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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sentimento de Culpa e Sensibilidade

 (Diamantes de Nossa Alma ou Carrascos?)

Todos irão concordar que tanto a culpa como a sensibilidade são essenciais para a natureza humana, fazem parte da chamada civilização, não existiria a mesma sem os primeiros. Pensem na barbárie generalizada se não houvesse um freio para as chamadas pulsões ou instintos do ser humano. O problema é que tais sentimentos boa parte das vezes alcançam uma dimensão tal que passam a exercer o efeito contrário, minando ou sabotando a estima e desenvolvimento da pessoa. Falar em equilíbrio parece um tanto utópico para algumas pessoas que vivenciam tal distúrbio. Mas porque esse exagero digamos de humanidade? O sentimento de culpa se exacerba não pela repressão que se acreditava antigamente, mas pelo medo da pessoa de ser invejada ou uma vergonha e timidez de mostrar seu potencial, a neurose de êxito como chamava ALFRED ADLER. A culpa em excesso se torna uma camisa de força tanto para o prazer individual quanto o social. Já discuti em diversos textos que a mesma estranhamente tem origem quando a pessoa foi bem sucedida e seu meio não acompanhou a mesma evolução, o sujeito então limita suas oportunidades, se solidarizando com os menos afortunados digamos assim. Quem no ato de comprar alguma coisa um tanto significativa não sente aquele remorso na hora por estar gastando tanto, claro que existe o mecanismo contrário da compulsão, sendo que o indivíduo não se dá conta do prejuízo que está impondo para si mesmo. Historicamente o ser humano vem se confrontando com tal problema sem achar uma solução ou pelo menos um equilíbrio. Também já pontuei que se deve gastar quando determinada ação nos eleva nossa qualidade de vida, mas e quando determinada pessoa não se sente merecedora? Parece inclusive que nem adianta um coro para incentivá-la, pois permanece quase sempre na retração. Expliquei também em outros textos, que há uma espécie de prazer na economia ou retenção, seja material ou emocional, parece aos olhos da pessoa que sempre necessita fazer uma espécie de poupança, pois aquilo fatalmente irá acabar.
O fato é que o sentimento de culpa é um dos maiores dilemas da humanidade, quer vivamos numa sociedade insensível ou não. A armadilha está em todos os lados. O que me chama a atenção é a miopia histórica da psicologia perante o problema. Sempre se disse sobre timidez, retraimento da libido ou baixa estima. A questão é que a culpa exacerbada tem duas raízes básicas: uma é na infância quando a criança sente ser preterida por um irmão em relação ao afeto dos pais, ou então que os mesmos nunca lhe deram prioridade. A segunda e mais importante é na adolescência, quando o garoto ou menina não se sentem como objeto desejado por seu meio, não se trata do raciocínio simplista de se sentir feio, mas simplesmente não ser notado com ênfase. FREUD dizia que o ser normal é aquele que ama e trabalha, sobre a culpa diria que é feliz quem pouco se sentiu excluído e aquele que foi notado ou sempre se sentiu como um ser onde as pessoas gostariam de investir seu afeto. Estes pontos levantados formarão o futuro epicentro do processo da timidez, que nada mais é que o temor de ser excluído novamente, ou o medo do teste de seu ego perante o mundo. Claro que se os pais e educadores tivessem um pouco mais de sensibilidade perante tais fatos, poderia haver uma correção antes que a pessoa se feche de vez em seu casulo. A culpa e um de seus irmãos, a timidez tem uma tendência à progressão, jamais ao retrocesso. Basta olhar a própria internet e veremos como virou uma espécie de oásis para ambos e mais o terceiro irmão que é a solidão. O problema maior desta última também passa pelo regime de progressão, sendo que em determinado estágio se torna uma espécie de auto-profecia cumpridora, ou seja, a pessoa tem uma certeza interna que seu destino será caminhar por esta vida totalmente isolada. Este fenômeno tem sido perigosamente negligenciado pela psicologia e ciências sociais, o que é lamentável. 
Tanto a culpa quanto a solidão drenam quase que totalmente a motivação da pessoa nas mais variadas áreas, principalmente no relacionamento interpessoal. Não se sentir seguro é não se considerar interessante, e é vital elaborarmos tal equação na análise. Infelizmente para muitos a saída é a desistência ou resignação perante tal tarefa difícil. É necessário lembrar que a quebra dos grilhões deve começar sem sombra de dúvida pela própria pessoa, seja em terapia ou não, e o primeiro passo é realizar um inventário pessoal sobre todos os fracassos no âmbito afetivo. Mas sobre a sensibilidade, quando a mesma é saudável? O leitor já percebeu que tudo tem dois lados, a verdade é que o mundo se tornou bipolar, seria uma vingança contra a era do racionalismo e cientificismo? Céu e inferno voltaram com máxima potência na arena psicológica. A sensibilidade positiva se encontra seja num talento artístico, ou na solidariedade e gratidão pelos mais nobres sentimentos de uma pessoa para conosco, assim como tentar minimizar o sofrimento alheio de forma genuína. A sensibilidade deve ser a ferramenta máxima de um psicoterapeuta ou analista, sem a mesma, seu trabalho se torna mecânico e enfadonho. O lado obscuro se revela quando o menor, o diminuto se torna o principal, quando pequenos atos irrelevantes adquirem uma dimensão extremada, podemos inferir aqui que a sensibilidade sempre corre o risco de ser invadida por idéias paranóicas, fenômeno que estou vendo corriqueiramente em consultório. Aliás, outro fenômeno negligenciado pela psicologia, a paranóia que tem efeitos nefastos nas relações sociais e no intra-psiquismo. O pequeno quando atinge uma dimensão avassaladora não apenas confunde, mas tem o objetivo de fuga ou resistência perante os reais problemas não resolvidos do sujeito. Obviamente a paranóia se alia a idéias obsessivas, que inundam a mente da pessoa desviando o foco ou zona de conflito real.
Tanto a sensibilidade desnecessária quanto a paranóia dizem de um indivíduo que em suma alugou sua mente para uma moléstia maior com o intuito de desviar sua incapacidade para a resolução de seus verdadeiros conflitos psíquicos. Qualquer terapeuta um tanto experiente já terá notado a necessidade de filtrar boa parte da fala do paciente, não apenas pela resistência, mas o desejo inconsciente de fuga perante o real problema, que não é necessariamente uma história escabrosa ou de horror, a omissão se dará em tudo que o mesmo sente que ocasionará vergonha ou medo. Logicamente temos de ter em mente que jamais existirá uma terapia perfeita ou paciente e terapeuta nesta condição, mas o que precisamos escavar é como adquirir a confiança de uma pessoa que já não possui com ela própria, este é sem dúvida alguma o maior segredo de uma terapia com êxito. A sensibilidade extremada abrirá sempre as portas para uma das maiores moléstias dos últimos tempos que é a depressão. Em outro estudo a classifiquei como uma espécie de profissão, pois preenche a quase totalidade do dia ou da vida do sujeito. A depressão embora nosograficamente seja bem definida pela psiquiatria, guarda entroncamentos ainda pouco explorados tanto pela medicina quanto psicologia. Porque experiências traumáticas afetam alguns e outros passam despercebidos pelas mesmas? Quando é que ocorre a depressão pré ou pós- parto, e quanto é realmente sua durabilidade? São perguntas bastante difíceis de ser respondidas, mesmo no mais esclarecido âmbito profissional. Talvez aproximadamente possamos dizer que a depressão é quando alguém teve uma espécie de teste definitivo acerca de sua baixa estima e derrocada no plano pessoal e social, esse teste pode ter sido conferido numa espécie de procuração em branco que forneceu para as pessoas ao seu redor, ou exigências de ambição e poder que a pessoa não conseguiu empreender e como protesto surge tal moléstia. O fato é que a característica principal novamente diz de um fenômeno encobridor de outras frustrações. Sobre a depressão pré ou pós-parto outra incógnita, será que a mãe estaria revivendo seus traumas infantis em sua gravidez, ou total insegurança perante seu papel de mãe, ou ainda uma rebelião inconsciente por não admitir perder o papel de filha e seus mimos correspondentes. O fato é que o assunto foi muito pouco pesquisado apesar de ser tão falado. O que posso afirmar com um pouco de certeza é que todas as mulheres nesta condição patogênica, atendidas em meu consultório, tinham problemas significativos em seu histórico familiar, então seria uma recusa de vivenciar novamente a dor passada.
Penso que os verdadeiros demônios de nosso tempo são: solidão, timidez e ausência de reflexão e diálogo. O primeiro tem a característica de total esvaziamento e empobrecimento afetivo do ser humano. O segundo reforça o primeiro, coibindo qualquer tipo de contato ou ampliação da esfera existencial da pessoa, e o terceiro a torna opaca, burra, criando uma vida absolutamente banalizada. A prova desta última cito com uma experiência pessoal, sendo que nos últimos anos a coisa mais inteligente que li foi um provérbio pendurado num açougue, acreditem, do DALAI LAMA que dizia: ‘é engraçado esse ser humano, perde sua saúde para ganhar dinheiro, usa o mesmo para recuperar a mesma, vive como se nunca fosse morrer apegado as suas conquistas materiais e morre sem nunca ter vivido verdadeiramente’. Diria algo parecido corroborando a bipolaridade citada anteriormente, por um lado ganância, competição desenfreada no ambiente profissional e familiar, disputa de poder que só enchem as pessoas de prazer com toda essa adrenalina do caos, mas ao mesmo tempo os fatores que geram a loucura e todo tipo de perturbação psíquica: ausência de carinho, compreensão, amizade sincera e troca profunda do ego. Obviamente o preço de tudo isso será o incremento de uma solidão avassaladora, na mesma medida de um juro ou dívida exorbitante que jamais conseguiremos quitar. Toda a contradição que estou apontando neste estudo gera um problema ainda mais sério. ALFRED ADLER embora não fosse um cognitivista foi precursor de tal escola. Costumava inquirir seus pacientes de como seriam suas vidas se não tivessem se abatido pela neurose. A grande maioria quase nada respondia, onde ele concluía novamente o fenômeno da dissimulação ou do escapismo. É ótimo sofrer, desde que isso esconda no mais poço profundo nosso complexo de inferioridade. Pois bem, hoje em dia embora tal postulação ainda seja extremamente praticável, dirijo aos meus pacientes um convite para que façam um inventário não apenas de todos os dramas que vivenciaram, mas, principalmente de seus arrependimentos. Quando se chega neste ponto só vejo confusão e incapacidade de reflexão, pois é exatamente este o núcleo central, não saber fazer uma distinção verdadeira e perspicaz do que realmente deixou para trás ou falhou realmente. Não se trata da frase com dose de empáfia do não me arrependo de nada, mas tem tanta certeza das perdas que o comovem quase que diariamente? 
Não quero aqui ser filosófico ou simplista dizendo que a vida é uma somatória de erros para um aprendizado maior, mas o oposto, que o aprendizado é perceber que os erros são insignificantes na sua essência, mas os colocamos sempre no pedestal, pelo gozo latente da vitimização e autoflagelação. O inventário verdadeiro é perceber se apesar de todos os percalços conseguimos afastar ao menos um pouco um dos mais tenebrosos sentimentos da atualidade que é o tédio. Este é o mais profissional e eficiente ladrão de toda energia criativa, bem como de um verdadeiro e legítimo espírito para nos aventurarmos em variados campos. O tédio e seu irmão a rotina, só reforçam a doentia necessidade de segurança, um dos fatores históricos que mais nos desumanizaram. Não haveria nada de errado no materialismo desde que o mesmo também não fosse encobridor de nossos fracassos afetivos principalmente. Então finalmente chego ao ponto mais importante, que tanto a culpa quanto a sensibilidade não podem ser usadas de forma indiscriminada, necessitam constantemente de aferição e das mais precisas inclusive. E sobre a questão do merecimento? Novamente fazendo uma junção com a culpa, porque tantos continuam insatisfeitos mesmo tendo realizado a maioria de suas metas? Seria novamente a neurose de êxito, medo da inveja? Diria que o merecimento é para um ser que ousou no sentido pleno da palavra, quem não passou por essa espécie de ritual de iniciação, pode ter conseguido muita coisa, mas foi quase que na base do acaso ou sorte no jargão popular, então a conquista se torna opaca, a própria pessoa não se reconhece, ela própria se denuncia como falsário perante seu êxito. Do ponto de vista psicofisiológico, a insônia e os distúrbios do sono já atingem quase que a metade da população mundial. Tal fenômeno sem sombra de dúvida diz respeito ao stress, ansiedade e toda a agitação e conturbação em nosso cotidiano. Pois bem, já observo em consultório outra epidemia se alastrando, que seria a falta de libido. Não nos esqueçamos que a luta para obter a mesma foi o marco inicial da psicologia moderna com SIGMUND FREUD. O que se observa é a diminuição acentuada da mesma, seja em apatia afetiva ou sexual, principalmente na juventude. Poucos sabem, mas mais da metade dos problemas sexuais se dão na população entre 19 e 30 anos, absurdo não acham?
Se não há uma derrocada radical da libido citada, ocorre uma migração da libido original, que se assemelha não apenas a sexo, mas ao prazer afetivo de modo geral para uma libido falsa, corrupta, que se evoca através de todo tipo de materialismo ou ansiedade generalizada. Os exemplos o próprio leitor irá perceber que são diversos: esportes radicais, consumismo, drogas, bipolaridade entre os mais gritantes. Isso é o legado dessa transposição da libido original, em algo patético, sem vida, uma existência de mostruário diria. Mas o que toda essa análise psicológica e sociológica tem em comum com a culpa e sensibilidade? Tudo, pois passa a ser o pólo oposto, ou enxergamos pessoas que se recusam ao prazer pelo medo e solidariedade com os desafortunados como citei, ou esse tipo de sujeito plástico, consumível em sua própria alma, vivendo de fachada ou eventos que nem consegue identificar para qual meta maior poderiam conduzir a pessoa. O fato é que a solidão brutal de nosso tempo tem como conseqüência a exposição pública sobre o que o ser humano tem de pior. Se sentindo acuado e ameaçado, só lhe resta à fictícia segurança de pertencer à comunidade dos consumistas, que fogem de sua penosa vida pessoal. É como se o fim estivesse próximo, e ao invés de reverter essa situação de desamparo, apenas consegue erigir um jazigo de ouro. Este sem dúvida alguma é o homem de nosso tempo. Frágil, impotente, mas turbinado do ponto de vista físico; melancólico, depressivo, bipolar, mas totalmente prepotente e arrogante quando o assunto é a aceitação de uma crítica contra sua pessoa. Proativo e agressivo economicamente, mas totalmente retraído e tímido quando convidado ao diálogo ou falar profundamente sobre si próprio. Totalmente envolvido em emblemas ou propagandas religiosas, mas totalmente ateu na arte de vivenciar plenamente um relacionamento. Não estou falando aqui nem de hipocrisia, mas de uma inferioridade social que se torna uma pandemia psicológica a cada dia. Apesar de toda a propaganda política e ideológica, o mundo nunca foi tão discriminatório, e será um grande hipócrita quem se recusar a enxergar tal fato. Criam-se grupos fechados de toda a espécie, ou códigos de conduta absurdamente deturpados, então a busca pelo dinheiro passa a ser uma salvação contra essa imensa maré de exclusão. Mas o dinheiro abre alguma porta verdadeiramente? Apenas em parte, mais por curiosidade ou inveja perante a pessoa que o conquistou, mas não a habilita em nada para lidar com os pesados sentimentos que estou descrevendo. 
Se avaliarmos a fundo tudo o que foi exposto, se conclui que todos os sentimentos relatados foram sumariamente pervertidos. E a perversão é praticamente um processo incurável, restando apenas à chance de um controle que não acarrete mais prejuízos ao sujeito. Estou longe de estar disputando qualquer menção honrosa com este estudo, o que sinto que me torna um terapeuta digno, digamos assim, é tentar desvendar e compreender a problemática e enredo psíquico do paciente em nosso tempo atual, entender qual é a verdadeira dinâmica do inconsciente e consciente em nossa sociedade. Como exemplo cito o caso das perversões sexuais. Quando tento orientar alguém nessa condição, que coloca em risco tudo, seu namoro, casamento ou amizade, apenas ressalto para a pessoa que o prazer único, legítimo e verdadeiro é aquele que não irá atolar o indivíduo na condição nefasta de solidão. De nada adianta seguir estandartes da beleza, ambição, fama ou poder se tudo acabar no mais absoluto processo de auto-exclusão. A prática perversa nada mais é do que um prazer masturbatório, pois sempre irá colocar o indivíduo na solidão citada. Voltando a culpa, daria para dimensionarmos seu real valor, ou quando deveríamos senti-la? Acho que em algumas ocasiões deveríamos focá-la em nós mesmos, mas não na auto-piedade como grande parte da humanidade faz, mas talvez transformá-la num combustível para que talvez pudéssemos limpar pontos não resolvidos de nossa história pessoal. Seria como reverter numa espécie de energia agressiva positiva que movimentasse o indivíduo para a consecução de suas reais metas. Mas sentir culpa nos mostra a saída do labirinto? Esse é o grande desafio como expliquei antes, temos de aferir o sentimento para que possa ser utilizado de forma positiva, senão o instrumento volta-se contra nós mesmos. Novamente o leitor mais racional e prático se perguntará como? Eliminando todos os melindres emocionais possíveis, todo choro ou sofrimento desnecessário, toda a mágoa passada que não traz nenhuma nova luz para nossas vidas, a análise insisto tem de ser prática, o que realmente me faltou ou deixei para trás? Sem dúvida alguma temos de partir do que ainda é possível, eliminando a segunda armadilha de resgatar sonhos ou histórias impossíveis de serem revividas. É nesse ponto que essa instância que denomino aqui de culpa positiva pode-se aliar a sensibilidade pessoal e íntima para que esclareça efetivamente o ponto de partida e qual caminho se gostaria de trilhar.
O primeiro estágio para sairmos da alienação pessoal e social nos imposta é a questão da percepção. Perceber que um dos maiores dramas coletivos não são necessariamente aqueles advogados por entidades ou grupos políticos, mas dando um exemplo o tédio que citei no começo, este subtrai toda a vontade ou esforço que o sujeito poderia utilizar para sua mudança. Discuto quase que diariamente com meus pacientes, que numa sociedade com tantos avanços tecnológicos, não poderíamos jamais permitir tanta mediocridade reinante ou falta de criatividade. Mas muitos já devem ter percebido de que o fenômeno tem o efeito contrário, quanto maior a inovação maior a preguiça e indolência infelizmente. Todas as respostas possíveis para os dramas de nossa época já foram respondidas, o problema é o ânimo para resolvê-los. Aqui se coloca outro dilema ou contradição. Observo dois tipos psicológicos bastante distintos falando de psiquismo. Um é aquele sujeito parecido com os pacientes do tempo de FREUD, alienado de seu inconsciente, que não consegue sequer perceber que reproduz um Édipo mais do que infantilizado, ou todo o traçado de vida de seus pais. O segundo tipo tem total clareza de sua história, trajetória e traumas, mas é totalmente incapaz de produzir uma mudança comportamental ou em seu caráter. O primeiro tipo deixa óbvio o porquê de sua incapacidade, mas porque o segundo munido de praticamente todos os segredos também se deixa abater? Por sentir solidão, medo e insegurança. Estes são o grande tabu de nossa atualidade, não há uma educação psíquica desde a mais remota infância para se lidar com tais entraves. Não adianta saber o que deveria ser feito, se os sentimentos citados já travam tudo na partida, como exemplo o medo, nunca foi tão sentido na história da humanidade, talvez pelo desenvolvimento que trouxe uma melhora substancial na qualidade de vida que ninguém quer perder. Analisem friamente e descobrirão o máximo tabu de todos, que ninguém quer falar sobre a morte, mas a mesma está aí, fortuita, na espreita de nossa vida, e teimamos em ignorá-la sob qualquer circunstância. Fica realmente difícil se falar de autoconhecimento quando se ignoram processos tão substanciais de nossa vida. Gostaria de finalizar o estudo com outro conceito que muitos entenderão como muito forte, mas que penso que reproduz mais uma característica de nossa era.
Está-se falando de um ser humano que nas últimas décadas tem confundido, negado, pervertido ou projetado sentimentos tão sérios, qual a conseqüência de tudo isso? Poder-se-ia falar de alienação ou embotamento afetivo? Creio que estes termos seriam um tanto superficiais e não teriam nenhum efeito de choque para que mais pessoas refletissem sobre o problema. A palavra ou o termo exato para se resumir tudo seria o surgimento de uma espécie de psicopata afetivo, ao contrário do psicopata clássico, o afetivo consegue se manter sociabilizado, porém apenas no que tange a esfera material, consegue conter também a violência, mas transformou toda a destrutividade do outro tipo numa espécie não mais branda, apenas dissimulada, que é retribuir com total decepção quando o parceiro desejar investir nele todo o potencial afetivo. O psicopata afetivo na maioria das vezes nem usa de ciúmes, brigas domésticas como muitos tipos psicóticos que vemos em consultório, seu estratagema é igual ao da timidez, a retirada estratégica de todo o aprofundamento ou entrega no campo sentimental, não apenas por receio de críticas ou de seu desempenho, mas porque adquiriu como defesa a total indiferença ou insensibilidade para com o sentimento alheio, bem os casais é que devem afirmar se enlouqueci ou se estou na trilha exata.

Créditos: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

2 comentários:

FrancK P_LavD disse...

Olá querido amigo Janilton!
O seu blogue está divino com matéria própria do ser humano que você é!
Agradeço a sua visita, os comentários e a partilha que fez no Twitter do blogue de Teresa Tarouca, quando lhe for possível agradeço que partilhe com os seus amigos este blogue da Grande Senhora do Fado.
Apesar de andar sumido não me esqueço dos fieis amigos como você, moram sempre no meu coração!
A divulgação deste blogue está dando-me muito trabalho, tanto que tenho os meus blogues um pouco de parte.
Até sempre!!
Grande abraço do amigo português,
FrancK

FrancK P_LavD disse...

Amigo Janilton,
Levei o seu Banner comigo e publiquei-o no meu blogue: POEMAS INÉDITOS, que é o mais visitado! Em breve também irei colocá-lonos outros meus blogues.
Grande abraço,
FrancK