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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Universo e Vida

"Visto que muitos intentaram narrar ordenadamente as coisas que se hão verificado entre nós outros, tal como no-las transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e servidores da Palavra, decidi, eu também, depois de haver investigado diligentemente tudo desde as origens, dar-te-as par escrito, ilustre Teófilo, na devida ordem, para que conheças a solidez dos ensinos que recebeste." (LUCAS, 1: 1 a 4.) 

Escrever prefácios para obras de editoração da Casa de Ismael tem-se-nos constituído tarefa honrosa e espiritualmente gratificante, nos últimos anos, por força da responsabilidade que assumimos ao lançar ou reeditar livros realmente marcantes, neste fim de século, em nome da venerável instituição que presidimos.
"Universo e Vida", de Áureo (psicografia de Hernani T. Sant'Anna), por inúmeras razões que preferimos silenciar, conservando-as, quase todas, no escrínio do coração, é empreendimento que nos merece afetuosos cuidados. A elaboração da obra foi dificílima e correu riscos enormes, tantas foram as tentativas de impedir-lhe a divulgação plena. Os "aborrecidos da luz", que outros não são senão os que se opõem, acobertados pelas ardilosidades do Mundo Invisível negativo, aos, esforços desenvolvidos no sentido de dotar a Humanidade da instrumentalidade precisa à sua mais fácil orientação na jornada terrena, não pouparam ao médium nem deixaram de armar-lhe situações que ele houve de superar ao preço de muitas vigílias, dores e sacrifícios.
Mas, se não faltaram dias de acerbas lutas, não rarearam também os de compensadoras satisfações e momentos de grandes vitórias, porque o Bem vence sempre. Ultrapassadas as mais sérias barreiras magnéticas e superadas penosas agruras, o trabalho mediúnico foi reencetado e os capítulos voltaram a ser recebidos em condições adequadas, embora não sem novos testemunhos de perseverança e de idealismo do medianeiro.
A 9 de julho de 1979 foram-nos remetidos os três últimos capítulos, do total de doze, do livro de Áureo, alguns deles já publicados em "Reformador".
Um dos grandes méritos da obra que apresento o público estudioso das letras espíritas mediúnicas é o que consiste em haver conseguido o seu Autor Espiritual, eloqüentemente, encadear os argumentos lógicos de Allan Kardec, "Sua Voz" (de "A Grande Síntese"), Emmanuel e André Luiz, dentre outros, com fulcro nos mais recentes enunciados da Ciência, na Filosofia e no Evangelho de Jesus-Cristo, a respeito de algumas problemáticas pouco estudadas e vastamente discutidas.
A par de conhecimentos que foram reunidos e conciliados em robustas e cristalinas súmulas, sínteses magistrais do conhecimento científico, filosófico e histórico, Áureo soube transmitir-nos igualmente transcendentais conceituações das realidades extrafísicas, tradições e fatos da historiografia de Além-Túmulo e valiosas revelações.
Os leitores de "Reformador", habituados com as páginas de Áureo, se conhecem alguns destes escritos, agora enfeixados em livro, ignoram, todavia, muitos dos que reservamos para apresentação nesta oportunidade, dada a conveniência de sua leitura na ordem ditada pelo Autor Espiritual.
Falamos em eloqüente encadeamento de argumentos lógicos. Querendo tornar mais preciso o raciocínio, diremos, com palavras de Pascal ("Pensamentos", n° 16, tradução de Sérgio Milliet, Editor Victor Civita, "Abril Cultural", lª edição, S. Paulo (SP), 1973), que:
"A eloqüência é a arte de dizer as coisas de maneira: 1° que aqueles a quem falamos possam entendê-las sem dificuldade e com prazer; 2° que nelas se sintam interessados a ponto de serem impelidos mais facilmente pelo amor-próprio a refletir sobre elas.
Consiste, portanto, em uma correspondência que procuramos estabelecer entre o espírito e o coração daqueles a quem falamos, por um lado, e, por outro, entre os pensamenntos e as expressões de que nos servimos; o que pressupõe termos estudado muito bem o mecanismo do coração do homem a fim de conhecer-lhe as molas e encontrar em seguida, as proporções certas do discurso que desejamos ajustar-lhe. Cumpre colocarmo-nos no lugar dos que devem ouvir-nos, e experimentar também em nosso próprio coração a forma dada ao discurso, para ver se um se adapta ao outro e se podemos ter a certeza de que o ouvinte será forçado a render-se. É preciso, na medida do possível, confinarmo-nos dentro da naturalidade mais singela; não fazermos grande o que é pequeno, nem pequeno o que é grande. Não basta que uma coisa seja bela, é necessário que seja adequada ao assunto, que nada tenha de mais, nem que nada lhe falte."
No contexto e nas proporções e objetivo do trabalho, a que Áureo se propôs, não há faltas nem sobras. Daí a eloqüência dos seus escritos.
Sem dúvida que o livro foi minuciosamente examinado e achado certo pelos que se incumbiram, a nosso rogo, de esquadrinhá-lo em todas as direções. Quanto, porém, às revelações, estas sempre foram e serão ainda matéria de foro íntimo, de sagrada decisão de cada individualidade. Nos domínios da Fé Raciocinada e da Intuição, no entanto, os Espíritos despreconceituosos sempre encontraram, e prosseguirão encontrando, pistas para sua própria elucidação e edificação.
Já que falamos em Pascal, vale reproduzir aqui algumas linhas da Mensagem por ele ditada, em reunião pública da Federação Espírita Brasileira, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 9 de abril de 1920 - há quase sessenta anos, portanto -, profetizando sobre a destinação da Humanidade terrena:
"Sabeis que o seu fardo é leve e suave o seu jugo (referindo-se ao Cordeiro de Deus). Carregai, pois, a vossa cruz com paciência e; resignação e vos tornareis dignos de habitar a Terra quando, regenerada, atingir as campinas siderais da Constelação de Hércules, para a qual se dirige em marcha acelerada, devendo lá chegar logo que a Humanidade estiver em condições de habitar essas regiões do infinito. Então, não mais tereis a noite e o dia, alternando-se gradualmente. Tereis as claridades a se irradiarem dos vossos próprios espíritos redimidos, despidos dos andrajos do crime e cobertos pelas vestes alvíssimas das virtudes celestes." (De "Reformador" de dezembro de 1978 e 16 de agosto de 1920.)
Áureo, em "Universo e Vida", acolhe e repete algumas profecias, de todos os tempos, particularmente deste período em que o Consolador Prometido pelo Cristo ensaia os seus primeiros passos na Crosta Planetária, confirmando por outras palavras aquilo que Emmanuel e vários eminentes Espíritos disseram por diferentes médiuns.
A inteligência esclarecida e humilde do médico Lucas (Evangelista) relatou as "coisas" que pôde certificar, graças às observações e pesquisas que realizou, recorrendo oos núcleos das tradições mais puras e às vívidas recordações de Maria Santíssima, por delegação de Paulo, Apóstolo dos Gentios.
E Áureo, por sua vez, narrou-nos as "coisas" que viu e viveu ao longo de múltiplas existências fecundas. Ambos, fazendo bem mais que bela literatura espiritualista, conduzem-nos, sob a magia sublime do pensamento universalista, pelas veredas do Cristianismo, em espírito, na direção da "porta estreita" que um dia há de ser por todos transposta, no findar-se da milenar caminhada de retorno à Casa Paterna.

Créditos: Francisco Thiesen

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