamento elegido. Transforma, dessa maneira, os estímulos afligentes em contribuição positiva, não se lamentando, não sofrendo, não desistindo. 

Quem, na luta, apenas vê sofrimento, possui conduta patológica necessitando de tratamento adequado.
A vida é bênção, e deve ser mantida saudável, alegre, promissora, mesmo quando sob a injunção libertadora de provas e expiações.
Tornando tua vida agradável, serão frutíferos e ensolarados todos os teus dias.

Joanna de Ângelis

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Terapia Pela Fé


Para que vivenciemos o amor, propiciador de saúde e bem-estar, é fundamental que desenvolvamos a fé. Não a fé na concepção religiosa, como estamos acostumados, pois houve uma deturpação do seu significado, ao longo do tempo. É necessária a fé, dentro de uma concepção verdadeiramente cristã.
A palavra fé tem sido mal utilizada. Atualmente tem sido usada mais como crença religiosa, em dogmas pré-estabelecidos, do que com a sua acepção original.
Por todo o Evangelho vemos Jesus sempre dizendo às pessoas que Ele atendia em alguma necessidade: "A tua fé de salvou". Vamos estudar, agora, porque Ele fazia isso.
Vejamos algumas passagens do Evangelho, em que Jesus nos convida a refletir sobre a fé que salva:
E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã. Mateus, 9:22
E Ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal. Marcos, 5 :34
Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora. Marcos, 10:52
Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz. Lucas, 7:50
E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou. Lucas, 17:19
Então, Jesus lhe disse: Recupera a tua vista; a tua fé te salvou. Lucas, 17:6
E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.
Agora, nos atenhamos a uma passagem do Evangelho que nos aborda, de uma maneira muito interessante, questões que hoje uma ciência relativamente nova, portadora de nome um tanto complexo, chamada psiconeuroendocrinoimunologia tem estudado, o potencial de auto-cura pela fé.
Essa passagem foi anotada por Lucas, no Capítulo 8, vv. 43 a 48:
E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada. Chegando por detrás dele, tocou na orla da sua veste, e logo estancou o fluxo do seu sangue.
E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele:
Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes:
Quem é que me tocou?
E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude.
Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado e como logo sarara.
Façamos a exegese desta passagem, para que possamos entender a sua profundidade como modelo de busca de saúde espiritual.
Vemos aqui uma mulher portadora de uma hemorragia uterina de doze anos de duração. Essa patologia ainda é comum até hoje e, na maioria dos casos, a medicina ocidental, quase dois mil anos depois de Jesus, com todo o seu avanço, tem como solução, a retirada do útero para cessar o sangramento.
Havia uma multidão em torno de Jesus e ela chegou por trás e tocou em Sua veste. Nesse instante o fluxo de sangue cessou. Realizou-se um aparente milagre. O que ocorreu naquele momento? A mulher mobilizou o seu potencial de autocura e utilizou as energias magnéticas amorosas, que Jesus possui em abundância, como instrumento de cura. Por isso Jesus disse a ela: "A tua fé te salvou".
Com certeza havia naquela multidão muitas pessoas doentes, necessitadas de cura para os seus males, e que tocaram Jesus. Tanto é que Pedro estranha a pergunta do Mestre: "Quem é que me tocou?", e diz que havia uma multidão o apertando e oprimindo e Ele estava a indagar:
"Quem é que me tocou?" Para Pedro, esse questionamento não fazia sentido.
Porém, fazia todo sentido e Jesus sabia disso e, com certeza, sabia também quem O havia tocado, mas faz o questionamento para dar a todos os circunstantes uma oportunidade ímpar de aprendizado, bem como para oportunizar à mulher exercitar mais a sua autoconfiança.
Alguém O havia tocado de forma diferente, "porque bem conheci que de mim saiu virtude", demonstrando que a Sua virtude estava disponível para todos naquele momento, mas que somente uma pessoa tinha conseguido absorvê-la na inteireza. Essa pessoa tinha conseguido absorver integralmente o Seu magnetismo curador.
E a mulher se revela amedrontada: " ... a mulher ( .. .) aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante Ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado e como logo sarara". Exerce, a partir do convite de Jesus, a sua autoconfiança, afirmando-se, supera o medo e faz a declaração para o aprendizado de todos.
E Jesus encerra aquele momento de sublime significado e aprendizado para todos nós, dizendo: "Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz". Primeiramente percebamos que Jesus não diz: "Eu te salvei"; ou mesmo: "Deus te salvou", mas "a tua fé te salvou". Jamais Ele disse que era Ele que salvava, como muitos cristãos de hoje vivem repetindo, numa crença cega de que, basta repetir várias vezes que Jesus salva e pronto, tudo vai acontecer de forma miraculosa.
Jesus fazia questão de chamar atenção da criatura para o fato da salvação depender dela, a criatura, e não dEle, ou de Deus. E que a condição para alcançá-la é a fé. Fazia isso para nos chamar a atenção para a nossa independência psicológica, e que somos livres de quaisquer questões externas.
Não dependemos de ninguém para exercitar a fé, para nos amarmos, nos perdoarmos, e seguirmos avante em nossa evolução; apenas de nós mesmos. Isto gera confiança em nós mesmos, na nossa capacidade de auto-renovação pelo amor.
Analisemos o que é fé. Etimologicamente a palavra fé vem do latim 'fides', a mesma que originou 'fidelidade'.
Ter fé é ter fidelidade à própria auto-renovação pelo amor, determinando a confiança na própria capacidade de autotransformação.
A fé, então, é o exercício da confiança em si mesmo, na Vida e na Providência Divina. É exercitar a capacidade, o poder de mudar a própria vida para melhor, com o auxílio das Energias Divinas. 
Por isso a fé mobiliza o nosso potencial de autocura, pois a nossa destinação é o amor, o bem, o belo, a saúde. Porém, é essencial que acreditemos nesse potencial para realizar a transformação interior e não fiquemos esperando, passivamente, como o restante da multidão que comprimia Jesus, por um milagre de fora para dentro.
Outra questão que nos chama a atenção na fala de Jesus é que Ele não dizia "A tua fé te curou ", mas "A tua fé te salvou". Qual a diferença do verbo curar para salvar. Vejamos que Jesus, como médico de almas, só poderia dizer "a tua fé te salvou", pois quando acontecia uma cura nesse nível que ocorreu com a mulher portadora de hemorragia, ela não acontecia no nível do corpo apenas, mas havia uma transformação em nível espiritual, que possibilitava uma ampliação da saúde espiritual.
Com certeza essa mulher, como todas as demais pessoas que Jesus oportunizou a cura, mais tarde voltou a adoecer, não necessariamente do mesmo mal, e terminou desencarnando, como acontece com todos os seres vivos.
Porém, aquele momento, no qual ela exercitou o seu potencial de autocura pela fé, permanece gravado em sua memória espiritual até hoje. Com certeza, jamais ela foi a mesma espiritualmente, a partir desse encontro com Jesus. E é esse o significado da salvação, muito mais do que uma simples cura de um corpo perecível.
A salvação é o próprio processo de busca de Saúde Espiritual, pois significa a iluminação do Espírito até a sua completa purificação. Não é algo que acontece após a morte do nosso corpo físico - como muitos cristãos propagadores da fé cega pensam -, mas um processo contínuo que ocorre no corpo, ou fora dele, pois diz respeito ao Espírito que somos, em processo de purificação e desenvolvimento das virtudes essenciais, das qualidades do coração, fazendo surgir o nosso Cristo Interno, até nos tornarmos puros Espíritos.
Para que possamos utilizar a fé na saúde espiritual e nos libertar da dor e das doenças, é preciso que as vejamos como dádivas divinas, conforme vimos no Capítulo 1, e que Deus permite que surjam para nos auxiliar a transformar o Espírito quando, por rebeldia, nos afastamos do amor, ao invés de vê-las como um estorvo, que devemos arrancar de nós a qualquer custo.
Voltemos a refletir sobre a história de vida de Maria.
Quem observa o relato de sua recuperação, pode ter a impressão falsa de que foi fácil, para Maria, se recuperar. Mas, não é isso que acontece. Para que Maria se recuperasse de todas as suas dificuldades foi necessária a mobilização de seu potencial de autocura, proporcionado pelo desenvolvimento, sobretudo, da autoconfiança, da crença que ela podia se curar e que essa cura dependia, basicamente, dela.
E foi isso que aconteceu. Maria acreditou em seus potenciais - como a mulher auxiliada por Jesus - e os mobilizou, com a ajuda do psicoterapeuta e, com toda certeza, com o auxílio maiúsculo de seu anjo de guarda e outros amigos espirituais e, sobretudo, com as energias amorosas de Jesus, disponíveis ainda hoje, como o foi no passado e, acima de tudo, de Deus, que está sempre à disposição o tempo todo, para todos nós. Maria soube utilizar bem todos esses recursos e conseguiu a saúde espiritual possível, neste momento de sua vida.
Porém, isso nem sempre acontece dessa forma. Aliás, grande parte das pessoas que buscam psicoterapia não obtém o sucesso que Maria obteve. Muitos apenas aliviam alguns sintomas, outros não movimentam nenhum recurso e continuam na mesma, fato que já tinha acontecido com a própria Maria, em outros tratamentos que havia feito.
Por que isso acontece? Porque a maioria das pessoas espera que a cura aconteça de fora para dentro. Querem que o terapeuta, ou o médico, as curem. E isso é impossível, pois o único poder que o terapeuta, ou o médico, tem é de auxiliar a mobilizar o potencial de autocura que existe na própria pessoa.
Atualmente há todo um movimento que, cada vez aumenta mais, em torno desse objetivo: a obtenção de uma cura fácil, que ocorra de fora para dentro.
Temos as pessoas que têm confiança na ciência e buscam a cura dos seus males nos médicos, nos remédios de última geração, cirurgias modernas e outros recursos que a medicina, e outras ciências da saúde, têm desenvolvido. Como já dissemos, esses recursos são extremamente valiosos, mas não têm poderes mágicos ou milagrosos, com os quais se produzirão, passivamente, a cura dos males, pois suas causas são espirituais e não estão no corpo perecível.
Temos outras pessoas, com fé na religião, que buscam a cura nas igrejas, templos, centros espíritas. As de crença católica, por exemplo, recorrem aos santos, através das promessas de todos os tipos. Outras, de crença evangélica, diretamente a Jesus esperando, passivamente, que Ele as curem, porque estão recitando versículos bíblicos e outras práticas evangélicas. Outras, de crença espírita, recorrem aos passes, ao auxílio de benfeitores espirituais, aos médiuns curadores, ou de efeitos físicos, que fazer cirurgias mediúnicas para se livrarem de suas doenças.
Não é nossa intenção estabelecer dúvidas com relação às crenças das pessoas. Sabemos que todas essas práticas, sejam no âmbito da ciência, ou na religião, são muito valiosas, desde que não sejam utilizadas como recursos miraculosos, que venham de fora para dentro para a libertação de males interiores. Esses recursos somente são úteis como elementos auxiliadores no potencial de autocura, na transformação pelo amor, fé, perdão, meditação e oração.
A psiconeuroendocrinoimunologia tem estudado os processos de autocura, isto é, como o psiquismo estimula o sistema nervoso, endócrino e imunológico a proceder a cura das doenças, ou a agravá-las.
As pesquisas têm sido mais intensas no campo da oncologia. Vamos estudar agora, como o desenvolvimento dos nossos potenciais de amor, fé, perdão, meditação e oração podem ser elementos altamente curadores no tratamento do câncer e outras doenças graves.
Imaginemos, para efeito didático, três pessoas diferentes com um mesmo tipo de câncer, com a mesma intensidade e que vão se submeter ao mesmo tipo de tratamento: uma quimioterapia de última geração, o melhor medicamento para aquele tipo de câncer.
A pessoa A tem uma postura passiva. Quando o oncologista lhe dá a notícia da doença, ela fica muito triste e desanimada diante da existência do câncer.
Quando ele diz que há um tratamento novo, de última geração, e que as esperanças de cura são boas, ela se conforma com a situação e fica aguardando a cura passivamente, colocando todas as suas expectativas no remédio poderoso. Como ela é uma pessoa religiosa, busca também a sua igreja e fica aguardando um milagre acontecer e que ela se livre da doença.
Após algum tempo, realizam-se novos exames e percebe-se que o câncer não progrediu, nem regrediu. Permaneceu estacionado. Ela se conforma e acha que está assim porque é a vontade de Deus.
A pessoa B tem um perfil reativo, e quando o médico lhe dá a notícia da existência do câncer, ela fica extremamennte revoltada. Acha que a sua vida acabou, mesmo quando o médico diz que as chances de recuperação são muito boas.
Quando o médico recomenda-lhe o tratamento com o medicamento potente recém-desenvolvido, pergunta sobre os efeitos colaterais, as reações adversas e outros problemas que advirão com o tratamento.
Acha que não vai adiantar nada e que o médico está, apenas, querendo enganá-la. Submete-se, a contragosto, a esse tratamento e, como já estava num estado de tensão diante das possíveis reações adversas, é exatamente isso que acontece. Ela tem mais reações com o medicamento do que a média de outros pacientes.
Alguns amigos recomendam-lhe que é importante, nessas horas, uma religião e encaminham-na a um Centro Espírita, bem orientado, para que possa receber passes e auxílio fraterno. Ela vai, a contragosto, porque não acredita "nessas besteiras", mas devido à insistência dos amigos, acaba pensando que, talvez, possa ajudar. Depois de duas semanas, deixa de ir ao Centro porque não adiantou nada.
Após o período da quimioterapia, o oncologista realiza novos exames e percebe que houve um aumento no tamanho do tumor, apesar do uso do medicamento e que isso não é usual.
A pessoa C tem um perfil mais equilibrado e proativo.
Quando o médico lhe dá a notícia da existência do câncer, ela fica chocada, mas logo se recupera. Pergunta quais são as possibilidades e quando o médico diz que as chances de recuperação são muito boas, com um novo tratamento recém-desenvolvido, ela diz que isso vai acontecer com ela. Que ela tem certeza que vai se recuperar totalmente.
Quando vai se submeter à quimioterapia, vê o medicamento como um poderoso auxiliar para que ela obtenha a cura. Imagina o medicamento penetrando no tumor, dissolvendo-o completamente. Tem confiança plena de que isso está acontecendo. As suas reações ao tratamento são mínimas, praticamente não existem. Quase não tem efeitos colaterais, a não ser um leve enjôo.
Ela, que já era uma pessoa religiosa, intensifica mais a sua busca de espiritualidade e religiosidade. Reflete sobre o significado daquele câncer em sua vida, torna-se uma pessoa mais humana, mais compassiva e amorosa, devido àquele momento doloroso de sua vida. Utiliza-se da meditação, da oração, principalmente nos momentos de dor e durante a quimioterapia.
Passada a fase da quimioterapia, quando novos exames são feitos, o tumor havia desaparecido.
A psiconeuroendocrinoimunologia tem descoberto, em suas pesquisas, que pessoas com perfil passivo têm maiores dificuldades de recuperação. Pessoas com perfil reativo, têm uma tendência a piorar e a ter maiores efeitos colaterais com o tratamento. Pessoas com perfil proativo são as que melhor se recuperam.
É importante entender que colocamos estes padrões para efeitos didáticos, e que eles não são estereótipos de pessoas, pois dificilmente encontramos pessoas rígidas, com um só perfil, mas com uma predominância de um determiinado perfil. O importante é saber que todos podemos desenvolver o perfil proativo, a partir de exercícios de nossa fé na vida.
Pessoas que fazem isso exercitam a sua capacidade de mobilizar o potencial de autocura. Utilizam a fé em si mesmas, na ciência, na Vida, em Deus, para ampliar as possibilidades de virem a se curar. Ampliam, com o seu movimento de vida, as chances de cura, e ela acontece.
As curas de câncer, e outras doenças graves, geralmente têm este padrão, no qual o tratamento é coadjuvado pela vontade de viver do próprio paciente. É a terapia da fé em ação, possível a todos os seres humanos, bastando que cada um utilize a autoconfiança para mobilizar os recursos curativos, existentes em todas as áreas e que estão à disposição de todos. 

EXERCiCIO VIVENCIAL: - TERAPIA PELA FÉ  

1. Coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes. 

2. Agora reflita sobre a história da mulher com hemorragia.Como você pode usar esse exemplo em sua vida? 

3. Como você busca a cura para as suas doenças: acreditando numa cura de fora para dentro, ou buscando se mobilizar pela vida e para a vida, desenvolvendo o seu potencial de autocura?

4. Anote as suas reflexões. 
Alírio de Cerqueira Filho

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Saúde do Espírito

Há UMA IDÉIA GENERALIZADA entre a maioria de nós de que a doença é resultado de forças exteriores, sejam biológicas como os vírus, bactérias, fungos, etc., químicas como os poluentes, aditivos alimentares, pesticidas diversos que consumimos junto com os alimentos, etc., enfim os vários elementos estranhos que convivemos no mundo moderno.
Há uma crença que esses elementos diversos penetram em nosso organismo e geram as doenças em nosso corpo físico. As doenças emocionais são vistas, geralmente, como pressões psicológicas e sociais externas, que geram o stress e adoecem a nossa mente.
Sem sombra de dúvida esses fatores são muito importantes na gênese das doenças, especialmente aqueles de origem ambiental como os poluentes a que estamos sujeitos e que maltratam o nosso organismo físico. Já os fatores biológicos, sociais e psicológicos são coadjuvantes no processo de adoecimento, conforme veremos a seguir.
Em uma visão profunda, a gênese da doença está centrada no ser espiritual, resultado de um desequilíbrio proporcionado por nós mesmos. A doença é o estágio final desse desequilíbrio, que começa no Espírito doente que ainda somos.
Analisemos, inicialmente, a gênese profunda desse desequilíbrio e a maneira pela qual estaremos desenvolvendo o equilíbrio.
Para compreender a origem do desequilíbrio é essencial que busquemos analisar a vida dentro de uma perspectiva espiritual, profunda. Primeiramente reflitamos sobre quem nós somos no Universo. Em que se constitui o ser humano neste Universo incomensurável? Qual é a finalidade da nossa existência?
Essas perguntas nos remetem à questão da nossa espiritualidade, que é fundamental que cultivemos, para adquirir a saúde. A doença é o resultado de um distanciamento do ser humano da própria espiritualidade.
Nós somos seres espirituais e temos transitoriamente um corpo físico. Somos, portanto, muito mais do que os nossos corpos físicos. As modernas pesquisas com as ciências naturais - como a física e a biologia - têm demonstrado que o corpo físico é apenas um reflexo do Espírito.
A saúde é o resultado natural da busca da própria espiritualidade, encontrar a nossa essência interior, o Eu divino que somos.
Fomos criados por Deus com essa finalidade: buscar a nossa essência interior para poder desenvolvê-la, evoluindo até chegar à plenitude do Ser, tornando-nos Espíritos puros, razão de nossa criação.
Toda as vezes em que nos distanciamos dessa busca, temos como resultado a carência interior, que estará nos proporcionando as doenças, que começam no Espírito que se distancia do seu Eu Divino, gerando para si mesmo conflitos existenciais que estarão lhe adoecendo a mente e o corpo.
O distanciamento de nossa essência divina vai nos distanciar de Deus, Fonte de Vida e Amor do Universo, processo que nos deixará extremamente carentes da energia da Vida, resultando em doenças as mais diversas.
Uma pergunta você deve estar se fazendo, caro internauta: o que nos leva a esse distanciamento?
Ele é resultado do materialismo, que acontece de duas maneiras: uma direta e outra indireta.
A forma direta é aquela bem evidente na qual a criatura se nega a crer que é um Espírito imortal e que existe uma Inteligência Suprema que organiza o Universo, resultando, com isso, numa extrema aridez interna, um vazio existencial enorme, pois, ao negar a Essência da Vida, a criatura inibe intensamente a sua energia vital e se torna profundamente doente.
Essa doença não está localizada necessariamente no corpo, pois existem pessoas vivendo de forma extremamente materialista e que ainda não adoeceram os seus corpos.
A doença se manifesta principalmente nas emoções, que as tornam sociopatas, isto é, pessoas que são um peso para a sociedade, pois são extremamente indiferentes ao que sentem outros seres humanos. A principal doença que elas tem chama-se egoísmo. Essas pessoas existem em todas as posições sociais. Há milhões de pessoas nessa condição.
A forma indireta é aquela na qual a criatura já crê que é um Espírito imortal e que existe um Deus velando pelo Universo, mas essa crença ainda é muito distanciada da concepção real do Criador e da finalidade da criação, resultando em uma prática de vida ainda bastante materialista, pois, as pessoas que agem assim, vivem para o mundo, buscando tudo o que diz respeito a ele, muitas vezes em detrimento de sua própria espiritualização. Estão centradas em fazer e ter coisas e não no Ser que são.
Lembram-se das questões espirituais somente em momentos específicos, nos quais estão praticando alguma ação religiosa, ou quando têm algum problema a resolver e pedem ajuda divina, muitas vezes em desespero, para que tenham os seus problemas solucionados por Deus.
São os espiritualistas materialistas, cuja postura de vida é materialista, apesar de aceitarem a idéia de que são Espíritos e que fomos criados por Deus.
Nessa postura aparentemente espiritualista, tem-se uma concepção humanizada de Deus, que deve ser buscado em ocasiões específicas, normalmente para resolver os nossos problemas. É como se Deus estivesse distante de nós e que precisássemos dEle em ocasiôes especiais, momentos em que nos colocamos em contato com Ele.
Nem sempre esse materialismo acontece de uma forma muito perceptível. Existem várias gradações desse proocesso: desde aqueles que vivem de forma intensamente materialista, apesar de já conceberem a espiritualidade, até aqueles sutilmente materialistas, pois, se analisarmos profundamente, perceberemos que já têm até uma visão mais racional de Deus, como acontece com muitos espíritas. Têm conhecimento da realidade espiritual, mas suas posturas no dia-a-dia e diante das dificuldades naturais da vida, ainda são materialistas. Não cultivam o hábito de confiarem na Providência Divina, conforme veremos adiante.
Temos também milhões de pessoas nessa condição, praticando aquilo que poderíamos denominar espiritualidade materialista. 

A saúde espiritual, no entanto, é resultado do cultivo da verdadeira espiritualidade que nos desenvolverá a religiosidade.
Para entender esse conceito é necessário que desumanizemos Deus. Em uma visão realmente espiritual e profunda, Deus é uma Grande Luz, Energia de Amor e Vida que organiza todo o Universo, que, por sua vez, está imerso nessa Grande Luz. Como parte do Universo, por nossa vez, também estamos imersos nessa Grande Luz. Então, estamos todos imersos na Luz Divina, nessa Grande Inteligência Criadora do Universo.
Há, por isso, da parte de Deus para todas as Suas criaturas, um fluxo de Amor e Vida constante que nos gera vida em abundância. Mas nem sempre usufruímos esse influxo Divino. Quando nos distanciamos do cultivo de nossa espiritualidade, através das posturas materialistas, explícitas ou implícitas, bloqueamos a nós mesmos, inibindo-nos as energias que nos vitalizam, e nos desligamos de Deus, apesar dEle nunca se desligar de nós, resultando numa carência profunda, a carência de Vida.
Fazendo uma analogia, é como se quiséssemos tomar uma ducha em um chuveiro e entrássemos debaixo dele portando um guarda-chuva e capa impermeável. A água está toda lá, abundante, mas não nos alcança, pois o guarda-chuva e a capa bloqueiam a água, impedindo que ela lave o nosso corpo.
Ao bloquear a nossa Essência Divina inibimos a nossa energia vital, impedindo a absorção da Energia da Vida, do fluxo do Amor e nos tornamos profundamente doentes, espiritualmente, fato que resultará, cedo ou tarde, em doenças da mente e do corpo.
A saúde do Espírito dar-se-á pelo cultivo da espiritualidade e da religiosidade. É primordial que busquemos nos identificar com o nosso Eu Divino para podermos nos religar a Deus e absorver o Seu Fluxo de Amor e Vida.
Quando nos identificamos com o nosso Eu Divino, entramos em comunhão com Deus e o Fluxo de Amor e Vida nos preenche plenamente, gerando saúde em abundância.
Para que desenvolvamos a Saúde Espiritual, buscando a nossa espiritualização e a conseqüente comunhão com Deus, temos três condições fundamentais a exercitar:
1 - Cultivar o sentimento de aprendiz;
2 - Cultivar o cumprimento do dever consciencial;
3 - Cultivar uma profunda gratidão a Deus.
Estudemos, agora, as três condições detalhadamente. A base da comunhão com Deus é o cultivo do sentimento de aprendiz. É essencial exercitar a aceitação de nós mesmos como Espíritos simples e ignorantes, que estamos no mundo para aprender, fomos criados para transformar a ignorância em sabedoria, através das várias vidas sucessivas, nas quais estaremos evoluindo até nos tornarmos Espíritos Crísticos, libertos de toda ignorância.
Para compreender melhor o significado do sentimento de aprendiz vamos fazer a exegese de um das passagens mais belas do Evangelho de Jesus, anotada por Mateus, em 11: 28 a 30:
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma.
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
Jesus diz "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei".
Podemos entender o "Vinde a mim" não da maneira como muitos acreditam, que seria, simplesmente, ir até a pessoa, o Homem chamado Jesus, aceitando-o como Mestre.
Isso, inclusive, cria uma idolatria, na qual a pessoa pensa que, apenas por adotar Jesus em sua vida, ela já será aliviada, conforme recomendam as religiões cristãs tradicionais.
Numa visão mais profunda, essa expressão significa Ir até o amor que Ele representa. Jesus é o maior modelo de amor, portanto, ir a Ele, é ir ao Amor. É desenvolver o amor por nós mesmos, o amor pela vida, pelo próximo, por Deus.
É um imperativo, a prática do amor, para que possamos fazer brotar o nosso Cristo interno. Somente o amor nos alivia do cansaço e da opressão causados por nós mesmos.
"Tomai sobre vós o meu jugo ... "
A palavra jugo tem vários significados. Podemos entender que neste contexto tem o sentido de poder.
Essa expressão, portanto, significa tomar sobre nós o poder do amor, desenvolvendo o poder de realização do amor para vivenciar a própria vida.
" ... e aprendei comigo"
Aqui Jesus faz um convite, fundamental para a saúde espiritual, para que tomemos a condição de aprendizes do Seu jugo. Ele é o Mestre por excelência, nós somos os aprendizes.
Qual é a condição do aprendiz?
É aquele que não sabe, que ignora, e que vai fazer muitos exercícios, tantos quantos forem necessários, até aprender a sentir e vivenciar esse jugo.
Para entender melhor, façamos uma analogia dessa questão puramente espiritual - que muitas vezes não entendemos o significado, devido à sua abstração - com uma pessoa que está iniciando a aprender a arte de esculpir em madeira, com um mestre-escultor.
O aprendiz observa o trabalho do mestre com toda a riqueza de detalhes, recebe a orientação dele e, a partir de um tronco de madeira, inicia os seus primeiros passos na arte de esculpir. Será que ele conseguirá fazer um trabalho igual ao do mestre-escultor? Com certeza não. No início ele mal consegue pegar no cinzel e na marreta. Irá realizar muitos erros, mas cada erro lhe ajuda a melhorar, a partir das orientações do mestre-escultor. Com o tempo vai ficando cada vez mais hábil. Até que se iguale ao mestre ou até o supere.
Mas, são poucos aqueles que permanecem perseverando até se tornar mestres-escultores. A maioria desiste no meio do caminho, nas primeiras dificuldades.
É a mesma coisa que acontece na vida. Temos a oportunidade de evoluir com os nossos erros e acertos, pois somos aprendizes do maior Mestre da Vida: Jesus. Quanto mais conscientes dessa condição, maior o aprendizado. Só que diferente de um aprendiz de escultura, na vida, mesmo que desistamos numa existência, como a Vida é infinita, temos toda a eternidade para nos tornarmos mestres, pois essa é a nossa finalidade maior.
À medida que aprendemos, tanto com os nossos erros, quanto com os acertos, vamos internalizando o amor, a mansidão e a humildade de Jesus, de modo a fixar, suavemente, essas virtudes em nossa memória até que possamos vivenciá-las em espírito e verdade.
Essa é a condição essencial para a conquista da saúde espiritual: cultivar o sentimento de aprendiz. " ... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". João, 8:32
" ... que sou manso"
Ser manso significa ser doce, meigo, suave, sereno, características marcantes em Jesus.
Psicologicamente a mansidão está ligada a dois sentimentos fundamentais: aceitação e compaixão. A aceitação vai nos permitir aceitar a condição de aprendizes incipientes que somos, com defeitos e qualidades.
Importante não confundir aceitação com acomodação. A acomodação é uma falsa aceitação, na qual a pessoa simplesmente "aceita" os seus defeitos e não faz nada para mudá-los. Os nossos defeitos são inaceitáveis, pois aceitá-los seria nos acomodarmos com eles.
A aceitação é uma virtude proativa, na qual aceita-se a própria insignificância enquanto aprendizes mas, ao mesmo tempo, trabalha-se para desenvolver a própria grandeza, aprendendo-se, gradativa e suavemente, a superar a ignorância. Aceita-se quem erra, mas sem aceitar os erros. Os erros provenientes de nossos defeitos devem ser analisados para gerar aprendizado e a reparação deles.
O movimento de auto-aceitação de como somos, com as nossas deficiências e virtudes, vai nos proporcionar a aceitação dos outros como eles são.
A compaixão gera a compreensão das dificuldades que ainda trazemos, hem como às dos outros.
Importante não confundir compaixão com pena, dó, comiseração. Embora em português essas palavras sejam sinônimas, psicologicamente têm significados diferentes.
A compaixão também é uma virtude proativa e, por isso, tem um aspecto positivo significando empatia, na qual temos para com as dificuldades, os erros nossos, ou dos outros, um sentimento de compreensão, gerando uma aceitação da pessoa que erra, sem, contudo, aceitar os seus erros, o que seria acomodação, como vimos acima.
O importante é compreender que os erros são fruto da ignorância e necessitam ser corrigidos, ao invés de punidos.
Já, quando temos sentimentos de dó, pena, piedade ou comiseração por nós mesmos, nos sentimos coitados por errar e criamos a máscara da autopiedade, ou tratamos os outros como coitados, como se para eles não fosse possível tomar a condição de aprendizes para superar o problema.
Esta postura é de pseudo-amor e não proativa, pois todos somos responsáveis pelas nossas ações e quando estas se encontram equivocadas, necessitam apenas ser compreendidas como fruto da ignorância, para posterior correção.
Conforme nos convida Jesus a ignorância deve ser substituída, com suavidade e leveza, pelo aprendizado, e não condenada. Essa é a postura do verdadeiro aprendiz.
Como aprendizes de mansidão, estaremos sendo convidados a fazer exercícios de aceitação e de compaixão para abrandar, suavizar, asserenar o sentimento de revolta, de rebeldia que trazemos em nós.
" ... e humilde"
Qual a importância da humildade?
A humildade também é uma virtude proativa, dinâmica, geradora da auto-aceitação, na qual reconhecemos as limitações que a nossa inferioridade ainda nos impõem, mas, ao mesmo tempo, trabalhamos para desenvolver os potenciais ilimitados que nos proporcionarão a evolução até a iluminação completa e nos tornamos Espíritos puros.
A humildade é a virtude que faz com que, ao mesmo tempo reconheçamos a nossa pequenez - pela nossa insipiência, pelo muito que temos a aprender - e a nossa grandeza - pelos potenciais que carregamos como Filhos de Deus -, possuindo cada Ser um Cristo Interno a ser desenvolvido: "Vós sois deuses", João, 10:34.
O exercício de humildade vai nos proporcionar a paciência e a perseverança para permanecermos na condição de aprendizes, até ter esse Cristo Interno completamente desenvolvido.
No entanto é muito comum, em virtude do orgulho que ainda nos caracteriza, assim que sabemos um pouco das lições, acreditar que já nos igualamos ao Mestre, ou achar que as lições são aprendidas muito devagar, o que nos leva a querer desistir.
Por isso é fundamental que façamos muitos exercícios de humildade, desenvolvendo sentimento de aprendiz, que ainda está muito distante da verdade que liberta.
A humildade é, ainda, a condição para que possamos sentir e vivenciar a mansidão, pois, sem ela não podemos exercitar a aceitação, nem a compaixão. O orgulho não permitiria que esse exercício fosse realizado.
Portanto, é necessário abrandar o orgulho através do exercício de humildade para nos tornarmos mansos, conforme vimos acima.
" ... de coração"
Hoje se fala muito de inteligência emocional, inteligência do coração. Aqui Jesus já coloca essa necessidade para o aprendiz, demonstrando a atualidade das sublimes lições do Evangelho.
Aprofundemos um pouco mais o estudo desta questão, buscando o que Ele quer dizer.
Jesus diz: "aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração".
Quando Jesus diz Eu Sou, significa que Ele é a expressão plena desses sentimentos, que Ele os têm completamente internalizados em Si mesmo, o que O leva a vivenciá-los plenamente, pois Ele integrou o saber e o sentir em sua inteireza.
Isso significa que para poder vivenciar as virtudes do amor, mansidão e humildade, bem como todas as demais, o aprendiz deverá superar três níveis de ignorância: a do não-saber, a do não-sentir e a do não-vivenciar.
O aprendiz vai encontrar na superação destes níveis de ignorância, diferentes graus de dificuldade.
O primeiro nível de ignorância é o mais simples de ser superado, pois está ligado à dimensão do saber, isto é, à função cognitiva, ao cérebro, à razão.
Quando não sabemos algo, basta estudar e tomar conhecimento, que passamos a conhecer.
Por isso, a maioria de nós, ainda acredita ser possível vivenciar as lições do Mestre apenas a partir do saber.
Nessa postura, por exemplo, decora-se o Evangelho e acredita-se que, por ter a mensagem na memória cerebral, ela será vivenciada automaticamente.
Em nossa ignorância, queremos vivenciar as virtudes com o cérebro, e não com o coração.
Se apenas decorarmos as palavras de Jesus, faremos belos discursos, porém, vazios de sentimento, sempre para os outros, pois não sentimos o que falamos com o coração.
É mais fácil saber com o cérebro, mas Jesus propõem de forma inequívoca: o parâmetro é o coração. Queremos ser mansos e humildes de cérebro e não de coração.
É claro que enquanto estivermos nessa postura, continuaremos ignorantes e não galgaremos, verdadeiramennte, a condição de aprendizes do jugo do amor.
No entanto, se refletirmos mais profundamente, perceberemos que a dimensão do saber é muito mais do que simplesmente decorar textos que exaram a verdade.
O saber é fruto do pensar. Portanto, não é possível saber sem refletir, meditar nas lições que estamos estudando. Somente assim poderemos senti-las em espírito e verdade.
" ... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", João, 8:32. Vemos neste versículo que não é o conhecimento que liberta, mas a verdade. Portanto, não basta conhecer a verdade; é necessário meditar sobre ela para que ela nos liberte.
Por isso a dimensão do saber, apesar de ser mais facilmente superada, não é tão fácil assim, pois pressupõem amadurecimento espiritual para conhecer e meditar sobre a verdade que liberta.
O conhecimento, através da função cognitiva, cerebral, é apenas o início do processo de libertação. É o alicerce da libertação, importantíssimo, mas não é todo o edifício.
Portanto, o verdadeiro aprendiz é aquele que se dispõem a superar todos os níveis de ignorância.
A partir do início da superação da ignorância do não-saber - que é muito importante, pois, como dissemos, ela é a base do edifício -, é fundamental que o aprendiz comece a exercitar a superação da ignorância do não-sentir.
Façamos uma analogia para perceber bem a diferença entre o saber e o sentir.
Imaginemos que estamos dentro de uma casa, com uma janela envidraçada toda embaçada, a observar uma manhã radiosa de Sol em nosso jardim.
Nós sabemos que o Sol está lá fora com toda a sua pujança, que os seus raios são mornos em contato com a pele, que ele gera vida em abundância, mas ao observar pela janela embaçada temos uma pálida idéia daquilo que sabemos.
Agora vamos sair da casa e nos postar numa cadeira em nosso jardim, sob o Sol, para sentir o seu calor em nossa pele. Estaremos, agora, sentindo em plenitude tudo aquilo que sabíamos que acontecia.
É essa a diferença da dimensão do sentir em relação ao saber. 
O vivenciar vem logo após o sentir. É estarmos integrados plenamente com a natureza em nosso Jardim, com tudo o que sabemos e sentimos.
A superação do segundo nível de ignorância é muito mais lento do que o primeiro, e é essencial que o aprendiz saiba disso.
Enquanto que, no primeiro nível, bastava exercitar a reflexão para tomar conhecimento da verdade, aqui é preciso realizar muitos exercícios para sentir as virtudes que queremos desenvolver.
Essa é a principal característica da dimensão do sentir, da função emocional. Os sentimentos superiores, como o amor, a mansidão e a humildade, ainda não fazem parte de nossa realidade essencial, de forma plena. O que estamos acostumados é com os sentimentos grosseiros ligados ao ego, tais como o desamor, a rebeldia e o orgulho.
Não é fácil desenvolver a dimensão dos sentimentos superiores, pois as virtudes, para o aprendiz ignorante, são, ainda, apenas nomenclaturas que definem um estado que ele ainda não sente em sua plenitude. Temos apenas vislumbres de amor, de mansidão e humildade.
É nesse ponto que o conhecimento da verdade, conforme disse Jesus, nos libertará, pois nos auxiliará a senti-la.
O conhecimento permite que façamos reflexões sobre o que representam essas virtudes para nós, e aí, passeemos a exercitá-las gradativamente.
A função cognitiva, racional nos auxilia a tarefa de modelar o Mestre Jesus e outros apóstolos de Sua vinha. Por observação e dedução, refletimos, analisamos como é ser amoroso, manso, humilde, enfim, como é ser virtuoso e, a partir daí, começamos a exercitar em nós mesmos a verdade que concluímos, permitindo-nos senti-la gradativamente.
Fundamental nesse processo tomar o jugo do Cristo, isto é, exercitar uma vontade firme e forte, direcionando-nos para aquilo que queremos; sentir e vivenciar a verdade que liberta.
É dessa maneira, de exercício em exercício daquilo que já sabemos, que passamos a sentir.
Por isso a conquista da dimensão emocional, no que lange à nossa evolução moral, é mais lenta do que a evolução intelectual, na dimensão racional.
À medida que sentimos, vamos superando o terceiro nível de ignorância: o do não-vivenciar.
A dimensão vivencial é realizada automaticamente a partir do sentir, pois é resultado da integração do saber e do sentir.
Gradativamente passamos a vivenciar o que sabemos, a partir do momento que sentimos, essencialmente, esse saber.
A razão unida com a emoção, gera a vivenciação.
O aprendiz, desta forma, alcança a sabedoria (a verdade que liberta), que é resultado da integração do saber, sentir e vivenciar.
Primeiro ele alcança a dimensão do saber a verdade, depois a dimensão de sentir emocionalmente a verdade, para poder entrar na dimensão vivencial da verdade.
Cultivar o sentimento de aprendiz é a condição para a criatura buscar essa sabedoria que acontecerá com os seus acertos e com o aprendizado a partir dos seus erros, nas várias vidas sucessivas no corpo físico, bem como na vida espiritual entre uma reencarnação e outra.
Esse processo acontecerá ao longo do tempo, permitido que o aprendiz de hoje se torne o mestre de amanhã. É claro que um amanhã ainda muito distante de todos nós, em conformidade com o que diz Jesus em João, 14: 12: .. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai".
Resumindo, temos então no aprendizado do jugo de Jesus - a busca da sabedoria.
Podemos representá-la com um triângulo eqüilátero, no qual o vértice da base esquerda representa a dimensão do saber a verdade, o vértice da base direita é a dimensão do sentir a verdade e o vértice do ápice, que se abre rumo ao infinito, a dimensão do vivenciar a verdade.
" ... e encontrareis descanso para a vossa alma" Praticando exercícios de amor, mansidão e humildade encontraremos descanso para a nossa alma.
Descanso não significa inatividade, mas serenidade no coração para realizar as ações necessárias ao nosso progresso. A inatividade não existe no Universo.
Precisamos asserenar os nossos corações das inquietudes, da ansiedade, da insegurança, da ausência da fé e confiança no porvir, enfim para confiar na Providência Divina, realizando a nossa parte no que se refere à previdência humana, isto é, buscar a harmonização essencial à nossa evolução. "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus", João, 14:1.
Essa é a condição para evoluir: dotarmo-nos de paciência e perseverança, para dar tempo ao tempo, permitindo-nos evolver nessas três dimensões, gradativamente, de forma suave e leve.
" ... Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" Com o jugo suave, a forma amorosa de viver de Jesus, exercitando a vontade para desenvolver as dimensões do saber, do sentir e do vivenciar, entraremos no movimento de superação de todas as dificuldades que nos torna a vida pesada.
Essa é a essência do cultivo do sentimento de aprendiz do Amor, a suavidade e a leveza, que faz com que suavizemos a nossa vida, desenvolvendo a saúde, nos tornando cada vez mais espiritualmente saudáveis e, mesmo que nos seja possível a libertação da doença, que já se instalou irreversivelmente em nossa mente ou no corpo físico, ela seja suavizada, o seu fardo seja leve, pois aprendemos a vivenciar o amor, a mansidão e a humildade, virtudes que nos tornam o Espírito imortal mais saudável e mais evoluído, razão de ser de nossa existência.
Estudemos, agora, a segunda condição para desenvolver a saúde espiritual: cultivar o cumprimento do dever consciencial.
O dever maior de todo Ser Humano é evoluir, pois Deus nos criou simples e ignorantes e nos deu a missão de evoluir até alcançar a pureza espiritual completa. Colocou em nossa consciência o instrumento gerador dessa evolução, que é o amor, o elemento direcionador de nossas vidas, pois o trazemos em nossa Essência, imagem e semelhança de Deus que somos.
É o amor que vai garantir que nos mantenhamos como aprendizes até desenvolver a maestria, pois, somente é possível evoluir através das experiências que serão acertadas ou equivocadas - aliás, inicialmente erramos muito mais do que acertamos. Somente depois de alcançar a maturidade espiritual é que gradativamente os acertos vão suplantando os erros.
Quando utilizamos o amor a direcionar as nossas vidas, nos felicitamos quando acertamos e seguimos adiante. Quando erramos é nosso dever nos felicitarmos com o aprendizado que obtemos com os nossos erros e seguimos adiante trabalhando pela sua reparação.
Este é o nosso dever consciencial: utilizar o amor como um norteador para evoluir em todas as circunstâncias, mas, nem sempre o utilizamos em primeira instância.
Por isso a evolução humana acontece através de mecanismos provacionais, quando aceitamos o convite do amor para cumprir com o nosso dever de evoluir, aprendendo tanto com os acertos, quanto com os erros e expiatórios, quando nos rebelamos na prática do dever e não queremos espontaneamente aprender com os erros, repetindo-os por rebeldia, ou quando não aceitamos a nossa insipiência e não queremos errar, num movimento de orgulho, como se fôssemos nos iluminar apenas a partir de um desejo, e não por exercícios árduos que acontecem ao longo do tempo, no processo de despertamento da consciência.
Estudemos mais detalhadamente os dois processos. A primeira opção que Deus nos facultará para evoluir será sempre pelo amor, constituindo-se, dessa forma, as provações.
Nessa situação estaremos passando por provas onde erraremos, ou acertaremos. Quando acertamos, interiorizamos a experiência e ascendemos. Ao errar seremos convidados a aprender com o erro e a repetir a lição, reparando-o.
Quando reencarnamos escolhemos a generalidade das provas. Isto significa trabalhar um gênero que nos faculte um êxito na escola da vida. Durante toda a nossa vida, onde quer que nos coloquemos na condição de escolha como encarnados, estaremos sendo convidados a agir conforme o gênero das provas que escolhemos.
Carregamos o gênero da prova impresso dentro de nós; é o propósito de nossa existência.
O Ser é senhor do seu destino. Suponhamos que alguém reencarne e peça o compromisso na área da saúde e nasça numa classe social menos favorecida, com condições de vida tais, que lhe dificultem o estudo. Ele pode levar a vida como lixeiro, catando lixo nas ruas, o que vai garantir a saúde, estará fazendo a higiene sanitária.
Pode, no entanto, se esforçar e buscar estudar um pouco e se tornar um auxiliar de enfermagem. Pode esforçar-se ainda mais, de uma forma tal, de modo a vencer os obstáculos que a vida material lhe impõem, estudar a ponto de realizar um curso superior e tornar-se um médico. Continuará na área da saúde, e acima de tudo vencendo obstáculos, aprimorando a sua inteligência e capacidade de superação das próprias limitações.
Pode esforçar-se um tanto mais e tornar-se um cientista e desenvolver vacinas, continuando a trabalhar na área da saúde, ainda mais produtivo.
Aonde quer que ele vá a Divindade, pelo seu esforço, pelo esforço do trabalho que ele desempenhou por si mesmo, vai lhe oportunizar formas de trabalhar na área da saúde, ampliando-lhe cada vez mais as suas possibilidades.
Tudo dependerá do esforço que fizer. O gênero de provas é trabalhar com a saúde. A forma como desempenhará essa prova dependerá de suas escolhas e do esforço que fizer para desempenhar o seu compromisso.
Nesse esforço de produzir o bem é claro que irá acertar e errar muitas vezes, mas, quem escolheu a via amorosa para evoluir cresce com ambos, pois não se detém diante dos erros, seja os lamentando num processo de culpa, seja os justificando através da desculpa. Simplesmente assume a responsabilidade por eles, se arrepende de tê-los cometido, reflete sobre eles para aprender e segue adiante, trabalhando ativamente para repará-los.
As doenças nos mecanismos provacionais surgem naturalmente no corpo físico, pois, como este é formado de elementos materiais orgânicos muito delicados, sofre uma contínua alteração como qualquer elemento material.
As doenças acontecerão naturalmente como parte do processo da vida no mundo material, pois estamos sujeitos tanto a ações de elementos físicos e biológicos do planeta, quanto à degeneração celular que acontece ao longo do tempo, elementos que terminarão por gerar doenças em nosso corpo físico.
Essas doenças naturais, quando são recebidas com amor, tornam-se suaves, não impondo obstáculos para a evolução do ser, mas fazem parte do contexto da vida num mundo material e ainda repleto de dificuldades como a Terra.
Faz parte de nosso dever consciencial trabalhar pela preservação de nossa mente e corpo físico, dentro de nossas possibilidades, sabendo que é impossível passar por uma encarnação num corpo físico sem doenças, crescendo sempre apesar delas.
Estudemos agora o mecanismo das expiações.
As expiações surgem devido à utilização inadequada de nosso livre-arbítrio, processo no qual queremos permanecer no erro e nos rebelamos contra as próprias Leis Divinas. Nessas situações a dor surge, criando para nós, as expiações.
Muitas pessoas acreditam que as expiações, pelo fato de serem dolorosas, são punições que Deus aplica às suas criaturas.
Na verdade Deus não pune nenhum de nós, pois, como disse Jesus, Ele é o Pai amoroso que está nos Céus. Como Pai amoroso Ele quer que todos os seus filhos evoluam.
Por isso o amor é a primeira opção de evolução. Deus sempre nos convocará primeiro à educação pelo amor. No entanto, se nos rebelarmos e não quisermos nos educar pelo amor, seremos convidados a nos reeducar através da dor, em mecanismos expiatórios corretivos, porque a evolução é uma Lei Divina da qual não podemos fugir.
Para entender melhor, façamos uma análise do significado da palavra expiação. O prefixo "ex" significa extrair de dentro, e "pia" quer dizer pureza. Expiar, portanto, é extrair a pureza que há dentro, na própria essência da criatura.
A expiação é o mecanismo que Deus criou para que possamos retornar ao amor, mais cedo ou mais tarde, fazendo com que desejemos nos purificar de nossos erros realizados por rebeldia, pois todo erro, por ser fruto do desamor ou do pseudo-amor, é um distanciamento do amor e da pureza que há em nossa essência e da comunhão com o Criador.
É um processo de reeducação pela dor, já que nos afastamos deliberadamente da educação pelo amor.
A expiação, portanto, será um mecanismo da vida que estará nos convidando ao amadurecimento, a refletir sobre as ações equivocadas que realizamos para, a partir dessas reflexões, canalizarmos as nossas energias em nossa reabilitação.
A expiação não significa, necessariamente, um sofrimento; é apenas um reconhecimento e um retorno ao caminho correto da vida, à Essência do amor. Ela sempre é dolorosa. O sofrimento surge quando o ser que está a expiar, se rebela contra a dor, fazendo com que ele se apegue à dor expiatória e desenvolva o sofrimento.
O objetivo da expiação é nos convidar, através da dor, a retornar ao amor essencial. Ela é acompanhada de uma energia que compromete a liberdade. A pessoa abre mão da sua própria liberdade. A expiação imobiliza a pessoa num determinado estado. Esta imobilização tem algumas propostas, dentre as quais podemos destacar a preservação da própria criatura.
Por exemplo: se a pessoa expia entrevada numa cama, impossibilitada do movimento físico, está sendo convidada a se manter naquela situação, aprendendo a valorizar a movimentação perfeita do corpo físico para praticar atos de amor.
Enquanto isso os seus inimigos desencarnados, que sofreram a ação de sua crueldade no passado, independentemente do comportamento que ela esteja desempenhando nessa situação, vendo-a dessa forma, se sentem saciados, por verem a sua dor. Eles afrouxam os laços que os unem. Por isso a expiação preserva a pessoa de seus perseguidores.
Em segundo lugar, ela tem outra função: pela dor que produz, que a pessoa deseje o contrário. Esse desejo de experimentar o contrário tende a levar a criatura a almejar um estado melhor. Então, uma pessoa que esteja imobilizada na falta de lucidez - como na idiotia, aprendendo a valorizar a inteligência -, nutre, em seu mundo íntimo, o desejo do retorno da lucidez. Uma outra que está presa à uma cadeira de rodas, devido à perda dos movimentos das pernas, deseja ardentemente o retorno do movimento. Quando está doente imobilizada numa cama, passa a desejar um estado de saúde.
As pessoas, nessa condição de expiação, nutrem um desejo de melhoria e são convidadas a um reconhecimento do estado natural da vida que Deus sempre nos faculta em primeira instância, que é o da saúde, da beleza, do bom, do belo. Isso é o que significa a reeducação pela dor.
Como a dor surge a partir do distanciamento do amor, natural que nos faltem as concessões amorosas da vida como a saúde, o afeto, o belo, para aprendermos a valorizar, pela falta, aquilo que não valorizamos na abundância. Por exemplo; quantas pessoas só valorizam um corpo perfeito quando têm uma doença grave, como um câncer, ou sofrem um acidente e perdem o movimento das pernas.
A dor da perda da saúde vai nos convidar a voltar ao amor para valorizá-la.
Por esse processo, a expiação está reorganizando a criatura, porque afasta, um pouco, os que estão vinculados a ela numa faixa inferior de conduta e permite que a criatura venha a anelar estados mais plenos e satisfatórios, aínda cumpre um papel de servir de exemplo para os que estão ao seu lado, permitindo a reflexão sobre a natureza da vida. Atende a todas as necessidades dos filhos de Deus, por isso Ele criou os mecanismos que permitem a dor.
Por último surge a necessidade da reparação que acontecerá numa próxima oportunidade de vida, depois que a pessoa tiver se reeducado pela dor, porque, durante o período de expiação, a sua liberdade de ação fica comprometida, impedindo-a, muitas vezes, de praticar os atos de amor necessários à reparação de suas faltas.
A expiação só tem essa finalidade reeducativa. Muitos, durante o período da expiação, não se reeducam e precisam retomar os mecanismos expiatórios, tantas vezes quantas forem necessárias, até aprenderem a valorizar o amor, o bem, o bom, o belo, a saúde.
Após se reeducarem são conduzidas novamente pela Vida aos mecanismos provacionais, nos quais estarão reparando, com atos de amor, o desamor praticado no passado.
É claro que há exceções à esta regra e existem muitas pessoas que, mesmo passando por expiações, têm o ensejo de praticar o amor, iniciando, desde já, a reparação pelo amor. Elas fazem com que as suas encarnações se tornem um misto de expiações e provas.
A reparação será realizada através de atos de amor.
Um gesto de amor é capaz de transmutar uma coletividade de gestos equivocados em nossa intimidade, por causa de sua força criativa. Então, cada gesto bom que fazemos, anula gestos equivocados do passado.
A anulação não é tornar positivo, é tornar neutro o que era negativo, para que a pessoa possa transmutar e tornar POSITIVO.
Sempre teremos três formas de vivenciarmos a vida: construindo, destruindo ou reconstruindo. A construção é a primeira oportunidade que Deus nos faculta. Se usamos essa oportunidade para destruir, a pós nos arrependermos, vamos expiar (reeducação), tornando neutra a destruição para posteriormente repararmos, isto é, teremos oportunidade para entrar no movimento de reconstrução energética daquilo que destruímos. Isso requer um tempo, pois reconstruir é muito mais difícil do que construir. A construção é o trabalho do amor, a reconstrução é a oportunidade de, por amor, reconstruir o desamor passado.
As provações (construção) são, como vimos, o primeiro mecanismo que Deus utiliza para a educação de suas criaturas simples e ignorantes. As expiações somente surgem quando nos rebelamos contra as leis da vida, destruindo as sagradas oportunidades de evoluir pelo amor. Mas como não podemos deixar de evoluir, surgem as dores expiatórias, as mestras severas que nos reencaminharão aos mecanismos provacionais.
As doenças, nos mecanismos expiacionais, surgem como uma necessidade de correção de nossas atitudes. Como nos rebelamos contra as Leis Divinas, que são manifestação do Amor, ficamos sujeitos ao desamor que existe em nós, que estará gerando doenças altamente degenerativas em nosso corpo, como o câncer, as doenças congênitas, as imunológicas, etc. e da mente, como as esquizofrenias, transtorno bipolar (psicose maníaco-depressiva), depressões graves, etc. para aprendermos a valorizar o estado de saúde.
Se valorizarmos a saúde, suavizamos as expiações; se continuarmos na rebeldia frente à vida, agravamos, ainda mais, a nossa condição, tornando o nosso sofrimento acerbo, até que nos disponhamos a uma maior docilidade, praticando o dever consciencial, exercitando o sentimento de aprendiz.
Estudemos agora a terceira condição para desenvolver a saúde espiritual: cultivar uma profunda gratidão a Deus.
Percebamos que esta terceira condição é uma decorrência natural das duas primeiras. Pois, como vimos, sentir-se um aprendiz é dar-se a oportunidade para aprender com as nossas experiências acertadas e equivocadas, praticando o nosso dever consciencial de evoluir até a nossa completa purificação.
A gratidão a Deus é exatamente o cultivo dessas duas condições, pois Ele nos criou para evoluir até a felicidade completa. Como Causa Primária de Todas as coisas, Grande Luz Criadora da Vida, Deus, dentro de uma análise profunda, não precisa de nossa gratidão, pois Ele está acima desse tipo de necessidade que é humana. Nós é que precisamos dela, pois, para sermos gratos, é essencial praticar o dever consciencial, tomando a condição de aprendiz para evoluir buscando, cada vez mais, o amor, do qual Ele é a Fonte Maior.
Quanto mais evoluímos, utilizando o amor nas provações, ou retornando a ele, nas expiações, mais expressaremos a nossa gratidão a Deus, pois foi para isso que Ele nos criou, nos oportunizando a vida para evoluir.
Para que esse processo aconteça é fundamental que vejamos a vida como uma dádiva, em qualquer circunstância que ela se apresenta para nós, seja na dor da expiação, seja nos convites do amor na provação.
Aceitar tudo o que nos acontece como uma dádiva é ainda muito difícil para nós, aprendizes insipientes que ainda somos, ou revoltados contumazes como ainda estamos.
Devido à nossa ignorância só acreditamos que são dádivas os momentos de alegria, de felicidade, de saúde, o relacionamento afetivo, nunca a doença, a tristeza, a dor, o abandono, etc. que são vistos, não como dádivas, mas como desgraças que Deus envia para nos punir.
Importante meditarmos sobre essa concepção e nos perguntarmos: será que Deus, essa Grande Energia de Amor e Luz Criadora do Universo, criaria mecanismos na vida para nos desgraçar? Ou essa concepção é uma compreensão equivocada da realidade da vida?
Reflitamos sobre essa questão. O que ocorre quando não aceitamos tudo que nos acontece como dádivas da Vida? Quando nos rebelamos contra ela por vermos os instrumentos de dor como desgraças? O resultado disso é o cansaço e a opressão que nós mesmos produzimos com as nossas escolhas, resultado do fato de nos distanciarmos do sentimento de aprendiz e de nosso dever consciencial, por não querermos aprender e evoluir com as dificuldades.
Esse distanciamento é gerado pelo desamor, rebeldia e orgulho, sentimentos egóicos que são a negação do amor, da mansidão e da humildade, virtudes cuja prática é a condição imprescindível para cultivar o sentimento de aprendiz e o dever consciencial.
Importante não confundir a resignação frente às dificuldades, com a acomodação em relação a elas. Na resignação, a pessoa aceita as suas dificuldades como dádivas de Deus, para que possa aprender algo e faz o possível para se libertar delas, a partir do momento em que o aprendizado vai acontecendo. Na acomodação, a pessoa se torna passiva diante da dificuldade e diz, passivamente, que está assim "porque Deus quer". E isso é uma inverdade. Deus não quer o nosso sofrimento. O que Ele quer é o nosso aprimoramento, seja pelo amor, seja pela dor quando nos afastamos do amor, mas que é a nossa destinação última.
Mas, quando recebemos uma dádiva da Vida, seja na forma de um recurso que nos chega, seja na forma de uma dificuldade que somos convidados a passar, como agimos normalmente levados pela nossa ignorância ou rebeldia contumaz? Tomados pelo desamor ficamos numa revolta surda contra a vida por acharmos que aquele recurso é insuficiente, que tínhamos que ter mais, que não merecemos só ter aquilo, etc. Quando é uma dificuldade que nos bate à porta, ao invés de meditar sobre a experiência e que aprendizado podemos ter dela, blasfemamos contra a Vida, contra Deus, contra tudo e todos, por estarmos passando por aquela dificuldade da qual nos achamos imerecedores.
Percebamos que, nestas posturas, estão muito vivos os sentimentos de rebeldia e orgulho. Nos rebelamos contra as dádivas da Vida por acharmos, orgulhosamente, que somos dignos de muito mais, ou que nunca deveríamos passar por dificuldades. A rebeldia e o orgulho fazem com que fiquemos sempre focalizando aquilo que nos falta e não o que temos. Nos apegamos intensamente ao que não temos, sem valorizar o que temos.
Quando é uma dificuldade, apegamo-nos a ela, sem perceber os recursos que trazemos para superá-la, e só enxergamos o problema, acreditando, muitas vezes, ser incapazes de solucioná-lo, novamente nos apegamos ao que nos falta.
Outras vezes esses sentimentos nos levam a compararmo-nos com as demais pessoas que têm mais do que nós, ou que têm menos dificuldades do que nós, prática que faz com que nos sintamos piores do que os outros que são os afortunados que Deus cobre de graças, e a nós, de desgraças.
Aonde tudo isso vai nos levar? O resultado de toda essa rebeldia é muito sofrimento desnecessário que nos agrava as expiações, ou transforma uma provação em expiação, por nos distanciarmos do amor.
Irá cumprir-se conosco aquilo que disse Jesus, anotado por Lucas no Capítulo 8, v. 18: "Vede, pois, como ouvis, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver até o que parece ter lhe será tirado".
Quando exercitamos o sentimento de aprendiz e o dever consciencial, praticando a mansidão e humildade de coração e somos gratos a Deus pelo que Ele nos oferece - porque é sempre o que necessitamos para o nosso próprio bem -, usamos bem as dádivas da Vida. Seja um recurso como a saúde de um corpo perfeito, o alimento em nossa mesa, moradia, recursos financeiros, mesmo que parcos, etc., que são empréstimos da Divindade para todos nós, para que os usemos para nossa evolução, mais nos será dado, como vimos anteriormente no exemplo da pessoa que tem como prova, trabalhar na área da saúde.
Ao contrário, quando nos rebelamos contra a Vida e usamos maios recursos que Deus nos oferece, distanciando-nos do amor, até o que parecíamos ter - pois era um empréstimo -, nos será tirado para aprendermos a valorizar aquilo que temos.
É nessa fase que surgem as doenças expiatórias por não valorizarmos a bênção de um corpo e uma mente perfeitos. Outras vezes é a ruína financeira, o abandono, enfim, ao nos rebelarmos transformaremos a nossa vida num martírio desnecessário, ocasionado pelo distanciamento do amor, agravando as nossas expiações ou provações, tornando-as causa de muito sofrimento, que não necessitaríamos passar, mas que, pelas nossas escolhas equivocadas, se faz acerbo até que resolvamos retomar ao amor do qual nos afastamos.
Portanto, as próprias dificuldades que temos são resultado dos abusos que cometemos utilizando os recursos dados por Deus. Se os usarmos bem para a nossa evolução, essas dificuldades serão suavizadas, pela fé, amor e confiança no porvir, virtudes que já trazemos como sementes em nossa essência e que são reforçadas em nós como dádivas de Deus para suavizar as nossas dores: "porque a qualquer que tiver lhe será dado".
Como percebemos, praticar as condiçôes para a saúde espiritual, apesar de ser perfeitamente possível, é difícil, devido à nossa condição evolutiva. Por isso a doença ainda faz parte de nossas vidas de forma tão dolorosa, gerando sofrimentos acerbos para muitos de nós.
Torna-se fundamental, portanto, criar as condições para exercitar o cultivo dessas três condições, de modo a, pelo menos, diminuir o nosso sofrimento, tornando a nossa vida mais suave e o fardo da doença mais leve.

EXERCíCIO VIVENCIAL: SAÚDE ESPIRITUAL
 
1. Coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes. 

2. Agora reflita sobre as suas ações buscando a espiritualidade. Como você tem realizado essa ação? Tem buscado desenvolver a verdadeira espiritualidade, ou tem tido um movimento de espiritualidade materialista? 

3. Agora reflita sobre as suas ações buscando a religiosidade. Como você tem realizado essa ação? Tem buscado se religar com Deus apenas quando tem algum problema, ou busca uma ligação constante com Ele, dentro das suas possibilidades? 

4. Como você lida com o sentimento de aprendiz? Você tem desenvolvido esse sentimento em sua vida? 

5. Agora imagine-se diante de Jesus lhe chamando: Vinde a mim, você que está cansado e oprimido, e eu lhe aliviarei. Como você atende esse chamado? Qual é o seu grau de cansaço e opressão? 

6. Agora reflita o que representa para você tomar sobre si o jugo de Jesus? O que representa se tomar um aprendiz do amor, da mansidão e da humildade de Jesus? 

7. Agora pergunte-se como será a sua vida a partir do momento em que você aceitar, plenamente, ser um aprendiz e começar a exercitar em espírito e verdade as lições de amor, mansidão e humildade de Jesus, vivenciando em você, plenamente, as suas lições de amor. 

8. Como você tem lidado com o cumprimento do dever consciencial em sua vida? 

9. Como você tem lidado com a Gratidão a Deus? Você aceita a vida como uma dádiva, mesmo nos momentos difíceis? Você busca diminuir o seu sofrimento e a sua dor, através do exercício do amor, da mansidão e da humildade de coração, ou tem se revoltado com os revezes que tem na vida? 

10. Anote as suas respostas.

Alírio de Cerqueira Filho