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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lei de Sociedade

Pergunta 766 - A vida social está em a Natureza? - "Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação."
Pergunta 775 -Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família? - "Uma recrudescência do egoísmo."
1 - O INTERCÂMBIO SOCIAL
O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela emoção para a vida em sociedade.
O seu insulamento, a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência à lei natural, caracterizando-se por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia-a-dia.
Graças à dinâmica da atualidade, diminuem as antigas incursões ao isolacionismo, seja nas regiões desérticas para onde o homem fugia a buscar meditação, seja no silêncio das clausuras e monastérios onde pensava perder-se em contemplação.
O Cristianismo possui o extraordinário objetivo de criar uma sociedade equilibrada, na qual todos os seus membros sejam solidários entre si.
O "negar o mundo", do conceito evangélico, não significa abandoná-lo, antes criar condições novas, a fim de modificar-lhe as estruturas negativas e egoísticas, engendrando recursos que o transformem em reduto de esperança, de paz, perfeito símile do "reino dos céus", a que se reportava Jesus.
A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas.
Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições, sem constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao despertamento e à mudança de conduta de 'motu proprio'.
A reforma pessoal de alguém inspira confiança, gera simpatia, modifica o meio e renova os cômpares com quem cada um se afina.
Isolar-se, portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma experiência na qual o egoísmo predomina, longe da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade.
Criaturas bem-intencionadas sonham com comunidades espiritualizadas, perfeitas, onde se possa viver em regime da mais pura santificação.
Assim tocadas, programam colméias, organizam comitês para tal fim, e os mais ambiciosos laboram por cidades onde o mal não exista e todos se amem ...
Em verdade, tal ambição, nobre, par enquanto impraticável, senão totalmente irrealizável, representa uma reminiscência ancestral das antigas comunidades religiosas onde o atavismo criou necessidades de elevação num mundo especial, longe das realidades objetivas entre os homens em evolução.
Jesus, porém, deu-nos o exemplo.
Desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições, a fim de ajudar.
Não convocou os privilegiados, antes convidou os infelizes, os rebeldes e rejeitados, suportando suas mazelas e assim mesmo os amando.
No colégio íntimo, esteve a braços com as sistemáticas dúvidas dos amigos, suas ambições infantis, suas querelas frívolas, suas disputas ...
Não se afastou deles, embora suas imperfeições, não se rebelou contra eles.
Ajudou-os, incansavelmente, até os momentos extremos, quando, sofrendo, no Getsêmani, surpreendeu-os, mais de uma vez, a dormir ...
E retornou ao convívio deles, quando atemorizados, a sustentá-los e animá-los, a fim de que não deperecessem na fé, nem na dedicação em que se fizeram mais tarde dignos do seu Mestre, em face dos testemunhos libertadores a que se entregaram ...
Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a convivência com os irmãos mais inditosos do que tu mesmo.
Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha. Nada esperes dos outros.
Sê tu quem ajuda, desculpa, compreende.
Se eles te enganam ou te traem, se censuram-te ou exigem-te o que não dão, ama-os mais, sofre-os mais, porquanto são mais carecentes de socorro e amor do que supões.
Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los companheiros, terás logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus.
2 - PARTICIPAÇÃO NA FELICIDADE
Quando alguém chora acoimado por este ou aquele problema, fácil é participares do seu drama, dilatando esforços para diminuir-lhe o padecimento.
Ante a fome ou a enfermidade experimentas o apelo aos elevados sentimentos que te concitam à ajuda automática e rápida.
Sem dúvida, todo socorro que se oferta a alguém que sofre é de relevante significação.
Caridade, sim, a dádiva material e o gesto moral de solidariedade.
Indispensável, porém, não te deteres na superfície da realização.
Há os que são solidários na dor, assumindo a posição de benfeitores, em lugar de realce com o que se realizam interiormente.
Todavia, quando defrontam amigos em prosperidade, companheiros em evidência, conhecidos em situação de relevo, deixam-se ralar por mágoa injustificável, transformando-se em fiscais impenitentes e acusadores severos que não perdoam a ascensão do próximo.
Ressentimentos se acumulam nas paisagens íntimas, e, azedos, referem-se ao êxito alheio, vencidos por torpe inveja.
Não sabem o preço do triunfo de qualquer procedência, quando na Terra.
Ignoram os contributos que deve doar todo aquele que se alça a situação de destaque.
Farpas da maledicência e doestos do ciúme, perseguição sistemática disfarçada de sorrisos, ausência de amigos legítimos tornam as ilusórias horas douradas do homem de relevo em momentos difíceis de ser vencidos.
Assume posição diferente.
Sem que te faças interessado no que ele tem ou é, rejubila-te com o progresso de quem segue contigo.
Quando alguém se eleva, com ele se ergue toda a Humanidade. Quando alguém cai é prejuízo na economia moral do planeta.
Solidário na dificuldade do teu irmão, participa dos júbilos do teu próximo para que a ingestão do veneno do despeito e do tóxico da animosidade não te destrua a alegria de viver.
Ser feliz com a felicidade alheia é também forma de caridade cristã.
3- AMIZADES E AFEIÇÕES
Não apenas a simpatia como ingrediente único para facultar que os afagos da amizade te adornem e enlevem o Espírito.
Muito fácil ganhar como perder amigos. Quiçá difícil se apresente a tarefa de sustentar amizades, em vez de somente consegui-las.
O magnetismo pessoal é fator importante para promover a aquisição de afetos. Todavia, se o comportamento pessoal não se padroniza e sustenta em diretrizes de enobrecimento e lealdade, as amizades e afeições não raro se convertem em pesada canga, desagradável parceria que culmina em clima de animosidade, gerando futuros adversários.
Nesse particular, existem pequenos fatores que não podem nem devem ser relegados a plano secundário, a fim de que sejam mantidas as afeições.
A planta não irrigada sucumbe sob a canícula. O grão não sepulto morre.
O lume sem combustível se apaga.
A máquina sem graxa arrebenta-se.
Assim, também, a amizade que sem o sustento da cortesia e da gentileza se estiola.
Se desejas preservar teus amigos não creias connsegui-lo mediante um curso de etiqueta ou de boas maneiras, com que, muitas vezes, a aparência estudada, artificial, substitui ou esconde os sentimentos reais. Os impositivos evangélicos que te apliques serão admiráveis técnicas de autenticidade, que funcionam como recurso valioso para a sustentação do bem em qualquer pessoa.
A afabilidade, a doçura, a gentileza de alguém, aparentemente destituído de simpatia conseguem propiciar a presença de amigos, retê-los e torná-los afetos puros para sempre.
Amizades se desagregam ou se desgastam exatamente após articuladas, no período em que os consórcios fraternos se descuidam de mantê-las.
E isso normalmente ocorre como conseqüência de atitudes que se podem evitar:
- o olhar agressivo;
- a palavra ríspida;
- o atendimento hostil ou negligente; a lamentação constante;
- a irreverência acompanhada pela frivolidade; a irritação contínua;
- a queixa contumaz;
- o pessimismo vinagroso ...
Os amigos são companheiros que também têm problemas. Por essa razão se acercam de ti.
Usa, no trato com eles, quanto possível, a bondade e a atenção, a fim de que, um dia, conforme Jesus enunciou: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas, tenho-vos chamado amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai", tornando-te legítimo amigo de todos, conseqüentemente fruindo as bênçãos da amizade e da afeição puras.
4 - ABNEGAÇÃO
 Mais profunda do que a ação de solidariedade, pura e simplesmente.
Mais nobre do que gesto asceta de desprezo e indiferença pelo mundo.
Mais elevada do que o altruísmo no seu sentido sociológico.
A abnegação é a oferenda de amor ao próximo, que leva ao sacrifício como forma inicial de caridade relevante.
Tem origem nos pequenos cometimentos do auxílio fraternal, com renúncia pessoal, mediante a qual a imolação reserva para quem a exerce a alegria de privar-se de um prazer, em prol do gozo de outrem.
Uma noite de sono reparador trocada pela vigília junto a um enfermo não vinculado diretamente aos sentimentos, quer pela consangüinidade ou por interesse de outra procedência;
a cessão de um bem que é preciso e quiçá faça falta, desde que constitua a alegria de outra pessoa;
a paciência e a doçura na atitude, com esforço e sem acrimônia interna, na desincumbência de um grave mister, dirigido às criaturas humanas;
a jovialidade, ocultando as próprias dores, de modo a não afligir aqueles com os quais se convive;
a perseverança discreta no trabalho mortificante, sem queixa nem enfado, desde que resultem benefícios para os demais;
a ação não-violenta, o silêncio ante a ofensa a não defesa em face de indébitas acusações, consideranndo, com esse esforço sacrificial, não comprometer nem ofender a ninguém, são expressões de renúncia ao amor-próprio, dando lugar à abnegação, que ora escasseia entre as criaturas, e, no entanto, é essencial para a construção do bem entre os homens da Terra.
Um gesto de abnegação fala mais expressivamente do que brilhantes páginas escritas ou discursos de alta eloqüência e rebuscada técnica retórica ...
A abnegação felicita quem a recebe, mas santifica quem a exercita.
O utilitarismo e o imediatismo modernos encontram soluções eufemistas, por meio de processos de transferência para as realizações que recomendam a abnegação de cada um.
Nesse sentido, o egoísmo é um entrave dos mais impeditivos para a consecução do sacrifício com que se pode enflorescer de bênçãos a cruz da abnegação. Diante de um esforço que te cabe brindar a alguém que sofre, não transfiras a oportunidade de ser abnegado.
Sob pretexto algum te poupes à operosa produção da felicidade, se o cometimento te exige abnegação.
Melhor ser o sacrificado pelo bem e pelo progresso dos seres do que o usufrutuário das coisas.
No ato de espalhar o conforto moral, não entreteças opiniões desairosas nem te apresentes na condição de mártir com o fim de inspirares simpatia.
Sê autêntico no dever.
O abnegado se desconhece. Ama com devotamento, e a flama do amor que lhe arde no íntimo raramente dá-lhe tempo para pensar primeiro em si, porquanto os problemas e as dores dos seus irmãos em Humanidade têm para ele regime de prioridade.
Se, todavia, desejares um protótipo que te expresse com mais veemência a grandeza da abnegação, recorre a Jesus que, em se esquecendo de Si mesmo, abraçou a cruz do sacrifício, a tudo renunciando, a fim de, por essa forma, testemunhar o Seu afeto e devoção por todos nós.
Oxalá, assim, a abnegação te dulcifique o ser e te faça realmente cristão.
5 - REFREGAS DA EVOLUÇÃO
Apesar das rudes refregas da luta, não te deixes abater.
Sob o peso de indescritíveis aflições, não te guardes à sombra do desalento.
Mesmo que os caminhos estejam refertos de dificuldades, não estaciones desanimado na jornada empreendida.
Aprende com a natureza: a terra sacudida pelo desvario dos ventos renova-se, cessada a tormenta; o solo encharcado retoma a verdura, e o arvoredo esfacelado cobre-se novamente de flores.
Em toda parte a vida se renova incessantemente, sob o látego das aflições, convidando-te a imitar-lhe o exemplo.
Não permitas, assim, que o pessimismo, esse conselheiro soez, balbucie aos teus ouvidos expressões de desencanto em relação às tarefas elegidas.
Recorda Jesus, abandonado, traído, em extrema solidão, plantando sozinho a espada luminosa do dever, desde então transformada em marco de luz para a Humanidade inteira.
Não te meças por aqueles que tombaram, deixando-te empolgar pelas deficiências deles.
A terra não se sente desrespeitada com o cadáver que lhe macule o solo. Recebe a dádiva da decomposição celular como bênção e transforma os tecidos apodrecidos em energias novas que são preciosas a outras vidas.
Se o companheiro ao teu lado cair, por que te desalentares? Encoraja-te e reflete que, apesar do fracasso dele, necessitas chegar ao fim.
Não te intimides com o insucesso alheio. A correnteza não cessa o curso porque a lama se encontra à frente; atravessa as camadas da dificuldade e surge, novamente límpida, adiante para abraçar o mar que a aguarda ao longe.
Se o amigo não teve a felicidade de manter o padrão de equilíbrio que se fazia necessário, na tarefa empreendida, conduze a mensagem que ele não pode levar aos angustiados que te esperam, ansiosos, à frente.
Fita a face dos triunfadores e deixa-te estimular pelo exemplo deles.
O caminho do Calvário é a história de uma grande solidão e toda a Boa Nova é hino de fidelidade ao dever.
O mestre nem sequer repreendeu Judas, ou censurou Pedro, ou doou taça de fel a Tomé, em dúvida.
Fez-se o atestado vivo e imortal do Pai, transformando-se em caminho para todos os arrependidos que O desejam seguir.
Na Boa Nova, a queda de cada discípulo é uma advertência para a vigilância dos que vêm depois; a deserção do aprendiz representa um convite à perseverança dos novos candidatos à escola universal do amor.
Robustece o ânimo, amigo do Cristo, fita o sol generoso a repetir sem cansaço a mensagem da alvorada diariamente, e segue fiel, de fronte erguida e coração içado ao bem, mantendo a tua comunhão com o Mestre nos deveres que te competem, certo de que não seguirás sozinho.
6 - REFERÊNCIAS ENCOMIÁSTICAS
Agredido pela pedrada rude com que a impiedade zurze a sua malquerença ante o bem em triunfo, não desfaleças na desincumbência do ideal.
O petardo que te alcança, mesmo ferindo a sensibilidade da tua alma ou rasgando a tecedura fisiológica do teu corpo, é bênção de que podes retirar incalculáveis resultados opimos.
O agressor é sempre alguém em aturdimento, de quem a Lei, muitas vezes, se utiliza a fim de chamar-te a atenção e situar-te no devido lugar de trabalhador da causa das minorias do Evangelho.
Perigosa, entretanto, na tarefa a que doas o melhor dos teus sentimentos, é a referência encomiástica (laudatória, aplauso), exaltada e perturbadora.
Semelhante a punhal disfarçado em veludo, penetra-te e aniquila as tuas decisões superiores, fazendo-te desfalecer. É comparável a veneno perigoso em taça de cristal transparente. Chega-se aos lábios da alma, produzindo imediata intoxicação.
Necessário colocar-te em atitude de defesa contra os que aplaudem, os que enaltecem, os que, momentaneamente iludidos, podem transformar os teus sentimentos que aspiram à paz, em perturbações que ensejam a glória efêmera.
Sabes pela experiência que o bom amigo traduz os seus sentimentos invariavelmente pelo testemunho da solidariedade silenciosa, da ação produtiva e do amparo fraternal, e não mediante as palavras explosivas, carregadas de lisonja.
O júbilo que explode no momento de exaltação também se converte em máscara de ira no momento de desgraça.
Poderás identificar o apoio ou a ressalva, o acerto ou o equívoco dos teus cometimentos se te exercitares no hábito salutar da reflexão e do exame das atividades encetadas.
"O bom trabalhador", disse Jesus, "é digno do seu salário." E o salário de quem trabalha com o Cristo é a paz da consciência correta.
O lídimo cristão sabe que tudo quanto faça nada faz, em considerando a soma volumosa de bênçãos que usufrui quando nas tarefas do Senhor.
Não te deixes, portanto, perturbar pela balbúrdia dos companheiros aturdidos, de palavras fáceis, gestos comovidos que te trazem o encômio vulgar, instrumentos, quiçá, de mentes levianas da Espiritualidade inferior interessadas na tua soberba e na tua queda.
Vigia as nascentes donde procede o elogio e não o apliques a ninguém, nem te facultes recebê-lo de ninguém.
E' verdade que todos necessitam do estímulo. Entre o estímulo sadio e a palavra enganosa medeia uma grande distância.
Poderás incutir no teu amigo o estímulo de que ele precisa.
Um gesto de ternura numa expressão da face em júbilo edificante, mediante a palavra bem dosada com expressões de equilíbrio, terçando armas ao lado, quando ele necessita de alguém e participando com ele da experiência da fé, no amanho do solo dos corações com o arado da caridade e a perseverança do tempo, são atestados inequívocos de aplauso nobre.
Encômios, Jesus, o modelo excepcional de todos nós, nunca os recebeu dos que O cercavam. A dúvida, porém, a suspeição rude, a injunção negativa, a coroa de espinhos, o cetro do ridículo, o manto da chocarrice e a cruz da ignomínia sim, Ele os aceitou em silêncio, e, não obstante, representava a Verdade máxima que jamais a Terra recebera.
Não pretendas, a serviço d'Ele, superá-lO sem lograr sequer o que Ele jamais almejou: o triunfo equivocado das criaturas humanas.
Preserva-te nos postulados e tarefas do bem e, ocorra quanto ocorrer, sê-Lhe fiel sem fantasias, sem enganos e sem aceitar as expressões encomiásticas que tantos têm iludido e derrubado no cumprimento do dever. 

Joanna de Ângelis

sábado, 28 de agosto de 2010

Carência (Análise Psicológica)

A carência é a convicção interna do percebimento de que ninguém é capaz de preencher nossa fenda afetiva. Há muito tempo à mesma deixou de ser sinônimo de solidão, pois é sentida em todas as esferas do relacionamento: casamento, namoro e família. A carência é o teste supremo de que nunca teremos controle sobre nossas reais necessidades pessoais, estando à mercê dos valores impostos pelo social: beleza, sedução e segurança como exemplos. A pessoa carente exacerba sua percepção social de que realmente quase nenhuma pessoa se importa com os sentimentos do outro, sendo que tal idéia se transforma em um conflito torturante, pelo fato da desconfiança de que isto esteja acontecendo no cotidiano do indivíduo.

Perdemos totalmente o poder pessoal face às pressões externas e internas que atingem nossos valores mais íntimos, nos tornando dependentes de qualquer tipo de relacionamento, seja positivo ou negativo. A dependência é sinônima absoluta da carência. Esta sempre será um reflexo interno e psíquico do estar preso na opinião alheia, e como outras pessoas devastam a auto estima da pessoa quando proferem determinadas críticas. A carência real é aquilo que sabemos que nos falta; ao contrário de tentar mostrar desesperadamente para o mundo que necessitamos de sua aprovação; não está associada à mágoa, mas, se assemelha muito mais a tristeza, que é uma emoção mais do que confiável perante um determinado esforço pessoal que não produziu o resultado almejado até o presente momento de nossas vidas. Esperança é a tristeza transformada em crença pessoal sobre o potencial de determinado indivíduo.

Será realmente que desejamos lidar com a carência ou apenas derramar toda a miserabilidade afetiva? A questão do choro se insere em tal contexto; pois há muito venho observando na experiência clínica que o mesmo muitas vezes possui um caráter autoritário, fazendo com que o parceiro esteja à disposição total da pessoa para aplacar seu sofrimento; ou ainda reflete o referencial de que a pessoa não deseja abrir mão da posse que acha que lhe foi conferida e jamais pode ser confiscada. O carente ou deprimido não se importam com a vergonha social de demonstrar seu sofrimento; sendo que tal fato não constitui algo positivo ou negativo; mas o que vale é unicamente reviver a todo custo um passado no qual não se conforma de ter sido excluído. É impressionante que após mais de cem anos da psicologia, pouco ainda se fala dos recursos dissimulados para a obtenção de poder e atenção. A auto flagelação e auto comiseração são os mais atuais na manutenção de dito estado neurótico. A carência como disse, sempre é um sentimento verdadeiro de um estado de desamparo, sendo que o problema reside na obsessão ou exacerbação do mesmo, ou quando a pessoa acha que tal condição é infindável.

O carente muitas vezes adota sua postura como se fosse uma espécie de "profissão", eliminando sua possibilidade pessoal de desvinculação das antigas imagens neuróticas. Sua dependência reside no retorno da infantilização emocional, mesmo que tais vivências tragam imensa dor psicológica. Mas como é possível a continuidade de tal sofrimento, seria um traço masoquista de personalidade? Creio que não, o que acontece nesses casos é que alguém que foi atacado em sua auto imagem ou amor próprio desenvolve um dispositivo mental de servidão perante a figura agressora, com a finalidade inconsciente de estar ao seu lado até que a reparação seja efetuada. É um clamor híbrido de vingança e justiça que transcende o tempo, se fixando no acontecimento passado em detrimento de formas atuais de compensação para sua carência. O carente guarda uma memória emocional extremamente elevada, pois sente que sua rebelião não se deu no ponto devido, guardando para si uma tarefa que parece interminável: a cura de sua ferida perante uma pessoa que deteve e ainda detêm poder sobre seus afetos. A carência abre brechas para vários processos neuróticos que a pessoa acaba por desenvolver. Assim como espera a reparação sublinhada acima, adota uma série de comportamentos fragilizados (choro, angústia e medo p.ex,) no sentido do meio ao seu redor perceber sua existência, mesmo que a pessoa seja vista negativamente ou que isto traga imensa dor ao ego. O carente teve um treino onde seu narcisismo pessoal foi totalmente invertido, se tornando uma auto crítica incessante.

A carência coloca a questão primordial se realmente alguém luta por um sonho concreto, ou apenas deseja vivenciar uma dor perante o que sente que lhe retiraram. O desafio é se gosta do presente, ou está totalmente preso numa caixa de lembranças negativas. Passado e futuro se transformam no palco de uma dor psíquica que a pessoa já não consegue conter.

Todo sentimento ou prazer cobram seu preço ou manutenção; sendo que os aspectos econômicos e sociais se transferem para a afetividade. O capitalismo também impera nas emoções, e poucos se deram conta de tal fato, preferindo acreditar ingenuamente num romantismo que nunca existiu. A liberação de determinada pulsão (energia contida que requer a descarga) de prazer irá cobrar o preço da dependência, já que o ser humano desde a idade média permeia suas relações na base da troca monetária. O interesse há muito habita nosso mais profundo íntimo, e só alguém totalmente alienado passa desapercebido perante tal fato. É lógico concluirmos que a carência irá se desenvolver numa determinada pessoa que não aceita a perda do controle e poder perante determinada situação. O que devemos refletir é como anda nosso potencial de troca, e percebermos que há uma junção entre carência e apego, sendo que este último tem a finalidade de se deter apenas no déficit atual da afetividade. Mas quase ninguém reflete sobre as conseqüências de determinada perda; o que realmente acontece? Será a noção de que jamais conseguiremos determinado prazer que experimentamos? O soterramento absoluto de nossa frágil auto imagem? O inconformismo perante nosso desejo de posse que se esvaeceu por completo perante a realidade? Desejo não admitido de mais uma "chance", mesmo se sabendo que determinada relação é absolutamente aflitiva? Qualquer perda possui o padrão mental de uma compulsão ou vício, sendo que faz parte da natureza humana lutar para a continuidade de algo conhecido, mesmo que isto custe sua própria vida ou insatisfação crônica.

O sistema econômico cria a noção da carência ou insuficiência eterna, jogando as pessoas numa espiral doentia de consumo. Tudo nos diz que nossa emoção profunda é um quadro perpétuo oco pendurado na parede de nossa consciência que está sempre em conflito. Um lado positivo da carência que quase todos infelizmente não conseguem enxergar é a capacidade ou desejo da recuperação do padrão ou equilíbrio emocional. O problema é a concentração apenas na descarga, como foi observado anteriormente. A recuperação ou aprender a obter poder e compensação por determinada inferioridade incluindo a perda é uma das essências da vida. A carência só irá se impor por completa quando o medo da morte que é seu aspecto mais profundo dominar os mais recônditos cantos do inconsciente do indivíduo. A saída é o percebimento de que todo sofrimento possui uma utilidade prática na vida do indivíduo.

A carência é a recusa interna de que talvez estejamos sós e abandonados; ou ainda a descoberta de que o amor de outra pessoa ainda não nos brindou. A questão é que a mente coloca tal coisa como algo que irá perdurar até o fim da vida da pessoa. Desde as descobertas de FREUD, o ser humano teve que perder sua racionalidade e assumir que jamais terá o controle sobre seus aspectos inconscientes. Mesmo com todas as novas descobertas na ciência, não temos ainda nenhuma chance de poder sobre o nosso destino. O máximo que conseguimos é observar como o inconsciente se agrega a determinados eventos ou acontecimentos, para dar continuidade a experiência traumática como dizia FREUD. Repetir determinados relacionamentos ou situações é tarefa básica do inconsciente. O problema é que neste ponto a psicanálise caiu num dilema; pois achava que se concentrar no passado do indivíduo seria a chave para remover o núcleo neurótico.

ALFRED ADLER, primeiro discípulo de FREUD e também o primeiro a desafiar suas teses, pensava o contrário; que o inconsciente seria a chave para o mapeamento das experiências futuras; como exemplo, acreditava que a escolha profissional se dava lá pelos cinco anos de idade, devido ao peso emocional vivido pela criança por situações que não entendeu e mais tarde desejaria atuar novamente. Seu trabalho se fixava na atualidade do indivíduo, tentando coibir as neuroses de atrapalharem o espírito coletivo e de solidariedade humana, fazendo com que o paciente abri-se mão de sua "vingança" perante sua história de vida; isto seria se concentrar no presente e futuro. Perceber que emoção historicamente se agrega no inconsciente da pessoa seria a tarefa do terapeuta. Se for a submissão, certamente a tendência será a repetição. Caso seja a raiva ou ódio, a pessoa tentará viver o oposto. Como exemplo clínico, cito pessoas que eram totalmente apegadas em seus relacionamentos, que após a separação e devido ao inconformismo fazem questão que nos seus próximos contatos afetivos seja o parceiro que esteja na postura da dependência. É da natureza humana lutar pelo poder em todas as situações, principalmente nas que refletem o medo ou raiva como expoentes máximos.

Para elucidarmos o inconsciente como a chave de nosso destino pessoal, faz-se mister o mapeamento mais do que detalhado das emoções e sentimentos diários vividos pela pessoa, pois desta forma teremos pelo menos uma pista de como será sua vida no confronto com os desafios da atualidade. O ponto fundamental é não apenas se debater na falta, mas, descobrir verdadeiramente o núcleo de nossos sonhos e anseios, e averiguar com total franqueza se os mesmos são passíveis de serem efetuados, e se também a mentira não está presente em algo que pensamos que desejamos.

Nossa meta atual que ruminamos diariamente é o fato de ganharmos dinheiro. Sem sombra de dúvida necessitamos do mesmo para atender nossas necessidades vitais. O complicador é quando as necessidades de consumo se agregam às questões afetivas, no sentido de compensar uma falta ou carência. Nenhum carro, casa ou produto pode ter tal função, já que o inconsciente não aceita permutas para suas solicitações. Deter-se no consumismo é apenas uma fuga narcisista para ser invejado ou obter poder sobre alguém, em face da infelicidade pessoal generalizada. E como é extremamente dilacerante percebermos o quanto somos e estamos infelizes. O dinheiro apenas abafa nossa total carência que não conseguimos resolver. A amplitude do desejo de retenção monetária reflete também um seguro cultivado diariamente contra algo extremamente valioso emocionalmente que a pessoa deixou escapar. O "rico" é aquele que sabe ou já passou pela horrenda experiência da privação, sendo que o acúmulo é a defesa mais racional para evitar a repetição de tão amarga vivência. Afetivamente em nossa era o processo é similar, pois a troca de amor para a maioria pode implicar em mágoa ou perda, assim sendo, todos acabam se tornando avarentos por precaução.

O consumismo é apenas um disfarce, para não se assumir que lidamos da mesma forma com as pessoas como o fazemos com o dinheiro. Ora subtraímos todo o afeto ou respeito para com o outro por puro egoísmo; ou então exageramos na doação ou ciúmes quando estamos prestes a perder determinado convívio. O fato é que somos péssimos investidores quando temos alguém ao nosso lado; e a solidão é a agonia por não poder se investir a dois, se sabendo possuidor de algo desprovido de sentido na posse individual. Carência é a revelação daquilo que a pessoa realmente é, trazendo à tona tanto o lado que reclama ternura que o parceiro ou alguém podem completar, quanto a malignidade inerente ao ser humano, quando acuado por uma situação de falta ou preso à determinada condição que o outro desconhece. A carência visa a eliminação de qualquer tipo de segredo e manutenção do orgulho, para que ocorra algo sério, que quase nunca observamos no cotidiano. Como lidamos com nossos parceiros é a chave de tal questão; (posse, inveja, superioridade, dentre outros.) Insistindo ainda no debate social, o consumo cria paralelamente o temor à dívida; assim sendo, é preferível a carência do que pagar um tributo pessoal perante determinada pessoa que possa nos reconfortar. Não seria essa uma das causas atuais da falência dos relacionamentos? Alguma pessoa pode se lembrar no decorrer de sua história pessoal, de algum tipo de aviso ou treinamento que obteve para conseguir compartilhar determinada emoção ou afetividade? Afora o discurso básico de uma mãe ou pai sobre a necessidade de dividir com um irmão determinado brinquedo ou tarefa, será que podemos nos lembrar da última vez que fomos alertados de que determinada situação ou desejo pessoal poderia nos conduzir ao isolamento?

O verdadeiro aspecto do amor ou troca é a contínua experiência do diálogo perante o prazer e insatisfação. Temos de aprender que uma imagem tênue de algo prazeroso jamais pode ser um referencial eterno perante o que buscamos. A memória traz os fatos, e cabe os classificarmos perante o grau de importância em determinada etapa de nossas vidas. A sedução é mais ou menos o colocado; imprimir o selo de uma lembrança eterna, que muitas vezes não tem nada a ver com as reais necessidades da pessoa; o mesmo caso que o sistema econômico nos coloca diariamente. A sedução como é posta pela sociedade é a oportunidade de se mostrar todo o poder pessoal perante alguém carenciado. A disputa e inveja se tornam então a base da nova procura pessoal. Sedução deveria ser a responsabilidade sensual a alguém que merece nosso mais profundo afeto.

A carência também é um atraso na conscientização do que realmente nosso íntimo está buscando; sendo que tal hiato é quase que completamente preenchido pelo medo. Quando o mesmo invade a personalidade, qualquer outro processo se torna secundário ou seu escravo. O medo utiliza vários processos emocionais para sua subsistência. A carência talvez seja sua base mais segura, na crença neurótica de que a infelicidade irá perdurar. Carência no resumo de tudo que foi colocado é o temor constante de perder novamente. De certa forma, todos já foram traumatizados no decorrer de sua história de vida. Mas por que não conseguimos obter experiência positiva perante passagens dolorosas? Por que a fragilidade ousa imperar absoluta, quando necessitamos de auto estima, parcimônia e tranqüilidade? O vírus destruidor de todo o equilíbrio emocional que deveríamos cultivar é a descoberta dolorosa de que determinada pessoa nos escolheu para doar ou viver o pior de si própria. Não consigo visualizar um registro de uma situação de "traição" mais horrenda do que a colocada.

Em outros trabalhos sempre pontuei que um relacionamento começa não apenas com elementos de prazer ou atração sexual; sendo que é investido de necessidades inconscientes ou estímulos negativos que a pessoa não conseguiu lidar até o presente momento. Uma relação é uma espécie de "contrato" sigiloso entre ambas as partes acerca de conteúdos reprimidos da personalidade que anseiam vir à tona. O parceiro se torna o alvo necessário para a consecução de uma tarefa mental que há muito habita o íntimo de seu par. Infelizmente na maioria das vezes, tais conteúdos são de natureza oposta aos anseios e expectativas da outra pessoa, começando todo o drama conjugal. Passa desapercebido que quase ninguém deseja a responsabilidade ou carga perante o depósito afetivo do outro. O pavor mais do que justificado da solidão mascara a necessidade imperiosa de afastar alguém que adquiriu como meta básica contrariar nossos desejos. Não almejo concluir com desesperança no âmbito afetivo, apenas apontar as diversas armadilhas criadas numa junção de carências pessoais versus necessidades artificiais induzidas pelo consumismo e opinião alheia. Claro é o fato de que a solidão é o fardo mais assombroso de nossa era, porém, a busca verdadeira por uma qualidade da relação também deveria ser meta básica. O problema é que quase não há mais comoção e entusiasmo perante o talento e capacidade de alguém para se dedicar plenamente a uma pessoa. A inveja há muito tempo atua contra o potencial da continuidade e bem estar das relações.

O desafio constante passa por conseguir realmente conhecer o outro; perceber não apenas seu histórico, mas, como lida nas diferentes áreas da vida; em que momentos ou situações é alguém simples, ou em quais é terrivelmente avarento e ambicioso. O carente se cega perante a verdadeira natureza de outra pessoa, devido a sua precária condição emocional; não consegue investir na sua pessoa e também em situações que poderiam lhe trazer amplo crescimento pessoal. Sua postura se assemelha a alguém em situação de privação social e econômica, nutrindo o conceito de que determinado bem é quase que inatingível para si próprio.

A carência não deixa de ser uma das únicas oportunidades de nos revelarmos sem máscaras; devemos apenas tomar o cuidado de repetidamente mostrarmos nossa essência, já que a sociedade fará uma leitura de "fraqueza", e conseqüentemente iremos nutrir um terrível complexo de inferioridade. Não se trata aqui de apregoar algum tipo de falsidade, sendo que o intuito é a mera preservação da estima do sujeito. O grande problema é que fica a impressão de jamais termos a certeza se realmente somos "bons" ou capazes em determinada área de nossas vidas. Dada esta dúvida, todos saem correndo atrás de fama, dinheiro ou poder, a fim de abafarem o desastre do fracasso pessoal, que é conseqüência na maioria das vezes do medo da opinião alheia e das expectativas que achamos que os outros têm a nosso respeito. A educação do valor próprio é pervertida diariamente por um narcisismo egoísta e individualista, dado que os pais cobram incessantemente dos seus filhos sucesso e destaque, assim como a sociedade o faz. Nesta corrida mais do que neurótica, o que se esquece é o acompanhamento genuíno das reais necessidades e possibilidades da criança. Temos de admitir que até nos mais puros instintos de cuidado e proteção, o lado econômico perverteu a nossa capacidade de sermos pais.

Qualquer ser humano já vivenciou o medo do desamparo ou a temível sensação da perda da proteção perante a morte ou ausência de seus genitores. Se vamos conseguir sobreviver a uma sociedade mais do que hostil e competitiva, ou se ainda, nos darão alguma posição para podermos sobreviver, fazem parte dos nossos mais profundos temores e pesadelos. A questão é que o carente vivencia tais medos na parte emocional, e o que é pior, quase que diariamente. Não é apenas uma questão de insegurança crônica; sendo que se abre uma espécie de portal para outros sentimentos paralelos que irão povoar indefinidamente o inconsciente da pessoa: ciúmes, inveja, medo e principalmente a ansiedade. A função da psicoterapia não deve ser a de aplacar a angústia, ou colocar o paciente em determinado conformismo. A solução só pode ser o que ADLER chamava de um "primeiro combate entre duas pessoas", para que à parte mais fragilizada aprenda a recuperar sua potência, seja no ganho ou na perda, sendo que a função do psicólogo é espelhar um lado profundamente humano, dizendo que todo esse processo é valioso, e que o mesmo também sente prazer na recuperação do outro, já que o indivíduo despotencializado jamais acreditará que poder ser alguém interessante. ADLER usava uma frase simples, mas penso que ainda de muita utilidade: "o teste supremo para ser terapeuta é a capacidade de animar a pessoa que busca ajuda".

BIBLIOGRAFIA:

ADLER,ALFRED. O CARÁTER NEURÓTICO. MADRID: PAIDÓS, 1932. FREUD,SIGMUND. O FUTURO É UMA ILUSÃO. OBRAS COMPLETAS. 

Créditos: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lei de Igualdade

Pergunta 803 - Perante Deus, são iguais todos os homens? - "Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez Suas leis para todos. Dizeis frequentemente: 'O sol luz para todos' e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais."
Pergunta 806 - É lei da natureza a desigualdade das condições sociais? - "Não; é obra do homem e não de Deus."
1 - CRÍTICOS IMPIEDOSOS
Não te permitas a atribuição de avinagrar as horas de outrem mediante o ingrediente da crítica contumaz ou da censura incessante.
Há muitos críticos na Terra que apenas vêem o que lhes apraz, conseguindo descobrir o humilde cascalho no leito de um rio de brilhantes preciosos.
Sua argúcia facilmente aponta erros, aguça detalhes negativos, embora insignificantes. São perfeccionistas em relação às tarefas alheias, combativos contra os companheiros de lide, nos quais sempre descobrem falhas, descoroçoando, facilmente, quando no lugar daqueles aos quais combatem.
São críticos, porém, incapazes de aceitar as apreciações que os desagradam.
Quando advertidos ou convidados ao diálogo franco, de que se dizem partidários, justificam os enganos e justificam-se, não admitindo admoestações ou corrigendas.
Há, sim, muitos desses críticos na Terra.

Ouve-os, mas não te detenhas nas suas apreciações.
Segue adiante e porfia sem desânimo.
Eles também passarão pelo crisol das observações alheias, nem sempre sensatas ou verdadeiras.
Sê tu aquele que ajuda com alegria em qualquer circunstância.
Mesmo que te agridam, ora por eles e não os ames menos.
Não tens o dever de agradá-los, é verdade, porém não os tenhas como inimigos.
Sem que o saibam ou porque insistam em ignorá-lo, necessitam de tua amizade pura e desinteressada.
Assistido por tais críticos impiedosos e por eles insistentemente perseguido; fiscalizado por tais "defensores da verdade" e por eles combatido; seguido a cada passo por frios e céticos reprochadores e por eles azorragado verbalmente, Jesus prosseguiu sereno, por saber que os doentes mais inditosos são os que se recusam a reconhecer a posição de enfermos, quando os "piores cegos são aqueles que não querem ver".
Buscando o "reino dos céus", não contes com os enganosos aplausos da Terra, bendizendo os teus críticos, os fiscais insensíveis da tua conduta, que, sem quererem, te impelirão para Jesus, o fanal que desejas honestamente lograr.
2 - JULGAMENTO ERRÔNEO
Por imprevidência permites que a mágoa se te assenhoreie do íntimo em face do triunfo de pessoas arbitrárias, ardilosas e desonestas.
Examina-lhes, superficialmente, as atitudes, e, como os vês alçados ao triunfo transitório do mundo, deixaste consumir por insidioso despeito, senão por surda revolta, como se estivesses a tomar nas mãos as diretrizes da vida para agir conforme as aparências.
Crês que mereces mais do que eles, os insensatos e perversos que galopam sobre a fortuna e a glória, sem te dares conta de que as determinações divinas são sábias e jamais erram.
Ante os problemas que te surgem, comparas a tua com a existência de filhos ingratos que tudo recebem, de esposos infiéis que são bem aceitos no grande mundo, de amigos desleais que, não obstante, vivem cercados pela bajulação dourada ...
Não te agastes, porém, indevidamente.
Corrige a visão e muda a técnica de observação.

Cada espírito é um ser com programação própria, fruto das suas realizações pessoais. Não se pode examiná-los e julgá-los em grupo. Aliás, ninguém pode com acerto total julgar o próximo ...
Conveniente, por isso, fazeres a parte que te compete, na programática da vida e prosseguires sem desfalecimento, nem desaires ...
Ontem estiveste aquinhoado com a mordomia de valores que desperdiçaste.
Já fruístes de afeições abnegadas que desconsideraste.
Passaram pela porta das tuas aspirações alegrias e bênçãos que malsinaste.
Por algum tempo sobre os teus ombros pesaram as cangas da governança e da responsabilidade, que arrojaste fora leviamente.
Amigos cantaram aos teus ouvidos as músicas da fraternidade e as transformaste em patéticas, após traições e infâmias.
Esvaziaste a ânfora da esperança, arrojando fora as concessões do bem ...
Agora carpes, experimentas faltas, registras sofrimentos, anotas soledade ...
Reformula conceitos, opiniões e arma-te de paciência e valor a fim de prosseguires otimista.
É sempre dia para quem acende a luz da fé no coração e usa o amor nas realizações a que se afervora.
Vens de experiências fracassadas e estás em tentativas de equilíbrio.
Não te desencantes.
Agora é a vez dos outros.
Fruem hoje o que possuíste ontem.
Ajuda-os a não caírem na alucinação que te venceu, orando por eles, não os invejando nem pensando mal a respeito deles.
Além disso, eles sabem como estão construindo a ilusão, os recursos de que se utilizam e isso lhes basta como punição gravada na consciência, de que não se conseguem libertar.
Sorriem em público e choram a sós.
Gozam em sociedade e reconhecem-se solitários. Por penetrar no âmago das questões e no cerne das consciências, afirmou Jesus: "Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo."
Faze a paz com todos e fruirás das messes da paz, não julgando, condenando ou perseguindo ninguém.
3 - GLÓRIAS E INSUCESSOS
Pessoa alguma se encontra em clima de privilégio, enquanto na vilegiatura material.
Triunfos e galas, destaques e fortuna, saúde e lazer não significam concessões indébitas que alguém pode usufruir sem o ônus da responsabilidade.
Empréstimos superiores ensejam aquisições relevantes, de que nem sempre sabem utilizar-se os transitóriios mordomos dos valores terrenos.
Teste para os portadores dos títulos e láureas, dos bens e moedas, são também exemplo da excelsa misericórdia, a fim de que todos se possam adestrar na movimentação dos recursos que levam à dita ou à alucinação, mediante o uso e a direção que cada um resolva dar às posses vulneráveis.
Isto porque, as alegrias e glórias facilmente se convertem em amargura e desaire, as moedas e títulos se consomem e desaparecem, a saúde e o lazer passam, enquanto a vida física se extingue ...
Somente perduram o que se fez das posses, quanto se armazenou em bênçãos, tudo que se dividiu em nome do amor, multiplicando esperança e paz ...

Ninguém que esteja em estado de desgraça, enquanto transitando nas roupagens carnais.
Soledade, pobreza, doença, limitação, esquecimennto constituem provas redentoras de que se utilizam os excelsos mentores encarregados da programática reencarnatória, para a educação, a ascensão e a felicidade dos que tombaram nos fossos da loucura e da criminalidade, quando no uso das disponibilidades que lhes abundavam no passado ...
Desgraça real é sempre o mal que se faz, nunca o que se recebe. Insucesso social, prejuízo econômico, fatalidade são terapêuticas enérgicas da vida para a erradicação dos cânceres morais existentes em metástase cruel nos tecidos do Espírito imortal.
Nesse sentido, a soledade se enriquece de presenças, a enfermidade passa, o abandono desaparece, a limitação se acaba, a pobreza cede lugar à abundância e, mesmo ocorrendo a morte, a vida espera, em triunfo, após a cessação dos movimentos do corpo.
Êxitos e desditas à luz do Evangelho se apresentam comumente em sentido oposto à interpretação imediatista dos conceitos humanos.
Na manjedoura, entre pecadores, no trabalho humilde, convivendo com os deserdados, reptado e perseguido pela argúcia dos vencedores terrenos, largado numa cruz, Jesus é o símbolo do triunfo real sobre tudo e todos, em imperecível lição que ninguém pode deslustrar ou desconhecer.
Toma-O por modelo e não te perturbes nunca!
Nas glórias ou nos insucessos guarda-te na paz interior e persevera no amor, seguindo a rota do Bem inalterável.
4 - SOB DORES EXTENUANTES
Sobraçando dores e aturdido no báratro das interrogações sem respostas imediatas, exaures-te sem consolo, em face das sucessivas desilusões e amarguras.
Tens a impressão de que desmoronaram os teus castelos de esperança como se fossem de névoa brilhante diluída pela ardência do áspero sol do desespero
Todavia, não obstante o acúmulo dos sofrimentos que te gastam, esmagando os teus anelos, quais aríetes da impiedade que destrói, dispões da confiança em Deus e não deves desistir da luta.
Todas as lágrimas procedem de razões justas, embora não alcances prontamente as suas nascentes.
Reconforta-te na decisão das atitudes sãs a que te entregas e não permitas que as leviandades dos fracos e irresponsáveis tisnem de sombras os claros céus do teu porvir.
Faze a tua parte ajudando, sem, contudo, colocares sobre os ombros o fardo da responsabilidade que te não compete.
Ninguém se poupa às dores, inevitáveis, na senda evolutiva. Não é justo, porém, permitir que elas esmaguem ou anulem os objetivos relevantes da tua promissora e produtiva reencarnação ...
Muitos dizem que a morte deverá ser o fim dos padecimentos.
Sabes que não é assim.
Outros asseveram que morrer é consumir-se no caos.
Estás informado que a referência não é correta. Cada vida tem a suceder a desencarnação, decorrente dos hábitos a que se afervore.
Para o Além, conseqüentemente, são transferidos os anseios e os sorrisos, os segredos que se revelam e os enigmas que se decifram, as conquistas que se fixam com bênçãos e os desaires que se convertem em canga e carga de espinhos.
Resolve aqui, quanto antes, logo surja a oportunidade, os problemas e as complicações.
Não te ensejes, no entanto, quedas ou desesperos em razão de ti mesmo ou daqueles a quem amas.
Cada ser responde pelos próprios atos, hoje ou mais tarde.
Tens a luz da fé, que brilha à frente. Preserva-a e insculpe-a no cérebro, clareando o coração.
Segue adiante, mesmo que sobraçando tantas dores, estejas a ponto de parar, de desistir ou de tombar.
Coroado de espinhos, ferido por uma lança e atendido na sede por uma esponja vinagrosa, carregando n'alma a ingratidão e o olvido dos amigos, sob um céu plúmbeo que ameaçava tempestade, Jesus não parecia um triunfador, confundido com dois bandoleiros que completavam a cena trágica do Calvário ... Todavia, era o Incomparável Filho de Deus no supremo abandono dos homens, mas em superlativa glória com a Divindade, mediante cujo testemunho atingia o ápice do Seu ministério de amor entre as criaturas.
Pensa nisso, alma sofredora, e não desfaleças. Dor é bênção libertadora, pela qual se rompem os encantamentos da ilusão e da fatuidade, dando ensejo à imarcescível conquista dos inalienáveis tesouros do Espírito eterno, ditoso após a luta redentora.
5 - DE ÂNIMO INQUEBRANTÁVEL
Em teu compromisso pessoal de renovação contínua com Jesus, precata-te contra os fatores circunstanciais, sutis e perigosos que se te insinuam, transformando-se, posteriormente, em teus algozes impiedosos.
O ácido da ingratidão, o fel da amargura demorada, o vinagre da revolta constante, a truculência da rebeldia, a sombra da dúvida, a lâmina da maledicência, o veneno da ira, o azinhavre da preguiça e todo um cortejo que lentamente penetra e domina as engrenagens do teu labor, emperram a máquina das tuas aspirações, sitiando-te no canto escuro do ceticismo ou no poço fundo da soledade.
Em lugar deles deixa que se te instalem o labor exaustivo pelo bem, o aroma da esperança nas ações, o óleo do otimismo nas peças enferrujadas pela decepção, a chama da alegria em toda a atividade, a presença da tolerância na luta, o amplexo da fraternidade autêntica junto aos demais, a paz da paciência e o tempero do bom humor, de forma estimulante para os momentos azados em que os problemas ameacem consumir-te.
Não faltam os que conspiram contra a paz nos arraiais do nosso bom viver.
Pululam, entretanto, também, os estímulos da santificação quando nos voltamos para as esferas da luz.
Fitando o sol e deixando-te por ele deslumbrar, é natural que nem sempre te detenhas no solo e os teus pés sejam feridos, agredidos pela urze e pelo pedrouço que terás que calcar. Não obstante, ao atingires o planalto que te deslumbra, à frente, donde poderás vislumbrar os horizontes sem-fim da plenitude da vida, serão de somenos importância os óbices vencidos, que ficaram para trás, os problemas superados que deixaste à margem.
Cada alma, porém, segue até onde pode. Não sejas daqueles que coletam mágoas, que desertam, que desconfiam, que ruminam desesperos íntimos, que modificam a estrutura de fatos ao prazer do desequilíbrio interior ...
Filho da luz divina, marchando na direção do Pai, deixa as bagas de amor como gotas de orvalho e de carinho pelos caminhos percorridos, porque o homem será sempre, hoje ou mais tarde, o que se faça de si mesmo.
Forte, deverá vencer as paixões; fraco, deverá fortalecer-se em Cristo para a vitória de si mesmo.
E entregando-te em clima de total confiança em Deus, triunfarás, porque tal é a meta que a todos nós está destinada.
6 - INGRATIDÕES
Muito raro nos corações, por enquanto, o sentimento da gratidão.
O semblante afável, a voz melodiosa, a atitude gentil no ato da solicitação do auxílio, quase sempre se convertem em sisudez, verbetes duros, gestos bruscos no momento de retribuir.
Gratidão prescreve altruísmo, amplitude de espírito, riqueza de emoções. Como o egoísmo prossegue triunfante, em grande número de pessoas, estas, mesmo quando sentem as expressões do reconhecimento repontarem no imo, se asfixiam, vencidas por controvertidos estados íntimos.
Algumas alegam que não sabem retribuir, que se constrangem, sentem receio, avergonham-se ... E olvidam que é sempre mais feliz aquele que dá, felicitando-se, também quem retribui sentimentos, gestos ou palavras.
Retribuir com ternura, com expressões de afeto, com gestos de simpatia fraternal em testemunhos de solidariedade constitui formas de gratidão no seu sentido nobre.

Não apenas por meio de moedas, objetos, utensílios deve ser a preocupação dos que se beneficiaram junto a alguém, buscando exteriorizar ou traduzir a gratidão de que se sentem possuídos.
Sê tu quem doa reconhecimento, quem resgata a dívida da gratidão pela fidelidade, afeição e respeito a quem te foi ou te é útil.
Nunca te esqueças do bem que recebeste, embora se modifiquem os quadros da vida em relação a ti ou a quem te beneficiou.
Se alguém te retribui com a ingratidão o bem que doaste, exulta. É sempre melhor receber a ingratidão do que exercê-la em relação ao próximo.
Se ofertaste carinho e bondade, sustentando a alegria nos corações alheios e te retribuem com azedume ou indiferença, alegra-te. O ingrato é alguém que enlouquece a longo prazo.
Se te sentes tentado à decepção, porque o bem que fazes se demora sem a resposta dos que o fruem, rejubila-te. A árvore não se nega a doar aos malfeitores do caminho novos frutos, após ser apedrejada por eles.
Não te constitua modelo aquele que delinqüe pela ingratidão ou te esquece o benefício vencido pela soberba.
O bem que faças é bem em triunfo no teu coração.
Receber o retributo seria diminuir a significação do que realizaste.
Bendize, assim, os ingratos e ora por eles, porquanto estão em piores condições do que supões e se puderes, ajuda-os mais, pois a felicidade é sempre maior naquele que cultiva o amor e a misericórdia, jamais em quem recebe e esquece, beneficia-se e despreza o benfeitor.

Joanna de Ângelis

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Lei de Destruição

 Pergunta 728 - É lei da Natureza a destruição? - "Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais DESTRUIÇÃO, não passa de uma TRANSFORMAÇÃO, que tem por fim a RENOVAÇÃO e MELHORIA dos seres vivos".
Pergunta 752 - Poder-se-á ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição? - "É o instinto de destruição no que tem de pior, porquanto, se, algumas vezes, a destruição constitui uma necessidade, com a crueldade jamais se dá o mesmo. Ela resulta sempre de uma natureza má."
1 - HOSTILIDADES
Sempre as defrontarás pelo caminho por onde avanças, elaborando a ventura.
Há quem hostilize o próximo por prevenção, despeito, inveja, ira, pelo prazer de inquietar. São os que estão de mal consigo próprios, seguindo a largos passos no rumo da loucura.
Há os que hostilizam os fracos, os caídos nos poços da viciação, os enganados, os pervertidos, pretextando-se tarefa de depuração moral da sociedade.
Há os que hostilizam os idealistas, os triunfadores, os abnegados servidores do bem, espicaçados por sentimentos inconfessáveis ..
Se trabalhas e não dispões de tempo para a ociosidade e a maledicência, hostilizam-te os demolidores e atrasados morais.
Se te deténs na inutilidade e te acobertas na modorra dourada, hostilizam-te os adversários gratuitos que se avinagram ante as disposições igualmente doentias.
Faças ou deixes de fazer o bem não te faltarão hostilidades.
Muitas vezes vêm de fora, dos fiscais gratuitos da vida alheia. Noutras surgem no lar, no reduto familiar, entre as pessoas afeiçoadas, perturbando tuas realizações começantes, ferindo-te.
Refunde as aspirações superiores a que te afervoras nos fornos da abnegação e não te aflijas.
Intenta não revidar, tampouco desanimar, cultivando assim mesmo os propósitos relevantes com os quais conseguirás, por fim, liberar-te da perseguição deles.
Diante de pessoas hostis, a atitude mais correta é a da resistência pacífica, a perseverança na posição não violenta.
Quando nada te açode a alma nem te penetre os sentimentos em forma de acúleo e dor, estarás em perigo.
Águas paradas - águas pestilenciais.
Terra inculta - inutilidade em triunfo.
Instrumento ao abandono - desgaste à vista.
Todos os homens úteis atestaram a legitimidade dos seus propósitos e ideais sob as farpas da inveja e o ácido das hostilidades de muitos dos seus contemporâneos.
Perseguidos de todos os tempos que amaram as causas de enobrecimento humano, desbravadores de céus, terras e vidas, alcançaram a vitória, não obstannte chibatados e vituperados pelos demais.
Não dispunham de tempo para atender à malícia o ao despeito dos seus adversários.
A flama que lhes ardia n'alma era sustentada pelos combustíveis do sacrifício e da renúncia que os levaram à imolação, com que selavam a grandeza dos seus misteres.
Não temas os que hostilizam, difamam, infelicitam. Não foram poucas as personagens que se movimentaram para a tragédia da Cruz. Sem embargo, o Cruciificado, erguido ao ponto mais alto do cenário sinistro, permanece incorruptível e vivo na consciência universal, enquanto todos os que O haviam hostilizado passaram carregados pelo vendaval das paixões, consumindo-se nas alucinações que já os dominavam.
2 - CONSIDERANDO O MEDO
Coisa alguma se te afigure apavoradora.
A vida são as experiências vitoriosas ou não, que te ensejem aquisições para o equilíbrio e a sabedoria.
Não sofras, portanto, por antecipação, nem permitas que o fantasma do medo te perturbe o discernimento ante os cometimentos úteis, ou te assuste, gerando perturbação e receio injustificado.
Quando tememos algo, deixamo-nos dominar por forças desconhecidas da personalidade, que instalam lamentáveis processos de distonia nervosa, avançando para o desarranjo mental.
Os acontecimentos são conforme ocorrem e como tal devem ser enfrentados.
O medo avulta os contornos dos fatos, tornando-os falsos e exagerando-lhes a significação.
Predispõe mal, desgasta as forças e conduz a situação prejudicial sob qualquer aspecto se considere.
O que se teme raramente ocorre como se espera, mesmo porque as interferências divinas sempre atenuam as dores, até quando não são solicitadas.
O medo invalida a ação benéfica da prece, esparze pessimismo, precipita em abismos.
Um fato examinado sob a constrição do medo descaracteriza-se, um conceito soa falso, um socorro não atinge com segurança.
A pessoa com medo agride ou foge, exagera ou se exime da iniciativa feliz, torna-se difícil de ser ajudada e contamina, muitas vezes, outras menos robustas na convicção interna, desesperando-as, também.
O medo pode ser comparado à sombra que altera e dificulta a visão real.
Necessário combatê-lo sistemática, continuamente.
Doenças, problemas, notícias, viagens, revoluções, o porvir, não os temas.
Nunca serão conforme supões.
Uma atitude calma ajuda a tomada de posição para qualquer ocorrência aguardada ou que surge inesperadamente.
Não são piores umas enfermidades do que outras.
Todas fazem sofrer, especialmente quando se as teme e não se encoraja a recebê-las com elevada posição de confiança em Deus.
Os problemas constituem recursos de que a vida dispõe para selecionar os valores humanos e eleger os verdadeiros lutadores, discernindo-os dos falsos.
As notícias trazem informes que, sejam trágicos ou lenificadores, não modificam, senão a estrutura de uma realidade que se está a viver.
As viagens têm o seu fanal e recear acidentes, aguardá-los, exagerar providências, certamente não impedem que o homem seja bem ou malsucedido.
As revoluções e guerras que alcançam bons e maus estão em relação à violência do próprio homem que, vencido pelo egoísmo, explode em agressividade, graças aos sentimentos predominantes em a sua natureza animal.
Ninguém pode prever o imprevisto ou evadir-se à necessária conjuntura cármica para o acerto com as Leis Superiores da evolução.
Prudência, sim, é medida acautelatória e impostergável para se evitarem danos inecessários.
Afinal, em face do medo, deve-se considerar que o pior que pode suceder a alguém é advir a desencarnação. Se tal ocorrer, não há, ainda, por que temer, desde que morrer é viver.
O único cuidado que convém examinar diz respeito à situação interior de cada um perante a consciência, ao próximo, à Vida e a Deus.
Em face disso, ao invés do sistemático cultivo do medo, uma disposição de trabalho árduo e intimorato, confiança em Deus, a fim de enfrentar bem e utilmente toda e qualquer coisa, fato, ocorrência, desdita ...
Entrega-te ao fervor do bem e expulsa d'alma as artimanhas da inferioridade espiritual.
Faze luz íntima e os receios infundados baterão em retirada.
A responsabilidade dar-te-á motivos para preocupações, enquanto o medo minimizará as tuas probabilidades de êxito.
Jesus, culminando a tarefa de construir nos tíbios corações humanos a ventura e a paz, açodado pelos famanazes da loucura em ambos os lados da vida, inocente e pulcro, não temeu nem se afligiu, ensinando como deve ser a atitude de todos nós, em relação ao que nos acontece e ao de que necessitamos para atingir a glorificação interior.
3 - COMPANHEIROS PERIGOSOS
Indiferentes à gravidade dos problemas que perturbam o próximo, fazem-se solidários quando a pessoa está equivocada, tomando-lhe o partido.
- Não dê importância a quem o adverte -, conclamam, quando o outro está em compromisso negativo. - Seja superior -, arengam aos ouvidos de quem foi colhido pela circunstância infeliz que engendrou.
- Nada de pedir perdão -, arrematam ao interlocutor perturbado, que se ampara na sua frivolidade.
- Aproveite a vida. Somente se vive uma vez -, resmungam, conselheirais, como se dotados de toda a paciência.
Outras vezes, apresentam-se como privilegiados, com um sorriso bailando nos lábios, concitando à tolerância para com tudo, isto é, exatamente em referência às coisas que levam à abjeção moral.
Passam considerados como "boas pessoas", dotados de "excelentes valores" porque conseguem ocultar, no cinismo doentio de que são vítimas, os distúrbios morais e mentais em que se debatem.
Sabes, sem que ninguém te aplauda ou objurgue, quando acertas ou erras.
A palavra estimulante é de significação valiosa, indispensável mesmo. As expressões encomiásticas, todavia, alardeando qualidades que não possuis, trazem o bafio da loucura e levam ao desequilíbrio. Nesse sentido, a crítica de qualquer natureza, quando procedente, mesmo ácida, sempre merece consideração.
Pessoas apontam-te os teus erros quando estás ausente, censurando-te, não obstante refugiam-se na tua presença, elogiando-te.
Companheiros atiram os teus erros à tua face, em nome da lealdade, desanimando-te.
Agem erradamente. São perigosos, quão insensatos.
Reflexiona com calma em torno dos teus atos e ouve a consciência. Se persistires em dúvida quanto ao acerto desta ou daquela atitude, ora, consulta o Evangelho e ele te responderá irrefragavelmente com segurança, discrição gentil e nobre.
Se quiseres, entenderás a mensagem que dele dimana, compreendendo como deverás atuar de outra vez com retidão.
Nem todos possuem capacidade de discernimento para ajudar com acerto.
O conselho alheio é respeitável, mas não imprescindível.
Considera as opiniões, os arrazoados, os palpites dos teus amigos. Tem, porém, cuidado com aqueles que, embora aparentem amizade, são adversários perigosos disfarçados.
Por isso, em qualquer circunstância segue, consulta e ouve Jesus, que nunca erra, jamais abandona e ajuda sempre com amor.
4 - AGRESSIVIDADE
O agressor deve ser examinado como alguém perturbado em si mesmo, em lamentável processo de agravamento. Não obstante, merece tratamento a agressividade, que procede do Espírito cujos germes o contaminam, em decorrência da predominância dos instintos materiais que o governam e dominam.
Problema sério que exige cuidados especiais, a agressividade vem dominando cada vez maior número de vítimas que lhe caem inermes nas malhas constritoras.
Sem dúvida, fatores externos contribuem para distonias nervosas, promotoras de reações perturbantes, que geram, não raro, agressividade naqueles que, potencialmente, são violentos.
Acostumado à "lei da selva", o Espírito atribulado retorna à carne galvanizado pelas paixões que o laceram e de que não se deseja libertar, favorecendo facilmente que as reminiscências assomem ao consciente e se reincorporem à personalidade atual, degenerando nas trágicas manifestações da barbárie que ora aterram todas as criaturas.
A agressividade reponta desde os primeiros dias da vida infantil e deve ser disciplinada pela educação, na sua nobre finalidade de corrigir e criar hábitos salutares.
A pouco e pouco refreada, termina por ceder lugar às expressões superiores que constituem a natureza espiritual de todo homem.
O Espírito é constituído pelos feixes de emoções que lhe cabe sublimar ao império dos renascimentos proveitosos.
O que não corrija agora transforma-se em rude adversário a tocaiá-lo nas esquinas do futuro ...
O temperamento irascível, aqui estimulado, ressurge em violência infeliz adiante ...
O egoísmo vencido, o orgulho superado cedem lugar ao otimismo e à alegria de viver para sempre.
O agressivo torna-se vítima da própria agressividade, hoje ou posteriormente.
O organismo sobrecarregado pelas toxinas elaboradas arrebenta-se em crise de apoplexia fulminante.
A máquina fisiológica sacudida pelas ondas mentais de cólera, sucumbe, inevitavelmente, quando não desarranja a aparelhagem eletrônica em que se sustenta, dando início aos lances da loucura e das aberrações mentais.
Outrossim, gerando ódio em volta de si, o agressivo atrai outros violentos com os quais entra em choque, padecendo, por fim, as conseqüências das arbitrariedades a que se permite.
Não foi por outra razão que Jesus aconselhou a Simão, no momento grave da Sua prisão: "Embainha a tua espada, porque quem com ferro fere, com ferro será ferido."
Acautela-te e vence a agressividade, antes que ela te infelicite e despertes tardiamente. Só o amor vence todo o mal e nunca se deixa vencer.
5 - ANTE DISSENSÕES
Jamais faltarão dissensões enquanto o homem não se despoje dos sombrios andrajos do egoísmo e do orgulho.
Repontam em toda parte, desde que a criatura se permita arbitragem indevida, envolvendo-se nos problemas do próximo.
Semelhantes a escalracho infeliz, proliferam com celeridade e asfixiam as mais belas expressões de vida no jardim, anulando o esforço da ensementação da esperança e da alegria.
Sutilmente iniciam o contágio, qual ocorre com o morbo e outras variadas formas de contaminação, culminando por anular nobres esforços.
Quando surgem, já se encontram espalhadas. Sem dúvida, é câncer moral.
Indispensável vigiar-lhe a metástase no organismo social, de modo a preservar a comunidade em cujo corpo se instala, utilizando-se da dubiedade moral e das falhas do caráter em cujas células irrompe.

Policiar a palavra e refletir com segurança são terapêuticas valiosas para deter-lhe a proliferação.
Preservar-se pela oração, resguardando os ouvidos e o coração à sua insidiosa interferência são medidas preventivas de real valia.
Desde, porém, que se estabeleçam as redes dastricas e das informações malsãs, inútil envolver-se, tomando partido.
Salutar erguer-se pelo trabalho edificante às paisagens de luz, a fim de que, passada a tempestade da dissensão malévola, possam sobreviver nos seminários do bem as plântulas valiosas e os abençoados frutos de paz e realização.
Resguarda-te dos que promovem dissensões. Atormentados em si mesmos, comprazem-se, na alucinação que os aflige, em espalhar miasmas, quais cadáveres ao abandono, consumidos pela desarticulação que os vence.
Cerra os ouvidos diante deles e, embora escutando as suas instâncias, não irradies as malsãs informações.
Candidatas-te ao serviço e ao entendimento, não ao mister de usufruir, de desfrutar benefícios.
Se considerares que estás na Terra em reparação espiritual, recuperando o patrimônio malbaratado, submeter-te-ás facilmente à injunção deles, sem os sofreres, sem te magoares.
Tornados teus censores, transformados em teus fiscais, compreenderás que são teus benfeitores.
O trilho estreito que obriga a locomotiva à obediência salva-a de desastres lamentáveis.
O cautério que dói libera o corpo da enfermidade perniciosa.
A poda violenta obriga a seiva à renovação da vida no vegetal exaurido.
Assim a dor, as dificuldades.
Mesmo acossado, submetido à rigorosa constrição dos companheiros em agonia moral, que desconhecem a procedência do mal que os vitima, não dissintas.
Se não concordas, silencia e aguarda o tempo.
Se executares a tua parte corretamente, o valor do dever cumprido realçará o teu esforço.
Se não pretendes a glória do êxito no trabalho, não te preocuparás com a ausência do sucesso nas tuas realizações.
O triunfo de fora jamais sacia a sede de paz interior. Discordar, quiçá dialogar, apresentando opiniões e fraternalmente sugerindo, são atitudes relevantes que não podes desconsiderar nem delas te evadires. Dissentir, jamais.
O colégio galileu mantinha dificuldades entre os seus membros. Jesus, porém, como medida de perfeito equilíbrio, não se permitiu dominar ou ceder ante as murmurações, os distúrbios que assolavam nas paisagens morais dos companheiros desatentos.
Ajudava-os sem ferir, sem azorragar, sem incriminar.
Sabendo-os crianças espirituais, mantinha em relação a eles indulgência e abnegação, socorrendo-os sem termo.
Toma-O como teu exemplo e faze conforme Suas lições vivas te ensinaram.
Se, todavia, sentires a fragilidade dominando-te, reflete que aquele que sobrecarrega o irmão já cansado, censurando-o ou malsinando-o, faz-se responsável pela sua desídia como pela sua queda.
Envolve-te, em qualquer situação e lugar onde medrem dissensões -, nestes tormentosos dias de paixões generalizadas e ácidas agressões verbalístas -, na lã do Cordeiro de Deus e faze o teu caminho pavimentado com a humildade e a renúncia, lobrigando, assim, alcançar as cumeadas da montanha de redenção, onde fruirás a paz da consciência tranqüila e a alegria do dever cumprido.
6 - ELES VIVEM
Sim, com a morte orgânica ocorre uma desagregação de moléculas que prosseguem em transformação. Não, porém, o aniquilamento da vida.
Desintegra-se a forma, todavia não se dilui a essência. A modificação que se opera no mundo corporal produz o desaparecimento físico, sem embargo permanecem os liames da afetividade, as evocações queridas, as ocorrências do quotidiano alimentadas pela vida do Espírito imortal, que se emancipou das limitações carnais, sobrevivendo às contingências do desgaste inevitável, que se finou na disjunção material transitória.
Triunfa a vida sempre sobre a extinção do corpo.
A porta do túmulo que se fecha para determinadas expressões abre-se, em triunfo, para outras realizações da Vida.
O encerramento de uma existência humana, no cometimento da morte, equivaleria a lamentável falha da Organização da Vida ...
O princípio que agrega as células e as organiza para o ministério da investidura humana, com o desconectar das engrenagens pelas quais se manifesta, prossegue em incessante curso de aprimoramento e ascensão, na busca da felicidade a que está destinado.
Em face da ocorrência da morte que te visita o lar, não te permitas a surpresa insensata, que se transforma em alucinação e rebeldia.
Desde logo conjectura com segurança em torno desse fatalismo biológico, que é a morte do corpo, armando-te com os esclarecimentos com que interpretarás os possíveis enigmas em torno do pós-desencarnação.
Se ainda não foste visitado pela esta rude aflição, não creias que serás poupado, vivendo em clima de ilusória exceção.
Se, todavia, já sorves o travo da saudade e resguardas as feridas, ainda em dores produzidas pela partida dos seres amados, retifica conceituações e reformula observações.
Não penses em termos finalistas.
Examina a majestade da vida em toda parte e faze paralelos otimistas.
Teus amores não se acabaram, transferiram-se de hábitat e prosseguem vivendo.
Ouvem os teus pensamentos, sentem as tuas aspirações, sofrem as tuas revoltas, fruem as tuas esperanças, amam-te ...
Se os amaste, realmente, não recalcitres em razão da sua partida para outras dimensões da existência.
Sê-lhes grato pelas horas ditosas que te concederam, pelos sorrisos que musicaram o lar da tua alma, e, em nome deles, esparze a dádiva da alegria com outros seres tão sofridos ou mais amargurados do que tu mesmo, preparando-te, a teu turno, para o reencontro, oportunamente.
O silêncio da sepultura é pobreza dos sentidos físicos que não conseguem alcançar mais sutis percepções ....
Pensa nos teus finados com carinho e dialogarás com eles, senti-los-ás e vibrarás ante a cariciosa presença com que te vêm diminuir a pungente dor da saudade.
... E não raro, quando parcialmente desprendido pelo sono, reencontrá-los-ás, esperando-te que estão nas ditosas paisagens do mundo a que fazem jus e onde habitarás, também, mais tarde ...
Se, todavia, não conseguires o medicamento da esperança na hora grave da angústia, ora. Deixa-te arrastar pelas vibrações sublimes da prece de que sairás lenificado e confiante para concluíres a própria jornada, lobrigando a libertação a que aspiras em forma de plenitude junto aos que amas e te esperam na Vida Verdadeira. 

Joanna de Ângelis