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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Impotência Sexual Psicológica/ Ejaculação Precoce

A Medicação não Resolveu? Saiba Porque; e suas Relações com a Solidão e Timidez.

"A impotência é o retrato físico de determinada decepção, amargura ou desilusão emocional. É a crença extremamente internalizada de que aquilo que era uma fonte de imenso prazer, se transformou num profundo medo de ser constantemente colocado a prova. Qualquer pílula que atue na impotência sexual de origem psíquica, apenas reforçara não apenas uma dependência, mas a quase certeza de que a libido ou poder para a excitação continuará totalmente bloqueado; assim sendo, a medicação para a impotência sexual de origem psíquica é como uma "pirataria da cura real ".ANTONIO CARLOS PSICÓLOGO.

"A impotência é teste duríssimo para medir o grau de confiança do ser masculino; o quanto aceita ser desnudado e visto como alguém falível;o quanto aceita que a mulher entre profundamente em sua vida; ao invés do conceito cristalizado de que deve ter sempre uma "espada flamejante", pronta para o ato sexual.Todos deveriam se preocupar muito mais em conversar e conhecer profundamente alguém".ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.

"Uma das primeiras soluções do problema da impotência sexual é expor a questão perante um profissional; pois é justamente a obrigação de nunca falhar, ou contar o medo do fracasso sexual, a causa do referido problema
". ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.


PARTE 1: IMPOTÊNCIA SEXUAL E EJACULAÇÃO PRECOCE:CAUSAS PSICOLÓGICAS E ORIENTAÇÕES PARA O TRATAMENTO.

" Me lembro que na primeira relação sexual, estava na casa dos pais dela, temeroso de que os mesmos chegassem; tive então uma crise de impotência, que se segue até hoje."- Relato de um paciente.

É impressionante como determinados problemas psíquicos seguem determinada trilha. O exemplo citado acima, revela como a impotência sexual pode ser o produto máximo da energia da ansiedade transferida para a função sexual. São inúmeros os relatos como o descrito acima, onde o trauma ou medo marcaram o início da vida sexual. Uma personalidade que em hipótese já continha uma propensão para o fracasso de seu prazer pessoal, acaba traçando um histórico de confirmação de suas dificuldades pessoais.

O objetivo deste estudo é uma análise das causas psicológicas que levam a impotência e ejaculação precoce. A partir do momento que o exame clínico feito pelo médico, não constata qualquer alteração de ordem física, devemos tratar dos aspectos emocionais conscientes e inconscientes que geram tais distúrbios citados. 


Gostaria de iniciar fazendo um alerta, pois nos tempos atuais do viagra, onde as pessoas buscam soluções quase que imediatas para a solução dos problemas, muitas vezes se corre o risco de se tratar apenas da conseqüência, esquecendo-se das causas e condições geradoras da questão. O resultado é uma cura artificial e sintética, podendo cronificar determinada situação de sofrimento ao paciente. Obviamente não podemos em hipótese alguma desmerecer os avanços da medicina na área sexual, e os novos remédios no mercado abriram a possibilidade de cura e prolongamento da satisfação sexual, inclusive no grupo da terceira idade.

O que desejo ressaltar, é o uso indiscriminado destes produtos, em pacientes que deveriam ter outra abordagem terapêutica, pois como disse anteriormente, o exame clínico deveria ser a ponte para determinar se o tratamento deve ser medicamentoso, psicoterápico ou ambos. Infelizmente tal fato não ocorre na maioria das vezes, devida inclusive aos interesses da comercialização farmacológica. A impotência é em boa parte dos casos um sinal orgânico para que a pessoa reflita sobre sua vida sexual, devendo ampliar ou mudar suas idéias acerca do que é uma verdadeira relação de prazer. Obviamente pacientes acometidos de diabetes; disfunções endócrinas; ou hormonais, necessitam do apoio ambulatorial; mas quase que é um "tabu" as causas psicológicas das disfunções sexuais. Vejamos algumas no discorrer deste trabalho. 


A impotência sexual é um fardo quase que insuportável para o ser masculino. Nada despotencializa mais a autoestima de determinada pessoa do que o problema citado. Se estivermos falando de "potência ou impotência", logo chegaremos a lógica conclusão de que as raízes do problema estão ligadas aos aspectos do poder. Como o sujeito vivencia o mesmo, é o fator determinante de sua disfunção sexual. A psicologia historicamente traçou o perfil do sujeito acometido de impotência, como uma pessoa dominadora e controladora, e talvez por não conseguir isto frente à mulher, o resultado é a impotência como protesto dirigido à mesma.Outras correntes falam ainda do ódio inconsciente perante a figura materna, que é projetado na esposa ou companheiro. Há também a impotência como denunciante da infidelidade conjugal, sendo que com outras parceiras determinada pessoa consegue a ereção.

A impotência é o retrato físico de determinada decepção, amargura ou desilusão emocional. É a crença extremamente internalizada de que aquilo que era uma fonte de imenso prazer, se transformou num profundo medo de ser constantemente colocado a prova. Devemos nos perguntar, como ocorre esta "rebelião" através de nossos sentidos? A resposta é que a pessoa acometida de tal distúrbio, quase sempre procura negar a essência de seu ato sexual. Se desejar desenfreadamente sexo puramente para provar poder, seu corpo fornece a mensagem oposta, de que a pessoa necessita urgentemente de uma ligação profunda e amorosa. Se ocorrer infidelidade ou promiscuidade, a mensagem é a culpa resultante de tal conduta que afetará a esfera sexual. Mesmo no caso de uma relação estável e amorosa, a mensagem da impotência pode ser que a pessoa simplesmente abortou ou trocou seu gozo sexual, por alguma obrigação que tende cumprir segundo determinado código moral.

A ejaculação precoce possui o significado inconsciente de que a pessoa "não pode perder tempo com seu prazer sexual", simplificando ao máximo o ato sexual; talvez sua energia esteja quase que totalmente deslocada para o trabalho ou ambição material. O fato é que a atitude sexual, nada mais é do que o espelho de determinada conduta ou visão de mundo. O homem moderno ingenuamente tenta dissociar seus afazeres profissionais das questões íntimas, quando um é totalmente o reflexo do outro. Jamais poderemos encher nossa alma com a luta diária pelo poder e ascensão social, sem que tais questões afetem nossos sentimentos mais íntimos.

Temos de pensar nos sintomas dos distúrbios sexuais, como mensagens que nossa alma nos passa, sendo que a principal delas é que devemos novamente priorizar o lado afetivo. Tanto a impotência sexual quanto a ejaculação precoce, clamam para que a pessoa recupere seu prazer sexual perdido no meio das ambições que preencheram a vida,como disse anteriormente.

Obviamente o aspecto de egoísmo também está presente nos distúrbios sexuais, pois o outro será privado da satisfação sexual. Logicamente isto não é uma regra, mas temos de investigar cada caso, para sabermos as motivações inconscientes dos bloqueios, e via de regra nos deparamos com um caráter individualista, possessivo e egóico. Infelizmente esta postura de sabotar o prazer do outro, utilizando-se como arma o fim de sua própria satisfação sexual, tem sido a base das relações sociais em todos os níveis: trabalho e relações pessoais. Em nossos tempos, o ser mais "subversivo" é aquele capaz de usufruir sem culpa não apenas da satisfação sexual, mas da reciprocidade, companheirismo e intimidade plena de um relacionamento.

O tratamento para a impotência sexual e ejaculação precoce de natureza psíquica passa obrigatoriamente pela psicoterapia de ambos os parceiros, e não apenas daquele detentor do distúrbio. O medo só é extirpado quando não temos vergonha de compartilhar determinada fraqueza ou receio com nosso parceiro. A impotência é teste duríssimo para medir o grau de confiança do ser masculino; o quanto aceita ser desnudado e visto como alguém falível; o quanto aceita que a mulher entre profundamente em sua vida; ao invés do conceito cristalizado de que deve ter sempre uma "espada flamejante", pronta para o ato sexual.

Talvez toda a problemática acima citada, seja o epitáfio de um modelo de vida que deve se extinguir, se a pessoa realmente desejar satisfação plena. A desumanização de todo tipo de relacionamento, caminha a passos largos em nossa era. A doença seja a mesma, física ou psíquica, tem preenchido o espaço que seria cativo da felicidade conjugal ou da relação. Nunca se fez tão necessária uma reflexão profunda sobre a conduta emocional de cada pessoa, sendo que jamais podemos nos esquecer de que existem regras ou tarefas não apenas na esfera profissional, aplicando-se também no lado afetivo.

O USO DE QUALQUER MEDICAMENTO PARA A IMPOTÊNCIA SEXUAL DE CAUSA PSICOLÓGICA, APENAS MASCARA E ADIA A SOLUÇÃO DO PROBLEMA, SENDO QUE A TERAPIA É FUNDAMENTAL PARA O TRATAMENTO.

TRATAMENTO RECOMENDADO: PSICOTERAPIA INDIVIDUAL E DE CASAL PARA ELIMINAR O MEDO DO PACIENTE PERANTE O ATO SEXUAL. NÃO TOME MEDICAÇÃO CASO A IMPOTÊNCIA SEJA DE ORIGEM PSICOLÓGICA, CONSULTE UM ESPECIALISTA.

PARTE2: SOLIDÃO E TIMIDEZ(A paralisia do espírito)

"O solitário repete uma espécie de missa rezada constantemente; da qual gostaria de ter sua vida ou um passado de prazer de volta; sendo que sua escolha se funda no sofrimento, e não no recomeço de algo. Os deuses do solitário são: o apego e saudade respectivamente; pois sua excitação emana das experiências já conhecidas, e o novo é visto como uma tortura. A conclusão é que quando alguém venera o apego como fator máximo de excitação, obrigatoriamente terá de conviver com o medo". ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO.

"O preconceito vigente de que a psicologia é uma "ciência para loucos",é o que impede os bons profissionais desta área de darem para a sociedade a sua parcela de contribuição social efetiva". ANTONIO DE PÁDUA- PSICÓLOGO.


Discutir o processo da solidão é tarefa quase que infindável, por se tratar de algo que adentrou todos os campos das relações de nosso cotidiano. O objetivo deste estudo é aclarar fatores psicológicos e sociológicos que engendram a dinâmica do processo da solidão. A solidão está intimamente relacionada com a individualidade da pessoa, pois é fato que todo ser humano necessita de atenção e apreço perante o meio em que convive. A primeira questão básica é sobre o que necessitamos fazer ou dar para que sejamos percebidos ou reconhecidos socialmente? Quem fará justiça perante nosso potencial ou capacidade de se relacionar? A resposta é uma total incógnita, pois como teremos uma certeza que quase sempre emana do outro? Neste ponto temos de refletir de que jamais fomos treinados para o desafio da convivência humana, e todos os processos sociais pelos quais passamos(família; escola e outros), falharam grotescamente na tarefa da construção de uma imagem pessoal de confiança e importância perante a coletividade em que vivemos.

Sempre se falou do indivíduo sozinho perante a multidão solitária; embora tal conceito seja um marco sociológico do século vinte, se esqueceu da exploração das raízes do processo da solidão. A questão não é apenas estar junto a uma multidão solitária, mas uma certeza interna nefasta de não pertencer a nada, achando que todos os outros conseguiram seu espaço no mundo, em detrimento do desamparo que a pessoa sente; pensando também em qual mecanismo poderia se utilizar para obter ou compensar um poder pessoal não reconhecido. Formas neuróticas como a timidez ou sedução acabam muitas vezes encobrindo este pânico do não reconhecimento, desviando a atenção da problemática central; sendo que a psicologia há mais de um século provou que determinados distúrbios ou neuroses tem a função de oferecer a pessoa desprovida de poder um ganho secundário, forçando o ambiente a lhes prestar contas do que julga não ter recebido.

Se analisarmos profundamente o caráter de uma pessoa solitária, logo perceberemos que por mais contraditório que seja estamos lidando com alguém extremamente ambicioso. Os processos naturais da vida como por exemplo: casamento e filhos; não seduzem a pessoa, sendo que a mesma vive uma espera por algo tão fantástico ou arrebatador, que as relações anteriormente citadas perdem totalmente seu significado. Podemos aqui falar de um caráter excêntrico, onde há uma supervalorização de sua intimidade, achando que uma troca comum é algo banal, não estando a altura de sua pessoa. * ALFRED ADLER, foi o primeiro psicólogo da história a perceber que tanto o tímido quanto o solitário mascaravam suas reais ambições, através de condutas limítrofes ou neuróticas. Para ele, a solidão nada mais era do que um protesto pessoal contra a falta de poder sentida pela pessoa, e que a única diversão da mesma era o jogo manipulatório da doença; chamar a atenção pela não participação.

Temos de perceber que a solidão está intrinsecamente ligada às experiências pretéritas de determinado indivíduo, cultivando com intensa volúpia as recordações de prazer ou satisfação. Exatamente por este caráter agregado ao passado é que o solitário repete uma espécie de missa rezada constantemente; da qual gostaria de ter sua vida ou um passado de prazer de volta; sendo que sua escolha se funda no sofrimento, e não no recomeço de algo. Os deuses do solitário são: o apego e saudade respectivamente; pois sua excitação emana das experiências já conhecidas, e o novo é visto como uma tortura. A conclusão é que quando alguém venera o apego como fator máximo de excitação, obrigatoriamente terá de conviver com o medo.

O sonho abaixo de um paciente de 39 anos, médico, solteiro, que se sentia extremamente solitário ilustra o exposto acima: "Sempre tenho um sonho recorrente no qual tenho de voltar ao colegial, pois sinto que fiz minha faculdade sem ter passado pelo segundo grau; e temendo que descubram, me matriculo na primeira série do referido. Me sinto totalmente deslocado, pois não lembro mais das matérias; tento então fugir da escola; caminho em direção ao porão onde vejo uma mendiga que conheci das ruas de meu bairro; sinto seu cheiro insuportável; me desespero e acordo em seguida." Este tema de ter de voltar a uma etapa anterior da vida é muito comum nos sonhos de pessoas que sofrem com o peso da solidão, pois como disse anteriormente, as mesmas desejam o retorno a uma etapa onde conseguiam obter um mínimo de prazer. Mas o sonho descrito é particularmente interessante do ponto de vista clínico, pois revela que quanto mais a pessoa está presa em seu passado, maior será sua sensação de miséria interior, citando a mendiga do sonho como símbolo disto. Notem que nosso paciente sabia racionalmente que não precisava voltar, mas sempre insistia em tal conduta, o que revela inferioridade pessoal e insegurança perante sua capacidade pessoal e atual de relacionamento.

Ainda nos resta uma dúvida: por que determinada pessoa revelou através de seu sonho uma fixação no período emocional da adolescência, ao invés de outra etapa do desenvolvimento de sua vida? A história da psicologia sempre nos mostrou que as primeiras experiências infantis são as determinantes do comportamento futuro de um indivíduo; sendo que determinado trauma ou conflito nesta fase resulta numa neurose futura. A lacuna nesta teoria é que a infância é meramente uma espécie de treino para posterior prova de nossa habilidade emotiva; sendo que no período da adolescência é que será marcada a data da prova. Nesta etapa da vida é que teremos certeza ou não de nossa capacidade de se relacionar; estaremos aptos ao ato sexual, sendo que a prova maior será se outra pessoa sente verdadeira atração e desejo por nosso corpo, nos dando uma base de segurança em nossa autoestima;um dos fatores cruciais para averiguarmos nosso potencial para o amor; isto não significa que apenas a questão sexual de que se somos atraentes ou não determinará nosso destino afetivo; mas temos de ter a compreensão de que nossa autoimagem nunca será um produto individual.

A solidão tem como um de seus eixos exatamente o sentimento de insegurança citado, e descobriremos como tal dinâmica é extremamente profunda, pois por mais que tenhamos habilidades ou vocações, o estado de privação do contato social afeta todos os campos de nossa existência, incluso o lado profissional. Na maioria das vezes a solidão esconde a aversão de alguém em ser amado, pois o caráter egoísta não admite compromissos ou dívidas; muito menos abrir mão de coisas próprias em função de outra pessoa. Porém, o resultado sempre será o conflito, pois a solidão é a prova máxima de que embora a maioria das pessoas apenas dediquem suas energias para ganhos materiais ou ambições, paralelamente a tudo isso, algo íntimo e pessoal não resolvido corre em sentido oposto, produzindo o máximo de dor e infelicidade que um ser humano pode suportar. Como havia dito em outro estudo, a solidão é o último resto ou prova da resistência genuína dos sentimentos humanos frente à obsessão diária de poder ou lucro; embora esta resistência seja como um exército mal equipado perante um inimigo melhor preparado; pois o sofrimento denuncia a falta, mas desnorteia a pessoa para enfrentar profundamente o problema.

A timidez está intrinsecamente relacionada a solidão, pois ambas provêm da mesma estrutura neurótica de um caráter temeroso, que sempre se julgou esquecido ou preterido perante as demais pessoas. A base deste conceito sem dúvida alguma é a antiga relação familiar, e o tímido assim como o solitário exige a qualquer custo uma reparação; se negando a constituir qualquer novo tipo de vínculo. Esta percepção distorcida da realidade gera uma espécie de psicose no grau emotivo, pois as funções adultas de dar e receber afetivamente, se encontram comprometidas pelo protesto de uma espécie de eterna criança que exige a reparação de seus direitos, desejando ser posta ainda no topo da escala da importância da família a qual pertence.

Em termos psicanalíticos o tímido está totalmente centrado no complexo de * ÉDIPO; pois seus interesses não são a construção de algo novo, mas a eterna rivalidade ou disputa por atenção e primazia perante os pais. Acontece que esta resolução edípica sempre está fadada ao fracasso, e o tímido age em todas as relações como se já estivesse totalmente derrotado. Sua ansiedade e ódio resultantes são aplacados com sua conduta constante de frustrar os desejos e expectativas dos que o cercam; assim como o drogado que desafia constantemente o meio, tentando provar que ninguém tem o poder de interferir em sua individualidade, simbolizada pela droga; sendo que o mesmo processo de recuperação do drogado se aplica ao tímido: Apenas quando o mesmo desejar dividir seu íntimo e lutar realmente por sua recuperação, é que teremos algo concreto e prático para o processo real de mudança.

É importante a distinção entre timidez e acanhamento. Esta última característica de personalidade reflete uma pessoa essencialmente com temor a rejeição, adotando uma postura reservada perante o contato social, sendo que tudo isto foi moldado de acordo com as experiências pretéritas familiares e sociais; o tímido está completamente preso em uma estrutura egóica, impedindo qualquer contato mais profundo com seu íntimo. A diferença máxima entre os dois tipos citados é a de que o tímido usa o sintoma quando requisitado afetivamente; e o mais curioso é que a sensação de desconforto acontece justamente em ocasiões que deveriam dar imenso prazer à pessoa. Vários pacientes relatam crise de choro ou angústia quando tocados ou acariciados; bem como extrema ansiedade nos finais de semana, quando passam com seus companheiros.

Este tipo de estrutura citada marca uma nova era na descoberta do sofrimento emocional, pois descobriremos que a timidez é um dos piores flagelos afetivos e emocionais de nosso tempo, refletindo psicologicamente o modelo econômico de competição, egoísmo e medo. O tímido apenas finge não gostar de competir, pois sua não participação já é a vitória, não se permitindo jamais passar pela situação de prova. Claro que as conseqüências psíquicas de tal conduta são nefastas, embora o tímido como o drogado sejam os mais arredios à uma mudança psicológica. A paranóia também está sempre presente na timidez, sendo que a desconfiança serve como proteção de seu estilo de vida que não ousa questionar. A timidez joga constantemente com a participação de determinada pessoa; em conseqüência, notamos que o tímido possui quase sempre uma má vontade de presentear outra pessoa, seja em ocasiões festivas ou demonstração de consideração e envolvimento.

Estamos falando até o momento que a timidez não é apenas um comportamento de introversão, mas principalmente uma estrutura extremamente neurótica, visando o total isolamento. Temos de pensar o sintoma numa visão social de determinada época. Na era vitoriana do século XIX, devido a extrema repressão sexual, a histeria tão estudada por FREUD, surgiu como contraponto cultural; a mesma tinha a função de vivenciar através do sintoma todos os instintos sexuais reprimidos, convertendo a sexualidade sufocada em doença. Freud no final de sua vida postulou um instinto de morte* como sendo constitucional no ser humano; algo que faria a pessoa voltar ao inanimado; uma energia psicológica que recusaria o prazer e satisfação, almejando apenas a destrutividade e aniquilamento.

A atuação deste instinto ficaria mais forte dependendo do prazer não vivido pela pessoa, achando que além da satisfação sexual ou o princípio do mais puro prazer, apenas restaria a morte. Embora esta tese seja até hoje extremamente polêmica, o mérito de FREUD sem ser um psicólogo social foi justamente inserir determinado sintoma dentro do contexto cultural de sua época. Podemos dizer que o instinto de morte em seu tempo se manifestou na histeria, pela repressão moral da época, como citei acima.

Não será difícil concluir que em nossos tempos este instinto está totalmente ligado a solidão e timidez, dado que a repressão nos dias de hoje não é mais prioritariamente de natureza sexual, mas sobretudo social; sentimentos como troca; solidariedade; companheirismo e genuína entrega; são constantemente "perseguidos", pelo modelo totalmente egoísta desenvolvido por todas as vertentes econômicas e pessoais.

A sexualidade se encontra totalmente submissa perante uma estrutura de caráter social narcisista e perversa. Se a era de FREUD foi o reinado da neurose, a nossa sem dúvida é a perversão em todos os sentidos. Poder e dominação são a prioridade, e o estilo de vida copiado pela maioria das pessoas reflete o uso de outro ser humano para a satisfação dos mais puros desejos egoístas; sendo uma reprodução fiel de determinada dinâmica familiar que jamais priorizou a troca ou o envolvimento emocional.

A aferição de como anda nosso desenvolvimento emocional deveria ser uma prioridade; do contrário, corremos o risco de não perceber que o mesmo está retido em uma etapa remota de nossa infância ou adolescência. O choro incontrolável como citei anteriormente é uma das maiores provas de estancamento em etapa afetiva do passado. O sonho de um paciente abaixo mostra com uma precisão quase que absoluta, os meandros da timidez e complexo de inferioridade resultantes. " sonhei que tinham estacionado dois carros em minha garagem; e o meu carro que estava do outro lado da rua foi guinchado; mas o estranho é que o guincho o colocou acerca de uns 15 metros de altura; não me conformava com aquilo, pois nada tinha feito de errado para isto, pelo contrário, tinham é violado meus direitos". Este é exatamente o dilema central da culpa que o tímido carrega; apesar de nada ter feito, se sente violado e punido com extrema angústia; além do mais sente que sempre podem tomar seu espaço; e o carro no alto no sonho acima descrito representa todo o potencial da pessoa para o crescimento e desenvolvimento, que infelizmente não pode ser usado, pela culpa pretérita que carrega; pois subir é violar determinada lei imposta de resignação e submissão(a invasão da garagem); devendo a pessoa se conformar com seu eterno sofrimento, adquirido desde as primeiras relações familiares.

O segundo sonho do paciente é ainda mais impressionante: "Sonhei que não conhecia alguns cômodos de minha casa; havia uma escada para o alto, onde outrora era outra casa, mas estava em ruínas; meu pai aparecia e pedia ao mesmo para fazer a reforma, pois ganharia mais espaço; havia também outros quartos que nunca tinha entrado, estavam sujos, num deles alguém retirou um caranguejo; em outro local havia caixotes, e outros objetos antigos que não ousava retirar; ficava uma incrível sensação de como poderia não conhecer minha própria casa". Este sonho diz tudo; o paciente totalmente fixado num complexo familiar, jamais conseguiu se desenvolver, necessitando do constante amparo e proteção paterna. Tanto as ruínas quanto os objetos antigos representam seus mais profundos temores que não consegue se desvencilhar, embora os cômodos desconhecidos representam um imenso potencial inexplorado, que o paciente não atua exatamente por achar que a liberdade traz o perigo e talvez a morte. O caranguejo representa uma fonte de alimento e potencial que lhe é roubada; assim como no simbolismo astrológico é a representação do signo de câncer; que significa imenso apego familiar e emocional ao passado, pensando no simbolismo de que o mesmo anda para trás,segundo as próprias associações do paciente ; o tema central do sonho é que apenas seu pai é detentor do sucesso e possui o poder da mudança; lhe restando uma eterna dependência e submissão perante sua miserabilidade emocional.

Tentar esconder eternamente sua dor é a tarefa diária do tímido, sendo que apenas no processo psicoterápico é possível recuperar o potencial de contato e troca afetiva, se evitando a fuga e isolamento social; o problema maior é que o tímido assim como o drogado são os mais receosos perante o tratamento; na maioria das vezes lutam internamente até conseguirem a primeira visita ao consultório, abandonando o mesmo quando se deparam com a essência de sua problemática. A única cura possível é a perseverança no tratamento, pois a tenacidade e persistência são as matérias que o tímido não cursou; a sociedade lhe cobra o primeiro passo e ele como mau pagador insiste em não dar o segundo. O tímido é um estelionatário social e emocional.

Podemos fazer uma analogia para sermos bem concretos, do tratamento psicológico com a odontologia. O indivíduo cuida muitas vezes somente do sorriso frontal e vai protelando suas necessidades de tratamento mais profundo , até descobrir que precisará extrair os dentes. Na terapia o processo é similar,de uma simples consulta psicológica visando o autoconhecimento e autodesenvolvimento, anos depois por protelar os cuidados psicológicos que toda pessoa deve ter, simples problemas de desenvolvimento pessoal, evoluem para graves distúrbios em todas as áres de sua vida(trabalho,namoro, casamento e outros). O temor de mudar e buscar a cura, vai intensificando sua fuga deste auto enfrentamento.

O indivíduo a cada dia se sente mais acovardado, embora ele próprio possa nem ter consciência da sua covardia, pois os mecanismos de defesa o levam diariamente à negação da sua timidez neurótica. Pode também culpar os outros por seu lastimável estado de miséria psicológica, nunca chegando a reconhecer ou assumir realmente a responsabilidade das suas próprias mazelas. O jovem por sua inexperiência é ainda mais resistente e relaxado, pois o adulto já sentiu na carne a imensa dor da perda, enquanto o adolescente fantasia que sua força e juventude serão eternas. A realidade vem bater e arrombar a porta justamente na vida adulta, quando o horizonte do tédio, depressão e temor da decadência na velhice, se avizinham no horizonte. O tímido protelador descuidado que viveu de aparências até este momento de sua vida, entra em parafuso, por sentir a cada dia menos esperanças de uma vida mais satisfatória. Resta então apenas o ódio e tentativa vã de forçar os outros a aturar sua depressão.

A questão proposta é em resumo a seguinte: em que momento da origem de todas as tragédias familiares que testemunhamos diariamente, uma simples atitude de busca de ajuda profissional se insere? Quanto tempo mais vale a pena esperar? A idéia de que o tratamento psicológico é exclusividade de pessoas vistas como "loucas," impede a psicologia preventiva no homem comum. Perceber que nossa infelicidade presente é fruto do vazio interior e medo é tarefa primordial de todo ser humano em nossa era.

Bibliografia: FREUD, SIGMUND: O COMPLEXO DE ÉDIPO;OBRAS COMPLETAS. FREUD, SIGMUND: ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER; OBRAS COMPLETAS ADLER, ALFRED: O CARÁTER NEURÓTICO; EDITORA PAIDÓS, 1934.

"Temer qualquer contato ou ajuda profissional, é viver numa espécie de culto ao sofrimento".

POR RAZÕES ÉTICAS, SEGUINDO ESTRITAMENTE O CÓDIGO DO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA, E DADO O EXPOSTO ACIMA, QUALQUER ORIENTAÇÃO IMPRETERIVELMENTE SÓ É POSSÍVEL PESSOALMENTE E ATRAVÉS DE CONSULTA PSICOLÓGICA. 

Antonio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

1 comentários:

Janilton disse...

Esta Postagem ajuda a AutoEstima Masculina e orienta nas suas relações afetivas.