De
acordo com o enfoque do tema DOENÇAS, apresento a opinião da BENFEITORA ESPIRITUAL JOANNA DE ÂNGELIS:
1
- O CONCEITO DE SAÚDE
Lexicamente,
"SAÚDE" é o estado do que é são, do que
tem as funções orgânicas regulares. A Organização
Mundial de Saúde elucida que a faltade doença não significa
necessariamente um estado de saúde, antes, porém, esta resulta
da harmonia de três fatores essenciais, a saber: a - bem-estar psicológico;
b - equilíbrio orgânico e c - satisfação econômica,
assim contribuindo para uma situação saudável do indivíduo.
Num
período de transição e mudança brusca da escala
dos valores convencionais, com a inevitável irrupção dos
excessos geradores da anarquia, a saúde tende a ceder espaço a
conflitos emocionais, desordens orgânicas e dificuldades econômicas,
propiciando o surgimento de patologias complexas no homem.
A
sociedade enferma perturba-o, e este, desajustado, piora o estado geral do grupo.
O sentido de dignidade pessoal, nesta situação, é substituído
pela astúcia e pelo prazer, proporcionando distonias emocionais que facultam
a instalação de enfermidades orgânicas de variada procedência.
Abstraindo-se destas últimas, aquelas que são originadas por germes,
bacilos, vírus e traumatismos, multiplicam-se as de ordem psicológica,
que se avolumam nos dias atuais.
O homem teima por ignorar-se. Assume atitudes contraditórias, vivendo
comportamentos estranhos. Prefere deixar que os acontecimentos tenham curso,
às vezes, desastroso, a conduzi-los de forma consciente. Os dias se sucedem,
sem que ele dê-se conta das suas responsabilidades ou frua dos seus benefícios
em uma atitude lúcida, perfeitamente compatível com as conquistas
contemporâneas.
Surpreendido, no entanto, pela doença e pela morte, desperta assustado,
sem haver vivido, estranhando-se a si mesmo e descobrindo tardiamente que não
se conhecia. Foi um estranho, durante toda a existência, inclusive, a
ele próprio. A saúde, entretanto, fá-lo participativo,
membro atuante do grupo social, desperto e responsável na luta com que
se enriquece de beleza e alegria, assumindo posições de vigor
e segurança íntima, que lhe constituem prêmio ao esforço
desenvolvido.
A falta de saúde, que se generaliza, conduz a mente lúcida a um
diagnóstico pessimista, o que não significa ser desesperador.
Em tal situação, por falta de outra alternativa, o homem enfrenta
a dificuldade, por ser pensante, e altera o quadro, impulsionado ao avanço,
a aceitar os desafios. Deixa de fugir da sua realidade, descobre-se e trabalha
para alcançar etapas mais lúcidas no seu desenvolvimento emocional,
pessoal.
Quem se resolve, porém, pela submissão autodestrutiva, não
merece o envolvimento respeitoso de que todos são credores diante dos
combatentes, porquanto, deixando de investir esforços, abandona a sua
dignidade de ser humano e prefere o esfacelamento das suas possibilidades como
sendo o seu agradável estado de saúde, certamente patológico.
A saúde produz para o bem e para o progresso da
sociedade, sem compaixão pelos mecanismos de evasão e pieguismos
comportamentais vigentes. Realizadora, propele a vida para as suas cumeadas
e vitórias, sem parada nas baixadas desanimadoras.
2 - Os Comportamentos Neuróticos

Produtos do inconsciente profundo, a se manifestarem como comportamentos neuróticos,
os fatores psicogênicos têm suas raízes na conduta do próprio
paciente em reencarnações passadas, nas quais se desarmonizou
interiormente. Fosse mediante conflitos de consciência
ou resultados de ações ignóbeis, os mecanismos propiciadores
de reabilitação íntima imprimem no inconsciente atual as
matrizes que se exteriorizam como dissociações e fragmentações
da personalidade, alucinações, neuroses e psicoses.
Ínsitas no indivíduo, essas causas endógenas se associam
às outras, de natureza exógena, tornando-se desagregadoras da
individualidade vitimada pelas pressões que experimenta. As pressões
de qualquer natureza são decisivas para estabelecer o clima comportamental
da criatura. Por formação antropológica, em luta renhida
contra os fatores compressivos e adversários, o homem aspira pela liberdade.
Todos os seus esforços convergem para uma atitude, uma atuação,
um movimento, livres de empeços, de detenções, de aprisionamento.
As pressões que lhe limitam os espaços emocionais e físicos
aturdem-no, dando margem a evasões, agressividade, disfarces e violências,
através dos quais tenta escamotear o seu estado real. Isto, quando não
tomba na depressão, no pessimismo. Vivendo sob estímulos, faculta-os
à sociedade, que progride e age conforme as energias que os constituem.
Quando estes estímulos são emuladores à felicidade, eis
o homem atuante e encorajado, trabalhando pelo progresso próprio e geral,
mediante um comportamento otimista. No sentido oposto, quase nunca se motiva
à reação, para ascender aos sentimentos ideais que promovem
a vida, libertando-se das constrições naturalmente transitórias.
Equivocado quanto aos referenciais da existência, deixa-se imbuir pelas
sensações da posse, do prazer fugidio, caindo em depressões,
seja pela constituição psicológica fragmentária
ou porque estabelece como condição de triunfo a aquisição
das coisas que se podem amealhar e perdem o valor, quando se não possui
o essencial, que é a capacidade de administrá-las, não
se lhes submetendo ao jugo enganoso.
Assim, apresentam-se os que se crêem infelizes porque não têm
e os que se fazem desditosos porque tendo, não se contentam face à
ausência da plenitude interior. O mito da ambição do rei
Midas, que tudo quanto tocava se convertia em ouro, causa da sua felicidade
e desgraça, tem atualidade no comportamento neurótico dos possuidores-possuídos.
A experiência, no entanto, fazendo a pessoa aprofundar-se na consciência
dos valores, altera-lhe o campo de compreensão, favorecendo o entesouramento
do equilíbrio. Todavia, tal ocorrência é resultado da luta
que deve ser travada sem cessar.
Assim, a saúde psicológica decorre da autoconsciência, da
libertação íntima e da visão correta que se deve
manter a respeito da vida, das suas necessidades éticas, emocionais e
humanas. O comportamento neurótico, assustador e predominante na sociedade
consumista, procura esconder o desajuste e as fobias do homem contemporâneo,
que se afunda em mecanismos patológicos. Receando ser ele mesmo, torna-se
pessoa-espelho a refletir as conveniências dos outros, ou homem-parede
a reagir contra todas as vibrações que lhe são dirigidas,
antes de as examinar.
"Agredir antes, evitando ser agredido" é a filosofia dos fracos,
fechando-se no círculo apertado dos receios e da não aceitação
dos outros, forma neurótica de ocultar a não aceitação
de si mesmo. São raros aqueles que preferem ser homens-pontes, colocados
entre extremos para ajudarem, facilitarem o trânsito, socorrerem nos abismos
existenciais... O espírito de competição neurotizante vigente
e estabelecido como fomentador das riquezas, deve ceder lugar ao de cooperação,
responsável pela solidariedade e pela paz, humanizando a sociedade e
tornando a pessoa bem identificada.
Competir não é negativo, desde que tenha por meta progredir, e
não vencer os outros; porém, superar-se cada vez mais, desenvolvendo
capacidades latentes e novas na individualidade. Competir, todavia, para derrubar
quem está à frente, em cima, é atitude neurótica,
inconformista, invejosa, que abre brecha àquele que vem atrás
e repetirá a façanha em relação ao aparente vencedor
atual. Tal atitude responde pela insegurança que domina em todas as áreas
do relacionamento social.
Da mesma forma, deixar-se viver sem aventurar-se, no bom sentido do termo, como
se transitasse em um sonho cujos acontecimentos inevitáveis se dão
sem qualquer ingerência da pessoa, é uma atitude patológica,
irracional, em se considerando a capacidade de discernimento e a de realização
que caracteriza a criatura humana. O homem-ação de equilíbrio
gera os fatores do próprio desenvolvimento, abandonando o conformismo
neurótico, a fim de comandar o destino sempre maleável a injunções
novas e motivadoras.
Os seres humanos têm as suas matrizes na natureza, com a qual devem manter
um relacionamento saudável, ao invés de evitá-la. Sendo
partes integrantes da mesma, não se devem alienar, antes buscar-lhe a
cooperação e auxiliá-la num intercâmbio de energias
vigorosas, com o que sairão da gaiola particular onde se ocultam e se
acautelam. Há personalidades neuróticas que a temem, receosas
de serem absorvidas pela sua grandiosidade e dando às suas expressões
- céus, montanhas, mares, florestas, etc. - determinados tipos de projeções
humanas, poderosas e devoradoras. Assim, anulam-na, matando-a no seu consciente
através da negação da sua necessidade.
Os comportamentos neuróticos são desgastantes, extrapolando os
limites das resistências orgânicas, que passam a somatizá-los,
abrindo campo para várias enfermidades que poderiam ser evitadas.
3 - Doenças Físicas e Mentais

A expressiva soma de atividades físicas e mentais atesta que o homem
é um ser inacabado. A sua estrutura orgânica aprimorada nos milênios
da evolução antropológica, ainda padece a fragilidade dos
elementos que a constituem. Vulnerável a transformações
degenerativas, é tecido que reveste o psiquismo e que através
dos seus neurônios cerebrais se exterioriza, afirmando-lhe a preexistência
consciencial, independente das moléculas que constituem a aparelhagem
material.
A consciência, na sua realidade, é fator extrafísico, não
produzido pelo cérebro, pois que possui os elementos que se consubstanciam
na forma que lhe torna necessária à exteriorização.
Essa energia pensante, preexistente e sobrevivente ao corpo, evolve através
das experiências reencarnacionistas, que lhe constituem processo de aquisição
de conhecimentos e sentimentos, até lograr a sabedoria. Como consequência,
faz-se herdeira de si mesma, utilizando-se dos recursos que amealha e deve investir
para mais avançados logros, etapa a etapa.
Em razão disso, podemos repetir que somente "há
doenças, porque há doentes", isto é, a doença
é um efeito de distúrbios profundos no campo da energia pensante
ou Espírito. As suas resistências ou carências orgânicas
resultam dos processos da organização molecular dos equipamentos
de que se serve, produzidos pela ação da necessidade pensante.
O psicossoma organiza o soma necessário à
viagem, breve no tempo, para a individualidade espiritual.
As doenças orgânicas se instalam em decorrência
das necessidades cármicas que lhe são inerentes, convocando o
ser a reflexões e reformulações morais proporcionadoras
do reequilíbrio. Nas patologias congênitas, o psicossoma
impõe os fatores cármicos modeladores necessários à
evolução, sob impositivos que impedem, pelos limites de injunções
difíceis, a reincidência no fracasso moral.
Assim considerando, à medida que a Ciência se equipa e soluciona
patologias graves, criando terapias preventivas e proporcionando recursos curativos
de valor, surgem novas doenças, que passam a constituir-se tremendos
desafios. Isto se dá, porque, à evolução tecnológica
e científica da sociedade não se apresenta, em igual correspondência,
o mecanismo de conquistas morais.
O homem conquista o exterior e perde-se interiormente. Avança
na horizontal do progresso técnico sem o logro da vertical ética.
No inevitável conflito que se estabelece - comodidade e prazer, sem harmonia
interna nem plenitude -desconecta os centros de equilíbrio e abre-se
favoravelmente a agentes agressores novos, aos quais dá vida e que lhe
desorganizam os arquipélagos celulares.
Outrossim, as tensões, frustrações, vícios, ansiedades,
fobias facultam as distonias psíquicas que são somatizadas aos
problemas orgânicos ou estes e suas sequelas dão surgimento aos
tormentos mentais e emocionais. Todo equipamento para funcionar em harmonia
com ajustamento, para as finalidades a que se destina, exige perfeita eficiência
de todas as peças que o compõem.
Da mesma forma, a maquinaria orgânica depende dos fluxos e refluxos da
energia psíquica e esta, por sua vez, das respostas das diversas peças
que aciona. Nessa interdependência, a vibração mental do
homem é-lhe propiciadora de equilíbrio ou distonia, conscientemente
ou não. Sabendo canalizar-lhe a corrente vibratória, organiza
e submete os implementos físicos ao seu comando, produzindo efeitos de
saúde, por largo período, não indefinidamente, face à
precariedade dos elementos construídos para o uso transitório.
As doenças contemporâneas, substituindo algumas antigas e somando-se
a outras não debeladas ainda, enquadram-se no esquema do comportamento
evolutivo do ser, no seu processo de harmonização interior, de
deificação. Na sua essência, a energia pensante possui os
recursos divinos que deve exteriorizar. Para tanto, à semelhança
de uma semente, somente quando submetida à germinação faculta
a eclosão dos seus extraordinários elementos, até então
adormecidos ou mortos. A morte da forma desata-lhe a vida latente. A mente equilibrada
comandará o corpo em harmonia e, nesse intercâmbio,
surgirá a saúde ideal.
4 - A Tragédia do Cotidiano.
Os conteúdos psicológicos do homem hodierno são de aturdimento,
instabilidade emocional, insegurança pessoal, levando-o à perda
do senso trágico. Desestruturados pelos choques comportamentais e esmagados
pelo volume das informações impossíveis de serem digeridas,
as massas eliminam arquétipos ou os transferem para indivíduos
imaturos portadores de fragilidade psicológica, aterrando-os, soterrando-os,
na avalanche das necessidades mescladas com os conflitos existenciais.
Simultaneamente, desaparecem os mitos ancestrais individuais e a cultura devoradora
investe contra os outros, os coletivos, deixando as criaturas desprotegidas
das suas crenças, dos seus apoios psicológicos. A fé cega
substituída pela ditadura da razão, destruiu ou substituiu os
mitos nos quais se sustentavam os homens, apresentando outros, igualmente frágeis,
que novamente sofrem a agressão dos valores contemporâneos.
A consciência coletiva, herdeira do choque dos opostos, do ser e do não
ser, da coragem e do medo, do homem e da mulher, não sobrevive sem a
segurança mítica. Os seus arquétipos, multimilenarmente
estruturados na convicção mitológica, alternam a forma
de sobrevivência, transferindo-se os mitos deificados, porém sobreviventes,
na sua profundidade psicológica, a todos os golpes mortais que lhe foram
desferidos através dos tempos.
Ressuscitam, não obstante, disfarçados em novos modelos, porém,
ainda dominadores, prometendo glórias e castigos, prazeres e frustrações
aos seus apaniguados, conforme o culto que deles recebam. Assim, ao lado da
violência que se espraia dominadora, vicejam religiões apressadas,
salvadoras, na sua ingenuidade mítica, arrastando multidões desprevenidas
e sem esclarecimento que, fracassadas, no contubérnio social, ali se
refugiam, cultuando o paraíso eterno que lhes está reservado como
prêmio ao sofrimento e ao desprezo de que se sentem objeto pela cultura
consumista e desalmada.
A auto-realização pelo fanatismo mantém os bolsões
da miséria sócioeconômica, por não trabalhar o idealismo
latente no homem, a fim de que transforme os processos geradores da desgraça
atual em realização pessoal e felicidade, na Terra, mesmo. De
certa maneira, o arrebanhar das multidões para as crenças salvadoras
diminui, de alguma forma, o volume da violência, que irrompe, paralelamente,
porquanto, sem o mito da salvação pela fé, toda essa potencialidade
seria canalizada na direção da agressividade destruidora.
A agressividade salvacionista a que dá lugar, embora os prejuízos
éticos e sociais que engendra, acalma os conteúdos psicológicos
desviando os sujeitos dos crimes que poderiam cometer. O mito da violência,
por sua vez, nascido nos porões do submundo da miséria sócioeconômico-moral
e graças à eclosão das drogas em uso abusivo, engendra
o símbolo da força, do poder, do estrelismo, no campeonato da
aventura e da bravata, exibindo as heranças atávicas da animalidade
primitiva ainda predominante no homem.
Toma-se pela força o que deveria ser dado pela fraternidade, através
do equilíbrio da justiça social e dos deveres humanos, em solidário
empenho pela promoção dos indivíduos, dignos de todos os
direitos à vida que apenas alguns desfrutam. A tragédia do cotidiano
se apresenta nas mil faces da violência que se mescla ao comportamento
geral, muitas vezes disfarçando-se até em formas de submissão
rebelde e humildade-humilhante, que descarregam suas frustrações
adquiridas ao lado dos mais fortes, no dorso desprotegido dos mais fracos.
Os conteúdos psicológicos, mantenedores do equilíbrio,
fragmentam-se ao choque do cotidiano agitado e desestruturam o homem que se
asselvaja, ou foge para a furna sombria da alienação, considerando-se
incapaz de enfrentar a convivência difícil do grupo social, igualmente
superficial, interesseiro, despreparado para a conjuntura vigente. Graças
a isso, os indivíduos fracassam ou enfermam, atritam ou debandam enquanto
os crédulos ressuscitam os mitos das velhas crendices de males feitos,
de perseguições da inveja, do ciúme e do despeito, ou arregimentam
argumentos destituídos de lógica para explicarem as ocorrências
malsucedidas, danosas...
Certamente, sucedem tais perseguições; busca-se o malfazer;
campeiam as paixões inferiores que são pertinentes ao homem, ainda
em estágio infantil da sua evolução, sem que seja mau.
A sua aparente maldade resulta dos instintos agressivos ainda não superados,
que lhe predominam em sua natureza animal, em detrimento da sua natureza espiritual.
Em
toda e qualquer tragédia do cotidiano, ressaltam os componentes psicológicos
encarregados da desestruturação do homem, nesse processo de individuação
para adquirir uma consciência equilibrada, capaz de proporcionar-lhe paz,
saúde, realização interior, gerando, no grupo social, o
equilíbrio entre os contrários e a satisfação real
da convivência não competitiva, no entanto cooperativa.
5 - O Homem Moderno

Buscando enganar a sua realidade mediante a própria fantasia, o homem
moderno procura a projeção da imagem sem o apoio da consciência.
Evita a reflexão esclarecedora, que pode desalgemar dos problemas, e
permanece em contínuas tentativas de negar-se, mascarando a sua individualidade.
O ego exerce predominância no seu comportamento e estereotipa fantasias
que projeta no espelho da imaginação.
Irrealizado, porque fugindo do enfrentamento com o seu eu, transfere-se de aspirações
e cuidados a cada novidade que depara pelo caminho. Não dispõe
de decisão para desmascarar o ego, por temer petrificar-se de horror,
qual se aquele fosse uma nova Medusa, que Perseu, e apenas ele, venceu, somente
porque a fez contemplar-se no escudo espelhado que lhe dera Atena... Obviamente,
esse espelho representa a consciência lúcida, que descobre e separa
objetivamente o que é real daquilo que apenas parece. Nesse sentido,
o ego que vive e reincide nos conteúdos inconscientes, necessita de conscientizar-se,
desidentificando-se dos seus resíduos emergentes.
O homem vive na área das percepções concretas e, ao mesmo
tempo, das abstratas. A cultura da arte faz que ele se porte, ora como observador,
ora como observado e ainda o observador que se observa, a fim de poder transformar
os complexos ou conflitos inconscientes em conhecimentos que possa conduzir,
senhor da sua realidade, dos seus atos. Sua meta é poder sair da agitação,
na qual se desgoverna, para observar-se, a distância, evitando o sofrimento
inacerador.
A este ato chamaremos a separação necessária entre o sujeito
e o objeto, através da qual se observam os acontecimentos sem os sofrer
de forma dilacerante, modificando o estado de ânimo angustiante para uma
simples expressão do conhecimento, mediante a transferência da
realidade que jaz no espírito para o exterior das formas e da emoção.
A reflexão constitui um admirável instrumento para o logro, apoiando-se
na cultura e na realização artística, social, solidária,
que desvela os mananciais de sentimento e de consciência humanos.
Jogado em um mundo exterior agressivo, no qual predominam a luta pela sobrevivência
do corpo e a manutenção do status, o homem acumula conteúdos
psíquicos não descartáveis nem digeríveis, avançando,
apressado, para o stress, as neuroses, as alienações. Acumula
coisas e valores que não pode usar e teme perder, ampliando o campo do
querer, mais pelo receio de possuir de forma insuficiente, sem dar-se conta
da necessidade de viver bem consigo mesmo, com a família e os amigos,
participando das maravilhosas concessões da vida que lhe estão
ao alcance.
A mensagem de Jesus é uma oportuna advertência para essa busca
insana, quando Ele recomenda que "não se ande, pois, ansioso pelo
dia de amanhã, porque o dia de amanhã a si mesmo trará
seu cuidado; ao dia bastam os seus próprios males. "(Mateus: 6-34)
Comedir-se, agir com sensatez e tranquilidade, confiar
nos próprios valores e nas possibilidades latentes são regras
que vão ficando esquecidas, a prejuízo da harmonia pessoal dos
indivíduos.
Os interesses competitivos postos em jogo, a aflição por vencer
os outros, o sobrepor-se às demais pessoas desarticularam as propostas
da vitória do homem sobre si mesmo, da sua realização interior,
da sua harmonia diante dos problemas que enfrenta. As linhas do comportamento
alteradas, induzindo ao exterior, devem agora ser revisadas, sugerindo a conduta
para o conhecimento dos valores reais, a redescoberta do sentido ético
da existência, a busca da sua imortalidade.
Quando o homem moderno passar a considerar a própria imortalidade em
face da experiência fugaz do soma, empreenderá a viagem plenificadora
de trabalhar pelos projetos duradouros em detrimento das ilusões temporárias,
observando o futuro e vivendo-o desde já, empenhado no programa da sua
conscientização espiritual. Nele se insculpirá , então,
o modelo da realização em um ser integral, destituído do
medo da vida e da morte, da sombra e da luz, do transitório e do permanente,
da aparência e da realidade.
6
- PLENIFICAÇÃO INTERIOR:
A
- Problemas Sexuais:
Herança
animal predominante na natureza humana, o instinto de reprodução
da espécie exerce um papel fundamental importância no comportamento
dos seres. Funcionando por impulsos orgânicos nos irracionais, expressa-se
como manifestação propiciatória à fecundação
nos ciclos orgânicos, periódicos, em ritmos equilibrados de vida.
No
homem, face ao uso, que nem sempre obedece à finalidade precípua
da perpetuação das formas, experimenta agressões e desvios
que o desnaturam, tornando-se, o sexo, fator de desditas e problemas da mais
variada expressão. Face à sensação de prazer que
lhe é inata, a fim de atrair os parceiros para a comunhão reprodutora,
torna-se fonte de tormentos que delineiam o futuro da criatura.
Considerando-se
a força do impulso sexual, no comportamento psicológico do homem,
as disjunções orgânicas, a configuração anatômica
e o temperamento emocional tornam-se de valor preponderante na vida, no interrelacionamento
pessoal, na atitude existencial de cada qual.
A sua carga compressiva, no entanto, transfere-se de uma para outra existência
corporal, facultando um uso disciplinado, corretor, em injunções
específicas, que por falta de esclarecimento leva o indivíduo
a uma ampla gama de psicopatologias destrutivas na área da personalidade.
Com muita razão, Alice Bailey afirmava, diante dos fenômenos de
alienação mental, que eles podem ser"... de natureza psicológica,
hereditários por contatos coletivos e cármicos". Introduzia,
então, o conceito cármico, na condição de fator
desencadeante das enfermidades a expressar-se nas manifestações
da libido, de relevante importância nos estudos freudianos.
O conceito, em torno do qual o homem é um animal sexual, peca, porém,
pelo exagero. Naturalmente, as heranças atávicas impõem-lhe
a força do instinto sobre a razão, levando-o a estados ansiosos
como depressivos. Todavia, a necessidade do amor é-lhe superior. Por
falta de uma equilibrada compreensão da afetividade, deriva para as falazes
sensações do desejo, em detrimento das compensações
da emoção.
Mais difícil se apresenta um saudável relacionamento afetivo do
que o intercurso apressado da explosão sexual, no qual o instinto se
expressa, deixando, não poucas vezes, frustração emocional.
Passados os rápidos momentos da comunhão física, e já
se manifestam a insatisfação, o arrependimento, os conflitos perturbadores...
A falta de esclarecimento, no passado, em torno das funções do
sexo, os mistérios e a ignorância com que o vestiram, desnaturaram-no.
A denominada revolução sexual dos últimos tempos, igualmente,
ao demitizá-lo, abriu espaços de promiscuidade para os excessivos
mitos do prazer, com a consequente desvalorização da pessoa, que
se tornou objeto, instrumento de troca, indivíduo descartável,
fora de qualquer consideração, respeito ou dignidade. A sociedade
contemporânea sofre, agora, os efeitos da liberação sem
disciplina, através da qual a criatura vive a serviço do sexo,
e não este para o ser indigente, que o deve conduzir com finalidades
definidas e tranquilizadoras.
As aberrações se apresentam, neste momento, com cidadania funcional,
levando os seus pacientes a patologias graves que alucinam, matam e os levam
a matar-se. A consciência deve dirigir a conduta sexual de cada indivíduo,
que lhe assumirá as consequências naturais. Da mesma forma que
uma educação castradora é responsável por inúmeros
conflitos, a liberativa em excesso abre comportas para abusos injustificáveis
e de lamentáveis efeitos no psiquismo profundo.
A vida se mantém sob padrões de ordem, onde quer que se manifeste.
Não há, aí, exceção para o comportamento
do homem. Por esta razão, o uso indevido de qualquer função
produz distúrbios, desajustes, carências, que somente a educação
do hábito consegue harmonizar.
Afinal, o homem não é apenas um feixe de sensações,
mas, também, de emoções, que pode e deve canalizar para
objetivos que o promovam, nos quais centralize os seus interesses, motivando-o
a esforços que serão compensados pelos resultados benéficos.
Exclusão feita aos portadores de enfermidades mentais a se refletirem
na conduta sexual, o pensamento é portador de insuspeitável influência,
no que tange a uma salutar ou desequilibrada ação genésica.
O mesmo fenômeno ocorre nas mais diferentes manifestações
da vida humana. Mediante o seu cultivo, eles se exteriorizam no comportamento
de forma equivalente. A vida, portanto, saudável, na área do sexo,
decorre da educação mental, da canalização correta
das energias, da ação física pelo trabalho, pelos desportos,
pelas conversações edificantes que proporcionam resistência
contra os derivativos, auxiliando o indivíduo na eleição
de atitudes que proporcionam bem-estar onde quer que se encontre.
As ambições malconduzidas, toda frustração decorrente
do querer e não poder realizar, dão nascimento ao conflito. O
conflito, por sua vez, quando não equacionado pela tranquila aceitação
do fato, sobrepondo a identidade real ao ego dominador e insaciável,
termina por gerar neuroses. Estas, sustentadas pela insatisfação,
transmudam-se em paranóia de catastróficos resultados na personalidade.
Considerado na sua função real e normal, o sexo é santuário
da vida, e não 'paul' de intoxicação e morte.
Estimulado pelo amor, que lhe tem ascendência emocional, propicia as mais
altas expressões da beleza, da harmonia, da realização
pessoal; acalma, encoraja para a vida, tornando-se um dínamo gerador
de alegrias. Os problemas sexuais se enraízam no espírito, que
se aturde com o desregramento que impõe ao corpo, exaurindo as glândulas
genésicas e exteriorizando-se em funções incorretas, que
se fazem psicopatologias graves, a empurrar a sua vítima para os abismos
da sombra, da perversidade e do crime.
A liberação das distonias sexuais, mais perturbam o ser, que se
transfere de uma para outra sensação com sede crescente, mergulhando
na promiscuidade, por desrespeito e desprezo a si mesmo e, por extensão,
aos outros. A sua é uma óptica desfocada, pela qual passa a ver
o mundo e as demais pessoas na condição de portadoras dos seus
mesmos problemas, só que mascaradas ou susceptíveis de viverem
aquela conduta, quando não deseja impor a sua postura especial como regra
geral para a sociedade.
Sob conflito psicológico, o portador de problema sexual, ou de outra
natureza, não se aceita, fugindo para outros comportamentos dissimuladores;
ou quando se conscientiza e resolve-se por vivê-lo, assume feição
chocante, agressiva, como uma forma de enfrentar os demais, de maneira anlinatural,
demonstrando que não o digeriu nem o assimilou. Toda exibição
oculta um conflito de timidez ou inconformação, de carência
ou incapacidade.
Uma terapia psicológica bem cuidada atenua o problema sexual, cabendo
ao paciente fazer uma tranquila auto-análise, que lhe faculte viver em
harmonia com a sua realidade interna, nem sempre compatível com a sua
manifestação externa. Não basta satisfazer o sexo - toda
fome e sede, de momento, saciadas, retornam, em ocasião própria
- mas, harmonizar-se, emocionalmente, vivendo em paz de consciência, embora
com alguma fome perfeitamente suportável, ao invés do constante
conflito da insatisfação decorrente da imaginação
fértil, que programa prazeres contínuos e elege companhias impossíveis
de conseguidas em qualquer faixa sexual que se estagie.
Ninguém se sente pleno, no mundo, acreditando-se haver logrado tudo quanto
desejava. A aspiração natural e calma para atingir um próximo
patamar, faz-se estímulo para o progresso do indivíduo e da sociedade.
Os problemas sexuais, por isto mesmo, devem ser enfrentados sem hipocrisia,
nem cinismo, fora de padrões estereotipados por falsa moralidade, tampouco
levados à conta de pequeno significado. São dificuldades e, como
tais, merecem consideração, tempo e ação especializada.
B
- Relacionamentos perturbadores
Os indivíduos de temperamento neurótico, tornam-se incapazes de
manter um relacionamento estável. Pela própria constituição
psicológica, são perturbadores de afetividade obsessiva e, porque
inseguros, são desconfiados, ciumentos, por consequência depressivos
ou capazes de inesperadas irrupções de agressividade. Os conflitos
de que são portadores os levam a uma atitude isolacionista, resultado
da insatisfação e constante irritabilidade contra tudo e todos.
Crêem não merecer o amor de outrem e, se tal acontece, assumem
o estranho comportamento de acreditar que os outros não lhes merecem
a afeição, podendo traí-los ou abandoná-los na primeira
oportunidade. Quando se vinculam, fazem-se absorventes, castradores, exigindo
que os seus afetos vivam em caráter de exclusividade para eles. São,
desse modo, relacionamentos perturbadores, egocêntricos.
O amor é uma conquista do espírito maduro, psicologicamente equilibrado;
usina de forças para manter os equipamentos emocionais em funcionamento
harmônico. É uma forma de negação de si mesmo em
autodoação plenificadora. Não se escora em suspeitas, nem
exigências infantis; elimina o ciúme e a ambição
de posse, proporcionando inefável bem-estar ao ser amado que, descomprometido
com o dever de retribuição, também ama. Quando, por acaso,
não correspondido, não se magoa nem se irrita, compreendendo que
o seu é o objetivo de doar-se, e não de exigir. Permite a liberdade
ao outro, que a si mesmo se faculta, sem carga de ansiedade ou de compulsão.
Quando estas características estão ausentes, o amor é uma
palavra que veste a memória condicionada da sociedade, em torno dos desejos
lúbricos, e não do real sentimento que ele representa. Esse relacionamento
perturbador faz da outra pessoa um objeto possuído, por sua vez, igualmente
possuidor, gerando a desumanização de ambos. Ao dizer-se meu amigo,
minha esposa, meu filho, meu companheiro, meu dinheiro, a posse está
presente e a submissão do possuído é manifesta sem resistência,
evitando conflitos no possuidor, não obstante, em conflito aquele que
se deixa possuir, até o momento da indiferença, por saturação,
desinteresse, ou da reação, do rompimento, transformando-se o
afeto-posse em animosidade, em ódio.
Necessária uma nova conduta e para isto a psicologia profunda se torna
o estudo de uma nova linguagem libertadora. A palavra é um símbolo
que veste a idéia; por sua vez, formulação de pensamento,
que se torna uma memória acumulada e retorna quando se deseja vesti-lo.
A memória da sociedade adicionou conceitos sobre o amor e o relacionamento,
estabelecendo sinais que os caracterizam, sem que auscultasse as suas estruturas
psicológicas despidas de símbolos.
O homem deve comprometer-se ao autodescobrimento, para ser feliz, identificando
seus defeitos e suas boas qualidades, sem autopunição, sem autojulgamento,
sem autocondenação. Pescá-los, no mundo íntimo,
e eliminar aqueles que lhe constituem motivos de conflitos, deve ser-lhe a meta...
Não se sentir feliz ou desventurado, porém empenhar-se por atenuar
as manifestações primitivas de agressividade e posse, desenvolvendo
os valores que o equipem de harmonia, vivendo bem cada momento, sem projetos
propiciadores de conflitos em relação ao futuro ou programas de
reparação do passado.
Simplesmente deve renovar-se sempre para melhor, agindo com correção,
sem consciência de culpa, sem autocompaixão, sem ansiedade. Viver
o tempo com dimensão atemporal, em entrega, em confiança, em paz.
Pode-se dizer que, no amor, quando alguém se identifica com a pessoa
a quem supõe amar, está, apenas, realizando um ato de prolongamento
de si mesmo, portanto, amando-se, e não à outra pessoa. Esta identificação
se baseia na memória do prazer e da dor, das alegrias e dos insucessos,
portanto, amando o passado e as suas concessões, e não a pessoa
em si, neste momento, como é. É habitual dizer-se: "- Amo,
porque ela (ou ele) tem compartilhado da minha vida, das minhas lutas; ajudou-me,
sofreu ao meu lado, etc."
O sentimento que predomina aí é o de gratidão, e gratidão,
infelizmente, não é amor, é reconhecimento que deve retribuir,
compensar, quando em verdade, o amor é só doação.
Imprescindível, assim, uma nova linguagem que rompa com o atavismo, com
a memória da sociedade, acumulada de símbolos, falsos uns, e inadequados
outros. Os relacionamentos humanos tornam-se, portanto, perturbadores, desastrosos,
por falta de maturidade psicológica do homem, em razão, também,
dos seus conflitos, das suas obsessões e ansiedades.
Graças ao autoconhecimento ele adquire confiança, e os seus conflitos
cedem lugar ao amor, que se transforma em núcleo gerador de alegria com
alta carga de energia vitalizadora. O amor, porém, entre duas ou mais
pessoas somente será pleno, se elas estiverem no mesmo nível.
A solução, para os relacionamentos perturbadores, não é
a separação, como supõem muitos. Rompendo-se com alguém,
não pode o indivíduo crer-se livre para um outro tentame, que
lhe resultaria feliz, porquanto o problema não é a da relação
em si, mas do seu estado íntimo, psicológico.
Para
tanto, como forma de equacionamento, só a adoção do amor
com toda a sua estrutura renovadora, saudável, de plenificação,
consegue o êxito almejado, porquanto, para onde ou para quem o indivíduo
se transfira, conduzirá toda a sua memória social, o seu comportamento
e o que é. Desse modo, transferir-se não resolve problemas. Antes,
deve solucionar-se para trasladar-se, se for o caso, depois.
C - Manutenção de Propósitos
O homem é um ser muito complexo. Somatório das suas experiências
passadas tem, no inconsciente, um completo arquivo da raça, da cultura,
das tradições que lhe influem no comportamento. Por outro lado,
a educação, os hábitos, os fenômenos psicológicos
e fisiológicos estão a alterá-lo a cada momento. Do acúmulo
destes valores resultam-lhe as aspirações, as tendências
e anseios, seus conflitos, ansiedades e realizações.
O inconsciente, como efeito, está sempre a ditar-lhe o que fazer e o
que a realizar, inclinando-o numa ou noutra direção. Todavia,
o mecanismo essencial da Vida impulsiona-o para o progresso, para a evolução,
mediante os programas de autoburilamento, de orientação, de trabalho...
O resultado natural deste processo é uma mente confusa, buscando claridade;
são problemas psicológicos, aguardando solução.Torna-se-lhe
imperiosa a adoção de propósitos para saber o motivo da
confusão mental e entender os problemas, antes que tentar solucioná-los
superficialmente, deixando em aberto novas dificuldades deles decorrentes.
A solução de agora pode satisfazê-lo por momentos, porém
se não são entendidos, eles retornam por outro processo, permanecendo
na condição de conflitos a resolver. Para que se mantenha o propósito
de entendimento de si mesmo e da Vida, faz-se necessário um percebimento
integral de cada fato, sem julgamento, sem compaixão, sem acusação.
Examiná-lo com imparcialidade, na sua condição de fato
que é, com uma mente inocente, sem passado, sem futuro, apenas presente,
mediante uma honesta compreensão, é a forma segura de o entender,
portanto, de o perceber e digeri-lo convenientemente, sem dar margem a novos
comprometimentos. Sem tal experiência se está tentando burlar a
mente, qual se deseje saber por palavras o que se passa em algum lugar, sem
interesse de ir-se lá, de conhecer-se pessoalmente. Esta é uma
conduta de quem somente busca informação sem interesse pelo conhecimento
real, desde que se nega ao esforço do deslocamento até o lugar
em pauta.
O entendimento de si mesmo, a fim de encontrar as raízes dos problemas,
para extirpá-los, exige uma energia permanente, um propósito perseverante,
mantidos com inteireza moral e psicológica. Em caso contrário,
desejam-se apenas, informações verbais, sem mais profundas consequências.
Todos os problemas existentes no homem, dele mesmo procedem, das suas complexidades,
da dominação do seu ego.
Normalmente, em razão do próprio passado, as tentativas de manter
os propósitos de autoconhecimento, sem acumulação de dados
especulativos, mas de real identificação de si mesmo, redundam
em insucesso pela falta de perseverança, pelo desânimo diante das
dificuldades do começo da empresa e pelo desinteresse de libertar-se
dos conflitos. O homem se queixa que o autoconhecimento exige despesa de energia
face ao desgaste que o esforço provoca. Talvez não seja necessária
uma luta como a que se trava em outras atividades. A manutenção
dos conflitos produz muito mais consumação de forças. Basta
uma atitude de desvalorização dos problemas, como quem deixa cair
um fardo simplesmente, ao invés de empenhar-se por atirá-lo fora.
A manutenção dos propósitos de renovação
e de auto-aprimoramento é resultado de uma aceitação normal
e de todo momento, da necessidade de autodescobrir-se, morrendo para as constrições
e ansiedades, os medos e rotinas do cotidiano. Desta ação consciente,
de que se impregna, o homem se plenifica interiormente, sem neurose ou outros
quaisquer fenômenos psicóticos, perturbadores da personalidade
e da vida.
D - Leis Cármicas e Felicidade
Nas experiências psicológicas de amadurecimento da personalidade,
na busca da plenitude, a incerteza é indispensável, pois que ela
fomenta o crescimento, o progresso, significando insatisfação
pelo já conseguido. A certeza significaria, neste sentido, a cessação
de motivos e experiências, que são sempre renovadores, facultando
a ampliação dos horizontes do ser e da vida.
Graças à incerteza, que não representa falta de fé,
os erros são mais facilmente reparáveis e os êxitos mais
significativos. Ela ajuda na libertação, pois que a presença
do apego, no sentimento, gera a dor, a angústia. Este último,
que funciona como posse algumas vezes, como sensação de segurança
e proteção noutras ocasiões, desperta o medo da perda,
da solidão, do abandono.
A verdadeira solidão - a mente estar livre, descomprometida, observando
sem discutir, sem julgar-é um estado de virtude - nem memória
conflitante do passado, nem desespero pelo futuro não delineado - geradora
de energia, de coragem. Normalmente, o medo da solidão é o fantasma
do estar sozinho, sem ninguém a quem submeter ou a quem submeter-se.
A insegurança porque se está a sós assusta, como se a presença
de outra pessoa pudesse evitar os fenômenos automáticos de transformação
interna do ser- fisiológica e psicologicamente - impedindo os acontecimentos
desagradáveis ou a morte.
É necessário que o homem aprenda a viver com a sua solidão
- ele que é um cosmo miniaturizado, girando sob a influência de
outros sistemas à sua volta - com o seu silêncio criativo, sem
tagarelice, liberando-se da consciência de culpa, que lhe vem do passado.
Destinado à liberdade plena, encontra-se encurralado pelas lembranças
arquivadas nos painéis do inconsciente - sua memória perispiritual
- que lhe põem algemas em forma de ansiedade, de fobias, de conflitos.
Mesmo quando os fatores da vida se lhe apresentam tranquilizadores, evade-se
do presente sob suspeitas injustificáveis de que não merece a
felicidade, refugiando-se no possível surgimento de inesperados sofrimentos.
A felicidade relativa é possível e se encontra ao alcance de todos
os indivíduos, desde que haja neles a aceitação dos acontecimentos
conforme se apresentam. Nem exigências de sonhos fantásticos, que
não se corporificam em realidade, tampouco o hábito pessimista
de mesclar a luz da alegria com as sombras densas dos desajustes emocionais.
As heranças do passado espiritual ressumam em manifestações
cármicas, que devem ser enfrentadas naturalmente por fazerem parte da
vida, elementos essenciais que são constitutivos da existência.
Como decorrência de uma vida anterior dissoluta, surgem os conflitos,
as castrações, os tormentos atuais, da mesma forma, como efeito
do uso adequado das funções se apresentam as bênçãos
de plenificação.
As leis cármicas, que são o resultado das
ações meritórias ou comprometedoras de cada indivíduo,
geram, na economia evolutiva de cada um, efeitos correspondentes, estabelecendo
a ponderabilidade da Divina Justiça, presente em todos os fenômenos
da Natureza e da Criação. O fatalismo cármico da
evolução é a felicidade humana, quando o ser, depurado
e livre, sentir-se parcialmente integrado na Consciência Cósmica.
A sua marcha, embora as aparências dissonantes de alegria e tristeza,
de saúde e doença, está incursa no processo das conquistas
que lhe cumpre realizar, passo a passo, com dignidade e com iguais condições
delegadas aos seus semelhantes, sem protecionismos vis ou punições
cerceadoras indevidas, que formaram os arquétipos de privilégio
e recusa latentes em muitos. A resolução para ser feliz rompe
as amarras de um carma negativo, face ao ensejo de conquistar mérito
através das ações benéficas e construtivas, objetivando
a si mesmo, o próximo e a sociedade.
Nenhum impedimento na vida à felicidade. Uma resignação
dinâmica ante o infortúnio - a naturalidade para enfrentar o insucesso
negando-se a que interfiram no estado de bem-estar íntimo, que independe
de fatores externos - realiza a primeira fase do estágio feliz. O amadurecimento
psicológico, a visão correta e otimista da existência são
essenciais para adquirir-se a felicidade possível.
Na sofreguidão da posse, o homem supõe que o apego às coisas,
a disponibilidade de recursos, a ausência de problemas são os fatores
básicos da felicidade e, para tanto, se empenha com desespero. Ao desfrutar
deles, porém, dá-se conta que não se encontra ditoso, embora
confortado, porque é no seu mundo íntimo, de satisfação
e lucidez em torno das finalidades da vida, que estão os valores da plenitude.
As
leis cármicas são a resposta para que alguns indivíduos
fruam hoje o que a outros falta, ao mesmo tempo são a esperança
para aqueles que lutam e anelam, acenando-lhes a possibilidade próxima
de aquisição dos elementos que felicitam. Idear a felicidade sem
apego e insistir para conseguí-la; trabalhar as aspirações
íntimas, harmonizando-as com os limites do equilíbrio; digerir
as ocorrências desagradáveis como parte do processo; manter-se
vigilante, sem tensões nem receios e se dará o amadurecimento
psicológico, liberativo dos carmas de insucesso, abrindo espaço
para o auto-encontro, a paz plenificadora.
7
- CONFLITOS E DOENÇAS
As
reencarnações comuns, sem destaques missionários, invariavelmente
são programadas pelos automatismos das Leis, que levam em conta diversos
fatores que respondem pelas afinidades ou desajustes entre os seres, assim como
pelas realizações ético-morais, unindo-os ou não,
de forma a darem cumprimento aos imperativos, responsáveis pela evolução
individual ou dos grupos humanos. Em outras circunstâncias, são
planejadas por técnicos no mister, que aproximam as criaturas, formando
os clãs, nem sempre, porém, levando em consideração
a afetividade existente entre eles, mas, também, situando-os próximos,
na mesma consanguinidade, a fim de serem limadas as arestas, corrigidas as imperfeições
morais, desenvolvidos os processos de resgates, próprios dos estágios
em que permanecem.
Encontros para primeiras experiências são organizados com o fito
de facilitar a fraternidade, ampliando o círculo de afeições;
reencontros são estabelecidos para realizações dignificadoras
e também retificações impostergáveis. Por isso,
são comuns os choques domésticos, os conflitos de idéias
e de interesses, as preferências e os repúdios, os entendimentos
e as reações familiares.
Um Espírito que, na infância corporal, não recebe afeto
no ninho doméstico, face à sua historiografia perturbadora, e
desenvolve futuros quadros de enfermidades psicológicas ou orgânicas,
expia suavemente os delitos que não resgatou e agora são cobrados
pela Vida, reestruturando a consciência do dever, ou despertando para
ela. Quando se trata, porém, de gravame severo, são impressos
pelo perispírito no ser em formação física os limites
e anomalias de natureza genética, propiciadores da expiação
compulsória, que funciona como recurso enérgico para a reabilitação
do calceta. Nada ocorre na vida por acaso ou descuido da Consciência Cósmica
impressa na individual.
Assim sendo, adquirir consciência, no seu sentido profundo, é despertar
para o equacionamento das próprias incógnitas, com o consequente
compreender das responsabilidades que a si mesmo dizem respeito. O ser consciente
é um indivíduo livre e realizador do bem operante, que tem por
meta a própria plenitude através da plenificação
da humanidade. Alcançar esse nível de entendimento é todo
um processo de crescimento interior, mediante constante vigilância e.
desdobramento das potencialidades adormecidas, que aguardam os estímulos
que fomentam o seu despertar e a sua realização.
Não conscientes das respostas da vida, obedecendo aos automatismos, muitas
criaturas permanecem adormecidas em relação aos seus deveres,
tornando-se instrumento de sofrimento para si mesmas, como para outros, que
lhes experimentam a presença ou delas dependem. Uma das finalidades primaciais
da reencarnação é a aquisição do amor (afetividade
plena), para o crescimento espiritual e o auto-aprimoramento (encontro com o
deus interno.)
Vitimado pelos atavismos do desamor, pelos caprichos do egoísmo, o ser
fecha-se na rebeldia e passa a sentir dificuldades em espalhar a luz do sentimento
do bem, permanecendo indiferente ao seu próximo, mesmo quando ele faz
parte do grupo familial. O problema se apresenta mais complexo quando esse mesmo
sentimento egoísta registra antipatia ou surda animosidade por alguém
do grupo doméstico. Tal reação ocorre em forma de desamor
dos pais pelos filhos, desses por aqueles, entre irmãos ou outros membros
do ninho doméstico.
A atitude injustificada faz-se responsável por inúmeros conflitos
psicológicos -fobias, insegurança, instabilidade emocional, complexos
de inferioridade ou superioridade, soberba, etc. - e enfermidades orgânicas
que aí se instalam. A criança tem necessidade de ser amada, protegida,
nutrida, orientada, a fim de desenvolver os sentimentos da afetividade, da harmonia,
da saúde, do discernimento. Esquecida, momentaneamente, desses valores,
que o véu da carne abafa, deve receber de fora - dos pais, da família,
da sociedade - os estímulos que lhe propiciem o despertamento desses
tesouros para os multiplicar através dos investimentos da evolução.
Quando se sente atendida nessas necessidades, logra com facilidade alcançar
os objetivos da reencarnação, devolvendo aos grupos familial e
social todas as conquistas ampliadas e felicitadoras. Ao experimentar carência,
desenvolve quadros patológicos que assumem gravidade a partir da juventude,
quando não se tornam pesadas cruzes da fase infantil, exigindo terapias
psicossomáticas, espirituais, de natureza moral, a fim de libertar-se
da opressão e do desespero que a estiolam. Desamada, a criança,
o seu inconsciente chama a atenção através de distúrbios
do sono - pesadelos, inquietação noturna, choro, insônia
- agressividade e rebeldia, medos e mau desenvolvimento psicofísico.
O amor é alimento para a vida, que atua nos fulcros do ser e harmoniza
os equipamentos eletrônicos do perispírito, responsáveis
pela interação Espírito-matéria. A sua vibração
acalma e dá segurança, ao mesmo tempo reabastece de forças
e vitalidade insubstituíveis.
Quando o indivíduo se identifica desamado - hoje ou no passado - faz,
inconscientemente, um quadro regressivo e descobre que não foi necessariamente
nutrido (alimentado pelo amor), passando a experimentar um sentimento de reação
através da anorexia nervosa ou inapetência, que pode tornar-se
um perigo para a sua saúde. O seu curso pode ser acidental, passageiro
ou de largo tempo, gerando graves danos orgânicos.
De outra forma, pode apresentar reação totalmente contrária
e faz uma patologia de voracidade alimentar, a bulimia, em que a insatisfação
leva a comer até a exaustão, propiciando perturbações
digestivas e nervosas muito complexas. Ainda ocorrem, nesse capítulo,
os casos de vômitos nervosos, em que o alimento é expelido por
automáticas contrações do estômago e pelos distúrbios
gástricos, levando o paciente ao enfraquecimento, à desnutrição...
Indigestão, dispepsia nervosa, diarréia, prisão de ventre
fazem parte dessa patogênese decorrente da ausência do amor, no
capítulo da reencarnação do Espírito.
A necessidade de cada um digerir os próprios problemas é indiscutível
e inadiável, devendo fazer parte da agenda diária de todo aquele
que desperta para a consciência de si, não se permitindo agasalhar
conflitos, mesmo que sob hábeis camuflagens do inconsciente. Mediante
uma auto-análise honesta, na qual se dispensem o elogio, a condenação
e a justificação, o indivíduo deve permitir-se a identificação
do erro, do problema, e sem consciência de culpa digerir o acontecimento,
buscando os meios para reparação e a libertação
do sentimento perturbador.
Não são poucos os males orgânicos que defluem das emoções
e sentimentos nas áreas da afetividade e do comportamento, que podem
ser evitados e solucionados graças a uma atitude de boa vontade para
consigo mesmo e para com os outros, permitindo-lhes o direito de serem como
são e não conforme gostaria que fossem. A cuidadosa auto-análise,
sem caráter exigente nem condenatório, abrirá possibilidades
inúmeras para o equilíbrio e ajudará a desenvolver a tolerância
em relação aos outros, produzindo harmonia interior.
Surgem, então, os desejos de recuperação pelo trabalho
e bem orientada canalização das energias, que se transformam em
dínamos geradores de força, que propiciam saúde, bem-estar
e harmonia.
8 - DISTONIAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Quando ocorre a ruptura do equilíbrio existente
entre a consciência e o corpo, irrompem as enfermidades, as quais expressam
a reação que ora se estabelece. A vida orgânica é
resultado da harmonia vibratória do ser, que equilibra as células
nos campos onde se aglutinam, dando forma aos órgãos e estas ao
corpo físico, com as suas complexidades, através das quais se
exterioriza o psiquismo. Um erro de comunicação entre a consciência
e o corpo favorece a desorganização molecular, propiciando a instalação
das doenças.
Em razão da causalidade física, moral ou emocional, o distúrbio
surgirá nos equipamentos correspondentes, daí decorrendo os fenômenos
perturbadores. A energia vitalizadora que o Espírito irradia, preservando
a harmonia psicofísica, resulta dos pensamentos e atos a que o mesmo
se afervora. A enfermidade de qualquer natureza é uma guerra que se apresenta
nas paisagens do ser. Encontrando dissonantes os campos vibratórios que
constituem os equipamentos da maquinaria humana, instalam-se as colônias
microbianas perniciosas, que passam a predominar no organismo. Os macrófagos,
encarregados de defender as outras células, face à deficiência
energética deixam-se destruir e perdem a força que os vitaliza,
cedendo espaço aos invasores maléficos.
Pergunta-se, normalmente, por que o DNA, que é a causa primeira e essencial
de todas as combinações no corpo, de um para outro momento sucumbe,
deixando-se aniquilar pelos vírus e outros agentes agressivos, sem dar-se
conta, já que a sua fatalidade biológica resulta do imperativo
psíquico, da energia vital que desenvolveu e mantém a vida em
todas as suas formas. Na raiz, portanto, de qualquer enfermidade encontra-se
a distonia do Espírito, que deixa de irradiar vibrações
harmônicas, rítmicas, para descarregá-las com baixo teor
e interrupções que decorrem da incapacidade geradora da Fonte
de onde procedem.
Na mesma ordem estão os conflitos, os transtornos psicológicos,
os distúrbios fóbicos e outros da área psiquiátrica.
Mesmo quando a sua psicogênese se encontra na hereditariedade, nos fatores
estressantes, nos sócioeconômicos, nos psicossociais e emocionais,
as causas reais se originam do ser espiritual, que é sempre o agente
de todos os acontecimentos que dizem respeito ao ser humano. Esse feixe de energia
pensante, que é o Espírito, age e, ao fazê-lo, preserva
a capacidade que lhe é peculiar, ou perturba-a de acordo com o direcionamento
das suas manifestações.
Exteriorizada a ação, mental ou física, ondas de energia
carregadas de força viajam no rumo que objetiva e, conforme a sua qualidade
- positiva ou negativa -, potencializa ou desconecta os núcleos do corpo
intermediário - períspirito - resultando em capacidade de saúde
ou receptividade a doenças. Para o tentame do reequilíbrio e bem-estar,
a interiorização do ser e o pensamento carregado de amor constituem
os valores que reparam as engrenagens supersensíveis do modelo organizador
biológico, restabelecendo-lhe a harmonia e, no caso psíquico,
refazendo os campos nos quais se movimentam os neuropeptídios e outras
células nervosas. Todo conflito procede do ser que pensa, do direcionamento
das suas aspirações, das suas atitudes próximas como remotas.
Ademais, em se considerando os campos de força e afinidade que existem
no Universo, o indivíduo sintoniza, também, com os equivalentes
ao seu teor vibratório, tornando-se hospedeiro de mentes e seres enfermiços
que pululam na psicosfera do planeta, já desencarnados, que passam a
exaurir-lhe as forças por osmose espiritual - obsessão -assim
como pelas correntes mentais que se exteriorizam das demais criaturas em cujo
círculo se movimenta.
Nunca será demasiado propor-se elevação moral e renovação
espiritual do ser humano, autor do próprio destino, considerando-se que,
de acordo com aquilo que aspire e faça, proporcionará a si mesmo,
hoje ou mais tarde, o resultado da sua escolha. Introspecção,
alegria, reflexão, cultivo de idéias superiores, oração
constituem terapias avançadas, com os seus efeitos vibracionais positivos,
em favor de quem os mantenha, produzindo saúde pela recomposição
do equilíbrio psicofísico. (...)
Joanna
de Ângelis