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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Sídrome do Pânico na Abordagem de Alfred Adler

Mesmo com toda a medicação fornecida hoje em dia para tratar do transtorno mental conhecido como “síndrome do pânico”, faz-se mister uma profunda reflexão sobre dito transtorno, assim como alternativas ou apoio ao tratamento. Inegavelmente é terrível e extremamente doloroso o mal estar descrito pelos seus portadores, como por exemplo: limitação de sair as ruas, medo constante e generalizado, invasão de idéias destrutivas e suicidas, temor mais do que obsessivo perante a morte, dentre outras. O objetivo do presente estudo não é discutir a eficácia dos diversos tratamentos existentes, mas fazer uma análise desse mal dentro do enfoque da psicoterapia de ALFRED ADLER, criador dos conceitos de complexo de superioridade e inferioridade. ADLER enfatizava três áreas como sendo fundamentais para o pleno desenvolvimento e felicidade humana: amor, trabalho e relações sociais. Em nenhuma delas poderia prevalecer sentimentos de competição, desejo de superioridade ou complexo de inferioridade; caso isso ocorresse se obstaria o livre fluir das potencialidades humanas. A conseqüência seria um indivíduo propenso a compensar suas carências seja pelo desejo de manipular alguém, ou um medo constante de não se sentir aceito em seu meio. Resumindo, a personalidade se distanciaria de seu objetivo inicial, fazendo o que ADLER chamava de “arranjo psíquico”; uma troca de um objetivo pleno por outro inferior. Sendo assim, a dor e o sofrimento psicológico seriam suportáveis a fim de se adiarem os desafios pessoais do sujeito nas três áreas citadas. Freud numa outra abordagem já havia dito sobre o ganho secundário dos pacientes histéricos, através da chantagem emocional e atenção entre outros. Obviamente tal idéia é encarada com extrema resistência por muitos pacientes, dizendo ser absurda a idéia de preferir a doença a uma vida sadia emocionalmente. Uma análise mais apurada desmascara por completo tão irreal frase proferida, trazendo a tona todas as áreas comprometidas. É fundamental que qualquer método de tratamento ataque à raiz do problema, pois do contrário estaremos o eternizando. Isso vale, sobretudo para o aspecto farmacológico, pois a medicação por si só nunca resolverá qualquer conflito ou distúrbio psicológico. Isto é igual nos pacientes com alcoolismo que tratam sintomas de úlcera decorrente da bebida, mas não cortam o uso da mesma.
A síndrome do pânico não pode ser isolada do contexto social e familiar do paciente, tratando-a meramente como enfermidade químico-orgânica, mas, sobretudo deve ser encarada como uma barreira que o próprio paciente desenvolveu para bloquear mágoas maiores. Troca-se o inesperado de um sofrimento doloroso por doses homeopáticas diárias de desesperança e falta de estímulo. Alguém que vive a infelicidade se sente protegido de novas cargas emocionais negativas. ADLER enfatizava que um paciente acometido de fobia de sair as ruas tinha a intenção oculta de criar um reino fictício de controle e poder sobre seu universo restrito, adiando constantemente a prova final sobre sua capacidade de cooperar, conviver e se abrir perante o meio. As terapias cognitivas tratam as idéias de terror visando a mudança comportamental, porém muitas vezes as encaram como coisas estratificadas, quando na verdade precisamos descobrir todas as associações mórbidas do paciente. A invasão de idéias destrutivas faz parte da dualidade dos opostos em qualquer ser humano. Cabe a todos harmonizar o terror que habita em nosso inconsciente com a esperança pratica de mudança e satisfação no convívio social. Notem que quase todos os pesadelos têm como temática pessoas sendo mortas, caçadas, afogadas ou esfaqueadas. O consenso sobre tais idéias seria a total situação de desamparo que a pessoa sente em seu dia a dia. ADLER achava que tal sentimento era uma maneira de forçar mais atenção e cuidados sobre a pessoa acometida da doença, desejando ser “mimada” por seu meio. Por mimo, se entende não o ganho de qualquer coisa material, mas simplesmente chamar a atenção para si próprio o tempo todo. Haveria então uma fuga para um estágio infantilizado, onde os outros seriam forçados novamente a cuidar do paciente como na sua infância.
A quase totalidade dos pacientes acometida da síndrome do pânico relata ser obrigatória a presença de alguém no momento do ataque para os acudirem, ou aplacarem suas angústias.  Não podemos nos esquecer também dos aspectos sociais presentes na enfermidade. Nosso modelo econômico e social gera solidão e apatia, nos fornecendo o consolo do consumismo. O grande problema é que lutamos para pertencer a dito modelo. A síndrome do pânico espelha a mais terrível perda da capacidade de troca entre as pessoas em nossa era. O medo maior subjacente é que tal enfermidade nunca abandone a pessoa. Não é a toa que pacientes com síndrome do pânico relatam sonhos de terem sido condenados à prisão perpétua. Outros dizem respeito sobre estar caindo de um precipício ou prédio, refletindo o complexo de inferioridade da pessoa. Posto tudo isso, é fundamental elaborarmos uma nova base de tratamento de cunho psicológico e social; ao invés de uma globalização econômica, precisamos de uma que atue no autoconhecimento, ciência, prazer afetivo, sexual e cooperação humana.
 
Bibliografia:
        ADLER, ALFRED. O CARÁTER NEURÓTICO. BUENOS AIRES: PAIDÓS, 1912
   
Créditos: Antônio Carlos Alves de Araújo C.R.P. 31341/5

2 comentários:

Marcio F. Colli disse...

Penso que não podemos fazer uma psicologia focada em apenas uma linha de pensamento, temos de ampliar conhecimentos e vermos o que é melhor para cada caso, claro que com uma base de trabalho, no meu trabalho eu escrevo sobre psicologia também, no entanto eu crio textos meus e gosto da ideia de misturar em textos alguns outros pontos de vista, no entanto, pra ciencia ñ podemos misturar esoterismo, que por sinal eu faço isso nos textos e não no meu trabalho, sobre o seu post, ainda penso ser a teoria comportamental a melhor abordagem pra isso, mas cada profissional trabalha com o que mais lhe convém no momento. Bom, acho q ja falei demais neh (risos), caso queira dar uma acessada no meu Blog, vou deixar o endereço aqui, em breve publicarei algo sobre o panico, mas o que tenho pronto pega desde a base do nome (Deus grego) e parte para uma outra visão a posteriori, mto bom o seu Blog.
Abçs.
Marcio Colli http://marciocolli.blogspot.com

nunesjanilton disse...

Olá Márcio!

Obrigado por participar.

Olha, eu não ligo o que pensa a ciência, até porque a mesma é limitada. Creio eu, o psíquico está ligado ao espírito. Por que é que a ciência até hoje não conseguiu curar uma pessoa com transtorno mental? A ciência se limita nos átomos e células. Eu misturo psicologia com espiritualidade porque as duas formam uma. Somos corpo e espírito. Ex.: Se uma pessoa cai,ela sentirá dor. Quando alguém profere uma palavra dura contra um outro alguém, esse último sentirá uma dor também, só que de forma diferente porque é uma dor espiritual. E digo que, a espiritual demora a cicatrizar, as vezes nem cicatriza. A pessoa pode perdoar, mas sempre ficará lá, aquela lembrança dolorosa incomodando. Eu conheço muitos médicos psiquiatras que consultam seus pacientes e que mandam os mesmos procurarem ajuda espiritual. Eu acho eles muito corretos e sensatos. Jesus disse que não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra vinda do Pai Eterno. Eu acredito nisso e ponho fé.

Atenciosamente.