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sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Que é Felicidade?


"O grau de neurose de uma pessoa pode ser medido de uma maneira muito simples, é só questionar o conceito e a forma com que a mesma busca sua felicidade pessoal". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO


Talvez uma das maiores omissões da psicologia no decorrer dos tempos, foi à ausência de um estudo ampliado sobre o conceito da felicidade humana e suas implicações na vida cotidiana, pois dito estudo desvendaria boa parte não apenas dos desejos humanos, mas o impacto e real possibilidade de realizá-los. Se prestarmos uma atenção especial, observaremos que a busca da felicidade se insere em todos os campos pessoais e sociais, podendo agregar-se a diversos instintos ou desejos, pois diria que ela é confundida ou interpretada de diversos modos, dependendo não apenas do psiquismo pessoal de cada um, mas de todo um histórico de vida, e também de como a pessoa passou por cada etapa de seu desenvolvimento, assim como a influência do meio. Sendo mais objetivo, o desejo de felicidade passa por vários campos, podendo ser interpretado como: prazer sexual, ambição e posses materiais, desejo de poder, narcisismo, sedução, procura pela beleza, todos os tipos de drogas e experiências psicodélicas, experiências místicas e religião, busca por destaque e reconhecimento, são alguns dos vários pontos onde ele se encaixa. Poderíamos até afirmar que se há alguma motivação que contempla todas as escolas da psicologia, esta seria a felicidade, pois seja na busca de prazer sexual como dizia FREUD, ou desejo pelo poder na perspectiva de ADLER, ou o *inconsciente coletivo de JUNG, lá encontramos a mesma, seja em sentido real ou como fantasia,notem que os três conceitos, sexual, poder e inconsciente coletivo são potenciais inesgotáveis do psiquismo humano.
Quando se fala em felicidade, obviamente pensamos em prazer ou alguma sensação reconfortante, ou então uma meta traçada para nossa vida. O primeiro grande problema nessas esferas citadas é achar que a felicidade seria um estado duradouro e constante, não havendo nenhum espaço para a dor e sofrimento. Toda a carga de satisfação recebida vem acompanhada de seu oposto-o medo da perda ou ausência daquele estado magnífico que uma vez experimentamos. Essa dualidade tão bem conhecida no oriente, parece estar esquecida em nossa sociedade. Obviamente se pudéssemos afastaríamos o sofrimento por completo, mas o ponto central nisso tudo que temos de admitir, é a nossa baixíssima resistência à dor e conseqüente tentativa de nos entorpecermos de várias maneiras. A impermanência rodeia nosso ser e deveríamos tentar conviver melhor com tal fato. A própria questão da felicidade independentemente das fantasias de cada um, deveria ser vivida diariamente, como por exemplo: comer uma comida que se gosta quando se está com fome, ligar para alguém especial e dizer-lhe quão querida e importante é essa pessoa, ou seja, trazer a noção de felicidade para o concreto do dia a dia, pois do contrário estamos criando apenas um ícone distante de nossa existência real. Costumo sempre dizer aos meus pacientes, que não importa o tamanho de suas dores e sofrimentos, desde que consigam obter pelo menos uma hora diária de contentamento e satisfação. A reação dos mesmos é sempre de surpresa, pois por incrível que pareça, quase nunca pensaram nessa importantíssima equação matemática, vital para a saúde de nosso psiquismo.
Um conceito arraigado em todos nós que gostaria de ressaltar, é o de achar que a felicidade é algo que sempre terá de vir de fora, seja riqueza, poder, beleza ou êxtase espiritual, associamos felicidade com algo que ainda não possuímos infelizmente. Penso que é fundamental refletirmos sobre isso e tentarmos desenvolver fatores internos, e embora a incompletude em nossa alma sempre irá existir, devemos investigar o que realmente possuímos, e talvez dar mais valor a aspectos como: criatividade pessoal, nosso potencial para amar alguém e ser verdadeiramente companheiro (a) dentre outros. ALFRED ADLER psicólogo contemporâneo de FREUD dizia que seria possível curarmos determinado sofrimento ou neurose com uma fórmula simples: procurarmos alguns amigos (as) e dizer-lhes nosso apreço, como foi descrito anteriormente, sem esperar que a iniciativa venha do outro, pois com isso ADLER pretendia erradicar nossa "vergonha ou timidez" para ressaltarmos alguém, seja por carência, inveja ou puramente bloqueio psicológico. Claro é o fato de que numa sociedade extremamente competitiva como a nossa, fica difícil um espaço maior para a adoração do outro. É exatamente nisso que reside um dos maiores sofrimentos relatados por milhares de pacientes, ou seja, a dor que uma expectativa não correspondida causa, seja a insensibilidade perante o afeto ou o não reconhecimento da dedicação. Podemos até dizer a este paciente que tente se centrar mais em si mesmo, mas qualquer terapeuta um pouco experiente verá que dito esforço é infrutífero, pois a pessoa só se sente realizada se sua meta abarcar seu potencial para se dedicar a alguém.
Esse verdadeiro dilema deveria ser mais aprofundado, pois embora possamos dizer a pessoa que procure alguém que mereça sua atenção, a coisa não é tão simples quanto parece, porque passa a estar em jogo a íntima ética da mesma, e estamos lhe dizendo para anular esperanças, sonhos ou até mesmo sua inocência frente à conduta de outros seres humanos. Estamos lhe pedindo para ser igual a todos, que se resigne, que aceite pertencer à multidão que não sente nem uma hora de prazer por dia descrito acima, em troca de alimentar a cada dia seu potencial para o comportamento predatório, chamado disputa ou competição. Nesse ponto podemos falar do poder do psicólogo, pois cabe ao mesmo refletir para onde está conduzindo a pessoa, se para a adaptação, revolta ou criatividade.
Quando ALFRED ADLER falava das principais metas humanas, ressaltando principalmente o casamento com amor, muitos o viram até com um certo ar de conservadorismo, mas o fato marcante nesse seu conceito, é que caso não tenhamos a regularidade das metas de amor, casamento ou companheirismo, esse hiato em nosso psiquismo será preenchido pela neurose, depressão e outros distúrbios psíquicos, se a doação como disse anteriormente não se der para outro ser humano, a neurose passa a ser a única herdeira do trono de nosso comportamento diário. Gostaria de insistir um pouco mais na questão levantada anteriormente sobre a dedicação a alguém. Caso a pessoa exacerbe essa idéia se tornará refém na questão do prazer, ou seja, é quase como se necessitasse da autorização de alguém para poder ser feliz, se solidarizando ou com a neurose ou a ausência de satisfação. Fato é que todos querem aceitação, e muitas vezes ser feliz torna a pessoa uma espécie de alienígena em seu meio social, assim sendo a saída passa a ser o adiamento ou a negação da satisfação.
Por fim, gostaria de enfatizar um grande erro conceitual acerca da questão da felicidade, pois com a predominância da psicanálise, a primeira sempre foi confundida com um aspecto de um desejo a ser realizado. O desejo é circunstancial, como, por exemplo, um bem material, sendo trocado por outro logo após sua saciedade, pois muito do estímulo vem de fora, recaindo no condicionamento ou na influência social toda a sua carga. Quero dizer que a felicidade é um conceito mais amplo, é a energia da criatividade que gera a satisfação profissional, é o potencial para amar que permanece mesmo após tantas decepções, é algo que como o ar nos acompanha até a hora de nossa morte, portanto não podemos restringir a felicidade a uma satisfação puramente momentânea, mas devemos percebê-la como um potencial a ser explorado diariamente, o que implica o dispêndio de energia e esforço a fim de obtê-la, não sendo nunca algo que nos é dado, mas sim obtido pela aplicação de querermos usufruir desse explêndido e árduo potencial humano. · inconsciente coletivo- termo de JUNG que descreve impulsos do inconsciente que não são pessoais, mas representam a psique de toda a humanidade, são impulsos herdados, que representam forças psíquicas chamadas de arquétipos. 

BIBLIOGRAFIA: ADLER,ALFRED- VIDA, SENTIDO O- EDITORA PAIDÓS 1936.

créditos: Antônio Carlos Alves de Araújo- PSICÓLOGO


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Divina Presença

Quando nasceste na Terra, assemelhavas-te ao pássaro semimorto que a tormenta arremessa em esquecida concha da praia, mas apareceu sobre-humana ternura num coração de mulher e foste, pelas maternas mãos, lavado e alimentado milhares de vezes, simplesmente por amor, a fim de recuperares a consciência; quando o véu da ingenuidade infantil te empanava a cabeça, afligindo os que mais te amavam, o professor percebeu a inteligência que te fulgia no olhar e entregou-te a riqueza imarcescível da escola; nos dias da primeira mocidade, quando a despreocupação parecia anular-te a existência, amigos notaram o caráter que te brilhava nos gestos e integraram-te a vida nos dons do trabalho; na enfermidade, quando muitos duvidavam da tua capacidade de reerguimento, o médico verificou que uma força sulime te atuava nas mais íntimas células e estendeu-te confiante, o remédio eficaz; nas horas difíceis de incompreensão, ouviste, em meio das próprias lágrimas, inarticuladas canções de conforto e esperança, exortando-te à paciência e à alegria ...
Por onde segues, assinalas a luz invisível que te clareia todos os pensamentos. " Se sofres, é o apoio que te resguarda; se erras, é a voz que te corrige; se vacilas, é o braço que te sustenta, e se te encontras em solidão, é a companhia que te consola ...
Aprendamos a amar e a respeitar esse Alguém, como quem sabe que estamos nele como o fruto na árvore, e, se caíste tão fundo que todos os afetos te hajam abandonado, mesmo aí, nas dores da culpa, recorda que a justiça te golpeia e purifica em direitura do supremo resgate, porque nunca estiveste distante da presença de Deus.

NAS LEIS DO DESTINO

Não digas que Deus sentencia alguém a torturas eternas.
Tanto quanto podemos perceber o Pensamento Divino, imanente em todos os seres e em todas as coisas, o Criador se manifesta a nós outros - criaturas conscientes, mas imperfeitas - através de leis que Lhe expressam os objetivos no rumo do Bem Supremo.
Essas leis, na feição primitiva, podem ser abordadas nos processos rudimentares do campo físico.
O fogo é agente precioso da evolução, nos limites em que deve ser conservado; entretanto, se colas a mão no braseiro, é natural incorras, de imediato, nas conseqüências.
A máquina é apêndice do progresso; contudo, se não lhe atendes as necessidades, sofrerás, para logo, os resultados desastrosos da negligência ou da indisciplina.
Ocorre o mesmo, nos planos da consciência.
Na matemática do Universo, o destino dar-nos-á sempre daquilo que lhe dermos.
É inútil que dignitários desse ou daquele princípio religioso te pintem o Todo-Perfeito por soberano purpurado, suscetível de encolerizar-se por falta de vassalagem ou envaidecer-se à vista de adulações.
Os que procedem assim podem estar movidos de santos propósitos ou piamente magnetizados por lendas e tradições respeitáveis que o tempo mumificou, mas se esquecem de que, mesmo ante as leis dos homens, pessoa alguma consegue furtar, moralmente, o merecimento ou a culpa de outra.
Deus é amor. Amor que se expande do átomo aos astros. Mas é justiça também. Justiça que atribui a cada espírito segundo a própria escolha. Sendo amor, concede à consciência transviada tantas experiências quantas deseje a fim de retificar-se. Sendo justiça, ignora quaisquer privilégios que lhe queiram impor .
Não afirmes, desse modo, que Deus bajula ou condena.
Recorda que não podes raciocinar através do cérebro alheio e nem comer pela boca do próximo.
O Criador criou todas as criaturas para que todas as criaturas se engrandeçam. Para isso, sendo amor, repletou-lhes o caminho de bênçãos e luzes, e, sendo justiça, determinou possuísse cada um de nós vontade e razão.
A vida, assim, aqui ou além, será sempre o que nós quisermos.
E não sofismemos a palavra de Jesus, quando prometeu ao companheiro de sofrimento, no Calvário, que estaria com ele no paraíso, como poderia estar em qualquer instituto de educação, no mundo espiritual, porque foi o próprio Cristo quem nos informou, de maneira incisiva, que o Reino de Deus está dentro de nós .

Emmanuel - Justiça Divina

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Universo e Vida

"Visto que muitos intentaram narrar ordenadamente as coisas que se hão verificado entre nós outros, tal como no-las transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e servidores da Palavra, decidi, eu também, depois de haver investigado diligentemente tudo desde as origens, dar-te-as par escrito, ilustre Teófilo, na devida ordem, para que conheças a solidez dos ensinos que recebeste." (LUCAS, 1: 1 a 4.) 

Escrever prefácios para obras de editoração da Casa de Ismael tem-se-nos constituído tarefa honrosa e espiritualmente gratificante, nos últimos anos, por força da responsabilidade que assumimos ao lançar ou reeditar livros realmente marcantes, neste fim de século, em nome da venerável instituição que presidimos.
"Universo e Vida", de Áureo (psicografia de Hernani T. Sant'Anna), por inúmeras razões que preferimos silenciar, conservando-as, quase todas, no escrínio do coração, é empreendimento que nos merece afetuosos cuidados. A elaboração da obra foi dificílima e correu riscos enormes, tantas foram as tentativas de impedir-lhe a divulgação plena. Os "aborrecidos da luz", que outros não são senão os que se opõem, acobertados pelas ardilosidades do Mundo Invisível negativo, aos, esforços desenvolvidos no sentido de dotar a Humanidade da instrumentalidade precisa à sua mais fácil orientação na jornada terrena, não pouparam ao médium nem deixaram de armar-lhe situações que ele houve de superar ao preço de muitas vigílias, dores e sacrifícios.
Mas, se não faltaram dias de acerbas lutas, não rarearam também os de compensadoras satisfações e momentos de grandes vitórias, porque o Bem vence sempre. Ultrapassadas as mais sérias barreiras magnéticas e superadas penosas agruras, o trabalho mediúnico foi reencetado e os capítulos voltaram a ser recebidos em condições adequadas, embora não sem novos testemunhos de perseverança e de idealismo do medianeiro.
A 9 de julho de 1979 foram-nos remetidos os três últimos capítulos, do total de doze, do livro de Áureo, alguns deles já publicados em "Reformador".
Um dos grandes méritos da obra que apresento o público estudioso das letras espíritas mediúnicas é o que consiste em haver conseguido o seu Autor Espiritual, eloqüentemente, encadear os argumentos lógicos de Allan Kardec, "Sua Voz" (de "A Grande Síntese"), Emmanuel e André Luiz, dentre outros, com fulcro nos mais recentes enunciados da Ciência, na Filosofia e no Evangelho de Jesus-Cristo, a respeito de algumas problemáticas pouco estudadas e vastamente discutidas.
A par de conhecimentos que foram reunidos e conciliados em robustas e cristalinas súmulas, sínteses magistrais do conhecimento científico, filosófico e histórico, Áureo soube transmitir-nos igualmente transcendentais conceituações das realidades extrafísicas, tradições e fatos da historiografia de Além-Túmulo e valiosas revelações.
Os leitores de "Reformador", habituados com as páginas de Áureo, se conhecem alguns destes escritos, agora enfeixados em livro, ignoram, todavia, muitos dos que reservamos para apresentação nesta oportunidade, dada a conveniência de sua leitura na ordem ditada pelo Autor Espiritual.
Falamos em eloqüente encadeamento de argumentos lógicos. Querendo tornar mais preciso o raciocínio, diremos, com palavras de Pascal ("Pensamentos", n° 16, tradução de Sérgio Milliet, Editor Victor Civita, "Abril Cultural", lª edição, S. Paulo (SP), 1973), que:
"A eloqüência é a arte de dizer as coisas de maneira: 1° que aqueles a quem falamos possam entendê-las sem dificuldade e com prazer; 2° que nelas se sintam interessados a ponto de serem impelidos mais facilmente pelo amor-próprio a refletir sobre elas.
Consiste, portanto, em uma correspondência que procuramos estabelecer entre o espírito e o coração daqueles a quem falamos, por um lado, e, por outro, entre os pensamenntos e as expressões de que nos servimos; o que pressupõe termos estudado muito bem o mecanismo do coração do homem a fim de conhecer-lhe as molas e encontrar em seguida, as proporções certas do discurso que desejamos ajustar-lhe. Cumpre colocarmo-nos no lugar dos que devem ouvir-nos, e experimentar também em nosso próprio coração a forma dada ao discurso, para ver se um se adapta ao outro e se podemos ter a certeza de que o ouvinte será forçado a render-se. É preciso, na medida do possível, confinarmo-nos dentro da naturalidade mais singela; não fazermos grande o que é pequeno, nem pequeno o que é grande. Não basta que uma coisa seja bela, é necessário que seja adequada ao assunto, que nada tenha de mais, nem que nada lhe falte."
No contexto e nas proporções e objetivo do trabalho, a que Áureo se propôs, não há faltas nem sobras. Daí a eloqüência dos seus escritos.
Sem dúvida que o livro foi minuciosamente examinado e achado certo pelos que se incumbiram, a nosso rogo, de esquadrinhá-lo em todas as direções. Quanto, porém, às revelações, estas sempre foram e serão ainda matéria de foro íntimo, de sagrada decisão de cada individualidade. Nos domínios da Fé Raciocinada e da Intuição, no entanto, os Espíritos despreconceituosos sempre encontraram, e prosseguirão encontrando, pistas para sua própria elucidação e edificação.
Já que falamos em Pascal, vale reproduzir aqui algumas linhas da Mensagem por ele ditada, em reunião pública da Federação Espírita Brasileira, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 9 de abril de 1920 - há quase sessenta anos, portanto -, profetizando sobre a destinação da Humanidade terrena:
"Sabeis que o seu fardo é leve e suave o seu jugo (referindo-se ao Cordeiro de Deus). Carregai, pois, a vossa cruz com paciência e; resignação e vos tornareis dignos de habitar a Terra quando, regenerada, atingir as campinas siderais da Constelação de Hércules, para a qual se dirige em marcha acelerada, devendo lá chegar logo que a Humanidade estiver em condições de habitar essas regiões do infinito. Então, não mais tereis a noite e o dia, alternando-se gradualmente. Tereis as claridades a se irradiarem dos vossos próprios espíritos redimidos, despidos dos andrajos do crime e cobertos pelas vestes alvíssimas das virtudes celestes." (De "Reformador" de dezembro de 1978 e 16 de agosto de 1920.)
Áureo, em "Universo e Vida", acolhe e repete algumas profecias, de todos os tempos, particularmente deste período em que o Consolador Prometido pelo Cristo ensaia os seus primeiros passos na Crosta Planetária, confirmando por outras palavras aquilo que Emmanuel e vários eminentes Espíritos disseram por diferentes médiuns.
A inteligência esclarecida e humilde do médico Lucas (Evangelista) relatou as "coisas" que pôde certificar, graças às observações e pesquisas que realizou, recorrendo oos núcleos das tradições mais puras e às vívidas recordações de Maria Santíssima, por delegação de Paulo, Apóstolo dos Gentios.
E Áureo, por sua vez, narrou-nos as "coisas" que viu e viveu ao longo de múltiplas existências fecundas. Ambos, fazendo bem mais que bela literatura espiritualista, conduzem-nos, sob a magia sublime do pensamento universalista, pelas veredas do Cristianismo, em espírito, na direção da "porta estreita" que um dia há de ser por todos transposta, no findar-se da milenar caminhada de retorno à Casa Paterna.

Créditos: Francisco Thiesen

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ambição na Ótica da Psicologia

A primeira questão que se coloca ao fazermos uma análise da ambição é se realmente determinada vontade ou desejo emana de nossa alma ou simplesmente é fruto de uma inveja disfarçada de crescimento ou comparação com outra pessoa. É realmente um sonho como uma planta que foi cultivada desde os primórdios de sua existência, ou nosso desejo é apenas despertado ou motivado quando nos deparamos com certo acúmulo de bens ou sucesso e destaque de nosso meio circundante. Certamente a instituição se é assim que podemos chamá-la mais corrompida da face da terra é o desejo, sua verdadeira natureza ou finalidade. Vemos o oposto, imitação e fuga frenética ao se sentir inferiorizado perante o próximo. O curioso é que a sociedade repreende os dois opostos: os que têm muita e pouca ambição. A explicação para tal fenômeno é que ambos os tipos espelham valores negados por quase todos, inveja novamente e complexo de inferioridade. O ambicioso declarado ameaça o outro que não conseguiu efetuar determinada tarefa, e o indivíduo modesto reflete o ódio naquela pessoa que se sente indolente para sair do ponto onde se encontra em diferentes esferas da vida.
A verdade é que a leitura na nossa realidade atual não é muito difícil, sendo o ponto central a descoberta pessoal sobre como gastamos nossas energias ou prioridades, tais fatos irão determinar o destino de nossa saúde emocional e mental. Se nos dedicamos unicamente ao trabalho e dinheiro fica nítido o entrave ou bloqueio emocional histórico que desenvolvemos para tentar alcançar um suposto desejo de segurança que jamais poderá ser preenchido. Uma questão importante para ser pensada é em que ponto a ambição é saudável, pensando não apenas no respeito ao próximo, mas também na ética. Posso dizer sobre o lado mais obscuro da ambição, quando se agrega ao patamar afetivo, na disputa de poder entre um casal, por exemplo, fenômeno contemporâneo e totalmente disseminado na maioria dos relacionamentos. A imagem outrora passiva de um dos cônjuges deu lugar a uma arena de combate onde o gozo é a supremacia afetiva e até econômica sobre o parceiro, e todos sabem disso. O problema é que tal fato anula por completo a essência de um relacionamento, quebrando elementos vitais como: cooperação, solidariedade e altruísmo. Como o amor pode se encaixar na competição ou ambição? Não há hipótese alguma de inclusão de tais elementos, pois todos são opostos ou excludentes por natureza.
Ambição positiva é aquela que agrega prazer verdadeiro emanado da alma do indivíduo com elevação de sua autoestima, deixando de lado a comparação e influência da inveja citada. A ambição deve ser uma espécie de meditação pessoal das reais necessidades de crescimento e desenvolvimento de um ser humano, este é o único ponto onde certa solidão pessoal se torna benéfica, estimulando uma reflexão no sujeito sobre o que realmente lhe falta, nunca o oposto, “porque não tenho o que meu semelhante conquistou”. Obviamente o bombardeio da sociedade para o consumismo bloqueia por completo tal finalidade primordial. Por outro lado, para ser bastante honesto também são extremamente neuróticos aqueles indivíduos com um caráter retentivo, que se eximem de qualquer investimento maior, ou que se recusam a fazer parte de certo consumismo tolerável e saudável. Negam a se utilizarem de seu potencial com a finalidade última de não encarnarem a figura do provedor ou líder, ratificando um ódio histórico contra a figura do sexo oposto, companheiro ou os próprios genitores. Jamais darão por acharem que não receberam o bastante.
Nunca podemos deixar de relacionar a ambição com o famoso dueto (complexo de inferioridade e superioridade), estes fenômenos alimentam ou retiram a energia quase que por completa no processo da ambição. Aprofundando um pouco, pensemos porque a ambição é quase que totalmente dirigida para o âmbito material? Porque a maioria dos seres humanos não ambiciona o desenvolvimento emocional? A resposta é simples, muito mais poderoso do que o suposto fenômeno do amor, é o medo absoluto da rejeição, exclusão ou comparação com o outro; tal contenda supera qualquer meta ou alicerce no plano afetivo. Não é apenas algo biológico que instiga a competição, algo como nos homens a preocupação com o tamanho do pênis, mas a necessidade de introjetar a sociologia do cotidiano no psiquismo individual (meu pênis tem de ser maior, tenho que possuir um carro mais potente ou avançado, um físico ou corpo mais privilegiado e coisas do tipo). Desde cedo sofremos o bullyng (ser alvo de chacotas, críticas e gozações) seja da família ou da sociedade. Não há praticamente mais possibilidade de cura para o materialismo imputado no psiquismo humano. Quando ouço a célebre frase do famoso psicólogo ERICH FROMM: “TER OU SER”, noto que infelizmente se tornou terrivelmente obsoleta. Os valores econômicos se agregaram por completo ao medo inato da morte que o ser humano carrega, sendo o consolo morrer ou envelhecer de forma confortável. 

Por um breve período na adolescência cultivamos o desapego e rebeldia, mas em pouco tempo nos tornamos ultraconservadores na arte do acúmulo de bens e falta de sensibilidade principalmente para com os mais próximos. Se não há a cura citada, obviamente só resta remediar, que o gasto ou esforço esteja associado ao prazer pessoal e que o mesmo sempre seja compartilhado com alguém, quem não atingir tal meta certamente será retraído, tímido e amplamente infeliz. A ambição se torna mais do que neurótica quando é usada como uma fuga do complexo de inferioridade que associei no início do texto. (compro um carro luxuoso apenas para me sentir incluso num valor que nem é de minha pessoa, e, por conseguinte quase nunca o aproveito por receio de danificá-lo, ou qualquer outro objeto material do qual não consigo fazer um uso contínuo e equilibrado). Uma das maiores parcelas da neurose humana sem sombra de dúvida estacionou nos quesitos da ambição e dinheiro. Assistimos contrastes incríveis entre o gastador compulsivo ou aquele que não gasta nada por receio da perda ou incapacidade para gerir suas necessidades de crescimento e desenvolvimento. O resumo é o mais puro medo, pois parece que só lidamos com o dinheiro em situações extremas, na privação, e então advém o desespero, ou em algo peculiar da personalidade do indivíduo que já foi citado, seu caráter retentivo como modelo de segurança. Poucos refletem sobre quais são os verdadeiros sentimentos que a ambição nos obriga a lidar.
Sem sombra de dúvida um dos mais fortes apesar do contraste de egoísmo da sociedade é o sentimento de culpa. Mesmo com toda a insensibilidade no mercado econômico e social esta vence de longe no âmbito psíquico. Seria uma espécie de vingança contra o ser humano por ter se desviado de um caminho natural de bondade e solidariedade, embora haja na mesma essência psíquica a destrutividade e competição. Mais interessante ainda é como as religiões no decorrer da história não exploraram tal dilema que se coloca, alimentado apenas uma culpa do juízo final ou punição em outro plano de existência. Neste ponto coloco outro conceito. Sem tocar na metafísica, até porque a humanidade ainda não fez seu dever básico (eliminação das desigualdades ou até a tão discutida proteção do próprio planeta), o surgimento de todas as religiões sem querer discutir o conceito de deus, se baseia no fenômeno citado anteriormente, ou seja, que a psique mantém um núcleo extremamente conservador de regras perante o sujeito e seus semelhantes, embora as relações econômicas acabem por desviar tal propósito, então a culpa passa a ser um dos últimos protestos ou suspiros para relembrar a humanidade perdida, embora isso ocorra de forma distorcida e trazendo extrema neurose para a pessoa. Já há toda uma espécie de bíblia em nosso inconsciente e poucos captam sua leitura. É terrivelmente perturbador em nossa era o fato dos relacionamentos necessitarem do vigor econômico para sobreviverem. Como mecanismo de defesa se cunhou a célebre frase que “um amor de cabana não sobrevive”, o fato é que ninguém admite que a total falta de inteligência emocional de nossa época produz esse quadro, tomando emprestado o modelo de uma empresa para o casamento ou relações afetivas. Claro que todos têm necessidades econômicas, principalmente um casal, mas não podemos sobrepor modelos pessoais pelos econômicos, bem, as conseqüências são visíveis para todos. Estudaram-se tanto a história da sexualidade, beleza, artes, sendo que está faltando um estudo mais profundo acerca de como historicamente o ser humano compensou sua infelicidade pessoal, pois hoje a mesma se canalizou para o efêmero do materialismo.
O problema psicológico sempre passa por uma combinação de sentimentos. A ambição é louvável como estou discorrendo no texto como necessidade pessoal ou de desenvolvimento do indivíduo. É nociva como compensação do já explicado complexo de inferioridade; o exibicionismo é com certeza a maior armadilha de tudo que já foi colocado anteriormente, pois seus descendentes são a frustração e revolta, e caso obtenhamos algum êxito neste processo compensatório, teremos de lidar com a solidão por apenas nós termos trilhado um caminho de êxito ou sucesso. Os pecados capitais da ambição são: narcisismo, prepotência associada ao desejo de superioridade econômica ou social, não conhecer suas verdadeiras necessidades pessoais perante um mundo repleto de inveja e comparação. Outro ponto positivo da ambição é quando a pessoa investe de corpo e alma num patamar de crescimento sem culpa ou solidariedade para com os neuróticos ou desafortunados de seu meio de convivência, isto não significa em hipótese alguma egoísmo, mas lutar pelo seu direito inalienável de satisfação ou felicidade caso possua as ferramentas adequadas para tal propósito. Um tipo psicológico interessante que faz uma contrapartida ao aspecto da ambição no âmbito do narcisismo é aquele indivíduo que precisa dos bens materiais não para o exibicionismo, mas justamente o contrário, fugir a todo tempo do contato social e afetivo. É aquela pessoa que galgou todo tipo de carência e ausência de estímulo de seus semelhantes, então nada mais o toca a não ser ter pleno controle num âmbito onde não há reação, justamente no plano material, nenhum dos sabores humanos adoça mais seu paladar. Retomando a ambição, temos de nos perguntar quanto tempo alguém consegue se enamorar com uma nova conquista material? Diria horas, dias ou um mês no máximo. Por outro lado, instinto, sexualidade, hábitos ou vícios, são quase que eternamente explorados pelo psiquismo humano, estas comparações deveriam ser amplo objeto de estudo pela psicologia e neurociências. Por que não enjoamos de determinado instinto e somos tão descartáveis em outras áreas? A resposta explica novamente a dificuldade de se explorar a ambição positiva, pois a vulnerabilidade do desejo faz com que nunca se alcance a satisfação, este é o fenômeno da carência, elemento exemplarmente manipulado pela mídia e economia. Procura-se desesperadamente ser o foco da atenção nessa sociedade absolutamente insensível, e se paga todo o preço de dívidas para se obter tal propósito, a loucura de pertencer a qualquer custo. 

A verdade é que a solidão é o melhor baú ou recipiente para se estocar qualquer ato de consumismo que sabíamos de antemão ser supérfluo ou desnecessário. Viciamos-nos bem cedo no uso do dinheiro como compensação das inferioridades no campo pessoal e emocional. Dinheiro como todos sabem não traz felicidade, mas sempre será à saída de emergência para a situação desesperadora de infelicidade e vazio existencial. A ambição se iguala ao complexo problema da vida, digo tal coisa porque jamais podemos pensar em fartura na questão felicidade, embora o ser humano sempre ambicionasse tal coisa. A verdade é que esta é o mínimo que obtemos durante nossa trajetória de vida, e todos já perceberam que foram momentos mínimos, não caberiam em uma hora de um filme produzido sobre nossa história. A ilusão da ambição material é justamente a antítese de nosso problema pessoal, que diz de uma convivência com escassos recursos ou miserabilidade no âmbito interpessoal e afetivo. A vida é uma trágica equação de desperdício, enorme dispêndio de energia e esforço, para lembranças remotas de prazer e real gozo. O sistema econômico muito espertamente importou todo o modelo instintivo do ser humano: disputa territorial, medo da fome, privação e morte. A solução ou transcendência não é um ingênuo apelo à paz, mas, sobretudo ao desenvolvimento da alma humana, que deve superar o terrível problema do medo. Este último é o pilar máximo da ambição destrutiva. A dita paz só poderá ser alcançada quando o medo não for mais o rei do cotidiano de nossas ações. Enfim, a neurose como descrevi em outros estudos se instala definitivamente quando não conseguimos mais tirar o maior proveito de nossos recursos e aptidões, então fechamos com o mundo dos fracos, desamparados e reprimidos, incorporando uma religião ou complexo de expiação contra nosso próprio bem estar, elegendo a culpa como o timão de nossa existência.
Concluindo, seja a ambição, dinheiro ou poder parece que tais elementos não produzem o estado de alegria necessário para uma motivação diária, sendo meros subterfúgios para uma satisfação que sempre ficou apenas em nosso imaginário. Jamais nos ensinaram ou então tivemos a garra de descobrir uma equação que nos levasse à plenitude, sendo que o problema é basicamente educacional; o treinamento sempre foi visando à adaptação, nunca para contemplar a maravilha do valor pessoal. Confessemos que jamais fomos estimulados para o amor próprio. Em suma, o problema básico da ambição é que ninguém está preparado para as demandas que aparecem como conseqüência; sejam na área estética, dinheiro, poder ou aceitação pelo grupo; é um grande fardo gerir o que achávamos que seria um sonho. 

Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo