Pages

Translate

English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tantrismo

Com origens que remontam à Índia do século 7, quando foram escritos muitos dos textos sagrados que compõem a doutrina, o Tantrismo constitui-se por um conjunto de práticas que visam à preparação do corpo e da mente do homem para aumentar sua percepção sobre si mesmo e a realidade que o cerca. Também chamado de Tantra - "aquilo que aumenta o conhecimento", em sânscrito -, ao longo dos anos teve seus preceitos incorporados por várias doutrinas religiosas. "Hoje, a filosofia tântrica está presente tanto em alguns ramos do Hinduísmo quanto do Budismo", diz o antropólogo Arthur Shaker, professor de Ciência da Religião da PUC de São Paulo.
As duas principais divindades cultuadas no Tantrismo são Shiva e Shakti. "Shiva é o princípio masculino e representa a consciência universal, o espírito, a essência passiva que abrange todas as coisas", diz o instrutor de yoga uruguaio Pedro Kupfer, grande estudioso do tema. "Shakti, por sua vez, é a divindade feminina, símbolo da matéria, da ativa pulsão criadora." Dentro desse contexto, o objetivo das práticas tântricas - que incluem técnicas respiratórias, dietas específicas, meditação, entre outras - é manipular a energia do corpo para unir Shiva, a consciência absoluta, a Shakti, seu aspecto dinâmico. 

Shiva e Shakti
Os tântricos acreditam que o corpo humano tem sete centros de energia principais, chamados chacras, e buscam fazer com que a energia flua de forma mais equilibrada entre eles", afirma a psicóloga Susan Andrews, instrutora de Tantrismo no Instituto Visão Futuro, uma ecovila no município de Porangaba, em São Paulo. 

O Tantrismo busca aumentar a percepção que cada
um tem sobre si mesmo e sobre o mundo ao redor. 

No Tantra, corpo e espírito não são percebidos como duas entidades separadas que representam, respectivamente, o profano e o sagrado - ambos fazem parte de um mesmo todo, e por isso são considerados divinos. 
Assim, para os adeptos, o homem não precisa transcender sua realidade material, o que inclui os impulsos naturais, como o sexo, para conseguir realizar-se espiritualmente.
Basta que atinja o autoconhecimento, percebendo-se como sagrado. "O Tantra busca o que há de espiritual no mundo dos sentidos", afirma o professor Arthur.
É justamente esse aspecto sagrado concedido ao corpo que, muitas vezes, acaba gerando uma associação errônea do Tantrismo com um mero instrumento de êxtase sensual. Na verdade, o sexo seria apenas um dos caminhos para o despertar do sagrado. "Só uma corrente tântrica prescreve a maithuna, que é o ritual erótico, como a melhor forma de o homem atingir a união entre Shiva e Shakti", diz Pedro Kupfer.
Esta interpretação equivocada do Tantra, contudo, não é fruto apenas de desconhecimento ou preconceito.
Após chegar ao Ocidente, no século 20, os princípios tântricos atraíram diversos profissionais mal-informados, que passaram a vender técnicas para a satisfação sexual como se fossem tântricas, quando, na realidade, passam longe da filosofia que sustema a doutrina. "Para o Tantra, o corpo é o templo sagrado do espírito, mas pensar só no corpo e no aspecto material das coisas é um erro tão grande quanto rejeitá-los", diz Susan.

Fonte: Texto de Ruth Costas - Revista das Religiões

0 comentários: