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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Tímido: Um Traidor por Excelência de Si Próprio

IDÉIA CENTRAL DO TEXTO: O TÍMIDO NÃO EFETUA A SOLUÇÃO DE SEU LADO EMOCIONAL NAS MAIS DIVERSAS FORMAS DE RELACIONAMENTO 

O tímido, em sua percepção neurotizada, vive numa guerra cujo inimigo é sempre o outro: cada individuo ou seu coletivo; portanto é invariavelmente avesso a qualquer ato de aproximação, cooperação, colaboração ou coisa parecida; daí se origina sua irritante insociabilidade.

Nesta guerra sua estratégia covarde é a guerrilha: vive camuflado, mascarado, disfarçado, é um camaleão. Evita a todo o custo ser o foco, o líder, pois teme, é claro, converter-se conseqüentemente no alvo desta guerra. Sua atitude mais próxima da sociabilidade é o recurso de fazer alianças com outros tímidos como ele, desde que estes atendam a seus interesses e com a duração determinada pelos mesmos.

Por isso o tímido é um traidor por excelência de si mesmo e do próximo: seu imenso desejo de poder, recalcado em sua personalidade velada, é responsável pela facilidade com que usa, congela ou se descarta das pessoas a sua volta. Estas sempre serão coisificadas em instrumentos, degraus para ascender, perdendo para a visão tímida, a sua humanidade.

Em suma estas são suas duas regras secretas, que constituem seu código pessoal oculto: 1. Jamais expor seu intimo em qualquer situação. - Geralmente, em consultório, é aquele que leva seus familiares, para uma consulta psicológica, mas raramente procura para si mesmo.Quando se submete a mesma, abandona o processo tão logo lhe é revelado sua timidez. Não pode revelar sua vulnerabilidade, sob o manto de sua dificuldade de se relacionar com os outros. 2. O outro não é visto como uma pessoa e sim apenas um recurso para lograr seu objetivo neurótico: isolar-se num castelo inatingível, com muralhas erigidas do poder obtido por seus estratagemas silenciosos, onde fantasia abrigar-se, finalmente, em segurança e descansar de todos os seus temores aflitivos.

O psicólogo ALFRED ADLER costumava dizer que estas pessoas vivem correndo da chamada "situação de prova", assim sendo, é preferível o conflito isolado e até mesmo a depressão, do que fracassar nos mais variados testes impostos pelo meio. ADLER foi o primeiro a fazer o correlato entre a timidez e a depressão. As duas neuroses tendem a troca do social para os "castelos" citados. Ser rei no ambiente doméstico é muito mais interessante do que enfrentar os complexos de inferioridade que a sociedade nos impõe. É primordial a conscientização de que tal distúrbio é algo muito sério, devendo ser tratado minuciosamente. Num mundo onde a comunicação é cada vez mais essencial para tudo, soa como uma grande contradição a questão da timidez. Pais e educadores devem estar atentos para os primeiros sinais da moléstia, e encaminharem aos profissionais competentes para diagnóstico e tratamento. Tudo o que o tímido não precisa é a benevolência ou tolerância perante sua dificuldade de contato. Embora soe dura, a abordagem deve ser mais do que radical, pois a essência da timidez é a maximização da sedimentação do conflito neurótico. Trabalhar as mensagens ocultas do tímido é fundamental, para dissolver seu comportamento de afastamento cristalizado, como por exemplo: 


A):Para que correr o risco da derrota, se posso passar desapercebido?;
B):Realmente é necessário eu me abrir?;
C):Tenho total preguiça em efetuar uma tarefa de compartilhar meu íntimo;
D):Sinto raiva das pessoas falarem sobre minha personalidade;
E):gostaria de ser outra pessoa, mas me sinto seguro no modelo de vida que adotei;
F)Jamais consegui ou penso que conseguirei confiar em alguém;
G)Quando tento pensar no que sinto,tenho a certeza de que algo precioso no passado foi roubado de minha pessoa.

Bibliografia: 
 
ADLER, ALFRED. O caráter neurótico. MADRID: Editora PAIDÓS, 1932.
COLABORADORES:

Autor: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

7 comentários:

Rosana Madjarof disse...

Janilton,

Parabéns por mais esta bela postagem.

A timidez é um grande fardo para muitas pessoas, que não conseguem desempenhar suas tarefas, fazer amizades, saírem sozinhas etc., e tudo isso por causa da timidez.

Mas, muitas vezes, a timidez é vista como um porto seguro, pois as pessoas tímidas deixam de correr certos riscos, justamente, por não se arriscarem a fazer nada daquilo que gostariam de fazer.

É um tema bastante complexo e bastante interessante para ser discutido.

Muito bom.

Bjs.

Rosana.

Isabel Ruiz, disse...

Excelente post. Gosto muito desse tipo de matéria. Uma vez, há bastante tempo, ouvi uma pessoa dizer que o tímido é egoísta, orgulhoso e adora manipular.Pensei sobre esse assunto e escrevi um artigo, quem sabe um dia eu o poste no meu blog.
Mas o fato é que existem muita gente usando o álibi de tímido para fugir da vida.
Beijos
Bel

Principe Encantado disse...

Sensacional muito bom o texto e seu conteudo muito importante, pois deve ser dado mais atenção a este tema.
abraços forte

vovolili disse...

Olá querido amigo Janilton,

Parabéns pelo post!
Excelente e profundo texto.
O tema abordado é bem interessante e suscita uma discussão bem acalorada.
Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian

Derleit disse...

Eu penso que existe a necessidade do tímido ter coragem de arriscar, agir sem se preucupar com o que pensam.
Mas entendo o quanto é difícil.

ótimo post!

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Olá amigo Janilton, excelente texto. As pessoas muito tímidas não se entrozam com ninguém e não falam de seus temores nem com os psicólogos. São pessoas fechadas em si mesmas e acho que têm até receios de namorarem.
A vida deve ser muito difícil para tais pessoas com seus medos e temores.

Abraços.

Joselito disse...

Grande Janilton, você apenas publicou a tese de algum "renomado" analista. Bem, quem sou eu pra discordar do texto ai escrito, apesar que na qualidade de "timido" não concordo como a forma é descrita e inclusive o titulo pra mim é um tanto "pesado" para algumas pessoas que não conseguem simplesmente lidar de outra forma com a socialização, mas que poderá se adaptar.