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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Por que Fracassa o Casamento?


CASAMENTO: POR QUE FRACASSA?(ANÁLISE PSICOLÓGICA SOBRE O CONTRATO INCONSCIENTE DAS RELAÇÕES)

“Não mate o desejo, amigo, pois o desejo é uma chama de vida que dura para sempre. O desejo não é a causa do sofrimento. O sofrimento é a semente da visão do desejo. Se o entendimento é pequeno, então o sofrimento cresce na sombra do desejo. Se a percepção inclui a totalidade então o desejo não projeta sombra. Amigo, o desejo não é para ser posto de lado. Mas a sua visão mudará o curso do desejo. O erro não está no desejo, mas na sua percepção. Ame a vida; então o desejo não causará sofrimento. Nunca rejeitamos a alegria; ela é tão forte, vibrante e viva que nunca duvidamos dela. Não queremos encontrar sua causa, apenas desejamos viver nela. Faça o mesmo com o sofrimento, não procure remédios ou crenças religiosas; o homem que sabe sofrer de verdade, com inteligência e isento de resignação é aquele que descobriu o sentido da vida”.- JIDDU KRISHNAMURTI.

O mito da alma gêmea no aspecto positivo parece que é a coisa mais elitista da face da terra, pois apenas alguns o conseguem, para todo o resto a busca da cara metade se dá na luta tórrida da sobreposição de neuroses”.- ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.
 
A responsabilidade atual da psicologia deveria passar pelo estabelecimento concreto de metas que visassem a profilaxia dos conflitos pessoais e sociais. Infelizmente a referida ciência está ainda engatinhando em tal processo, devido à insistência de metodologias que apenas atuam nas conseqüências. Pensemos no problema do casamento. Embora a terapia de casal seja um instrumento poderoso na dissolução de conflitos, não há um treinamento voltado aos pacientes para que percebam os processos inconscientes que uma relação evidencia. O primeiro passo é o percebimento de que a infelicidade numa relação não é necessariamente o erro na escolha do parceiro, mas a incapacidade de ambos conhecerem os elementos psicológicos não resolvidos que afetam constantemente o equilíbrio afetivo. O amor se transforma em uma grande experiência passageira e ilusória ao pensarmos que determinada pessoa não será a arena de todos os nossos dramas não resolvidos.
Assim que se estabelece determinado compromisso, paralelamente retorna o inventário do passado emocional. Nada é original até nos conscientizarmos dessa lei implacável. Não é à toa que o medo do envolvimento profundo é uma marca de nossa era. O dilema da solidão versus o pânico de errar novamente é a base da tortura mental e insegurança quando falamos sobre emoções.
Assim como a aparência, simpatia ou inteligência são elementos que atraem as pessoas, o inconsciente possui um processo similar de atração. Este se dá geralmente em determinadas falhas ou neuroses do parceiro para que o outro possa esconder profundamente determinado problema crônico não resolvido. Apenas alguém muito ingênuo pode acreditar que a essência de uma relação é a felicidade. A sobrevivência de processos mentais e comportamentais arcaicos sempre irá se sobrepor perante qualquer proposta concreta de satisfação e prazer. O amor é a vontade concreta de dedicar um tempo extra, excluindo os papéis sociais para os quais todos são treinados.
Mas o que seria o tal contrato inconsciente? Uma espécie de destino, traço genético ou enlace espiritual? O nome pouco importa, o fato é que temos de carregar e lidar com certos processos mentais, assim como temos que aceitar nosso corpo. Quando conhecemos alguém pensamos que estamos começando do zero, e esse é o grande erro. Sempre existirão processos ocultos que irão reclamar nossa atenção. Pensemos no mito cristão da expulsão do paraíso. A pena imposta é o conflito e o trabalho. Toda a ilusão do romantismo se baseia nesse arquétipo (representação de alguma imagem do inconsciente que todos possuem: deus; herói; sofrimento.) O resultado é o desejo de voltar a um lugar de dependência e ausência de sofrimento. O problema é que dito paraíso é totalmente proibido para todos. Seja a satisfação sexual, ternura, fuga da solidão; há um custo que infelizmente muitos se recusam a pagar. Sinceramente como terapeuta de casal fico impressionado e indignado como depois de tantas teorias psicológicas, os casais não conseguem conversar sequer alguns minutos por dia sobre algo profundo; isto também vale para pais e filhos, assim como para todas as camadas sociais e diferentes idades.
A timidez e retraimento são quase que o senhor absoluto na maioria dos relacionamentos ou casamentos. Em vários outros estudos classifiquei a mesma como uma das maiores mazelas psíquicas de nossa era. Não é apenas o comportamento de se sentir envergonhado na presença de alguém como muitos pensam de forma simplista. A timidez é um bloqueio afetivo que visa não dividir nada de seu íntimo, tentando fugir da situação de prova ou crítica. O tímido teme perder a todo tempo, e constrói uma ficção de vitória pela ausência da participação, cometendo um total “estelionato” afetivo e social. São pessoas que enveredam para posses ou ganhos econômicos visando a compensação de seu profundo complexo de inferioridade. A raiz do distúrbio remonta a infância ou adolescência; geralmente uma situação de perda afetiva ou humilhação pessoal, fazendo com que a pessoa se retraia no âmbito social e obrigue o outro a participar e fazer as tarefas emocionais que seriam dela. Pensem na junção de todas estas características dentro de um casamento.
Um casamento encerra a necessidade de uma espécie de “palco”, a fim de se mostrar a infelicidade pessoal. Esta característica como a timidez citada acima, envenenam a relação, pois no final das contas apontam apenas para o “pior” da vida a dois. A honestidade só ocorre quando todos os lados do desejo ou relacionamento são explorados, tanto os conscientes, quanto os inconscientes. Estes últimos por serem geralmente ocultos à percepção, adquirem uma força extremamente elevada no psiquismo. A psicanálise sempre trabalhou a idéia de que o desejo ou prazer era algo que a mente proibia, surgindo o conceito do superego (censura moral). Este visava impedir que o id ou o desejo inconsciente inundasse por completo o sujeito.
Para FREUD o desenvolvimento da civilização se baseava neste preceito, bloquear desejos irracionais e os transformar em cultura - o que chamou de sublimação. O problema com este conceito é negação social de como se desenvolve o próprio desejo. Nenhum ser humano como a história o prova, descarta uma satisfação apenas porque a mesma é algo interdito. A própria religião é prova disto, pois historicamente tentou frear todos os impulsos sexuais com um código obsessivo compulsivo que jamais alcançou sua finalidade; apenas produziu um conjunto horrível de neuroses que foram à base das próprias descobertas de FREUD. Certamente o mesmo reformularia suas idéias se estivesse observando a atualidade dos relacionamentos e valores coletivos. O desejo não é abortado apenas pelo lado proibitivo, mas principalmente pela sensação de que o mesmo será absolutamente inatingível. A infelicidade nada mais é do que a total despotência perante uma certeza de alguma imagem ou culto de prazer construída historicamente, e que a pessoa sente que não irá realizar. Este é o nódulo do complexo de inferioridade tão bem estudado por ALFRED ADLER, psicólogo criador da psicologia social. A luta desesperada passa por se provar um determinado valor pessoal, antes que a pessoa se sinta excluída do seu meio. Este é um dos dramas máximos de nossa era.
Todos dizem o conceito clássico de que ninguém “casa para se separar”; o que falta ser estudado nesta tese é que tipos de satisfação ambos procuram: sexo; amizade; companheirismo; remoer conflitos; imagens de sofrimento ou vivenciar uma sensação de eterno luto? Fatalmente a dissolução de um relacionamento passa pela não conscientização de todo o exposto, como venho descrevendo no decorrer deste texto. Jamais será um papel ou uma cerimônia religiosa que dará a certeza de uma união, estes, são apenas uma forma contratual ou empresarial que o sistema impregna o relacionamento; por outro lado também não é apenas uma traição sexual que se torna o ápice do final, mas a concentração ou insistência em determinado núcleo emotivo não resolvido. A investigação sobre com quem realmente vivemos é tarefa primordial para alguém que almeja algo especial, devendo passar pelo percebimento sobre como o companheiro se orienta nas mais variadas situações. Devemos ainda prestar atenção sobre qual é a prioridade do outro, mesmo estando nos acompanhando, pois determinada distração ou ausência pode revelar todo um projeto secreto que desconhecemos e sem dúvida nenhuma jamais faremos parte. O que ou quem realmente é nosso parceiro? Apenas um amante; confidente; terapeuta; protetor? Quais qualidades temos o direito de exigir e quantas no decorrer de nossa vida amorosa conseguimos obter? Poucos realmente fazem este inventário de nossa história e saúde emocional. O que importa nisso tudo é a conscientização de nossos vícios nos relacionamentos.
A coisa mais positiva que se pode vivenciar num relacionamento é quando ocorre uma profunda empatia ou confluência de idéias ou gênios de forma espontânea, sendo maravilhoso quando encontramos alguém para falar o que quase não precisa ser expresso por palavras. Voltando à questão dos contratos inconscientes, estes podem esconder de tudo e se encaixam perfeitamente no contexto conflitivo da relação, como exemplos: agressividade com paralela passividade do parceiro; homossexualidade com problemas não resolvidos da sexualidade; dependência com necessidade de exercer ou usurpar o poder; dependência de drogas com necessidade do outro afirmar que é mais forte ou equilibrado; infertilidade de origem psicológica com ciúme inconsciente de a criança tomar o lugar de destaque do objeto amoroso, ou ainda timidez (no sentido de não desejar dividir) e medo de constituir uma família; depressão com tristeza e desilusão em relação ao não incremento da auto estima por parte dos pais; traição sexual com desejo de martirização ou auto comiseração.
Como seria valioso numa era onde a especialização a cada dia fragmenta o centro do problema, se determinada ciência pelo menos obtivesse êxito em uma única área. No caso da psicologia, embora seja hoje em dia de uso múltiplo (neuroses; psicoses; depressão; casamento; esportes), seu foco ainda deve ser o combate contra a infelicidade. Se pudesse intervir e servir como objeto de pesquisa e consecução de relacionamentos mais duradouros e saudáveis, penso que se daria um grande salto evolutivo na referida ciência. Perceber ainda que determinadas necessidades colocadas pelos pacientes mascaram por completo a base ou o centro de seu problema que resiste imperativamente em resolver.
Aqueles que tiveram uma longa história afetiva e ainda não conseguiram se encontrar, vale a pergunta sobre o que realmente aconteceu? Todos os seus parceiros cometeram infrações imperdoáveis no terreno da convivência? Não se trata de julgamento, mas um balanço sobre um fracasso que a cada minuto corre contra o tempo de nossas vidas. E pensando também naqueles que pouquíssimas experiências tiveram no terreno emocional. O que os impediram de vivenciarem ou gastarem sua parte afetiva? Certamente a prioridade não foi essa área, mas por que? Medo ou pânico de uma rejeição, ou simplesmente trataram tudo isso como um papel desprovido de sentimento genuíno? A busca de todos é real e verdadeira, ou passa por características míticas e embebidas de fantasias irrealizáveis? O mito da “alma gêmea” no aspecto positivo parece que é a coisa mais elitista da face da terra, pois apenas alguns o conseguem, para todo o resto a busca da “cara metade” se dá na luta tórrida da sobreposição de neuroses.
A libido ou desejo sexual possui certamente um caráter transcendental atraindo exatamente a medida exata de nossos processos não resolvidos, por mais que teimemos em ilusões tolas. Infelizmente muitos precisam de experiências negativas, pois o jardim mais cultivado psiquicamente é o rancor e amargura. Embora tais palavras soem ofensivas e dolorosas, o objetivo disto é essencialmente a evolução, e jamais a atingiremos se continuarmos mentido para nós mesmos. Se o ser humano é eminentemente social, não podemos mais tolerar o funil estreito do final das relações, que quase sempre desemboca no conflito ou tédio ao lado de uma pessoa. Estamos severamente doentes, e nos tornamos maltrapilhos na área sentimental, em conseqüência da sobrevalorização dos aspectos econômicos e de poder. É nefasta nossa tendência de apenas utilizar o dinheiro ou narcisismo para impressionar ou seduzir alguém. Enfim, não nos damos conta de que quanto mais acumulamos exteriormente, paralelamente perdemos nas profundezas de nossa alma. Devemos retroceder em nossa cobiça e refletir profundamente sobre o martírio que tem sido nossa vida sentimental. Ou arrumamos tempo para tal tarefa fundamental, ou então continuaremos apenas incrementando nosso projeto inconsciente de plena infelicidade. Todos mentem ao passarem o conceito de que será fácil alcançar determinada satisfação. Qualquer um que usou um mínimo de sua intuição, já percebeu que ocorre exatamente o oposto. A batalha sempre será feroz; e os predadores estão totalmente disfarçados nas mais variadas formas e valores. A solução nem é o velho conceito de “conhece-te a ti mesmo”; mas dita sabedoria interior passa pela coragem de o utilizar em processos que ainda soam como tabu: inveja, comparação e necessidade de aprovação.

PSICÓLOGO ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO(C.R.P.31341/5)

1 comentários:

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Olá amigo Janilton
O casamento é o convívio diário de duas pessoas de gênios, pensamentos e jeito de ser diferentes. é preciso haver muito amor e intimidade, não estou falando de sexo e sim da intimidade das conversas, do carinho mútuo.
Acho que quando este amor e carinho acabam, o casamento fracassa.
Muitas pessoas casam e deixam de ter aquela cumplicidade quando namoravam. Isso acaba a relação.
A meu ver o casamento deve ser um eterno namoro.
Excelente postagem.
Abraços.