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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Qual Tipo de Pessoa Tornar-se-á Solitária?

QUAL TIPO DE PESSOA TORNAR-SE-Á SOLITÁRIA?(UMA ANÁLISE DOS CONFLITOS NOS CASAMENTOS E RELACIONAMENTOS NA ATUALIDADE).

"Qualquer talento ou distinção pessoal deve servir ao incremento de uma sensibilidade a favor de determinada pessoa,do contrário, apenas restará uma vaidade nefasta que excluirá o sujeito da condição humana, rebaixando-o novamente para o reino animal da competição".- CHARLES DARWIN.

"Todos constroem um desejo veemente de ter provedores que satisfaçam todas as carências impostas pela vida. Como a criança lida com a imagem e o real perante a figura provedora, é a medida mais exata de sua futura saúde ou doença mental. Muito mais do que desejar afetivamente um dos genitores, o objetivo central da criança desamparada é possuir um provedor eterno, pois logo cedo a mesma percebe a extrema dificuldade pela sobrevivência em nosso mundo".- ALFRED ADLER-PSICÓLOGO.

"Se na era vitoriana estudada por FREUD, a mulher desenvolveu a histeria por não poder gozar a sua sexualidade devido ao moralismo opressivo da época, que tipo de nova enfermidade desenvolverá uma mulher independente, que pode se relacionar sexualmente com total liberdade, mas totalmente temerosa em compartilhar sua intimidade e com pânico profundo ao amor e entrega absoluta?".-ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO.(ANTONIO CARLOS-PSICÓLOGO)".

A sensação de derrota íntima é o primeiro indício de uma profunda solidão que talvez seja companheira pelo resto da vida de uma pessoa. Neste ponto quero ressaltar o primeiro conceito essencial deste texto, que tem o objetivo de advertência pessoal e social: Qualquer experiência pretérita de fracasso Afetivo ou separação deveria servir para uma ampliação de consciência ou crescimento pessoal, nos tornando mais sensíveis para aquilo de que realmente necessitamos, sendo que jamais poderíamos nos permitir que ditas experiências nos causassem amargura ou rancor, que irão se travestir de exigências impossíveis de serem concretizadas num futuro relacionamento.

Talvez a questão levantada seja a maior doença afetiva de nossos tempos. Se em algum momento de nossa vida nos entregamos a alguém que efetivamente não nos correspondeu, este é um problema puramente de sensibilidade, sendo que a mesma com toda certeza estava diminuída por não termos percebido uma escolha errada, ou que no fundo a pessoa em questão era uma projeção de todas as nossas negatividades não assumidas. O fato central que temos de perceber é o quanto realmente de investimento profundo depositamos na relação, ou prevaleceu nossa cobiça diária para ganhar mais dinheiro?Qual das partes sempre teve a soberania?

A prática da psicoterapia durante um pouco mais de um século, provou que o essencial para a cura de determinada neurose é principalmente a relação que se estabelece entre terapeuta e paciente. A mesma jamais pode ser algo puramente técnico, mas, sobretudo um dinamismo onde a troca deve sempre estar presente. O pagamento de determinada consulta é uma espécie de depuração para um sujeito que esteve em déficit no plano emocional em algum momento de sua vida.

Independentemente da questão econômica, o ponto central deve ser a troca, pois do contrário sobrará uma concepção mística e donativa de uma relação, onde a conseqüência é o mais puro sofrimento. Jamais uma verdadeira relação amorosa pode ser unilateral, pois do contrário há uma escravização do sentimento. Sabemos da extrema dificuldade da entrega ou doação numa relação, pois quase todos têm o receio de se sentirem submissos ou inferiores perante o outro. Obviamente é mais cômodo ter alguém aos nossos pés, provando nosso poder pessoal na esfera amorosa,sendo este desejo de possuir a alma do outro, uma das piores manipulações emocionais que o ser humano tem desenvolvido em nossa era.

O ser masculino ainda insiste em renegar toda e qualquer sensibilidade, embora se fale o contrário. Que se manifestem os psicólogos, onde 90% de sua clientela é composta por mulheres. Esta constatação é apenas uma das provas de que o fracasso afetivo sempre é empurrado para o âmbito da responsabilidade feminina, causando uma depreciação global em sua autoestima.

O homem procura por força cultural e maior treino sexual desde a adolescência, a obtenção do prazer imediato, se recusando na maioria das vezes a participar da intimidade conjugal ou familiar. O que devemos perguntar é o que realmente seria o prazer? Seria a satisfação de determinada fantasia sexual, de poder econômico, ou ambição em todos os níveis? Este último tópico se aplica na questão afetiva, pois é só pensarmos na infidelidade conjugal ou a necessidade histórica da freqüência de prostíbulos por parte do homem.

Se refletirmos profundamente, logo descobriremos que o prazer máximo reside naquele tipo de pessoa que jamais sabotaria o mesmo,pelo contrário, cultiva um aprofundamento não apenas daquilo que possui imenso valor, desenvolvendo permanentemente uma energia que se transforma em potência, sendo percebida pelo outro como carisma. Aliás, talvez esta seja uma das mais escassas qualidades em nossos tempos, pois é só observarmos como a mídia faz questão de compensar sua falta, através da exploração da vida íntima de artistas pré-fabricados, com o intuito de projetarmos nos mesmos um sucesso que jamais obteremos.

O fato é que o ser masculino há muito se encontra desnorteado no âmbito do prazer, embora o busque ardentemente. FREUD sempre deu destaque a importância fálica ou do pênis na sociedade contemporânea, em sua teoria sobre os conflitos inconscientes, pois o órgão sexual masculino representava poder ou obtenção do prazer, dada a questão da soberania patriarcal. Todo objeto valorizado também criava o pânico da perda. Assim sendo, segundo a teoria FREUDIANA, a angústia da castração era uma ameaça constante na constelação mental do menino, principalmente quando observava a vagina na menina; o que para o primeiro seria uma castração punitiva por a mesma ter desejado um dos genitores; o famoso complexo de Édipo. Principalmente através dos sonhos de seus pacientes FREUD elaborou tal dinamismo psíquico.

Porém, outro psicólogo - ALFRED ADLER, logo notou que tal construção mental de natureza sexual era apenas uma metáfora para esconder a verdade oculta por trás do medo, que era a recusa de se doar profundamente. A angústia da castração no menino, nada mais era do que um treino precoce para que no futuro seu pênis ou lado emocional servissem à apenas ele próprio, jamais compartilhando com outro ser.

Não é difícil aferir tal informação, pois é só observarmos a maioria dos relacionamentos, para descobrirmos que embora as pessoas tenham recursos disponíveis em várias áreas da personalidade, vivem como completos "mendigos" na esfera emocional.

Fica um tanto simplório a elaboração de uma teoria inconsciente sexualizada, se esquecendo da dinâmica social. As brincadeiras infantis acerca da sexualidade, tão bem observadas por FREUD, encerram não apenas a questão de ter um pênis, mas principalmente como disse acima, é um suposto treino precoce no sentido de quem irá comandar o lado afetivo. Não podemos nos deixar levar por ilusões, pois a mente humana sempre foi treinada para a dissimulação.

A questão teórica acima levantada é importante para a aferição do que realmente molda a personalidade. A psicanálise nos últimos cem anos acentuou as precoces relações emocionais entre pais e filhos como determinantes de neuroses futuras. O problema é que tais inferências representam apenas uma parte da questão central, pois não podemos afirmar que há uma soberania do lado sexual, quando a questão social é diariamente suscitada nos relacionamentos. Como alguém se situa na esfera emocional familiar, é sem dúvida vital para a futura autoestima da pessoa. Porém, não podemos fugir dos mecanismos sociais e econômicos presentes nos relacionamentos.

Todo ser humano chega ao mundo totalmente desprotegido e desamparado sob todas as formas, desde biológicas até emocionais. Assim sendo, todos constroem um desejo veemente de ter provedores que satisfaçam todas as carências impostas pela vida. Como a criança lida com a imagem e o real perante a figura provedora, é a medida mais exata de sua futura saúde ou doença mental. Muito mais do que desejar afetivamente um dos genitores, o objetivo central da criança desamparada é possuir um provedor eterno, pois logo cedo a mesma percebe a extrema dificuldade pela sobrevivência em nosso mundo.

Um dos objetivos básicos da psicoterapia é justamente levantar como a pessoa lidou de todas as formas com a presença ou ausência da figura provedora, pois o resultado de todo este processo determinará o desenrolar de sua personalidade. Saberemos então se a pessoa é autoconfiante; tímida; recatada; extrovertida ou temerosa perante os desafios; crente ou não em seu potencial ou valor próprio. O que não podemos admitir é a soberania sexual psíquica, num mundo extremamente material. As forças condicionantes do psiquismo seguem a mesma trilha do combate diário pela ambição e sobrevivência, embora o que mais alveja a alma de qualquer ser humano seja a percepção de ser realmente amado ou não dentro de seu ambiente de convivência.

Enfim, devemos tomar cuidado para não incorrer em erro ao confundirmos apego emocional exacerbado como a essência da neurose, quando a verdade última é o desejo de eterna exploração econômica dirigido às figuras provedoras. Acerca do universo feminino, fica explícita a masculinização do mesmo em nossos tempos. Não apenas por a mulher ter galgado no último século sua independência econômica, mas, sobretudo acabou incorporando todo o modelo de ambição material do homem, inclusive no tocante a descartar relações afetivas.

O perfil da mulher que encontrará indiscutivelmente um futuro destino de solidão extrema, é aquela pessoa que almeja tudo pronto de um relacionamento, seja na parte econômica;estética ou afetiva. Quem não aceitar ir construindo ao longo do tempo, uma trilha de plena intimidade na ajuda mútua e responsabilidade com o desenvolvimento de ambas as partes,herdará a fantasia absurda de um eterno modelo provedor que despotencializa a mulher;a infantilizando e reforçando a disputa de poder nos relacionamentos.

Curiosamente venho presenciando um número crescente de mulheres que se ressentem de sua independência econômica, alegando ser um imenso fardo a carregar. Tais mulheres não é que desejem um retorno ao passado, algumas talvez sim, mas observo que esta mulher estressada digamos assim, pela sua dupla jornada econômica e familiar, desenvolveu uma mágoa e rancor por todo o esforço acima citado. A conseqüência é o trancamento completo de sua capacidade afetiva e de entrega. Como disse acima, esta mulher incorporou os padrões doentios masculinos, e agora procura agir na mais completa exigência de ambição e poder em todas as esferas da vida.

Este tipo de mulher geralmente tem um histórico familiar de um pai quase que totalmente ausente. Vendo o sofrimento e constante submissão da mãe, partem para uma espécie de reação de conduta oposta, assimilando uma total rebelião e desprezo pela figura masculina. Sua única meta passa pelo reforço constante de seu narcisismo seja estético ou não, colecionando todo tipo de galanteio masculino como um troféu a ser exibido.

A infelicidade emocional da mulher citada é extremamente visível, se recusando em boa parte das vezes a constituírem uma família, canalizando toda a energia para a esfera do trabalho. Se antigamente a mulher era castrada em suas metas profissionais, apenas lhe sobrando o aspecto familiar, tenho reparado que em alguns casos está se dando o processo inverso em nossos tempos, o solapamento e repressão da esfera emocional.

Se na era vitoriana estudada por FREUD, a mulher desenvolveu a histeria por não poder gozar a sua sexualidade devido ao moralismo opressivo da época, que tipo de nova enfermidade desenvolverá uma mulher independente, que pode se relacionar sexualmente com total liberdade, mas totalmente temerosa em compartilhar sua intimidade e com pânico profundo ao amor e entrega absoluta? A resposta não é muito animadora, pois o surto de mulheres com alto prestígio social e estético acometidas de graves perturbações psicológicas têm aumentado de forma assustadora.

Todos sabem da verdadeira "guerra" silenciosa ou não, travada entre homens e mulheres nas últimas décadas. A contradição maior é que o sofrimento de um só pode ser reparado pela outra parte. O que libertaria o homem de seu medo e timidez afetiva, é a ajuda singela e penetrante do carisma afetivo que a mulher carrega em sua natureza. Poucos seres masculinos carregam este poder citado de gostar profundamente, e sabemos o quanto é vital ter alguém que realmente sente isto por nós. Nada causa mais proteção do que tal fato, sendo o resto pura compensação.

A libertação da mágoa feminina viria através do poder da praticidade do lado masculino, pois muitas vezes aquilo que a mulher cultiva como intuição, martelando sempre no mesmo ponto, nada mais é do que uma paranóia ou necessidade internalizada de sabotar um processo afetivo, devido às experiências passadas de frustração. Tenho observado que embora não seja regra, a mulher retém com muito mais intensidade a mágoa, não esquecendo em hipótese alguma do passado. Neste ponto, o pragmatismo masculino poderia ser de grande auxílio na construção de novas tentativas de troca afetiva profunda. Claro que tudo acima citado não segue um padrão linear para cada sexo, sendo que o objetivo é a reflexão profunda sobre a solidão decorrente dos conflitos emocionais de nossa época. 


Antonio Carlos Alves de Araujo - Psicólogo

4 comentários:

Rosana Madjarof disse...

Janilton,

Excelente artigo.

Acredito que as mulheres de alguns anos atrás, realmente, eram reprimidas tanto em sua sexualidade, como na sua liberdade de vestir, falar, andar, trabalhar etc...

Mas, analisando os dias de hoje, percebemos que essa castração ainda continua, só que de uma forma mais escondida, pois a própria mulher tem medo de admitir certos medos e culpas.

Hoje a mulher tem a opção de escolha em ficar sozinha, ou ter alguém para compartilhar sua vida. Mas devemos saber, em primeiro lugar, se esta escolha as fazem felizes.

Eu, particularmente, optei por cuidar das minhas filhas desde que me separei, e isso já faz 22 anos... Posso dizer com toda certeza que fiz a escolha certa, pois eu me sinto forte o suficiente para viver "sozinha", ouseja, nunca estou sozinha, pois tenho meus cães, meus gatos, minha filha, minha família, meus amigos, meus estudos... E isso me basta. Não preciso da companhia masculina para me fazer feliz, e eu conquistei essa felizidade sozinha.

Mas há casos e casos...

Parabéns pelo post.

Bjs.

Rosana.

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Olá amigo Janilton, os homens antigamente tinham o poder absoluto de tudo, as mulheres não tinham direito a nada; Com a ascenção das mulheres em todos os campos, elas desenvolveram uma preservação impressionante no campo afetivo e com isso se tornaram exigentes.
Antes elas eram preparadas para casar, hoje são preparadas para o campo profissional. Acho que isso tornaram os homens inibidos e com um pouco de medo, pois se antes eram os provedores, hoje muitas delas sustentam a casa.

Um abraço.

Claudinha disse...

Janilton!
Creio que tudo seria mais simples se apenas vivêssemos a vida, nos entregássemos, sentíssemos tudo que ela nos oferece. Sem teorias, sem privações, sem negações...
A mulher foi reprimida e o homem dominador. A mulher se independizou e o homem deixou de ser o provedor. Agora o homem também se sente carente, com vontade de formar seu ninho, sem coragem para assumir essa postura, dita feminina. Tudo seria mais fácil se apenas vivêssemos a vida...
Bjão!

LISON disse...

Saudações!
Amigo Janilton,
Com sinceridade, para mim é uma matéria complexa, dada a riqueza de conteúdo de grandes Mestres em psicanálise, psicólogos e demais especialistas. Todos expõem suas teorias. O que acho de tudo isso é que não passam de teóricos... Enquanto, o ser humano na face da terra sonhar em fazer as coisas que dá telha, sem buscar uma convivência harmoniosa com o próximo, sem buscar sair da floresta de erros, vai quebrar a cara. Dificilmente se consegue a proeza de viver sozinho, até mesmo quem vive isolado na selva sai em busca dos pássaros, para ouvir seus cânticos.
Quanto mais o homem se distanciar das coisas sagradas, derramará lágrimas de sangue e pagará o preço da profunda solidão.
Por isso alguns esquecem de viver a vida, agora, só dá amor quem tem!!!
É o que penso!
Parabéns pelo magnífico texto!
Abraços fraternos,
LISON.