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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os Dervixes

"O RITUAL MAIS CONHECIDO DOS DERVIXES É O SAMA,
A CHAMADA ORAÇÃO EM MOVIMENTO, EM QUE OS FIÉIS
GIRAM POR HORAS ENTRANDO EM ÊXTASE PROFUNDO".


Também chamados de sufis, os dervixes são seguidores do Sufismo, vertente mística do Islã que surgiu no século 7 junto com a doutrina do profeta Muhammad. Inicialmente, os dervixes eram ascetas radicais, que abandonaram a vida material em nome de um completo aprofundamento na fé.
Só mais tarde começaram a se agrupar em irmandades, com características distintas entre si, mas sempre tendo por bandeira o crescimento interior como forma de integração com o Criador.
"Enquanto um islâmico comum pode orar a Deus por obrigação, o sufi tem por objetivo unir-se a Ele", diz sheik Muhammad Ragip, representante da ordem dervixe turca Halveti Jerrahi no Brasil. Segundo ele, porém, o fato de relegarem os aspectos materiais não os torna superiores.

"Cada um tem uma função destinada por Deus. O fiel que se preocupa mais com a matéria, mas segue o Corão, também será recompensado por Allah", afirma sheik Ragip.
Além do estudo do Corão, os dervixes têm várias práticas voltadas para o autoconhecimento e a conexão com o Sagrado. Um dos rituais mais conhecidos é o Sama, no qual os místicos giram duurante horas, atingindo um profundo estado de transe devocional.
No Sama, há orientações específicas quanto às posturas que o fiel deve adotar: por exemplo, deve-se girar apenas em sentido anti-horário, com a mão direita voltada para o céu e a esquerda para o chão - segundo crêem, dessa forma o poder de Deus o ritual mais conhecido dos dervixes é o Sama, a chamada oração em movimento, em que os fiéis giram por horas, entrando em êxtase profundo entra pela palma da mão direita, passa pelo corpo e então sai pela palma da outra mão, difundindo-se pela terra. 
Nem todas as vertentes, porém, executam o Sama da mesma forma.
''A cerimônia, assim como outros rituais sufi, pode ser adaptada conforme a orientação do mestre de cada linha", afirma Giselle Camargo, professora de Antropologia da Dança da Universidade Federal da Bahia e autora do livro Sama, Etnografia de uma Dança Sufi.
Seja como for, uma coisa é consenso entre todas as linhas: ao contrário de uma dança, na verdade o Sama é uma "oração em movimento". 
Entre os exercícios praticados por esses místicos estão ainda o zikr- repetição contínua dos nomes e atributos de Allah - e a prática da meditação. 
Carla Soares - Revista das Religiões

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Amadurecimento Psicológico

Jesus nunca se amesquinhou diante dos falsamente poderosos ou de classe e economia mais expressivas. Tampouco se tornou prepotente diante dos fracos e sofredores. A linha de equilíbrio entre o Seu interior e o exterior, demonstrou a sua Superioridade Moral, Espiritual e Intelectual, que o torna Modelo sob todos os aspectos para todos nós, exemplo de perfeita maturidade psicológica, porque plenificadora. 
 
O relacionamento interpessoal revela o comportamento dos indivíduos em função de si e dos outros. Nos primeiros tentames oculta a realidade, na grande preocupação da aparência. À medida que estreita os vínculos, a postura de guarda cede lugar ao relaxamento emocional e, a pouco e pouco, a máscara cai.
Esse fenômeno é resultado da aproximação que o tempo proporciona à relação.
Nas pessoas realizadas, saudáveis, a conduta permanece sem surpresas, porque há uma interação da sua vivência interior com a exterior, verdadeiro amadurecimento psicológico. Após o autoconhecimento, que propicia a autotação, explora-se o exterior, abrindo-se a experiências, a vivências novas e enriquecedoras. A linha do equilíbrio demarca a personalidade, sem excentricidades nem bruscas mudanças como ocorre entre a exaltação e a depressão. 
Quem assim age, encontra-se plenificado, irradiando esse estado de conquista como pessoa humana.
No comportamento alternado, em que o júbilo e a tristeza, a confiança e a suspeita, o amor e a animosidade se confundem, a falta do autodescobrimento, a imaturidade programam estados de instabilidade, de desdita, conduzindo a enfermidades emocionais que são somatizadas, reaparecendo na área orgânica com caráter destruidor.
Tais reflexos, no relacionamento, geram desequilíbrios que se agravam, na razão direta que se fazem desastrosos, empurrando suas vítimas para estados obsessivos-compulsivos ou depressivos. 
Na tua ânsia de crescimento experimenta a tua realidade íntima em confronto com a externa.
Não te permitas perturbar pelos indivíduos reagentes, que se encontram de mal com eles próprios e vomitam mau humor contra os demais. Permanece cortês, para que não seja o teu estado bilioso a dizer como te comportares.
Por tua vez, não te transformes em personalidade reatara, aquela que está sempre reagindo, quando poderia e deveria agir. 
A tua ação e reação traduzem como és interiormente, bem como sentes e vês em realidade o que se passa em teu íntimo.
Assim, não desperdices energias mascarando-te, antes aplica-as em contínuo trabalho de auto-aprimoramento, de crescimento interior até exteriorizares as conquistas em simpatia, cordialidade e amor.
Qualquer pretensão de modificar o mundo e fazê-lo girar como te aprouver é alucinação. Porém, se te dedicares à transformação íntima, que reflita em alteração de outros comportamentos para melhor, lograrás alcançar a verdadeira meta do amadurecimento psicológico.
Com esse aprofundamento no eu espiriitual, a saúde plena será tua amiga na grande proposta que te leva em busca de realização pessoal e humana.

Autora: Joanna de Ângelis

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Conhecer-Se Pela Dor

O CONHECER-SE PELA DOR
 
"Todos quantos sejam feridos no coração por reveses e decepções da vida, consultem serenamente a sua consciência, remontem pouco a pouco à causa dos males que os afligem, e verão, se as mais das vezes, não poderão confessar: se eu tivesse feito, ou se não tivesse feito tal coisa, não estaria nesta situação." (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V. Bem-Aventurados os Aflitos.)

A transgressão aos limites da nossa liberdade de ação, dentro do equilíbrio natural que rege as existências, é quase sempre por nós reconhecida somente através das consequências colhidas através dos efeitos das reações que nos atingem. A semeadura é livre, a colheita é obrigratória. "Quem semeia ventos, colhe tempestades." Pela dor retificamos as nossas mazelas do ontem longínquo ou próximo: de outras existências ou da presente vida. Indubitavelmente, os processos de sofrimento, nas suas mais variadas formas, provocam, na nossa alma, o despertar da consciência e a ampliação do nosso grau de sensibilidade, para percebermos os aspectos edificantes que o coração, nas suas manifestações mais nobres, pode realizar.


Quando enfermos, vítimas do nosso próprio desequilíbrio, sofremos os males físicos das doenças contraídas pela falta de vigilância, que abre nossas defesas vibratórias às investidas bacterianas no campo orgânico. É no tratamento e no restabelecimento da saúde que somos naturalmente levados a meditar sobre as origens e os motivos da doença. Se estamos conformados e obedecemos as orientações médicas, mais rapidamente nos recompomos; se, porém, somos inflexíveis e descremos da necessidade de mudar nossos hábitos, mais lentamente nos restabeleceremos. Quem passa por um período de tratamento, sente e sabe o que sofreu e, nem que seja apenas por autodefesa, toma certos cuidados, como mudar seus costumes, transformar sua conduta, para que não venha a ter uma recaída e, assim, sofrer as mesmas dores, repetir as experiências desagradáveis.

Realiza-se, desse modo, um processo de autoconhecimento com relação a alguns aspectos de nosso comportamento, de nossa forma de vida. Nessas ocasiões em que adoecemos, muitas vezes somos obrigados a permanecer imóveis num leito, semiconscientes ou sentindo dores dilacerantes, à beira do desespero, por vários dias. E quando recebemos o alívio confortador de uma vibração suave, transmitida por um coração amigo que nos cuida ou nos visita, como ficamos agradecidos! Como reconhecemos os valores aparentemente insignificantes dessas expressões de carinho! E quem recebe desperta em si o desejo de proporcionar a outros o mesmo alívio, o mesmo bálsamo. Amplia-se, assim, a nossa sensibilidade ao sofrimento do próximo, além do fortalecimento da fé na bondade do Criador e dos próprios corações humanos.
Quantas criaturas não se transformam radicalmente depois de uma grave enfermidade? Quantos não descobrem dentro de si os valores eternos do espírito, após terem sofrido longos períodos de tratamento ou perdas irreparáveis de entes queridos, após padecerem com dores morais, desilusões de caráter afetivo ou dificuldades materiais, que nos ensinam a valorizar as coisas simples da vida? Quantos que, estando à beira da morte, hoje valorizam a vida, praticando caridades e distribuindo carinho ao próximo?

As dores, sob qualquer forma, ensinam-nos profundamente a nos conhecer, a nos transformar, e, por mais que soframos, precisamos ter a disposição íntima de agradecer, porque no mundo de facilidades e de atrativos para os impulsos do ser imediatista e físico que ainda abrigamos, são as oportunidades que a dor nos proporciona, algumas das maneiras mais eficazes de transformação desse homem animalizado e insensível. Valorizemos a nossa dor, tomemos a nossa cruz e com ela caminhemos para a nossa redenção. 

Ney P. Peres

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Evolução Mental

A eclosão da mente é fato indiscutível nos arraiais da ciência espiritualista, perpassando a história dos povos, remontando a épocas longínquas. Rebuscando nas dobras do tempo e do espaço incomensurável, ser-nos-á fácil aceitar o impulso evolutivo de todas as criaturas, senão de todas as coisas.
A mente é uma fornalha de temperaturas variáveis, de conformidade com a evolução da alma, onde se purificam todos os sentimentos provindos dos mais secretos escaninhos do espírito. Ela é como um carimbo divino, que autoriza ou não que os impulsos do ser possam ser conhecidos, na dimensão espiritual e na faixa física. Os pensamentos que emitimos, ao escaparem de nós, se agrupam, por lei, aos seus semelhantes e, em muitos casos, voltam ao seu criador, como nuvens de abelhas retornando ao apiário a atormentar-nos, ou a abençoar-nos, dependendo da sua formação no laboratório da mente. 
O homem mais ou menos evoluído notará as qualidades dos seus pensamentos bem antes da formação das idéias, por perceber suas ondas nas profundezas de si mesmo, razão por que poderá modificá-los na fecundação do consciente em toda a sua estrutura engenhosa, aderindo a agregado energético das formas sentimentos altruísticos, que correspondem a todas as outras virtudes, fazendo assim um trabalho de mestre de si mesmo, agindo como cooperador do progresso espiritual. 
É fácil notar uma alma despertada para as reformas morais.
Basta um pouco de pesquisa, de psicologia, desde que não resvalemos para a crítica anunciada ao pé do ouvido, aderindo nela a mentira. A honestidade é o molde de grandes qualidades. A pesquisa, nesse campo, é somente para estudo individual. A pessoa, por muito que esconda, deixa passar, no que pensa, no que fala e no que vive, o que verdadeiramente é, e o resultado das nossas observações individuais muito nos servirá na auto-análise, tanto quanto na educação de que ainda carecemos.
A evolução da mente é lei universal, em todos os mundos. E a nossa participação é como acessório da mesma lei vigente em toda a criação. Aprendemos por ingentes esforços mas somente o que já se encontra feito ou descobrimos métodos estruturados na vida desde o princípio das coisas. A nossa parte é, certamente, a mais simples, no entanto, de grande eficiência para nós mesmos. 
A evolução requer esforço, dor e sacrifício. Seu roteiro é, na realidade, o que o Cristo deixou para todos nós, subindo o calvário com a cruz, e ainda nela sendo crucificado. Não existe outro caminho, a não ser quando aprendermos o amor verdadeiro, que começa a aparecer nos invisíveis pontos luminosos da mente, a refletir, na personalidade, como cortesia, amabilidade, tolerância, compreensão, caridade, bom senso etc. Eles poderão aumentar de tamanho, atingindo toda a área mental, tornando-se um sol, se o espírito passar a viver, por amor e alegria, as leis estabelecidas pela Inteligência Soberana, nosso Pai e Pai de todas as coisas criadas. Do contrário, a ignorância nos domina, a dor nos acompanha, e toda a sorte de problemas nos coage, até o tempo explodir nossas qualidades guardadas no seio da própria vida. 
Pensamentos negativos são notas dissonantes na harmoniosa orquestração da mente, e as boas idéias fortalecem o cérebro, revigoram os nervos, estendendo as bênçãos do bem em todo o complexo biológico. É hora de participarmos com mais intensidade da nossa evolução mental, procurando conhecer todos os horizontes da mente, para trabalharmos com proveito na grande construção do super-homem de amanhã. Começando hoje, com sutis toques de reformas de costumes, amanhã o trigo já estará maduro. Poderemos arrancar o joio, para novos e fecundos plantios. Esse é o impulso irresistível da evolução.
Avancemos. 
Espírito Miramez