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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Depressão Pós-Parto

CONSIDERAÇÕES PSICOLÓGICAS SOBRE A DEPRESSÃO PÓS-PARTO.

"Diversas pesquisas efetuadas no serviço público e privado de saúde atestam para uma triste realidade, a maioria dos médicos não abordam com suas pacientes o tema da depressão pós-parto, nem durante ou após a concepção da criança, fato este que se torna um agravante do problema. A depressão pós-parto geralmente se manifesta de dois a dez dias após o parto, sendo seu pico no 15º até 20º dia".

Relatados diversos estados de extrema ansiedade, depressão, idéias suicidas, medo da perda do bebê, medo de que este desenvolva algum distúrbio incurável ou limitador em seu desenvolvimento, idéias ou fantasias repentinas de assassinar o bebê nos casos mais graves, chegando ao suicídio ou infanticídio propriamente dito. É notório que o período da gravidez representa talvez o principal marco psico-sociológico de uma mulher, pois, milhares de anos de condicionamento histórico imputaram quase que exclusivamente na mulher o papel da concepção e criação dos filhos, sendo até natural que a mesma sinta ansiedade nesse tão delicado momento de sua vida. Obviamente o parto nada mais é do que a conseqüência de todo o processo da gravidez, assim sendo, ele manifestará na maioria das vezes, o modo como essa gravidez foi trabalhada. Do ponto de vista psicológico não poderia ser diferente, se a ansiedade, temor, crises conjugais, insatisfação generalizada predominaram no processo, nada mais óbvio que continuem após o parto. A depressão pós-parto representa todo o modelo de vida de uma mulher, principalmente sua auto-estima, sendo que é, principalmente, após a concepção, que a mulher reavaliará sua vida, pois antes toda a sua energia estava concentrada na preocupação com o nascimento da criança, sendo assim, poderá acontecer que os problemas surjam depois. Um dos fatores que mais ampliam o problema é a falta de orientação como descrita acima, assim como a própria mulher ocultar seu sofrimento. Isso ocorre novamente por um condicionamento cultural e principalmente religioso, pois caso a mulher verbalize que está com depressão pós-parto, é como assinar uma declaração de que não está feliz ou não tem competência para ser mãe. Infelizmente é por esse pensamento prevalecer, que não temos uma atuação mais eficaz na prevenção e tratamento da depressão pós-parto. A depressão pode estar relacionada ainda a determinados problemas psicológicos do passado da pessoa, como por exemplo, o que Alfred Adler denominava de "situação de protesto". 

Ele definiu isso como sendo um tipo de rebelião da pessoa contra determinadas responsabilidades que sente que não cumprirá, seja por sentimentos de inferioridade, ou para forçar que outros a amparem e tomem as decisões por ela. Se a relação familiar da futura mãe não estiver elaborada, seu risco da depressão será muito maior do que uma mãe que pelo menos se conscientizou de todo esse processo. Todos sabemos que um filho gera nossos mais ternos sentimentos de cuidado e carinho, mas se ainda ansiamos por sermos cuidados e mimados no sentido de forçarmos a atenção das pessoas, ou mantermos em alta o narcisismo, o processo do nascimento explodirá esse complexo até então oculto, impedindo o livre fluir da maternidade. É preciso que haja a conscientização de que qualquer sofrimento nunca é um atestado de incapacidade ou motivo de vergonha, mas representa um alerta de nosso organismo ou um pedido de ajuda, para que se altere algo. Qualquer desajuste ou sofrimento psíquico representa um caos momentâneo para que ocorra um futuro equilíbrio interno. Se o organismo dá essa mensagem através da depressão, não é sinônimo de fraqueza, mas talvez porque se passou muito tempo sem pensar ou atuar em outros problemas que afetam a satisfação pessoal. Quaisquer situações novas trazem a tona velhos dilemas, e jamais conseguiremos fugir deles sem avaliarmos suas implicações. Fato é que um nascimento atrai praticamente todos os sentimentos humanos e principalmente como lidamos com os mesmos, tipo: amor, afeto, sexualidade, harmonia, discórdia, solidão, tristeza, abandono e especialmente o medo. Como Adler citava, não é totalmente correto afirmar que os pais é que deram a vida a uma criança, mas esta última traz ao mundo a possibilidade da redenção dos erros dos primeiros, traz a luz todos os pontos reprimidos, traz nossas mais altas virtudes e também os temores, enfim a criança desnuda nossa alma, e por isso lhe devemos o mais puro amor e dedicação. Por fim, não há uma faixa etária específica onde a depressão pós-parto se manifeste com maior intensidade, mas quase todos os casos estudados revelaram problemas psíquicos anteriores ao parto, especialmente nos relacionamentos afetivos, satisfação profissional e expectativas de prazer pessoal. Assim sendo é fundamental o trabalho preventivo, e se a mulher detectar qualquer distúrbio ou idéia recorrente ou mesmo sonhos perturbadores em que se sinta ameaçada, constantemente triste ou deprimida é de suma importância que procure orientação profissional, com o objetivo preventivo. 

Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

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