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quinta-feira, 24 de março de 2011

A Terapia Pela Fé


Para que vivenciemos o amor, propiciador de saúde e bem-estar, é fundamental que desenvolvamos a fé. Não a fé na concepção religiosa, como estamos acostumados, pois houve uma deturpação do seu significado, ao longo do tempo. É necessária a fé, dentro de uma concepção verdadeiramente cristã.
A palavra fé tem sido mal utilizada. Atualmente tem sido usada mais como crença religiosa, em dogmas pré-estabelecidos, do que com a sua acepção original.
Por todo o Evangelho vemos Jesus sempre dizendo às pessoas que Ele atendia em alguma necessidade: "A tua fé de salvou". Vamos estudar, agora, porque Ele fazia isso.
Vejamos algumas passagens do Evangelho, em que Jesus nos convida a refletir sobre a fé que salva:
E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou. E, desde aquele instante, a mulher ficou sã. Mateus, 9:22
E Ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal. Marcos, 5 :34
Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora. Marcos, 10:52
Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz. Lucas, 7:50
E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou. Lucas, 17:19
Então, Jesus lhe disse: Recupera a tua vista; a tua fé te salvou. Lucas, 17:6
E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.
Agora, nos atenhamos a uma passagem do Evangelho que nos aborda, de uma maneira muito interessante, questões que hoje uma ciência relativamente nova, portadora de nome um tanto complexo, chamada psiconeuroendocrinoimunologia tem estudado, o potencial de auto-cura pela fé.
Essa passagem foi anotada por Lucas, no Capítulo 8, vv. 43 a 48:
E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada. Chegando por detrás dele, tocou na orla da sua veste, e logo estancou o fluxo do seu sangue.
E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele:
Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes:
Quem é que me tocou?
E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude.
Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado e como logo sarara.
Façamos a exegese desta passagem, para que possamos entender a sua profundidade como modelo de busca de saúde espiritual.
Vemos aqui uma mulher portadora de uma hemorragia uterina de doze anos de duração. Essa patologia ainda é comum até hoje e, na maioria dos casos, a medicina ocidental, quase dois mil anos depois de Jesus, com todo o seu avanço, tem como solução, a retirada do útero para cessar o sangramento.
Havia uma multidão em torno de Jesus e ela chegou por trás e tocou em Sua veste. Nesse instante o fluxo de sangue cessou. Realizou-se um aparente milagre. O que ocorreu naquele momento? A mulher mobilizou o seu potencial de autocura e utilizou as energias magnéticas amorosas, que Jesus possui em abundância, como instrumento de cura. Por isso Jesus disse a ela: "A tua fé te salvou".
Com certeza havia naquela multidão muitas pessoas doentes, necessitadas de cura para os seus males, e que tocaram Jesus. Tanto é que Pedro estranha a pergunta do Mestre: "Quem é que me tocou?", e diz que havia uma multidão o apertando e oprimindo e Ele estava a indagar:
"Quem é que me tocou?" Para Pedro, esse questionamento não fazia sentido.
Porém, fazia todo sentido e Jesus sabia disso e, com certeza, sabia também quem O havia tocado, mas faz o questionamento para dar a todos os circunstantes uma oportunidade ímpar de aprendizado, bem como para oportunizar à mulher exercitar mais a sua autoconfiança.
Alguém O havia tocado de forma diferente, "porque bem conheci que de mim saiu virtude", demonstrando que a Sua virtude estava disponível para todos naquele momento, mas que somente uma pessoa tinha conseguido absorvê-la na inteireza. Essa pessoa tinha conseguido absorver integralmente o Seu magnetismo curador.
E a mulher se revela amedrontada: " ... a mulher ( .. .) aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante Ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado e como logo sarara". Exerce, a partir do convite de Jesus, a sua autoconfiança, afirmando-se, supera o medo e faz a declaração para o aprendizado de todos.
E Jesus encerra aquele momento de sublime significado e aprendizado para todos nós, dizendo: "Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz". Primeiramente percebamos que Jesus não diz: "Eu te salvei"; ou mesmo: "Deus te salvou", mas "a tua fé te salvou". Jamais Ele disse que era Ele que salvava, como muitos cristãos de hoje vivem repetindo, numa crença cega de que, basta repetir várias vezes que Jesus salva e pronto, tudo vai acontecer de forma miraculosa.
Jesus fazia questão de chamar atenção da criatura para o fato da salvação depender dela, a criatura, e não dEle, ou de Deus. E que a condição para alcançá-la é a fé. Fazia isso para nos chamar a atenção para a nossa independência psicológica, e que somos livres de quaisquer questões externas.
Não dependemos de ninguém para exercitar a fé, para nos amarmos, nos perdoarmos, e seguirmos avante em nossa evolução; apenas de nós mesmos. Isto gera confiança em nós mesmos, na nossa capacidade de auto-renovação pelo amor.
Analisemos o que é fé. Etimologicamente a palavra fé vem do latim 'fides', a mesma que originou 'fidelidade'.
Ter fé é ter fidelidade à própria auto-renovação pelo amor, determinando a confiança na própria capacidade de autotransformação.
A fé, então, é o exercício da confiança em si mesmo, na Vida e na Providência Divina. É exercitar a capacidade, o poder de mudar a própria vida para melhor, com o auxílio das Energias Divinas. 
Por isso a fé mobiliza o nosso potencial de autocura, pois a nossa destinação é o amor, o bem, o belo, a saúde. Porém, é essencial que acreditemos nesse potencial para realizar a transformação interior e não fiquemos esperando, passivamente, como o restante da multidão que comprimia Jesus, por um milagre de fora para dentro.
Outra questão que nos chama a atenção na fala de Jesus é que Ele não dizia "A tua fé te curou ", mas "A tua fé te salvou". Qual a diferença do verbo curar para salvar. Vejamos que Jesus, como médico de almas, só poderia dizer "a tua fé te salvou", pois quando acontecia uma cura nesse nível que ocorreu com a mulher portadora de hemorragia, ela não acontecia no nível do corpo apenas, mas havia uma transformação em nível espiritual, que possibilitava uma ampliação da saúde espiritual.
Com certeza essa mulher, como todas as demais pessoas que Jesus oportunizou a cura, mais tarde voltou a adoecer, não necessariamente do mesmo mal, e terminou desencarnando, como acontece com todos os seres vivos.
Porém, aquele momento, no qual ela exercitou o seu potencial de autocura pela fé, permanece gravado em sua memória espiritual até hoje. Com certeza, jamais ela foi a mesma espiritualmente, a partir desse encontro com Jesus. E é esse o significado da salvação, muito mais do que uma simples cura de um corpo perecível.
A salvação é o próprio processo de busca de Saúde Espiritual, pois significa a iluminação do Espírito até a sua completa purificação. Não é algo que acontece após a morte do nosso corpo físico - como muitos cristãos propagadores da fé cega pensam -, mas um processo contínuo que ocorre no corpo, ou fora dele, pois diz respeito ao Espírito que somos, em processo de purificação e desenvolvimento das virtudes essenciais, das qualidades do coração, fazendo surgir o nosso Cristo Interno, até nos tornarmos puros Espíritos.
Para que possamos utilizar a fé na saúde espiritual e nos libertar da dor e das doenças, é preciso que as vejamos como dádivas divinas, conforme vimos no Capítulo 1, e que Deus permite que surjam para nos auxiliar a transformar o Espírito quando, por rebeldia, nos afastamos do amor, ao invés de vê-las como um estorvo, que devemos arrancar de nós a qualquer custo.
Voltemos a refletir sobre a história de vida de Maria.
Quem observa o relato de sua recuperação, pode ter a impressão falsa de que foi fácil, para Maria, se recuperar. Mas, não é isso que acontece. Para que Maria se recuperasse de todas as suas dificuldades foi necessária a mobilização de seu potencial de autocura, proporcionado pelo desenvolvimento, sobretudo, da autoconfiança, da crença que ela podia se curar e que essa cura dependia, basicamente, dela.
E foi isso que aconteceu. Maria acreditou em seus potenciais - como a mulher auxiliada por Jesus - e os mobilizou, com a ajuda do psicoterapeuta e, com toda certeza, com o auxílio maiúsculo de seu anjo de guarda e outros amigos espirituais e, sobretudo, com as energias amorosas de Jesus, disponíveis ainda hoje, como o foi no passado e, acima de tudo, de Deus, que está sempre à disposição o tempo todo, para todos nós. Maria soube utilizar bem todos esses recursos e conseguiu a saúde espiritual possível, neste momento de sua vida.
Porém, isso nem sempre acontece dessa forma. Aliás, grande parte das pessoas que buscam psicoterapia não obtém o sucesso que Maria obteve. Muitos apenas aliviam alguns sintomas, outros não movimentam nenhum recurso e continuam na mesma, fato que já tinha acontecido com a própria Maria, em outros tratamentos que havia feito.
Por que isso acontece? Porque a maioria das pessoas espera que a cura aconteça de fora para dentro. Querem que o terapeuta, ou o médico, as curem. E isso é impossível, pois o único poder que o terapeuta, ou o médico, tem é de auxiliar a mobilizar o potencial de autocura que existe na própria pessoa.
Atualmente há todo um movimento que, cada vez aumenta mais, em torno desse objetivo: a obtenção de uma cura fácil, que ocorra de fora para dentro.
Temos as pessoas que têm confiança na ciência e buscam a cura dos seus males nos médicos, nos remédios de última geração, cirurgias modernas e outros recursos que a medicina, e outras ciências da saúde, têm desenvolvido. Como já dissemos, esses recursos são extremamente valiosos, mas não têm poderes mágicos ou milagrosos, com os quais se produzirão, passivamente, a cura dos males, pois suas causas são espirituais e não estão no corpo perecível.
Temos outras pessoas, com fé na religião, que buscam a cura nas igrejas, templos, centros espíritas. As de crença católica, por exemplo, recorrem aos santos, através das promessas de todos os tipos. Outras, de crença evangélica, diretamente a Jesus esperando, passivamente, que Ele as curem, porque estão recitando versículos bíblicos e outras práticas evangélicas. Outras, de crença espírita, recorrem aos passes, ao auxílio de benfeitores espirituais, aos médiuns curadores, ou de efeitos físicos, que fazer cirurgias mediúnicas para se livrarem de suas doenças.
Não é nossa intenção estabelecer dúvidas com relação às crenças das pessoas. Sabemos que todas essas práticas, sejam no âmbito da ciência, ou na religião, são muito valiosas, desde que não sejam utilizadas como recursos miraculosos, que venham de fora para dentro para a libertação de males interiores. Esses recursos somente são úteis como elementos auxiliadores no potencial de autocura, na transformação pelo amor, fé, perdão, meditação e oração.
A psiconeuroendocrinoimunologia tem estudado os processos de autocura, isto é, como o psiquismo estimula o sistema nervoso, endócrino e imunológico a proceder a cura das doenças, ou a agravá-las.
As pesquisas têm sido mais intensas no campo da oncologia. Vamos estudar agora, como o desenvolvimento dos nossos potenciais de amor, fé, perdão, meditação e oração podem ser elementos altamente curadores no tratamento do câncer e outras doenças graves.
Imaginemos, para efeito didático, três pessoas diferentes com um mesmo tipo de câncer, com a mesma intensidade e que vão se submeter ao mesmo tipo de tratamento: uma quimioterapia de última geração, o melhor medicamento para aquele tipo de câncer.
A pessoa A tem uma postura passiva. Quando o oncologista lhe dá a notícia da doença, ela fica muito triste e desanimada diante da existência do câncer.
Quando ele diz que há um tratamento novo, de última geração, e que as esperanças de cura são boas, ela se conforma com a situação e fica aguardando a cura passivamente, colocando todas as suas expectativas no remédio poderoso. Como ela é uma pessoa religiosa, busca também a sua igreja e fica aguardando um milagre acontecer e que ela se livre da doença.
Após algum tempo, realizam-se novos exames e percebe-se que o câncer não progrediu, nem regrediu. Permaneceu estacionado. Ela se conforma e acha que está assim porque é a vontade de Deus.
A pessoa B tem um perfil reativo, e quando o médico lhe dá a notícia da existência do câncer, ela fica extremamennte revoltada. Acha que a sua vida acabou, mesmo quando o médico diz que as chances de recuperação são muito boas.
Quando o médico recomenda-lhe o tratamento com o medicamento potente recém-desenvolvido, pergunta sobre os efeitos colaterais, as reações adversas e outros problemas que advirão com o tratamento.
Acha que não vai adiantar nada e que o médico está, apenas, querendo enganá-la. Submete-se, a contragosto, a esse tratamento e, como já estava num estado de tensão diante das possíveis reações adversas, é exatamente isso que acontece. Ela tem mais reações com o medicamento do que a média de outros pacientes.
Alguns amigos recomendam-lhe que é importante, nessas horas, uma religião e encaminham-na a um Centro Espírita, bem orientado, para que possa receber passes e auxílio fraterno. Ela vai, a contragosto, porque não acredita "nessas besteiras", mas devido à insistência dos amigos, acaba pensando que, talvez, possa ajudar. Depois de duas semanas, deixa de ir ao Centro porque não adiantou nada.
Após o período da quimioterapia, o oncologista realiza novos exames e percebe que houve um aumento no tamanho do tumor, apesar do uso do medicamento e que isso não é usual.
A pessoa C tem um perfil mais equilibrado e proativo.
Quando o médico lhe dá a notícia da existência do câncer, ela fica chocada, mas logo se recupera. Pergunta quais são as possibilidades e quando o médico diz que as chances de recuperação são muito boas, com um novo tratamento recém-desenvolvido, ela diz que isso vai acontecer com ela. Que ela tem certeza que vai se recuperar totalmente.
Quando vai se submeter à quimioterapia, vê o medicamento como um poderoso auxiliar para que ela obtenha a cura. Imagina o medicamento penetrando no tumor, dissolvendo-o completamente. Tem confiança plena de que isso está acontecendo. As suas reações ao tratamento são mínimas, praticamente não existem. Quase não tem efeitos colaterais, a não ser um leve enjôo.
Ela, que já era uma pessoa religiosa, intensifica mais a sua busca de espiritualidade e religiosidade. Reflete sobre o significado daquele câncer em sua vida, torna-se uma pessoa mais humana, mais compassiva e amorosa, devido àquele momento doloroso de sua vida. Utiliza-se da meditação, da oração, principalmente nos momentos de dor e durante a quimioterapia.
Passada a fase da quimioterapia, quando novos exames são feitos, o tumor havia desaparecido.
A psiconeuroendocrinoimunologia tem descoberto, em suas pesquisas, que pessoas com perfil passivo têm maiores dificuldades de recuperação. Pessoas com perfil reativo, têm uma tendência a piorar e a ter maiores efeitos colaterais com o tratamento. Pessoas com perfil proativo são as que melhor se recuperam.
É importante entender que colocamos estes padrões para efeitos didáticos, e que eles não são estereótipos de pessoas, pois dificilmente encontramos pessoas rígidas, com um só perfil, mas com uma predominância de um determiinado perfil. O importante é saber que todos podemos desenvolver o perfil proativo, a partir de exercícios de nossa fé na vida.
Pessoas que fazem isso exercitam a sua capacidade de mobilizar o potencial de autocura. Utilizam a fé em si mesmas, na ciência, na Vida, em Deus, para ampliar as possibilidades de virem a se curar. Ampliam, com o seu movimento de vida, as chances de cura, e ela acontece.
As curas de câncer, e outras doenças graves, geralmente têm este padrão, no qual o tratamento é coadjuvado pela vontade de viver do próprio paciente. É a terapia da fé em ação, possível a todos os seres humanos, bastando que cada um utilize a autoconfiança para mobilizar os recursos curativos, existentes em todas as áreas e que estão à disposição de todos. 

EXERCiCIO VIVENCIAL: - TERAPIA PELA FÉ  

1. Coloque uma música suave e relaxante, feche os olhos e busque relaxar todo o seu corpo da cabeça aos pés. Para facilitar o relaxamento você pode contrair a musculatura da face e membros superiores e relaxar por três vezes. 

2. Agora reflita sobre a história da mulher com hemorragia.Como você pode usar esse exemplo em sua vida? 

3. Como você busca a cura para as suas doenças: acreditando numa cura de fora para dentro, ou buscando se mobilizar pela vida e para a vida, desenvolvendo o seu potencial de autocura?

4. Anote as suas reflexões. 
Alírio de Cerqueira Filho

1 comentários:

LUCIENE RROQUES disse...

Agradecida, eu!
Um abraço!