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sábado, 14 de maio de 2011

Autoconhecimento

A IDENTIFICAÇÃO DAS CAUSAS PROFUNDAS DAS DOENÇAS E DOS MECANISMOS INTERIORES DE SAÚDE ESPIRITUAL

O AUTOCONHECIMENTO É FUNDAMENTAL para a saúde espiritual, pois é através dele que desenvolvemos a autopercepção, que é a atitude de vigilância permanente aos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos que nos distanciam de nossa essência e comunhão com Deus, de modo a nos tornar autoconscientes.
Essa consciência de nossos pensamentos, emoções e comportamentos desequilibrados é uma aptidão fundamental que estará gerando o autodomínio, permitindo que possamos dominar as dificuldades que trazemos, a fim de obter a saúde.
Uma pergunta deve estar lhe vindo à mente, caro internauta: como desenvolver a autopercepção de modo a se obter a autoconsciência?
A autopercepção é desenvolvida através do exercício do discernimento, isto é, aprender a discernir como se originam os nossos pensamentos, emoções e comportamentos com o objetivo de reforçá-los, quando equilibrados, e transmutá-los, quando desequilibrados.
Para exercitar essa capacidade é necessário conhecer como a nossa mente funciona, e como o seu funcionamennto gera alterações no corpo físico, para poder ter ciência da atitude a tomar, quando nos deparamos com alguma dificuldade.
O processo de autoconhecimento possibilita, também, sabermos como a identificação com o ego produz alterações energéticas em nosso perispírito e no corpo físico, e como podemos realizar a desidentificação do ego e a identificação com a essência, e obter o equilíbrio gerador da saúde.
Outra questão importante no processo de autoconhecimento é saber como o nosso psiquismo gera alterações no corpo fluídico, através do funcionamento dos chakras que podem ser estimulados, ou desestimulados, através dos pensamentos e sentimentos.
A seguir abordaremos essas questões para que, ao conhecê-las, possamos aprender a canalizar o nosso potencial para o equilíbrio dos pensamentos, sentimentos e emoções e obter a saúde espiritual.
Para compreender como a mente funciona e o seu papel no processo saúde/doença, observemos a figura abaixo, que traz um esquema explicativo do funcionamento do binômio mente/corpo.
Observamos uma pessoa recebendo influências sobre a forma de estímulos do ambiente, os diversos territórios nos quais ela vive, que estão representados, no esquema, pelas setas.
Estes estímulos podem ser positivos ou negativos e estarão produzindo em nossa mente os esquemas cognitivos, que são arquivos mentais registrados em nossos arquivos de memória, e que são gerados por uma situação específica que acontece em algum momento de nossa vida.
Os esquemas cognitivos são formados a partir de experiências vividas no passado da pessoa, em sua vida como espírito imortal, tais como: nas experiências reencarnatórias passadas; nos períodos ocorridos entre uma encarnação e outra; na existência atual, no momento da concepção; na vida intra-uterina; na 1ª Infância; 2ª Infância; adolescência e vida adulta.
Estes esquemas produzem pensamentos que passam a conduzir a vida do indivíduo de acordo com o seu teor. Os pensamentos, dependendo da intensidade do esquema, se transformam em crenças, que são pensamentos automáticos que se fixam na mente, pois são reforçados continuamente através de padrões verbais num diálogo interno, ou pela linguagem articulada, bem como por imagens mentais.
Quando estes esquemas são resultado de uma experiência desequilibrada, produzem sentimentos negativos e comportamentos desajustados. Quando equilibrados, geram sentimentos salutares e comportamentos construtivos.
Para entender melhor, façamos uma comparação do funcionamento da mente humana, com um computador chamado antigamente de cérebro eletrônico -, por ser, aliás, uma cópia imperfeita do cérebro humano.
O computador tem uma parte física chamada de hardware, no qual temos o chamado disco rígido, onde ficam armazenados os arquivos de programas. Podemos fazer uma analogia do disco rígido com o cérebro em nosso corpo físico.
No entanto, o computador não funciona se não houver programas que o façam funcionar, chamados de softwares. São os programas que dão utilidade ao computador, no caso dos vários programas criados para facilitarem a vida do usuário. Existem outros programas que dificultam o funcionamento do computador, como os vírus.
Podemos comparar os softwares aos esquemas cognitivos armazenados em nosso cérebro, tanto o do corpo físico, quanto o do corpo fluídico, pois sabemos que os esquemas cognitivos não dependem, apenas, do cérebro físico para se instalar, mas de todo o conjunto. Da mesma forma como existem softwares bons e ruins (os vírus), os esquemas cognitivos também podem ser bons ou ruins. Bons, quando produzem crenças equilibradas e geram sentimentos positivos e ruins, quando geram crenças limitadoras e sentimentos negativos.
O conjunto de esquemas cognitivos dá origem ao sistema de crenças. Estes esquemas cognitivos, geradores das crenças, são produzidos em experiências passadas pela pessoa, durante a sua história de vida. A experiência gera uma cognição, isto é, um aprendizado a partir de um fato sensitivo ou negativo que, uma vez fixado na mente, torna-se uma crença que passa a condicionar a vida do individuo de acordo com o seu teor. 

 O conjunto de crenças forma o que chamamos de mapa interno, isto é, a maneira pela qual observamos o território, que será particular de cada pessoa. Por isso somos pessoas únicas. Cada um de nós vê o mundo de acordo com as suas experiências. Não existe nenhuma pessoa que tenha um mapa do território igual à outra, pois somos pessoas com experiências diferentes que geraram crenças diferentes e por isso a nossa visão de mundo é toda particular.
Esta forma de ver o mundo geralmente passa por distorções, pois o indivíduo tende a enquadrar o território de acordo com o seu sistema de crenças. O sistema de crenças é o orientador da criatura, dirigindo a sua vida.
Os nossos pensamentos produzem sentimentos que geram o estado emocional, isto é, ao pensarmos em algo, imediatamente sentimos isso, produzimos emoções, que é um misto de sentimentos e sensaçôes viscerais que estarão, por sua vez, gerando um estado fisiológico, a partir da estimulação equilibrada ou desequilibrada, tanto do corpo fluídico, quanto do físico.
Por exemplo, quando uma pessoa tem uma prova importante para realizar e pensa que não conseguirei passar, expressando através do seguinte padrão de crenças: "Eu não vou conseguir; não sou capaz de estudar direito; na hora de provar se aprendi, me dá um branco e não lembro de nada; sempre acontece isso comigo. ", etc. Ao pensar dessa maneira a pessoa imediatamente irá sentir muita insegurança, ansiedade e medo, sentimentos que estarão sendo expressos através de um estado emocional de profunda angústia, inibindo o fluxo das energias no corpo fluídico perispiritual, gerando tremores, sudorese fria nas extremidades do corpo físico, diarréia, urgência urinária, etc.
Os sentimentos geram comportamentos expressos através de atitudes, produzindo resultados que estarão reforçando as crenças que a pessoa traz em si mesma.
No exemplo acima, a pessoa que traz essas crenças estará produzindo, em si mesma, todos esses sentimentos negativos e um estado fisiológico totalmente inadequado para o momento da prova. Como todas essas crenças estão sendo reforçadas em sua mente, na hora da prova dificilmente ela conseguirá permanecer calma, resultando num comportamento totalmente inadequado, no qual a sua mente ficará bloqueada e o "branco" irá ocorrer necessariamente.
O seu comportamento será de permanecer acuada diante daquele perigo irreal que a sua mente criou e, com isso, o seu resultado será pífio. Ao obter esse resultado, todo o sistema de crenças é reforçado num círculo vicioso.
Nem sempre o processo é simples como nesse caso. Para melhor compreender como funciona a nossa mente e como as doenças se instalam a partir da mente, vamos estudar a história de vida de uma pessoa para perceber os momentos das quais se formam, ou são reforçados, os esquemas cognitivos, como eles geram as crenças e, posteriormente, os sentimentos, estado emocional e comportamentos, e como ISSO estará afetando o corpo e a própria mente. 

É fundamental, para todos nós que buscamos a saúde espiritual, conhecermos os mecanismos de instalação das doenças a partir de nossa mente para podermos revertê-los, desenvolvendo a saúde.
É com esse objetivo que vamos estudar a história de vida de Maria. (Nome fictício. A história aqui narrada é real, mas os dados foram modificados com o objetivo de preservar a identidade da pessoa).
Maria é uma senhora de 48 anos, solteira, que busca ajuda para tratar de uma depressão moderada que se agrava há 4 meses, tornando-se severa atualmente. Anteriormente a depressão era leve para moderada e segundo conta, suportável. Pelo que ela se lembra, sempre teve uma tendência depressiva, desde a infância.
Maria traz uma crença muito forte de que merece sofrer para se livrar de uma culpa muito intensa, que traz em si mesma. Ela vive repetindo: "Eu não tenho direito de ser feliz, preciso sofrer muito".
Essa culpa que sente é enorme, como se tivesse cometido um crime, e não sabe a razão, pois diz que nunca fez nada de mau para ninguém que justifique uma culpa dessas, mas mesmo assim, não consegue se livrar da ansiedade de consciência e da culpa.
Os seus pensamentos são extremamente negativos e são tão automáticos, que ela nem se apercebe de seu teor, gerando sentimentos de tristeza profunda, desânimo, autooestima deficiente e comportamentos de autoboicote, que faz com que as pessoas se afastem dela, a ignorando.
Tem atitudes, o tempo todo, que boicotam a sua harmonia interior.
Fisicamente sente uma debilidade, um desânimo muito grande. Falta-lhe vitalidade para realizar as mais simples atividades do cotidiano. Para completar esse quadro, com o agravamento da depressão, começou a ter dores pelo corpo todo. Como ela diz: "Eu sinto dores dos pés à cabeça. Todos os meus músculos doem. Não posso nem tocá-los".
Maria teve uma infância e adolescência muito difíceis, pois foi educada de forma castradora. O seu pai vivia dizendo para ela, toda vez que tinha alguma dificuldade com os deveres escolares, ou com qualquer tarefa doméstica: "Maria, como você é burra; você é uma desajeitada; como é lerda essa menina, não dá conta de fazer nada; essa menina nunca vai ser alguém na vida de tão burra e lerda que ela é".
Várias vezes ele a comparava com o irmão: "Maria, porque você não faz as coisas como o seu irmão, esse sim é capaz, é inteligente". O pai estava sempre repetindo estas e outras repreensões semelhantes, que a desqualificavam.
A mãe era extremamente submissa ao pai e acabava concordando com ele, fato que agravava as dificuldades vividas por Maria.
Em virtude disso, Maria passou a ter uma postura cada vez mais inibida, dificultando muito a sua performance na escola, onde as admoestações dos professores acabavam por ampliar, mais ainda, a sua situação de menosvalia, fazendo com que Maria tivesse medo de freqüentar as aulas, fazer as provas, etc.
Ela vivia dizendo para si mesma: "Eu sou mesmo burra, não sou capaz de aprender; eu não valho nada; eu não consigo fazer nada certo".
Com isso, a mente de Maria estava sempre cheia de pensamentos automáticos limitadores: "Será que vou conseguir me sair bem na prova, passar de ano?; Eu tenho que estudar muito para conseguir aprender o que os outros conseguem com facilidade".
Associado a esses pensamentos, Maria imagina-se não conseguindo resolver as questôes durante a prova; recebendo zero do professor; sendo ridicularizada pelos professores e colegas, etc.
É claro que, devido a estes tipos de pensamentos e imagens mentais, Maria vivia em estado de tensão, ansiedade e muita insegurança. Em casa estava sempre arredia, com medo de fazer qualquer tarefa doméstica e ser repreendida pelo pai.
Dizia que não era capaz de fazer nada direito. Vivia repetindo para si mesma e para os outros: "Eu não consigo fazer nada direito; eu sou uma imprestável; sou incapaz". Quando pensava assim entrava em depressão e não via solução para a sua vida, momentos em que pensava em morrer.
Na escola, devido a sua dificuldade em aprender, muitas vezes foi chamada de burra, imbecil, lerda, etc. pelos professores, que a colocavam várias vezes de castigo, por não conseguir fazer os deveres de forma efetiva.
Maria passou toda a sua infância e adolescência ouvindo as mesmas repreensões, tornando-se uma pessoa com uma auto-estima extremamente deficiente, tímida, insegura, pessimista, com um complexo de inferioridade muito grande.
Na maioria das vezes sentia-se incapaz de mudar qualquer situação difícil que se apresentava, achando-se vítima do mundo e das circunstâncias.
Quando adulta, muitas vezes reagia a este estado, dizendo para si mesma: "Isso não pode ser assim; eu não sou burra; eu não sou incapaz; eu preciso sair dessa; eu tenho que mostrar que sou capaz".
Quanto pensa assim, imagina-se realizando o que deseja, mas tem dificuldade de fixar essas imagens. Com isso torna-se exigente consigo mesma, buscando provar para si e para os outros, que é capaz, que consegue realizar as coisas, mas no primeiro resultado negativo, volta novamente à posição de vítima, dizendo para si mesma que não tem jeito mesmo, que não é capaz de fazer nada certo, que tem mais é que se conformar com isso, etc.
Apesar de todas as dificuldades, Maria conseguiu se formar num curso superior e hoje trabalha como funcionária pública.
Outro hábito forte que Maria tem é o de lembrar-se nas dificuldades que teve no passado, remoendo os seus erros, revoltando-se com a educação recebida dos seus pais e professores. Nessas situações sente um ódio intenso do pai e, em menor intensidade, da mãe e dos professores. Mas, remoe este sentimento de maneira intensa, tornando-se extremamente ressentida com os pais.
Acredita-se vítima deles. Especialmente do pai que a tratou de forma rude no passado, e da omissão da mãe, que permitiu essa rudeza. Sente que, nestes momentos, a sua depressão se agrava.
Com tal atitude projeta um futuro de forma extremamente pessimista, achando que a sua vida é inútil e que só lhe resta esperar por um futuro medíocre.
Está sempre na defensiva, achando que todo mundo está contra ela. Acha que, a qualquer momento, vai ser vítima de alguém que vai fazê-la sofrer. Acredita que é por isso que nunca se casou, apesar de desejar muito tê-lo feito. Sempre quis ter um marido e filhos, mas, segundo ela, nunca deu certo porque ela afasta as pessoas.
Maria tem uma atitude arredia e não tem amigos, pois acha que ninguém gosta dela, e a qualquer momento vão fazer alguma coisa para que ela sofra. Quando tem tais pensamentos acredita que a sua vida sempre será assim, que não pode fazer nada para mudar isso, reforçando a sua crença de que não merece ser feliz.
Nestas situações sente-se muito deprimida, não enxergando uma solução para a sua vida. Muitas vezes pensou em se matar para acabar com todo esse sofrimento.
É dessa forma que Maria tem vivido. Buscou ajuda várias vezes, para minimizar o seu sofrimento, mas sem muito sucesso, pois ela mesma não acreditava que a ajuda poderia ser útil.
Um certo dia Maria ouviu falar da psicoterapia Iranspessoal. Tomou uma decisão de tentar mais uma vez, pois não estava agüentando mais viver naquela situação. Disse que seria a sua última tentativa.
Após iniciar o tratamento, o terapeuta buscou ajudá-la a ressignificar a sua vida, observando-a por um ângulo otimista-realista, de modo a que ela a visse como uma oportunidade de evolução espiritual, por mais difícil que fosse.
Maria evoluiu bastante nesse processo. Ampliou a sua auto-estima, tornando-se mais otimista. Aprendeu a ressignificar as suas crenças, tendo feito enormes progressos com relação às crenças secundárias. Mas a crença principal, aquela na qual acreditava que era culpada de um crime, e que merecia sofrer por causa disso, não conseguiu ressignificar.
O terapeuta lhe explicou que uma crença desse tipo tem a sua causa no passado espiritual, e que é preciso muita determinação e auto-amor para se transmutar uma crença desse nível.
Aventou a possibilidade de realizar uma regressão de memória com o intuito de buscar, no seu passado espiritual, as causas dessa crença.
Apesar de Maria não ter nenhuma noção sobre reencarnação, achou plausível a idéia de que aquela ansiedade de consciência pudesse vir de uma oportunidade vivida anteriormente, porque não conseguia explicá-la na vida atual, pois nunca havia feito nada de grave para ninguém.
Numa sessão terapêutica de regressão, Maria descobriu fatos que a fizeram repensar a sua vida. Em uma encarnação anterior ela teve uma família composta de marido e quatro filhos carinhosos.
Num determinado momento ela conheceu um outro homem do qual se enamorou, vindo a abandonar a sua famíília, para se unir a ele. Deixou os filhos, ainda pequenos, em casa com o esposo e fugiu com o amante para outra cidade.
O seu esposo, não suportando a dor do abandono, tornou-se alcoólatra, gerando grandes dificuldades para seus quatro filhos, que sofreram muito com o abandono da mãe e o alcoolismo do pai.
Após a sua desencarnação, reencontra o seu esposo, já desencarnado que, movido por vingança, passa a persegui-la, acusando-a de tê-lo assassinado aos poucos e provocado a infelicidade dele e dos filhos.
Maria, nessa fase, é tomada de um sentimento de culpa e remorsos acerbos. E permite que o seu ex-esposo faça com ela toda espécie de sevícias, coadjuvado com outros espíritos oportunistas.
Nessas ocasiões repete, até à exaustão, as seguintes palavras: "eu sou culpada; tenho que sofrer para sempre; o que fiz não tem perdão; nunca mais mereço ser feliz".
Na vida intra-uterina Maria reconhece o pai de hoje, como o marido de outrora. No momento de seu nascimento, Maria reluta muito em nascer, pois sente muito medo da convivência com o pai - o esposo traído e obsessor de ontem. Essa relutância em nascer produz dificuldades no seu parto, que é muito demorado, quase tendo causado a sua morte e a da mãe, fato que ela não sabia antes de se submeter à regresssão, e que é confirmado posteriormente pela sua mãe.
Após reviver esses fatos bastante reveladores, Maria é submetida a técnicas de ressignificação essencial, nas quais são trabalhados o autoperdão e o perdão ao ex-esposo do passado e hoje pai. Outras técnicas de auto-aceitação e auto-amor incondicional também são realizadas.
Somente a partir daí é que o processo depressivo torna-se controlado, praticamente desaparecendo, ficando, apenas, uma tendência depressiva, que ela própria conseguia trabalhar, através da ressignificação das crenças atuais e outras técnicas simples.
Façamos uma análise desta história dentro do esquema do funcionamento da mente, para compreendermos de uma forma prática como ele se dá.
Vemos que Maria traz várias crenças, desde crenças superficiais do tipo: "Eu não consigo fazer nada direito", "Será que vou conseguir sair bem na prova, passar de ano? Eu tenho que mostrar que sou capaz", até crenças profundas do tipo existenciais como, por exemplo: "Eu sou culpada; tenho que sofrer para sempre; o que fiz não tem perdão; nunca mais mereço ser feliz; eu sou burra; eu sou lerda; não valho nada".
As crenças superficiais são geradas por uma tentativa de reagir ou questionar pensamentos e sentimentos gerados pelas crenças profundas. Têm como característica principal estarem relacionadas à capacidade, ou suposta incapacidade, da pessoa.
As crenças profundas são existenciais que, quase sempre, começam com os termos "eu sou ... ", ou que negam a possibilidade de fluir sentimentos essenciais profundos como a felicidade, o perdão, o amor, o autovalor.
São produzidas pela própria pessoa em qualquer fase de sua vida, na existência atual ou em passadas, como é o caso da encarnação anterior de Maria, e que foram reforçadas, sistematicamente, na existência atual.
Essas crenças se instalam sob a forma dos esquemas cognitivos nos circuitos cerebrais físicos e extra físicos, do corpo fluídico ou perispírito, por isso Maria trazia a crença de que era culpada por um crime, mesmo não o tendo praticado na atual existência, mas na existência anterior.
Esses tipos de crenças também podem ser produzidos por estímulos de terceiros, especialmente na primeira infância, resultado de uma educação castradora, como a que Maria recebeu.
Na história de vida de Maria a repetição sistemática da forma negativa com que o pai, a mãe, professores e outros adultos importantes se comunicavam com ela, funciona como uma ordem hipnótica para a criança, pois, para ela, o adulto tem uma onipotência sobre a sua vida, especialmente os pais.
Imaginemos uma criança, principalmente na primeira infância, fase na qual ela não consegue distinguir as dificuldades do pai - que não lhe pertencem -, com as próprias dificuldades, ouvindo durante anos a fio, dia após dia, frases como estas: "Maria como você é burra; você é uma desajeitada; como é lerda essa menina"; carregada de energias agressivas.
Após um certo tempo, aqueles esquemas cognitivos se tornam uma crença. A pessoa passa a crer que não tem nenhum valor, que é incapaz, etc. Isso é reforçado pela própria pessoa através da linguagem falada, ou do diálogo interno (a conversa muitas vezes incessante que a pessoa tem consigo mesma). Vimos, na história, que a própria Maria começou a dizer de si mesma: "eu sou mesmo burra, não sou capaz de aprender; eu não valho nada; nâo consigo fazer nada certo ".
Essas falas, normalmente, são repetidas sistematicamente e produzem, de forma auto-hipnótica, com o passar do tempo, as crenças existenciais do tipo "eu sou ... ", muito arraigadas e de difícil ressignificação, especialmente quando a pessoa já traz outras crenças semelhantes do passado espiritual.
Raras vezes uma crença é auto-induzida de forma primária. Vejamos um exemplo de como isso pode acontecer: uma jovem de 18 anos um dia é estuprada pelo próprio namorado. Durante e, principalmente, após a experiência traumática, cria uma auto-indução do tipo: "Nunca mais confio em homem algum ", "Todos os homens não prestam e não merecem a minha confiança". Estas crenças passam a conduzir a sua vida afetiva, até que sejam ressignificadas.
A partir das crenças surgem os pensamentos automáticamente limitadores (crenças secundárias): "Será que vou conseguir me sair bem na prova, passar de ano?"; "Será que vou ser capaz de fazer ... ?"; "E se eu não for capaz? Eu tenho que mudar muito para conseguir aprender o que os outros conseguem com facilidade", etc.
Esses pensamentos, além de expressos através dos palavrões verbais aqui citados, são acompanhados de imagens mentais que os reforçam. Tudo isto produz sentimentos como deficiência de auto-estima, sentimento de inferioridade, ansiedade, impotência, insegurança, timidez, etc., refletindo num comportamento tenso, arredio, defensivo, como se a pessoa fosse vítima de tudo e de todos.
Ao mesmo tempo tudo isso produz um estado fisiológico bastante desequilibrado, no qual a pessoa bombardeia o seu corpo com esses pensamentos e sentimentos desequilibrados, produzindo a extrema debilidade, a fadiga intensa, o desânimo e as dores musculares que Maria tem o tempo todo.
Esses sintomas no corpo físico afetam os resultados obtidos pela pessoa que vão se tornando cada vez mais negativos, que estimulam, ainda mais, as crenças limitadoras, fechando o ciclo. Essas crenças tornam-se um vício retroalimentado.

EXERCÍCIO VIVENCIAL - REFLETINDO SOBRE O FUNCIONAMENTO DA MINHA MENTE:

1. Inicialmente faça um estudo detalhado da Figura 3, buscando se colocar no lugar da pessoa do esquema.

2. Agora coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes.

3. Agora reflita sobre como têm sido os seus pensamentos (crenças), sentimentos e comportamentos? Que tipo de sintomas as suas crenças e sentimentos têm produzido em seu corpo?

4. Que ações você pode implementar para melhorar os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos?

5. Anote as suas respostas.

Alírio de Cerqueira filho

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