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sábado, 17 de outubro de 2009

Entenda a Depressão e Se Livre dos Remédios


 DINÂMICA DA DEPRESSÃO



"Pedir ao deprimido para que tente se sentir ou viver melhor corresponde a dizer para o dependente químico largar de sua droga". - ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO

"Há um forte aspecto de denúncia social no comportamento do deprimido, pois o mesmo expõe através de seu embotamento afetivo e psíquico toda a falta de doação, amizade profunda e ausência de preocupação para com o outro vivenciado diariamente nas relações profissionais e pessoais"- ANTONIO CARLOS- PSICÓLOGO. 
 
Se desejarmos aferir nosso equilíbrio psicológico basta raciocinarmos o quanto de energia consumimos nas lembranças do passado versus nossa disposição de investimento no presente. A depressão se caracteriza essencialmente por ser o mergulho frontal nas experiências pretéritas fracassadas. Dada a intolerância perante a dor, a pessoa adota um estilo de vida que se traduz por total desapego perante a energia vital.
Sem sombra de dúvida a depressão é uma reação orgânica e psíquica que cobra do indivíduo o pleno uso de seu potencial; e é exatamente neste ponto que o mesmo insiste em falhar sempre.
O deprimido deixa muito claro que sua única fonte de doação é seu profundo rancor e sofrimento por se sentir espoliado do prazer. Nossa sociedade leva necessariamente todos os indivíduos a usarem de alguma forma o poder sobre seus semelhantes, assim sendo, uns se utilizam da vaidade ou narcisismo para serem notados; já os depressivos constroem o que o psicólogo *ALFRED ADLER chamava de "arranjo psíquico", buscar destaque através de algum mecanismo neurótico.  
A verdade é que todo ser humano necessita protestar perante a impossibilidade da satisfação de uma necessidade básica, sendo que neste caso estamos falando do reconhecimento. Se pensarmos na questão social veremos o porque do alistamento de determinadas pessoas em grupos de cunho racista, passando pela violência de torcidas organizadas de futebol ou casos parecidos. Sempre a motivação será a reação do ego da pessoa contra a indiferença social sentida.
O fanatismo esportivo ou religioso é o último baluarte que sobrou contra a poderosíssima carga do anonimato que a sociedade nos confere. É uma espécie de vacina contra a possibilidade de ser literalmente apagado do convívio e status social. Infelizmente cedo ou tarde a pessoa logo descobrirá que sua importância reside somente no estandarte que carrega.
Historicamente nem precisamos nos recordar de quais facções políticas usaram de tal expediente para a obtenção do poder. Só nos resta transportamos dita fórmula para o aparato psíquico, e assim descobriremos que uma das raízes máximas da depressão não é somente se sentir apartado da possibilidade do prazer humano em todas as esferas, mas, sobretudo a utilização de expedientes que forcem a atenção do ambiente circundante sobre a pessoa em questão. Tragicamente a fórmula do depressivo para a consecução de tal objetivo é a certeza interior de que jamais almeja alguma mudança em seu modo de ser.
Poderia afirmar que a depressão é a banalização ou desvalorização extremada da real essência de sentimentos como: tristeza, impotência ou desesperança. Como disse anteriormente é como o dependente químico que diariamente faz uso da droga até o ponto da mesma não ter mais nenhum significado, exceto por continuar seu uso.
Lidar com o deprimido neste estágio é tentar pescar alguma coisa de sua sensibilidade totalmente encoberta por sua mágoa. Em nossa época a discussão não passa por quem vivencia a tristeza, mas, sobretudo qual a extensão da mesma em nosso íntimo. Se há algo democrático em nossa sociedade podemos colocar a depressão ou tristeza no topo do ranking. O problema é exatamente o vício ou a necessidade constante de se utilizar tal conduta. O ponto central para ser elaborado em qualquer terapia com o paciente deprimido é o fato do mesmo estar impossibilitado para refazer sua história pessoal ou social. Sua resistência não é somente a recusa do prazer, mas principalmente a negação de qualquer via onde sua potência pessoal possa ser testada.
Retomando a questão da similaridade entre depressão e dependência, ressalto o uso dos chamados calmantes ou psicotrópicos para o tratamento do referido distúrbio. Se pensarmos em qualidade de vida e independência emocional do indivíduo, talvez nos deparemos com um dos maiores problemas vividos pela área psiquiátrica em nossa era. Se dissemos anteriormente que a depressão tem uma ligação direta com a dependência ou vício em relação à vivência de sentimentos destrutivos, obviamente qualquer droga que possa causar dependência mesmo que para a cura de tal afecção, só estará reforçando toda a estrutura da doença citada.
Saber onde a medicação é imprescindível para a melhora do paciente ou apenas reforçará o ciclo vicioso do distúrbio deveria ser tarefa básica de discussão entre o especialista e paciente em questão. Porém, todos sabemos não apenas dos interesses econômicos da indústria farmacológica, mas principalmente pela avidez de determinadas pessoas de buscarem fórmulas rápidas, desprovidas de compromisso pessoal para com a erradicação de suas dificuldades mentais. O uso indiscriminado da medicação é a prova máxima do não investimento na real solução do problema psíquico. Nossa sociedade atual vive o problema da dependência em todos os níveis: drogas, religião ou resistência perante o crescimento pessoal.
Sem sombra de dúvida a função máxima da psicologia é desvendar os caminhos que bloqueiam o prazer do ser humano nos diferentes contextos históricos. Se pensarmos na extrema repressão sexual do século XIX que culminou nas descobertas de FREUD sobre a neurose oriunda de sentimentos negados teremos o maior exemplo do fato citado. Em nossos dias atuais sabemos que a depressão é uma das maiores responsáveis pela expulsão do sentimento de prazer.
Se aprofundarmos dito raciocínio chegamos a conclusão também de que a depressão passa a ser a carga de ódio ou raiva contida por determinado indivíduo, sendo que ocorre uma conversão dessa raiva exterior para o íntimo do mesmo. O desejo saudável de rebeldia se converte então na obsessão pela desesperança em todas as esferas. O combate neste estágio tem o intuito de desarmar o opositor ou qualquer mudança através da impotência. O deprimido aprende diariamente que seu maior aliado é a resignação, e seu mais perigoso inimigo é a esperança, por carregar uma nova possibilidade e ao mesmo tempo novo receio da frustração. Soma-se ainda a conjuntura social de nossa época, que reforça constantemente o individualismo e narcisismo, e ocorre a ferida máxima quando cai por terra nossa crença de que poderíamos ter tudo do jeito que imaginávamos.
ADLER enfatizava o lado "mimado" do homem moderno, descrevendo-o como um impulso incessante para ser dependente ou amparado por alguém. A depressão se encaixa perfeitamente no conceito citado, pois é o protesto extremo para alguém desistir ou se desresponsabilizar de si próprio. Ser sensível ao caos de nossa era e até vivenciar uma desesperança quanto ao futuro é mais do que natural. O problema se dá quando dita sensação invade literalmente todos os meandros da personalidade da pessoa. Como ilustração afirmo que qualquer psicólogo que trata de casais, sabe que uma das coisas mais comuns nos dias de hoje é esconder os conflitos pessoais apontando a falta de motivação ou empenho do parceiro. Como nos convém atrair determinada pessoa neurótica para simplesmente tentarmos aniquilar nossas incapacidades não resolvidas. A depressão segue o mesmo roteiro, ganhar tempo para se esconder o enfrentamento dos medos arraigados na personalidade, onde sempre estarão presentes os seguintes sentimentos complementares: desconfiança, extrema ansiedade, indolência afetiva e social.
O tratamento essencialmente passa pela psicoterapia, pois se no transcorrer do escrito acima sublinhamos que o deprimido perdeu o empenho em estabelecer ligações, faz-se mister que o readquira no treinamento humano com o psicoterapeuta, que sempre deve estar atento para o grau de esforço que o paciente dispende em tentar novo ciclo de vida, pois do contrário o psicólogo passa a ser refém daquilo que o deprimido mais almeja: a veneração total de seu passado, e como hoje a moda é a autocomiseração, não podemos nos esquecer das enormes barreiras para a consecução da tarefa do restabelecimento da saúde psíquica do indivíduo.
*ALFRED ADLER(1870-1937)- psicólogo contemporâneo de FREUD, criador do conceito de superioridade e poder na esfera mental. Primeiro psicólogo da história a abordar o aspecto social da psicologia e a importância das mudanças sociais para a manutenção da saúde psíquica. *Referência bibliográfica: neurótico, o caráter, editora Paidós- 1912 


Psicólogo Antônio Carlos Alves de Araujo

1 comentários:

Janilton disse...

Olá Pessoal estou publicando alguns artigos importante do Dr. Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo, porque acho a tese dele muito importante pros dias atuais.

Quero lembrar também que estou conseguindo comentar com minha conta Googler.Peço que vocês selecionem um perfil para comentar. Abaixo tem uma janela que indica o perfil que deseja usar.

Obrigado!
Abs.