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quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Gênese Espiritual das Doenças e da Saúde

As doenças têm as suas matrizes no Espírito, que se torna doente devido a desequilíbrios por ele mesmo praticado.
Agora estudaremos como esse desequilíbrio surge no processo evolutivo do ser humano, a partir de uma análise psicológica profunda dos símbolos repletos de significados existenciais que encontramos na Parábola dos Dois Filhos, mais conhecida como Parábola do Filho Pródigo, conforme narrativa de Lucas no Capítulo 15, vv. 11 a 32.
E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e direi: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores.
E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.
E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos.
Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas. Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha se perdido e achou-se.
Vamos analisar esta parábola dentro de um ponto de vista psicológico transpessoaI.
As diversas abordagens psicológicas transpessoais nos relatam a existência de duas estruturas em nosso psiquismo. Uma denominada de Ego, e outra denominada de variadas formas: Self, Eu Profundo, Eu Superior ou a que preferimos, Ser Essencial.
O Ser Essencial é a Essência Divina, amorosa, que todo ser humano é, imagem e semelhança do Criador, conforme narra poeticamente a gênese bíblica, e o Ego é fruto da imperfeição e ignorância que ainda existem em nós, formado por duas faces: uma evidente, caracterizada pelo desamor e uma mascarada, pelo pseudo-amor.
Vejamos estas duas estruturas de nosso psiquismo mais detalhadamente:
Representemos, didaticamente, a psique humana , como sendo formada por três esferas concêntricas. A camada mais interna representa o Ser Essencial, permeada pela energia do amor; a intermediária e externa representam o Ego, sendo a primeira as negatividades do ego, permeada pela energia de desamor e a segunda as máscaras do ego, permeada pela energia do pseudo-amor:
SER ESSENCIAL OU CAUSAL é o Centro da Consciência onde estão fixadas todas as características positivas e valores reais do indivíduo. 

É o nosso Eu Superior, Profundo, o Self. O Ser Essencial é o nosso lado luz, o nosso lado amoroso, bom e belo, é a Essência Divina que somos.
Somos nós em estado de luz natural, onde encontramos todas as potencialidades de forma latente que vão emergir e se desenvolver, aos poucos, a partir do momento em que o indivíduo se identifica consigo mesmo, cujo ponto culminante é o estado de iluminação.
Originam-se no Ser Essencial todos os sentimentos nobres que nos caracterizam: bondade, fraternidade, solidariedade, ética, compaixão, justiça, sinceridade, tolerância, amizade, auto-estima, etc., enfim todos os valores que são derivados da energia de amor que o compõe.
O Ser Essencial é um campo de energia eletromagnética que pode estar expandido, ou inibido, dependendo das camadas exteriores que compõem o Ego.
EGO é a camada de ignorância que envolve o Ser Essencial, onde ficam registradas todas as experiências equivocadas, nas quais não colocamos em prática o amor essencial. É o nosso Eu menor, inferior.
É composto de duas partes:
NEGATIVIDADES DO EGO - é a parte do ego onde ficam registrados todos os sentimentos que representam a ausência do valor essencial correspondente.
Estes sentimentos se originam na energia de desamor (ausência do amor) que compõem o ego. Exemplo: ódio, egoísmo, orgulho, revolta, raiva, mágoa, ressentimento, angústia, tristeza, ansiedade, desespero, medo, pâníco, violência, cólera, ciúme, etc.
Todos estes sentimentos negativos, apenas representam o movimento egóico de não-valor e por isso são transitórios. Existem enquanto não nos dispomos a cultivar os sentimentos reais que são os essenciais.
MÁSCARAS DO EGO - é a parte do ego disfarçada, mascarada, onde o ego lança mão dos seus instrumentos de defesa e fuga.
As máscaras originam-se na energia de pseudo-amor, na qual o indivíduo, consciente ou inconscientemente, mascara as negatividades do ego com sentimentos aparentemente positivos. Exemplo: euforia, autopiedade, perfeccionismo, pseudoperdão, martírio, puritanismo, etc.
Observando-se os sentimentos mascarados superficialmente, tem-se a impressão de que eles são reais, mas se os analisarmos profundamente, perceberemos que são falsos, parecem reais, mas não são, pois continuam sendo um não-valor que se origina na energia do pseudo-amor para encobrir sentimentos oriundos do desamor.
As máscaras podem, quando vitalizadas, impedir o contato mais profundo com o Ser Essencial, pois, ao pareecer que cultiva os valores essenciais, o indivíduo cristaliza esses sentimentos falsos.
Façamos, agora, uma exegese da parábola, que aborda de uma maneira muito profunda a trajetória evolutiva do ser humano.
"E disse: Um certo homem tinha dois filhos".
Este homem representa, na parábola, Deus, que Jesus chamava carinhosamente de Pai, e os dois filhos, todos os seres humanos.
Representam cada ser humano em sua individualidade e, ao mesmo tempo, a diversidade dos seres humanos, cada um com as suas características mais marcantes.
A Casa do Pai representa a nossa própria essência divina, o Ser Essencial que somos.
Temos, como irmãos em humanidade, aqueles que estão mais identificados com a postura do filho mais novo vivenciando sua primeira fase, na qual busca os prazeres efêmeros ligados ao ego e vivencia intensamente o desamor, até entrar em sofrimento, representando a identificação com as negatividades do Ego.
Temos aqueles que se identificam mais com a postura do filho pródigo em sua segunda fase, na qual se arrepende dos males praticados e retorna à Casa do Pai, isto é, faz o auto-encontro, no qual se identifica, novamente, com a própria essência divina, e, conseqüentemente, volta à comunhão com Deus.
E muitos se encontram em plena identificação com o filho mais velho. Estão, aparentemente, desenvolvendo o amor, mas que, na realidade, é pseudo-amor. O desamor está oculto pelo pseudo-amor, representando a identificação com as máscaras do Ego.
Mas, de uma forma geral, todos temos mais ou menos intensamente as três posturas durante a nossa trajetória de vida, tanto numa mesma encarnação, mas, principalmente, nas várias encarnações sucessivas.
"E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence".
Aqui temos a representação dos recursos - as dádivas da Vida que Deus nos dá a cada reencarnação - para evoluirmos ("parte da fazenda que me pertence"), e do livre-arbítrio, para usar esses recursos como nos aprouver.
Trazemos, como doação divina, todos os recursos necessários à nossa evolução - a começar pelo próprio corpo que recebemos - e somos responsáveis pelo uso que fazemos desses recursos. Temos todos os bens do Universo nossa disposição para evoluir. Esses bens todos pertencem a Deus, somos simples usufrutuários.
"E ele repartiu por eles a fazenda".
Jesus nos chama a atenção para eqüidade Divina. Deus dá a todos os seus filhos as mesmas oportunidades. Percebamos que foi o mais moço que solicitou a sua parte, mas o pai repartiu aos dois a fazenda.
O que vemos como diferenças de recursos entre as criaturas, na realidade é aparência, pois, para aqueles cujos recursos estão em carência por algum motivo, é porque, dentro do princípio da lei de causa e efeito, malbarataram, em algum momento, os bens e por isso estão experimentando a carência, num movimento expiatório.
"E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente".
Aqui Jesus nos chama novamente a atenção para o uso do livre-arbítrio, que sempre acontece com a permissão divina.
Percebamos que o pai não tenta, em momento algum, demover o filho do seu desejo de partir para uma terra longínqua, afastar-se do seu convívio amoroso.
É claro que Ele sabia que o filho estava cometendo um equívoco, mas Deus respeita sempre o nosso livre-arbítrio, mesmo quando estamos errados, pois Ele sabe que, cedo ou tarde, retornaremos ao seu convívio.
Vemos aqui, ainda, o profundo egoísmo do filho mais novo, gerador do mau uso do livre-arbítrio, que ajunta tudo, sem se importar com o pai e vai para uma terra longínqua, para viver dissolutamente, desperdiçando todos os bens de que dispunha. É a prática do materialismo que leva a nos distanciar de nossa espiritualidade.
O egoísmo, que significa literalmente culto ao ego, nos leva a distanciarmos, intensamente, da Casa do Pai, a nossa essência de amor e de Deus. Vamos, literalmente, para uma terra longínqua, distante da Casa do Pai, para vivenciar o desamor por nós mesmos, pelo próximo, pela própria Vida.
Passamos muitas vezes encarnações inteiras assim, vivendo no puro egoísmo, a buscar somente os prazeres egóicos, sensuais e efêmeros, desperdiçando os recursos que Deus nos dotou para a evolução.
Nessa condição vivemos apenas para gozar a vida, querendo somente o nosso bem-estar em detrimento dos outros como se essa fosse a finalidade da existência. Percebamos que, em realidade, esse é um pseudobem, pois ninguém consegue o verdadeiro bem, praticando o desamor.
É o movimento de rebeldia que induz a criatura a se afastar do seu movimento natural- a de ser um aprendiz da vida, praticando o dever consciencial de evoluir -, sendo grato a Deus pelas oportunidades de nos iluminar que ele nos concede.
Quando o ser humano escolhe esse caminho, as consequências serão sempre funestas, pois não é possível usar mal o livre-arbítrio, desperdiçando os recursos divinos que recebemos para evoluir nas diversas encarnações, sem danos a nós mesmos.
Nos próximos versículos estaremos vendo o resultado do mau uso do livre-arhítrio e o recomeço do Filho pródigo, após sofrer as conseqüências de suas escolhas .
E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades".
Aqui Jesus aborda a conseqüência de nossos atos.
Quando esbanjamos os recursos que possuímos, distanciamos do amor divino, cedo ou tarde, entraremos em fome, em carência.
Essa fome não é a do pão, ela não é material, mas a principal fome que o ser humano pode ter, que é a de amor, a fome espiritual.
O filho gasta todos os recursos da sua existência, recursos que deveria ter utilizado com parcimônia para o seu próprio bem.
É isso que acontece com muitos de nós. Utilizamos a energia vital de nosso corpo para obter prazeres de toda a ordem, distantes do prazer essencial que é realizado pelo exercício do amor. É claro que entraremos, necessariamennte, num estado de carência de energia, resultando em dooenças no corpo físico.
Muitas vezes usamos a nossa inteligência arguta e uma mente lúcida, capaz de elaborações, as mais diversas, para destruir a vida de outras pessoas, usurpar recursos coletivos, devassar a natureza, terminando por destruir a nós mesmos, resultando em degenerações mais ou menos intensas de nossa mente, fato que estará nos proporcioonando as doenças psíquicas, os transtornos psicóticos nos quais perdemos a lucidez e os neuróticos, nos quais a luciidez é mantida, mas com uma constrição mental e intelectual consideráveis.
Outras vezes abusamos dos recursos materiais de que dispomos, sem pensar que eles são finitos, prejudicando a nós mesmos e outras pessoas, e chega um momento em que eles nos faltarão, para que aprendamos a valorizá-los.
Enfim, todo abuso terá sempre uma conseqüência, resultando em carência. Mas, sem sombra de dúvida, a maior necessidade que podemos padecer é a espiritual, maior de todas as carências, que nos faz famintos de amor.
Lembremos que o filho estava numa terra longínqua distante da Casa do Pai. Quando nos afastamos de nossa essência e de Deus, cedo ou tarde, experimentaremos uma grande carência, mesmo que num primeiro momento esse afastamento represente liberdade para nós, na verdade é uma falsa liberdade, pois, ao nos distanciarmos do Essencial para vivenciar o ego, entraremos em uma grande fome, a carência de luz e amor que nós mesmos nos proporcionamos.
"E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada".
Jesus, nestes versículos, demonstra a imensa carência a que chegaremos quando usarmos mal o livre-arbítrio.
Chega um momento em que nos sentimos sem nada, extremamente carentes de tudo e ninguém nos dá nada.
Jesus chama a atenção para isso nesta parte da parábola, porque, se levarmos ao pé da letra, é um absurdo que um trabalhador não tenha nem o alimento para se alimentar. Até os escravos tinham a alimentação, pois sem ela não poderiam trabalhar.
É necessário pensar no aspecto simbólico. Aqui Jesus adverte para o fato de que essa carência não é, simplesmente, fome de alimento; é uma carência espiritual e que ninguém de fora pode preenchê-la. Apenas a própria criatura pode saciá-la através de um ato de amor por si mesma. 

O Filho Pródigo entra num sofrimento acerbo, como resultado de suas escolhas. Como ele se distanciou do amor, da pureza que havia na Casa do Pai, da própria essência, precisa expiar os seus atos.
O Universo é regido pela Lei do Amor; quando nos distanciamos desse amor, entramos em carência.
É esse o grande erro que cometemos, pois partimos para terras longínquas, distantes da Casa do Pai e ficamos deslocados de nosso eixo amoroso. É dessa forma que acontece a gênese profunda da doença, o distanciamento da nossa espiritualidade, comunhão com a nossa Essência Divina, e religiosidade, comunhão com Deus.
Mas não fomos criados para ficar longe da Casa do Pai. Ficar longe do amor traz carências imensas e muito sofrimento.
A expiação, portanto, será um mecanismo da vida que estará nos convidando ao amadurecimento, a retornar à Casa Paterna, a refletir sobre as ações equivocadas que realizamos para, a partir dessas reflexões, canalizarmos as nossas energias em nossa reabilitação, conforme veremos nos próximos versículos.
"E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!".
Jesus se refere aqui ao momento que acontecerá na vida de todos nós: o instante em que tomamos consciência das nossas atitudes equivocadas.
O filho percebe a sua imensa carência, mas lembra-se da abundância que havia na Casa do Pai, da qual ele, voluntariamente, havia se distanciado. Ele está com fome espiritual e na Casa do Pai a espiritualidade é abundante.
Trazemos, em nossa própria consciência, as leis divinas. Mesmo quando a anestesiamos deliberadamente, seguindo caminhos equivocados na busca dos prazeres egóicos - conforme fez o Filho Pródigo -, o seu despertar acontecerá cedo ou tarde, pois, não é possível para a criatura sufocar, permanentemente, a lei divina impressa em sua própria essência.
"Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores".
Jesus aborda nestes versículos questões de suma importância na evolução do ser humano, que são resultado das reflexões que acontecem a partir do despertar da consciência.
Ele chama a atenção para os mecanismos amorosos do arrependimento e reabilitação da consciência, que se constituem no autoperdão.
A partir desse despertar o Filho Pródigo começa, por si mesmo, a preencher a sua carência. Como a carência foi causada pelo desamor, somente através do amor é que ele poderá preenchê-la.
Vemos que ele pensa em se levantar - portanto uma atitude de auto-amor -, pois poderia continuar em queda, num movimento de desamor, ou entrar num mecanismo de autopiedade por estar caído, se achando um coitado por estar assim, num movimento de pseudo-amor.
Percebamos que o Filho Pródigo, neste momento, está pensando sobre a melhor atitude a tomar, está criando uma idealização, isto é, exercendo uma ação para se criar, mentalizar uma idéia.
A mentalização das idéias acontece no plano das potencialidades, isto é, a idéia só existe enquanto potencial, um ideal a ser realizado. O Filho Pródigo tem o potencial dentro de si mesmo para se reabilitar, desde que o deseje.
Quando a nossa consciência desperta, a primeira coisa a ser feita é tomar ciência da posição em que nos encontramos e para onde queremos ir. Por isso é fundamental idealizar o que fazer, isto é, planejar as nossas ações, antes de exercitá-las.
Quando idealizamos a efetivação de um potencial latente em nós mesmos e nos esforçamos para realizá-lo, estamos agindo em conformidade com o Essencial em nós mesmos, buscamos nessa atitude o encontro com o potencial divino latente em nós.
É a primeira atitude a ser tomada para retornar à casa do Pai. Outro tema importante que Jesus analisa é a questão do pecado.
Trazemos, ainda, uma relação extremamente negativa com a palavra pecado, fruto da deturpação que esse termo sofreu ao longo do tempo, especialmente na Idade Média, estando associada a algo abominável que precisa ser eliminado de nossa vida, com muita penitência e sofrimento.
Nessa perspectiva medieval, o pecado está intimamennte ligado à culpa e punição e, por isso, deve ser execrado.
Na realidade a concepção cristã original não tem esse peso que hoje vemos nessa palavra. A palavra pecado foi traduzida do original grego 'hamartia', que significa, literalmente, errar o alvo.
Pecar significa, portanto, errar o alvo, errar o caminho a ser percorrido e foi isso que aconteceu com o Filho Pródigo. Ele apenas se equivocou em suas ações. Percebe o erro cometido quando tem a sua consciência despertada, e deseja a reabilitação, deseja retornar ao caminho correto, retornar à Casa do Pai. E é exatamente isso que Deus deseja de nós: a nossa reabilitação.
O erro faz parte dos caminhos da vida, pois se Deus não quisesse que errássemos, Ele nos criaria perfeitos e não simples e ignorantes.
O aperfeiçoamento será realizado pelas experiências que passamos, pelos erros e acertos.
Por isso vimos, no início da parábola, que o Pai não impediu o filho de errar, porque sabia que, mesmo essa escolha acabaria resultando num bem para ele, pois cedo ou tarde, ele se reabilitaria do erro, transformando-o numa experiência valiosa de aprendizado.
Depois Jesus nos chama a atenção para o fato do filho não se sentir digno, por ter praticado indignidades. Este é um ato de humildade, primeiro passo para o arrependimento e reabilitação. Ele não se sente digno de ser filho, mas pode ser um trabalhador do Pai.
Lembremos que quando ele tem a sua consciência despertada, se lembra que os trabalhadores viviam em abundância, eram ricos de espiritualidade, que ele voluntariamente havia desprezado.
É uma reflexão fundamental no processo de mudança. Somente a abundância de amor pode transformar o desamor que existe em nós.
Ao pensar em solicitar trabalho ao pai, ele humildemente solicita reabilitação. E é isso mesmo que precisamos fazer: trabalhar com a nossa intimidade para nos reabilitarmos perante a nossa própria consciência, pois o arrependimento em relação aos erros cometidos é o primeiro passo na reabilitação, mas não basta por si só; é preciso aprender com eles, e repará-los.
O autoperdão não se constitui numa anulação dos erros cometidos. Isso não existe na Lei Divina. O autoperdão é um mecanismo que Deus sempre nos faculta para trabalharmos na reabilitação da nossa própria consciência.
Para que haja uma reabilitação verdadeira é preciso expiar e reparar os males praticados e isso requer muito trabalho, se constituindo num processo gradativo e demorado.
O Filho Pródigo havia desperdiçado os bens que pertenciam ao Pai e agora, perante a sua consciência, somente sendo recebido como um trabalhador ele sente que poderia ao trabalhar para o Pai, reconstruir os bens perdidos.
Esse é o processo de auto-reabilitação, que propicia a reparação, devolvendo à Vida, aquilo que tiramos dela.
"E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou".
Aqui, o Filho Pródigo parte para a realização daquilo que havia idealizado. Antes ele estava na esfera do pensamento, do ideal. Agora está em plena realização ("E levantando-se, foi para seu pai"), a ação para tornar real o ideal.
Jesus quer chamar a atenção para a ação no bem, pois não basta idealizar o bem; é necessário praticá-lo. Não basta se imaginar de pé; é fundamental fazer o esforço de se levantar e partir para ação.
É muito comum muitos de nós idealizarmos todo um processo de mudança em nossas vidas, com o intuito de reabilitar a nossa consciência, mas ficamos apenas na idéia, sem colocá-la em prática.
Dizemos assim: "um dia desses eu começo" e como "um dia desses" não existe no calendário, adiamos, indefinidamente, a reabilitação.
Na segunda parte do versículo Jesus aborda a recepção que ele tem de seu Pai. O Pai o recebe com íntima compaixão, aquilo que Ele tinha de mais puro em sua intimidade.
A compaixão é a virtude, filha dileta do amor, que faz compreender que aquele que erra não é indigno, mesmo quando pratica indignidades, pois compreende que praticar indignidades é fruto da ignorância que precisa apenas ser corrigida e não condenada.
Deus jamais se ofende quando os seus filhos erram, pois Ele sabe de todos os potenciais que trazemos, e como é Onisciente sabe, também, quando acontecerá a nossa completa purificação e que ela acontecerá fatalmente.
Ele sabe que todos os equívocos são transitórios. Não nos pune quando nos equivocamos, mas criou leis das quais não podemos fugir porque são para nosso próprio bem. Daí é que surgem as aparentes punições, que em realidade são expiações, processos de purificação interior.
Por isso Jesus coloca a questão da compaixão do Pai, pois nenhum dos seus filhos é indigno do Seu amor, mesmo quando pratica indignidades.
"E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho".
Aqui temos, de forma sublime, o exercício da humildade antes apenas idealizada.
Podemos refletir, também neste versículo que, mesmo sendo recebido com carinho, amor e compaixão pelo pai, ele ainda se sente indigno, porque o processo de reabilitação não depende do outro, acontece apenas no interior da criatura.
Deus sempre nos trata com dignidade, mas apesar disso, quando praticamos indignidades, o processo de reabilitação diz respeito apenas à nossa consciência e não depende de Deus. O que Ele pode fazer, quando o nosso esforço de reabilitação é sincero, é proporcionar, com o fluxo do Seu Amor, o fortalecimento de nossos propósitos mas essa reabilitação é uma tarefa nossa.
Esse processo é difícil de acontecer, pois, enveredar pelos equívocos provocados pelo desamor é relativamente fácil, mas fazer o caminho de volta ao amor é muito difícil, pois necessitaremos muitos exercícios de auto-amor para esse mister, pois a consciência, sendo o Divino em nós é amor, e, ao escolher os equívocos do desamor, deixamos marcas intensas nela, dependendo da intensidade do mal praticado. Por isso a reabilitação é demorada, portanto fomos criados para praticar o amor e não o desamor.
Para que essa reabilitação aconteça é necessário que o Filho Pródigo trabalhe no desenvolvimento do amor e compaixão para consigo mesmo, para suavizar a própria consciência, tendo como modelo o amor e a compaixão do próprio Pai, da forma como ensina Jesus a seus aprendizes, sobre o jugo suave e o fardo leve.
Para sentir os nobres sentimentos do amor e da compaixão precisamos exercitá-los muitas vezes até senti-los, para poder vivenciá-los.
"Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vestilho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se".
O pai, no entanto, o recebe como filho muito amado. Jesus nos lembra a condição de filhos de Deus que somos em quaisquer circunstâncias.
Mesmo quando praticamos indignidades, nunca perdemos a paternidade divina. Podemos nos afastar dEle, mas Ele nunca se afasta de nós e estará sempre nos aguardando.
Quando nos afastamos da Casa do Pai para terras longínquas, ficamos perdidos em nossa própria ignorância, morremos psicologicamente, pois nos afastamos de nossa essência e de Deus. 

Como vimos anteriormente, em uma visão profunda, a gênese da doença para o espírito imortal encontra-se neste movimento de se afastar da casa do pai. Afastados de nossa essência perdemos o contato com a nossa espiritualidade e religiosidade, nos desligamos de Deus, apesar dEle nunca se desligar de nós como Jesus se reporta nesta parte da parábola.
Quando decidimos retornar, revivemos. Estávamos perdidos e nos auto-encontramos, pois retornamos ao amor e à felicidade que é a nossa destinação real, como Filhos de Deus que somos, herdeiros do Universo. Por isso a alegria do Pai oferecendo, novamente, tudo de bom ao filho que reviveu, que se auto-encontrou.
Ao retornarmos à casa, à nossa espiritualidade para viver a religiosidade, voltamos a sentir o Fluxo do Amor Divino em nós, voltamos a experimentar a saúde espiritual - nossa real destinação -, nos libertando da doença.
É assim que Deus nos trata, nos oferecendo sempre os recursos necessários à nossa evolução, mesmo quando os desperdiçamos, a partir do momento que demonstramos real humildade e arrependimento.
É necessário assinalar que, apesar de na parábola a trajetória de vida do Filho Pródigo ser linear - ele sai da casa do Pai, erra fragorosamente, sofre as conseqüências do erro, se arrepende e retorna -, em realidade isso dificilmente acontece dessa forma.
Muitas vezes passamos várias encarnaçôes na primeira fase - em que ele se distancia da Casa do Pai -, depois podemos passar existências inteiras sofrendo as conseqüências de nossos erros, para depois nos conscientizarmos de que esse sofrimento é fruto de nossas escolhas equivocadas, resultado do desamor que praticamos, para que, num ato de auto-amor, possamos nos arrepender e tentarmos utilizar várias existências retornando à Casa do Pai, exercitando o amor a Deus sohre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos.
Uma coisa é certa: o Filho Pródigo, cedo ou tarde, retorna à Casa do Pai, volta a vivenciar a própria espiritualidade e religiosidade.
"E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças".
Esta parte da parábola é quase que ignorada pela maioria das pessoas, tanto é que ela é mais conhecida como Parábola do Filho Pródigo, e não como Jesus propôs que é parábola dos Dois Filhos.
Lembramos, quase sempre, do filho que erra, se arrepende e volta ao convívio do Pai e esquecemos do filho mais velho.
Jesus, no entanto diz, desde o início, que esta é a parábola de "um certo homem que tinha dois filhos". E é nesta parte da parábola que Ele chama a atenção para um movimento psicológico importantíssimo, que é o do mascaramento do ego, a máscara do desamor pelo pseudo-amor.
Ele utiliza o irmão mais velho porque as máscaras do ego são fruto de uma elaboração mental mais sutil, e precisa de mais experiência de vida, por isso utiliza, simbolicamente, o mais velho para ensinar isso.
Para entender toda a parábola é preciso mergulhar na sutileza dos símbolos que Jesus se utiliza e que passam desapercebidos à primeira vista.
Façamos a exegese dos símbolos aqui colocados para entender muitos dos conflitos que existem nos seres humanos.
Primeiramente vemos que o filho mais velho estava no campo, e quando veio, chegou perto da casa.
Jesus nos chama a atenção para o fato de ele estar no campo. Não estava na Casa, mas perto da Casa do Pai.
A postura dele é de estar perto, mas não dentro da Casa em comunhão com o Pai. Ele se movimenta no pseudo-amor e não no amor. O pseudo-amor está perto do amor, pois parece com ele, mas não o é, pois oculta sempre o desamor.
"E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo".
Ele continua aqui na mesma postura de estar perto, pois não se dirige para Casa para perguntar diretamente ao Pai o que estava acontecendo; chama um dos servos e pergunta. Ele reluta em entrar na Casa, em comunhão com o Pai.
"E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo".
O servo lhe dá a importante notícia do retorno do Irmão são e salvo.
"Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele".
Aqui fica explícito o seu desagrado com o que estava acontecendo. Ele se revolta com o que está a ocorrer e torna explícito o seu distanciamento do Pai, apesar de estar perto.
Não quer entrar na Casa do Pai, não quer entrar em comunhão porque a atitude de compaixão do Pai o desagrada. Não quer se alegrar com o retorno do irmão.
Mas o Pai vai até ele e insiste para que ele entre na casa, em comunhão com o Pai e o irmão que retornou.
É o que Deus faz conosco, sempre nos convidando de todas as formas para entrarmos em comunhão com Ele.
"Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos".
Aqui a máscara cai, apesar de ele não perceber isso. Inicialmente analisemos o que é mandamento. A idéia que Jesus faz de mandamento diz respeito ao exercício do conjunto de Leis criadas por Deus para o conduzimento do Universo e de todas as Suas criaturas. Deus criou as leis e as colocou na consciência do Ser.
Vemos esse conceito de mandamento de uma forma magistral no diálogo de Jesus com o doutor da lei, anotado por Mateus, Capítulo 22, vv. 35 a 40:
E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento da lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
Neste diálogo Jesus aborda a questão da Lei do Amor, expressão da Lei Divina que dá origem a todas as outras.
Ao lermos a palavra mandamento, imediatamente a associamos a uma ordem imperativa, obrigação, imposição, mando, algo que se deve fazer obrigatoriamente, sob pena de, caso não seja realizado, haver sanções aos infratores. Resta-nos refletir sobre a seguinte pergunta: como pode o amor ser uma imposição, uma obrigação?
Ao realizar um estudo psicológico do Evangelho percebemos que, para Jesus, mandamento significa, apenas, uma regra de conduta a ser exercitada pela criatura, ao longo do seu processo evolutivo, no qual terá todo o tempo que for necessário para realizar esse mister. Não se evolui forçando-se a natureza, mas desenvolvendo-se de forma gradativa e suave.
Por isso o Evangelho nos convida, o tempo todo, ao exercício consciente do amor e não a amar por obrigação, pois isso cria apenas a hipocrisia, atitude nociva à própria criatura. Jesus, como nos diz a Mentora Joanna de Angelis, é o psicoterapeuta excelente, o grande médico das almas, sabedor que é, que seres simples e ignorantes não se transformam por decreto, jamais poderia nos ensinar a praticar o amor de forma obrigatória por ser isso impossível de ser realizado. Ao contrário, o seu convite é repleto de doçura e suavidade, nunca algo a ser feito sob coerção.
Por isso o conjunto dos mandamentos divinos não é algo que nós seguimos a partir de uma regra fora de nós, e sim, algo vivo dentro de nós mesmos. Ele não diz respeito ao Pai, e sim, a cada um de nós. Essa ressalva é importante para entendermos o comportamento mascarado do filho mais velho apontado por Jesus.
Ele coloca-se como um servo do Pai, e não como filho, cujos interesses são comuns com o Pai. Ele estava com o Pai por obrigação (sem nunca transgredir o teu mandamento), como um servo, e não por escolha, como um filho, consoante diz Jesus em João, 8:35 "Ora, o servo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre."
Ele deixa claro, aqui, que o mandamento era do Pai (teu mandamento) e não estava presente nele. Não havia comunhão de pensamento, atitude comum num filho e não um servo.
Ao se colocar como servo ele fica aguardando remuneração; os interesses dele são diversos do Pai, quer servir os dois senhores, a Deus e a si mesmo, fato impossível de ser praticado, como diz Jesus em Mateus, 6:24 "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom."
Daí o fato de ele, por se considerar servo, não querer entrar na Casa do Pai, pois já não se sentia confortável nela, por ter os seus interesses contrariados. Os filhos têm Interesse em comum com o Pai e por isso ficam "para sempre na Casa".
Fica claro que a sua vontade era outra quando explicita a inveja que sente do irmão. Ele é um servo que teme o seu Senhor. Está ali por obrigação, fazendo tudo em conformidade com os "mandamentos", vivendo uma farsa, pois, no fundo queria ter feito o que o seu irmão mais novo fez, por isso o seu imenso despeito.
Jesus também chama a atenção, neste versículo, para uma mentira, quando o filho mais velho diz que o Pai nunca lhe deu nem um cabrito. Vimos no início da história que, quando o Filho Pródigo solicitou a sua parte na herança, o Pai dividiu a fazenda com os dois. Então os dois já haviam recebido cada um a sua parte. Na realidade ele mente porque quer mais, não acha que o que já ganhou é o suficiente. Ele quer um tratamento diferenciado para si, coisa que o Pai, com certeza, não faz.
Deus trata todos os seus filhos igualmente e oferece a todos os mesmos recursos para evoluir. O que nos parece falta, é fruto do mau uso. A diferença que Jesus quer frisar é que nem sempre percebemos isso. O filho Pródigo percebe, quando está em carência, que é ele mesmo que a causou. Já o seu irmão mais velho acha que a causa de sua carência são os outros: o Pai, o irmão.
É uma postura típica da criatura mascarada, atribuir os seus problemas aos outros e não a si mesma.
"Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado".
Aqui ficam ainda mais explícitas a inveja, o ciúme, o despeito, a cobiça exercidas pelo filho mais velho, sem que este se dê conta disso, pois continua numa postura de pseudo-superioridade.
Primeiro ele desconhece o irmão e o trata com imenso desprezo, chamando-o de "este teu filho", demonstrando o seu despeito.
Depois ele fala que "desperdiçou a tua fazenda", revelando a ganância que estava por trás desse aparente zelo. Ora, se a fazenda era do Pai, o que ele tinha a ver com isso. Vimos que no início ele também havia recebido a parte dele. Na realidade é pura cobiça, pois o Pai recebeu o seu irmão de braços abertos e novamente estava lhe oferecendo bens e, em sua ganância, ele não podia suportar isso.
No fundo ele quer que o irmão seja banido para sempre da fazenda, para poder herdar todos os bens do Pai, simbolizando as pessoas que se alegram em acreditar que vão para um céu de beatitude eterna por cumprirem com as "obrigações" religiosas puritanas, enquanto os pecadores devem ir para o inferno eterno, banidos do convívio com Deus para sempre.
Logo após ele fala que o Pai ofereceu o bezerro cevado, especial, ficando explícito o seu ciúme.
Vemos, nesta parte da parábola, que o filho mais filho sofre muito, pois não se percebe sendo tratado com privilégios e deferências pelo Pai, por tê-lo servido durante todos aqueles anos, Ele queria ser tratado de maneira especial e fica muito revoltado com as considerações que irmão, que ele considera um pecador perdulário, havia recebido.
Mas, o pior é que ele não percebe que a causa do sofrimento está nele mesmo, como o fez o seu irmão mais novo, após o despertar de sua consciência. Ele acredita que o seu sofrimento é causado pelo Pai e pelo irmão que voltou.
Aqui ocorre um fenômeno psicológico chamado de projeção. Ele projeta no outro a causa do seu sofrimento, por isso despeito, sem perceber que está nele mesmo a causa gerada pela sua revolta e pelo seu orgulho ferido.
Aqueles que cultivam as máscaras nesse nível estão sempre focados nos outros, no que eles fazem ou deixam de fazer, e acreditam que somente eles são cumpridores dos mandamentos divinos e, portanto, têm que ter privilégios, e os demais, os pecadores, devem ser punidos e banidos do reino. É o comportamento farisaico comum à época de Jesus e que continua até hoje.
"E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas".
Aqui Jesus deixa claro que o Pai sentia-se junto ao filho, ao contrário do que este pensava, e que todos os recursos do Universo encontram-se sempre à nossa disposição para evoluirmos, mesmo quando não sentimos isso.
Deus sempre nos ama, e, por isso, está conosco independentemente de estarmos em comunhão com Ele ou não.
Mas pelo fato do filho estar perto da Casa e não querer entrar, isto é, não querer entrar em comunhão por vontade própria, acreditando que ele está certo e o Pai errado, o seu processo de despertamento acontecerá muito mais tarde, demorará ainda mais do que o do seu irmão mais novo, pois ele deve se perceber primeiro sem máscaras, processo este muito doloroso para o próprio ego, porque lhe fere o orgulho.
Após a queda das máscaras, ele deve reconhecer que existem nele todos os defeitos ocultos por ela, que o desamor está em si mesmo muito vivo, oculto pelo pseudo-amor, e ainda mais intenso, pois o ocultou de si mesmo e dos outros durante muito tempo.
Depois disso deverá tomar consciência de que é ele mesmo a causa de tudo, arrepender-se, para depois reparar todos os equívocos praticados.
Por isso o processo se torna ainda mais demorado em relação ao do seu irmão mais novo, pois o exercício do desamor traz conseqüências imediatas, gerando sofrimento e o desejo de se libertar dele, enquanto a prática do pseudo-amor, porque se parece com o amor e ainda por ser muito aplaudido pelos que cultivam o parecer em detrimento do ser, demora mais tempo para ser percebido como um equívoco.
A mensagem que Jesus quer passar, nesta parte da parábola, é sobre como são nocivas as máscaras, pois nos fazem distanciar mais intensamente da nossa própria essência e, conseqüentemente, de Deus.
A pessoa que usa as máscaras se acha cumpridora das obrigações, acredita-se melhor do que é, mas, na realidade, somente cultiva a aparência de bondade, pois as máscaras provêm do pseudo-amor, parecem amor, mas não são. Estão perto da Casa, mas não dentro da Casa.
Devido a ser um grande empecilho para a evolução humana é que, muitas vezes, Jesus se referiu às máscaras no Evangelho, colocando-as com todas as letras, de uma forma muito clara, bastante enérgica, por serem extremamente nocivas à criatura.
O ser humano pode utilizar vários mecanismos de mascaramento do ego. Vejamos os principais:
COMPENSAÇÃO
Mecanismo de defesa pelo qual se procura compensar um comportamento negativo, substituindo-o por um comportamento aparentemente positivo. O indivíduo busca, consciente ou inconscientemente camuflar, reprimir os seus defeitos e fraquezas pessoais que podem ser reais ou imaginários. Caracteriza-se pelo exagero, pelo excesso das manifestações aparentemente positivas.
A compensação tenta desviar a atenção dos outros desses defeitos, sejam físicos ou morais, através da exacerbação de uma característica socialmente aceita e, muitas vezes, até exigida pelas pessoas como um comportamento verdadeiramente adequado. Mas, como esse comportamento é baseado na repressão das negatividades do ego não-trabalhadas, o que surge é apenas uma máscara que parece mas não é, o valor essencial que se deseja.
Vejamos alguns exemplos práticos desse mecanismo:
Puritanismo: o indivíduo puritano exige de si mesmo, e dos demais, uma pureza que ele próprio está distante de ter internalizada. Tende a dar ênfase muito grande às questões sexuais. Coloca essas manifestações naturais do ser humano como algo pecaminoso, impuro.
Por isso exige de si, e dos outros, uma conduta "impoluta". Está sempre pronto a acusar os outros. Analisando a questão com profundidade, percebe-se que esse fenômeno é pura compensação por desejos sexuais reprimidos e vontade de levar uma vida promíscua, originados nas profundezas do ego, que a própria pessoa consciente ou subconscientemente se recusa a aceitar.
Fanatismo: o indivíduo fanático caracteriza-se pelo excesso de devotamento a uma causa, ou idéia. Quem observa apenas o exterior acha que é uma pessoa muito devotada à sua causa, ou ideal. Mas é apenas aparência, pois percebe-se, em uma análise profunda, que esse devotamento é apenas uma compensação subconsciente, resultado da insegurança interior, sobre a veracidade daquilo em que se pensa acreditar.
Martírio: o indivíduo que se coloca como mártir é aquele que faz o papel do bom/boa, moço(a), é o bonzinho, a boazinha. Está sempre disposto a "sacrificar-se" para "ajudar" os outros, mesmo que para isso ele tenha que passar por cima de suas necessidades. Não é capaz de dizer não. Diz sim para tudo e para todos.
Por isso, todo mártir está quase sempre envolvido por uma ou mais "vítimas" para serem socorridas, atendidas por ele. Quem observa apenas a aparência, acha que ele é uma pessoa carismática, muito boa, sempre disposta a ajudar os outros.
Vitimização: a pessoa que se faz de vítima, normalmente apresenta um sentimento de autopiedade muito grande. Coloca-se como coitada, necessitando do auxílio dos outros.
Quase sempre está associada com os mártires que husca prover as vítimas em todas as suas" necessidades".
A autopiedade surge como um movimento de compensação ao profundo sentimento de culpa e autopunição que a caracteriza. Analisando-se profundamente, percebe-se que a pessoa que assim age, acha-se indigna do amor, devendo ser punida pelos seus erros e, ao mesmo tempo, coloca-se como "coitadinha" para conseguir migalhas de atenção para si.
Mas, analisando a situação sem máscaras, percebe-se que o mártir bonzinho é apenas um indivíduo buscando compensar os sentimentos negativos que detém e, por se sentir inferior aos demais, devido a esses sentimentos, procura disfarçá-los fazendo tudo para os outros, para com isso ser aceito e querido por eles.
Para sermos realmente bons é necessário aceitar e transmutar as negatividades do ego, e não simplesmente escondê-los atrás de uma máscara.
Perfeccionismo: a pessoa perfeccionista é a que procura fazer tudo perfeito, certinho, sem o mínimo erro. Exige essa perfeição de si mesma e das outras pessoas também.
Quando algo sai errado, como é comum acontecer, pois ainda estamos muito distantes da perfeição, o perfeccionista não aceita o erro. Culpa-se e pune-se por isso, quando é ele mesmo a errar, ou culpa e pune a outrem, quando outra pessoa praticou o ato errado.
Observando-se as aparências, poderemos achar que ter perfeccionismo é algo bom, pois a pessoa está sempre procurando fazer as coisas perfeitas. Mas isso é muito diiferente da virtude da busca do aperfeiçoamento constante que provém do Ser Essencial, pois, quem está nesse caminho, aceita que ainda não é perfeito e, portanto, admite o erro, analisando-o como um processo de aprendizado e crescimento. A pessoa que está em busca de aperfeiçoamento constante torna-se alguém flexível, aceitando os erros - seus e dos outros -, como experiências geradoras de aprendizado, fato que não acontece com o perfeccionista.
Euforia: a euforia é muito utilizada para compensar sentimentos de tristeza ou depressão. Para mascarar esses sentimentos, as pessoas utilizam recursos como o álcool, as drogas, festas, compras, sexo, etc. para fugir da tristeza ou depressão que sentem.
Dizem que esses recursos lhes dão alegria, tirando-as do estado de depressão. Mas, se observarmos atentamente, perceberemos que essa alegria é falsa; é apenas euforia, pois uma vez cessado o efeito do álcool e das drogas ou terminada a festa, ou as compras, elas voltam a sentir uma depressão ainda maior que a anterior até que, novamente, voltam a fazer uso do mesmo expediente, num círculo vicioso.
Resumindo: todas as vezes que o indivíduo atuar através de atitudes exageradas, em qualquer área, estará camuflando desejos subconscientes opostos. A compensação leva o ego a mascarar esses desejos, ignorando o desequilíbrio que fica bloqueado e reprimido no subconsciente. O grande problema é que todo conflito recalcado não fica mascarado por muito tempo; termina por aflorar com força, gerando distúrbios muito graves, dos quais a pessoa não poderá fugir.
É necessário que cada indivíduo aceite as suas negatividades do ego, trabalhando pelo seu crescimento interior, através de ações, que ao invés de mascará-las, venham a transmutá-las com a energia do amor.
PROJEÇÃO
É também chamada de transferência. Mecanismo de defesa que leva o indivíduo a interpretar os pensamentos, os sentimentos e as atitudes de outras pessoas, em função das suas próprias tendências. O ego reprime os seus conflitos de personalidade, projetando-os em outras pessoas, fugindo da aceitação de seus erros e da responsabilidade por eles.
A projeção dos sentimentos interiores no mundo exterior comumente significa ver, no outro, aquilo de que não se gosta em si mesmo. Toda vez que alguém acusa, com veemência, determinadas características negativas dos outros está, na realidade, projetando-se nele, transferindo as negatividades do ego que o indivíduo não deseja reconhecer em si mesmo, para outra pessoa. Há uma necessidade de combater no outro, o que ele gostaria de ocultar de SI mesmo.
Uma das formas mais comuns de projeção é a necessidade de se culpar os outros pelas próprias atitudes, transmitindo para outrem a responsabilidade sobre si mesmo. Por exemplo: uma mãe que não dedica todo o tempo que é necessário para ajudar o seu filho com o dever de casa, pode projetar a professora como a culpada pelo insucesso do seu filho na escola.
A única forma de se libertar da projeção é interromper esse mecanismo de transferência, aceitando os seus defeitos e responsabilizando-se pelos seus erros e acertos e, com isso, tornar-se uma pessoa melhor.
RACIONALIZAÇÃO
É um processo pelo qual o indivíduo busca justificar quaisquer pensamentos, sentimentos ou ações que julgou inaceitáveis, mediante motivos justos aparentes que são mais toleráveis do que os verdadeiros. As razões reais de sua conduta são mascaradas por alegações falsas. A pessoa não admite que aquela ação que ela quer realizar é errada, embora em sua consciência isso esteja bem claro. Apesar disso, assume a máscara egóica da racionalização.
Por exemplo: uma pessoa que explora uma empregada doméstica que recebe um salário baixo, não podendo suportar a angústia de se perceber como exploradora da outra, justifica a sua atitude dizendo: "Ela é muito incompetente e não merece ganhar mais do que isso", "Se fosse trabalhar na casa de outra pessoa, ela ganharia menos, porque é muito burra".
Outro exemplo é a vontade de praticar a eutanásia em um parente terminal, sob a alegação de que é mais humano, pois evitaria o sofrimento daquela pessoa. Na verdade busca-se encobrir, com essas alegações pretensamente humanitárias, os próprios sentimentos contrários à permanência daquele parente, pois ele gera muito trabalho e angústia.
Outro fato muito comum, inclusive reforçado por alguns terapeutas, é a prática de se colocar para fora todos os sentimentos de revolta, raiva, cólera em cima das pessoas e que são racionalizados como algo terapêutico, necessário, para se liberar do estresse. Na realidade, ninguém tem o direito de "vomitar" os seus desequilíbrios em cima dos outros, devendo, antes de tudo, examinar as causas pelas quais está sentindo tudo aquilo para poder transmutar os sentimentos, sem fazer mal a si mesmo, "'engolindo" a raiva e a cólera, ou aos outros "'vomitando-as", pois esses sentimentos, sendo uma energia, saem de nós e retornam para nós e todos acabam ficando mal com isso.
Esse mecanismo de fuga torna-se um desequilíbrio psicológico grave, se continuamente utilizado, pois ninguém pode mudar um mal em bem, apenas porque se recusa a aceitar conscientemente esse mal, que deve ser trabalhado a fim de ser transmutado, ao invés de ser ignorado, ou justificado, através da racionalização. A continuidade desse processo culmina na perda do sentido existencial.
IDENTIFICAÇÃO
Também chamado introjeção. É o mecanismo pelo qual o indivíduo se identifica com valores observados em outra pessoa e que passam a ser vistos como sendo seus valores.
É comum, em virtude desse mecanismo, as pessoas se identificarem com heróis ou ídolos e se acharem parecidas com eles, assumindo-lhes a forma, os hábitos, os traquejos e trejeitos, o modo de falar e de comportar-se, etc. Por exemplo: esquerdistas que se identificam com Che Guevara ou Fidel Castro e passam a se vestir como eles, usando barba, boina, etc.; cultuadores de Elvis Presley que se vestem, penteiam-se como o ídolo.
Hoje é muito comum a identificação com personagens ficticios de telenovelas, filmes e outros programas de televisão, criando-se uma verdadeira dependência, um vício, haja vista o número de revistas que se dedicam exclusivamente ao tema, relatando o que acontece com as personagens e os seus respectivos intérpretes. Isso resulta numa fuga da realidade da vida, por parte dessas pessoas, que passam a viver numa ilusão, identificando-se com ídolos que só existem em sua imaginação.
A identificação é uma tentativa do indivíduo de substituir o vazio interior, através de modelos, ou ídolos, para servirem de referência e, com isso, tentar buscar o preenchimento desse vazio. O resultado é totalmente ineficaz, pois só se consegue preencher esse vazio através do amor. Isso só será possível quando cada um assumir a sua realidade interiior, identificando-se consigo mesmo em essência, mantendo o equilíbrio emocional pelo autoconhecimento, eliminando as ilusões de ser uma outra pessoa que, embora proporcionem um prazer imediato, terminam por alienar o ser.
DESLOCAMENTO
É o mecanismo pelo qual se desloca um sentimento negativo de uma pessoa ou situação, para uma outra pessoa ou situação.
Quando experimentamos, por exemplo, um sentimento de revolta ou de animosidade contra alguém ou alguma coisa, mas as circunstâncias não permitem expressá-lo, deslocamos esse sentimento para reações de violência contra objetos que são quebrados, ou outras pessoas, que não têm a ver com o problema.
Exemplificando: uma pessoa tem uma dificuldade com o chefe no trabalho e, ao chegar em casa, desloca a sua raiva brigando com a mulher, ou o marido, ou com os filhos.
Outra situação comum é quebrar objetos como pratos, dar murros na parede, quando encolerizados. A pessoa desloca a vontade de bater em quem é o motivo da sua cólera para os objetos que destrói.
NEGAÇÃO
A negação é a recusa em reconhecer aquilo que não se quer ver. Por exemplo: fingir não se preocupar que o conjuge esteja sendo infiel, é um tipo de negação muito comum.
Outro tipo de negação é a recusa no reconhecimento dos evidentes malefícios do alcoolismo e do tabagismo. Por mais que se conheçam todos os problemas causados por esses vícios, as pessoas continuam bebendo e fumando. O que comumente se diz: "Esse problema não vai acontecer comigo", como se os problemas só acontecessem com os outros.
"Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha se perdido e achou-se".
Aqui Jesus se refere a justiça divina sempre presente para todos os filhos de Deus, quando o Pai chama a atenção do seu filho mais velho para o fato do seu irmão ter revivido, mas este já não o reconhece como irmão, tampouco se alegra com o fato de ele ter retornado à Casa.
A justiça divina é feita de compaixão, de misericórdia, Deus quer que todos os seus filhos revivam, se auto-encontrem e se alegra e regozija quando isso acontece, mas aqueles que vivem cultivando as máscaras não vêem justiça nisso, apenas privilégio com aqueles que, em sua visão, não merecem essa consideração.
Eles querem que Deus os tratem melhor do que os outros, pois acham isso justo e não vêem justiça na compaixão. Querem que Deus os cubram de graças por estarem praticando o que acreditam ser obrigação e, aos que não as cumprem, que Deus cubra de desgraças. São as posturas dos "fariseus" de todas as épocas, presentes no seio de todas as sociedades e que grandes dificuldades causam à marcha do progresso da humanidade.
Fundamental que todos nós tomemos consciência das máscaras que costumamos usar, para nos libertarmos delas, e possamos entrar na Casa, vivermos em comunhão com Deus como um filho dileto que tem interesses em comum com o Pai, e se alegra e regozija com todas as suas ações.
Façamos um resumo dos arquétipos psicológicos contidos nesta parábola riquíssima em conteúdos psíquicos, que traz, em seu âmago, modelos que definem posturas do ser humano.
ARQUÉTIPO DO FILHO PRÓDIGO - representa todos os seres humanos que utilizam o livre-arbítrio na prática do desamor, produzindo o mal para si mesmos e para os outros na busca dos prazeres egóicos, desperdiçando os recursos que recebem de Deus para evoluir, tendo, como conseqüência, a carência e o sofrimento. É nesta prática, profundamente materialista, na qual nos distanciamos de nossa espiritualidade e religiosidade, que acontece a gênese espiritual das doenças.
ARQUÉTIPO DO FILHO ARREPENDIDO - representa os seres que, após sofrerem as conseqüências da escolha da prática do desamor, tomam consciência do mal que praticaram optando pelo desamor, se arrependem e resolvem retomar à Casa do Pai, ao amor do qual se distanciaram e à comunhão com o Amor Divino. É nesta prática que retomamos à saúde espiritual, nossa destinação desde o instante em que fomos criados.
ARQUÉTIPO DO FILHO APARENTEMENTE DEDICADO - representa os seres que tentam esconder o desamor que trazem em si, desenvolvendo o pseudo-amor, no qual buscam aparentar uma dedicação que, de fato, não possuem. Tentam com isso enganar aos outros e até Deus - como se isso fosse possível- com essa falsa dedicação, mas, em realidade, apenas enganam a si mesmos, pois, apesar do pseudo-amor parecer amor, não o é, fazendo, com que adiem a comunhão com o amor verdadeiro.
Nesta prática intensificamos a doença espiritual, que se torna de difícil superação, muito mais difícil do que quando vivenciamos a condição do Filho Pródigo, pois estará gerando doenças que não vemos como tal, fazendo o nosso corpo e a nossa mente sofrerem intensamente, até que as máscaras caiam para percebê-las, e possamos fazer o caminho de volta à Casa do Pai. 

EXERCÍCIO VIVENCIAL:: A GÊNESE ESPIRITUAL DA SAÚDE 

1. Coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes. 

2. Agora reflita sobre a sua vida como um todo. Em que situações você tem atitudes semelhantes ao Filho Pródigo, que utiliza o seu livre-arbítrio em práticas que lhe geram sofrimento? 

3. Agora pense nas atitudes que você tem semelhantes à postura de seu irmão mais velho, mascarando as suas negatividades. 

4. Agora reflita sobre as atitudes nas quais você age como o Filho Pródigo arrependido. Qual é o seu nível de arrependimento? Que atitudes você tem para reparar as suas faltas? O que você pode realizar para estimular em si mesmo(a) essa postura proativa de arrependimento e reparação das faltas, perante a sua própria consciência. 

5. Agora imagine-se em uma situação semelhante à do Filho Pródigo arrependido diante do seu Pai amoroso o/a recebendo de braços abertos com muito amor e compaixão. Como você recebe esse amor e compaixão? 

6. Agora pergunte-se: como será a sua vida a partir do momento em que você, definitivamente, tomar a decisão de parar de utilizar, deliberadamente, o seu livre-arbítrio para atitudes que podem lhe gerar prazer, num primeiro momento, mas que lhe produzem sofrimento logo após? 

7. Faça a mesma questão com relação às máscaras que você utiliza. 

8. Anote as suas respostas

Alírio de Cerqueira Filho

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