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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Virtudes

A virtude, no seu grau mais elevado, abrange o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.
Ser bom, caridoso, trabalhador, sóbrio, modesto, são as qualidade do homem virtuoso.
Infelizmente, são, quase sempre acompanhadas de pequenas falhas morais, que as deslustram e enfraquecem. 

Aquele que faz alarde de sua virtude não é virtuoso, pois lhe falta principalmente uma qualidade: a modéstia, e sobra-lhe o vício mais oposto: o orgulho,
A virtude realmente digna desse nome não gosta de exibir-se. Temos de adivinhá-la, mas ela se esconde na sombra, foge à admiração das multidões.
São Vicente de Paulo era virtuoso. O digno Cura d'Ars era virtuoso. E assim muitos outros, poucos conhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. 

Todos esses homens de bem ignoravam que eram virtuosos. Deixavam-se levar pela corrente da suas santas inspirações, e praticavam o bem com absoluto desinteresse e completo esquecimento de si mesmos.
É para essa virtude, assim compreendida e praticada, que eu vos convido, meus filhos. Para essa virtude realmente cristã e verdadeiramente espírita, que eu vos convido a consagrar-vos. Mas afastai de vossos corações o sentimento do orgulho, da vaidade, do amor próprio, que deslustram sempre as mais belas qualidades. Não imiteis esse homem que se apresenta como modelo e se gaba das próprias qualidades, para todos os ouvidos tolerantes. Essa virtude de ostentação esconde, quase sempre, uma infinidade de pequenas torpezas odiosas fraquezas. 

O homem que se exalta a si mesmo, que eleva estátuas à sua própria virtude, em princípio aniquila, por essa única razão, todos os méritos que efetivamente podia ter. E que direi daquele cujo valor se reduz a parecer o "que não é". Compreendo perfeitamente que aquele que faz o bem sente uma satisfação íntima, no fundo do coração. Mas desde o momento em que essa satisfação se exterioriza, para provocar elogios, degenera em amor-próprio.
Ó vós todos, a quem a fé espírita reanimou com os seus raios, que sabeis quanto o homem se encontra longe da perfeição, jamais vos entregueis a essa estultícia!
A virtude é uma graça, que desejo para todos os espíritas sinceros, mas com esta advertência:
- Mais vale menos virtudes na modéstia, do que muitas no orgulho. Foi pelo orgulho que, as Humanidades se perderam sucessivamente. É pela humildade que elas um dia deverão redimir-se.

FRANÇOIS NICOLAS MADELEINE - Paris, 1863 - ESE

OBSERVAÇÃO:

A virtude não é um dom de Deus, o Espiritismo nos ensina que aquele que a possui, a adquiriu pelos seus esforços, nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições. A graça é a força que Deus concede a todo homem de boa vontade, para se livrar do mal e fazer o bem.
VIRTUDES APARENTES: metais comuns no homem, que se alteram ante a ventania das ilusões terrenas.
VIRTUDES REAIS: metais preciosos no Espírito, que não se corrompem ante as lufadas das tentações humanas, sustentando a vida eterna.

Fonte: Comunidade Espírita

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