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sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Que é Felicidade?


"O grau de neurose de uma pessoa pode ser medido de uma maneira muito simples, é só questionar o conceito e a forma com que a mesma busca sua felicidade pessoal". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO


Talvez uma das maiores omissões da psicologia no decorrer dos tempos, foi à ausência de um estudo ampliado sobre o conceito da felicidade humana e suas implicações na vida cotidiana, pois dito estudo desvendaria boa parte não apenas dos desejos humanos, mas o impacto e real possibilidade de realizá-los. Se prestarmos uma atenção especial, observaremos que a busca da felicidade se insere em todos os campos pessoais e sociais, podendo agregar-se a diversos instintos ou desejos, pois diria que ela é confundida ou interpretada de diversos modos, dependendo não apenas do psiquismo pessoal de cada um, mas de todo um histórico de vida, e também de como a pessoa passou por cada etapa de seu desenvolvimento, assim como a influência do meio. Sendo mais objetivo, o desejo de felicidade passa por vários campos, podendo ser interpretado como: prazer sexual, ambição e posses materiais, desejo de poder, narcisismo, sedução, procura pela beleza, todos os tipos de drogas e experiências psicodélicas, experiências místicas e religião, busca por destaque e reconhecimento, são alguns dos vários pontos onde ele se encaixa. Poderíamos até afirmar que se há alguma motivação que contempla todas as escolas da psicologia, esta seria a felicidade, pois seja na busca de prazer sexual como dizia FREUD, ou desejo pelo poder na perspectiva de ADLER, ou o *inconsciente coletivo de JUNG, lá encontramos a mesma, seja em sentido real ou como fantasia,notem que os três conceitos, sexual, poder e inconsciente coletivo são potenciais inesgotáveis do psiquismo humano.
Quando se fala em felicidade, obviamente pensamos em prazer ou alguma sensação reconfortante, ou então uma meta traçada para nossa vida. O primeiro grande problema nessas esferas citadas é achar que a felicidade seria um estado duradouro e constante, não havendo nenhum espaço para a dor e sofrimento. Toda a carga de satisfação recebida vem acompanhada de seu oposto-o medo da perda ou ausência daquele estado magnífico que uma vez experimentamos. Essa dualidade tão bem conhecida no oriente, parece estar esquecida em nossa sociedade. Obviamente se pudéssemos afastaríamos o sofrimento por completo, mas o ponto central nisso tudo que temos de admitir, é a nossa baixíssima resistência à dor e conseqüente tentativa de nos entorpecermos de várias maneiras. A impermanência rodeia nosso ser e deveríamos tentar conviver melhor com tal fato. A própria questão da felicidade independentemente das fantasias de cada um, deveria ser vivida diariamente, como por exemplo: comer uma comida que se gosta quando se está com fome, ligar para alguém especial e dizer-lhe quão querida e importante é essa pessoa, ou seja, trazer a noção de felicidade para o concreto do dia a dia, pois do contrário estamos criando apenas um ícone distante de nossa existência real. Costumo sempre dizer aos meus pacientes, que não importa o tamanho de suas dores e sofrimentos, desde que consigam obter pelo menos uma hora diária de contentamento e satisfação. A reação dos mesmos é sempre de surpresa, pois por incrível que pareça, quase nunca pensaram nessa importantíssima equação matemática, vital para a saúde de nosso psiquismo.
Um conceito arraigado em todos nós que gostaria de ressaltar, é o de achar que a felicidade é algo que sempre terá de vir de fora, seja riqueza, poder, beleza ou êxtase espiritual, associamos felicidade com algo que ainda não possuímos infelizmente. Penso que é fundamental refletirmos sobre isso e tentarmos desenvolver fatores internos, e embora a incompletude em nossa alma sempre irá existir, devemos investigar o que realmente possuímos, e talvez dar mais valor a aspectos como: criatividade pessoal, nosso potencial para amar alguém e ser verdadeiramente companheiro (a) dentre outros. ALFRED ADLER psicólogo contemporâneo de FREUD dizia que seria possível curarmos determinado sofrimento ou neurose com uma fórmula simples: procurarmos alguns amigos (as) e dizer-lhes nosso apreço, como foi descrito anteriormente, sem esperar que a iniciativa venha do outro, pois com isso ADLER pretendia erradicar nossa "vergonha ou timidez" para ressaltarmos alguém, seja por carência, inveja ou puramente bloqueio psicológico. Claro é o fato de que numa sociedade extremamente competitiva como a nossa, fica difícil um espaço maior para a adoração do outro. É exatamente nisso que reside um dos maiores sofrimentos relatados por milhares de pacientes, ou seja, a dor que uma expectativa não correspondida causa, seja a insensibilidade perante o afeto ou o não reconhecimento da dedicação. Podemos até dizer a este paciente que tente se centrar mais em si mesmo, mas qualquer terapeuta um pouco experiente verá que dito esforço é infrutífero, pois a pessoa só se sente realizada se sua meta abarcar seu potencial para se dedicar a alguém.
Esse verdadeiro dilema deveria ser mais aprofundado, pois embora possamos dizer a pessoa que procure alguém que mereça sua atenção, a coisa não é tão simples quanto parece, porque passa a estar em jogo a íntima ética da mesma, e estamos lhe dizendo para anular esperanças, sonhos ou até mesmo sua inocência frente à conduta de outros seres humanos. Estamos lhe pedindo para ser igual a todos, que se resigne, que aceite pertencer à multidão que não sente nem uma hora de prazer por dia descrito acima, em troca de alimentar a cada dia seu potencial para o comportamento predatório, chamado disputa ou competição. Nesse ponto podemos falar do poder do psicólogo, pois cabe ao mesmo refletir para onde está conduzindo a pessoa, se para a adaptação, revolta ou criatividade.
Quando ALFRED ADLER falava das principais metas humanas, ressaltando principalmente o casamento com amor, muitos o viram até com um certo ar de conservadorismo, mas o fato marcante nesse seu conceito, é que caso não tenhamos a regularidade das metas de amor, casamento ou companheirismo, esse hiato em nosso psiquismo será preenchido pela neurose, depressão e outros distúrbios psíquicos, se a doação como disse anteriormente não se der para outro ser humano, a neurose passa a ser a única herdeira do trono de nosso comportamento diário. Gostaria de insistir um pouco mais na questão levantada anteriormente sobre a dedicação a alguém. Caso a pessoa exacerbe essa idéia se tornará refém na questão do prazer, ou seja, é quase como se necessitasse da autorização de alguém para poder ser feliz, se solidarizando ou com a neurose ou a ausência de satisfação. Fato é que todos querem aceitação, e muitas vezes ser feliz torna a pessoa uma espécie de alienígena em seu meio social, assim sendo a saída passa a ser o adiamento ou a negação da satisfação.
Por fim, gostaria de enfatizar um grande erro conceitual acerca da questão da felicidade, pois com a predominância da psicanálise, a primeira sempre foi confundida com um aspecto de um desejo a ser realizado. O desejo é circunstancial, como, por exemplo, um bem material, sendo trocado por outro logo após sua saciedade, pois muito do estímulo vem de fora, recaindo no condicionamento ou na influência social toda a sua carga. Quero dizer que a felicidade é um conceito mais amplo, é a energia da criatividade que gera a satisfação profissional, é o potencial para amar que permanece mesmo após tantas decepções, é algo que como o ar nos acompanha até a hora de nossa morte, portanto não podemos restringir a felicidade a uma satisfação puramente momentânea, mas devemos percebê-la como um potencial a ser explorado diariamente, o que implica o dispêndio de energia e esforço a fim de obtê-la, não sendo nunca algo que nos é dado, mas sim obtido pela aplicação de querermos usufruir desse explêndido e árduo potencial humano. · inconsciente coletivo- termo de JUNG que descreve impulsos do inconsciente que não são pessoais, mas representam a psique de toda a humanidade, são impulsos herdados, que representam forças psíquicas chamadas de arquétipos. 

BIBLIOGRAFIA: ADLER,ALFRED- VIDA, SENTIDO O- EDITORA PAIDÓS 1936.

créditos: Antônio Carlos Alves de Araújo- PSICÓLOGO


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