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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Medo

A Interpretação do Medo 

"Se realmente quisermos seguir nossa meta de vida absolutamente isolada, podemos ter certeza que quando olharmos para o lado ainda nos restou um companheiro – o medo". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO
"Nunca em qualquer outra época, o ser humano necessitou tanto da proximidade de seu semelhante, porém nunca foi tão negado esse fato, pelo receio das pessoas serem taxadas de dependentes, assim sendo deveríamos rever nosso orgulho, pois descobriremos ser este último o maior inimigo de nossos mais íntimos desejos". ANTONIO CARLOS-PSICÓLOGO

A questão do medo juntamente com a solidão, ocupa o topo dos sentimentos experenciados pela maioria das pessoas em nossos tempos. Desde cedo somos criados ou vivemos temerosos da perda da segurança em todos os aspectos da personalidade. Esse fato revela a incrível contradição de toda uma era de revolucionárias conquistas tecnológicas, pois parece que nada tem aliviado os mais arraigados temores humanos. E o ponto não é apenas o raciocínio um tanto simplista, quando dizemos que boa parte dos avanços são acessíveis apenas a alguns privilegiados, e embora isso seja correto, deixa de lado toda a dimensão da tarefa humana da convivência e busca de satisfação entre os seus semelhantes.

Infelizmente este último tópico passa por uma enorme crise, já que a busca de relações saudáveis e de cooperação não tem sido a tônica em nossa sociedade, mas tão somente a segurança e destaque econômico. Obviamente o lado pessoal está totalmente renegado ao segundo plano, pois todos estão extremamente ocupados em tentar ganhar dinheiro.
Esse estudo seria absolutamente desnecessário para se confirmar tão óbvia conclusão, mas o que pretendo é mostrar o impacto disso na psique humana, como acabamos reagindo a isso, e o que nos tornamos. O medo ou pânico, é a prova fatídica de que apenas restou lidar com o lado mais cruel e diabólico de nossa alma, é o atestado final de que renunciamos a todo o tipo de genuíno e verdadeiro contato humano, seja em forma de amizades, ou na questão afetiva.

Todos sabemos das dificuldades de se viver em nossa atual sociedade, e a fim de nos prevenirmos contra o sofrimento diário de nosso emprego ou relações, acabamos por adotar a insensibilidade ou negligência como forma de conduta. Acontece que nosso organismo irá compensar tal atitude, pois este último sempre terá a função reguladora, assim sendo, quanto maior a atitude de insensibilidade do homem moderno perante suas relações, maior será o grau de sensibilidade corporal, e sua conseqüente exposição a todo o tipo de manifestações psicossomáticas, como Por exemplo, a síndrome do pânico. É curioso notar que um dos sintomas que mais prevalecem em tal doença, é o medo da pessoa sair sozinha com receio de que seja acometida de uma crise repentina de pânico.
Está demonstrado um claríssimo sinal de desamparo e necessidade de cuidados especiais, uma espécie de pedido de socorro, ou ainda forçar que o ambiente ao seu redor sempre acompanhe a pessoa. No histórico desses pacientes sempre encontramos grande soma de isolamento pessoal e social, sendo que a doença parece ser o último refúgio para que essa situação se resolva de uma vez por todas. O medo é taxativo, é a prova mais absoluta de que nossa vida anda muito mal, que estamos vazios, desprovidos de sentido, de que não possuímos ninguém para compartilhar nosso eu, o medo nos obriga a enxergarmos nosso drama interior, nossa ira com relação ao modelo de vida que levamos metodicamente, sem nenhum sentido mais amplo. Nossa tarefa se torna maior a cada dia, pois não basta nos rebelarmos contra os sintomas, mas também em relação a um modelo social deteriorado, e se não agirmos rapidamente teremos um terceiro, nossa angústia frente à impotência de alterarmos determinada situação. 

O modo como determinada pessoa expõe sua vida, compartilha seus problemas, divide seus sentimentos, é a maior pista não apenas de sua maturidade, mas também de sua coragem e valor que dá aos que lhe estão mais próximos. O egoísta pode ser considerado o mais miserável de todos os sujeitos, pois o mesmo tem a concepção de possuir apenas uma ou algumas coisas de valor, recusando-se a troca, por achar que jamais reconquistará determinado objeto doado, adotando uma postura de isolamento e temor perante as pessoas.
Na verdade dedicamos ao medo toda a energia que não pudemos trocar em outras áreas, como, por exemplo, nas relações sociais e companheirismo, assim sendo, o medo é o irmão gêmeo da solidão, seu mais fiel escudeiro e a prova de que não prestamos muita atenção no quanto sempre fez falta o contato humano. O medo é a antítese do crescimento, regulando nossa vida pelo mínimo, é o fator máximo da adaptabilidade do ser humano, infelizmente explorado por todos os sistemas e governos.
O medo é a jaula que nos impede de irmos aonde deveríamos, a distração da tranqüilidade e felicidade, é estar constantemente no passado, uma espécie de condicionamento que fala que jamais poderemos ousar outro destino. Achamos que nossos temores são um alerta, e através deles escolhemos sempre o mais cômodo, o menos arriscado, damos um total aval para a insatisfação, apenas por pensarmos que estaremos protegidos. 

A conseqüência em nossa psique não poderia ser pior, pois tudo isso resulta numa verdadeira tortura mental, e acabamos sempre pensando o pior, já que nosso organismo sempre está precavido. Ficamos com a segurança e também com toda a negatividade que a mesma nos oferece, pois o medo de arriscar passa a ser o medo de viver, e temerários escondemos inclusive nossos sentimentos, aliás, penso que não há tortura maior nos dias de hoje, do que sentir o medo e isolamento, e ao mesmo tempo não poder compartilha-lo com nossos semelhantes seja por timidez ou receio do julgamento que farão a nosso respeito. A clausura e retraimento trazem a força do medo no seu mais alto grau, pois o mesmo apenas prevalece nas almas que sentem que seu lado humano é improdutivo perante seu meio, que sua energia vital não está maximizada no contato social, desperdiçando dessa forma sua afetividade e alegria de viver.

Caso não tomemos consciência dos aspectos citados, o medo cada vez mais se apossará de todos o segmento de nossa existência, seja no temor da perda do emprego, o de se sentir só, doenças psicossomáticas, insônia e depressão. Claro é o fato de que tudo isso já está ocorrendo, porém parece que a maioria das pessoas ainda não se deu conta da amplitude e alastramento do problema, pois essa verdadeira epidemia já ocupa nosso lar, esperando apenas o momento para reinar absoluta em nossa existência.  

Autor: Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

6 comentários:

Just For... disse...

Estamos cercados de medos por todos os lados. Alguns deles ainda são vergonhosamente empolgados pelos meios de comunicação social. Penso que muitos dos nossos medos nos são 'impostos' pela nossa própria insegurança no dia a dia.

Muito bom o texto.

Tenho um presentinho para ti no meu blogue 'Just For...'.

Abraços
Luísa

WANDER.CHEF disse...

A VERDADE É QUE AS PESSOA INVENTARAM TANTO TIPO DE MEDO E FOBIA, QUE ACABARAM COM MEDO DE VIVER JUNTAS, TER UM COMPANHEIRO OU COMPANHEIRA, UM AMIGO OU AMIGA...EMFIM A TER DEUS EM SEUS CORAÇÕES.
COM TUDO ISSO, VEIO A SOLIDÃO, O APEGO AO MATERIALISMO, E O MEDO DE PERDER O BEM MATERIAL,A ADORAÇÃO A VÁRIOS DEUSES , E O MEDO DE NÃO ESTAR SERVINDO AO CERTO, E ASSIM POR DIANTE.
O MEDO TEM CAUSA, POR ISSO TEM CURA... TALVEZ ELA ESTEJA MAIS PERTO DO QUE IMAGINEMOS.

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

As pessoas hoje em dia vivem cheias de medo, pois no mundo em que estamos vivendo com tanta violência é uma das causas desse horrível sentimento. A questão das relações humanas com o medo é que as pessoas estão se preservando mais, pois a maioria das vezes elas não sabem com quem estão lidando e ficam com receio de se abrir, mostrar quem realmente são. Desde crianças somos impostos ao medo, como: Olha filho, não vá aí que o bicho papão pode pegar; Nossos próprios pais impõem este medo em nós. Particularmente, eu quando criança tinha horror do escuro. Nunca tive medo de fazer amigos, os quais tenho muitos e mostro como realmente sou. Vou ficar por aqui, pois já é meia noite e dez minutos e ainda quero fazer alguns comentários.

Um abraço.

LISON disse...

Saudações!
Amigo Janilton,
É mais um texto extraordinário do grande, Antonio Carlos Alves de Araújo!
Sou um apedeuta na área, mas, penso que a grande maioria que sofre por ter medo, tem suas origens ainda na infância, a começar pela falta de preparo educacional, de uma regular formação religiosa, e ou seu afastamento, que leva tantos a enveredarem pelo caminho do amor a bens materiais, que com a doce ilusão, do “ter”, encontram-se peados, cercados numa ilha de fantasia, daí terem medo de encarar desafios, servir, ter um gesto de solidariedade ao próximo, tudo isso em essência levam alguns a ter muito mais medo que se imagina.
Parabéns pelo excelente Post!
Abraços,
LISON.

Principe Encantado disse...

vivemos em um tempo em que temos medo de tudo até de uma nova amizade, perseguições, relacionamentos, enfim são todos frutos de nossa própri imaginação.
Abraços forte

Claudinha disse...

Medo até determinado nível é saudável e protege as pessoas de várias enrascadas. Uma das causas do número de mortes elevado entre adolescentes é a falta de medo. Eles se acham poderosos, inatingíveis, não ligam para os perigos que os pais tanto falam. E quem não tem medo, não se protege!
Outra coisa é a transformação do medo em fobia, paralisante, incapacitante para a vida! A fobia deve ser tratada para que o sujeito siga sua vida, que é plena de possibilidades.
Notem, só não teme quem já morreu! Ou o louco.