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segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Mudança de Sentimentos

REALIZANDO AÇÕES PARA DESENVOLVER A SAÚDE ESPIRITUAL

O indivíduo que deseja a saúde espiritual realizando o processo de auto-iluminação, deve tomar situação de si, através da identificação com o próprio Ser Essencial, partindo da realidade em que se encontra objetivamente, para aferir aquilo que merece mudança, desidentificando-se do ego.
Façamos uma comparação metafórica. Suponhamos que uma pessoa vá reformar a sua casa. É preciso que conheça bem a casa, a estrutura estética, externa, a infra-estrutura, encanamento, rede elétrica para saber de sua ineficiência.
Uma vez tomado pé da situação, ela estabelece prioridades dentro de sua capacidade econômica de reforma. No caso, a pessoa vai, dentro de sua capacidade de escolha, estabelecer prioridades daquilo que vai modificar .
Se estiver preocupada com o que os outros vão pensar, possivelmente reformará, somente, a fachada da casa, descuidando dos problemas de infra-estrutura. São aquelas que, tomando contato com a face evidente do ego, criam as máscaras.
Há aqueles outros que fazem paliativos, colocando coisas provisórias. Mudam superficialmente, e logo os problemas voltam a se apresentar da mesma forma.
E há os que fazem o que precisa ser feito na casa.
Realizam a reforma, tanto na infra-estrutura, quanto nas partes externas. São semelhantes às pessoas que, a partir do autoconhecimento, entram num processo de autodomínio tomando um contato verdadeiro com o que precisa ser reformado.
Quando o indivíduo não busca o autoconhecimento para reformar o que necessita, mais cedo ou mais tarde, entrará numa crise emocional. As crises emocionais surgem a partir das emoções em conflito, de limitações que mantemos.
Normalmente, quando surgem os conflitos, a pessoa tende a ignorar, disfarçar, reprimir, fugir, autocondenar, ou se acomodar a eles. Em virtude disso, os fatores que constituem os conflitos vão se ampliando, até que se dá a crise. Semelhante a um rio, no qual obstaculizamos o seu curso, através de uma represa, sem um vertedouro. Vai haver um momento em que a água transbordará, ou a represa se romperá.
No ser humano ocorre o mesmo fato; adia-se a resolução dos conflitos até que aconteça a crise, sob a forma de doenças físicas ou mentais, como a depressão, o transtorno do pânico, a ansiedade, etc.
Quando a pessoa percebe as coisas de forma imatura, sem buscar o autoconhecimento, se tiver uma tendência reativa, entra num estado de revolta no qual tenta acha os culpados pelo seu estado. Ela pode culpar pessoas da sua convivência, o governo, a sociedade, a si mesma, etc.
Se for uma pessoa com tendência passiva, ficará se lamentando, esperando que alguma coisa venha a acontecer. De qualquer maneira, a pessoa não assume a responsabilidade sobre a sua vida, e continua fugindo do autoencontro que a libertará das crises.
Quando o indivíduo já possui uma percepção madura dos fatos, analisa o conflito com responsabilidade, buscando perceber, em si mesmo, as causas, para que as possa dominar. A pessoa realiza o auto-encontro aceitando as suas dificuldades, porque sabe que são transitórias. A partir da auto-aceitação ela oportuniza uma transformação interior para melhor através do auto e do alo-amor e com isso resolve os conflitos e liberta-se das crises.
Este processo de auto-encontro vai lhe trazer um estado de saúde espiritual, do corpo, da mente, das emoções. Para a conquista deste estado é fundamental que uma atitude de mudança seja implementada, para que a pessoa possa transmutar os sentimentos egóicos evidentes, ou mascarados, que são os obstáculos do auto-encontro, isto é, do encontro consigo mesma em essência. 
Para conseguir esse intento não basta querer desenvolver o autodomínio; ela necessita querer mudar os fatores que impedem o fluir da plenitude, isso requer uma vontade ativa para vencer a inércia de permanecer da forma como se está. O indivíduo precisa confiar na própria capacidade de mudar, através de um esforço continuado, paciente e perseverante e, sobretudo, muita coragem para conquistar o que deseja.
Portanto, os conflitos surgem quando tentamos reprimir, ou nos acomodamos aos pensamentos, sentimentos, desejos e comportamentos egóicos da pessoa velha, que desejamos exterminar, exigindo que a pessoa nova surja de repente, como se isso fosse possível.
A superação dos conflitos irá acontecer quando aceitarmos que a pessoa velha, com todos os seus hábitos antigos, e a nova, que estamos desenvolvendo, vão coexistir simultaneamente. A pessoa nova com pensamentos, sentimentos, desejos e comportamentos essenciais, vai ficando cada vez mais forte, e a velha vai se transformando, cada vez mais, dando lugar à nova.
Para isso, é fundamental que façamos a melhor escolha - a escolha amorosa - para nos libertarmos, verdadeiramente, dos sentimentos que nos geram os conflitos existenciais.
Quando buscamos o auto-encontro, somente a serenidade de nos percebermos como somos, com qualidades e defeitos, sem o autoconfronto, é que vai nos permitir, realmente, nos dominarmos. Se estivermos em agitação interior, fruto do autoconfronto, não conseguiremos nos perceber com tranqüilidade, de modo a desenvolver o autodomínio.
Para que possamos mudar os nossos sentimentos egóicos com naturalidade, desenvolvemos uma técnica de conciliação com os adversários, baseados nessa parábola.
Inicialmente construamos - para efeito didático uma analogia para que possamos realizar a técnica de conciliação. Imaginemos que o Ser Essencial que somos é um adulto amoroso, terno e compassivo, que chamaremos de Grande Eu, e os nossos sentimentos egóicos, evidentes e mascarados, são como crianças rebeldes, medrosas, tímidas, birrentas, etc., dependendo do tipo de energia que compõem aquele sentimento, que chamaremos de pequenos eus. 
Como já estudamos, temos sempre três opções para lidar com os pequenos eus. A primeira opção é a identificação com os pequenos eus, como se nós fossemos esses eus e não, o Grande Eu. Quando realizamos essa opção, os pequenos eus tomam conta de nós e ficam brigando entre si. Tornamo-nos rebeldes contumazes, não aproveitando a oportunidade da reencarnação como aprendizes em evolução. Ficamos na prisão até pagarmos o último ceitil, isto é, aprendermos que a nossa destinação é a liberdade, para aprendermos com a vida.
A segunda opção é a negação, ou rejeição, dos pequenos eus pelo próprio ego, que assume uma postura falsa de "Grande Eu". Esse falso "Grande Eu" tenta reprimir os pequenos eus e, com isso, cria as máscaras, e vamos também para a prisão.
A terceira opção - única equilibrada - é a conciliação, transformando os pequenos eus em amigos. O Grande Eu (Ser Essencial) assume uma posição de mestre, terno e amoroso, que estará convidando os pequenos eus a se iluminarem.
As lições vão permitindo que, aos poucos, eles se transformem energeticamente, a partir da iluminação, no próprio Grande Eu amoroso. É essa a única opção de resolução definitiva dos conflitos que trazemos - assumirmos verdadeiramente a posição de aprendizes - para transformar, gradativamente, a ignorância do ego saindo, definitivamente, da prisão da dor e do sofrimento, para usufruir a liberdade proporcionada pelo amor, que é um dever e um direito essencial em nossa jornada evolutiva.
A técnica de conciliação é muito simples. Baseamo-nos em duas passagens do Evangelho para elaborá-la. Na, já citada, conciliação com os adversários e na passagem que Jesus nos convida a uma vigilância constante, conforme anotação de Mateus, 26 :41. "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação".
A vigilância é um monitoramento constante por parte do Grande Eu, que estará observando, amorosamente, os pequenos eus, como um mestre consciente observa os seus discípulos. Ao perceber um pequeno eu com dificuldades ele irá conversar, ternamente, com o pequeno eu egóico, buscando aceitá-lo plenamente, orientando-o para que ele possa corrigir o seu movimento dificultoso. É um exercício efetivo de auto-amor.
Exemplifiquemos como utilizar esta técnica na prática. Filomena é uma pessoa que está num processo de autoconhecimento e autodomínio, para se tornar uma pesssoa mais saudável.
Filomena percebeu, em si mesma, uma tendência a revoltar-se com as dificuldades do dia-a-dia, pois tem um movimento de onipotência e prepotência muito grande. Quando não consegue fazer com que as coisas funcionem do jeito que ela acha correto, irrita-se profundamente, se rebela e, muitas vezes, é tomada por uma cólera intensa.
Nessas ocasiões tende a ficar agressiva, tendo atitudes que depois se arrepende, entrando num sentimento de culpa muito grande e impotência em lidar com a situação, circunstâncias que a fazem entrar em depressão, por achar que se excedeu e não conseguiu se controlar.
Quando isso ocorre, tenta ser diferente, criando resoluções nas quais vai se controlar, vai aceitar as coisas como são, etc. Com isso reprime os seus sentimentos, tornando-se boazinha com as pessoas, mas como a sua polaridade mais intensa é a reativa, logo volta a se revoltar e todo o ciclo começa novamente.
Com tal atitude tem transformado a sua vida, e das pessoas próximas, num inferno. Está sofrendo de gastrite, úlcera duodenal e hipertensão arterial além dos transtornos emocionais da ansiedade e depressão.
Percebamos que Filomena tem consigo mesma as atitudes comuns diante dos sentimentos egóicos, a identificação ou a repressão. Quando se identifica com eles, deixa que os pequenos eus da revolta, onipotência, prepotência, raiva, agressividade, impotência, etc. tomem conta dela. Quando os reprime cria a máscara da "boazinha", falsamente resolvendo a dificuldade.
Tanto uma atitude, como a outra, faz com que os sentimentos egóicos exerçam um domínio de sua vida, gerando os conflitos responsáveis pelos transtornos físicos e emocionais.
Há um grande desequilíbrio energético, que se manifesta especialmente no chakra do poder e no do amor. Somente uma postura amorosa diante de sua vida é que irá transmutar esse desequilíbrio.
Filomena foi orientada a observar-se amorosamente para perceber as situações nas quais fica revoltada, quando se manifestam os sentimentos de onipotência e prepotência. Estes sentimentos são originados do orgulho e do egoísmo e que, neste caso, são os geradores de todos os demais que lhe são conseqüentes.
A partir do reconhecimento dos sentimentos foi orientada para sentar-se calmamente, fechar os olhos, relaxar e imaginar aqueles sentimentos do pequeno eu como uma criança revoltada, por ter a sua vontade contrariada. Após imaginar a criança, é necessário que Filomena visualize-se como o Grande Eu, terna e amorosa, acolhenndo a criança, conversando com ela, atendendo a sua principal necessidade que é de afeto.
Ela pode visualizar uma luz saindo do centro do seu peito, iluminando a criança. Imaginar-se abraçando-a, tratando-a com carinho, enfim dando amor para o pequeno eu.
Após concluir a visualização é muito importante que Filomena entre em oração para rogar forças a Deus, de modo a superar as suas dificuldades egóicas. Oportunamente voltaremos a abordar a oração como instrumento terapêutico.
É importante, neste momento, evitar posturas de tratar o pequeno eu como coitadinho, tampouco justificar as suas posturas. Nesta técnica, o importante é mostrar para o pequeno eu que existem outras possibilidades, que ele é amado independentemente do funcionamento das coisas externas. E que é possível, com amor, resolver os problemas, sem deixar que eles tomem conta de nós.
Esta técnica tem como objetivo principal, o trabalho na questão do sentimento, buscando-se, a partir dos sentimentos essenciais, especialmente o amor e a compaixão, transformar os sentimentos egóicos, originados no desamor.

EXERCíCIO VIVENCIAL: - A CONCILIAÇÃO COM O ADVERSÁRIO 
 
1. Coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes. 

2. Agora busque identificar um sentimento egóico que lhe gera algum desequilíbrio emocional. 

3. Imagine esse sentimento, o seu pequeno eu, como uma criança. Como é a criança que você está mentalizando? Como ela está? Como se comporta?

4. Agora imagine-se conversando amorosamente com a criança, envolvendo-a carinhosamente, tratando-a com muito afeto? Se desejar, pode imaginar-se colocando-a no colo, abraçando-a, afagando-a. 

5. Agora mentalize uma luz saindo do seu coração envolvendo a criança, inundando-a em luz. 

6. Agora faça uma oração, rogando auxilio de Deus para que você consiga, cada vez mais, tratar-se com carinho, transmutando os sentimentos egóicos. 

7. Anote as suas reflexões. 

Alírio de Cerqueira Filho

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