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quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Psicologia e o Destino de Nosso Conflito

(Drogas; Stress; Doenças Psicossomáticas; Depressão; Ansiedade)

Qualquer sonho ou fantasia desde a infância até a fase adulta, apenas é uma espécie de resumo em menos de uma frase acerca do futuro ou possibilidade para a pessoa; o que vale a mesma regra para as nossas lembranças remotas na fase adulta, apenas um exemplo pífio do caminho que foi traçado há muito tempo. Não necessariamente estou falando de destino, mas que nossa mente traça uma rota desde os mais remotos períodos da infância, o que quase ninguém se dá conta é de como funciona esse processo na prática, infelizmente renegando tão séria questão para o lado místico. É fundamental traçar nosso destino psíquico, principalmente numa época de tantas angústias e incertezas. O título deste estudo representa em minha opinião as principais alternativas da vazão de nossos complexos em nossa era. Obviamente que existirão outros caminhos, mas pela experiência clínica sinto que os citados são via de regra os que mais acometem o sujeito.

Cada problemática que o indivíduo apresenta no decorrer de sua vida diz de uma projeção de seu psiquismo e as respectivas estruturas neuróticas que se grudam na pessoa. Comecemos pelo problema das drogas tão estudado no último século. Diz-se principalmente que o drogado sofre de uma paralisia mortal no quesito tolerância à frustração, sendo que desenvolve a necessidade de uma muleta para lidar com seus dilemas. Tal conceito é totalmente correto, mas também incompleto. Poucos tocam no caráter ambicioso que o drogado carrega, sendo que há uma transferência desse fenômeno para uma esfera totalmente fantasiosa ou surreal. O palco que talvez o mesmo não tenha obtido juntamente com o sucesso profissional ou pessoal é transportado para uma versão narcisista, masturbatória e exigência de cuidados forçados de seu meio social. Não é apenas a fuga da realidade dolorosa que se pretende, mas uma vingança ou protesto contra todo seu sonho ou desejo negado. Assim como o louco comum sai gritando no meio da rua sem nenhum tipo de censura, é mais ou menos a única coisa que o drogado obtém, a ruptura de qualquer imposição de superego ou conceito moral. Seu deleite e superioridade será desbravar áreas extremamente arriscadas que a maioria das pessoas tenta evitar. O gozo máximo do drogado é a perda, justamente por ter desejado algo que jamais obteve. Troca seu antigo desejo de posse, pela compulsão sem limites, gastando não apenas todos os seus recursos, mas também de todos que o rodeiam.

Mas como estamos falando de traçado psíquico, quem possivelmente estaria mais predisposto para tal infortúnio citado? Naturalmente pessoas com traçado psicológico mais infantilizado, imaturas, que carregam indefinidamente traumas ou seqüelas afetivas, e principalmente aquelas que sentem que algo de precioso foi lhes retirado ou que não se conformam com a pouca durabilidade de uma experiência de prazer. Não se esqueçam que o drogado insiste em participar de uma festa todos os dias. Obviamente tal tipo psicológico pode se combinar com todos os descritos no título deste estudo, o que muda em todos é simplesmente o exagero em determinado comportamento. Se falarmos em stress fica quase impossível traçar algum caminho, já que determinado problema se apresenta praticamente para noventa por cento dos habitantes deste planeta. O problema diria não é mais o stress, e sim o tipo de conseqüência que irá provocar: ansiedade, depressão ou doenças psicossomáticas. Sendo um tanto repetitivo, quase tudo se mistura, e a verdade é que a cada dia estamos bem longe de um controle satisfatório de todos esses elementos. Outrora a esperança era a medicação e as maravilhosas descobertas da medicina no último século, porém, não passaram de um sonho, ou mera narcotização dos problemas psicológicos. O fato é que o cerne é muito mais ontológico do que fisiológico. A desmotivação, vício, ansiedade e medo são os quatro cavaleiros do apocalipse de nossa mente moderna. Toda a correria do cotidiano só nos traz a prova nem de nossa ganância diria, mas da tendência quase que inata à inveja e imitação de algo que sequer tivemos certeza algum dia se era nosso mais profundo desejo. Se falarmos de psicossomática logo encontraremos um indivíduo corriqueiramente mais retraído e introspectivo, alguém com determinadas dificuldades no plano social ou na esfera afetiva. É impressionante como o corpo protesta perante uma necessidade emocional não satisfeita; já observei de tudo, desde uma herpes genital, passando por diabetes ou câncer, embora seja bem difícil provar tudo isso no estrito senso científico. Mas a própria crença popular parece que já assimilou o prejuízo mórbido das emoções contidas. Ao longo dos anos notei outro fator curioso em pessoas que tinham constante tendência à somatização; um grande sentimento de solidão ou isolamento, sendo que toda a atenção seria dirigida para a doença corpórea, numa dupla função: melancolia acerca de seu estado pessoal, e uma espécie de distração ou fuga de seu complexo problema emocional. O que sempre me impressionou é como algo quase que puramente irracional pode acarretar tanto prejuízo concreto no tocante a saúde do indivíduo.

A psicossomática assim como a depressão se tornaram algozes de nossa tranqüilidade, saúde e paz de espírito. Embora sempre encarasse a depressão como uma espécie de profissão mental que o indivíduo desenvolveu, exacerbando completamente o pessimismo e tédio do conjunto de nossa sociedade. Claro que a depressão possui traços hereditários, o que se chamaria de depressão endógena, e aquela causada por fatores externos (perda de alguém, doença), que se chama de depressão exógena. O grande problema no decorrer histórico da depressão é um fenômeno paralelo que ocorreu com a histeria na época de FREUD, a quase que generalização de diversos problemas num único diagnóstico ou emblema. É dificílimo distinguir a depressão de um processo de timidez mórbida dando um exemplo. Precisamos conhecer profundamente o paciente para certificarmos realmente do que está ocorrendo, e não dispor meramente de um rótulo para algo que ainda não compreendemos profundamente. Um aspecto bastante curioso na depressão é a total desenergização do indivíduo, não apenas sobre pensamentos mais construtivos, mas também no conjunto de suas relações sociais. A pessoa que até então era quase que um exemplo ou força motivadora para os outros, de repente se torna esquálida, apagada por completo, incomodando inclusive as pessoas ao redor que quase que a acusam de não trazer melhores agouros, obviamente o resultado é um processo de isolamento e solidão. A depressão pode ser comparada às drogas, pois drena totalmente a força vital da pessoa, ou a escraviza em algo único, no caso depressivo a desmotivação ou idéias fixas de fracasso, desamparo e sofrimento. O grande problema do depressivo é o fechamento de praticamente todas as portas, assim como as drogas, principalmente na busca de ajuda e crença no contato renovador com outro ser humano. Mas o leitor irá questionar sobre quem está mais predisposto a tal transtorno afora os fatores citados. Diria que a depressão é um processo que se constrói ao longo do tempo, excetuando aqueles fatores limites que citei antes, como doença ou perda de alguém. Um fato bem simples, mas que contribui para a construção citada é quando a pessoa aceita viver incessantemente uma rotina, achando que tal característica denota organização e planejamento. Muito pelo contrário, rotina é uma das piores armadilhas que podemos construir para nosso psiquismo, pois além dela não permitir a renovação, corta qualquer ato inesperado que poderia conter uma soma interessante de prazer ou desprendimento, claro que todos de certa forma são obrigados a fazerem diariamente as mesmas coisas, o problema é quando isso se torna uma espécie de missa ou religião para o sujeito. A rotina ainda vem carregada de outro elemento mórbido para o indivíduo que é o gosto pela retenção ou o medo de arriscar qualquer outro estilo de vida, minando a criatividade e dando uma mensagem de total complexo de inferioridade para a pessoa (“fique sempre onde está que é o máximo que consegues fazer ou atingir”).
No atual ponto em que estamos não sabemos o que é causa ou conseqüência dos elementos estudados. Pensemos na questão da ansiedade. Alguns até a consideram benéfica por estimular a pessoa para uma busca maior ou mais pormenorizada. Outros a tratam como processo mórbido, pois o indivíduo jamais se satisfaz com qualquer coisa. O fato é que um elemento passa a acobertar o outro, encobrindo muitas vezes a análise do problema. Dando um exemplo, por detrás de qualquer processo perverso, seja o excesso de pornografia ou a compulsão para vários parceiros, jaz a total ansiedade, que também é sinônima de uma profunda ambição não resolvida. Então a grande dificuldade que se coloca é qual processo tratar primeiro, e quase nunca conseguimos estabelecer a prioridade antes que o paciente abandone de vez a psicoterapia. Poderíamos talvez até partidarizar o tratamento, colocando a culpa no consumismo desenfreado que aguça todos os instintos do ser humano. Mas tal medida também é complicada, pois todos já se encontram infelizmente viciados em tal escapismo, e assim como as drogas, é difícil abrir mão da narcotização do sofrimento psicológico. Quando uma sociedade já não dá mais ênfase ao indivíduo ou para as relações humanas (amizade, companheirismo, solidariedade e coisas do tipo), fica praticamente impossível para uma psicoterapia ser a timoneira da busca do sentido da existência de determinada pessoa. Sejamos extremamente francos, nossos relacionamentos só tem um propósito, que é o abafamento do insuportável medo da solidão. Apenas isso e mais nada, pois jamais vi infelizmente um casal que priorizasse o desenvolvimento da relação, apenas desejam tratar conflitos ou contendas, embora seja o papel do psicólogo, tal medida agrava toda a situação apresentada. Alguns com certeza falarão do pessimismo de minha visão, ou então que prego que o sentido máximo da vida seria a dedicação para o amor com nosso próximo. O que ressalto é além disso, estou querendo expor que qualquer saída possível é vista sob a manta do tédio pelas pessoas. A indolência é o maior pecado capital de nossa psique no atual estágio da civilização. Como tratar qualquer coisa, se a ânsia é apenas buscar, flertar, admirar, olhar (escopofilia), consumir. E não se trata do desejo inato do ser humano de expansão, pelo contrário, retraimento, fuga e medo da intimidade.

O perigo mais profundo e mais produzido em nossa meio social sem dúvida alguma é a solidão, seja individual ou a dois. A mesma dá a tônica do desespero e produz não apenas uma carência incomensurável, mas tem o mesmo efeito de uma tragédia que faz com que o indivíduo lute por sua sobrevivência, insuflando o egoísmo e insensibilidade, que são os herdeiros mais legítimos da mesma. E paralelo a esse problema retorna novamente a ansiedade, que em nossa era já foi totalmente convergida para o terreno do total desconhecimento do que seria a satisfação genuína, pelo contrário, afasta e confunde ambos os aspectos. A ansiedade tem a característica de atrair uma série de outros sentimentos ao seu redor, um deles é a vitimização, pois como a pessoa jamais encontra o que supostamente procura, passa a culpar outras pessoas por seu infortúnio, não se trata apenas da autocompaixão, mas de um desejo estático e estacionário ao contrário do que parece. A agitação constante só esconde o vício de não prosseguir ou encontrar um traçado, e infelizmente a psiquiatria e psicologia ainda não entenderam a fundo tal fenômeno. A ansiedade é o mais puro desperdício, não apenas das oportunidades que a constante agitação cegou, mas, também a perda afetiva quando várias pessoas requisitaram o sujeito e o mesmo respondeu com desprezo ou desdém. Qualquer psicólogo com um mínimo de experiência profissional já notou que os desafios de todos esses sentimentos ou processos citados se elevam a cada dia em níveis estratosféricos, e pior do que isso, praticamente ninguém está muito preocupado com tal condição, a não ser que seja obrigado, seja por um distúrbio psicológico ou psiquiátrico, ou ruptura de sua condição econômica e social.

Pois bem, agora sim seria o momento desses famosos estudos sociais que acompanhamos via mídia diariamente, estudar a conseqüência comportamental e psicológica após o efeito do “big bang” da competição acirrada em todos os níveis das relações sociais. O que sobrou? O que podemos esperar tanto do relacionamento masculino e feminino quanto dos demais? Qual a versão atualizada que daremos para amizade? Como superaremos a angústia da solidão se a mesma é reforçada diariamente por nosso egoísmo até oportuno, dado que não deixa de ser moeda de sobrevivência em nossos tempos. Não se trata de prever um futuro apocalíptico, mas da total desumanização que restará. Mas parece que todos preferem falar de meio ambiente, não que ache o tema secundário, pelo contrário, mas sempre se arruma uma escusa para não tocarmos em nossas feridas existenciais, renegando-as aos ditos especialistas que via de regra optam por atalhos ao invés de soluções concretas. Como já falei diversas vezes, a incapacidade para a indignação ampliará qualquer doença psíquica. É só qualquer um que duvide ingressar no metrô ou qualquer outro local de aglomeração, parece que estamos numa orquestra de distúrbios, uns balançando as pernas, roendo unhas, outros na sua alienação com os ipods da vida, fugindo literalmente de qualquer observação do outro. É isso que pretendemos? Será que alguém tem ainda a ilusão de resolver sua carência numa sala de bate papo na internet ou em sites de relacionamento? Alguém acha que vai resolver instantaneamente um problema que vem sendo construído talvez há décadas? Mesmo que a pessoa deixe um pouco o computador de lado, e parta para o contato real, alguém se ilude de que encontrará um sujeito que não esteja repleto de armaduras e medos no decorrer de suas decepções afetivas? Talvez o gosto humano por jogos e competições tenha criado como prêmio final encontrar a mais rara das pessoas, aquela que nos anime, e tenha real vontade de nos salvar, no sentido da companhia genuína. 

Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Frigidez Feminina (causas e tratamento)

Apesar de toda transformação cultural e social do século vinte, determinadas questões sexuais permanecem como um tabu; sendo que seu aspecto mais grave e doloroso é a pessoa achar que seu sofrimento é único ou absolutamente solitário. A culpa, vergonha e remorso ainda permeiam por completo as disfunções sexuais. O problema da frigidez sexual traduz a própria história das teorias psicológicas e de personalidade. Os três maiores psicólogos da história imprimiram aspectos distintos para o problema. SIGMUND FREUD acentuou que uma das principais zonas erógenas da mulher seria o clitóris. O mesmo seria uma espécie de micro pênis, sendo que no inconsciente, a menina ainda acreditava que o mesmo se transformaria num pênis igual ao dos meninos. Teoricamente denominou a condição feminina como uma absoluta inveja do pênis e horror de ter sido "castrada", por alguma conduta imoral ou concupiscente no nível inconsciente. Para FREUD, a insistência no desejo de masturbação do clitóris acarretaria o desligamento da excitação da vagina. Na fase adulta tal processo mental se traduziria em total frigidez ou bloqueio sexual; cada ato sexual representaria a volta de todo o tormento citado. Havia ainda o ódio contra a mãe, a culpando pela perda do falo, por conta dos desejos incestuosos da menina perante o pai; o famoso complexo de Édipo. Obviamente podemos deduzir que seguindo os conceitos de FREUD o prazer sexual seria algo quase que exclusivamente masculino.

ALFRED ADLER tipificou o problema sexual feminino à luz da repressão social contra a mulher. A conseqüência deste processo de dominação sociológica seria o desenvolvimento de um mecanismo de defesa que denominou de "protesto másculo"; denegrir toda conduta feminina sexual e afetiva, pois representaria submissão a autoridade do ser masculino. CARL GUSTAV JUNG traçou um paralelo entre eventos fisiológicos e psicológicos. Para o mesmo, além da herança genética, possuímos dois tipos de energias ou conteúdos sexuais; a "anima", que representaria a energia feminina no homem (traduzida em comportamentos: carinho, compreensão e atenção); e o "animus", que seria o lado masculino na mulher (determinação, cooperação e objetividade). A descompensação entre essas duas forças acarretaria um prejuízo na auto imagem sexual e pessoal.

Em nossos dias assistimos a supremacia da medicação nos problemas sexuais. Haja vista, os recentes medicamentos para impotência sexual masculina. Isto se torna lamentável, pois fica a mensagem de que o direito ao prazer sexual está ligado à determinada droga. Diz-se ainda de fatores bioquímicos ou hormonais; não que a busca dos mesmos não seja fundamental; mas o fato é o total descaso perante a história de vida do indivíduo. A própria psicologia entrou em teorias excêntricas quando postulou os famosos pontos chave de excitação na mulher. A profunda repressão sexual feminina teve como meta proibir a mulher de usar seus poderes máximos: sedução e domínio sexual completo perante o homem. Ditar determinadas regras, condutas religiosas ou sociais têm como última finalidade "castrar" o potencial ou possibilidade de um aspecto da natureza de alguém. A impotência sexual psicológica masculina diz de um ser que teme o ato sexual pelo medo de ser reprovado ou rebaixado num suposto teste; a frigidez traduz a total falta de autorização do inconsciente para a obtenção de prazer. A psicoterapia pode falhar nos casos citados se apenas se concentrar na busca do bloqueio. Não é o por que da interdição que necessariamente trará a solução da questão, mas o percebimento da incrível "surpresa" quando se consegue realizar determinado potencial.

A mulher que sofre de frigidez deve refletir sobre o que historicamente acabou por substituir seu prazer sexual: desejo do poder masculino, como assinalava ADLER, sendo um protesto contra a submissão; ampliar a importância de suas obrigações como mãe em detrimento de seu papel de mulher com direito e dever à satisfação. A fobia do homem em relação ao tamanho do pênis possui atualmente o correlato da busca de muitas mulheres pela descoberta do que seria realmente o orgasmo feminino. A conclusão de todo este processo é a de que a inveja ou comparação é o fator que mais admoestará a tranqüilidade para a obtenção do prazer. A competição ou desejo de prova é a maior contra indicação em todo caso de problema sexual. O próprio inconsciente da pessoa está exprimindo uma opinião e busca peculiar pela satisfação, condenando muitos dos modelos vigentes. Toda disfunção sexual em um dos parceiros é de responsabilidade total de ambos ou do casal; embora muitos relutem pesadamente contra tal fato. A frigidez também não deixa de ser uma defesa psíquica da mulher contra a falta da certeza do amor e real envolvimento do homem em alguns casos. Alguns podem até achar tal conceito surrealista; mas a observação clínica prova que determinada "trava" só pode espelhar uma outra oculta. A frigidez seguindo a idéia apresentada é o medo da mulher perante a falta de admiração de seu companheiro pela mesma, assim como, seu temor de ser abandonada ou rejeitada a qualquer momento; como conseqüência, se recusaria a dar o "melhor de si própria", como protesto perante uma pessoa titubeante na arte do amor e companheirismo.

A frigidez contém também todas as pendências afetivas no tocante a relação da mulher perante seus pais. Seria uma espera de um reconhecimento de seu mais profundo íntimo para que pudesse então "gastar" seu lado afetivo ou sexual. Historicamente o homem teve ao seu alcance todos os recursos ou treinos para uma performance sexual (literatura ou filmes pornográficos), por piores que fossem tais recursos. Para a mulher apenas sobrava o relato isolado de alguém que tivesse tido uma experiência sexual; ou então contar com a boa vontade de sua mãe, que quase nunca ocorria para o diálogo. Nos dias atuais de internet, apesar da acessibilidade fácil a qualquer site pornô, o treino ainda é predominantemente masculino, embora muitas garotas percebam tal evento e adotem uma postura de vingança contra o homem, apenas seduzindo e não consumando uma relação; ou cometendo o chamado "ficar", embora tal fenômeno esteja disseminado entre ambos os sexos.

Seguindo as crenças populares será que realmente é a mulher que quase sempre simulou determinado orgasmo? Não será o homem que sempre disfarçou a não continuidade de um relacionamento durante uma ereção ou ejaculação histérica? Não é o homem que sempre se recusou a sentir profundamente apenas se atendo a performance sexual, fazendo o ato com mulheres que nunca gostou realmente? O que é vital refletir é para qual dos dois o impacto é maior quando ocorre uma desastrosa experiência sexual. Alguns homens até relatam o início de uma impotência sexual psicológica quando isto ocorre, devido ao fator da cobrança. Para a mulher sem dúvida alguma o fardo é mais pesado, pois não se trata da falha do desempenho do órgão, mas a reprovação completa de seu ser.

Este estudo estaria absolutamente incompleto se não nos dedicarmos ao debate de alguns aspectos da sociologia. No passado quase todas as mulheres não tiveram nenhum direito acerca de sua sexualidade; tendo de se concentrar nas tarefas domésticas ou em seu papel biológico de mãe. O que assistimos hoje em dia é a inversão total da questão; o feminismo e outros fenômenos sociais produziram uma mulher aparentemente combatente e exigente do ponto de vista sexual e social, mas que têm renegado a questão familiar. É só olharmos para o enorme número de mulheres independentes economicamente e que se encontram sozinhas ou com receio a assumirem o papel de mãe. Tal fenômeno há um bom tempo já se transformou numa regra dependendo da classe econômica oriunda da mulher. É aterrorizante pensarmos como algo natural como a atração sexual e convivência com o parceiro, pode se transformar num campo de batalha devido ao medo. Muitas mulheres independentes vivem a "frigidez de relacionamentos", fazendo uma espécie de transposição do sexual para a relação a dois. O leitor mais atento descobrirá que o sentimento de revanche infelizmente nunca saiu de cena dos aspectos pessoais do ser humano.

A mulher frígida vive numa espécie de "prisão", aguardando que seu parceiro muitas vezes abra sua cela. Este conceito é totalmente ingênuo; para a mulher a solução não passa por alguma experiência sexual diferenciada, mas a mensagem clara é ter de mudar realmente, abandonando anos de construção de um modelo psicológico. Qualquer conselho ou idéia mirabolante para vencer a frigidez estará fadado ao fracasso, pois há um vazio absoluto na mulher perante tal tarefa. A primeira missão na conduta terapêutica é se dedicar plenamente a questão, pois logo se descobrirá como a mesma nunca se permitiu um tempo para tal aspecto de sua sexualidade ou pessoalidade. O desafio é o envolvimento pleno numa tarefa onde dita mulher sabe que não têm nenhum poder ou habilidade, sendo uma coisa que jamais ousou fazer. Se a mesma refletir intimamente, irá perceber como sempre deu um jeito para que o problema sexual nunca fosse a prioridade. Seja a mulher casada ou namorando, seu parceiro deverá participar ativamente do processo como foi dito acima, inclusive também se submetendo à psicoterapia, para que se possa verificar prováveis junções entre a frigidez e determinados conteúdos latentes do homem que podem reforçar o problema; pois a prática clínica confirma que a disfunção sexual num dos dois, pode ser usada como arma pelo outro para esconder totalmente alguma questão que não deseja lidar. Outra luta é não apenas a mulher desejar seu prazer, mas quando o próprio parceiro lhe cobrar tal meta, para que o mesmo também se sinta desejado ou gratificado. A coisa neste ponto é complexa; não que a mulher frígida deva desejar alguém que nem ligue para sua dificuldade, mas o estabelecimento de metas ou tentativas jamais pode ser acompanhada de cobranças, sob o risco do absoluto fracasso; o mesmo ocorre no tratamento da impotência sexual. A solução definitiva é como o próprio mecanismo da terapia; permitir um tempo para que a pessoa lide evolutivamente com suas dificuldades, pois seria uma total prova de desamor exigir resultados imediatistas. 

BIBLIOGRAFIA:

FREUD, SIGMUND. TRÊS ENSAIOS PARA UMA TEORIA SEXUAL. OBRAS COMPLETAS. MADRID(ESPANHA): BIBLIOTECA NUEVA, 1981

ADLER, ALFRED. O CARÁTER NEURÓTICO.BUENOS AIRES: PAIDÓS, 1912

JUNG, CARL GUSTAV. AB-REAÇÃO, ANÁLISE DOS SONHOS, TRANSFERÊNCIA. SÃO PAULO: VOZES EDITORA, SEGUNDA EDIÇÃO, 1990 


Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

sábado, 19 de junho de 2010

Festa Junina

Festas juninas ou festas dos santos populares são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como "festa de São João".
Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa — Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia —, mas são encontrados também na Irlanda, partes da Grã-Bretanha (especialmente na Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.

Origem da fogueira

De origem europeia, as fogueiras juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde" em árvore de natal, a fogueira do dia de "Midsummer" (24 de junho) tornou-se, pouco a pouco na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as festas de São João europeias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França). Estas celebrações estão ligadas às fogueiras da Páscoa e às fogueiras de Natal.
Uma lenda católica cristianizando a fogueira pagã estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.

O uso de balões

O uso de balões e fogos de artifício durante o São João no Brasil, está relacionado com o tradicional uso da fogueira junina e seus efeitos visuais. Este costume foi trazido pelos portugueses para o Brasil, e ele se mantém em ambos lados do Atlântico, sendo que é na cidade do Porto, em Portugal, onde mais se evidência. Fogos de artifício manuseados por pessoas privadas e espetáculos pirotécnicos organizados por associações ou municipalidades tornaram-se uma parte essencial da festa no Nordeste, em outras partes do Brasil e em Portugal. Os fogos de artifício, segundo a tradição popular, servem para despertar São João Batista. Em Portugal, pequenos papéis são atados no balão com desejos e pedidos.
Os balões serviam para avisar que a festa iria começar; eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festança. Os balões, no entanto, constituem atualmente uma prática proibida por lei em muitos locais, devido ao risco de incêndio.
Durante todo o mês de junho é comum, principalmente entre as crianças, soltar bombas, conhecidas por nomes como traque, chilene, cordão, cabeção-de-negro, cartucho, treme-terra, rojão, buscapé, cobrinha, espadas-de-fogo.

O mastro de São João

O mastro de São João, conhecido em Portugal também como o mastro dos Santos Populares, é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa. No Brasil, no topo de cada mastro são amarradas em geral três bandeirinhas simbolizando os santos. Tendo hoje em dia uma significação cristã bastante enraizada e sendo, entre os costumes de São João, um dos mais marcadamente católico, o levantamento do mastro tem sua origem, no entanto, no costume pagão de levantar o "mastro de maio", ou a árvore de maio, costume ainda hoje vivo em algumas partes da Europa.
Além de sua cristianização profunda em Portugal e no Brasil, é interessante notar que o levantamento do mastro de maio em Portugal é também erguido em junho e a celebrar as festas desse mês — o mesmo fenômeno também ocorrendo na Suécia, onde o mastro de maio, "majstången", de origem primaveril, passou a ser erguido durante as festas estivais de junho, "Midsommarafton". O fato de suspender milhos e laranjas ao mastro de São João parece ser um vestígio de práticas pagãs similares em torno do mastro de maio. Em Lóriga a tradição do Cambeiro é celebrada em Janeiro.
Hoje em dia, um rico simbolismo católico popular está ligado aos procedimentos envolvendo o levantamento do mastro e os seus enfeites.

A Quadrilha

A quadrilha brasileira tem o seu nome de uma dança de salão francesa para quatro pares, a "quadrille", em voga na França entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. A "quadrille" francesa, por sua parte, já era um desenvolvimento da "contredanse", popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII. A "contredanse" se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina, surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizara em toda a Europa na primeira metade do século XVIII.

A "quadrille" veio para o Brasil seguindo o interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo que fosse a última moda de Paris (dos discursos republicanos de Gambetta e Jules Ferry, passando pelas poesias de Victor Hugo e Théophile Gautier até a criação de uma academia de letras, dos belos cabelos cacheados de Sarah Bernhardt até ao uso do cavanhaque).
Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se fundiu com danças brasileiras pré-existentes e teve subsequentes evoluções (entre elas o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses). Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste. A partir de então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural, também recebeu a influência do movimento nacionalista e da sistematização dos costumes nacionais pelos estudos folclóricos.

O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais no Brasil como na Europa entre os começos do Romantismo e a Segunda Guerra Mundial. A quadrilha, como outras danças brasileiras tais que o pastoril, foi sistematizada e divulgada por associações municipais, igrejas e clubes de bairros, sendo também defendida por professores e praticada por alunos em colégios e escolas, na zona rural ou urbana, como sendo uma expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo acadêmico e ufano explica duma certa maneira o aspecto matuto rígido e artificial da quadrilha.
No entanto, hoje em dia, essa artificialidade rural é vista pelos foliões como uma atitude lúdica, teatral e festiva, mais do que como a expressão de um ideal folclórico, nacionalista ou acadêmico qualquer. Seja como for, é correto afirmar que a quadrilha deve a sua sobrevivência urbana na segunda metade do século XX e o grande sucesso popular atual aos cuidados meticulosos de associações e clubes juninos da classe média e ao trabalho educativo de conservação e prática feito pelos estabelecimentos do ensino primário e secundário, mais do que à prática campesina real, ainda que vivaz, porém quase sempre desprezada pela cultura citadina.
Desde do século XIX e em contato com diferentes danças do país mais antigas, a quadrilha sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes:
  • "Quadrilha Caipira" (São Paulo)
  • "Saruê", corruptela do termo francês "soirée", (Brasil Central)
  • "Baile Sifilítico" (Bahia)
  • "Mana-Chica" (Rio de Janeiro)
  • "Quadrilha" (Sergipe)
  • "Quadrilha Matuta"
São João, São Pedro e Santo Antônio
Hoje em dia, entre os instrumentos musicais que normalmente podem acompanhar a quadrilha encontram-se o acordeão, pandeiro, zabumba, violão, triângulo e o cavaquinho. Não existe uma música específica que seja própria a todas as regiões. A música é aquela comum aos bailes de roça, em compasso binário ou de marchinha, que favorece o cadenciamento das marcações.
Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um mestre "marcante" ou "marcador", pois é quem determina as figurações diversas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança.

Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como se diz fora do nordeste(indumentária que se convencionou pelo folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas evoluções em pares de número variável. Em geral o par que abre o grupo é um "noivo" e uma "noiva", já que a quadrilha pode encenar um casamento fictício. Esse ritual matrimonial da quadrilha liga-a às festas de São João europeias que também celebram aspirações ou uniões matrimoniais. Esse aspecto matrimonial juntamente com a fogueira junina constituem os dois elementos mais presentes nas diferentes festas de São João da Europa.

Outras danças e canções

No nordeste brasileiro, o forró assim como ritmos aparentados tais que o baião, o xote, o reizado, o samba-de-coco e as cantigas são danças e canções típicas das festas juninas.

Costumes populares

As festas juninas brasileiras podem ser divididas em dois tipos distintos: as festas da Região Nordeste e as festas do Brasil caipira, ou seja, nos estados de São Paulo, Paraná (norte), Minas Gerais (sobretudo na parte sul) e Goiás.
No Nordeste brasileiro se comemora, com pequenas ou grandes festas que reúnem toda a comunidade e muitos turistas, com fartura de comida, quadrilhas, casamento matuto e muito forró. É comum os participantes das festas se vestirem de matuto, os homens com camisa quadriculada, calça remendada com panos coloridos, e chapéu de palha, e as mulheres com vestido colorido de chita e chapéu de palha.
No interior de São Paulo ainda se mantêm a tradição da realização de quermesses e danças de quadrilha em torno de fogueiras.
Em Portugal há arraiais com foguetes, assam-se sardinhas e oferecem-se manjericos, as marchas populares desfilam pelas ruas e avenidas, dão-se com martelinhos de plástico e alho-porro nas cabeças das pessoas principalmente nas crianças e quando os rapazes se querem meter com as raparigas solteiras.

Simpatias, sortes e adivinhas para Santo Antônio

O relacionamento entre os devotos e os santos juninos, principalmente Santo Antônio e São João, é quase familiar: cheio de intimidades, chega a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos feitos a esses santos:
Confessei-me a Santo Antônio,
confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
que fosse continuando.
Os objetos utilizados nas simpatias e adivinhações devem ser virgens, ou seja, estar sendo usados pela primeira vez, senão… nada de a simpatia funcionar! A seguir, algumas simpatias feitas para Santo Antônio:
Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam um figurino do santo de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. E elas pedem:
Meu Santo Antônio
Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.
No dia 13, é comum ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", que é dado gratuitamente pelos frades. Em troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O pão, que é bento, deve ser deixado junto aos demais mantimentos para que estes não faltem jamais.
Em Lisboa, é tradicional a cerimónia de casamento múltiplo do dia de Santo António, em que chegam a casar-se 200 a 300 casais ao mesmo tempo.

Festas juninas por país

Portugal

Em Portugal, estas festividades, genericamente conhecidas pelo nome de Festas dos santos populares, correspondem a diferentes feriados municipais: São Gonçalo em Amarante; Santo António em Aljustrel, Amares, Cascais, Estarreja, Ferreira do Zêzere, Lisboa, Proença-a-Nova, Reguengos de Monsaraz, Vale de Cambra, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Real e Vila Verde; São João em Aguiar da Beira, Alcochete, Almada, Almodôvar, Alcácer do Sal, Angra do Heroísmo, Armamar, Arronches, Braga, Calheta, Castelo de Paiva, Castro Marim, Cinfães, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Guimarães, Horta, Lajes das Flores, Lourinhã, Lousã, Mértola, Moimenta da Beira, Moura, Nelas, Porto, Porto Santo, Santa Cruz das Flores, Santa Cruz da Graciosa, Sertã, Tabuaço, Tavira,Terras de Bouro, Torres Vedras, Valongo, Vila do Conde, Vila Franca do Campo, Vila Nova de Gaia, Vila do Porto e Vizela; São Pedro em Alfândega da Fé, Bombarral, Castro Daire, Castro Verde, Celorico de Basto, Évora, Felgueiras, Lajes do Pico, Macedo de Cavaleiros, Montijo, Penedono, Porto de Mós, Póvoa de Varzim, Ribeira Brava, São Pedro do Sul, Seixal e Sintra.
Na cidade do Porto e Braga em Portugal, o São João é festejado com uma intensidade inigualável, sendo que a festa é, à semelhança do que acontece no Nordeste do Brasil, entregue às pessoas que passam o dia e a noite nas ruas das cidades que são autênticos arraiais urbanos.
Festas de São João são ainda celebradas em alguns países europeus católicos, protestantes e ortodoxos (França, Irlanda, os países nórdicos e do Leste europeu). As fogueiras de São João e a celebração de casamentos reais ou encenados (como o casamento fictício no baile da quadrilha nordestina e na tradição portuguesa) são costumes ainda hoje praticados em festas de São João europeias.

Brasil

As festas juninas, são na sua essência multicurais, embora o formato com que hoje as conhecemos tenha tido origem nas festas dos santos populares em Portugal: Santo Antônio, São João e São Pedro principalmente. A música e os instrumentos usados, cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco, etc, estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos para o Brasil pelos povoadores e emigrantes dos país irmão. As roupas 'caipiras' ou 'saloias' são uma clara referência ao povo campestre, que povoou principalmente o nordeste do Brasil e muitíssimas semelhanças se podem encontrar no modo de vestir 'caipira' tanto no Brasil como em Portugal. Do mesmo modo, as decorações com que se enfeitam os arraiais tiveram o seu início em Portugal com as novidades que na época dos descobrimentos os portugueses levavam da Ásia, enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora por exemplo. Embora os balões tenham sido proibidos em muitos lugares do Brasil, eles são usados na cidade do Porto em Portugal com muita abundância e o céu se enche com milhares deles durante toda a noite.
No Brasil, recebeu o nome de junina (chamada inicialmente de joanina, de São João), porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais são oriundas as comunidades de imigrantes, chegados a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.

A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica e a pamonha.
O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre cercado ou não e onde barracas são erguidas unicamente para o evento, ou um galpão já existente com dependências já construídas e adaptadas para a festa. Geralmente o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiais acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos matutos.

 Festa junina em Rio Branco - Acre
Locais
Estes arraiais são muito comuns em Portugal e não são exclusivos do São João, são parte da tradição popular em geral. Nessas festas podemos encontrar imensas semelhanças tanto no Brasil como em Portugal, mas não só. Na África e na Ásia, Macau, Índia, Malásia, na Comunidade Cristang, os portugueses deixaram essa tradição dos santos populares bem marcada.
Atualmente, os festejos ocorridos em cidades pólos do Norte e Nordeste dão impulso à economia local. Citem-se, como exemplo, Caruaru em Pernambuco; Campina Grande na Paraíba; Amargosa, Cruz das Almas, Piritiba e Senhor do Bonfim na Bahia, na Mossoró no Rio Grande do Norte; Maceió em Alagoas; Recife em Pernambuco; Aracaju em Sergipe; Juazeiro do Norte no Ceará; e Cametá no Pará. Além disso, também existem nas pequenas cidades, festas mais tradicionais como Cruz das Almas, Ibicuí, Jequié e Euclides da Cunha na Bahia. As duas primeiras cidades disputam o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book, categoria festa country (regional) ao ar livre. Além disso, Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte disputam o terceiro lugar de maior são joão do mundo.

França

A "Fête de Saint-Jean" (Festa de São João), tal como no Brasil e em Portugal, é comemorada no dia 24 de junho e tem como maior característica a fogueira. Em certos municípios franceses, uma alta fogueira é erigida pelos habitantes em honra a São João Batista. Trata-se de uma festa católica, embora ainda sejam mantidas tradições pagãs que originaram a festa. Na região de Vosges, a fogueira é chamada "chavande".

Polônia

As tradições juninas da Polônia estão associadas principalmente com as regiões da Pomerânia e da Casúbia, e a festa é comemorada dia 23 de junho, chamada localmente 'Noc Świętojańska" (Noite de São João). A festa dura todo o dia, começando às 8h da manhã e varando a madrugada. De maneira análoga à festa brasileira, uma das características mais marcantes é o uso de fantasias, no entanto não de trajes camponeses como no Brasil, mas de vestimentas de piratas. Fogueiras são acesas para marcar a celebração. Em algumas das grandes cidades polonesas como Varsóvia e Cracóvia esta festa faz parte do calendário oficial da cidade.

Ucrânia

A festa de Ivana Kupala (João Batista) é conhecida como a mais importante de todas as festas ucranianas de origem pagã, e vai desde [[23 de junho]] até 6 de julho. É um rito de celebração pelo verão, que foi absorvido pela Igreja Ortodoxa. Muitos dos rituais das festas juninas ucranianas estão relacionados com o fogo, a água, fertilidade e auto-purificação. As moças, por exemplo, colocam guirlandas de flores na água dos rios para dar sorte. É bastante comum também pular as chamas das fogueiras. As festas juninas eslavas inspiraram o compositor Modest Mussorgsky para sua famosa obra "Noite no Monte Calvo"...

Suécia

 As festas juninas da Suécia (Midsommarafton) são as mais famosas do mundo. É considerada a festa nacional sueca por excelência, comemorada ainda mais que o Natal. Ocorre entre os dias 20 e 26 de junho, sendo a sexta-feira o dia mais tradicional. Uma das características mais tradicionais são as danças em círculo ao redor do majstången, um mastro colocado no centro da aldeia. Quando o mastro é erigido, são atiradas flores e folhas. Tanto o majstången sueco (mastro de maio) como o mastro de São João brasileiro têm as suas origens no "mastro de maio" dos povos germânicos.
Durante a festa, são cantados vários cânticos tradicionais da época e as pessoas se vestem de maneira rural, tal como no Brasil. Por acontecer no início do verão, são comuns as mesas cheias de alimentos típicos da época, como o morangos e as batatas. Também são tradicionais as simpatias, sendo a mais famosa a das moças que constroem buquês de sete ou nove flores de espécies diferentes e colocam sob o travesseiro, na esperança de sonhar com o futuro marido. No passado, acreditava-se que as ervas colhidas durante esta festa seriam altamente poderosas, e a água das fontes dariam boa saúde. Também nesta época, decoram-se as casas com arranjos de folhas e flores, segundo a superstição, para trazer boa sorte.
Durante este feriado, as grandes cidades suecas, como Estocolmo e Gotemburgo tornam-se desertas, pois as pessoas viajam para suas casas de veraneio para comemorar a festa.

Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Copa do Mundo

A Copa do Mundo ou Campeonato do Mundo de Futebol / Mundial, é um torneio de futebol masculino realizado a cada quatro anos pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). A primeira edição aconteceu em 1930, no Uruguai, com a vitória da seleção da casa. Nesse primeiro mundial, não havia torneio eliminatório, e os países foram convidados para o torneio. Nos anos de 1942 e 1946, a Copa não ocorreu devido à Segunda Guerra Mundial.
O Brasil é o país que alcançou mais títulos mundiais - cinco (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) - e o único pais que ganhou fora de seu continente. É também o único país a ter participado de todos os Campeonatos. Segue-se a seleção da Itália, tetracampeã (1934, 1938, 1982 e 2006); a Alemanha, tricampeã (1954, 1974 e 1990); os bicampeões Argentina (vencedora em 1978 e 1986) e Uruguai (vencedor em 1930 e em 1950); e, por fim, com um único título, as seleções da Inglaterra, campeã em 1966, e da França, campeã em 1998.
A Copa do Mundo é o segundo maior evento desportivo do mundo, ficando atrás apenas dos Jogos Olímpicos de Verão. É realizada a cada quatro anos, tendo sido sediada pela última vez em 2006 na Alemanha, com a Itália como campeã, ficando a França em segundo lugar, o país organizador a Alemanha em terceiro e Portugal em quarto. Em 2010, terá lugar na África do Sul e, em 2014, o Brasil será o país sede, conforme anúncio da FIFA no dia 30 de novembro de 2007. Desde a Copa do Mundo de 1998 é realizada com 32 equipes participantes.

História

As primeiras competições internacionais

O primeiro amistoso internacional de futebol foi jogado em 1872, entre a Inglaterra e Escócia, num momento em que o esporte era raramente praticado fora da Grã-Bretanha. No final do século XIX o futebol começou a ganhar mais adeptos, e por isso se tornou um esporte de demonstração (sem disputa de medalhas) nos Jogos Olímpicos de Verão de 1900, 1904 e 1906, até se tornar uma competição oficial nos Jogos Olímpicos de Verão de 1908. Esse torneio, organizado pela Football Association, consistia em um evento para jogadores amadores, e na época não foi considerado uma real competição, mas sim um mero espetáculo. A seleção amadora da Inglaterra foi a campeã nas duas edições, 1908 e 1912.
Em 1914, a FIFA reconheceu o torneio olímpico como uma "competição global de futebol amador", tomando para si a responsabilidade em organizá-lo. Com isso, nas Olimpíadas de 1924, houve a primeira disputa de futebol intercontinental, na qual o Uruguai consagrou-se campeão, feito repetido na Olimpíada seguinte. Além destas conquistas, o apelido com que a seleção uruguaia é conhecida até hoje - "Celeste olímpica". Em 28 de Maio de 1928, a FIFA decidiu pela criação de um próprio campeonato mundial, iniciando a partir de 1930. Na seqüência das comemorações do centenário da independência do Uruguai, em 1928, aliada às conquistas olímpicas do futebol daquele país, decidiu-se que a sede da competição seria no país sul-americano.

A primeira Copa do Mundo oficial

O Estádio Centenário, local da primeira final da Copa do Mundo, em 1930, na cidade de Montevidéu, Uruguai.

Só treze seleções participaram da primeira Copa, sete da América do Sul (Uruguai, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Peru), quatro da Europa (Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia) e duas da América do Norte (México e EUA). Muitas seleções européias desistiram da competição devido à longa e cansativa viagem pelo Oceano Atlântico.
As duas primeiras partidas da Copa ocorreram simultaneamente, sendo vencidas pela França e EUA, que venceram o México por 4 a 1 e a Bélgica por 3 a 0, respectivamente. O primeiro gol em Copas do Mundo foi marcado pelo jogador francês Lucien Laurent. A final foi entre o Uruguai e a Argentina, tendo os uruguaios vencido o jogo por 4 a 2, no Estádio Centenário, em Montevidéu, com um público estimado de 93 mil espectadores.
O artilheiro deste torneio foi o argentino Guillermo Stábile.

Crescimento

Globo em forma de bola de futebol em Nuremberg, Alemanha, como propaganda da Copa do Mundo de 2006. O torneio cresceu ao longo do tempo até se tornar a maior competição esportiva do planeta.


Os problemas que atrapalhavam as primeiras edições do torneio eram as dificuldades da época para uma viagem intercontinental. Nas Copas de 1934 e 1938, realizadas na Europa, houve uma pequena participação dos países sul-americanos. Vários deles boicotaram a Copa de 1938 que, de acordo com o rodízio, deveria ser na América. Já as edições de 1942 e 1946 foram canceladas devido à Segunda Guerra Mundial.
A Copa do Mundo de 1950 foi a primeira a ter participantes britânicos. Eles tinham se retirado da FIFA em 1920, por se recusarem a jogar com países que tinham guerreado recentemente e por um protesto da influência estrangeira no futebol, já que o esporte era uma "invenção" britânica e esses países consideravam que o mesmo tinha sido deturpado pelo modo de jogar estrangeiro. Contudo, eles voltariam a ser membros da FIFA em 1946. O torneio também teve a volta da participação do Uruguai, que tinha boicotado as duas edições anteriores.
Nas Copas de 1934 até 1978 havia 16 seleções classificadas para a fase final (exceto nos raros casos onde houve desistência). A maioria era da América Latina e Europa, com uma pequena minoria da África, Ásia e Oceania. Essas seleções normalmente não passavam da primeira fase, sendo facilmente derrotadas (com exceção da Coreia do Norte, que chegou às quartas-de-final em 1966).
A fase final foi expandida para 24 seleções em 1982, e 32 em 1998, permitindo que mais seleções da África, Ásia e América do Norte pudessem participar. Nos últimos anos esses novos participantes têm conseguido se destacar mais, como Camarões chegando as quartas-de-final em 1990, Senegal e EUA passando às quartas-de-final em 2002, ainda com a Coreia do Sul chegando ao quarto lugar na mesma Copa.

Troféu

Troféu da Copa do Mundo FIFA.

De 1930 a 1970 a Taça Jules Rimet era dada aos campeões de cada edição. Inicialmente conhecida como Taça do Mundo ou Coupe du Monde (em francês), foi renomeada em 1946 em homenagem ao presidente da FIFA responsável pela primeira edição do torneio, em 1930. Em 1970, com a terceira vitória da seleção brasileira a mesma ganhou o direito ter a posse permanente da taça. Contudo, ela foi roubada da sede da CBF em dezembro de 1983, e nunca foi encontrada. Acredita-se que os ladrões a tenham derretido.
Depois de 1970 uma nova taça, chamada Troféu da Copa do Mundo FIFA ou FIFA World Cup Trophy (em inglês), foi criada. Diferentemente da Taça Jules Rimet, ela não irá para qualquer seleção, independente do número de títulos. Argentina, Alemanha, Brasil e Itália são os maiores ganhadores dessa nova taça, com dois títulos cada um. Ela só será trocada quando a placa em seu pé estiver totalmente preenchida com os nomes dos campeões de cada edição, o que só ocorrerá em 2038.

Formato

Eliminatórias

Desde a segunda edição do torneio, em 1934, as eliminatórias têm sido feitas para diminuir o tamanho da fase final. Elas são disputadas nas seis zonas continentais da FIFA (África, Ásia, América do Norte e América Central e Caribe, Europa, Oceania e América do Sul) organizadas por suas respectivas confederações. Antes de cada edição do torneio a FIFA decide quantas vagas cada zona continental terá direito, levando em conta fatores como número de seleções e força de cada confederação. O lobby dessas confederações por mais vagas também costuma ser bastante comum.
As eliminatórias podem começar três anos antes da fase final, e duram um pouco mais que dois anos. O formato de cada eliminatória difere de acordo com cada confederação. Normalmente uma ou duas vagas são reservadas para os ganhadores dos play-offs internacionais. Por exemplo, o campeão da eliminatória da Oceania e o quinto colocado da América do Sul disputaram um play-off para decidir quem ficaria com a vaga da fase final. Da Copa de 1938 para cá os campeões de cada edição eram automaticamente classificados para a próxima Copa, sem precisar passar pelas suas eliminatórias. Contudo, a partir da edição de 2006 o campeão é obrigado a se classificar normalmente como qualquer outra seleção. O Brasil, vencedor em 2002, foi o primeiro campeão a ter que disputar uma eliminatória para a Copa seguinte.. Hoje apenas o país sede está automaticamente classificado.

Fase final

A fase final do torneio tem 32 seleções competindo por um mês no país anfitrião. A fase final é dividida em duas fases: a fase de grupos e a fase do mata-mata, ou eliminatória.
Na primeira fase (grupos) as seleções são colocadas em oito grupos de quatro participantes. Oito seleções são a cabeça-de-chave de cada grupo (as seleções consideradas mais fortes) e as outras são sorteadas. Desde 1998 o sorteio é feito com que nunca mais de duas seleções européias e mais que uma seleção da mesma confederação fiquem no mesmo grupo. Na fase de grupos cada seleção joga uma partida contra as seleções de seu grupo, e as duas que mais pontuarem se classificam para a fase do mata-mata. Desde 1994 a vitória numa partida vale três pontos, o empate um e a derrota nenhum. Antes, cada vitória valia dois pontos.
A fase de mata-mata é uma fase de eliminação rápida. Cada seleção joga apenas uma partida em cada estágio da fase (oitavas-de-final, quartas-de-final, semifinal e final) e o vencedor passa para o próxima estágio. Em caso de empate no tempo normal a partida é levada para a prorrogação e se o empate persistir há a disputa de pênaltis. As duas seleções eliminadas da semifinal fazem um jogo antes da final para decidirem o terceiro e quarto lugar.

Escolha das sedes

Nas primeiras edições as sedes eram escolhidas em encontros nos congressos da FIFA. As escolhas eram sempre polêmicas devido a longa viagem da América do Sul à Europa (e vice-versa), as duas grande potências futebolísticas da época (e ainda hoje). A decisão da primeira Copa que aconteceu no Uruguai, por exemplo, levou à participação de apenas quatro seleções da Europa. As duas Copas seguintes foram na Europa. A decisão de sediar a Copa do Mundo de 1938 na França foi outra grande polêmica, já que os países americanos desejavam um sistema rotativo de sedes. Ou seja, uma edição na Europa e a seguinte na América do Sul. Como a Copa de 1934 tinha sido na Itália, a sede da edição de 38 teria que ser teoricamente na América do Sul, o que de fato não ocorreu. Isso fez com que tanto o Uruguai e a Argentina boicotassem o torneio.
Após a Segunda Guerra Mundial para evitar qualquer tipo de boicote ou controvérsia a FIFA adotou o padrão de rotacionar as sedes entre a América e a Europa, que foi usado até a Copa do Mundo de 1998. A edição de 2002, que teve como sede tanto Japão quanto Coreia do Sul foi a primeira sediada fora desses dois continentes. Já a edição de 2010 será a primeira na África, mais precisamente na África do Sul.
Em 30 de Novembro de 2007 foi decidido que a Copa do Mundo de 2014 será no Brasil. As 12 cidades sedes dos jogos foram definidas no dia 31 de maio de 2009, em anúncio oficial da FIFA na cidade de Nassau, capital das Bahamas. São elas: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife/São Lourenço da Mata (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
O sistema de escolha da sede evoluiu ao longo dos tempos, sendo hoje escolhido pela comitê executivo da FIFA, seis anos antes da Copa.

Cobertura dos meios de comunicação

A primeira Copa do Mundo a ser televisionada foi a edição de 54, porém, somente para oito países europeus. Hoje o evento é a competição esportiva mais assistida em todo o mundo, ultrapassando os Jogos Olímpicos. A audiência total da Copa do Mundo de 2002 foi estimada em 2,8 bilhões de telespectadores, sendo que 1,1 bilhões assistiram à partida final. O sorteio, que decidiu a distribuição das seleções nos grupos foi acompanhada por mais de 300 milhões de pessoas.
Cada Copa do Mundo têm como símbolo uma mascote. Willie foi o primeiro, em 1966. As mascotes da Copa do Mundo de 2006 foram Goleo, um leão, e Pille, uma bola de futebol.

Cobertura no Brasil

No Brasil, a Rede Globo e a Rede Bandeirantes já obtiveram os direitos de transmissão da Copa do Mundo FIFA 2010. Na TV por assinatura, os canais como Sportv, ESPN Brasil, e BandSports exibem a Copa. A Rede Bandeirantes já havia transmitido outras edições da competição (1970 - 1978, 1986 - 1998) Também no Brasil, outras emissoras da TV aberta que exibiram o evento foram a Rede Record (1970 - 1978, 1986 e 1998), o SBT (1986 - 1998), a Rede Manchete (1986, 1990 e 1998) e a TV Cultura (1974 - 1982).
A primeira Copa transmitida pela TV foi a de 1954, porém as imagens eram em preto e branco e somente para a Europa. Para o Brasil havia apenas transmissão por rádio. Também somente por rádio foi a transmissão para o Brasil das Copas de 1954, 1958, 1962 e 1966, porém, já havia disponibilidade de filmes (1958) e "video-tapes" (1962) na TV.
A primeira Copa transmitida ao vivo para o Brasil foi a de 1970, em preto e branco. apenas um pequeno grupo seleto assistiu ao vivo a cores. Na Copa de 1974 se iniciou a transmissão de Copas do Mundo a cores para o Brasil.

Fonte: Wikipédia

domingo, 6 de junho de 2010

Paranóia e Ciúme Exagerado

Até a pessoa mais leiga já percebeu que uma das maiores fontes de sofrimento psicológico é a desconfiança perante determinada situação ou pessoa. Seu ápice seria o transtorno mental conhecido como paranóia-a invasão da mente por idéias e pensamentos torturantes; ou ainda delirantes sobre perseguição e ameaça contra a própria pessoa. Este estudo irá se deter essencialmente nos aspectos psíquicos da paranóia, deixando de lado os elementos psiquiátricos da mesma, como por exemplo: etiologia dos delírios paranóicos e estados alucinógenos.

A paranóia é o retorno absoluto de todo o potencial de vingança e ódio que se volta contra o sujeito em questão. Determinado trauma possui a capacidade de subdivisão para pequenas vivências de desprazer ou medo que adquirem extrema importância na mente de uma pessoa. A trajetória da paranóia é o deslocamento do centro para a periferia, fazendo com que esta última tome o lugar absoluto das preocupações do indivíduo. A síntese deste processo é a perda da saúde mental para detalhes que o sujeito não consegue se desvencilhar. Perceber a estreita ligação com o medo é essencial para compreendermos tal moléstia. Inicialmente houve uma experiência negativa, frustrante ou de terror sobre o sujeito. Toda a leitura mental presente e futura se baseará na espera de nova catástrofe em todas as áreas: morte; doença; exclusão ou loucura; pois o paranóico cultua inexoravelmente à volta da perturbação. Uma das conseqüências é o desenvolvimento de um espírito vingativo e bélico a qualquer nova aproximação social ou afetiva. O paranóico desenvolveu um tipo de orgulho e rigidez perante uma perda; antecipar constantemente um medo nada mais é do que o inconformismo sobre uma passagem pretérita.

A paranóia inicialmente é uma defesa contra a inveja. Pensemos naquele tipo clássico presente nas escolas, que alarde para todos que foi muito mal na prova; sendo que mais tarde se descobre que foi o mais bem sucedido. O problema neste exemplo é o cultivo do pessimismo e a constante antecipação de um evento negativo; que mais tarde causarão a impregnação da mente pelo medo, seja real ou não. Claro que o exemplo citado não levará a uma futura paranóia, mas apenas como um pedaço minúsculo de como se começa algo. A "falsa modéstia" é uma tentativa perigosa de anular as potencialidades de determinado indivíduo, para que se sinta pertencente a uma massa homogênea que nunca o critique. Qualquer perturbação que atingiu a mente teve um histórico de cultivo, paralelo às experiências que o sujeito não conseguiu elaborar, como descrito anteriormente. O grande dilema de todas as escolas psicológicas é se conseguem ou não refazer por completo a história psíquica e afetiva da pessoa.

FREUD em seu famoso estudo do caso * "Schreber", concluiu que a paranóia seria a negação e transformação de um desejo homossexual para uma idéia persecutória. Fez também uma relação com o ciúme, onde apontou que uma pessoa presa deste sentimento, apenas projeta ou transfere para o outro seu próprio desejo de traição. Embora a etiologia do ciúme tenha os elementos projetivos elucidados por FREUD, é estranho que o mesmo tenha feito uma associação direta entre paranóia e homossexualismo. Esta fusão seguindo a experiência clínica, apenas acontece em casos extremos de negação do desejo homossexual ou bissexual. ALFRED ADLER dizia que a paranóia estava associada diretamente com o complexo de inferioridade que martirizava o paciente. O fato de se sentir perseguido constantemente seria uma alternativa mental para se julgar importante perante a sociedade; "afinal todos estavam contra ele". Embora tal análise pareça simplista, ADLER acertou quando disse que a paranóia teria a função de preencher alguma coisa. A falência da palavra, da crença ou da razão, nos conduzem para tal percepção. Determinado pensamento negativo irá se instalar quando ocorre um desvirtuamento da sensibilidade. Se o cotidiano tem a função de massificar ou banalizar toda a vida do ser humano, algo terá que restar para ter a função de sensibilizar a pessoa, mesmo que seja no caminho da extrema dor. Se alguém como dizia ADLER passa sua vida almejando o poder e destaque; paralelamente se sentirá depositário das experiências mais dolorosas do meio psíquico e social; pois ao mesmo tempo em que a sociedade reforça a ambição, instala também a culpa por alguém desejar se sobrepor.

Cito como exemplo um sonho de um indivíduo que sofria de paranóia: "Sonhei que estava na minha casa; estava diferente, maior e mais luxuosa; ouvi barulhos como se fossem assaltantes querendo a invadir; notei que a casa tinha vazamentos em quase todos os cômodos; Além disso, na porta de entrada notei um inseto totalmente diferente, que se transformava em algo terrivelmente ameaçador". É incrível a análise desta manifestação onírica. Note-se que o sujeito sonhou com uma casa mais valiosa do que possuía; não tardou para os elementos de culpa e desconfiança invadirem sua mente. Tudo sinalava para um desfecho negativo; problemas estruturais na casa, ameaça de invasão, e insetos se transformando em monstros. Isto demonstra que não irá demorar a pessoa ser aniquilada. A paranóia amplifica a insegurança da perda, jamais permitindo que o sentimento de posse, acompanhado da certeza de sua ética tranqüilize o indivíduo. Clinicamente pacientes paranóicos sofrem de insônia e pesadelos corriqueiramente.

A paranóia espelha nosso dever inconscientemente instalado de desconfiar ou odiar sempre. Ser perseguido apenas é o cume mental de uma cultura política e social que apregoa que jamais teremos amigos ou reais companheiros, mas meros colegas que almejam tomar nosso lugar. A paranóia também não admite nenhum tipo de otimismo, sendo sua função a eterna vigilância perante um provável dano. É impressionante como a medicina e alguns setores da psicologia omitiram no decorrer do tempo a estreita ligação entre paranóia e distúrbios psicosomáticos. Estes, na maioria das vezes não possuem nenhuma causa física, estando associados a uma espécie de intuição da pessoa contra futuras perdas. Observei durante minha experiência clínica diversos casos onde o papel do sintoma é um alerta do corpo perante o apego do paciente e seu caráter gregário, não admitindo nenhuma mudança ou desfecho de perda. O sintoma, nestes casos é a antecipação daquilo que a pessoa teme, mas, que talvez devesse encarar a fundo. Poderia relatar como exemplo, uma dezena de casos de casais na iminência da separação, sendo que os conflitos se transformaram em distúrbios neuro vegetativos, ou em determinados tiques nervosos, que tem como função: revelar o medo perante a intuição da resolução da crise através da perda, como foi observado, causando a distração de determinada situação insolúvel, transferindo para o corpo uma idéia intolerável ou inaceitável, na tentativa de se ganhar tempo sobre um sofrimento que o indivíduo não consegue elaborar. A hipocondria também possui uma estreita ligação com a paranóia; sendo que a pessoa sente que seu corpo é mais do que vulnerável a todo tipo de doenças.

O poder sempre explorou cruelmente a questão da persecutoriedade. Alguém que foi vítima de tortura, ou perseguição política feroz, quebrou a barreira da paranóia enquanto fantasia para se transformar em realidade. Como dizia FREUD na questão sexual, fazendo um paralelo com a paranóia: "uma coisa é o caráter fantasioso do incesto, sendo que determinado indivíduo que foi vítima real do mesmo, não escapará de uma grave neurose". A partir do momento que a desconfiança se torna absoluta realidade, se destrói toda a base egóica de poder pessoal e principalmente da saúde mental da pessoa. Contestar algo é uma rebelião contra imagens arcaicas paternas e maternas*, embora não possamos jamais deixar de crer, que alguém genuinamente deseje melhorar as coisas. A contestação inevitavelmente traz a perseguição e muitas vezes a culpa. A sociedade sabe explorar determinadas fraquezas inconscientes de quem a desafia. A política é uma tentativa adulta (fase genital)*, de ser aceito socialmente e com poder, compensando a carência de reconhecimento perante antigas imagens familiares ou sociais. Como observei acima, não se trata de desacreditar na intenção social de quem quer que seja, mas, apenas aclarar que a política esconde os anseios mais gananciosos e de poder que o ser humano possui, camuflando neuroses e complexos de toda espécie. A paranóia é o transtorno mental mais "politizado" de todos, pois além de sua arena ser um jogo social, o poder dirigido contra a própria pessoa sempre será a tônica.

A paranóia inverte a polaridade das sensações perante determinados acontecimentos; o inesperado ou raro se torna o cotidiano na mente do sujeito, podendo se tornar o imediato. Uma mente onde a catástrofe está presente o tempo todo irá deturpar por completo todo o tipo de relacionamento. O pessimismo ou antecipação constante da perda é também essencialmente a projeção ou retorno mental de uma conduta individualista ou egoísta que o sujeito nutriu no decorrer de sua história de vida. A idéia delirante de persecutoriedade nada mais é do que o caminho psíquico inverso de alguém que se ambientou ou teve prazer com a hostilidade como modelo de vida. Está mais do que ultrapassada a noção de que uma doença mental é algo inesperado que aflige o indivíduo, como um vírus ou bactéria. A mesma é resultante da subjetividade do trato social que o sujeito formou ao longo de suas experiências. O distúrbio mental estará sempre associado ao tempo, no sentido da somatória de crenças e experiências que produzem uma máxima quase que irreversível na psique da pessoa.

A mensagem última da paranóia é que além da perda, a pessoa necessariamente será humilhada e totalmente desnuda em seus aspectos negativos. A agressividade que aumenta a cada instante traz a contrapartida do medo à retaliação. A ansiedade está totalmente presente, obrigando o indivíduo a se preocupar imediatamente com determinado receio histórico; mesclando culpa e raiva perante sua situação de indecisão e insegurança. A ansiedade espelha também a angústia plena pela falta de um reconhecimento social que nos conforte. A idéia religiosa transpassa para a psique do sujeito. Todos crêem num lado pessoal de "divindade", que anseia por ser cultuado pelo outro. A ansiedade patológica ataca exatamente nesse ponto, quando se descobre que até o presente ninguém acreditou ou investiu em nossa necessidade de idolatria. A paranóia detém uma mensagem mais do que cruel dizendo que apenas aquele indivíduo pôde produzir reações agressivas em contato com seu meio; sendo que o ciclo vicioso se instala na junção entre a raiva, medo e certeza da perseguição. Jamais há a clareza do motivo real da perseguição; tudo o que se conclui é que o indivíduo jamais poderá fazer parte de uma convivência harmoniosa entre seus pares. O pessimismo é uma variante menor da paranóia, sendo que a semelhança entre ambas é "a pessoa viver como se estivesse num país hostil e inimigo", como observava ALFRED ADLER.

FREUD sempre sustentou que o ser humano buscava o prazer de todas as formas; a concentração de suas teses na sexualidade são a prova de tal pensamento. Porém, não deixou de se sentir incomodado com determinados distúrbios que talvez contrariassem tal afirmação. O masoquismo e a paranóia se chocavam com determinada assertiva, pois eram distúrbios neuróticos totalmente associados a dor, contrariando a tese descrita por ele. Então o mesmo elaborou o conceito do "INSTINTO DE MORTE"; algo inerente à natureza humana que teria a função do retorno ao inanimado. Muitos críticos de sua obra até os dias de hoje contestam tal conclusão, pois não vêem nenhuma base científica ou psíquica para esta afirmativa. O fato que talvez muitos se esqueçam é sobre a transitoriedade de todas as experiências da vida. Tanto o paranóico, ciumento ou masoquista, jamais terá a certeza da posse de algo. Como resposta a esta angústia dilacerante desenvolvem um constante conceito e certeza do sofrimento inevitável, no sentido de degradarem o objeto de prazer, pois, como o temor da perda é insuportável, o sofrimento diário lhes daria algum alívio de como lidar com o fim de suas expectativas ou desejos. Evitando o choque e luto de uma perda astronômica, ensaiam lidar com a morte em doses homeopáticas, que infelizmente se tornam agudas. A paranóia é a persistência de se colocar todos os "holofotes" sociais em cima de determinado sofrimento individual.

O delírio ou manifestação extrema do ciúme se insere no contexto da desconfiança e paranóia. Como disse antes, a psicanálise de FREUD considerava o mesmo uma projeção dos anseios reprimidos de determinada pessoa, desconfiando intensamente do parceiro, a fim de não ter de lidar com seus próprios impulsos ou desejos de traição sexual. O hiato acerca desta tese é que o ciúme revela uma grande soma de inveja e competição. A idéia de que o outro consiga mais prazer ou destaque em determinada área da vida, se torna o ponto central de ódio e desespero. O ciúme é uma representação da futura derrota num processo de competição afetiva e sexual; que na verdade ocorre todos os dias nos diferentes setores da sociedade. A dor e angústia ocorrem por esta competição se dirigir plenamente ao ego do indivíduo; ao contrário de outros setores sociais onde a pessoa poderá racionalizar a perda perante a enorme concorrência. O ciúme é doloroso exatamente por este fato, a disputa é apenas com uma ou poucas pessoas e situações, se evidenciando todo o complexo de inferioridade do sujeito. O ciúme coloca alguns pontos de interrogação do tipo: a experiência do prazer é uma ilusão, perante o tormento diário vivenciado? Será que para determinada pessoa ocorre uma proibição do gozo, após ter encontrado o parceiro ideal? A angústia sobre perdas que jamais teremos controle?

Em síntese o ciúme é a mais pura manifestação invejosa de uma imagem supostamente de perfeição que o outro nos passa cotidianamente; também é a necessidade quase que absoluta do conflito em detrimento de uma parceria de crescimento.O ciumento sempre irá lidar com a horrenda conclusão de que sua insegurança é devido ao fato de que seu objeto amoroso foi conquistado por pura sorte; estando inferior em vários pontos perante o parceiro: beleza, sedução, inteligência e carisma dentre outros. Será que a experiência da paixão profunda só ocorre com alguém que sentimos ser superior ou nos desafia? O ciúme é a descoberta mais do que cruel que teremos de pagar uma conta altíssima pelo depósito de nossas fantasias no outro. A verdade é que o ciúme espelha a idéia difundida pelo sistema econômico de que o "valioso" é praticamente inacessível ao homem comum; sendo que quem deseja algo que supostamente é especial terá de lidar infinitamente com a desconfiança e medo do "roubo".

Lendo todos os conceitos colocados se abre a reflexão inexorável sobre o que é o respeito dentro de um relacionamento. A paranóia com toda a certeza é a antítese do mesmo, tanto para a pessoa, quanto para sua relação. A paranóia é o total depósito mental do passado na atualidade dos relacionamentos; sendo uma experiência íntima de caráter essencialmente destrutivo; tendo como intuito à chamada da atenção maciça sobre a pessoa. ADLER também observou o caráter de pessoa mimada no distúrbio da paranóia; pois o sujeito apela para todos os demônios que a mente pode criar a fim de obter uma posição de destaque e primazia em relação aos problemas da coletividade onde se insere. A luta do paranóico objetiva sugar toda a energia circundante para a chamada da atenção perante sua falha de caráter que jamais poderá ser suprida: sentimento de desamparo e abandono. O paranóico desde cedo nutriu a sensação de ser o "último da fila" em todas as situações.

Apenas gostaria de ressaltar a contradição que o paranóico carrega em relação à problemática social da solidão. Se esta última talvez seja o fator de maior tormento de nossa atualidade, como pode uma pessoa sistematicamente afastar todos os seus contatos interpessoais? A resposta é uma tanto simples e clara; o paranóico almeja colecionar e se vangloriar de todas as injustiças supostamente sofridas ao longo de suas conturbadas e complicadas relações que estabeleceu, não que neguemos que o mesmo tenha sofrido ou sido explorado durante sua história pessoal, mas, o fato central é a vigilância exacerbada perante uma nova possibilidade de angústia ou frustração. O mesmo escolhe revirar constantemente a escória do sentimento humano, talvez para provocar uma sensação de destaque às avessas. O embrião da personalidade autocrática é a fuga extrema não apenas da crítica, mas, do efeito global que a mesma acarreta em seu complexo de inferioridade, que sempre está disposto a avançar em todos os setores da vida da pessoa.

A paranóia não deixa de ser também uma espécie de contra imagem da fama, nesta, a pessoa será perseguida por ser um modelo de prazer coletivo; já na paranóia todo o assédio é produto da auto crítica, ódio e medo de várias situações reais ou não vivenciadas pela pessoa, seja interna ou externamente. Se pensarmos em termos de relação econômica e social poderemos fazer um paralelo com a questão da paranóia ou desconfiança. É doloroso o fato de se possuir ou vivenciar algo que não possa ser desfrutado; o dispêndio de energia com a desconfiança e medo tomam por completo a real consecução do prazer. O desejo de consumo possui o mesmo mecanismo, tornando a pessoa eternamente insatisfeita e a procura de novos objetos, assim que acabou de consumir algo que achava que era seu desejo. A paranóia se alia a eterna sensação de dívida, pois o indivíduo acometido de tal distúrbio não almeja pagar os tributos da vida para a consecução de sua saúde mental, que em síntese seria usufruir plenamente do que se têm: troca afetiva e sexual; econômica e social.

Infelizmente nunca fomos educados para a troca de sentimentos. Cada ser humano possui uma espécie de "identificador pessoal de desejos", que lhe dá um sentido e orientação na dura tarefa de viver. Porém, parece que algumas pessoas estão com o mesmo quebrado, caindo no desespero profundo, tentando tomar anseios alheios ou coletivos criados pela sociedade como seus referenciais íntimos. A inveja como frisei acima é uma companheira inseparável da paranóia, pois tudo que não emana de uma profunda reflexão e certeza pessoal irá acarretar dor e sofrimento. A amargura e ansiedade que corroem o homem moderno têm sua gênese na falta de uma base sólida de valores reais. "Correr sem saber para onde", "desejar o que não temos certeza de que nos agrade", "sentir ciúmes de algo falido por puro desejo de posse", são os atributos da psique coletiva doente. Compete a cada um a tentativa de se conhecer, caso não deseje caminhar para o abismo ou cegueira social; enfim, perceber como dizia ADLER: "Quem não está pronto para dividir, não está apto a ter ou ser".

*FREUD acreditava que o impulso da agressividade é herdeiro diretamente do complexo de Édipo mal resolvido; sendo que a criança não se conformava jamais de perder a posse sobre um dos genitores em função do matrimônio. Esse sentimento seria transformado em rebelião e contestação na fase adulta.

*A fase genital é o período onde a pessoa está apta a usar a sexualidade no sentido pleno do prazer e amor. É a última transição da puberdade para a fase adulta. 

Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo
 
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