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domingo, 8 de novembro de 2009

Eu Tinha 7 Anos Quando Matei Minha Mãe Pela Primeira Vez.

Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez. Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula. Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me trazer. 

Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada. 
 
Quando fiz 14 anos eu a matei novamente. Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis. Mas logo no primeiro porre eu felizmente a escobri rediviva - foi quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.

Aos 18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para ressurreição. Entrara na faculdade,iria morar em república, faria política estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese. Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa materna, único espaço possível de guarida e compreensão.

Aos 23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria lentidão...
Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem.
Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho 'mãe' se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado 'avó'. Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla...
Apesar de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que somente ela poderia protagonizar...
Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer.
Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida.
Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre. Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade...

Autor Alexandre Pelegi

4 comentários:

Janilton disse...

Olá amigos, acho que agora resolvi o problema com a caixa de comentários do meu blog. Espero que em breve vocês possam está comentando. Um grande abraço!

Anderson Simoes disse...

Há momentos em nossas vidas
Em que o mundo parece estar parado...
Tudo parece estar distante de nós ...
Ou quem sabe, nós parecemos estar distantes de tudo

Momentos onde nos sentimos vazio
Mesmo estando rodeado de pessoas
Momentos onde nada parece ser tão importante
Tudo parece ter pedido o seu sentido

As coisas parecem estar todas foras do lugar
No peito uma dor , um aperto
Uma aflição sem um por quê aparente
Bate uma forte vontade de sumirmos

Uma falta de um algo que nem mesmo sabemos o que é!
Um desejo muito forte de nos refugiar
E nos reservar em um lugar isolado , distante
Bem distante! Um desejo de se calar...

Belo texto.

Abçs.

Janilton disse...

Olá Anderson!

Eu achei esse seu texto muito triste, não sei se isso está acontecendo com você, mais se tiver e seu pode ajudar, conte comigo amigo.Pois eu fiquei por algum tempo assim, e era nada mais do que depressão. Se você tiver se sentindo assim, eu aconselho procurar um especialista para te ajudar, pois comecei assim com esses sintomas.

Abraços!

amigodcristo disse...

Meu amigo Janilton ..excelente reflexão ... adorei... ns faz adentar em tempospassdos distantes,me vi quando criança.. e como texto pude racapitular tudo que minha mãe semprefez por mim.. meu amigo parabéns .. !!!!