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segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Ressignificação de Crenças

ESTUDAMOS como a nossa mente funciona e que uma das causas da doença começa no desenvolvimento dos esquemas cognitivos, geradores das crenças limitadoras, que estarão produzindo sentimentos, emoções, comportamentos e alterações energéticas nos chakras que repercutirão na mente e no corpo físico, sob a forma de doenças.
Vimos como as crenças são importantes, pois é o início de um ciclo que se torna vicioso, caso não seja feito nenhum trabalho de modificação dessas crenças. Vamos retomar, aqui, a história de Maria para saber como podemos nos libertar das crenças que nos impedem de nos tornar saudáveis e sermos felizes.

Normalmente o ser humano possui crenças limitadoras que oscilam entre duas polaridades extremistas: passiva ou reativa, tendendo a predominar em uma delas. O equilíbrio se dá através das crenças proativas que são o meio termo entre os extremos.
Uma pessoa pode desenvolver, ao longo de sua vida, predominantemente, crenças passivas que a fazem sentir-se limitada, inferior, incapaz, insegura, com uma auto-estima deficiente, etc., e se comportar como se, a qualquer momento, alguém fosse lhe agredir, portando-se de forma tímida, arredia, vendo no mundo à sua volta uma hostilidade que está mais em sua mente, do que na realidade.
Outras vezes, desenvolve, preponderantemente, crenças reativas que a faz sentir-se falsamente superior aos outros, arrogante, perfeccionista, ansiosa, etc., e se comportar de forma agressiva, hostil, desconfiada de tudo e de todos.
No entanto, ela pode aprender a ressignificar essa crenças limitadoras e desenvolver crenças proativas que a façam sentir-se igual a todos, com limitações, mas com capacidade de transformá-las em oportunidades de crescimento interior.
Esta separação é meramente didática, pois, dificilmente alguém tem uma postura exclusiva numa única polaridade. O que acontece, na prática, é que as pessoas fiicam transitando entre uma postura limitadora e outra e, raramente, têm uma proposição mais proativa. 
CRENÇAS PASSIVA
CRENÇAS PROATIVAS
CRENÇAS REATIVA
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"EU NÃO VALHO NADA"
"EU NÃO CONSIGO FAZER
NADA CERTO"
"EU SOU CAPAZ"
EU CONSIGO SUPERAR
AS MINHAS LIMITAÇÕES"
"EU TENHO QUE MOSTRAR
QUE SOU CAPAZ."
"EU TENHO QUE FAZER
TUDO CERTO"

Podemos, no entanto, mesmo que não tenhamos sido educados para uma postura proativa, ressignificar as nosssas crenças limitadoras, tornando-as proativas. Lamentavelmente, a grande maioria das pessoas não sabe como fazer isso, ou não estão dispostas a realizar esse trabalho e, na maior parte do tempo, fazem justamente o contrário, reforçam incessantemente as suas crenças limitadoras.
Retomemos a história de Maria. Recordemos as principais crenças que ela traz. Crenças passivas: "Eu não tenho direito de ser feliz, preciso sofrer muito. Eu sou burra. Não sou capaz de aprender. Eu não valho nada. Eu não consigo fazer nada certo. Será que vou conseguir sair bem na prova, passar de ano? Eu não consigo fazer nada direito. Eu sou uma imprestável. Sou incapaz". Crenças reativas:
"Eu tenho que estudar muito para conseguir aprender o que os outros conseguem com facilidade. Isso não pode ser assim, eu não sou burra. Eu não sou incapaz. Eu preciso sair dessa. Eu tenho que mostrar que sou capaz".
Vejamos que Maria, cuja tendência predominante é passiva, tenta reagir, impondo-se crenças reativas, em oposição às passivas. Por exemplo: "Eu tenho que mostrar que sou capaz". Este movimento de substituir uma crença passiva por outra reativa, não funciona, pois ambas são limitadoras, apenas de polaridades opostas.
Vimos na história de vida de Maria que, por mais que tente reagir provando para si, e para os outros, que é capaz, ao primeiro resultado negativo cai na posição de vítima novamente, reforçando, mais uma vez, a sua aparente incapacidade, pois, a polaridade dominante na sua experiência de vida é passiva. Para funcionar é necessário substituir a crença passiva por uma proativa.
Isso acontece porque as crenças, formadas por padrões verbais, têm uma importância muito grande no funcionamento da nossa mente. Vimos que todo processo mental começa no pensamento. O pensamento é constituído a partir dos esquemas cognitivos que formam a sua estrutura profunda, interna. As palavras formam a estrutura superficial, externa, na qual o pensamento é externado.
Como a palavra é decorrente do pensamento, ela tem o poder de induzi-lo. Ela nasceu como uma necessidade de expressar o pensamento, mas por ser fruto dele mesmo, pode conduzir o próprio pensamento. 

Podemos dizer, utilizando uma linguagem metafórica, que as palavras são "luvas" que vestem o nosso pensamento. Quando uma pessoa diz: "eu sou muito insegura; não consigo fazer nada direito", está expressando, pelas palavras, aquilo que pensa de si mesma e, ao mesmo tempo, reforçando pela própria frase, repetida inúmeras vezes, uma crença limitadora.
Muito provavelmente essa pessoa traz, fruto de uma educação castradora, esse esquema cognitivo desde a infância e, possivelmente, de outras existências, expressado e reforçado pela identificação com a insegurança ("eu sou insegura") e pela impossibilidade de mudar este fato (por isso "não consigo fazer nada direito»).
Se uma pessoa diz algo assim, como é que vai conseguir fazer alguma coisa certa, se está se programando para agir dessa forma: insegura e incapaz. Normalmente a pessoa diz isso, baseada nas suas experiências negativas passadas, que estão registradas na sua memória, cujas programações são constantemente estimuladas e reforçadas por este processo auto-indutivo hipnótico, gerador de um círculo vicioso.
A pessoa não faz nada direito porque traz a crença do seu passado, que é reforçada a cada ação equivocada que faz. Cada vez que ela repete esta frase, ou outras parecidas, aciona, em sua memória, todos os fatos negativos que estão registrados lá, quer ela se dê conta disso, ou não.
Muitos dos fatos, especialmente aqueles ocorridos em sua infância, já estão esquecidos, arquivados em seu subconsciente, mas ao serem estimulados pela fala negativa, estes esquemas cognitivos são "despertados" em seus arquivos mentais, gerando sentimentos de insegurança, incapacidade, impotência.
Outras vezes é comum a pessoa reagir tentando negar a crença primária, substituindo por uma crença, na qual se nega à anterior, obrigando-se a um movimento reativo, gerando pensamentos como: "eu não posso ser assim insegura", "Eu não posso ficar insegura agora, porque tenho uma entrevista para um emprego; eu tenho que me acalmar". Essas falas acabam gerando mais insegurança, pois funcionam como uma ordem oposta à mente porque, apesar da negação, estão centradas na própria insegurança.
Isso acontece porque a mente e o cérebro funcionam por associação e comparação, semelhantes a um sistema de busca, através de palavras-chaves, no computador. Eles estarão, desta forma - a partir dessa ordem: "eu não posso ser assim inseguro", - buscando imagens e situações de insegurança na memória da pessoa e colocando estes arquivos mentais para que ela os use, quer esteja consciente deles, ou não.
Para melhor entender esse processo, comparemos com uma ordem que déssemos para você. Por exemplo: "Não pense em uma rosa vermelha". O que faz o seu cérebro? Irá buscar, imediatamente, em sua memória, uma imagem de rosa vermelha e colocará à sua disposição, e é exatamente nisso que você irá pensar - na rosa vermelha -, apesar da ordem contrária. Portanto, não é negando um fato e obrigando-se a fazer o contrário ("eu tenho que") que o estaremos ressignificando.
Uma outra forma de se reforçar as crenças limitadoras é o movimento de se buscar fatos negativos em nossa memória passada e projetá-los no futuro, através de imagens mentais e padrões verbais, centrados no passado e no fuuturo. É preciso prestar atenção nos tempos dos verbos que a pessoa usa para expressar a crença limitadora. Usa-se os verbos no passado (devia, podia, etc.), no futuro (será, não vou conseguir, etc.), ou no futuro do passado (deveria, poderia, etc.). 
A pessoa que age assim, quase sempre, está se recordando de fatos negativos passados, remoendo esses acontecimentos, dentro daquilo que não devia ou deveria ter acontecido. Culpa-se, ou culpa os outros, pelo ocorrido, ou pelo não-ocorrido, ficando num processo de lamentação incessante. Com isso ela acaba estimulando as crenças limitadoras e, num movimento de causa e efeito simplista, projeta-os no futuro, como se fatos semelhantes fossem, necessariamente, acontecer no porvir.
Elas expressam essas crenças assim: "Isso não devia ter acontecido". Eu não podia ter feito isso", "Eu deveria ter feito diferente", "Ele não podia ter feito isso comigo", etc., situações relacionadas ao passado que são projetadas para o futuro, dentro de uma visão pessimista, que são expressas desta forma: "E se acontecer novamennte, como daquela outra vez", "Será que não vai dar errado como aconteceu naquele dia", "Será que desta vez vou conseguir", etc.
Estas crenças acabam gerando uma programação negativa para o futuro, estimulada pela verbalização e imaginação. Isso produz insegurança, medo, ansiedade, preocupações e pessimismo. Muito provavelmente as coisas tenderão a dar errado mesmo, pois já estão sendo programadas assim, fato que estará, somente, reforçando a crença. 
Agora vamos a prender uma técnica para ressignificar as crenças. Antes, porém, devemos apresentar um conceito a respeito das crenças limitadoras. Toda crença limitadora tem uma intenção positiva, todavia, com uma direção inadequada. Isto significa que, ao formar um esquema cognitivo gerador de uma crença limitadora, a nossa mente está buscando, de alguma forma, um equilíbrio. Há uma tentativa positiva nessa busca, apesar de resultar inadequada. Analisar a intenção positiva da crença é fundamental para o seu processo de ressignificação.
Vejamos, utilizando o exemplo da nossa amiga Maria, como fazer isso. Escolhamos uma das crenças do padrão predominante - o passivo: "eu não valho nada; eu não consigo fazer nada certo".
Qual é a intenção positiva dessa crença de polaridade passiva? Aparentemente não há nada de positivo nesta frase, não é verdade? Para se perceber a intenção positiva é preciso observar, de forma subjetiva, o teor das frases. Quando ela diz: "eu não valho nada; eu não consigo fazer nada certo", o que está querendo que seja útil para si mesma?
Neste caso, o que a Maria quer é evitar a repreensão por fazer coisas erradas, como acontecia, sistematicamente, em sua infância e adolescência, pois, se ela acredita que não sabe fazer nada certo e, por isso, evita realizar qualquer coisa, ou não espera nada de útil de si mesma, não poderá sofrer repreensão alguma, não é mesmo? A intenção positiva dessa crença é a autoproteção. Acontece que a direção é totalmente inadequada, porque produz a inação.
Porém, quem é que consegue ficar sem fazer nada o tempo todo? Essa tentativa, portanto, resulta numa falsa proteção. Por isso Maria reage: "Isso não pode ser assim, eu não sou burra, eu não sou incapaz; eu preciso sair desssa, eu tenho que mostrar que sou capaz". A intenção posiitiva, aqui, já é mais óbvia. É negar a incapacidade, buscando realizar alguma coisa, mostrando que é capaz. O problema é o direcionamento inadequado.
A inadequação da reação acontece na negação da suposta incapacidade. Essa incapacidade só existe na mente conflituada de Maria e, conforme vimos anteriormente, não deve ser negada. Ao se negar, a crença fica mais intensa. Outro problema é a obrigação de se mostrar capaz. Aqui, a referência é externa. Maria acredita que é preciso mostrar aos outros que é capaz, especialmente ao pai que ela traz em sua mente - e, em menor instância, a si mesma.
Qualquer pessoa representará, para ela, as figuras de autoridade da sua infância. Hoje, mesmo já sendo adulta, a sua criança interior estará tentando mostrar para os pais que é capaz e, por associação, a todas as outras pessoas. Essa obrigação gasta muita energia e gera muita ansiedade, angústia, estresse. Por isso, quem vive assim, torrna-se uma pessoa muito infeliz. Tudo representa uma ameaça.
A ressignificação será um processo em que se une a intenção positiva à uma direção adequada, transformando a crença limitadora em uma crença proativa. A proatividade é um equilíbrio entre os opostos da passividade e reatividade.
Voltemos à Maria. Como ela pode transformar essas crenças limitadoras em uma crença proativa? Se a intenção positiva da passiva é proteção, e a da reativa é de realização e demonstrar capacidade, é necessário que as novas crenças, a serem interiorizadas, contemplem essas intenções, dando-lhes uma direção adequada. A inadequação da crença passiva é a inatividade, e a da crença reativa, é a negação da falsa incapacidade e a obrigação de mostrar aos outros que é capaz.
Portanto, para ressignificar as crenças, tornando-as proativas, tudo isso deve ser contemplado. Vejamos exemplos de frases proativas que a Maria poderá utilizar para ressignificar as suas crenças: «Eu consigo, eu posso superar todas as dificuldades que tenho, transformando as limitações em oportunidades de crescimento interior". "Eu estou consciente de que sou capaz de superar todas as miinhas dificuldades, com naturalidade e serenidade, pois tenho consciência de que estas limitações só dizem respeito a mim mesma, e sei que posso superá-las gradativamente".
Percebamos que a ressignificação une as intenções positivas, com as direções adequadas. No primeiro exemplo, a proteção está expressa no reconhecimento das próprias limitações e dificuldades, mas direcionada adequadamente: " ... as dificuldades que tenho, transformando as limitações em oportunidades de crescimento interior". Ao reconhecer as próprias limitações, Maria tem uma atitude de humildade que a protegerá de possíveis erros que possa cometer, pois admite as suas dificuldades e, por isso, se dá o direito de errar para aprender a acertar. 
Na segunda frase está contemplada a adequação de centrar o objetivo nela mesma, e não nos outros: « ... de superar todas as minhas dificuldades com naturalidade e serenidade, pois tenho consciência que estas limitações só dizem respeito a mim mesma ... ". Fazendo estas ressignificações todas as vezes que surgirem as crenças limitadoras, Maria poderá realizar as várias atividades de forma cada vez mais capaz, pois estará aprendendo com os seus erros.
Isso aumentará a sua autoconfiança, auto-estima, serenidade, tornando-a proativa, vendo o mundo como é, com dificuldades - é claro -, mas com grandes oportunidades de crescimento.
A internalização da nova crença só acontecerá com a sua constante repetição, num processo auto-hipnótico positivo, pois, da mesma forma que as crenças limitadoras são o resultado de um processo alo e auto-hipnótico negativo - que é repetido inúmeras vezes, durante a vida da pessoa, até se transformar num pensamento automático, que a dirige -, é necessário que, a partir da ressignificação do esquema cognitivo, ele seja repetido constantemente, em substituição ao esquema limitador, até que o novo esquema seja automatizado, transformando-o numa nova crença. 

Somente assim é que haverá a substituição definitiva da crença limitadora, pela crença proativa, que se torna automática, direcionando a vida da pessoa para melhor.
Nem sempre é fácil perceber e ressignificar as nossas crenças limitadoras, por isso elaboramos uma técnica para auxiliar as pessoas nesse mister.
A técnica P.A.R.D.A. é bastante versátil, e pode ser utilizada para inúmeras situações em nossa vida, nas quais há uma necessidade de conscientização de processos automáticos que dificultam a ação proativa. Tem como objetivo a vigilância interior, como a técnica estudada no capítulo anterior.Normalmente vivemos inconscientes de nossas ações, pois, como vimos no funcionamento da mente, essas ações subconscientes surgem a partir dos esquemas cognitivos, que formam os pensamentos automáticos denominados crenças. Para que possamos nos libertar desses padrões de crença é necessário um trabalho de conscientização delas, para posterior ressignificação.Apresentaremos a técnica, a seguir, para aprendermos a ressignificar as crenças limitadoras.

P - PERCEPÇÃO: é o primeiro passo no processo de ressignificação, pois não podemos mudar algo que não percebemos. Todas as crenças são processos automáticos em nossa mente. Pensamos de forma automática, até que nos dispomos a tomar consciência desses pensamentos.
Para tomar consciência das crenças limitadoras automáticas é preciso aprender a monitorar os nossos padrões verbais, seja na linguagem falada, seja nos diálogos internos, bem como as imagens mentais que produzimos.
Isso é feito buscando prestar atenção sobre aquilo que você diz de si mesmo, para os outros, e aquilo que você fala para si mesmo, isto é, a conversa mental que você tem com você mesmo, o chamado diálogo interno.
Esse movimento fará com que você reconheça os seus padrões verbais, formadores das crenças. Outra questão importante é prestar atenção nas imagens que se formam em sua mente, quando está externando esses padrões verbais.
Na maioria das vezes as crenças, devido ao seu automatismo, não são fáceis de perceber. Você pode lançar mão de um método indireto, isto é, buscar percebê-las através das emoções e/ou comportamentos. Para isso, utilize o seguinte método: reconheça a emoção negativa, ou o comportamento limitador. Após isso, pergunte-se: "Na hora que eu tenho essa emoção, ou comportamento, o que costumo dizer para mim mesmo? Que imagens mentais costumo visualizar?". A resposta a essas perguntas tornará explícita a crença.
Para exemplificar, vamos voltar à história de Filomena, estudada no capítulo anterior, na qual abordamos a questão dos sentimentos. Vamos usar esse método indireto, com o qual Filomena foi orientada a proceder para detectar as suas crenças.
Filomena começou a trabalhar na autopercepção nas situações em que ficava revoltada, com raiva de tudo e de todos, com relação às questões comezinhas do dia-a-dia, ocasião em que sentia, também, muitas dores no estômago.
Essas manifestações eram bastante perceptíveis. Embora as crenças que a levava a esse comportamento permanecessem ocultas, ela prosseguiu em suas reflexões. Quando acontecia algum problema, ela se perguntava: "O que está vindo na minha mente? O que estou falando para mim mesma? O que estou visualizando?".
Começou a perceber que a sua dificuldade tinha a ver com o perfeccionismo, pois não admitia errar, e nem que as pessoas, à sua volta, pudessem cometer um mínimo erro. Antes de realizar uma ação, imaginava que as coisas iriam dar erradas. Por isso não tardou a perceber os seguintes padrões de crenças, todas as vezes que devia realizar alguma ação: "Eu não posso errar'. "Eu tenho que fazer tudo certo". "Eu não tenho o direito de errar".
Com referência à sua relação com outras pessoas, percebeu estes padrões: "Eu sou mais capaz do que os outros". "Eu sou mais inteligente do que os outros". "Eu sei mais do que os outros". "As pessoas são displicentes, não fazem nada direito".
Quando as coisas não saem a contento, e ela realiza algo equivocado, tem os seguintes padrões: "Eu não consigo fazer nada certo". "Eu faço tudo errado". "Eu não sou capaz de fazer nada certo". "Eu não sei nada". Como seu padrão mais usual é o reativo, logo ela reage e tende a achar um culpado pelo erro que cometeu, e tem o seguinte padrão: "Mas, também, com esses auxiliares que eu tenho, só podia ter dado tudo errado".
Quando força-se a ser" boazinha", tem este padrão:
"Desse jeito vou explodir. Eu não posso continuar assim. Eu preciso aceitar as coisas do jeito que são. Tenho que aprender a 'engolir sapo', senão enlouqueço".

A - ACEITAÇÃO: uma vez percebida a crença é necessário aceitá-la como uma limitação que você mantém, mas que você é mais do que ela (desidentificação da crença).
Se não houver a aceitação da crença, você tende a reagir a ela, seja no movimento passivo, quando a crença é reativa, ou no movimento reativo, quando a crença é passiva.
Para que haja aceitação são necessárias a humildade e a compaixão, para aceitar as próprias crenças limitadoras.
Importante, porém, é não confundir aceitação com acomodação, esta uma atitude passiva, na qual a pessoa se acomoda com suas imperfeições sem, contudo, fazer nada para transformá-las.
Acomodar-se é uma falsa aceitação das próprias imperfeições, assumindo uma impotência em modificá-las. Essa atitude é inaceitável, pois nos identifica com as limitações. O que precisamos aceitar é a nossa condição de seres em evolução, com defeitos e qualidades, mas que estamos aqui para transformar, gradativamente, todas as crenças limitadoras geradoras dos sentimentos egóicos negativos.
A aceitação é uma virtude proativa, por isso a atitude de aceitação requer humildade para reconhecer a limitação, bem como um movimento de libertação dessa limitação. Portanto, na aceitação deve estar sempre explicitado este pensamento: "Eu aceito que tenho esta crença X, que está limitando o meu desenvolvimento. O que eu posso fazer para me libertar dela?

R - REFLEXÃO: a resposta à pergunta anterior acontecerá nesta fase do processo. Após perceber e aceitar que existe a crença limitadora, deve-se refletir e questionar sobre as suas distorções, analisando a sua intenção positiva e direção inadequada.
A reflexão irá proporcionar a identificação das distorções do pensamento e a maneira de ressignificar a crença, tornando-a proativa, como apresentada na técnica vista anteriormente.

D - DECISÃO: após a reflexão é preciso decidir se você vai fazer o trabalho de ressignificar a crença, ou não.
Sabemos que mudar hábitos limitadores, adquiridos ao longo de nossa trajetória de vida, não é uma tarefa fácil, pois a crença torna-se um vício retroalimentado que, por mais que seja desagradável, nos acostumamos com ele. Portanto, a ressignificação de crenças exige uma decisão firme, no sentido de se realizar todo esforço que for necessário, para poder substituir a crença limitadora, pela crença proativa.

A - AÇÃO: uma vez tomada a decisão de mudança, torna-se essencial a substituição gradativa da crença limitadora, pela crença proativa, que deve ser repetida inúmeras vezes, até a sua completa internalização.

EXERCíCIO VIVENCIAL: - RESSIGNIFICAÇÃO DE CRENÇAS

1. Coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes.

2. Busque identificar um sentimento, ou comportamento negativo, que você tem e deseja transformar, caso você ainda não esteja consciente da crença a ser trabalhada.

3. Agora pergunte-se: "No momento em que estou tendo esse sentimento e esse comportamento, o que me vem à mente? O que costumo dizer para mim mesmo(a) nesse momento?". Fique atento(a) às frases que vêm à sua mente, pois elas são a decodificação da crença limitadora.

4. Agora formule a crença, por escrito, para facilitar as próximas etapas. Busque perceber se essa crença tem um par, de polaridade oposta. Normalmente existe. Por exemplo, caso você tenha uma crença do tipo "Eu não consigo", existe um par reativo do tipo "Eu tenho que ... ".

5. Após perceber a crença, analise o seu grau de aceitação.
Pergunte-se: "Eu aceito que tenho esta crença que está limitando o meu desenvolvimento? Que ações posso realizar para me libertar dela?".

6. Analise a crença para saber a sua intenção positiva e a sua direção inadequada. Agora reflita como você irá formular a crença proativa, com intenção e direção adequadas.

7. Faça o mesmo com a crença de polaridade oposta.

8. Uma vez definida a crença proativa, busque estabelecer um plano de ação para internalizar essa nova crença, até que ela se torne automática.

Alírio de Cerqueira Filho

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