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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lei de Justiça, Amor e de Caridade

Pergunta 875 - Como se pode definir a justiça? - " A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais."
Pergunta 886 - Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? - "Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas."

1 - ANTE O AMOR

Quando te encontres semivencido pelos problemas que comumente assaltam o homem na trilha da evolução, já experimentando o ressaibo da amargura e do desencanto, ou quando, à borda do resvaladouro, na direção do crime e da alucinação, antes da decisão aconselhada pela ira ou pela violência, pergunta ao Amor a trilha que deves tomar e o Amor te responderá com sabedoria como prosseguires, não obstante o céu nublado e os caminhos refertos pela perplexidade e pelo pavor.
Talvez não consigas alcançar imediatamente a meta da paz que persegues nem a logres em caráter mediato-próximo.
No entanto, não desfaleças na tentativa.
O amor te falará em mansuetude e brandura, paz e esperança.
Todo esse conjunto de valores exigir-te-á grande esforço e aguardarás tempo, a fim de que se materialize, modificando o contingente das realizações habituais.
Apesar da aspereza que a decisão amorosa te exigirá, fruirás desde o início da decisão uma tranqüilidaade que decorre da consciência liberada das amarras infelizes do personalismo enfermiço quanto do egoísmo perturbador.
No Amor - causa primeira de todas as coisas, porquanto a Criação é um ato de amor - se iniciam e se findam todas as ambições, encontrando-se respostas para todas as situações da problemática moral e humana.
Ante o Amor, a dificuldade torna-se desafio, a dor faz-se teste,
a enfermidade constitui resgate,
a luta se converte em experiência, a ingratidão ensina,
a renúncia liberta,
a solidão prepara
e o sacrifício santifica ...
Naturalmente o Amor impõe necessidades e valores retributivos, quiçá desconhecidos no momento da doação.
Quando, porém, alguém recebe o magnetismo do Amor, sem que o perceba, vitaliza-se, acalma-se, renova-se e ama. Nem sempre devolve àquele que lhe doa a força do Amor, não obstante retribui a dádiva, esparzindo-a e dirigindo-a a outrem. E isso é o mais importante.
Talvez seja necessário que o teu amor atinja o martírio para alcançar o fim a que se destina. Entretanto, se te negas à doação total, eis que não amas, verdadeiramente, apenas impões transitório capricho que desejas receber transformado num amor que te irrigue e sustente, sem que o mereças, porém.
Desse modo, recorda Jesus, em qualquer circunstância ou posição em que te encontres, e, à semelhannça d'Ele, consulta e responde com amor, não fazendo ao teu próximo o que não gostarias que este te fizesse.
O Amor tudo resolve. Experimenta-o desde agora. 

2 - DESARMAMENTO ÍNTIMO

Aclaras que reagiste com ira descontrolada porque já aguardavas a agressão do outro.
Explicas que, informando das ciladas que estavam armadas contra ti, não tiveste tempo de refletir, desferindo, então, o primeiro golpe.
Justificas que, ferido mil vezes pela impetuosidade dos desequilíbrios que desgovernam a Terra, foste forçado à decisão infeliz.
Conjecturas que, em verdade, poderias ter sido mais brando. No entanto, saturado pela recidiva dos problemas afligentes, não tiveste outra alternativa, senão a do gesto tresloucado.
Informas que, a fim de não seres esmagado pelas circunstâncias, preferiste tomar a dianteira, na ação indébita.
De fato, como constatas, embora sob justificativas não justificáveis, estás armado intimamente contra os outros.
Feres, pensando assim evitar a tentativa do outro. Acossas, na suposição de que te poupas à perturbação nefasta do outro.

Esmagas, considerando ser a forma eficaz de poupar-te à sanha do outro que se compraz em afligir e malsinar.
Todavia, convenhamos, o outro é o teu irmão. Violento, inditoso, agressivo, vingador, porque, infelizmente, não tem encontrado entendimento e ajuda, fraternidade e afeição ...
Tu que és amigo do Cristo, que tens dado à família sofrida da Terra, aos desorientados do caminho, em nome d'Ele?
Desarma-te interiormente e agirás melhor. Agridem-te porque também agrides, se a oportuniidade é tua.
Magoam-te porquanto farias o mesmo, fosse teu o ensejo propício.
Somente modificarás as tristes paisagens morais do Orbe se exteriorizares pacificação e beleza, ternura e confiança que deves manter gravadas nos recessos do Espírito.
Não sejas tu, sob motivo algum, o violador, o agente do mal.
Propõe-te à harmonia e dá oportunidade ao teu irrmão, mesmo que sejas convidado a pagar o tributo desse gesto de socorro.
Quem ama sempre se transforma em mártir do amor. E o amor somente é autêntico, quando imola quem ama.
Não fora essa grandiosa realidade, e Jesus não se teria permitido imolar por amor a nós todos, comprovando que, se não nos despojarmos das armas morais interiores que engendram a guerra, não triunfará o Bem de que Ele se fez ímpar vexilário, que te propões restaurar e manter na atualidade. 

3 - CARIDADE PARA COM OS ADVERSÁRIOS

No fundo, o adversário gratuito, que se converte em perseguidor contumaz e sistemático, amargando tuas horas e anatematizando teus esforços dirigidos para o bem, não deve receber tua reação negativa.
Justo te precatares contra a irritação e a cólera, em relação a ele.
Não poucas vezes sentirás a presença da revolta e dos nervos em desalinho, em face da constrição que te é infligida, convertendo-se em duro acicate ao ódio ou pelo menos ao revide. Apesar disso, arma-te de paciência e age com prudência.
O vendaval enrija as fibras do arvoredo, o fogo purifica os metais, a drenagem liberta o lodo, o cinzel aprimora a pedra e a dor acrisola o Espírito.
Observado pela má vontade e confundido pela impulsividade dos perseguidores, serás convidado ao exercício da abnegação e da humildade, preciosas virtudes mediante as quais resgatarás dívidas de outra procedência, enquanto eles, a seu turno, despertarão para a responsabilidade depois.

Porque te persigam, não é lícito te convertas em sicário também.
Todos nos encontramos na Terra em exercício de sublimação espiritual.
Embora te sintas arder nas provocações e sofrer pelas injustiças impostas, não te cumpre qualquer revide infeliz.
Apazigua as paisagens íntimas e prossegue dedicado aos misteres abraçados.
Enquanto te fiscalizem, acusem, duvidem de ti, utilizarás mais a prudência e a temperança, auferindo maior soma de benefícios.
No fragor da perseguição, oferta a tua prece de gratidão em favor dos que se converteram em inimigos gratuitos da tua paz, reservando-te caridade para com eles.
Se insistires desculpando-os, constatarás que, não obstante desconheçam, fazem-se teus mestres ignorados, graças a cuja permanente antipatia ascenderás na direção do Grande Incompreendido da Humanidade que prossegue até hoje esperando por todos nós. 

4 - CONFIANÇA E AMOR

Se confias na Providência Divina não te agastes em face das incompreensões que te surpreendam no ideal do bem a que te dedicas.
Possivelmente encontrarás pessoas que desfilam na Terra cercadas de bajuladores e ovacionadas pelo entusiasmo geral, sem que, no entanto, se dediquem a qualquer mister de enobrecimento. Por isso mesmo são elogiadas, por outros equivocados que se demoram na inutilidade.
Se te reservas a alegria do serviço nobre, não esperes resultados favoráveis aos teus empreendimentos superiores.
Certamente há muitos que coletam provisões de simpatia e entusiasmo com facilidade, não obstante permaneçam insatisfeitos.
Se preferes a dedicação exclusiva à Seara do Cristo, defrontarás empecilhos e malquerenças onde esperavas que medrariam amor e fraternidade.
É provável que noutros campos de ação compareçam sorrisos e gentilezas de caráter exterior, porquanto os homens são sempre homens - nem anjos nem demônios - lutando contra as imperfeições onde quer que se encontrem.
Se esperas conseguir a perseverança no lídimo serviço da Verdade, não descoroçoes ante injustiças e difamações.
Existem, sim, os que são ditosos e transitam aureolados por títulos de benemerência, requestados por uns e aplaudidos por outros, não, porém, indenes à sanha da inveja, à chuva do despeito, feridos pela flecha da impiedade dos negligentes e malfeitores contumazes.
Na Terra, a felicidade somente é possível quando alguém se esquece de si mesmo para pensar e fazer tudo que lhe seja possível em favor do seu próximo.
A felicidade perfeita, se existisse no mundo, diluir-se-ia ante uma criança infeliz, um enfermo ao abandono, um velhinho relegado ao esquecimento ...
Não pretendas, portanto, ouropéis enganosos, cortesias especiais, reconhecimento imediato, favoritismo ou, mesmo, entendimento fraternal. ..
Como não é correto cultivar pessimismo, não é proveitoso sustentar ilusão de qualquer matiz.
Se confias na Misericórdia de Deus, trabalha sem desfalecimento e ama em qualquer circunstância, sem distinção nem preferências, recordando Jesus, que embora Modelo ímpar, não encontrou, ainda, no mundo o entendimento nem a aceitação que merece.

5 - AUXÍLIO A SOFREDORES

Diante deles, os sofredores de qualquer jaez, policia a conduta no ato de ajudá-los.
Tragam-te ao conhecimento problemas econômicos, morais ou de saúde, não te revistas de falsa superioridade, assumindo a aparência de benfeitor, com que poderás constrangê-los, adicionando às já existentes, novas aflições.
Cada dificuldade se resolve mediante recurso específico.
Não os padronizes, igualando suas dores somente porque façam parte da imensa massa de padecentes da Terra.
Este deseja externar aflições e receber amizade. Aquele anseia por socorro imediato, pelo pão ou o medicamento e, talvez, no desespero em que se vê colhido, não disponha das palavras próprias, fazendo-se impertinente, rebelde, inquieto.
Esse, ferido nos dédalos da alma por dardos venenosos, está prestes a sucumbir e necessita de um amigo.
Aqueloutro, desarvorado por inquietações psíquicas e emocionais, perdeu o contato com a realidade objetiva e desvaria, ansiando por alívio.
Propõe-te solidariedade e alcança-os com os teus sentimentos fraternos.
Não os objurgues, amargando o pão que por acaso disponhas para ofertar-lhes.
Nada lhes exijas, em face da moeda ou da palavra que lhes distendas.
Se te escassearem meios externos com que lhes diminuas as penas, recorre ao auxílio espiritual sempre valioso: a prece, a água fluidificada, o passe para a restauração das suas forças.
Sempre possuis algo para doar.
Há quem ajude avinagrando a linfa da generosidade. Muitos confortam e reprocham simultaneamente. Diversos socorrem e advertem, chamando a atenção para a dádiva que dispensam.
Uns abrem os braços à dor, mas não ocultam o enfado, a saturação logo nos primeiros tentames, isto quando não exteriorizam o azedume e a censura rude.
Estão na provação hoje, os que não souberam utilizar-se dos bens da vida com a necessária correção no passado.
Sofrem os que iniciam o processo evolutivo por meio da dor-burilamento.
Batem-te à porta, buscam-te o socorro, pedem-te compreensão. Não lhes recuses o amor.
Jesus recomendou-nos com a Sua autoridade inconteste: "Batei e abrir-se-vos-á; buscai e achareis; pedi e dar -se-vos-á."
Se esperas encontrar à tua disposição a Misericórdia Divina, amanhã, sê, agora, o mensageiro dela em relação aos que te batem à porta, te pedem e te buscam, executando o mais meritório esforço na caridade sem jaça: dar e dar-se sempre sem limite. 

6 - TERAPÊUTICA DO AMOR
 
Perante os irmãos desencarnados, em desfalecimento moral e amargura perturbadora, reflete a tua situação íntima antes de dirigir-lhes a palavra; nos abençoados momentos de intercâmbio mediúnico.
Eles apresentam o resultado da imprevidência e do desacato às soberanas leis do equilíbrio, ora colhidos pela dor que os amesquinha.
Não se conscientizaram das responsabilidades que lhes repousavam sobre os ombros. Fugindo ao dever, derraparam pelas encostas sombrias da turbação íntima em que ainda se encontram.
Se te não cuidares, neles já poderás identificar o que te aguarda.
Vêm em busca de auxílio; ajudam-te, porém, mediante a silenciosa advertência do que te ocorrerá, caso não te firmes nas disposições e atitudes salutares.
Por isso, unge-te de compreensão e fala-lhes com a ternura de irmão e o respeito de amigo.
O amor que lucila em ti e te apazigua, leni-los-á e o argumento sincero, sem floreios nem azedume, despertá-los-á.
De forma alguma incidas na discussão infrutífera ou no preciosismo da linguagem vazia de significação fraternal.
Sem a preocupação de fazer retórica, lembra-te que te ouve, além daquele que se utiliza da instrumental idade mediúnica, momentaneamente, um público curioso, ávido de sensacionalismo, com céticos e cínicos, enfermos e atônitos, perseguidores e maus reunidos pela excelsa misericórdia de Nosso Pai, a fim de que, também, possam desfrutar da abençoada oportunidade.
Evita a astúcia do sofisma pelo jogo das palavras.
Não te encontras numa pugna verbal, da qual devas sair vencedor. A tua preocupação deve ser a de esclarecer e medicar a ulceração que lhe consigas identificar. Os resultados pertencerão ao Senhor.
Incitado ao debate por aqueles que se comprazem em perturbar, declina com humildade, da justa improcedente.
Nem vencer o interlocutor, nem mesmo convencê-lo, antes, socorrê-lo, deve ser a inspiração que te emule ao diálogo.
Diante deles, os desencarnados que sofrem, embora alguns não se dêem conta, coloca-te na posição de quem usa a terapêutica espiritual do amor em si mesmo.
Como não é justo o arrazoado contundente, nunca é oportuno o pieguismo improdutivo.
Desde que coexistem os dois mundos - aquele no qual se encontram e o em que deambulas - os problemas, por sua equivalência, merecem o mesmo tratamento.
Sê, então, autêntico, no sentido positivo.
Não aparentes uma posição superior, conselheiral, rebuscada, autoritária ou excessivamente piedosa, simulada, com rasgos de uma emoção que não sintas.
O bem é simples e a sua linguagem singela dispensa as pesadas bagagens da aparência. Exterioriza-se sutilmente, antes que estronde dominador ...
Não acreditarão na tua palavra os desencarnados com os quais dialogues.
Todo conceito nobre ajudá-los-á. Todavia, permeia-te dos ensinos que lhes ministres. Incorpora-os ao comportamento cotidiano, não apenas porque te ajudarão a ascender e libertar-te das paixões, como porque os teus ouvintes te acompanharão a verificarem se apenas falas, ou se vives as disciplinas que ministras, lutando contra as imperfeições que profligas.
Em última análise, quem se faz instrutor deve valorizar o ensino, aplicando-o em si próprio.
Com natural esforço, a pouco e pouco despoja-te das mazelas que afeiam a transparência das tuas realizações e aproveita o ensejo de, mantendo contato com os irmãos que já defrontam a consciência livre, aprenderes que te encontras no mundo em processo de purificação, precioso e relevante, e o não podes desperdiçar.
As palavras repassadas de lealdade, que fluem da fonte inexaurível da experiência pessoal, possuem cativante, envolvente magnetismo que lhes atesta a excelência.
Pondera, pois, na tua transitória situação. Quiçá, no futuro, invertam-se os papéis: quem ora te busca, poderá estar no teu lugar, enquanto lhe ocupes a posição.
A desencarnação e a reencarnação constituem portas de acesso à vida em expressões diferentes.
Se, apesar de tudo, desejando esclarecer os nossos irmãos em desalinho espiritual, não lobrigares o êxito que te parece ideal, não descoroçoes.
Toda tentativa de amar e ajudar é sempre válida, senão para quem pede, ao menos para quem se dispõe a doar.
E se hoje não te puderem entender os desencarnados entorpecidos pela anestesia da leviandade, posteriormente valorizarão a tua tentativa de serví-los, e, por isso, não te amarão e respeitarão menos.
Tudo é válido na economia do BEM, na Casa do Pai Celestial, em que, por enquanto, transitamos entre as vibrações da estação terrena.

Joanna de Ângelis

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