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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Emissão dos Pensamentos

Toda mente tem um transmissor incomparável estruturado para emitir ondas longas ou curtas, metragem e microformas, com a sua linguagem específica, de acordo com as necessidades. Mesmo que queiramos, nunca conseguiremos parar de pensar, pois a mente é um dínamo sagrado ligado à suprema inteligência universal, pela qual flui, ininterruptamente, a vontade de Deus.
Procuremos analisar os pensamentos desde os seus princípios mais rudimentares, e notaremos que somente co-participamos, com muita eficiência, na sua engenhosa formação e transmissão de idéias. Contudo, quase somos realistas ao aceitarmos as nossas responsabilidades de ajudar na emissão dos pensamentos em direção aos nossos semelhantes.
Pensar é viver, e viver melhor é pensar conscientemente, fazendo o que nos toca com mais perfeição. A estupenda energia dos pensamentos cria formas admiráveis, alimenta uma gama de coisas sem precedentes, atuando em todas as linhas do metabolismo, harmonizando todos os mundos celulares, se sua formação congênita é o amor e a caridade em suas variadas extensões. 

O espírito é o centro energético de atividades imensuráveis, reguladas por leis justas, de modo a manter o corpo na mais perfeita harmonia. Ele emite para suas formas diversas correntes sutis, potencializando todo o agregado do soma, tanto quanto dos corpos de mais alta freqüência vibratória. A projeção é feita pela mente, ante os canais sustentadores da vida. Reflitamos sobre o bem ou o mal que poderemos fazer, no uso daquilo que é mais sagrado na nossa vida - pensar, emitir idéias, e estas se consubstanciarem em valores pelo verbo, e este se identificar pela escrita, onde poderá se transformar em fonte sublimada para a paz da consciência e o bem de todos os semelhantes. 
Vigiemos, pois, nossas emissões mentais. Todo esforço neste sentido é louvável, mesmo que não atinjamos totalmente a pureza desejada. Já é um pouco de luz a despontar no coração e na inteligência dos operários do bem, na reconstrução da personalidade envolvida no engano, por influência da ignorância, e para esse trabalho, divino por excelência, não é preciso nos reportarmos à puberdade do espírito, que está perdida na profusão do tempo e do espaço, porque a sua própria razão se esgota, quando tenta perceber a embriologia espiritual de si mesmo. 

Avancemos com os conhecimentos que temos em mãos. Eles nos dão, mesmo na sua simplicidade, meios para iniciarmos os primeiros passos na grande escalada infinita da evolução. A mente só cria, igualmente, imagens compatíveis com a sua própria estrutura espiritual, na formação do eu. O Pai não Se esqueceu dos estabilizadores, de modo que as voltagens etéricas surgem no cenário do cérebro, conectadas no volume justo a ser suportado pelo ser pensante. Daí, é que ajustamos essa idéia aos ensinamentos do Evangelho, que comenta, em certo trecho: "Não são colocados fardos pesados em ombros frágeis".

A massa encefálica é o topo da cruz humana, e nela se encrava um astro divino, que se manifesta, em parte, por acanhados sentidos; e as idéias oriundas dessa claridade semeiam vida por toda a lavoura biológica. E essa vida se expressa por escalas infinitas, de acordo com a sua maturidade, que é conhecida pelo que a alma pensa, pelo que faz, pelo que vive.  

A nossa mente atinge todo o corpo físico através dos pensamentos, que encontram seus reatores nos variados plexos, para depois acionar as glândulas responsáveis por todo o conjunto orgânico. Se as emissões dos pensamentos forem boas, todo o templo do espírito estará em paz. Se não, sofreremos, hoje ou amanhã, as nefastas conseqüências causadas pelas invigilâncias do inquilino do corpo.

Deveremos dar início, se não temos costume ainda, ao cultivo do amor, da alegria pura, das emoções superiores, da caridade e do perdão, da tolerância e da solidariedade para com todas as criaturas. Essas tentativas, por nós iniciadas, darão ensejo a um bom ambiente para a consciência interna nos ajudar a plasmar, no flóreo clarão divino que entra em nós, idéias de alta elevação espiritual, tornando-nos livres da velha sombra que nos acompanha há milênios, denominada ignorância.



Espírito Miramez

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Dentro da Luta

"Não peço para que os tires do mundo, mas que os livres do mal. " - Jesus. (João,17:15.)

Não peças o afastamento de tua dor.
Roga forças para suportá-la, com serenidade e heroísmo, a fim de que lhe não percas as vantagens do contato.
Não solicites o desaparecimento das pedras de teu caminho.
Insiste na recepção de pensamentos que te ajudem a aproveitá-las.
Não exijas a expulsão do adversário.
Pede recursos para a elevação de ti mesmo, a fim de que lhe transformes os sentimentos.
Não supliques a extinção das dificuldades. Procura meios de superá-las, assimilando-lhes as lições. Nada existe sem razão de ser. 

A Sabedoria do Senhor não deixa margem à inutilidade. O sofrimento tem a sua função preciosa nos planos da alma, tanto quanto a tempestade tem o seu lugar importante na economia da natureza física.
A árvore, desde o nascimento, cresce e produz, vencendo resistências.
O corpo da criatura se desenvolve entre perigos de variada espécie.
Aceitemos o nosso dia de serviço, onde e como determine a Vontade Sábia do Senhor.
Apresentando os discípulos ao Pai Celestial, disse o Mestre: - "Não peço que os tires do mundo mas que os livres do mal".
A Terra tem a sua missão e a sua grandeza, libertemo-nos do mal que opera em nós próprios e receber-lhe-emos o amparo sublime, convertendo-nos junto dela em agentes vivos do Abençoado Reino de Deus. 

Emmanuel - Fonte Viva

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Terapia de Casal (No Final ou Recomeço da Relação)

"É um mito o pensamento de que um casal poderá superar seus conflitos sem intervenção de alguém; e é trágico quando negam sistematicamente qualquer tipo de ajuda. Muitas vezes, o casal teme a terapia achando que acontecerá uma "lavagem de roupa suja". Porém, isto não é a essência do processo, sendo que é muito mais importante o percebimento de que o tempo não é necessariamente fator que destrói a relação. A terapia não só pode conduzir a uma mudança de conduta, mas também levar à uma nova fase de redescoberta do prazer de estar com o outro; é o teste quase que definitivo sobre a indecisão ou certeza dos sentimentos perante o parceiro, sejam positivos ou negativos.No final é a consciência do que ambos podem ou não conseguir dividir. Apenas deve se ter cautela para que a terapia não seja a desculpa para acabar com o casamento; já que talvez um dos dois parceiros tenha essa certeza e não queira carregar o ônus da ação, transferindo para o terapeuta a responsabilidade". (ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO)

Criada após a metade do século vinte, a terapia de casal é um dos instrumentos mais dinâmicos de toda a psicologia; talvez por esse motivo não tenha sido estudada com a consistência que lhe é devida. A prática profissional prova que a terapia de casal é a especialização mais dolorosa e difícil tanto para o psicoterapeuta como para as partes envolvidas. Obviamente isto decorre do dinamismo de um casal e toda a dificuldade do relacionamento conjugal de nossa era, que é modificado toda vez que ocorrem mudanças sociais, como por exemplo: a independência econômica da mulher no século passado. Pensar qual modelo de casamento é reinante em nossos dias é a chave para a compreensão profunda da relação. A tarefa básica do psicólogo na terapia de casal é primeiramente não cair na armadilha da sedução dos parceiros, com a finalidade de cada qual se inocentar um pouco mais do que o outro acerca da responsabilidade pela situação de desgaste da relação. Podemos inferir inclusive de que quando alguém é presa do desejo citado de se inocentar, isto é a prova máxima de que tal pessoa não almeja realmente o esquecimento das mágoas passadas, esmiuçando a disputa de poder ao ponto máximo e culpando o outro pela morte da relação. O terapeuta é investido no modelo de juiz, e é quando o mesmo deve tomar a máxima precaução para não ser afetado, assinalando para ambos que estão presos pela culpa e disputa, ao invés de discutirem a carência e histórica solidão a dois. Esta última é a prova não apenas da incompletude da relação, mas também de que o modelo mental de ambos pode estar direcionado à apenas "amar aquilo que não se têm", ou que o parceiro não proporcionou. Isto é a reprodução afetiva do modelo social vigente de eterno consumismo e sensação de vazio interior. Perceber o que conquistamos com o outro, não é apenas uma ação de boa vontade, mas o estabelecimento inicial da justiça pessoal e do relacionamento. 

Cada cônjuge deve repassar a história de sua vivência emocional, sendo que geralmente ambos contam que a carência reinava absoluta antes do casamento, embora o desejo sexual fosse intenso; após o mesmo houve uma inversão, o desenvolvimento do tédio e desejo de se ver livre das amarras afetivas, sendo que ambos não admitem usar a palavra "enjoei", ou, me sinto "cansado" diariamente da convivência. Cabe ao terapeuta alongar tal discussão. Se determinada pessoa sempre encarou uma relação como um objeto a ser conseguido como um "troféu", obviamente o tédio não irá demorar a aparecer. Mas se analisarmos a estrutura mental do ser humano iremos descobrir que o mesmo se apega a determinados gostos, sejam: alimentares, diversões, conceitos ou ideologias. Há picos de aumento ou recrudescimento perante tais desejos, sendo que geralmente permanecem com a pessoa no transcorrer da vida. O fato que desejo ressaltar é que uma pessoa terá tendência maior para o tédio se sua personalidade estiver presa no conceito abstrato citado acima de sempre desejar aquilo que ainda não possui. Não almejo aqui a descoberta de um artifício mental para que a relação não se acabe seguindo normas religiosas, mas, a reflexão profunda de que principalmente no relacionamento afetivo é que observamos a falta de tranqüilidade, honestidade e continuidade do prazer, ao contrário de qualquer outro gosto pessoal que possuímos. Cabe neste ponto ao terapeuta assinalar que quando isto ocorre é porque os elementos competitivos disfarçados muitas vezes de ciúmes começam a inundar por completo a vida do casal. Nada desgasta mais um relacionamento do que o cansaço decorrente de anos de disputa de poder. 

A monotonia que todos se queixam que se alastra no decorrer do casamento, muitas vezes é um mero pretexto para que ambos não reflitam que seus intentos de moldar o outro simplesmente fracassaram. Se pensarmos do ponto de vista histórico e sociológico chegamos à conclusão de que nossos pais ou antepassados fizeram de tudo para preservar o casamento, inclusive aceitando a plena infelicidade e insatisfação; hoje se nota que boa parte da energia é direcionada para a destruição completa da relação. O terapeuta também deve estar alerta para o sentimento de raiva do casal por ter de assumir a incapacidade de resolver a situação conjugal e necessitar de ajuda externa. Boa parte das terapias de casal fracassam pela não conscientização deste aspecto. A aceitação da ajuda implica no resgate pelo casal da capacidade de dividir novamente. Num primeiro momento se deve compartilhar a responsabilidade pelos problemas apresentados, para que mais na frente o prazer possa ser o elemento chave a ser desfrutado. O elo negativo que deve sempre ser cortado é a ausência de um ou ambos dentro da relação como um todo. ("estou aqui, mas não irei acompanhar"), esta é a mensagem inconsciente e consciente que acompanha todo casal com distúrbios em sua afetividade. 

Problemas na questão sexual ainda são um dos fatores que mais contribuem para uma separação. Porém, existem casais que nessa área tem um nível extremamente satisfatório, mas outros fatores de tensão acabam por diluir a relação. Muitas linhas psicológicas sempre observaram que uma separação pode ocorrer após um "inesquecível" ato sexual que até então nunca ocorrera. Esta situação sempre foi analisada como uma espécie de "despedida", o que é um grande equívoco, pois a mensagem subliminar é fazer com que o outro fique preso de uma saudade corrosiva, pois naquele momento provou que poderia satisfazer por completo suas necessidades, sendo que o parceiro jamais se esquecerá da pessoa. Aqui temos uma prova máxima do elemento destrutivo de um relacionamento e a inevitável separação, que advém da certeza de que o companheiro possui todo o aparato para prover prazer e satisfação, mas sistematicamente se recusou a efetuar tal tarefa. A possibilidade para se evitar tal processo é a procura da liberdade perante determinadas emoções negativas.

Cultivar o desejo de reparação ou responsabilizar o outro pela infelicidade pessoal é a mais pura demonstração de ódio e vingança. Deveríamos sentir orgulho cada vez que acordamos sem culpar ninguém por nossa insatisfação crônica. A questão é: quanto tempo se consegue manter tal postura? A libertação do ódio passa necessariamente por deixar livre o parceiro, não sentindo absolutamente nada após a constatação de que a relação se tornou problemática. Este conceito parece um tanto absurdo, mas é necessária a reflexão de dito parâmetro, pois a ausência do prazer é a porta escancarada para todo o tipo de rancor e mágoa perante outra pessoa. A verdadeira terapia de casal é a disciplina do recomeço, pois o obstáculo quase que intransponível para qualquer tipo de acerto é o peso da lembrança negativa e seu cultivo diário. É fundamental a conscientização de que quando procuram a terapia de casal o relacionamento já acabou por completo. A função das três pessoas envolvidas não é uma ação baseada em dogmas religiosos de reconciliação, mas, a averiguação honesta e sincera da vontade de recomeçar de outra forma. Avaliar o valor do outro e nova possibilidade de troca é muito mais importante do que navegar constantemente numa idealização de prazer que ainda não foi possível obter. 

 A honestidade acerca da vontade de se tentar algo é tarefa que deve ser encarada profundamente. A cautela é necessária quando se confronta o conceito de "valer a pena", com processos psíquicos que podem arrastar o indivíduo à solidão e incapacidade de troca, anulando qualquer tentativa de reparação. Ser honesto é refletir se realmente o outro é responsável diretamente por nossa infelicidade, ou se projetamos no mesmo tal tarefa corriqueira. A essência da terapia de casal é uma resposta rápida sobre aquilo que há muito está emperrado: a necessidade de uma decisão de rompimento com toda a culpa e medo resultantes, ou a descoberta do potencial da vontade de tentar de uma forma que ambos não foram capazes até o presente momento. O primeiro conceito sempre terá mais peso, pela própria história de infelicidade crônica, embora seja mais difícil o digerir; o segundo passa pela motivação do desafio e alívio da culpa por realmente terem se compenetrado na tarefa de mudança. A precisão da decisão ocorre quando a mágoa e ódio já não são mais soberanos no relacionamento, e a consciência de que o outro é ou não capaz de nos fornecer o que precisamos, se torna um conceito claro e límpido, sem qualquer contaminação emocional negativa. SIGMUND FREUD assinalou em sua obra que toda criança nutria inconscientemente um conceito temeroso de ter sido "adotada", quando disputava determinada atenção ou sentia ciúmes de seus irmãos. O fracasso do relacionamento conjugal remete a um correlato de tal conceito: Será que em alguma ocasião realmente fomos amados completamente? Ou apenas recebemos cuidados por mera obrigação e ritualidade? Estas são as perguntas mais tenebrosas que quase não ousamos questionar. A falta de prazer abre as portas para todo tipo de paranóia e desconfiança de nossa história pessoal e auto imagem. 

É fundamental que o casal tenha consciência que o objetivo da terapia não deve ser que o terapeuta assuma a função de decidir sobre a manutenção ou não da relação, pois não deixaria de ser uma tarefa delegada a um estranho de certa forma. O terapeuta no máximo deve ser uma medida do impacto do emocional de ambos e suas conseqüências. Muitas vezes as brigas constantes de um casal mascaram o senso de lucidez e compreensão acerca do limite rompido de dor e angústia que ambos não são capazes de perceber. Sobre a questão dos filhos há um consenso em todas as escolas de psicologia acerca do sofrimento e seqüelas dos mesmos frente a uma eventual separação dos pais. Porém, a própria psicologia já provou que seria muito pior a convivência forçada em razão dos filhos, colocando nestes uma carga de responsabilidade sobre a infelicidade do casal, sendo que num futuro tal fatura será paga a um custo enorme. Mas todo o conceito citado não é tão simples quanto parece, pois se produziu um mito de que casais que não tiveram filhos passam por uma separação de forma mais tranqüila. Tal conceito é uma pura inverdade, sendo que qualquer psicólogo ou até mesmo um advogado sabe que boa parte das separações litigiosas ocorrem também entre casais sem filhos, devido à sensação em um ou ambos de que algo valioso lhes foi subtraído, ou então "que nada sobrou", amplificando a sensação de ressentimento. É preciso se tomar muito cuidado com conceitos pré-estabelecidos, principalmente no tocante a terapia de casal, que como já dissemos acima varia de acordo com as mudanças sociais e psíquicas.

Perante uma inevitável separação, o terapeuta deve orientar o casal para que o reforço psíquico em relação aos filhos seja o combate contra o sentimento de abandono. É regra que os filhos encarem a separação dos pais como um sinal de que os próximos serão eles próprios. Embora todos discutam tais dificuldades, falta um embasamento maior por parte da psicologia no sentido do esclarecimento da conduta a ser utilizada. Muitos pais até percebem que em alguns casos os filhos desejam a separação por uma fantasia ou ciúmes em relação ao pai ou mãe. O fato é que inegavelmente a criança entra na contenda e é muito difícil que não tome partido. Deve-se impedir que a criança usufrua desse "oportunismo" de participar ativamente de algo extremamente adulto. A terapia familiar se faz necessária nesse ponto, sendo que deve lidar com o conceito confuso para os filhos de que continuarão obtendo um amor que os próprios pais jamais conseguirão desfrutar enquanto casal. Culpa, ciúmes, abandono, saudades e raiva serão os sentimentos herdeiros de tal conjuntura, e o terapeuta deve continuar sua tarefa de mediador das tensões de uma história familiar que no âmbito do sistema político e religioso se tornou infeliz, mas que na ótica psicológica procura assegurar aos filhos a saúde psicológica e esperança de que o casal retome sua afetividade num outro contexto mais favorável, fruto de um amadurecimento da psique de ambos. Enfim, a terapia de casal não pode se orientar tanto para uma separação, como a reconciliação da relação, devendo ser um instrumento de medição do impacto da junção de desejos e sentimentos não realizados. A decisão sempre passará pelo crescimento de ambos, para que possam discernir sobre as seqüelas passadas e futuras de sua convivência.

 
Bibliografia:
ADLER, ALFRED. O caráter neurótico. MADRID: Editora PAIDÓS, 1932.
FREUD, SIGMUND. TRÊS ENSAIOS PARA UMA TEORIA SEXUAL. OBRAS COMPLETAS COLABORADORES:

 
IRINEU FRANCISCO BARRETO JÚNIOR(SOCIÓLOGO)
SIMONE JORGE (SOCIÓLOGA) 

Fonte: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Precessão dos Equinócios

REVOLUÇÕES PERiÓDICAS
6. - Além do seu movimento anual, ao redor do Sol, que produz as estações, o seu movimento de rotação sobre si mesma em 24 horas, que produz o dia e a noite, a Terra tem um terceiro movimento que se cumpre em 25.000 anos mais ou menos (mais exatamente 25.868 anos), e produz o fenômeno designado em astronomia sob o nome de precessão dos equinócios (cap. V, nº 11 e cap. IX - A Gênese de Allan Kardec). 

Esse movimento, que seria impossível explicar em algumas palavras, sem figuras e sem uma demonstração geométrica, consiste numa espécie de balanceamento circular que se compara ao de um pião agonizante, em conseqüência do qual o eixo da Terra, mudando de inclinação, descreve um duplo cone cujo cimo está no centro da Terra, e as bases abraçam a superfície circunscrita pelos círculos polares; quer dizer, uma amplitude de 23 graus e meio de raio.
7. - O equinócio é o instante em que o Sol, passando de um hemisfério ao outro, encontra-se perpendicularmente sobre o equador, o que ocorre duas vezes por ano, em torno do dia 24 de março, quando o Sol retorna ao hemisfério boreal, e em torno de 22 de setembro, quando retorna ao hemisfério austral. 
Mas, em conseqüência da mudança gradual na obliquidade do eixo, o que ocasiona mudança na obliqüidade do equador sobre a eclíptica, o instante do equinócio se acha, cada ano, avançado de alguns minutos (25 min. 7 seg.) Esse avanço é chamado precessão dos equinócios (do latim procedere, marchar adiante, fazer de proe, avante, e cedere, ir-se).
Esses alguns minutos, com o tempo, fazem horas, dias, meses e anos; disso resulta que o equinócio da primavera, que chega agora em março, chegará, num tempo dado, em fevereiro, depois em janeiro, depois em dezembro, e então o mês de dezembro terá a temperatura do mês de março, e março a de junho, e assim por diante até que, retornando ao mês de março, as coisas se reencontram no estado atual, o que ocorrerá em 25.868 anos, para recomeçar a mesma revolução indefinidamente. A precessão dos equinócios conduz a uma outra mudança, que se opera na posição dos signos do zodíaco. 

A Terra, girando ao redor do Sol em um ano, à medida que ela avança, o Sol se acha cada mês em face de uma nova constelação. Essas constelações são em número de doze, a saber: Carneiro, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. São chamadas constelações zodiacais ou signos do zodíaco, e elas formam um círculo no plano do equador terrestre. Segundo o mês de nascimento de um indivíduo, dizia-se que nascera sob tal signo: daí os prognósticos da astrologia. Mas, em conseqüência da precessão dos equinócios, ocorre que os meses não correspondem mais às mesmas constelações; um, que nasceu no mês de julho, não está mais no signo de Leão, mas no de Câncer. Assim caiu a idéia supersticiosa ligada à influência dos signos. (Cap. V, nº 12). 
 
8. - Resulta, desse movimento cônico do eixo, que os pólos da Terra não olham constantemente os mesmos pontos do céu; que a estrela polar não será sempre a estrela polar; que os pólos estão, gradualmente, mais ou menos inclinados para o Sol, e dele recebem raios mais ou menos diretos; de onde se segue gue e Islândia e a Lapônia, por exemplo, que estão sob o Circulo polar, poderão, num tempo dado, receber os raios solares como se estivessem na latitude da Espanha e da Itália, e que, na posição oposta extrema, a Espanha e a Itália poderiam ter a temperatura da Islândia e da Lapônia, e assim por diante em cada renovação do período de 25.000 anos (O deslocamento gradual das linhas isotérmicas, fenômeno reconhecido pela ciência de maneira tão positiva quanto o deslocamento do mar, é um fato material em apoio a essa teoria). 
9. - As conseqüências desse movimento não pôde ainda ser determinada com precisão, porque não se pôde observar senão uma fraca parte de sua revolução; não há, pois, a esse respeito, senão presunções, das quais algumas têm uma certa probabilidade.
Essas conseqüências são:
1°. - O aquecimento e o resfriamento alternado dos pólos e, por seqüência, a fusão dos gelos polares durante a metade do período de 25.000 anos, e a sua formação de novo durante a outra metade desse período. De onde resultaria que os pólos não estariam votados a uma esterilidade perpétua, e gozariam, por seu turno, dos benefícios da fertilidade.
2°. - O deslocamento gradual do mar, que invade pouco a pouco as terras, ao passo que descobre outras, para abandoná-las de novo e reentrar em seu antigo leito. Esse movimento periódico, renovado indefinidamente, constituiria uma verdadeira maré universal de 25.000 anos.
A lentidão com a qual se opera esse movimento do mar torna-o quase imperceptível para cada geração; mas é sensível ao cabo de alguns séculos. Não pode causar neenhum cataclismo súbito, porque os homens se retiram, de geração em geração, à medida que o mar avança, e eles avançam sobre as terras de onde o mar se retirou. E a esta causa, mais que provável, que alguns sábios atribuem a retração do mar sobre certas costas e a sua invasão sobre outras.
10. - O deslocamento lento, gradual e periódico do mar é um fato adquirido pela experiência, e atestado por numerosos exemplos sobre todos os pontos do globo. Tem por conseqüência a conservação das forças produtivas da Terra. Essa longa imersão é um tempo de repouso durante o qual as terras submersas recuperam os princlpios vitais esgotados por uma produção não menos longa. Os imensos depósitos de matérias orgânicas, formadas pela permanência das águas durante seculos e séculos, são adubos naturais, periodicamente renovados, e as gerações se sucedem sem se aperceberem destas mudanças.
Entre os fatos mais recentes que provam o deslocamento do mar, podem citar-se os seguintes:
No golfo de Gasconha, entre o velho Soulac e a torre de Cordouan, quando o mar está calmo, descobre-se no fundo da água lanços de muralha: são os restos da antiga e grande cidade de Naviomagus, invadida pelas ondas em 580. O rochedo de Cordouan, que estava então ligado à costa, está agora a 12 quilômetros.
No mar da Mancha, sobre a costa do Havre, o mar ganha, cada dia, terreno e mina as fragas de Sainte-Adresse, que desmoronam pouco a pouco. A dois quilômetros da costa, entre Sainte-Adresse e o cabo da Hewe, existe o banco de Eclat, outrora a descoberto e reunido à terra firme. Antigos documentos constatam que sobre esse sítio, onde hoje se navega, havia a aldeia de Saint-Denis-chef-de-Caux. O mar, tendo invadido o terreno no século quatorze, a igreia foi engolida em 1378. Pretende-se que se lhe vêem os restos, no fundo das águas, num tempo calmo.
Sobre quase toda a extensão do litoral da Holanda, o mar não é retido senão à força de diques, que se rompem de tempos em tempos. O antigo lago Flevo, reunido ao mar em 1225, forma hoje o golfo de Zuyderzée. Essa irrupção do oceano engoliu várias aldeias.
Segundo isso, o território de Paris e da França será um dia de novo ocupado pelo mar, como já o foi várias vezes, assim como provam as observações geológicas. As partes montanhosas formarão as ilhas, como o são agora Jersey, Guerneseye a Inglaterra, outrora contíguos ao continente.
Navegar-se-á acima das regiões que se percorrem hoje em caminhos de ferro; os navios abordarão em Montmartre, no monte Valérien, nos outeiros de Saint-Cloud e de Meudon; as madeiras e as florestas, onde se passeia, serão sepultadas sob as águas, recobertas de lodo, e povoadas de peixes em lugar de pássaros.
O dilúvio bíblico não pôde ter essa causa, uma vez que a invasão das águas foi súbita e a sua permanência de curta duração, ao passo que, de outra maneira, fora de milhares de anos, e duraria ainda, sem que os homens disso se apercebessem. 

Allan Kardec - A Gênese

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Deveres dos Pais

Por impositivo da sabedoria divina, no homem a infância demora maior período do que em outro animal qualquer.
Isto porque, enquanto o Espírito assume, a pouco e pouco, o controle da organização fisiológica de que se serve para o processo evolutivo, mais fáceis se fazem as possibilidades para a fixação da aprendizaagem e a aquisição dos hábitos que o nortearão por toda a existência planetária.
Como decorrência, grande tarefa se reserva aos pais no que tange aos valores da educação, deveres que não podem ser postergados sob pena de lamentáveis conseqüências.
Os filhos - esse patrimônio superior que a Divindade concede por empréstimo - , através dos liames que a consangüinidade enseja, facultam o reajustamento emocional de Espíritos antipáticos entre si, a sublimação de afeições entre os que já se amam, o caldeamento de experiências e o delinear de programas de difícil estruturação evolutiva, pelo que merecem todo um investimento de amor, de vigilância e de sacrifício por parte dos genitores.
A união conjugal propiciatória da prole edificada em requisitos legais e morais constitui motivo relevante, e não deve ser confundida com as experiências do prazer, que se podem abandonar em face de qualquer conjuntura que exige reflexão, entendimento e renúncia de algum ou de ambos nubentes. 

Os deveres dos pais em relação aos filhos estão inscritos na consciência.
Evidentemente as técnicas psicológicas e a metodologia da educação tornam-se fatores nobres para o êxito desse cometimento. Entretanto, o amor - que tem escasseado nos processos modernos da educação com lamentáveis resultados - possui os elementos essenciais para o feliz desiderato.
No compromisso do amor, estão evidentes o companheirismo, o diálogo franco, a solidariedade, a indulgência e a energia moral de que necessitam os filhos, no longo processo da aquisição dos valores éticos, espirituais, intelectuais e sociais.
No lar, em conseqüência, prossegue sendo na atualidade de fundamental importância no complexo mecanismo da educação.
Nesse sentido, é de essencial relevância a lição, dos exemplos, a par da assistência constante de que necessitam os caracteres em formação, argila plástica que deve ser bem modelada.
No capítulo da liberdade, esse fator basilar, nunca deixar esquecido o dever da responsabilidade. Liberdade de ação e responsabilidade dos atos, ajudando no discernimento desde cedo entre o que se deve, convém e se pode realizar.
Plasma, na personalidade em delineamento do filhinho, os hábitos salutares.
Diante dele, frágil de aparência, tem em mente que se trata de um Espírito comprometido com a retaguarda, que recomeça a experiência com dificuldades, e que muito depende de ti.
Nem o excesso de severidade para com ele, nem o acúmulo de receios injustificados, em relação a ele, ou a exagerada soma de aflição por ele.
Fala-lhe de Deus sem cessar e ilumina-lhe a consciência com a flama da fé rutilante, que lhe deve lucilar no íntimo como farol de bençãos para todas as circunstâncias. 

Ensina-lhe a humildade ante a grandeza da vida e o respeito a todos, como valorização preciosa das concessões divinas. 

O que lhe não concedas por negligência, ele te cobrará depois ...
Se não dispões de maiores ou mais valiosos recursos para dar-lhe, ele saberá reconhecer e, por isso, mais te amará.
Todavia, se olvidaste de ofertar-lhe o melhor ao teu alcance também ele compreenderá e, quiçá, reagirá de forma desagradável.
Os pais educam para a sociedade, quanto para si mesmos.
Examina a tua vida e dela retira as experiências com que possas brindar a tua prole.
Tens conquistas pessoais, porquanto já trilhaste o caminho da infância, da adolescência e sabes de moto próprio discernir entre os erros e acertos dos teus educadores, identificando o que de melhor possuis para dar.
Não te poupes esforços na educação dos filhos. Os pais assumem, desde antes do berço, com aqueles que receberão na condição de filhos compromissos e deveres que devem ser exercidos, desde que serão, tambem, por sua vez, meios de redenção pessoal perante a consciência individual e a Cósmica que rege os fenômenos da vida, nos quais todos estamos mergulhados. 

Joanna de Ângelis