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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Choro (Definição dentro da Psicologia)


"Chorar compulsivamente é uma tentativa inesgotável da fixação na mais profunda dependência emocional, desejando a regressão a uma etapa infantil da vida, a fim de se obter todo o afeto negado, se travando um duelo entre a carência emocional que clama por toda a atenção, juntamente com as tarefas afetivas da pessoa no atual momento de sua vida, que infelizmente se recusa a realizar. A mensagem é clara: não há pressa no crescimento e amadurecimento, apenas um protesto infindável pelo não reconhecimento de sua pessoa por parte principalmente de seus pais, ou ainda um velório interminável de suas pendências passadas, reclamando toda à atenção do meio para seu imenso sofrimento, priorizando a autocomiseração e desamparo. "ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO".

Outro tema desprezado pela psicologia ao longo de sua história se refere à questão dos elementos psicológicos do choro. É interessante como uma reação fisiológica e psíquica, presente em quase todos os distúrbios comportamentais e de personalidade, não mereceu a atenção devida no decorrer dos trabalhos psicológicos apresentados. O choro é inicialmente a mais pura admissão de um processo de tristeza ou consternação, sendo que com o mesmo, a pessoa desiste do hábito arraigado em nossa cultura da dissimulação e constante tentativa de mostrar que se é forte do ponto de vista pessoal perante seus semelhantes. O choro mostra a maneira mais límpida de como revelamos nosso íntimo para os outros, e se há um sentido positivo com esta atitude. É exatamente neste ponto, que devemos tratar o choro como um fator selecionador, tentando o separar de fatores neuróticos envolvidos em tal descarga afetiva.

Chorar compulsivamente é uma tentativa inesgotável da fixação na mais profunda dependência emocional, desejando a regressão a uma etapa infantil da vida, a fim de se obter todo o afeto negado, se travando um duelo entre a carência emocional que clama por toda a atenção, juntamente com as tarefas afetivas da pessoa no atual momento de sua vida, que infelizmente se recusa a realizar. A mensagem é clara: não há pressa no crescimento e amadurecimento, apenas um protesto infindável pelo não reconhecimento de sua pessoa por parte principalmente de seus pais, ou ainda um velório interminável de suas pendências passadas, reclamando toda à atenção do meio para seu imenso sofrimento, priorizando a autocomiseração e desamparo.

Para este tipo de personalidade que eleva o choro a categoria de um deus, a sua felicidade pessoal é a eterna esperança de receber aquilo que jamais pode usufruir, sendo que acaba não percebendo que o amor ou afeto sempre será algo atual, pois do contrário, o tédio e revolta inundam por completo o arcabouço emotivo da pessoa, caso a mesma se fixe quase que em absoluto nas imagens passadas. A pergunta básica é: O que fazer para determinada pessoa que vive rodeada de fantasmas passados possa retomar concretamente sua afetividade? Como eliminar seu implacável julgamento negativo? Em outros trabalhos, sempre realcei que a neurose em determinado momento se transforma numa espécie de "entidade" à parte, tomando por completo a personalidade do indivíduo. É algo quase que inesgotável do ponto de vista energético. Um exemplo disto é a patologia da anorexia nervosa, onde a pessoa nunca terá a certeza de estar em conformidade com os padrões estéticos impostos não apenas pelo social, mas por si própria, definhando por completo para que receba um elogio tão distante para sua autoestima. A atenção pessoal no caso em questão, assim como no choro compulsivo, está voltada para o universo masoquista, forçando o meio ambiente no reforço desta conduta neurotizada, pois se acostumou a obter atenção emocional apenas desta forma. O problema maior não é apenas a perda do orgulho pessoal, mas a ausência da percepção de que a forma de nutrição emocional que utiliza é um emaranhado neurótico, pois acaba sempre envolvendo pessoas muito mais debilitadas que o próprio sujeito imbuído do complexo do choro, sendo que o gozo das mesmas é o testemunho constante do sofrimento alheio

O choro conduz fielmente ao ponto central da depressão e tristeza, ou apenas é uma fuga da ansiedade, ou das experiências dolorosas de abandono e esquecimento do sujeito perante o meio social? Se diariamente notamos uma total insensibilidade do meio que nos cerca, não será esta representação psíquica uma espécie de último apelo para que outros desenvolvam algum afeto para com a pessoa? Parece que esta energia afetiva estacionária é como um último forte na defesa dos cuidados emocionais que a pessoa sentiu nunca ter recebido, sendo que a demonstração é sempre o apelo e a representação do sofrimento. Outra pergunta que se faz necessária é: Que experiências emocionais desejamos vivenciar? Dor, angústia, sofrimento, ou busca pelo prazer? Obviamente quando não temos um sólido projeto emotivo, as experiências passadas de frustração preencherão todos os espaços. O tão propalado conceito de "inteligência emocional", nada mais é do que a escolha da pessoa sobre qual tipo de afetividade deseja vivenciar corriqueiramente: prazer ou exploração das imagens inacabadas de tormento e dor.

Na nossa sociedade atual de narcisismo, competição e culto à superioridade pessoal, não deixa de ser curiosa à fixação do choro na tentativa da conquista de benefícios afetivos. Seria um processo inverso perante as expectativas de perfeição exigidas? A resposta é negativa, pois o processo do choro compulsivo é apenas a contraparte do esforço neurótico que todos fazem para obter uma posição de destaque e primazia perante o meio, sendo que o choro é uma espécie de "arranjo psíquico", para que a pessoa não passe diretamente pela situação da prova, como dizia o psicólogo ALFRED ADLER. A prova, para o mesmo é a aceitação e confirmação da comunidade perante o talento e importância individual do sujeito, e se o mesmo sofre de um complexo de inferioridade ou impotência social irá remanejar sua criatividade e potencial para uma descarga afetiva interminável, adiando eternamente a exposição de seus conteúdos íntimos perante o social.O choro é a antecipação mórbida da crítica intolerável que a pessoa sente que jamais conseguirá digerir. É fundamental a vivência terapêutica no intuito do paciente perceber que a prova de sua sensilibidade emotiva está direcionada contra o mesmo, sendo que deverá aprender a usar sua energia disponível em atividades criativas e prazerosas, evitando o represamento afetivo gerado pela angústia e frustração diante de seu passado de carência.

"Temer qualquer contato ou ajuda profissional, é viver numa espécie de culto ao sofrimento". 
  
Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Família

ANTE A FAMÍLIA MAIOR
Se podes transportar as dificuldades que te afligem num corpo robusto e razoavelmente nutrido, reflete naqueles nossos irmãos da família maior que a penúria vergasta.
Diante deles, não permitas que considerações de natureza inferior te cerrem as portas do sentimento.
Se algo possuis para dar, não atrases a obra do bem e nem te baseies nas aparências para sonegar-lhes cooperação.
Aceitemo-los como sendo tutores paternais ou filhos inesquecíveis largados no mar alto da experiência terrestre e que a maré da provação nos devolve, qual se fôssemos para eles o cais da esperança.
Muitos chegam agressivos; entretanto, não julgues sejam eles especuladores da violência. Impacientaram-se na expectativa de um socorro que se lhes afigurava impossível e deixaram que a desesperação os enceguecesse. 
Outros se apresentam marcados por hábitos lastimáveis; todavia, não admitas estejam na posição de escravos irresgatáveis do vício. Atravessaram longas trilhas de sombra, e, desenganados quanto à chegada de alguém que lhes fizesse luz no caminho, tombaram desprevenidos nos precipícios da margem.
Surpreendemos os que aparecem exteriormente bem-postos e aqueles que dão a idéia, de criaturas destituídas de qualquer noção de higiene, mas não creias, por isso, vivam acomodados à impostura e ao relaxamento. Um a um, carregam desdita e enfermidade, tristeza e desilusão.
Não duvidamos de que existam, em alguns raros deles, orgulho e sovinice; no entanto, isso nunca sucede no tamanho e na extensão da avareza e da vaidade que se ocultam em nós, os companheiros indicados a estender-lhes as mãos.
Se rogam auxílio, não poderiam ostentar maior credencial de necessidade que a dor de pedir. 
Sobretudo, convém acrescentar que nenhum deles espera possamos resolver-lhes todos os problemas cruciais do destino. Solicitam somente essa ou aquela migalha de amor, à feição do peregrino sedento que suplica um copo dágua para ganhar energia e seguir adiante.
Esse pede uma frase de bênção, aquele um sorriso de apoio, outro mendiga um gesto de brandura ou um pedaço de pão ...
Abençoa-os e faze, em favor deles, quanto possas, sem te esqueceres de que o Eterno Amigo nos segue os passos, em divino silêncio, após haver dito a cada um de nós, na acústica dos séculos:
-"EM VERDADE, TUDO AQUILO QUE FIZERDES AO MENOR DOS PEQUENINOS É A MIM QUE O FIZESTES"

EMMANUEL/ANDRÉ LUIZ

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Necessidade de Evolução

As tendências que promanam do passado em forma de inclinações e desejos, se transformam em hábitos salutares ou prejudiciais quando não encontram a vigilância e os mecanismos da educação pautando os métodos de disciplina e correção.
Sob a impulsão do atavismo que se prende nas faixas primevas, das quais a longo esforço o Espírito empreende a marcha da libertação, os impulsos violentos e as comodidades que não se interessam pelos esforços de aprimoramento moral amolentam a individualidade, ressurgindo como falhas graves da personalidade.
As constrições da vida, que se manifestam de vária forma, conduzem o aspirante evolutivo à trilha correta por onde, seguindo-a, mais fácil se lhe torna o acesso aos objetivos a que se destina.
Nesse desiderato, a educação exerce um papel preponderante, porque faculta os meios para uma melhor identificação de valores e seleção deles, lapidando as arestas embrutecidas do eu, desenvolvendo as aptidões em germe e guiando com segurança, mediante os processos de fixação e aprendizagem, que formam o caráter, insculpindo-se por fim, na individualidade e externando-se como ações relevantes.
Remanescente do instinto em que se demorou por longos períodos de experiência e ainda mergulhado nas suas induções, o Espírito cresce, desembaraçando-se das teias de vigorosos impulsos em que se enreda para a conquista das aptidões com que se desenvolve.
Pessoa alguma consegue imunizar-se aos ditames da educação, boa ou má, conforme o meio social em que se encontra. Se não ouve a articulação oral da palavra, dispõe dos órgãos, porém, não fala; se não vê atitudes que facilitam a locomoção, a aquisição dos recursos para a sobrevivência, consegue, por instinnto, a mobilização com dificuldade e o alimento sem o cocção; tende a retornar às experiências primitivas se não é socorrido pelos recursos preciosos da civilização, porque nele predominam, ainda, as imposições da natureza animal. Possui os reflexos, no entanto, não os sabe aplicar; desfruta da inteligência e, por falta de uso, já que se demora nas necessidades imediatas, não a desenvolve; frui das acuidades da razão e do discernimento, entretanto, se embrutece por ausência de exercícios que os aprofunde. Nele não passam de lampejos as manifestações espirituais superiores, se arrojado ao isolacionismo ou relegado às faixas em que se detém os principiantes nas aquisições superiores ...
Muito importante a missão da educação como a ciência e arte da vida.
Encontrando-se ínsitas no Espírito as tendências, compete à educação a tarefa de desenvolver as que se apresentam positivas e corrigir as inclinações que induzem à queda moral, à repetição dos erros e das manifestações mais vis, que as conquistas da razão ensinaram a superar.
A própria vida facultou ao Espírito, em longos milênios de observação, averiguar o que é de melhor ou pior para si mesmo, auxiliando-o no estabelecimento de um quadro de valores, de que se pode utilizar para a tranquilidade interior. Trazendo, do intervalo que medeia entre uma e outra reencarnação, reminscências, embora inconvenientes, do que haja sucedido, elege os recursos com que se pode realizar melhormente, ao mesmo tempo impedindo-se deslizes e quedas nos subterrâneos da aflição. Outrossim, inspirado pelos Espíritos promotores do progresso no mundo, assimila as idéias envolventes e confortadoras, entregando-se ao labor do auto-aprimoramento.
O rio corre e cresce conforme as condições do leito.
A plântula se esqueira e segue a direção da luz.
A obra se levanta consoante o desejo do autor.
Em tudo e toda parte, predominam leis sutis e imperiosas que estabelecem o como, o quando e o onde devem ocorrer as determinações divinas. Rebelar-se contra elas é o mesmo que atrasar-se na dor, espontaneamente contribuindo duplamente para a realização que conquistaria com um só esforço.
A tarefa da educação deve começar de dentro para fora e não somente nos comportamentos da moral social, da aparência, produzindo efeitos poderosos, de profundidade.
Enquanto o homem não pensar com eqüidade e nobreza, os seus atos se assentarão em bases falsas, se deseja estruturá-los nos superiores valores éticos, porquanto se tornam de pequena monta e de fraca duração. Somente pensando com correção, pode organizar programas comportamentais superiores aos quais se submete consciente, prazerosamente.
Não aspirando à paz e à felicidade por ignorar-lhes o de que se constituem, impraticável lecionar-lhes sobre tais valores. Só, então, mediante o paralelismo da luz e da treva, da saúde e da enfermidade, da alegria e da tristeza poder-se-ão ministrar-lhe as vantagens das primeiras em relação às segundas...
Longo tempo transcorre para que os serviços de educação se façam visíveis, e difícil trabalho se impõe, particularmente, quando o mister não se restringe ao verniz social, à transmissão de conhecimentos, às atitudes formais, sem a integração nos deveres conscientemente aceitos.
Por educar, entenda-se, também a técnica de disciplinar o pensamento e a vontade, a fim de o educando penetrar-se de realizações que desdobrem as inatas manifestações da natureza animal, adormecidas, dilatando o campo íntimo para as conquistas mais nobres do sentimento e da psique.
Nas diversas faixas etárias da aprendizagern humana, em que o ser aprende, apreende e compreende a educação produz os seus efeitos especiais, porquanto, através dos processos persuasivos, libera o ser das condições precárias, armando-o de recursos que resultam em benefícios que não pode ignorar.
A reencarnação, sem dúvida, é valioso método educativo de que se utiliza a vida, a fim de propiar os meios de crescimento, desenvolvimento de aptidões e sabedoria ao Espírito que engatinha no rumo da sua finalidade grandiosa.
Como criatura nenhuma se realiza em isolacionismo, a sociedade se torna, como a própria pessoa, educadora por excelência, em razão de propiciar exemplos que se fazem automaticamente imitados, impregnando aqueles que sofrem a influência imediata ou mediatamente. No contexto da convivência, pelo instinto da imitação, absorvem-se os comportamentos, as atitudes e as reações, aspirando-se a psicosfera ambiente, que produz, também sua quota importante, no desempenho das realizações individuais e coletivas.
Como se assevera, com reservas, que o homem é fruto do meio onde vive, convém se não esquecer de que o homem é o elemento formador do meio, competindo-lhe modificar as estruturas do ambiente em que vive e elaborar fatores atraentes e favoráveis onde se encontre colocado a viver. Não sendo infenso aos contágios sociais, não é, igualmente, inerme a eles, senão quando lhe compraz, desde que reage aos fatores dignificantes a que não está acostumado, se não deseja a estes ajustar-se.
Alem ensino puro e simples dos valores pedagógicos, a educação deve esclarecer os benefícios que resultam da aprendizagem, da fixação dos seus implementos culturais, morais e espirituais. Por isso, e sobretudo, a tarefa da educação há que ser moralizadora, a fim de promover o homem não apenas no meio social, antes preparando-o para a sociedade essencial, que é aquela preexistente ao berço donde ele veio e sobrevivente ao túmulo para onde se dirige.
Nesse sentido, o Evangelho é, quiçá, dos mais respeitáveis repositórios metodológicos de educação e da maior expressão de filosofia educacional, Não se limitando os seus ensinos a um breve período da vida e sim prevendo-lhe a totalidade, propõe uma dieta comportamental sem os pieguisos nem os rigores exagerados que defluem do proprio conteúdo do ensino.
Não raro, os Textos evangélicos propõem a conduta e elucidam o porquê da propositura, seus efeitos, suas razões. Em voz imperativa, suas advertências culminam em consolação, conforto, que expressam os objetivos que todos colimam.
- "Vinde a mim". - assentiu Jesus, -porque eu "Sou o Caminho a Verdade e a Vida", não delegando a outrem a tarefa de viver o ensino, mas a si mesmo se impondo o impostergável dever de testemunhar a excelência das lições por meio de comprovados feitos.
Sintetizou em todos os passos e ensinamentos a função dupla de Mestre - educador e pedagogo -, aquele que permeia pelo comportamento, dando vitalidade a técnica de que se utiliza, na mais eficiente metodologia, que é o da vivência.
Quando os mecanismos da educação falecem, não permanece o aprendiz da vida sem e concurso da evolução, que lhe surge como dispositivo de dor, emulando-o ao crescimento com que se libertara da situação conflitante, afligente, corrigindo-o e facultando-lhe adquirir as experiências mais elevadas.
A dor, em qualquer situação, jamais funciona como punição, porquanto sua finalidade não é punitiva, porém educativa, corretora. Qualquer esforço impõe contributo do sacrifício, da vontade disciplinada e não, que se exterioriza em forma de sofrimento, mal estar, desagrado, porque o aprendiz, simplesmente se recusa a considerar de maneira diversa a contribuição que deve expender a benefício próprio.
Nenhuma conquista pode ser lograda sem o correspondente trabalho que a torna valiosa ou inexpressiva. Quando se recebem títulos ou moedas, rendas ou posição sem a experiência árdua de consegui-los, estes empalidecem, não raro, convertendo-se em algemas pesadas, estímulos à indolência, convites ao prazer exacerbado, situações arbitrárias pelo abuso da fortuna e do poder.
Imprescindíveis em qualquer cometimento, portanto, o exame da situação e a avaliação das possibilidades pessoais.
Sendo a Terra a abençoada escola das almas, é indispensável que aqui mesmo se lapidem as arestas da personalidade, se corrijam os desajustamentos, se exercitem os dispositivos do dever e se predisponham os Espíritos ao superior crescimento, de modo a serem superadas as paixões perturbadoras que impelem para baixo, ao invés daquelas ardentes pelos ideais libertadores, que acionam e conduzem para cima.
Os hábitos que se arraigam no corpo, procedentes do Espírito com lampejos e condicionamentos retornam e se fixam como necessidades, sejam de qual expressão for, constituindo uma outra natureza nos refolhos do ser, a responder como liberdade ou escravidão, de acordo com a qualidade intrínseca de que se constituem.
A morte, desvestindo a alma das roupas carnais, não lhe produz um expurgo das qualidades íntimas, antes lhe impõe maior necessidade de exteriorizá-las, liberando forças que levam a processos de vinculações com outras que lhes sejam equivalentes. Na Terra, isto funciona em forma de complexos mecanismos de simpatia e antipatia, em afinidades que, no além-túmulo, porque sincronizam na mesma faixa de aspiração e se movimentam na esfera de especificidade vibratória, reúnem os que se identificam no clima mental de hábitos e aptidões que lhes são próprios.
Nunca se deve transferir para mais tarde o mister de educar-se, corrigir-se ou educar e corrigir. O que agora não se faça, neste particular, ressurgirá complicado, em posição diversa, com agravantes de mais difícil remoção.
Pedagogos eminentes, os Espíritos Superiores ensinam as regras de bom comportamento aos homens, como educadores que exemplificam depois de haverem passado pelas mesmas faixas de sombra, ignorância e dor, de que já se libertaram.
Imperioso, portanto, conforme propôs Jesus, que se faça a paz com o "adversário enquanto se está no caminho com ele", de vez que; amanhã, talvez seje muito tarde e bem mais difícil alcançá-lo.
O mesmo axioma, se pode aplicar à tarefa da educação: agora, enquanto é possível, moldar-se o eu; antes que os hábitos e as acomodações perniciosas impeçam a tomada de posição, que é o passo inicial para o deslanchar sem reversão.
Educação, pois da mente, do corpo, da alma, como processo de adaptação aos superiores degraus da vida espiritual para onde se segue.
A educação, disciplinando e enriquecendo de preciosos recursos o ser, alça-o à vida, tranqüilo e ditoso, sem ligações com as regiões inferiores donde procede. Fascinado pelo tropismo da verdade que é sabedoria e amor, após as injunções iniciais, mais fácil se lhe torna ascender, adquirir a felicidade. 

Joana de Ângelis

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Vida em Família

Os filhos não são cópias xerox dos pais, que apenas produzem o corpo, graças aos mecanismos do atavismo biológico.
As heranças e parecenças físicas são decorrências dos gametas; no entanto, o caráter, a inteligência e o sentimento procedem do Espírito que se corporifica pela reencarnação, sem maior dependência dos vínculos genéticos com os progenitores.
Atados por compromissos anteriores, retornam ao lar, não somente aqueles seres a quem se ama, senão aqueloutros a quem se deve ou que estão com dívidas ...
Cobradores empedernidos surgem na forma fisiológica, renteando com o devedor, utilizando-se do processo superior das Leis de Deus para o reajuste de contas, no qual, não poucas vezes, se complicam as situações, por indisposições dos consortes ...
Adversários reaparecem como membros da família para receber amor, no entanto, na batalha das afinidades padecem campanhas de perseguição inconsciente, experimentando o pesado ônus da antipatia e da animosidade.
A família é, antes de tudo, um laboratório de experiências reparadoras, na qual a felicidade e a dor se alternam, programando a paz futura.
Nem é o grupo da bênção, nem o élan da desdita. Antes, é a escola de aprendizagem e redenção futura.
Irmãos que se amam, ou se detestam, pais que se digladiam no proscênio doméstico, genitores que destacam uns filhos em detrimento dos outros, ou filhos que agridem ou amparam pais, são Espíritos em processo de evolução, retornando ao palco da vida física para a encenação da peça em que fracassaram, no passado.
A vida é incessante, e a família carnal são experiências transitórias em programação que objetiva a família universal.
Abençoa, desse modo, com a paciência e o perdão, o filho ingrato e calceta.
Compreende com ternura o genitor atormentado que te não corresponde às aspirações.
Desculpa o esposo irresponsável ou a companheira leviana, perseverando ao seu lado, mesmo que o ser a quem te vinculas queira ir-se adiante.
Não o retenhas com amarras de ódio ou de ressentimento. Irá além, sim, no entanto, prossegue tu, fiel no posto e amando ...
Não te creias responsável direto na provação que te abate ante o filho limitado física ou mentalmente.
Tu e ele sois comprometidos perante os códigos Divinos pelo pretérito espiritual.
O teu corpo lhe ofereceu os elementos com que se apresenta, porém foi ele, o ser espiritual, quem modelou a roupagem na qual comparece para o compromisso libertador.
Ante o filhinho deficiente não te inculpes. Ama-o mais e completa-lhe as limitações com os teus recursos, preenchendo os vazios que ele experimenta.
Suas carências são abençoados mecanismos de crescimento eterno.
Faze por ele, hoje, o que descuidaste antes.
A vida em família é oportunidade sublime que não deve ser descuidada ou malbaratada.
Com muita propriedade e irretorquível sabedoria, afirmou Jesus, ao doutor da Lei:
"Ninguém entrará no Reino dos Céus se não nascer de novo."
E a Doutrina Espírita estabelece com segurança:
"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre - tal é a lei. Fora da caridade não há salvação." 

Joanna de Ângelis

domingo, 17 de janeiro de 2010

Mensagem aos Sofredores

Guardas a impressão de que teu sofrimento é interminável, que padeces mais, muito mais, do que os outros irmãos.
Choras e, tuas lágrimas ardentes, atestam o grau de tua sensibilidade, conduzindo-te, por certo, a novas enfermidades pelo agravo de teu sistema nervoso.
Estás inclinado até mesmo ao suicídio, num completo desrespeito às leis divinas, como se fosses o dono, o artífice de teu casulo terrestre.
Imaginas o modo de morte rápida para não causar pavor àqueles que te cercam de cuidados, e destemeroso caminhas, aflito, sob o guante de tuas provas para o ajuste de maiores sofrimentos.
Detém, agora, o teu pensamento, um instante conosco. Deixa que o poder divino da razão que existe em ti se eleve acima do mundo. Viaja conosco pelos espaços intérminos da grande Casa Universal. Contempla o poder do Pai, Pai magnânimo e justo, carinhoso e amigo.
O sofrimento atual apenas burila o diamante para que resplandeça em todo o seu brilho a formosa pedra. Levanta o pensamento às alturas que não podes atingir. Tudo é paz, alegria em torno do teu coração.
Requer agora de teu espírito um esforço maior; idealiza a tua vida quando tiveres vencido a prova árdua deste instante. Um instante apenas é a vida terrestre. Um minuto, em que o colegial prova a sua capacidade de elevação e aproveitamento.
Sê fiel aos princípios da dignidade humana e respeitoso para com teu eu espiritual. Não tentes fugir pela porta mais larga e cômoda. Procura, antes, o Evangelho do Senhor e ali encontrarás o consolo, o bálsamo para tua aflição.
Por que não te dedicas às tarefas assistenciais junto aos irmãos necessitados? Olha ao teu lado quantas almas caminham mendigando compreensão e consolo. Por que não te deténs um pouco junto aos casebres paupérrimos, e não abraças os filhos de ninguém, que sorriem, na sua doce ingenuidade para o mundo de sofrimento que os espera?
Por que não mitigas a sede de carinho daquele velhinho que ontem te buscou às portas do lar? Não sentes o hálito de Deus sobrepairando sobre todas as coisas e o olhar Divino a te contemplar, confiante? Poderás vencer, se quiseres. Basta voltar os olhos para baixo e para o lado, à esquerda e à direita, para o alto e verás, em toda parte, o sofrimento tangível e amargurante.
Não estás só na grande provação da vida ! Todos sofrem e todos se redimem. Avança, pois, vencendo dificuldades, e agasalhando Jesus no coração, respondendo a sua confiança, trabalhando com amor e dedicação em teu próprio benefício.
Caminha, meu amigo, e terás ânimo renovado, e dos céus, bênçãos, sem conta, continuarão a te beijar a fronte de irmão feliz. Que o senhor te conceda luzes e renove tuas energias.

BEZERRA DE MENEZES

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Viverás para Sempre

Meditando na morte, honra, servindo, a estância carnal em que te hospedas por algum tempo.
Nela, descobrirás com freqüência os que fazem ironia em torno da fé; os que se referem à virtude como sendo uma farsa; os que falam de corrida ao poder, calcando aos pés o coração dos semelhantes; os que zombam da lealdade e os que improvisam redutos de fantasioso prazer, argamassando-os com o pranto das viúvas e dos órfãos.
Não te padronizes pelo figurino moral que apresentam, porquanto, qual acontece contigo, ainda que não queiram, permanecem de viagem na Terra, e cada um prestará contas de si próprio no momento oportuno.
Se a semente conseguisse ouvir-nos acerca da valiosa tarefa de que se incumbirá na alimentação do povo, quando estiver convertida em árvore, talvez nos recusasse os vaticínios, e se a lagarta pudesse escutar-nos sobre a futura condição que a espera, dentro da qual volitará no espaço com asas de borboleta, provavelmente nos interpretaria por loucos.
Não te molestem, assim, as considerações pueris dos irmãos nossos que procuram transformar a vida terrena em floresta de impulsos selvagens, gastando a existência em caça e pesca de emoções inferiores .
Persiste na reta consciência e faze o teu melhor. Dos Planos Superiores, os amigos que te antecederam na Pátria Espiritual acompanham-te os triunfos ignorados pelos homens e abençoam-te o suor da paciência nas lutas necessárias; encorajam-te na causa do amor puro e sustentam-te as energias para que as tuas esperanças não desfaleçam.
Comungam-te as alegrias e as dores, ensinando-te a semear a felicidade nos outros, para que recolhas a felicidade maior; se tropeças, estendem-te os braços e, se choras, enxugam-te as lágrimas; sobretudo, esperam-te, confiantes, quando termines a tarefa, para te abraçarem, afetuosos, com a alegria de quem recebe um companheiro querido, de volta ao lar.
Persevera no bem, sabendo que viverás para sempre.
E, se te sentires sozinho na fé, lembra-te de Jesus. Um dia, ele esteve abandonado e crucificado no alto de uma colina, contemplando amigos desertores e algozes gratuitos, beneficiários ingratos e adversários inconscientes...
Na conceituação humana, estava plenamente sozinho; contudo, ele com Deus e Deus com ele formavam maioria, ante a multidão desvairada. 

Emmanuel - Justiça Divina

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Desquite e Divórcio

Na sua generalidade, o matrimônio é laboratório de reajustamentos emocionais e oficina de reparação moral, através dos quais Espíritos comprometidos se unem para elevados cometimentos no ministério familial.
Sem dúvida, reencontros de Espíritos afins produzem vida conjugal equilibrada, em clima de contínua ventura, através da qual missionários do saber e da bondade estabelecem a união, objetivando nobres desideratos, em que empenham todas as forças.
Outras vezes, programando a elaboração de uma tarefa relevante para o futuro deles mesmos, se penhoram numa união conjugal que lhes enseje reparação junto aos desafetos e às vítimas indefesas do passado, para cuja necessidade de socorrer e elevar compreendem ser inadiável.
Fundamental, entretanto, em tais conjunturas, a vitória dos cônjuges sobre o egoísmo, granjeando recursos que os credenciem a passos mais largos, na esfera das experiências em comum.
Normalmente, porém, através do consórcio matrimonial, exercitam-se melhor as virtudes morais, que devem ser trabalhadas a beneficio do lar e da compreensão de ambos os comprometidos na empresa redentora. Nessas circunstâncias, a prole, quase sempre vinculada por desajustes pretéritos, é igualmente convocada ao buril da lapidação, na oficina doméstica, de cujos resultados surgem compromissos vários em relação ao futuro individual de cada membro clã, como do grupo em si mesmo.
Atraídos por necessidades redentoras, mas despreparados para elas, os membros do programa afetivo, não poucas vezes, descobrem de imediato a impossibilidade de continuarem juntos.
De certo modo, a precipitação resultante do imediatismo materialista que turba o discernimento, quase sempre pelo desequilíbrio no comportamento sexual, é responsável pelas alianças de sofrimento, cuja harmonia difícil, quase sempre culmina em ódios ominosos ou tragédias lamentáveis.
Indispensável, no matrimônio, não se confundir paixão com amor, interesse sexual com afeição legítima.
Causa preponderante nos desajustes conjugais é o egoísmo, que se concede valores e méritos superlativos em detrimento do parceiro a quem se está vinculado.
Mais fascinados pelas sensações brutalizantes do que pelas emoções enobrecidas, fogem os nubentes desavisados um do outro, a princípio pela imaginação e depois pela atitude, abandonando a tolerância e a compreensão, de pronto iniciando o comércio da animosidade, ou dando corpo às frustrações que degeneram em atritos graves e enfermidades perturbadoras.
Comprometessem-se, realmente, a ajudar-se com lealdade, estruturas sem-se nos elementos das lições evangélicas, compreendessem e aceitassem como legítimas a transitoriedade do corpo e o valor da experiência provacional, e se evitariam incontáveis dramas, inumeráveis desastres do lar, que ora desarticulam as famílias e infelicitam a sociedade.
O casamento é contrato de deveres recíprocos, em que se devem empenhar os contratantes a fim de lograrem o êxito do cometimento.
A sociedade materialista, embora disfarçada de religiosa, facilita o rompimento dos liames que legalizam o desposório por questões de somenos importância, facultando à grande maioria dos comprometidos perseguirem sensações novas, com que desbordam pela via de alucinações decorrentes de sutis como vigorosas obsessões resultantes do comportamento passado e do desassisamento do presente.
O divórcio como o desquite são, em conseqüência, soluções legais para o que moralmente já se encontra separado.
Evidente, que tal situação é sempre meritória, por evitar atitudes mais infelizes que culminam em agravamento de conduta para os implicados na trama dos reajustamentos de que não se evadirão.
Volverão a encontrar-se, sem dúvida, quiçá em posição menos afortunada, oportunamente.
Imprescindível que, antes da atitude definitiva para o desquite ou o divórcio, tudo se envide em prol da reconciliação, ainda mais considerando quanto os filhos merecem que os pais se imponham uma união respeitável, de cujo esforço muito dependerá a felicidade deles.
Períodos difíceis ocorrem em todo e qualquer empreendimento humano.
Na dissolução dos vínculos matrimoniais, o que padeça a prole será considerado como responsabilidade dos genitores, que se somassem esforços poderiam ter contribuído com proficiência, através da renúncia pessoal, para a dita dos filhos.
Se te encontras na difícil conjuntura de uma decisão que implique problema para os teus filhos, pára e medita. Necessitam de ti, mas, também do outro membro-base da família.
Não te precipites, através de soluções que, às vezes, complicam as situações.
Dá tempo a que a outra parte desperte, concedendo-lhe ensancha para o reajustamento.
De tua parte, permanece no posto. Não sejas tu quem tome a decisão.
A humildade e a perseverança no dever conseguem modificar comportamentos, reacendendo a chama do entendimento e do amor, momentaneamente apagada.
Não te apegues ao outro, porém, até a consumação da desgraça.
Se alguém não mais deseja, espontaneamente, seguir contigo, não te transformes em algema ou prisão.
Cada ser ruma pela rota que melhor lhe apraz e vive conforme lhe convém. Estará, porém, onde quer que vá, sob o clima que merece.
Tem paciência e confia em Deus.
Quando se modifica uma circunstância ou muda uma situação, não infiras disso que a vida, a felicidade, se acabaram.
Prossegue animado de que aquilo que hoje não tens será fortuna amanhã em tua vida.
Se estiveres a sós e não dispuseres de forças, concede-te outra oportunidade, que enobrecerás pelo amor e pela dedicação.
Se te encontrares ao lado de um cônjuge difícil, ama-o, assim mesmo, sem deserção, fazendo dele a alma amiga com quem estás incurso pelo pretérito, para a construção de um porvir ditoso que a ambos dará a paz, facultando, desse modo, a outros Espíritos que se revincularão pela carne, a ocasião excelente para a redenção.

Joanna de Angelis

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Tímido: Um Traidor por Excelência de Si Próprio

IDÉIA CENTRAL DO TEXTO: O TÍMIDO NÃO EFETUA A SOLUÇÃO DE SEU LADO EMOCIONAL NAS MAIS DIVERSAS FORMAS DE RELACIONAMENTO 

O tímido, em sua percepção neurotizada, vive numa guerra cujo inimigo é sempre o outro: cada individuo ou seu coletivo; portanto é invariavelmente avesso a qualquer ato de aproximação, cooperação, colaboração ou coisa parecida; daí se origina sua irritante insociabilidade.

Nesta guerra sua estratégia covarde é a guerrilha: vive camuflado, mascarado, disfarçado, é um camaleão. Evita a todo o custo ser o foco, o líder, pois teme, é claro, converter-se conseqüentemente no alvo desta guerra. Sua atitude mais próxima da sociabilidade é o recurso de fazer alianças com outros tímidos como ele, desde que estes atendam a seus interesses e com a duração determinada pelos mesmos.

Por isso o tímido é um traidor por excelência de si mesmo e do próximo: seu imenso desejo de poder, recalcado em sua personalidade velada, é responsável pela facilidade com que usa, congela ou se descarta das pessoas a sua volta. Estas sempre serão coisificadas em instrumentos, degraus para ascender, perdendo para a visão tímida, a sua humanidade.

Em suma estas são suas duas regras secretas, que constituem seu código pessoal oculto: 1. Jamais expor seu intimo em qualquer situação. - Geralmente, em consultório, é aquele que leva seus familiares, para uma consulta psicológica, mas raramente procura para si mesmo.Quando se submete a mesma, abandona o processo tão logo lhe é revelado sua timidez. Não pode revelar sua vulnerabilidade, sob o manto de sua dificuldade de se relacionar com os outros. 2. O outro não é visto como uma pessoa e sim apenas um recurso para lograr seu objetivo neurótico: isolar-se num castelo inatingível, com muralhas erigidas do poder obtido por seus estratagemas silenciosos, onde fantasia abrigar-se, finalmente, em segurança e descansar de todos os seus temores aflitivos.

O psicólogo ALFRED ADLER costumava dizer que estas pessoas vivem correndo da chamada "situação de prova", assim sendo, é preferível o conflito isolado e até mesmo a depressão, do que fracassar nos mais variados testes impostos pelo meio. ADLER foi o primeiro a fazer o correlato entre a timidez e a depressão. As duas neuroses tendem a troca do social para os "castelos" citados. Ser rei no ambiente doméstico é muito mais interessante do que enfrentar os complexos de inferioridade que a sociedade nos impõe. É primordial a conscientização de que tal distúrbio é algo muito sério, devendo ser tratado minuciosamente. Num mundo onde a comunicação é cada vez mais essencial para tudo, soa como uma grande contradição a questão da timidez. Pais e educadores devem estar atentos para os primeiros sinais da moléstia, e encaminharem aos profissionais competentes para diagnóstico e tratamento. Tudo o que o tímido não precisa é a benevolência ou tolerância perante sua dificuldade de contato. Embora soe dura, a abordagem deve ser mais do que radical, pois a essência da timidez é a maximização da sedimentação do conflito neurótico. Trabalhar as mensagens ocultas do tímido é fundamental, para dissolver seu comportamento de afastamento cristalizado, como por exemplo: 


A):Para que correr o risco da derrota, se posso passar desapercebido?;
B):Realmente é necessário eu me abrir?;
C):Tenho total preguiça em efetuar uma tarefa de compartilhar meu íntimo;
D):Sinto raiva das pessoas falarem sobre minha personalidade;
E):gostaria de ser outra pessoa, mas me sinto seguro no modelo de vida que adotei;
F)Jamais consegui ou penso que conseguirei confiar em alguém;
G)Quando tento pensar no que sinto,tenho a certeza de que algo precioso no passado foi roubado de minha pessoa.

Bibliografia: 
 
ADLER, ALFRED. O caráter neurótico. MADRID: Editora PAIDÓS, 1932.
COLABORADORES:

Autor: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Solidão: O Exílio do Prazer

"A única possibilidade da solidão não mostrar diariamente o lado mais cruel e desesperador da vida,é a pessoa retornar seu sofrimento de uma forma criativa, que ajude outros seres humanos a minimizarem esse fardo ". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO 
"Sentir constantemente a solidão é uma espécie de renúncia voluntária aos mais altos anseios de satisfação e felicidade. Se realmente desejarmos salvar alguém, deveríamos encarar a solidão como prioridade absoluta, pois caso uma pessoa não se sinta válida no convívio humano, sua meta será a angústia, isolamento e depressão. Sentir ou não a solidão, estando acompanhado, ou por uma razão existencial, é a medida mais absoluta da qualidade de nossa vida." ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO

Não há talvez outro sentimento humano que impere sobre os demais do que a solidão. Esta desafia todas as estruturas e esferas de nossa sociedade tipo: dinheiro, posses, status, sexualidade, beleza e poder. Sem sombra de dúvida podemos eleger a solidão como o topo do sentimento humano deste século, nenhum outro como descrito acima consegue por tanto tempo ocupar nossa alma e desprovê-la do sentido da vida. Podemos sentir raiva de uma determinada pessoa, estarmos irados, preocupados com o sustento, mas nada é mais angustiante e fatal para nossa auto-estima do que a conscientização de que estamos carentes, sentir que poucos ou ninguém mantém um contato profundo e duradouro conosco, que não somos importantes ou especiais para alguém. A solidão impede o livre fluir de quase todas as potencialidades ou desejos humanos. É até interessante notar como esse tema nunca foi esmiuçado pela psicologia, dada sua importância estratégica no contexto de nossa atual sociedade. Desde cedo somos educados para o sucesso, a glória, poder ou vantagens, mas ninguém nos conta o que fazer quando não sentimos mais vontade nisso tudo, por sentirmos o sentimento da solidão. Nenhuma escola ou educador nos ensina a como lidar com tão corrosivo elemento da alma humana, apenas sentimos o vazio, a ausência, e impotentes ficamos no terrível dilema da espera de que algo aconteça e mude essa vida estéril. Impotência é nosso deus central nos dias atuais, e a única sabedoria é retirar algum conhecimento dessa experiência.
A solidão muitas vezes revela a banalidade e inutilidade de nossa vida atual, nos força a ver com toda a clareza nossa mais angustiante infelicidade, pois a solidão não é apenas sinônimo desta última, mas pai de tudo o que não deu certo, o guia para além de nossa ingenuidade e ambições não efetuadas, pois ela nos mostra o maior fardo de todos, nós mesmos, sem qualquer fuga, escapismo ou distração, pois no fundo o sentido de uma relação é o de se esquecer a si próprio, ocultar mesmo que temporariamente nosso mais profundo vazio da existência e dificuldade em descobrirmos um sentido para tudo isso. Todos sabemos que a sensação máxima de derrota é a falta de vivenciar uma experiência verdadeiramente amorosa, e a solidão sempre está por detrás dessa extrema dificuldade.
A solidão nos deixa dois legados à nossa escolha: a possibilidade da reflexão e conseqüente mudança de atitude, no sentido de valorizarmos e nos abrirmos para novos contatos e pessoas, ou a teimosia e reforço no sentimento de superioridade, achando que qualquer mudança seria encarada como uma espécie de submissão, nesse estágio o orgulho torna-se mais uma companhia, dissimulando a total fragilidade e debilidade da pessoa. A solidão se torna enfaticamente uma doença quando cria um espírito de indolência numa pessoa, fazendo com que a mesma julgue positivo, produtivo e até viável o estar só, pensando tirar proveito do fato de não estar tendo trabalho ou esforço para procurar contato humano. Nada é pior do que iludir sua não satisfação.
A solidão ainda reforça a ira da pessoa contra o mundo, pais e educadores deveriam estar atentos para tal fato, e impedir que a criança ou o adolescente vá criando seu mundo à parte, seja ficando horas num computador ou vídeo game, seja não se interessando pelo elemento humano, dizendo estar satisfeito com seu comportamento ou meta de vida, pois a pessoa nesse caso acaba por utilizar sua neurose para se vingar do ambiente que não lhe proporcionou afeto ou segurança, tentando inverter a situação, enxergando na doença a melhor saída para sua vida. A solidão cria esse terrível paradoxo, um membro de uma espécie rejeita seus semelhantes, instalando a absurda fantasia de que alguém é feliz sem a companhia dos demais, além da revolta pessoal por não ser procurado, adotando um comportamento no mínimo extravagante, obtendo dessa maneira a atenção que não conseguiu da forma natural.
É impressionante como a sociedade direciona nossa atenção somente aos problemas econômicos, e os problemas pessoais são deixados para trás, talvez só lembremos deles através da solidão, nesse sentido, a mesma se impõe como tentativa de restaurar a humanidade, de percebermos a total inutilidade do que estamos fazendo, nossa desorientação perante os anseios de nossa alma, os quais muitas vezes não damos a mínima, nossa falta de coragem para iniciarmos algo produtivo para a vida.
Por fim, a solidão nada mais é do que o reflexo do histórico de um modelo de vida de determinada pessoa é a crença ou não que alguém depositou em outro ser humano, sua disposição ou não para a troca e companheirismo, sua escolha pessoal entre doar algo mesmo sabendo do não retorno, ou insistir na inveja e raciocínio egoísta.  


ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO- PSICÓLOGO 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Três Reis Magos

Os Três Reis Magos, ou simplesmente Reis Magos ou Magos (em grego: μάγοι, transl. magoi), na tradição cristã, são personagens que teriam visitado Jesus logo após o seu nascimento, trazendo-lhe presentes. Foram mencionados apenas no Evangelho segundo Mateus, onde se afirma que teriam vindo "do leste" para venerar o Cristo, "nascido Rei dos Judeus". Como três presentes foram registrados, diz-se tradicionalmente que tenham sido três, embora Mateus não tenha especificado seu número. São figuras constantes em relatos do natividade e nas comemorações do Natal.
Belchior, Baltasar e Gaspar, não seriam reis nem necessariamente três mas sim, talvez, sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia ou conselheiros. Como não diz quantos eram, diz-se três pela quantia dos presentes oferecidos.
Talvez fossem astrólogos ou astrônomos, pois, segundo consta, viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo. Assim os magos sabendo que se tratava do nascimento de um rei, foram ao palácio do cruel rei Herodes em Jerusalém na Judéia. Perguntaram eles ao rei sobre a criança. Este disse nada saber. Herodes alarmou-se e sentiu-se ameaçado, e pediu aos magos que, se o encontrassem, falassem a ele, pois iria adorá-lo também, embora suas intenções fossem a de matá-lo. Até que os magos chegassem ao local onde estava o menino, já havia se passado algum tempo, por causa da distância percorridas, assim a tradição atribuiu à visitação dos Magos o dia 6 de janeiro.
A estrela, conta o evangelho, os precedia e parou por sobre onde estava o menino Jesus. "E vendo a estrela, alegraram-se eles com grande e intenso júbilo" (Mt 2, 10). "Os Magos ofereceram três presentes ao menino Jesus: ouro, incenso e mirra, cujo significado e simbolismo espiritual é, juntamente com a própria visitação dos magos, ser um resumo do evangelho e da fé cristã, embora existam outras especulações respeito do significado das dádivas dadas por eles. O ouro pode representa a realeza (além providência divina para sua futura fuga ao Egito, quando Herodes mandaria matar todos os meninos até dois anos de idade de Belém). O incenso pode representar a fé, pois o incenso é usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Salmos 141:2). A mirra, resina antiséptica usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, nos remete ao gênero da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19: 39 e 40), sendo que estudos no Sudário de Turim encontraram estes produtos.

 "Entrando na casa, viram o menino (Jesus), com Maria sua mãe. Prostando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11). 

"Sendo por divina advertência prevenidos em sonho a não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra" (Mt 2, 12). Nada mais a Escritura diz sobre essa história cheia de poesia, não havendo também quaisquer outros documentos históricos sobre eles.

Devemos aos Magos a tradição de trocar presentes no Natal. Dos seus presentes dos Magos surgiu essa tradição em celebração do nascimento de Jesus. Em diversos países a principal troca de presentes é feita não no Natal, mas no dia 6 de janeiro, e os pais muitas vezes se fantasiam de reis magos.
A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” assim relata: “Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Quanto a seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.
Como se pretendia dizer que representavam os reis de todo o mundo, representando as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Assim, Melquior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltasar, mirra em reconhecimento da humanidade.
A exegese vê na chegada dos reis magos o cumprimento a profecia contida no livro dos Salmos (Sl. 71, 11): “Os reis de toda a terra hão de adorá-Lo”.
Na antigüidade, o ouro era um presente para um rei, o olíbano (incenso) para um sacerdote, representando a espiritualidade e a mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade).
Durante a Idade Média começa a devoção dos Reis Magos (e que são "baptizados"), tendo as suas relíquias sido transladadas no séc. VI desde Constantinopla (Istambul) até Milão. Em 1164, com os três já a serem venerados como santos, estas foram colocadas na catedral de Colônia, em Colônia (Alemanha), onde ainda se encontram.
Em várias partes do mundo, há festas e celebrações em honra aos Magos. Com o nome de Festa de Santos Reis há importantes manifestações culturais e folclóricas no Brasil.

Diferentes opiniões quanto a quando o menino Jesus foi visitado

A tradicional crença de que Jesus foi visitado aquando do seu nascimento não é consensual entre todas as pessoas. Há pessoas que acreditam que Jesus já possuia uma certa idade. Segundo seus defensores há quatro linhas de evidência para acreditar que Jesus já não era mais um bebé quando recebeu a visita: a tradução para o texto de Mat. 2.11 usa a expressão "uma criancinha", "um menino", e não um bebê em diversas traduções de respeito, como a Almeida; Mat 2.11 também cita que quando Jesus foi encontrado estava em uma casa e não em uma manjedoura; o fato de Herodes mandar matar as crianças de até dois anos e, por último, o fato de Maria ter dado apenas dois pássaros no templo como contribuição pelo nascimento do menino, o que a identificava como muito pobre, e não parte dos presentes que supostamente já teria ganho, já que na visita ela, através de seu filho, ganhou ouro e outros ítens valiosos.