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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tamanho do Pênis e Trauma Psicológico

Tanto na área psíquica, como na questão sociológica, a vaidade é sem dúvida nenhuma um dos pontos individuais mais reforçados em nossa era, não sendo mais exclusividade do universo feminino há muito tempo. Assim como o tamanho dos seios ou outro aspecto estético da mulher, o homem atual, paralelamente tem desenvolvido uma preocupação quase que obsessiva em relação ao tamanho do pênis. O que é incrível é a ausência da percepção de que tal fato espelha o universo macro econômico de nossa sociedade. Da mesma forma que se compara quem possui o melhor carro, imóvel, ou emprego, a questão do tamanho do órgão é elevada à categoria de status do máximo desempenho pessoal. Há uma proliferação criminosa inclusive via net, de cirurgias ou aparelhos que prometem o aumento do pênis, com sérias conseqüências para a saúde do indivíduo. Além da questionada eficácia de tais técnicas, temos de perceber o aspecto ético no contexto citado. Tanto a medicina, como qualquer profissional da área da saúde não podem contribuir para a alienação ou coisificação da sexualidade humana, sendo primordial que ajudem a pessoa a refletir sobre seus medos e complexos.

A primeira conclusão que o profissional da saúde deve passar ao paciente é que a comparação é o caminho mais rápido para a infelicidade absoluta. Já está mais do que provada a questão de que o tamanho do órgão sexual não significa mais prazer tanto para homens como mulheres, mas apenas um narcisismo reforçado pela cultura. Pensar na possibilidade de maior satisfação sexual devido ao tamanho do órgão equivale a acharmos que alguém possui mais caráter se for privilegiado do ponto de vista econômico. A verdadeira felicidade sexual advém da capacidade de ambos provarem o quanto é especial à presença do outro. O sexo sempre teve uma conotação política, devido ao caráter de influência e poder sobre outra pessoa. Apenas para a personalidade narcisista e ambiciosa a grandeza em qualquer setor é importante.

O problema maior é o complexo de inferioridade decorrente das disputas sociais apontadas. A raiz de todo complexo pessoal é o medo profundo da exclusão nos mais diversos níveis, fato corriqueiro em nossos tempos. Tanto a obsessão pelo tamanho do membro, como o medo do desempenho sexual (impotência), faz parte de uma teatralidade de poder, mascarando um profundo medo da entrega e envolvimento. Nossa era impede a descoberta das verdadeiras necessidades pessoais, nos tornando seres gregários e amorfos, na busca da aceitação do meio. O tamanho do órgão ou da conta bancária é a condição que se coloca para sermos amados, e todos partem para tal corrida insana. Infelizmente todos estão à busca do que é valorizado em termos sociais, abrindo mão da maior dádiva humana: o poder pessoal. Se pensarmos em sexo, o poder sempre estará presente, e alguém que o delegou para uma "imagem coletiva", certamente sofrerá as conseqüências dessa escolha. A sinceridade é primordial na avaliação e cura do complexo de inferioridade. Discutir o tamanho do pênis não passa de um escapismo do verdadeiro problema psicológico e cultural: o medo terrível que o homem possui de uma cobrança feminina em relação à sexualidade, já que culturalmente esta última foi treinada para nunca reclamar. Ambos devem estar atentos para não cair na armadilha da competição na esfera afetiva e sexual; do contrário a revolta e medo dominarão por completo o relacionamento.
 
A função da psicoterapia é fundamental na solução de tal dilema apontado, pois não é a herança física o objeto de questionamento, mas, o medo de não conseguir "impressionar", que leva ao desespero alguém que planeja alterar sua fisiologia. O medo de não possuir o tamanho adequado do órgão sexual, apenas espelha o desespero de nossa época; sendo que nos sentimos reprovados na seleção sexual, assim como em outras áreas que vivenciamos diariamente. Na perspectiva histórica falharam os economistas e cientistas sociais que apostaram nas contendas humanas por alimento e sobrevivência, sendo que é mais do que nítida que a principal disputa e comoção pessoal é o fator da aceitação perante o grupo. Voltamos sem dúvida alguma a estágios infantis de dependência, pela absoluta incompetência de resolvermos nossas pendências emotivas. Todo o sofrimento psicológico à que assistimos diariamente não passa de um alerta da transferência do emotivo para o econômico, que inclusive dita as regras pessoais e da afetividade. A orientação psicológica, pessoal ou até espiritual não compete mais às ciências humanas; sendo que não há protestos por tamanha incongruência; mas, uma espera mórbida para que as doentias relações econômicas possam nos dar uma chance de um lugar de destaque no panorama social.

Principalmente a juventude é mais influenciável por tais aspectos, sendo que pais, educadores e profissionais da saúde devem os orientar no desenvolvimento de uma sexualidade ética, segura e acima de tudo que estimule o poder pessoal e prazer de ambos os parceiros; e a função básica da psicoterapia é descobrir quais mecanismos de inferioridade pessoal foram deslocados para a sexualidade ou preocupação obsessiva com o tamanho do órgão. 

Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo - C.R.P: 31341/5

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