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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Precessão dos Equinócios

REVOLUÇÕES PERiÓDICAS
6. - Além do seu movimento anual, ao redor do Sol, que produz as estações, o seu movimento de rotação sobre si mesma em 24 horas, que produz o dia e a noite, a Terra tem um terceiro movimento que se cumpre em 25.000 anos mais ou menos (mais exatamente 25.868 anos), e produz o fenômeno designado em astronomia sob o nome de precessão dos equinócios (cap. V, nº 11 e cap. IX - A Gênese de Allan Kardec). 

Esse movimento, que seria impossível explicar em algumas palavras, sem figuras e sem uma demonstração geométrica, consiste numa espécie de balanceamento circular que se compara ao de um pião agonizante, em conseqüência do qual o eixo da Terra, mudando de inclinação, descreve um duplo cone cujo cimo está no centro da Terra, e as bases abraçam a superfície circunscrita pelos círculos polares; quer dizer, uma amplitude de 23 graus e meio de raio.
7. - O equinócio é o instante em que o Sol, passando de um hemisfério ao outro, encontra-se perpendicularmente sobre o equador, o que ocorre duas vezes por ano, em torno do dia 24 de março, quando o Sol retorna ao hemisfério boreal, e em torno de 22 de setembro, quando retorna ao hemisfério austral. 
Mas, em conseqüência da mudança gradual na obliquidade do eixo, o que ocasiona mudança na obliqüidade do equador sobre a eclíptica, o instante do equinócio se acha, cada ano, avançado de alguns minutos (25 min. 7 seg.) Esse avanço é chamado precessão dos equinócios (do latim procedere, marchar adiante, fazer de proe, avante, e cedere, ir-se).
Esses alguns minutos, com o tempo, fazem horas, dias, meses e anos; disso resulta que o equinócio da primavera, que chega agora em março, chegará, num tempo dado, em fevereiro, depois em janeiro, depois em dezembro, e então o mês de dezembro terá a temperatura do mês de março, e março a de junho, e assim por diante até que, retornando ao mês de março, as coisas se reencontram no estado atual, o que ocorrerá em 25.868 anos, para recomeçar a mesma revolução indefinidamente. A precessão dos equinócios conduz a uma outra mudança, que se opera na posição dos signos do zodíaco. 

A Terra, girando ao redor do Sol em um ano, à medida que ela avança, o Sol se acha cada mês em face de uma nova constelação. Essas constelações são em número de doze, a saber: Carneiro, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. São chamadas constelações zodiacais ou signos do zodíaco, e elas formam um círculo no plano do equador terrestre. Segundo o mês de nascimento de um indivíduo, dizia-se que nascera sob tal signo: daí os prognósticos da astrologia. Mas, em conseqüência da precessão dos equinócios, ocorre que os meses não correspondem mais às mesmas constelações; um, que nasceu no mês de julho, não está mais no signo de Leão, mas no de Câncer. Assim caiu a idéia supersticiosa ligada à influência dos signos. (Cap. V, nº 12). 
 
8. - Resulta, desse movimento cônico do eixo, que os pólos da Terra não olham constantemente os mesmos pontos do céu; que a estrela polar não será sempre a estrela polar; que os pólos estão, gradualmente, mais ou menos inclinados para o Sol, e dele recebem raios mais ou menos diretos; de onde se segue gue e Islândia e a Lapônia, por exemplo, que estão sob o Circulo polar, poderão, num tempo dado, receber os raios solares como se estivessem na latitude da Espanha e da Itália, e que, na posição oposta extrema, a Espanha e a Itália poderiam ter a temperatura da Islândia e da Lapônia, e assim por diante em cada renovação do período de 25.000 anos (O deslocamento gradual das linhas isotérmicas, fenômeno reconhecido pela ciência de maneira tão positiva quanto o deslocamento do mar, é um fato material em apoio a essa teoria). 
9. - As conseqüências desse movimento não pôde ainda ser determinada com precisão, porque não se pôde observar senão uma fraca parte de sua revolução; não há, pois, a esse respeito, senão presunções, das quais algumas têm uma certa probabilidade.
Essas conseqüências são:
1°. - O aquecimento e o resfriamento alternado dos pólos e, por seqüência, a fusão dos gelos polares durante a metade do período de 25.000 anos, e a sua formação de novo durante a outra metade desse período. De onde resultaria que os pólos não estariam votados a uma esterilidade perpétua, e gozariam, por seu turno, dos benefícios da fertilidade.
2°. - O deslocamento gradual do mar, que invade pouco a pouco as terras, ao passo que descobre outras, para abandoná-las de novo e reentrar em seu antigo leito. Esse movimento periódico, renovado indefinidamente, constituiria uma verdadeira maré universal de 25.000 anos.
A lentidão com a qual se opera esse movimento do mar torna-o quase imperceptível para cada geração; mas é sensível ao cabo de alguns séculos. Não pode causar neenhum cataclismo súbito, porque os homens se retiram, de geração em geração, à medida que o mar avança, e eles avançam sobre as terras de onde o mar se retirou. E a esta causa, mais que provável, que alguns sábios atribuem a retração do mar sobre certas costas e a sua invasão sobre outras.
10. - O deslocamento lento, gradual e periódico do mar é um fato adquirido pela experiência, e atestado por numerosos exemplos sobre todos os pontos do globo. Tem por conseqüência a conservação das forças produtivas da Terra. Essa longa imersão é um tempo de repouso durante o qual as terras submersas recuperam os princlpios vitais esgotados por uma produção não menos longa. Os imensos depósitos de matérias orgânicas, formadas pela permanência das águas durante seculos e séculos, são adubos naturais, periodicamente renovados, e as gerações se sucedem sem se aperceberem destas mudanças.
Entre os fatos mais recentes que provam o deslocamento do mar, podem citar-se os seguintes:
No golfo de Gasconha, entre o velho Soulac e a torre de Cordouan, quando o mar está calmo, descobre-se no fundo da água lanços de muralha: são os restos da antiga e grande cidade de Naviomagus, invadida pelas ondas em 580. O rochedo de Cordouan, que estava então ligado à costa, está agora a 12 quilômetros.
No mar da Mancha, sobre a costa do Havre, o mar ganha, cada dia, terreno e mina as fragas de Sainte-Adresse, que desmoronam pouco a pouco. A dois quilômetros da costa, entre Sainte-Adresse e o cabo da Hewe, existe o banco de Eclat, outrora a descoberto e reunido à terra firme. Antigos documentos constatam que sobre esse sítio, onde hoje se navega, havia a aldeia de Saint-Denis-chef-de-Caux. O mar, tendo invadido o terreno no século quatorze, a igreia foi engolida em 1378. Pretende-se que se lhe vêem os restos, no fundo das águas, num tempo calmo.
Sobre quase toda a extensão do litoral da Holanda, o mar não é retido senão à força de diques, que se rompem de tempos em tempos. O antigo lago Flevo, reunido ao mar em 1225, forma hoje o golfo de Zuyderzée. Essa irrupção do oceano engoliu várias aldeias.
Segundo isso, o território de Paris e da França será um dia de novo ocupado pelo mar, como já o foi várias vezes, assim como provam as observações geológicas. As partes montanhosas formarão as ilhas, como o são agora Jersey, Guerneseye a Inglaterra, outrora contíguos ao continente.
Navegar-se-á acima das regiões que se percorrem hoje em caminhos de ferro; os navios abordarão em Montmartre, no monte Valérien, nos outeiros de Saint-Cloud e de Meudon; as madeiras e as florestas, onde se passeia, serão sepultadas sob as águas, recobertas de lodo, e povoadas de peixes em lugar de pássaros.
O dilúvio bíblico não pôde ter essa causa, uma vez que a invasão das águas foi súbita e a sua permanência de curta duração, ao passo que, de outra maneira, fora de milhares de anos, e duraria ainda, sem que os homens disso se apercebessem. 

Allan Kardec - A Gênese

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