Pages

Translate

English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011 (MMXI)

 (MMXI) é o seguinte ano do calendário gregoriano que se iniciará num sábado. Não sendo um ano bissexto, terá 365 dias. As Nações Unidas designam 2011 como o Ano Internacional das Florestas e o Ano Internacional da Química.
  
Eventos
  • Entram em domínio público em Portugal e no Brasil as obras de: Selma Lagerlöf; Walter Benjamin; F. Scott Fitzgerald.
  • Realizar-se-á o XV recensamento geral da população de Portugal.
  • Será realizada a quarta edição do Rock in Rio,que retornará ao Brasil.
  • Será realizada a 22ª edição do Jamboree Escoteiro Mundial, no Rinkaby, Suécia entre os dias 27 de julho a 7 de agosto.
  • Inauguração do Aeroporto de Cajazeiras na Paraíba.
  • Está projetada a exaustão do protocolo IPv4.
  • Califórnia vai abrir a maior fábrica de energia solar do mundo.
  • Vários veículos eletricos são esperados para entrar no mercado dos EUA, talvez mais notavelmente o Tesla Model S e BYD e6.
  • As obras do gasoduto Nord Stream que liga Rússia à Alemanha serão concluídas.
  • A Bulgária e a Romênia vão integrar o Acordo de Schengen.
  • Há a probabilidade de anúncio de uma nova definição do quilograma, baseada em constantes universais, que será anunciada durante a 24ª Conferência Geral de Pesos e Medidas. 
 Janeiro
  • Entram em domínio público em Portugal e no Brasil as obras de: Selma Lagerlöf; Walter Benjamin; F. Scott Fitzgerald.
  • Sul do Sudão vai realizar um referendo sobre a independência.
  • 1° de Janeiro
  • Fim do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República Federativa do Brasil e início do mandato de Dilma Rousseff, a 36º presidente do Brasil.
  • Início da presidência húngara do Conselho da União Europeia.
  • A Estônia irá adotar o Euro.
  • Portugal, juntamente com a Alemanha tornam-se membros não permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o biénio de 2011-2012. 
  • 2 de janeiro - Conjunção entre Júpiter e Urano, Júpiter 34 'sul. Terceiro conjunto da conjunção Júpiter / Urano.
  • 4 de janeiro - Eclipse solar parcial visível durante a maior parte da Europa, na Península Arábica, Norte da África e Ásia ocidental.
  • 15 de janeiro - Aniversário de 10 anos da Wikipédia.
  • 23 de janeiro - Eleições presidenciais em Portugal.
  • 2 de janeiro - 90 Anos de Cruzeiro Esporte Clube
 Março
  • 8 de março - Carnaval.
  • 18 de Março - A sonda Messenger está programada para chegar na órbita de Mercúrio.
  • 18 de Março - A sonda New Horizons da irá cruzar a órbita de Urano, depois de uma viagem de cinco anos. Esta será a chegada mais rápida ao planeta, já que que a Voyager 2, que levou oito anos.
  • 26 de Março - Show internacional da Banda Inglesa Iron Maiden no Estádio do Morumbi, São Paulo, Brasil
  • 15 de Março - Dia Internacional do Consumidor

Abril

  • Paquistão lançará seu primeiro satélite.
  • 2 de abril - Centenário do clube campineiro Guarani Futebol Clube
  • 9, 10 e 13 de abril - Show internacional da Banda Irlandesa U2 no Estádio do Morumbi, Brasil.
  • 19 de abril - Estreia o filme com a atriz e cantora Ashley Tisdale, A Aventura Fabulosa de Sharpay
  • 27 de abril - Inauguração da Freedom Tower em Nova Iorque, EUA
  • 29 de abril - Estréia do Filme Thor no Brasil.
 Maio
  • 11 de maio - Aniversário de 10 anos da Wikipédia em português.
  • 20 de maio - Lançamento do filme Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, quarto filme da saga.
  • 22 de maio - Dia de Santa Rita de Cássia
 Junho
  • 1° de Junho - Eclipse solar parcial no Ártico.
  • 15 de junho - Eclipse lunar total, visível principalmente na África, Índia, e Oriente Médio.
  • 26 de junho - Início da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA, na Alemanha.
 Julho
  • Realizar-se-á a XXVI Jornada Mundial da Juventude na cidade de Madri, Espanha.
  • 1° de Julho - Início da presidência da Polónia na União Europeia.
  • 1° de Julho - Eclipse solar parcial ao largo da costa da Antártida.
  • 1° de Julho - Lançamento do Filme Transformers 3
  • 6 de julho - O Comitê Olímpico Internacional decidirá a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018.
  • 10 de Julho - Realiza-se-á 14ª Gymnaestrada Mundial em Lausanne, Suíça.
  • 15 de Julho - Lançamento do último filme da saga Harry Potter, Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte 2), encerra a série de filmes baseado na obra da escritora britânica J. K. Rowling sendo lançado nos cinemas em IMAX 3D.
  • 17 de julho - Final da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA, na Alemanha.
 Agosto
  • 15 a 21 de agosto - A XXVI Jornada Mundial da Juventude será realizada em Madri, Espanha.
 Setembro
  • 11 de Setembro - 10 Anos dos Ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center.
  • 12 de Setembro - Realização do Miss Universo 2011,na cidade de São Paulo,Brasil.
  • 23 de Setembro - Abertura do Rock in Rio IV no Brasil.
 Outubro
  • Abertura do Aeroporto Internacional de Berlim-Brandemburgo, o maior projeto de infra-estrutura na Alemanha.
  • 2 de Outubro - Encerramento do Rock in Rio IV Brasil
  • 14 a 30 de Outubro - Jogos Pan-americanos de 2011, em Guadalajara, no México.
  • 28 de Outubro - Estreia do filme Premonição 5 3D nos cinemas do Brasil.
 Novembro
  • 25 de novembro - Eclipse solar parcial na Antártida.
  • 18 de Novembro - A Saga Crepúsculo - Amanhecer (Parte 1) estreia nos cinemas mundiais.
 Dezembro
  • 1 de dezembro - Inauguração do Santuário Theotókos.
  • 10 de dezembro - Eclipse lunar total, visível principalmente na Ásia, Austrália e Alasca.
  • 31 de dezembro - Todas as tropas dos Estados Unidos estão previstas para sair do Iraque.

Fonte: Texto Wikipédia

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tantrismo

Com origens que remontam à Índia do século 7, quando foram escritos muitos dos textos sagrados que compõem a doutrina, o Tantrismo constitui-se por um conjunto de práticas que visam à preparação do corpo e da mente do homem para aumentar sua percepção sobre si mesmo e a realidade que o cerca. Também chamado de Tantra - "aquilo que aumenta o conhecimento", em sânscrito -, ao longo dos anos teve seus preceitos incorporados por várias doutrinas religiosas. "Hoje, a filosofia tântrica está presente tanto em alguns ramos do Hinduísmo quanto do Budismo", diz o antropólogo Arthur Shaker, professor de Ciência da Religião da PUC de São Paulo.
As duas principais divindades cultuadas no Tantrismo são Shiva e Shakti. "Shiva é o princípio masculino e representa a consciência universal, o espírito, a essência passiva que abrange todas as coisas", diz o instrutor de yoga uruguaio Pedro Kupfer, grande estudioso do tema. "Shakti, por sua vez, é a divindade feminina, símbolo da matéria, da ativa pulsão criadora." Dentro desse contexto, o objetivo das práticas tântricas - que incluem técnicas respiratórias, dietas específicas, meditação, entre outras - é manipular a energia do corpo para unir Shiva, a consciência absoluta, a Shakti, seu aspecto dinâmico. 

Shiva e Shakti
Os tântricos acreditam que o corpo humano tem sete centros de energia principais, chamados chacras, e buscam fazer com que a energia flua de forma mais equilibrada entre eles", afirma a psicóloga Susan Andrews, instrutora de Tantrismo no Instituto Visão Futuro, uma ecovila no município de Porangaba, em São Paulo. 

O Tantrismo busca aumentar a percepção que cada
um tem sobre si mesmo e sobre o mundo ao redor. 

No Tantra, corpo e espírito não são percebidos como duas entidades separadas que representam, respectivamente, o profano e o sagrado - ambos fazem parte de um mesmo todo, e por isso são considerados divinos. 
Assim, para os adeptos, o homem não precisa transcender sua realidade material, o que inclui os impulsos naturais, como o sexo, para conseguir realizar-se espiritualmente.
Basta que atinja o autoconhecimento, percebendo-se como sagrado. "O Tantra busca o que há de espiritual no mundo dos sentidos", afirma o professor Arthur.
É justamente esse aspecto sagrado concedido ao corpo que, muitas vezes, acaba gerando uma associação errônea do Tantrismo com um mero instrumento de êxtase sensual. Na verdade, o sexo seria apenas um dos caminhos para o despertar do sagrado. "Só uma corrente tântrica prescreve a maithuna, que é o ritual erótico, como a melhor forma de o homem atingir a união entre Shiva e Shakti", diz Pedro Kupfer.
Esta interpretação equivocada do Tantra, contudo, não é fruto apenas de desconhecimento ou preconceito.
Após chegar ao Ocidente, no século 20, os princípios tântricos atraíram diversos profissionais mal-informados, que passaram a vender técnicas para a satisfação sexual como se fossem tântricas, quando, na realidade, passam longe da filosofia que sustema a doutrina. "Para o Tantra, o corpo é o templo sagrado do espírito, mas pensar só no corpo e no aspecto material das coisas é um erro tão grande quanto rejeitá-los", diz Susan.

Fonte: Texto de Ruth Costas - Revista das Religiões

sábado, 18 de dezembro de 2010

O Natal


O Natal ou Dia de Natal é um feriado comemorado anualmente em 25 de Dezembro (nos países eslavos e ortodoxos cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro), que comemora o nascimento de Jesus de Nazaré. A data de comemoração do Natal não é conhecida como o aniversário real de Jesus e pode ter sido inicialmente escolhida para corresponder com qualquer festival histórico Romano ou com o solstício de inverno. O Natal é o centro dos feriados de fim de ano e da temporada de férias, sendo, no Cristianismo, o marco inicial do Ciclo do Natal que dura doze dias.
Embora tradicionalmente seja um feriado cristão, o Natal é amplamente comemorado por muitos não-cristãos, sendo que alguns de seus costumes populares e temas comemorativos têm origens pré-cristãs ou seculares. Costumes populares modernos típicos do feriado incluem a troca de presentes e cartões, a Ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal, pisca-piscas e guirlandas, visco, presépios e ilex. Além disso, o Papai NoelPortugal) é uma figura mitológica popular em muitos países, associada com os presentes para crianças. (conhecido como Pai Natal em
Como a troca de presentes e muitos outros aspectos da festa de Natal envolvem um aumento da atividade econômica entre cristãos e não cristãos, a festa tornou-se um acontecimento significativo e um período chave de vendas para os varejistas e para as empresas. O impacto econômico do Natal é um fator que tem crescido de forma constante ao longo dos últimos séculos em muitas regiões do mundo.

 Etimologia

A palavra 'natal' do português já foi 'nātālis' no latim, derivada do verbo 'nāscor' (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. De 'nātālis' do latim, evoluiram também 'natale' do italiano, 'noël' do francês, 'nadal' do catalão, 'natal' do castelhano, sendo que a palavra 'natal' do castelhano tem sido progressivamente substituída por 'navidad' como nome do dia religioso.
Já a palavra 'Christmas' do inglês evoluiu de 'Christes maesse' ('Christ's mass') que quer dizer missa de Cristo.

 História dos usos

Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o nascimento de alguém ou de alguma coisa. Como festa religiosa, o Natal, comemorado no dia 25 de dezembro desde o Século IV pela Igreja ocidental e desde o século V pela Igreja oriental, celebra o nascimento de Jesus e assim é o seu significado nas línguas neolatinas. Muitos historiadores localizam a primeira celebração em Roma, no ano 336 d.C.
  
História
De acordo com o almanaque romano, a festa já era celebrada em Roma no ano 336 d.C.. Na parte Oriental do Império Romano, comemorava-se em 7 de janeiro o seu nascimento, ocasião do seu batismo, em virtude da não-aceitação do Calendário Gregoriano. No século IV, as igrejas ocidentais passaram a adotar o dia 25 de dezembro para o Natal e o dia 6 de janeiro para Epifania (que significa "manifestação"). Nesse dia comemora-se a visita dos Magos.
Segundo estudos, a data de 25 de dezembro não é a data real do nascimento de Jesus. A Igreja entendeu que devia cristianizar as festividades pagãs que os vários povos celebravam por altura do solstício de Inverno.

 Portanto, segundo certos eruditos, o dia 25 de dezembro foi adotado para que a data coincidisse com a festividade romana dedicada ao "nascimento do deus sol invencível", que comemorava o solstício de inverno. No mundo romano, a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de dezembro; era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do misterioso deus persa Mitra, o Sol da Virtude.
Assim, em vez de proibir as festividades pagãs, forneceu-lhes um novo significado, e uma linguagem cristã. As alusões dos padres da igreja ao simbolismo de Cristo como "o sol de justiça" (Malaquias 4:2) e a "luz do mundo" (João 8:12) revelam a fé da Igreja n'Aquele que é Deus feito homem para nossa salvação.
As evidências confirmam que, num esforço de converter pagãos, os líderes religiosos adotaram a festa que era celebrada pelos romanos, o "nascimento do deus sol invencível" (Natalis Invistis Solis), e tentaram fazê-la parecer "cristã". Para certas correntes místicas como o Gnosticismo, a data é perfeitamente adequada para simbolizar o Natal, por considerarem que o sol é a morada do Cristo Cósmico. Segundo esse princípio, em tese, o Natal do hemisfério sul deveria ser celebrado em junho.
Há muito tempo se sabe que o Natal tem raízes pagãs. Por causa de sua origem não-bíblica, no século 17 essa festividade foi proibida na Inglaterra e em algumas colônias americanas. Quem ficasse em casa e não fosse trabalhar no dia de Natal era multado. Mas os velhos costumes logo voltaram, e alguns novos foram acrescentados. O Natal voltou a ser um grande feriado religioso, e ainda é em muitos países.

Cristianismo

A Bíblia diz que os pastores estavam nos campos cuidando das ovelhas na noite em que Jesus Cristo nasceu. O mês judaico de Kislev, correspondente aproximadamente à segunda metade de novembro e primeira metade de dezembro no calendário gregoriano era um mês frio e chuvoso. O mês seguinte é Tevet, em que ocorrem as temperaturas mais baixas do ano, com nevadas ocasionais nos planaltos. Isto é confirmado pelos profetas Esdras e Jeremias, que afirmavam não ser possível ficar de pé do lado de fora devido ao frio.
Entretanto, o evangelista Lucas afirmava que havia pastores vivendo ao ar livre e mantendo vigias sobre os rebanhos à noite perto do local onde Jesus nasceu. Como estes fatos seriam impossíveis para um período em que seria impossível ficar de pé ao lado de fora em função do frio, logo Jesus não poderia ter nascido no dia em que o Natal é celebrado, e sim na primavera ou no verão. Por isso, a maioria dos estudiosos consideram que Jesus não nasceu dia 25 de dezembro, a menos que a passagem que narra o nascimento de Jesus tenha sido escrita em linguagem alegórica. 

Anúncio do anjo Gabriel e nascimento de Jesus
O nascimento de Jesus se deu por volta de dois anos antes da morte do Rei Herodes, denominado "o Grande", ou seja, considerando que este morreu em 4 AEC, então Jesus só pode ter nascido em 6 AEC. Segundo a Bíblia, antes de morrer, Herodes mandou matar os meninos de Belém até aos 2 anos, de acordo com o tempo que apareceu a "estrela" aos magos. (Mateus 2:1, 16-19 - Era seu desejo se livrar de um possível novo "rei dos judeus").
Ainda, segundo a Bíblia, antes do nascimento de Jesus, Octávio César Augusto decretou que todos os habitantes do Império fossem se recensear, cada um à sua cidade natal. Isso obrigou José a viajar de Nazaré (na Galileia) até Belém (na Judeia), a fim de registar-se com Maria, sua esposa. Deste modo, fica claro que não seria um recenseamento para fins tributários.

"Este primeiro recenseamento" fora ordenado quando o cônsul Públio Sulplício Quiríno "era governador [em gr. hegemoneuo] da província imperial da Síria." (Lucas 2,1-3 - O termo grego hegemoneuo vertido por "governador", significa apenas "estar liderando" ou "a cargo de". Pode referir-se a um "governador territorial", "governador de província" ou "governador militar". As evidências apontam que nessa ocasião, Quiríno fosse um comandante militar em operações na província da Síria, sob as ordens directas do Imperador.)
Sabe-se que os governadores da Província da Síria durante a parte final do governo do Rei Herodes foram: Sentio Saturnino (de 9 AEC a 6 AEC), e o seu sucessor, foi Quintilio Varo. Quirínio só foi Governador da Província da Síria, em 6 EC. O único recenseamento relacionado a Quirínio, documentado fora dos Evangelhos, é o referido pelo historiador judeu Flávio JosefoAntiguidades Judaicas, Vol. 18, Cap. 26). Obviamente, este recenseamento não era o "primeiro recenseamento". como tendo ocorrido no início do seu governo. A viagem de Nazaré a Belém - distância de uns 150 km - deveria ter sido muito cansativa para Maria que estava em adiantado estado de gravidez. Enquanto estavam em Belém, Maria teve o seu filho primogénito. Envolveu-o em faixas de panos e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar disponível para eles no alojamento [isto é, não havia divisões disponíveis na casa que os hospedava; em gr. tô kataluma, em lat. in deversorio]. Maria necessitava de um local tranquilo e isolado para o parto (Lucas 2:4-8). Lucas diz que no dia do nascimento de Jesus, os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos "durante as vigílias da noite". Os rebanhos saíam para os campos em Março e recolhiam nos princípios de Novembro.
A vaca e o jumento junto da manjedoura conforme representado nos presépios, resulta de uma simbologia inspirada em Isaías 1:3 que diz: "O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não têm conhecimento, o meu povo não entende". Não há nenhuma informação fidedigna que prove que havia animais junto do recém-nascido Jesus. A menção de "um boi e de um jumento na gruta" deve-se também a alguns Evangelhos Apócrifos.

 A Estrela de Belém

Após o nascimento de Jesus em Belém, ainda governava a Judeia o Rei Herodes, chegaram "do Oriente à Jerusalém uns magos guiados por uma estrela ou um objecto controverso que, segundo a descrição do Evangelho segundo Mateus, anunciou o nascimento de Jesus e levou os Três Reis Magos ao local onde este se encontrava. A natureza real da Estrela de Belém e alvo de discussão entre os biblistas.
 
Visita dos Magos
Os "magos", em gr. magoi, que vinham do Leste de Jerusalém, não eram reis. Julga-se que terá sido Tertuliano de Cartago, que no início do 3.º Século terá escrito que os Magos do Oriente eram reis. O motivo parece advir de algumas referências do Antigo Testamento, como é o caso do Salmo 68:29: "Por amor do Teu Templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes."
Em vez disso, os "magos" eram sacerdotes astrólogos, talvez seguidores do Zoroastrismo. Eram considerados "Sábios", e por isso, conselheiros de reis. Podiam ter vindo de Babilónia, mas não podemos descartar a Pérsia (Irão). São Justino, no 2.º Século, considera que os Magos vieram da Arábia. Quantos eram e os seus nomes, não foram revelados nos Evangelhos canónicos. Os nomes de Gaspar, Melchior e Baltazar constam dos Evangelhos Apócrifos. Deduz-se terem sido 3 magos, em vista dos 3 tipos de presentes. Tampouco se menciona em que animais os Magos vieram montados.
Outro factor muito importante tem a ver com a existência de uma grande comunidade de raiz judaica na antiga Babilónia, o que sem dúvida teria permitido o conhecimento das profecias messiânicas dos judeus, e a sua posterior associação de simbolismos aos fenómenos celestes que ocorriam.

Símbolos e tradições do Natal

Entre as várias versões sobre a procedência da árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, uma das mais populares atribui a novidade ao padre Martinho Lutero (1483-1546), autor da Reforma Protestante do século XVI. Olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, decidiu arrancar um galho para levar para casa. Lá chegando, entusiasmado, colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra e, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Arrumou em seguida papéis coloridos para enfeitá-lo mais um tanto. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmos ao verem aquela árvore iluminada a quem parecia terem dado vida. Nascia assim a árvore de Natal. Queria, assim, mostrar as crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.
Na Roma Antiga, os Romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de "Saturnália", que coincidia com o nosso Natal.


 Músicas Natalinas

As canções natalinas são símbolos do Natal e as letras retratam as tradições das comemorações, o nascimento de Jesus, a paz, a fraternidade, o amor, os valores cristãos. Os Estados Unidos têm antiga tradição de celebrar o Natal com músicas típicas. No Brasil, esta tradição, além das familiares, só se tornou popular e comercial nos anos 1990, com o Cd 25 de Dezembro lançado pela cantora Simone: Ao lançar, no ano passado, o disco natalino 25 de Dezembro, a cantora Simone quebrou um tabu. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa, os cantores brasileiros não têm o costume de lançar, no mês de dezembro, discos com músicas de Natal.
  
Presépio
As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semilitúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio (do lat.praesepio) surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.
O sucesso dessa representação do Presépio foi tanta que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres européias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do Rei Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos se estendeu ao longo do século XIX, e na França, não o fez até inícios do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.
Decorações Natalinas

Uma outra tradição do Natal é a decoração de casas, edifícios, elementos estáticos, como postes, pontes e árvores, estabelecimentos comerciais, prédios públicos e cidades com elementos que representam o Natal, como, por exemplo, as luzes de natal e guirlandas. Em alguns lugares, existe até uma competição para ver qual casa, ou estabelecimento, teve a decoração mais bonita, com direito a receber um prémio.
  

Amigo Secreto ou Oculto
No Brasil, é muito comum a prática entre amigos, funcionários de uma empresa, amigos e colegas de escola e na família, da brincadeira do amigo oculto (secreto). Essa brincadeira consiste de cada pessoa selecionar um nome de uma outra pessoa que esteja participando desta (obviamente a pessoa não pode sortear ela mesma) e presenteá-la no dia, ou na véspera. É comum que sejam dadas dicas sobre o amigo oculto, como características físicas ou qualidades, até que todos descubram quem é o amigo oculto. Alguns dizem características totalmente opostas para deixar a brincadeira ainda mais divertida.


Fonte: (Texto no Wikipédia)

 






segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Conhecimento de Si Mesmo

O CONHECIMENTO DE SI MESMO

"Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrebatamento do mal? Um sábio da antiguidade vos disse: "CONHECE-TE A TI MESMO" 

De modo geral, vivemos todos em função dos impulsos inconscientes que se agitam no nosso mundo interior. Manifestamos, sem controle e sem conhecimento próprio, nossos desejos mais recônditos, ignorando suas raízes e origens. O campo íntimo, onde os desejos são despertados nas mais variadas formas, encontra-se ainda muito vedado diante de um olhar mais profundo. Refletimos inconscientemente um sem número de emoções, pensamentos, atrações, repulsas, simpatias, antipatias, aspirações e repressões. Somos um complexo indefinido de sentimentos e idéias que, na maioria das vezes, brotam dentro de nós sem sabermos como e por quê.

Somos todos vítimas dos nossos próprios desejos mal conduzidos. Se sentimos dentro de nós uma atração forte e alimentamos um desejo de posse, não nos perguntamos se temos o direito de adquirir ou de concretizar aquela aspiração. Sentimos como se fôssemos donos do que queremos, desrespeitando os direitos do próximo. Queremos e isso basta, custe o que custar, contrariando ou não a liberdade dos outros. O nosso desejo é mais forte e nada pode obstá-lo, esta é a maneira habitual de (ungirmos internamente). Agindo desse modo, interferimos na vontade dos que nos cercam e contrariamos, na maioria das vezes, os desejos daqueles que não se subordinam aos nossos caprichos. Provocamos reações, violências de parte a parte, agressões, discussões, desajustes, conflitos, ansiedades, tormentos, mal-estares, infelicidades.

Vemos constantemente os erros e defeitos dos que nos rodeiam e somos incapazes de perceber nossos próprios erros, tão ou mais acentuados que os dos estranhos. As nossas faltas são sempre justificadas por nós mesmos, com razões claras ao nosso limitado entendimento. Colocamo-nos sempre como vítimas. Os outros nos causam contrariedades e desrespeitos, somos isentos de culpa e apenas defendemos nossos direitos e nossa integridade própria.

Esse comportamento é típico nos seres humanos e confirma o desconhecimento de nós mesmos, das reações e manifestações que habitam a intimidade do nosso eu, sede da alma. A grande maioria das criaturas humanas ainda se compraz na manifestação das suas paixões e não encontra motivos para delas abdicar em benefício de alguém; são os imediatistas, de necessidades mais elementares, com predominância das funções animais, como reprodução, conservação, defesa. Dentro dessa maioria, compreendemos claramente como hábitos mais evidentes e comuns a sensualidade, a gula, a agressividade, que, no ser racional, muitas vezes ultrapassam os limites das reações primitivas animais nos requintes de expressão, decorrentes daqueles três hábitos: ciúme, vingança, ódio, luxúria, violência. Podemos dizer que há, nesses tipos de indivíduos, a predominância da natureza animal, orgânica ou corpórea.

Uma pequena minoria da humanidade compreende a sua natureza espiritual, e como tal reflete um comportamento mais racional e menos impulsivo, isto é, suas necessidades já denotam aspirações do sentimento, algum esforço em conquistar virtudes e, assim, libertar-se dos defeitos derivados do egoísmo. Estamos todos, possivelmente, numa categoria intermediária, numa fase de transição de espíritos imperfeitos para espíritos bons e, portanto, ora nos comprazemos dos impulsos característicos do primeiro, ora buscamos alimentar o nosso espírito nas realizações do coração, na caridade, na solidariedade, no esforço de auto-aprimoramento. Vamos, assim, de modo lento, nas múltiplas existências, realizando o nosso progresso individual, elevando-nos na escala que vai do ser animal ao ser espiritual, alicerçando interiormente os valores morais.
 
Santo Agostinho afirma: "O Conhecimento de Si Mesmo é, portanto, a chave do progresso individual". Todo esforço individual no sentido de melhorar nesta vida e resistir ao arrebatamento do mal só pode ser realizado conscientemente, por disposição própria, distinguindo-se claramente os impulsos íntimos e optando-se por disposições que nos levam às mudanças de comportamento. Desse modo, "conhecer-se a si mesmo" é a condição indispensável para nos levar a assumir deliberadamente o combate à predominância da natureza corpórea.

E por quais razões o conhecimento próprio é o meio prático mais eficaz? Na Grécia, 400 anos antes de Cristo, Sócrates já assim ensinava. Lissa sabedoria milenar ainda hoje é sobretudo evidente, e constitui o meio para evoluirmos. Não é compreensível que ao nos conhecermos estaremos a um passo de melhorar? Não se torna mais fácil, sabendo os perigos a que estamos sujeitos, afastarmo-nos deles e evitá-los?
 
Ney Prieto Peres

domingo, 5 de dezembro de 2010

Violência (Análise Psicológica)

Neste estudo pretendo apenas enfocar os aspectos psicológicos da violência, não entrando no mérito de questões econômicas e sociais, por achar não apenas estar fora de meu âmbito profissional, mas principalmente por serem temas que já foram exaustivamente debatidos, e sinto uma brecha enorme no âmbito da psicologia. Só para efeitos de nosografia devemos entender que há uma distinção entre violência, agressividade e destrutividade. As três se entrecruzam quase que sistematicamente. Um sentimento de agressividade pode gerar uma violência física ou não, como também pode gerar um ato destrutivo. A questão é mais de grau, deixando claro que a destrutividade é o último estágio, gerando um assassinato ou um suicídio. Obviamente a agressividade é intrínseca ao ser humano, podendo ser extremamente benéfica se bem usada, um exemplo simples é a pessoa aceitar um grande desafio para si mesma, necessitará usar uma perseverança que nada mais é do que uma sublimação da agressividade. Porém, tanto a violência quanto a destrutividade, são pulsões humanas das mais primitivas e irracionais possíveis, restos ontogenéticos dos primeiros hominídeos que logicamente viviam num planeta hostil praticamente 24 horas por dia, onde a luta pela sobrevivência era quase que insuportável. Assim sendo, reativar a violência e destrutividade é como trazer o espírito do australoptecus para viver em um apartamento em SÃO PAULO, um verdadeiro absurdo. Apenas desejei dar ao leitor um panorama onde possa se situar perante algumas distinções. Outro problema que as pessoas geralmente desconhecem ou negligenciam é que há uma espécie constante de escambo entre os sentimentos, gerando quase sempre uma transmutação nos mesmos. Todos pensam na violência lendo diariamente a coluna policial, ou assistindo as barbáries que a televisão mostra. Isto é apenas uma parte ínfima da questão, pois poucos irão se lembrar que uma insegurança pessoal gera um ciúme possessivo que irá gerar agressividade e talvez a destrutividade. Outros também irão se esquecer que por mais que prometeram nunca reproduzir uma dinâmica familiar desestruturada, conseguem causar mais danos morais e psíquicos do que seus ancestrais fizeram com eles.

O primeiro pólo gerador da violência não é algo genético como se pensou durante décadas, genética é sempre predisposição, nunca a certeza de um comportamento. O embrião da violência é quase que um casal de gêmeos, frustração por não ter tido um ambiente seguro, de carinho e intimidade, e o segundo é a imitação, quando a criança aprende que o desafeto e a desarmonia são elementos comuns do cotidiano, como escovar os dentes. A agressividade, no grau negativo é o pai mais do que biológico da violência, sendo uma reação e defesa contra a situação de privação e desamparo, é ter sido atacado e subtraído no afeto, para depois atacar e literalmente se vingar de todo o seu infortúnio. Embora considere tudo o que escrevi até o presente como o máximo do óbvio, é fundamental relembrar tais teses, pois senão seremos vítimas de uma análise totalmente midiática, explorando chavões e sensacionalismo. Novamente digo o óbvio que a agressividade está na natureza humana. Quantas guerras o homem já travou? Entre 1740 e 1974, o planeta teve 13 bilhões de habitantes e assistiu a 366 guerras de grandes dimensões, ao custo de 85 milhões de mortos. O resultado dessas guerras parece ter sido um prêmio à agressão, pois em dois terços delas o agressor saiu-se vencedor e, quanto à duração, 67% terminaram em prazo inferior a quatro anos” Francisco Doratioto, Maldita Guerra”. Então nem precisamos discutir sobre como uma reação básica do ser humano pode se tornar em algo tão mortal. E há outra coisa ainda pior, se falarmos em guerra se pensa quase sempre no conflito armado, se esquecendo que uma das mais terríveis variantes da guerra moderna é o problema dos milhões de refugiados no mundo.
Mas voltando ao problema da violência do ponto de vista psicológico, devemos explorar mais seus mecanismos. A psicologia de SIGMUND FREUD fincou com bastante maestria que o grande problema psíquico do século dezenove era a repressão da sexualidade, não que não ocorressem outros, mas a sexualidade abafada naquela época e circustância era o gerador da maior parte das mazelas psicológicas. Pois bem, falando da violência qual seria seu maior centro nevrálgico em nosso tempo atual? Alguns certamente arriscariam as questões econômicas e sociais que não quis debater neste estudo. Embora não tire a importância em se analisar ditas questões, do ponto de vista psicológico é quase que inútil. A grande raiz e pai biológico da violência em nossa era é a solidão, por mais estranho que pareça. Tentarei comprovar minha tese. Vivemos numa verdadeira loucura do pertencimento, ninguém obviamente quer ser rejeitado ou excluído, o problema é que o pânico da solidão atingiu um grau tão elevado como disse em outro estudo, que vale tudo para ser aceito, indo desde uma religião, seita, à torcida organizada de futebol com o objetivo de praticar a violência, ou então espancar homossexuais na rua, como temos assistido lamentavelmente. Está se esvaindo o raciocíno crítico para o pertencimento, se uma jovem de treze anos está rodeada de garotas de sua idade que lhe dizem que já fizeram sexo, se sente compelida a fazê-lo para não se sentir excluída de seu meio. Se o garoto torcedor de um clube, sabe que seus colegas sistematicamente vão ao estádio para arrumar brigas, fatalmente achará natural fazer o mesmo.

É totalmente incompleta a análise do senso comum que diz que a culpa é dos pais que não acompanharam a educação dos filhos. Embora tal afirmação tenha seu mérito o problema é que os pais nem desconfiam ou se importam sobre o altíssimo grau de solidão que seus filhos estejam vivenciando. Como disse em outro texto, a solidão é a vitrine sem vidro, é sentida como humilhante, uma derrota total dentro da afetividade, como um produto que o supermercado nem aceita expor. Tal sentimento obviamente irá gerar uma contra-reação, inicialmente de frustração e a seguir de ódio. Já que fui excluído do suposto ambiente normal, tal gangue, facção ou ideologia totalitária poderá me adotar e mitigar esse horrendo sentimento de fracasso. Segue-se o abrandamento da censura positiva ou moral ética, para um apelo desesperado e destrutivo para o pertencimento. É quase que implorar por um uniforme, só que ao vestí-lo o indivíduo se sente num belo adorno como sentiam os soldados nazistas ou romanos, sendo que o uniforme é uma espécie de canal para as mais destrutivas pulsões humanas. Visto o uniforme e mostro minha voracidade e vício pelo ódio, visto o uniforme e todo o meu complexo de inferioridade se acaba, mesmo sabendo que sou apenas um número tolo ecoando canções ou hinos contra um comportamento ou prática que nem conheço direito, visto o uniforme e tenho um verdadeiro delírio que agora sou superior e estou protegido pelo grupo, podendo planejar e executar qualquer ação que me dê o gozo de humilhar ou massacrar alguém. Visto o uniforme e tenho um deus único que é a ferocidade, irmão também gêmeo da destrutividade. Mas o ser humano não deve se organizar? Obviamente, mas qualquer agremiação implica em acolher, não em excluir, implica ajuda e nunca perseguição, implica em amizade, companheirismo e solidariedade, jamais em humilhação, discriminação ou insensibilidade. Outra coisa bem estranha é que com tanta entidade em defesa seja lá do que for, nunca se viu tanta discriminação ou violência, o problema é que excluindo os interesses políticos que sempre existem, não estão atentas para esse cabedal psicológico, se fixando num discursor centralizador ou de cunho primário, se desejamos realmente combater a violência, o primeiro passo é conhecê-la a fundo. Apesar de ter estudado em um colégio extremamente conservador e autoritário, lembro-me de uma lição muito importante que recebíamos na aula de ética. Éramos ensinados a ver como exemplo uma pessoa deficiente com compaixão, não era nenhum sentimento de pena, sendo que o professor apenas olhava para nós e dizia que como não tínhamos deficiência alguma aparente, nossa obrigação para com o próximo era o dobro, pois tínhamos talvez mais saúde ou agilidade, o que cobrava de nós mais empenho para compreender e ajudar o outro, talvez esse tipo de aula fosse hoje considerada discriminatória.

O fato é que quase todos estão presos no passado de privação de afetividade ou experiências traumáticas nesse polo emocional. Já virou moda na psiquiatria e psicologia designações modernas para velhos transtornos, assim sendo, chamo esse estar preso ao passado de síndrome da incapacidade para a perda afetiva, onde o indivíduo simplesmente se utiliza do recurso da apelação no último grau possível, é frequente em meu consultório logo no início de uma nova consulta o paciente me inquirir: “doutor pelo amor de deus, me dê uma ajuda ou fórmula para combater isso, não suporto de jeito algum estar só, lembro de tudo e de todos os lugares que estive com meu último parceiro”. Costumo responder que se dez parceiros o humilharam, tortutaram psicologicamente ou denunciaram você por alguma incapacidade emocional ou sexual, não é sem fundamento todo o seu sofrimento. Mas se alguma pessoa realmente se importar a fundo com seus sentimentos, excluindo interesse sexual ou coisa similar, você com certeza foi ou será redimido. Pode ser que essa pessoa ainda não apareceu, mas certamente irá encontrá-la no final do túnel de seu vício em relação ao pretérito, quando isso ocorrer, você terá o dever de colocar tal fato no caixa a favor de seu ego, e jamais aceitar a loucura da impossibilidade de um recomeço.
O apego é o sentimento mais devastador da condição humana, é uma contra-reação à naturalidade da morte e perdas. Voltando a violência, o problema de quem almeja a mesma, não é tanto uma falta de humildade perante seus complexos que não consegue elaborar, mas, sobretudo, um orgulho e incapacidade nata para admitir profundamente que necessita de ajuda o mais urgente possível, contra o devastador sentimento de solidão, carência e inferioridade. Caso não o faça continuará na esfera do conflito, da agressão para esquecer sua dor dilacerante de se sentir preterido na mais alta esfera da afetividade pura e singela.

A permissividade também é outro fator gerador da violência. Aqui o leitor certamente remeter-se-à falta de limites nas crianças e jovens em decorrência de pais ausentes ou culposos por trabalharem o dia todo e deixarem seus filhos na escola por exemplo, então tentam compensar essa ausência suprindo todo o desejo material da criança chegando ao exagero muitas vezes. Mas novamente vou achar que tal explicação é incompleta ou primária. O materialismo excessivo fornecido pelos pais não diz necessariamente da culpa dos mesmos, pois conheço várias famílias onde os genitores lidam muito bem com a questão de trabalharem fora, sem nenhum remorso de deixar a criança no berçário por exemplo. O que se esconde por trás da questão material novamente é a terrível solidão vivida pelos próprios pais, seja individualmente ou no casamento, assim sendo, transportam seu vazio para o material, que se pensarmos profundamente não deixa também de ser um vácuo ou vazio, pois aplaca a angústia por um tempo muito curto. O lado material fornece uma sensação de pertencimento, devido obviamente ao status e competição reinantes na sociedade, se posso comprar algo caro ou de valor coletivo, sem dúvida alguma me sinto recuperando um poder pessoal que talvez há muito tempo tenha perdido. Porém, como disse, esse efeito é efêmero, igual de uma droga com um curto tempo de prazer, para após voltar com mais ênfase ainda a ingrata solidão. Se pensarmos na questão dos casais, dois são os fatores centrais de relacionamentos conturbados, o primeiro como sempre coloco é a falta de uma comunicação profunda, fazendo com que o casal passe anos ou décadas numa espécie de vácuo acerca do conhecimento perante a alma do outro, o segundo tão perigoso quanto este citado é uma espécie de censura que o casal se coloca na arte de conversar, tudo que é dito é visto como uma agressão ou então gera uma distorção radical de significado, ocasionando brigas e discussões, então o casal opta pelo silêncio. Aliás é o tipo de casal que infelizmente está na moda nos consultórios, é uma espécie de migração de uma ditadura política para uma afetiva e emocional, sinto até que as pessoas almejam tal estilo de vida, dado um conservadorismo não apenas do ponto de vista político, mas tem uma base cultural, nos costumes diários, querem viver sob o manto negro do obscurantismo, onde o líder sem sombra de dúvida é a agressão ou o ódio. Parece enfim, que procuram uma relação para escoarem todos os seus dramas passados e presentes, assim como os grupos citados, procuram não o afeto e prazer, mas a discriminação e acusação para com o parceiro, aceitando com naturalidade esse pacto diabólico. Enfim, se alguém desejar realmente combater não apenas a violência social, mas aquela que emana de sua pessoalidade diária, tem de pensar seriamente não apenas de consultar um psicólogo, mas sobretudo, estar preparado para analisar, elaborar, e refletir sobre todos os seus conteúdos emocionais e de personalidade, e o primeiro passo para tal finalidade é o controle de sua projeção perante outros, destes conteúdos citados.

Agradeço a sugestão para escrever o texto do doutor em sociologia IRINEU FRANCISCO BARRETO JR.

Créditos: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Infidelidade e Traição

Independentemente da era, modelo econômico e social, o assunto da traição nos relacionamentos acompanha a própria história afetiva e sexual do ser humano. Obviamente por seu caráter de extremo sofrimento e dor, a matéria é sempre atual, mesmo que determinados modismos tentem se impor no padrão cultural de determinada época. Quero deixar claro que as idéias apresentadas abaixo não possuem um caráter genérico, mas, apenas observações de casos acompanhados clinicamente. A primeira premissa para uma futura traição sexual ou afetiva é o não acompanhamento da imagem psíquica que uma pessoa formou acerca de seu companheiro, e se tal imagem é passível ou não de satisfação plena. A estimulação da ilusão seja pela sedução ou ausência é sinônima completa da traição, sem que ocorra necessariamente um encontro sexual clandestino. Antes da traição sexual propriamente dita, ocorre a fuga no plano emocional, havendo a recusa da ajuda perante o desenvolvimento das potencialidades amorosas de ambos os parceiros; assim sendo, a traição máxima é o desânimo de estar com alguém. A psicologia falhou no estudo deste tema, pois os elementos destrutivos tão bem estudados pela mesma, se aplicam diretamente à questão da traição. Digo isto, pois no campo clínico notei que o desejo de trair alguém nasce muitas vezes diante da fraqueza do parceiro; revelando os conteúdos da agressividade, frustração e desejo de poder sobre o outro; que irão catalisar a busca por novas pessoas.

Quanto maior a timidez de uma das partes envolvidas no tocante a exposição da perda de seus sentimentos, maior será a competição do companheiro para alterar ou recuperar a situação anterior. Conclui-se que a traição está intimamente ligada à disputa e competição. Do ponto de vista masculino é histórico o desejo de ambição. Jamais podemos nos contentar com a falácia do "enjôo" no relacionamento; o que ocorre é o transporte do desejo de riqueza e acúmulo do âmbito social para a relação. O amor masculino é cumulativo e age perante o desafio; e como a mulher é sua posse pode a destratar o quanto quiser, após a conquista; caso alguém duvide é só se lembrar das experiências da adolescência em relação à competição grupal acerca de quem iria sair com a mais bela garota da escola. O homem na maioria das vezes carrega esta dificuldade de não conseguir amar, tendo a necessidade da conquista do objeto sexual valorizado para satisfazer seu narcisismo perante o meio.

A traição feminina segundo alguns psicólogos tem a finalidade de por fim a determinado relacionamento que há muito tempo está falido. Tal conclusão é verdadeira em parte, pois a questão ultrapassa este conceito. A postura sexual da mulher não deixa de ser um "espelho" perante todo o histórico do comportamento de seu par; a traição feminina encerra não apenas um componente de vingança frente ao que o homem resistiu em proporcionar a mulher, mas, também guarda uma memória afetiva e sexual extremamente elevada sobre todas as situações vividas. O interessante é que o sofrimento feminino perante a traição remete a falta de amor de seu parceiro; já no caso masculino, a primeira leitura é sobre o desempenho sexual, ou se outra pessoa consegue ir além de suas capacidades, reforçando o caráter da competição citada acima. Outro fator interessante é como cada um reage frente à traição. A mulher por mais ferida que esteja, ainda tenta entender o que aconteceu no relacionamento que acarretou tão trágico episódio; o homem faz a leitura de que a traição feminina sempre fez parte de um desvio de caráter da mulher, tentando se eximir de qualquer responsabilidade pessoal. O quadro cultural em que o ser masculino foi criado diz que o mesmo "ama quem não deseja" - sua esposa, e "deseja quem não ama" - seja uma amante ou aventura sexual qualquer.

Essa dicotomia afetiva novamente retrata o caráter ambicioso e bancário dos relacionamentos. Diz ainda da delicada questão da beleza ou sensualidade e como se lida com ambas. O homem procura galgar poder e respeito perante seus pares, como foi exposto. A mulher encara a beleza quase como uma "sobrevivência" de sua parte afetiva que clama por consideração, tentando evitar o abandono por parte de seu companheiro; embora abaixo irei relatar alguns aspectos nocivos de como o ser feminino lida com tal aspecto.

A beleza talvez seja o ícone máximo da era moderna, se associando a dinheiro, prestígio e status. Sua função psicológica é diminuir a angústia e sofrimento desesperador da rotina diária. O ser masculino a busca para esconder suas ambições ou decepções que não conseguiu efetuar. A mulher a nutre pela necessidade de ser cultivada e servida, embora reclame constantemente da obsessão e ciúme. A mesma ainda acusa o homem por seu caráter essencialmente erótico; mas, o por que então da preocupação exacerbada com a aparência? A fortuna movimentada pelas clínicas estéticas mostra um outro lado; o vício da mulher no tocante ao hábito de seduzir, e a mentira que algumas vezes passa ao tentar dizer que gostaria de algo mais profundo, quando na maior parte do tempo alimenta apenas sua vaidade. É o mesmo processo que ocorre com alguém que detém extrema fama e se queixa do constante assédio e invasão de sua privacidade; sendo a fama seu combustível diário. A dissimulação é generalizada quando se consegue uma substancial dose de valor ou importância. A beleza é o seguro mais atual contra todo o processo da fragilidade humana em todas as esferas. O modelo social nos coloca a imposição da fama não apenas para sermos respeitados, mas o que é pior; para obtermos determinadas satisfações básicas, como a atenção ou afeto, citando dois exemplos.

Uma das provas do amor é o desejo constante de servir; infelizmente a maioria dos casais não consegue a comunicação de como isso deve ser feito na prática. Já faz um bom tempo que a disponibilidade não incrementa a gratidão ou desejo do parceiro. A sensação é de uma exigência que jamais alguém poderá cumprir, dissimulando o fato de que a maioria das pessoas tem um grave problema em estabelecer compromissos nos dias atuais. A dicotomia observada é se sentir confinado numa relação, clamando por liberdade para novas buscas versus o terrível medo da solidão; isso sem contar a parte destrutiva que todos carregam na ânsia ou desejo de "amarrar" a alma de alguém. O desejo de liberdade que eclode quando estamos num determinado relacionamento é fruto da baixíssima autonomia que possuímos na esfera econômica e social. Transportamos determinadas faltas sociais para os relacionamentos. Mas voltando ao tema da traição, o que fazer quando se descobre a mesma? Esta sem dúvida alguma é a pergunta que mais dilacera quem passou ou está passando por tal experiência. O ideal seria que antes de tal catástrofe um dos dois discutisse não apenas sua ambição por outras pessoas, como também a sensação de aprisionamento que a relação está produzindo. Mas é quase que tolice buscar sinceridade na atualidade. 


O fato é que a descoberta da traição não apenas levanta aspectos ou desejos de vingança, abrindo caminho para pensamentos muitas vezes irracionais que a pessoa não possui nenhum tipo de experiência ou controle. Parece que qualquer tentativa de resolução leva ao caos psíquico. Se há o "perdão", aparecem os mecanismos de poder, sendo que o sentimento de dívida ou a falha comportamental jamais poderão ser restaurados. O perdão trará também a consciência que nem toda a mágoa ou escombro mental pode ser removido, tendo que aprender a conviver com um "resto" de desilusão; apesar de que o perdão é o melhor instrumento para se aferir se houve apenas um conflito que o parceiro não soube lidar, ou se as atitudes desenvolvidas pelo mesmo fatalmente irão se repetir. Se ocorrer a dissolução da relação, o arrependimento por tão radical decisão inunda a consciência; isso sem falar na paranóia ou desconfiança que se instalam automaticamente no convívio diário. Uma das mensagens cruciais é que deveríamos sem dúvida alguma seguir em frente. Podemos inferir que a traição remete a nossa falta de experiência de como lidar com o ódio, elemento irmão da paixão ou amor. A raiva resultante de uma traição possui um duplo sentido: primeiramente é fundamental que possa ser expressa para que ocorra a libertação psicológica de quem está completamente absorto no sofrimento. Porém, o cuidado deve ser extremo para que não se alimente a continuidade de algo essencialmente negativo, reforçando a sedução de ser a vítima o tempo todo.

A tentativa histórica e moral das religiões de coibir relacionamentos fora do modelo do casamento, só potencializou a atuação destrutiva num nível além do alcance da maioria dos mortais, pois sempre teve medo de discutir as reais paixões humanas negativas; embora até hoje não consigo visualizar alternativas de relação não neurotizadas, quando se foge de determinados preceitos históricos e morais. A traição revela a outra faceta sempre negada de qualquer apego ou dependência; que tudo não apenas passou de ilusão, e que temos de fazer uma certa lição de casa acerca de nossos sonhos e expectativas; ou perceber se no decorrer de nossas vidas estamos apenas investindo em terrenos estéreis. O mais dolorido nisso tudo é a nossa instabilidade para o prazer. Seja a insatisfação do sujeito com a rotina, ou a pessoa que originou o processo da traição, todos se encontram numa total escuridão acerca do futuro. A decisão não cabe mais a ninguém; somente a determinada frase ou elemento de impacto que tire todos do caos, perante os fatos ocorridos.

A traição é a exposição da carência ou bloqueio afetivo de todas as partes envolvidas. Não há vencedores; apenas uma troca atribulada da antiga segurança emocional pela disputa completa. Fazendo uma comparação em termos sociais, equivaleria a uma demissão no âmbito profissional, após certo tempo de experiência, sem que os reais motivos de tal acontecimento fossem explicitados. A disputa pelo objeto de desejo gera uma total ambigüidade: o narcisismo consciente ou não de quem traiu, se sentindo sobrevalorizado inconscientemente perante o episódio; assim como a pessoa traída irá buscar a prova de seu valor pessoal por todos os meios possíveis; isso sem falar do álibi que alguém traído pode usar contra todas as faltas do outro, fugindo de suas pendências psicológicas. Por outro lado, o sofrimento acarretado por tal disputa nasrcísica levará ao "nojo" ou degradação daquilo que era estimado.

Uma questão importante no tocante à traição, é que a mesma remonta a sobrevivência do ego. A expectativa de uma miserabilidade seja no campo econômico ou pessoal, é a tragédia de nossa época. Ser traído equivale a uma espécie de falência emocional, psíquica e sexual. O importante a frisar novamente é a sedução de sentir ódio em qualquer situação afetiva. Tal emoção visa não apenas distrair a pessoa de suas mágoas ou frustrações, se tornando uma espécie de passatempo que preenche por completo a alma de alguém. O ódio se instala seja pela traição ou qualquer característica que se vê no parceiro que gere conflito. A hipocrisia é plena na matéria afetiva, pois há muito tempo já deveríamos saber da nossa intolerância no terreno emocional. O ódio é o mais puro comportamento cotidiano; a felicidade remete à unicidade, tornando uma pessoa especial por se conhecer e lidar com todo o tipo de conflito. O contrato afetivo que quase ninguém consegue estabelecer é o preço a ser pago pela convivência a dois. A pessoa que trai julga não apenas estar insatisfeita; sendo que seu desejo de poder está longe de ser concluído. O desafio se torna uma meta de vida silenciosa e ilegal.

A traição diz de uma pessoa totalmente mimada, pois tenta sugar o máximo possível na esfera afetiva e sexual; embora não possa concordar plenamente que a traição reside apenas numa determinada ambição. Há uma tentativa avassaladora de despotencializar o parceiro por completo; uma espécie de inveja por não ter incorporado elementos que lhe dariam mais poder ou segurança. A dificuldade e timidez no tocante aos fatores emocionais constituem outro caos emocional de nossa atualidade. O tímido como observei exaustivamente em outros estudos*; nega-se peremptoriamente à divisão de qualquer experiência íntima. Odeia falar de si; usando sua dificuldade social para fugir de suas responsabilidades afetivas. Sua meta é obstruir o "sonho do outro", pois, caso alguém atinja o "clímax" com ele, terá um compromisso de retribuição que não deseja efetuar. Não que as pessoas que mais cometam uma traição sejam necessariamente tímidas, mas um ponto que quero ressaltar é que a traição é uma forma de nivelar todos os envolvidos pelo desespero. Mas o leitor irá se perguntar qual a vantagem de se produzir um sofrimento quase que insuportável? Medo do envolvimento pleno, fuga, anseios de poder frustrados, repetição de relacionamentos familiares destroçados e principalmente investimento apenas numa imagem egoísta e narcisista de caráter. Todos têm o dever de aprender as equivalências dos processos onde estão envolvidos. O casamento se tornou uma espécie de "venda", onde tudo é prometido antes: encontro de casais, orientação religiosa ou matrimonial, apoio social e tradições. Porém, após certos conflitos as pessoas se encontram absolutamente desamparadas, seguindo o mesmo procedimento que ocorre na esfera econômica e social.


A saída de todo esse processo de terror seria a não intimidação perante o vício de competir, que é sinônimo do modelo social e que acaba com a relação gradativamente. O auto respeito é nunca trocar a segurança pessoal por uma imagem ou cópia de idiossincrasias coletivas. Quem não consegue depender de si próprio, abrirá caminho para todo tipo de situação neurótica e de futuro desprazer. Não que deseje passar a mensagem que todos devem procurar a solidão; muito pelo contrário, aquele que aprendeu não somente a depender de si, sendo também receptivo às possibilidades de trocas genuínas, estará muito próximo da arte do amor e satisfação quase que plena. Talvez a coisa eterna e saudável em nossa vida não é a lembrança corriqueira de algo negativo, como nossa mente aprendeu a se concentrar, mas principalmente a abertura e possibilidade no dia a dia de aprender, e nunca se abater ou contaminar por processos que já eram viciados desde seu início.

Quanto maior o apego, maior a possibilidade de uma traição, pois, o medo da perda caminha em paralelo com a dificuldade de se expor à gratificação ou não no convívio com determinada pessoa. O ciúme acarreta o mesmo efeito; sufocar e não dar a mínima chance para que a pessoa possa mudar de idéia ou fazer outra escolha; assim sendo, a insegurança é a mola propulsora inconsciente que pode trazer à tona o desejo de trair em ambos os parceiros; sendo assim, não há inocentes nesta matéria. O leitor poderá questionar se não é um tanto religioso o modelo aqui apresentado de expor todas as insatisfações, como uma espécie de "confissão" emocional. O fato é que se não há nenhum parâmetro de diálogo ou convivência afetiva, o narcisismo exacerbado de um dos parceiros triunfará sobre qualquer possibilidade de troca verdadeira, com todas as conseqüências danosas que conhecemos.

Para tudo se cria a possibilidade de ganhar dinheiro. Na traição, a coisa não funciona de modo diferente. A indústria dos detetives ou flagrantes de uma suposta traição movimentam um mercado de grandes somas econômicas. Ao invés de se alimentar essa paranóia, seria interessante que as pessoas lidassem profundamente com seus sentimentos de desamparo e abandono. Cansei de observar pessoas totalmente inseguras, que seu objetivo máximo de vida era apenas delatar ou encontrar provas da infidelidade do parceiro. Quem possui plenamente afeto ou amor jamais poderá se considerar como traído, no máximo fez uma péssima escolha, seja por fatores estéticos ou comportamentos neuróticos que remetem a um passado mal resolvido. A verdade é que as pessoas se usam o tempo todo, e o relacionamento se assemelha a estar em determinado emprego sempre à espera de uma oportunidade melhor. Para o sujeito que sofreu a traição, a pergunta é se realmente o mesmo sentia a felicidade de estar com a pessoa, ou se apenas tudo não passou de um ensaio acerca do que seria realmente sua satisfação pessoal? A obrigação de relacionamentos duradouros que antigamente faziam parte do cotidiano deu lugar à absoluta incerteza de quanto uma relação irá perdurar em nossos dias. "Tudo pode acabar a qualquer instante"; já que o mandamento máximo imposto por uma era de solidão e desespero é a não cobrança de desejos ou afetos. Deveríamos prestar mais atenção ao que realmente perdura em nossas vidas.

A traição seria realmente a perda de um investimento emocional profundo, ou uma tola ilusão de que uma pessoa poderia se encaixar num perfil desejado? Alguém exige a fidelidade por um real compromisso amoroso, ou não admite nenhum arranhão em sua imagem egóica? Certamente tais perguntas são cruciais no desvendamento do problema apresentado. Talvez muito mais do que um aspecto ético ou religioso, a traição subliminarmente está dizendo de alguém que se tornou uma espécie de "nômade" afetivo. A discussão sobre o que é duradouro é fundamental para aprofundarmos a questão da traição. Não seria a própria instituição matrimonial um desafio a fatídica questão da morte como essência humana? Peço apenas a reflexão para tal ponto. A morte sempre dá sinais antecipados de sua futura ocorrência, sem que haja perdas ou situações bombásticas. O lamentável é que poucos sabem interpretar tais fatos. O grande dilema é o que aceitar ou escolher para o curso de nossas vidas: dor, amargura, desespero, ódio, ou potência pessoal e criatividade. 

A traição é a recusa completa na crença de que o convívio afetivo poderia ser ocupado por uma pessoa muito mais qualificada. A frustração cega por completo qualquer tipo de esperança acerca do futuro. Temos o hábito milenar da concentração na vingança e reparação, ao invés da análise de futuras possibilidades e sobre o que estamos atraindo para nossa vida. A verdade é que somos quase que totalmente ineficazes para estabelecer o ponto ideal de quando deveríamos ir embora; prova disso são as constantes sensações de culpa ou arrependimento. A traição soa como uma volta temporal no relacionamento a determinado estágio onde não havia vínculo ou compromisso; como se perdêssemos totalmente a segurança que achávamos que detínhamos. Outra questão importante a se levantar é a dificuldade de se manter ou cultivar uma relação que é até agradável; porém, fica exposta totalmente à fantasia ou pensamento obsessivo de uma incompletude que parece que jamais poderá ser preenchida. Parece que apenas a perda nos mostra como sempre estamos distantes das pessoas que julgávamos amar.

Até o momento, estive falando sobre ambição, posse e outros sentimentos que geram ou são gerados pelo poder. Uma relação na nossa atualidade parece como uma escolha que sempre acarreta a sensação de clausura; desprovida de uma seqüência criativa, ou que produza um constante estado de liberdade; este último se tornou o antônimo dos compromissos como estava dizendo no começo do estudo. Parece que todos vivem a contradição de desejarem ser livres; paralelamente ao desejo de "pensão" ou aposentadoria no âmbito afetivo, quando escolhem viver com uma pessoa. Há ainda o fator da construção de bens materiais para supostamente serem desfrutados a dois; sendo que não se percebe que na maioria das vezes tal meta apenas esconde a própria insatisfação pela permanência da relação. Esta árdua tarefa é outro fator gerador da traição, pois uma pessoa que se sente sobrecarregada irá tentar desafogar o peso extra de alguma forma. O que não se percebe neste exemplo é que todas as expectativas são direcionadas para uma ilusão de prazer no futuro, se esquecendo por completo da carência do presente.

É trágica a preguiça coletiva de se perceber o significado de determinados processos. O centro do conflito de qualquer relação afetiva é o temor de expor hábitos ou comportamentos que ainda não foram passíveis de compreensão ou solução pelo indivíduo, causando vergonha e humilhação quando percebidos a dois. Apesar disto, nunca nossos desejos se tornaram tão reféns de outras pessoas. Talvez poucos estejam atentos para o fato de que o esforço pessoal de uma pessoa muitas vezes é dirigido para uma área que compense aquilo que a mesma está em déficit há anos, se recusando a lidar com seus complexos. Penso que a solução mais viável para todos os problemas apontados seria o equilíbrio energético. Na prática passa pela conscientização de que um relacionamento ou amizade é algo vital, que requer manutenção ou investimento diário, assim como nossa tarefa de sobreviver. Consumimos a maior parte de nosso tempo em coisas forçadas ou que estão desprovidas de um sentido mais profundo; quando podemos decidir por algo no tempo livre que nos resta, surgem a ansiedade e angústia como inibidoras de algo novo. A lição básica é a aferição do presente em qualquer tipo de encontro ou relação. Um ideal ou imagem é meramente uma construção psicológica para acomodar a mente num suposto prazer, ou fugir do medo. Portanto, sua perda nunca será a raiz da traição, mas do engano pessoal potencializado.

Deveria haver espaço para tudo (sexo, alegria, diversão; assim como para coisas negativas do tipo: rotina e tédio). Porém, nossa alma carenciada valoriza uma constância de prazer inatingível. Todos fomos treinados desde cedo para o esforço, e descobrimos que na área da pessoalidade, este talvez não seja a ferramenta mais eficaz. Quando indago meus pacientes acerca do que seria a relação perfeita escuto como respostas: companheirismo, cumplicidade e fidelidade. Confesso que se torna um tanto irritante ouvir tais conceitos absolutamente genéricos, quando na verdade quase ninguém consegue realmente acompanhar o âmago de uma relação, ou suas constantes atribulações. O que se chama de "amor" quase sempre se transforma num labirinto, onde seu centro é nossa ferida emocional sempre aberta. O medo será sempre um tipo de seguro sobre se devemos um não doar algo especial sem nenhuma garantia de retorno. A contradição é imediatamente instalada, pois, a retenção de algo supostamente de valor acarreta invariavelmente a desvalorização completa do mesmo.

Toda sociedade ou cultura acaba desenvolvendo mecanismos de defesa contra o sofrimento. O chamado "ficar", tão propagado pelos jovens não passa de uma insípida proteção contra o desejo oculto de traição de ambas as partes. Se aceita tranqüilamente que o aprofundamento pode levar a dor; como conseqüência apenas é solicitada uma mera companhia. A solidão é vista como uma doença terrível, sendo que o remédio é tomado apenas pela metade, já que a dívida ou compromisso é evitado. A inversão de prioridades tem sido a tônica dos dias atuais. Como a sobrevivência no plano material ocupa a cada dia mais espaço, ocorre um relaxamento no plano da pessoalidade. Apenas o bom senso e discernimento são os instrumentos válidos para que tipo de ação tomarmos diante da traição; seja a continuidade ou separação do relacionamento. A ajuda profissional é fundamental não como um juízo de valor perante o ocorrido, mas para "escavar" as causas que originaram todo o histórico.

A premissa romântica tão propagada da procura da "alma gêmea" possui um cunho de verdade, porém, poucos a percebem onde a mesma ocorre verdadeiramente. Por pior que sejam os acontecimentos ocorridos num relacionamento, a experiência clínica e análise do inconsciente comprovam que o casal se completa totalmente no sentido de que cada um possui bloqueios semelhantes, embora de origem diversa, e que poderiam se ajudar na superação dos mesmos. Qualquer relação por mais ínfima que seja carrega o peso de duas almas que procuram ajuda e ainda não perceberam tal fato. O terrível é que a falta da franqueza irá esconder o potencial de cada um no tocante a carência extrema do outro. Quando se inicia um namoro ou relação, a mesma é quase sempre movida pela atração ou desejo sexual. Este não é a essência da libido como muitas escolas da psicologia acreditaram por décadas, mas reflete por natureza uma ambição íntima de uma espécie de "contrato" que gostaríamos de estabelecer com alguém para ocultar o nosso caminho não percorrido. O quase centenário conceito do complexo de Édipo se ajusta no que foi dito. Não nos tornamos neuróticos por estarmos fixados na disputa contra um dos genitores por mais atenção e amor que gostaríamos de receber do outro; este comportamento de tentar retirar alguém de nosso caminho apenas delata nossa angústia por procurar algo novo; qual o propósito de arriscar uma rejeição afetiva contra estranhos, se podemos forçar que nossos pais nos dêem tudo, inclusive fantasias eróticas? O complexo de Édipo apenas prova o medo do erro fora do círculo familiar.  

A traição é a imposição sobre nossa consciência para que lidemos com a dor da injustiça pessoal, que quase sempre se deriva da coletiva. Enfim, será que sofremos por não termos atingido um sonho; e se o obtemos muitas vezes não resta apenas o vazio existencial? Qualquer ato de transformação só será válido quando se inicia pelo íntimo. Podemos ou não ter a sorte de encontrarmos alguém que realmente nos amou; tal questão infelizmente foge completamente de nossa vontade; mas com toda ênfase afirmo que está sob nosso controle a administração das seqüelas e nossa esperança de um recomeço mais maduro e harmonioso. 

* ESTE TRABALHO FOI TOTALMENTE PRODUZIDO PELA EXPERIÊNCIA CLÍNICA DO AUTOR. 

Autor: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo