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quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Psicologia e o Destino de Nosso Conflito

(Drogas; Stress; Doenças Psicossomáticas; Depressão; Ansiedade)

Qualquer sonho ou fantasia desde a infância até a fase adulta, apenas é uma espécie de resumo em menos de uma frase acerca do futuro ou possibilidade para a pessoa; o que vale a mesma regra para as nossas lembranças remotas na fase adulta, apenas um exemplo pífio do caminho que foi traçado há muito tempo. Não necessariamente estou falando de destino, mas que nossa mente traça uma rota desde os mais remotos períodos da infância, o que quase ninguém se dá conta é de como funciona esse processo na prática, infelizmente renegando tão séria questão para o lado místico. É fundamental traçar nosso destino psíquico, principalmente numa época de tantas angústias e incertezas. O título deste estudo representa em minha opinião as principais alternativas da vazão de nossos complexos em nossa era. Obviamente que existirão outros caminhos, mas pela experiência clínica sinto que os citados são via de regra os que mais acometem o sujeito.

Cada problemática que o indivíduo apresenta no decorrer de sua vida diz de uma projeção de seu psiquismo e as respectivas estruturas neuróticas que se grudam na pessoa. Comecemos pelo problema das drogas tão estudado no último século. Diz-se principalmente que o drogado sofre de uma paralisia mortal no quesito tolerância à frustração, sendo que desenvolve a necessidade de uma muleta para lidar com seus dilemas. Tal conceito é totalmente correto, mas também incompleto. Poucos tocam no caráter ambicioso que o drogado carrega, sendo que há uma transferência desse fenômeno para uma esfera totalmente fantasiosa ou surreal. O palco que talvez o mesmo não tenha obtido juntamente com o sucesso profissional ou pessoal é transportado para uma versão narcisista, masturbatória e exigência de cuidados forçados de seu meio social. Não é apenas a fuga da realidade dolorosa que se pretende, mas uma vingança ou protesto contra todo seu sonho ou desejo negado. Assim como o louco comum sai gritando no meio da rua sem nenhum tipo de censura, é mais ou menos a única coisa que o drogado obtém, a ruptura de qualquer imposição de superego ou conceito moral. Seu deleite e superioridade será desbravar áreas extremamente arriscadas que a maioria das pessoas tenta evitar. O gozo máximo do drogado é a perda, justamente por ter desejado algo que jamais obteve. Troca seu antigo desejo de posse, pela compulsão sem limites, gastando não apenas todos os seus recursos, mas também de todos que o rodeiam.

Mas como estamos falando de traçado psíquico, quem possivelmente estaria mais predisposto para tal infortúnio citado? Naturalmente pessoas com traçado psicológico mais infantilizado, imaturas, que carregam indefinidamente traumas ou seqüelas afetivas, e principalmente aquelas que sentem que algo de precioso foi lhes retirado ou que não se conformam com a pouca durabilidade de uma experiência de prazer. Não se esqueçam que o drogado insiste em participar de uma festa todos os dias. Obviamente tal tipo psicológico pode se combinar com todos os descritos no título deste estudo, o que muda em todos é simplesmente o exagero em determinado comportamento. Se falarmos em stress fica quase impossível traçar algum caminho, já que determinado problema se apresenta praticamente para noventa por cento dos habitantes deste planeta. O problema diria não é mais o stress, e sim o tipo de conseqüência que irá provocar: ansiedade, depressão ou doenças psicossomáticas. Sendo um tanto repetitivo, quase tudo se mistura, e a verdade é que a cada dia estamos bem longe de um controle satisfatório de todos esses elementos. Outrora a esperança era a medicação e as maravilhosas descobertas da medicina no último século, porém, não passaram de um sonho, ou mera narcotização dos problemas psicológicos. O fato é que o cerne é muito mais ontológico do que fisiológico. A desmotivação, vício, ansiedade e medo são os quatro cavaleiros do apocalipse de nossa mente moderna. Toda a correria do cotidiano só nos traz a prova nem de nossa ganância diria, mas da tendência quase que inata à inveja e imitação de algo que sequer tivemos certeza algum dia se era nosso mais profundo desejo. Se falarmos de psicossomática logo encontraremos um indivíduo corriqueiramente mais retraído e introspectivo, alguém com determinadas dificuldades no plano social ou na esfera afetiva. É impressionante como o corpo protesta perante uma necessidade emocional não satisfeita; já observei de tudo, desde uma herpes genital, passando por diabetes ou câncer, embora seja bem difícil provar tudo isso no estrito senso científico. Mas a própria crença popular parece que já assimilou o prejuízo mórbido das emoções contidas. Ao longo dos anos notei outro fator curioso em pessoas que tinham constante tendência à somatização; um grande sentimento de solidão ou isolamento, sendo que toda a atenção seria dirigida para a doença corpórea, numa dupla função: melancolia acerca de seu estado pessoal, e uma espécie de distração ou fuga de seu complexo problema emocional. O que sempre me impressionou é como algo quase que puramente irracional pode acarretar tanto prejuízo concreto no tocante a saúde do indivíduo.

A psicossomática assim como a depressão se tornaram algozes de nossa tranqüilidade, saúde e paz de espírito. Embora sempre encarasse a depressão como uma espécie de profissão mental que o indivíduo desenvolveu, exacerbando completamente o pessimismo e tédio do conjunto de nossa sociedade. Claro que a depressão possui traços hereditários, o que se chamaria de depressão endógena, e aquela causada por fatores externos (perda de alguém, doença), que se chama de depressão exógena. O grande problema no decorrer histórico da depressão é um fenômeno paralelo que ocorreu com a histeria na época de FREUD, a quase que generalização de diversos problemas num único diagnóstico ou emblema. É dificílimo distinguir a depressão de um processo de timidez mórbida dando um exemplo. Precisamos conhecer profundamente o paciente para certificarmos realmente do que está ocorrendo, e não dispor meramente de um rótulo para algo que ainda não compreendemos profundamente. Um aspecto bastante curioso na depressão é a total desenergização do indivíduo, não apenas sobre pensamentos mais construtivos, mas também no conjunto de suas relações sociais. A pessoa que até então era quase que um exemplo ou força motivadora para os outros, de repente se torna esquálida, apagada por completo, incomodando inclusive as pessoas ao redor que quase que a acusam de não trazer melhores agouros, obviamente o resultado é um processo de isolamento e solidão. A depressão pode ser comparada às drogas, pois drena totalmente a força vital da pessoa, ou a escraviza em algo único, no caso depressivo a desmotivação ou idéias fixas de fracasso, desamparo e sofrimento. O grande problema do depressivo é o fechamento de praticamente todas as portas, assim como as drogas, principalmente na busca de ajuda e crença no contato renovador com outro ser humano. Mas o leitor irá questionar sobre quem está mais predisposto a tal transtorno afora os fatores citados. Diria que a depressão é um processo que se constrói ao longo do tempo, excetuando aqueles fatores limites que citei antes, como doença ou perda de alguém. Um fato bem simples, mas que contribui para a construção citada é quando a pessoa aceita viver incessantemente uma rotina, achando que tal característica denota organização e planejamento. Muito pelo contrário, rotina é uma das piores armadilhas que podemos construir para nosso psiquismo, pois além dela não permitir a renovação, corta qualquer ato inesperado que poderia conter uma soma interessante de prazer ou desprendimento, claro que todos de certa forma são obrigados a fazerem diariamente as mesmas coisas, o problema é quando isso se torna uma espécie de missa ou religião para o sujeito. A rotina ainda vem carregada de outro elemento mórbido para o indivíduo que é o gosto pela retenção ou o medo de arriscar qualquer outro estilo de vida, minando a criatividade e dando uma mensagem de total complexo de inferioridade para a pessoa (“fique sempre onde está que é o máximo que consegues fazer ou atingir”).
No atual ponto em que estamos não sabemos o que é causa ou conseqüência dos elementos estudados. Pensemos na questão da ansiedade. Alguns até a consideram benéfica por estimular a pessoa para uma busca maior ou mais pormenorizada. Outros a tratam como processo mórbido, pois o indivíduo jamais se satisfaz com qualquer coisa. O fato é que um elemento passa a acobertar o outro, encobrindo muitas vezes a análise do problema. Dando um exemplo, por detrás de qualquer processo perverso, seja o excesso de pornografia ou a compulsão para vários parceiros, jaz a total ansiedade, que também é sinônima de uma profunda ambição não resolvida. Então a grande dificuldade que se coloca é qual processo tratar primeiro, e quase nunca conseguimos estabelecer a prioridade antes que o paciente abandone de vez a psicoterapia. Poderíamos talvez até partidarizar o tratamento, colocando a culpa no consumismo desenfreado que aguça todos os instintos do ser humano. Mas tal medida também é complicada, pois todos já se encontram infelizmente viciados em tal escapismo, e assim como as drogas, é difícil abrir mão da narcotização do sofrimento psicológico. Quando uma sociedade já não dá mais ênfase ao indivíduo ou para as relações humanas (amizade, companheirismo, solidariedade e coisas do tipo), fica praticamente impossível para uma psicoterapia ser a timoneira da busca do sentido da existência de determinada pessoa. Sejamos extremamente francos, nossos relacionamentos só tem um propósito, que é o abafamento do insuportável medo da solidão. Apenas isso e mais nada, pois jamais vi infelizmente um casal que priorizasse o desenvolvimento da relação, apenas desejam tratar conflitos ou contendas, embora seja o papel do psicólogo, tal medida agrava toda a situação apresentada. Alguns com certeza falarão do pessimismo de minha visão, ou então que prego que o sentido máximo da vida seria a dedicação para o amor com nosso próximo. O que ressalto é além disso, estou querendo expor que qualquer saída possível é vista sob a manta do tédio pelas pessoas. A indolência é o maior pecado capital de nossa psique no atual estágio da civilização. Como tratar qualquer coisa, se a ânsia é apenas buscar, flertar, admirar, olhar (escopofilia), consumir. E não se trata do desejo inato do ser humano de expansão, pelo contrário, retraimento, fuga e medo da intimidade.

O perigo mais profundo e mais produzido em nossa meio social sem dúvida alguma é a solidão, seja individual ou a dois. A mesma dá a tônica do desespero e produz não apenas uma carência incomensurável, mas tem o mesmo efeito de uma tragédia que faz com que o indivíduo lute por sua sobrevivência, insuflando o egoísmo e insensibilidade, que são os herdeiros mais legítimos da mesma. E paralelo a esse problema retorna novamente a ansiedade, que em nossa era já foi totalmente convergida para o terreno do total desconhecimento do que seria a satisfação genuína, pelo contrário, afasta e confunde ambos os aspectos. A ansiedade tem a característica de atrair uma série de outros sentimentos ao seu redor, um deles é a vitimização, pois como a pessoa jamais encontra o que supostamente procura, passa a culpar outras pessoas por seu infortúnio, não se trata apenas da autocompaixão, mas de um desejo estático e estacionário ao contrário do que parece. A agitação constante só esconde o vício de não prosseguir ou encontrar um traçado, e infelizmente a psiquiatria e psicologia ainda não entenderam a fundo tal fenômeno. A ansiedade é o mais puro desperdício, não apenas das oportunidades que a constante agitação cegou, mas, também a perda afetiva quando várias pessoas requisitaram o sujeito e o mesmo respondeu com desprezo ou desdém. Qualquer psicólogo com um mínimo de experiência profissional já notou que os desafios de todos esses sentimentos ou processos citados se elevam a cada dia em níveis estratosféricos, e pior do que isso, praticamente ninguém está muito preocupado com tal condição, a não ser que seja obrigado, seja por um distúrbio psicológico ou psiquiátrico, ou ruptura de sua condição econômica e social.

Pois bem, agora sim seria o momento desses famosos estudos sociais que acompanhamos via mídia diariamente, estudar a conseqüência comportamental e psicológica após o efeito do “big bang” da competição acirrada em todos os níveis das relações sociais. O que sobrou? O que podemos esperar tanto do relacionamento masculino e feminino quanto dos demais? Qual a versão atualizada que daremos para amizade? Como superaremos a angústia da solidão se a mesma é reforçada diariamente por nosso egoísmo até oportuno, dado que não deixa de ser moeda de sobrevivência em nossos tempos. Não se trata de prever um futuro apocalíptico, mas da total desumanização que restará. Mas parece que todos preferem falar de meio ambiente, não que ache o tema secundário, pelo contrário, mas sempre se arruma uma escusa para não tocarmos em nossas feridas existenciais, renegando-as aos ditos especialistas que via de regra optam por atalhos ao invés de soluções concretas. Como já falei diversas vezes, a incapacidade para a indignação ampliará qualquer doença psíquica. É só qualquer um que duvide ingressar no metrô ou qualquer outro local de aglomeração, parece que estamos numa orquestra de distúrbios, uns balançando as pernas, roendo unhas, outros na sua alienação com os ipods da vida, fugindo literalmente de qualquer observação do outro. É isso que pretendemos? Será que alguém tem ainda a ilusão de resolver sua carência numa sala de bate papo na internet ou em sites de relacionamento? Alguém acha que vai resolver instantaneamente um problema que vem sendo construído talvez há décadas? Mesmo que a pessoa deixe um pouco o computador de lado, e parta para o contato real, alguém se ilude de que encontrará um sujeito que não esteja repleto de armaduras e medos no decorrer de suas decepções afetivas? Talvez o gosto humano por jogos e competições tenha criado como prêmio final encontrar a mais rara das pessoas, aquela que nos anime, e tenha real vontade de nos salvar, no sentido da companhia genuína. 

Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

2 comentários:

Renata disse...

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Janilton disse...

Oi Renata!

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