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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Bullying

BULLYING(ANÁLISE PSICOLÓGICA)
Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, "tiranete" ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapazes de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de assédio escolar. (fonte Wikipédia).

Confesso que jamais gostei de escrever assuntos que considero modismos como este em questão, mas dado que praticamente todos os meus pacientes têm filhos em idade escolar e me pediram que estudasse o tema resolvi ceder. O que fico impressionado é como um assunto tão velho adquire uma conotação midiática tão relevante. Quem nunca sofreu ou promoveu um escárnio contra um colega de turma ou um amigo? Será quase que impossível achar esse sujeito seja nos dias atuais ou em outras épocas. Então o primeiro ponto que deveria ser estudado não é o Bullying em si, mas tão somente o que mudou de uma época para outra no efeito psico-sociológico do mesmo, este é o fator central que vejo vários pedagogos e psicólogos ignorarem. Certamente há 30 anos qualquer tormento de um colega contra nossa pessoa não teria a mesma virulência de hoje em dia, e qual o motivo? Porque não havia internet ou Orkut para que a chacota se tornasse mundial? Quem pensa assim, me desculpe está totalmente alienado da conjuntura. Não se trata de um meio tecnológico amplificar um fenômeno de violência, mas perceber que nossa era vive o que já chamei em outros textos da “loucura ou obsessão em relação à opinião alheia”. Embora isso seja uma contradição, pois nunca vivemos num egoísmo tão grande, de outro lado nunca o ser humano se importou tanto em ser excluído ou alijado das mesmas possibilidades de seus semelhantes. Este fenômeno se assemelha a violência das torcidas organizadas que descrevi em outro texto, bem como o racismo e preconceito, ou seja, vale de tudo para alguém ser aceito, podendo para tal finalidade participar de uma agremiação psicótica como o nazismo ou os grupos de intolerância racial e sexual citados. Outro paralelo que podemos fazer e que também já descrevi em meus estudos é com a impotência sexual psicológica nos homens jovens, fenômeno que vem crescendo assustadoramente, e que é fruto do medo do desempenho e avaliação sexual do jovem pela mulher. Percebam que temos um tripé aqui, violência, sexo e medo da exclusão, onde a conclusão dos três é a profunda insatisfação e infelicidade que acometem nossa juventude, não é nem mais a tão outrora apregoada falta de perspectiva, mas uma doença mesmo, oscilando na depressão ou na fúria contra outro ser humano, poucos se atentaram para tal fato.

Lendo várias matérias de especialistas na imprensa escrita, muitos analisando sociologicamente o problema enfatizam que um dos responsáveis pelo fenômeno é a própria escola que estimula a competição e individualismo em detrimento do companheirismo e solidariedade. Alguém ousaria ir contra uma análise tão assertiva como a citada? Vou me candidatar, mantendo uma humildade já que não sou psicólogo escolar ou coisa parecida, mas tal análise é absolutamente falha e incompleta. A escola sem defender a metodologia conservadora ainda empregada nada mais é do que uma reprodução fidedigna dos padrões ideológicos e econômicos de nossa sociedade. Assim sendo, por mais absurdo que pareça, se a escola está pregando a competição ou individualismo, de certa forma estaria até ajudando na formação, já que estaria sendo “franca” ao mostrar os verdadeiros e reais valores do sistema digamos assim. O ponto não é apenas esse colocado pelos especialistas, claro que eu como ser humano e psicólogo gostaria de uma escola alternativa tipo as experiências de SUMMERHILL na Inglaterra, porém, para explicarmos tudo isso temos de juntar considerações políticas e psicológicas concomitantemente. Afora a competição dita pelos especialistas, o que eles esquecem é como o sujeito responde a mesma, e isso é a coisa mais importante de todas. A verdade é que o agressor que comete o Bullying já se sente desamparado e excluído, restando ao mesmo extravasar sua frustração em algum oponente mais fragilizado. O Bullying é uma descendência picotada de processos racistas ampliados, tipo o racismo ou intolerância sexual, como tanto os homossexuais e negros nas últimas décadas se organizaram e conseguiram impor limites a discriminação, a mesma migrou para coisas que não se consideram ainda crimes, tipo discriminar um obeso ou alguém com uma diferença significativa, como aponta meu colaborador em diversos textos, o sociólogo IRINEU BARRETO JÚNIOR. Mas o fato de tanta competição ou violência, volto a dizer é negligenciado pelos especialistas. Quando fui docente não há tanto tempo atrás pude perceber que a maioria dos adolescentes tinha a certeza de que no máximo um aluno naquela turma galgaria alguma posição de destaque profissional, sendo que me questionavam para que estudar se após a formação precisaria de um bom contato para ingressar num mundo totalmente corporativo. Esse é o centro da questão, alguém que já se sente quase que plenamente excluído, fatalmente irá reproduzir ou colocar toda a sua frustração em um colega que irá eleger como inferior a sua pessoa. É o famoso binômio de complexo de inferioridade e superioridade que o psicólogo ALFRED ADLER tanto falava. Enfim, seja magro, gordo, usando óculos ou qualquer coisa do gênero, a maioria já percebeu que será o próximo a ser excluído em seus sonhos e ambições pessoais.

Outra falha grotesca na análise do problema, é que muito se fala na compaixão de quem é discriminado, mas pouco se comenta sobre o suposto “diabinho” que inferniza a vida alheia. Se analisarmos a fundo a personalidade do agressor, descobriremos que se trata de um jovem totalmente frustrado do ponto de vista pessoal, social e familiar. O mesmo precisa reafirmar sua liderança no império do terror, mas se sabe como sendo um ser totalmente solitário e com diversos problemas psicológicos, a prova disso é em determinadas brincadeiras contra aqueles que ainda não deram um beijo, pois é, mas como também atendo adolescente, esse mesmo que desafia a falta de virilidade do outro, vem ao meu consultório justamente por esse problema ou até pior, a impotência sexual psicológica que falei anteriormente. E digo mais, muito se fala da dinâmica familiar de quem comete o Bullying, sempre dizendo que há problemas familiares graves, isso é correto sem sombra de dúvida, mas o fator gerador dessa agressividade no jovem é a percepção da infelicidade conjugal de seus pais, porque ele já percebeu que cresceu numa família onde o amor é minguado ou raro, para ele será quase que impossível encontrá-lo também, sendo que seu inconsciente já tem a percepção clara que irá reproduzir toda a tristeza e amargura de seus genitores, é fundamental que os especialistas atentem para esse fato, pois do contrário ficaremos naquele mundo plastificado das cartilhas que não servem para porcaria nenhuma. Outro drama corriqueiro desse jovem agressor é a mais do que falada falta de diálogo dos pais em relação ao mesmo, embora seja óbvio, sempre notei que a conversa familiar nunca orbita em algo afetivo, mas apenas cobranças de notas ou desempenho. O problema do agressor é que não tem um caminho para expor sua angústia pessoal, e talvez se tivesse também se sentiria ridicularizado. O fato é que quem comete o BULLYING é um tímido por excelência, como tanto descrevi em meus estudos, alguém com pânico de ser testado e avaliado, e que odeia falar de si próprio, quer apenas escutar e sentir os dramas alheios para esconder os seus, a única novidade aqui é o mecanismo psicanalítico de formação reativa, adotando uma conduta que contraria seu lado íntimo, ou seja, para esconder sua imensa fragilidade adota a extrema pró-atividade de eleger um bode expiatório. Ser o valente, supostamente corajoso e impetuoso de atacar alguém, hão de convir que é uma bela escapatória para alguém que já percebeu que sua solução pessoal não será nada fácil.

Considero que as colocações feitas até o momento são importantes, mas estaria sendo extremamente reducionista se não colocasse o fenômeno do BULLYING juntamente com outros processos psíquicos. Quando falamos de tal agressão ou zombaria pensamos nos adolescentes ou jovens, fato incompleto, pois o correlato do BULLYING juvenil é o assédio moral e sexual perpetrado em diversos locais de trabalho, e noto que muito poucos tocam nesse assunto. Outra associação macabra que se pode fazer é com relação aos problemas conjugais e afetivos, confesso que em mais de duas décadas como terapeuta de casal, nunca assisti tanta perversão sexual entre os casais como hoje em dia, não é mais aquela história de trair ou ter uma amante apenas, a coisa se tornou nefasta, sendo pura promiscuidade, casais com anos de elo sólido recorrendo à prostituição, swing e coisas do gênero, sem a menor preocupação se o outro irá descobrir ou não, pois já tem a convicção que o parceiro é mais fragilizado e não deseja se separar, isso é puro BULLYING, e esse mesmo parceiro que aceita tal agressão assim como o familiar do drogado se torna co-dependente, fazendo mais uma associação. Uma cena recente muito comum me chamou a atenção, vi um grupo de jovens praticando BULLYING contra uma menina, fazendo aquela brincadeira de agarrar sua mochila e jogando de um para outro. A menina estava literalmente desesperada. Na hora pensei naquelas famosas medidas educativas ou paternalistas, que seria dizer para eles que todos devem ter uma irmã e que não se deve fazer tal ato. Mas optei pela inovação, simplesmente, perguntei se algum deles se importava com o sentimento da menina, se algum dia viram alguém desesperado e tentaram fazer algo. A reação foi de total espanto, simplesmente não havia leitura no quesito sensibilidade, apenas narcisismo, agressividade e competição, exatamente o tripé de nosso sistema social, não acham?

Afora a questão que venho colocando sobre a relação entre BULLYING e exclusão, devemos também associá-lo ao quesito solidão pura. O agressor sabe que sua atitude sádica irá gerar temor não apenas em quem está sofrendo o abuso, mas para toda a turma envolvida nessa peça funesta, então, assim como expliquei acima de já ter certeza de não galgar no futuro uma boa posição social, o mesmo já tem a certeza que será temido e sua solidão só irá aumentar gradativamente, então antes de ser totalmente eliminado do rol das reais amizades, tenta imputar a outro essa pena dramática. Não preciso nem destacar que se analisarmos a personalidade do agressor descobriremos ser portador do mais profundo complexo de inferioridade, projetando apenas uma superioridade ilusória no tormento perante outro ser humano. Embora já tenha afirmado que o fenômeno é extremamente antigo, só em meados da década de noventa o assunto veio à tona sem o uso do termo BULLYING. Lembro-me em várias palestras das quais dei ou participei, a solução que os pais adotavam era colocar o filho no judô ou algo similar para derrotar e inverter a ordem dos fatos. Muito poucos estavam dispostos a discutir a fundo as questões psíquicas e emocionais. Lembro até que uma vez um pai me questionou se meu filho viesse corriqueiramente sendo alvo de piadas se eu não o ajudaria aprender a se defender. Claro que sempre somos tentados pelo imediatismo, fica mais fácil a impulsividade de empurrar uma criança para o círculo da agressividade do que quebrar a cabeça para se buscar outra solução. Mas o que mais me impressiona nisso tudo é a compreensão da criança acerca do problema. Recentemente uma de minhas pacientes me pediu para que interpretasse um sonho do filho dela de 10 anos que a deixara extremamente impressionada. O sonho era: “estava num monte sagrado vi dois anjos, um com olhos da cor esmeralda que dizia de sua alegria de compartilhar a paz com deus e adorar se dar bem com as pessoas, chorava o tempo todo, o outro anjo com olhos vermelhos dizia de seu contentamento em poder perceber a realidade do mundo, como as pessoas eram agressivas gratuitamente e como não faziam o mínimo esforço para ajudarem o próximo”. Realmente impressiona como uma criança de 10 anos é capaz de perceber a dualidade que o psicólogo CARL GUSTAV JUNG inferia aos processos psicológicos do ser humano, como uma criança já percebe o regozijo da amizade e companheirismo, e sente concomitantemente o terror da ameaça e desprezo, esse mundo competitivo está não apenas abreviando o período da inocência como todos dizem, mas empurrando almas inocentes para uma desilusão precoce, e isso é terrível.
Seguindo a trilha do sonho citado, porque algumas pessoas parecem que passam despercebidas ou então são inteiramente aceitas pelo grupo social, ao contrário de outras que marcam seu currículo pessoal pelo escárnio e exclusão? Será uma questão de beleza, simpatia ou sedução? A resposta é afirmativa obviamente, mas pontuo para qualquer pessoa que tenha um problema de auto-estima que mais vale lidar com seu desgosto seja corporal ou de personalidade, do que aquela atitude dissimulada de angariar simpatia ou simplesmente tentar agradar a todos visando uma popularidade. Parece um tanto simples, mas o que a maioria da população do planeta abriu mão é da autenticidade, essa é que é a verdade, e então novamente entra em jogo a loucura da opinião do outro ou ser aceito a qualquer custo. Mas nesse ponto temos outro problema estrutural. Lembro-me de um jovem obeso que uma vez me perguntou como ele poderia se gostar já que nenhuma mulher olhava para o mesmo. A indagação parece corriqueira, mas não duvidem que seja um imenso desafio para qualquer psicólogo. A resposta é o que chamo de análise global da personalidade do indivíduo. O primeiro questionamento é se o mesmo gostaria de ser magro por desejo próprio, ou apenas para não ser mais notado ou molestado. Segundo, o incômodo só surgiu depois de alguma brincadeira ou foi motivado por um alerta médico? Isto é fundamental, recentemente conversando com um gastroenterologista, o mesmo me afirmou que o fracasso da operação de redução de estômago ocorre cinqüenta por cento mais vezes naquele tipo de paciente que deseja a operação para fugir da discriminação, e que o êxito da mesma ocorre na naquele indivíduo que focou apenas a questão da saúde. A coisa é tão radical que discutimos que tal análise poderia ser estendida para quase todo tipo de cirurgia estética, alguém que se sente inferiorizado por natureza, jamais se dará por satisfeito, muito pelo contrário, após a correção cirúrgica entra o fenômeno do “estranhamento” em relação à sua imagem corporal. Então fica a questão ainda no ar, o que é se gostar? A resposta passa por todo um questionamento do histórico do sujeito, sua relação parental, com os irmãos, como lidou com situações novas ou de stress como exemplos. Mas o epicentro da coisa é que se gostar é a arte de cada qual encontrar uma qualidade única não apenas no quesito talento, mas como personalidade e seu real valor como uma entidade humana, e isso passa longe de qualquer comentário grotesco de alguém insensível ou espumando agressividade. O valor próprio não é medido apenas na realização, pois seria meramente um conceito cartesiano, mas, sobretudo na possibilidade e crença da mesma, e isso é um dos conceitos mais importantes que podemos transmitir, e não se trata de esperança, pois a mesma é fantasia, mas, como disse possibilidade, pois a mesma é real, é desafio, é o indivíduo se mobilizar, agir, ficar consternado consigo mesmo, para descobrir um modelo de vida mais prazeroso e não o inferno de seus traumas pessoais.

Podemos também fazer um paralelo entre o BULLYING e impulsividade. Sem sombra de dúvida que o agressor sofre do último transtorno referido. Mas e a vítima, que processo psíquico vivencia? Seja sua agressividade ou impulsividade está dirigida internamente, não no meio social, logicamente não estou defendendo qualquer resposta de força, mas apenas enfatizando que a diferença é exatamente a internalização desse conteúdo, o resultado é uma percepção de si próprio como um indivíduo não no sentido de covarde como muitos pensariam, mas a certeza de que carrega uma morbidez, uma chaga que não o deixará livre para o convívio social, este é um dos pontos mais dramáticos do fenômeno, pois já assisti mulheres e homens extremamente atraentes do ponto de vista físico e outros atributos padecerem de tal moléstia justamente quando a opinião alheia os inferiorizou. É como se jamais tivessem uma segunda chance de se redimirem ou recuperarem o respeito alheio, assim como o tímido que perante o primeiro impasse afetivo desiste de qualquer nova iniciativa no âmbito interpessoal. Mas porque um comentário externo evidencia tal grave reação? Assim como o agressor, a vítima do BULLYING geralmente também sofre de sérias complicações psíquicas e é isto que quase ninguém fala, o tratando apenas como vítima. Essa postura misericordiosa não ajuda em nada, e novamente enfatizo que a solução não é orientar para que reaja agressivamente, mas que entenda porque quase perdeu seu respeito próprio ou capacidade de se defender de forma construtiva, esse é o ponto principal que gostaria de enfatizar neste estudo. Novamente muitos gostariam de me colocar literalmente na parede para que desse a fórmula do quase problema aritmético insolúvel, e responderia que o próprio exercício profissional, dá a resposta, aprender a interpretar, não entrar no veneno do paciente, essa é a questão, desarmar e expor porque alguém precisa fragilizar outrem para se sentir melhor, como prova, tocando novamente no fato de ter sido docente, lembro que quase nunca tive problema de indisciplina justamente por ser psicólogo, e causar medo que os alunos pensassem que eu os estaria analisando, claro que não estou dizendo que a saída é esboçar pavor em alguém, mas lembro que o problema não era bem medo dos alunos em relação a minha pessoa, mas o pavor de um questionamento franco acerca de suas atitudes e comportamentos desvirtuados, pois é difícil alguém compreender seja o positivo ou negativo, não concordam?

Se pensarmos em alguma solução para o fenômeno que está sendo discutido teremos de nos esforçar muito mais. Enfatizei que o BULLYING não é um fenômeno que se concentra só na adolescência, embora tenha mais peso nessa idade, devido à descoberta da sexualidade no adolescente e firmar contratos e compromissos sociais. Neste ponto, novamente coloco a teoria de CARL GUSTAV JUNG acerca dos opostos, quanto maior o grau de tecnologia e informação maior tende a ser as dificuldades pessoais como descrevi: impotência sexual, timidez e agressividade. É claro que uma mente assolada por todos os lados por milhares de informações tentará se defender a qualquer custo, rebaixando o nível interpessoal essa é que é a mais pura verdade. De certa forma todo mundo já sabe disso, e acho até louváveis aquelas atitudes paternas de levarem seus filhos para um determinado acampamento com o intuito de despertar nos mesmos o convívio social e espírito de grupo, mas penso que o passo mais importante ainda é o diálogo no ambiente familiar que infelizmente ainda permanece tosco e primário. Todos os casos de agressividade infantil excetuando alguns distúrbios neurológicos se dão em lares onde a comunicação é incipiente ou quase inexistente, pais totalmente ausentes ou como disse que apenas cobram desempenho material, então se alguém quer resolver o problema, está mais do que na hora de não apenas cobrar uma boa nota escolar, mas, sobretudo, cobrar um lado humano de convivência e respeito por todo o tipo de diferença, conhecem alguma família que pratica tal exercício? Analisando outro sonho de uma universitária que sofre BULLYING em razão se sua obesidade, gostaria de discutir um pouco mais esse fenômeno do medo e pavor. No sonho a mesma era espancada por três rapazes até literalmente desfigurarem seu rosto, a ajuda só chegou tarde demais. Se pensarmos do ponto de vista psicanalítico três pessoas representam sua família, e a paciente justamente sentia uma total falta de apoio por parte dos pais não somente no tocante a obesidade, mas reclamava de ter de conviver com as constantes brigas dos mesmos, além de seu sonho ser uma reprodução fiel da frieza e desajuste de seu lar, o mesmo diz que seu pavor e baixa estima podem chegar ao grau máximo de uma desfiguração que faça com que nunca mais seja aceita em lugar algum, então não se trata de uma simples brincadeira, mas que está em jogo se vale a pena realmente para esta jovem continuar sua vida, então penso que o fenômeno passa a ser dramático.

O fenômeno BULLYING só adquiriu essa imensa conotação mundial por esconder raízes de outros processos que desenvolvi no texto como: insensibilidade, impulsividade, agressividade, complexo de inferioridade e superioridade dentre outros. Além do mais, não se trata apenas de uma brincadeira jocosa contra alguém, mas uma forma do ser humano mostrar seu lado irascível. Sofro BULLYING diariamente quando um paciente reclama de meu tom enérgico por lhe cobrar mais empenho no processo terapêutico, na esfera familiar também ocorre o fenômeno como descrevi na recusa do diálogo entre pais e filhos, na relação conjugal está explícito, então temos de refletir no todo, e não apenas numa parte isolada do problema. O que se coloca com tal questão enfim, é o tipo de ser humano que desejamos ser, um narcisista opaco apenas com certa popularidade, um tímido que deseja sair de cena a qualquer custo apenas priorizando o lado material como compensação, uma personalidade melindrosa que nunca se gostou sequer por 24 horas no decorrer de sua vida, ou alguém que realmente aceite o desafio de se descobrir e ter prazer no convívio harmonioso e profundo com outro ser humano?
Antônio Carlos Alves de Araújo - Psicólogo

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